Cebes apoia campanha internacional contra preço abusivo do lenacapavir, que previne HIV

Tempo de leitura: 3 min
Gilead, diminua o preço do PrEP de longa duração Foto: MSF

Testado em brasileiros, o lenacapavir não está disponível no país. Cresce a pressão contra fabricante Gilead pelos preços abusivos. Campanha internacional dos Médicos Sem Fronteira cobra redução global do preço

Por Clara Fagundes, no site do Cebes

Inovação sem acesso é injustiça. A frase do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na abertura da 26ª Conferência Internacional sobre a AIDS (AIDS 2026), resume o evento. A conferência foi marcada pelos excelentes resultados clínicos do lenacapavir, injeção semestral para prevenção do HIV com eficácia próxima a 100%, e pelos protestos contra a fabricante, Gilead, que chega a cobrar valores acima de 50 mil reais por dose.

A recusa da farmacêutica Gilead em chegar a um acordo com o Ministério da Saúde sobre o preço do medicamento, provocou forte reação entre lideranças da sociedade civil. Estudo do Instituto Nacional de Infectologia da Fiocruz em sete cidades brasileiras apontou que 97% dos voluntários preferem a injeção à PrEP oral diária, já disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).

O Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) apoia a campanha global do Médicos Sem Fronteira pela redução do preço do lenacapavir e as negociações transparentes, considerando as necessidades urgentes de Saúde dos brasileiros. Em maio de 2007, o licenciamento compulsório do antirretroviral efavirenz reduziu drasticamente os custos, permitindo a distribuição universal e gratuita pelo SUS. O processo seguiu as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), permitindo a compra e importação de genéricos.

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Lenacapavir. Duas doses. 40 dólares. Em todo lugar*

*Campanha global dos Médicos Sem Fronteira, traduzida pelo Cebes. Acesse para subscrever

Uma mudança de paradigma na prevenção do HIV chegou: o lenacapavir (LEN), uma injeção que precisa ser aplicada apenas duas vezes por ano e é quase 100% eficaz na prevenção da infecção pelo HIV.

No entanto, a Gilead, empresa farmacêutica que fabrica o LEN, está impedindo que esse medicamento chegue a muitas pessoas em países de baixa e média renda (PBMR). A empresa comercializa o LEN a preços extremamente elevados (mais de US$ 28 mil por pessoa por ano nos Estados Unidos), restringe severamente seu fornecimento a determinados países e se recusa a vendê-lo diretamente aos Médicos Sem Fronteiras (MSF).

Um avanço médico como o LEN deveria estar disponível em todos os lugares. Agora.

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Os Médicos Sem Fronteiras (MSF) prestam assistência em saúde e defendem o acesso ao tratamento e à prevenção para pessoas que vivem com HIV e para aquelas afetadas pela epidemia. O MSF oferece profilaxia pré-exposição (PrEP), como o LEN, a comunidades em países de baixa e média renda que enfrentam maior risco de infecção pelo HIV, incluindo homens que fazem sexo com homens, pessoas transgênero, profissionais do sexo, pessoas que usam drogas injetáveis e pessoas privadas de liberdade, além de populações que vivem em contextos de conflito e outras crises humanitárias.

Estamos pedindo que a Gilead:

Reduza o preço do LEN para menos de US$ 40 por pessoa por ano em todos os países de baixa e média renda;

Amplie a oferta global do medicamento para atender à demanda real;

Venda o LEN diretamente ao MSF e a outras organizações.

No Mês do Orgulho, estamos exigindo prevenção ao HIV para todas as pessoas

O HIV não está esperando. Então, por que a Gilead está?

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