Dia Mundial da Saúde: Em SP, movimentos lançam carta aberta em defesa do SUS; leia a íntegra

Tempo de leitura: 3 min
Foto: Nádia Machado/SindSaúde-SP

Da Redação

Hoje, 7 de abril, é Dia Mundial da Saúde.

Na cidade de São Paulo, entidades e militantes que defendem o Sistema Único de Saúde (SUS) realizaram uma caminhada na manhã desta terça-feira.

Saiu da Praça Ramos de Azevedo, em frente ao Teatro Municipal, e foi até a sede da Prefeitura de São Paulo, no viaduto do Chá, 15.

As Plenárias Municipal e Estadual de Saúde de São Paulo lançaram carta aberta em defesa do SUS.

Leia a íntegra, abaixo.

***

CARTA ABERTA EM DEFESA DO SUS

AÇÃO GLOBAL PELA COBERTURA UNIVERSAL EM SAÚDE

Todos os anos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) elege um tema para mobilização e debate no Dia Mundial da Saúde, celebrado em 7 de abril.

Em 2026, o tema inicialmente divulgado foi “Ação global pela cobertura universal em saúde”, posteriormente modificado para “Juntos pela saúde. Apoie a ciência”.

Reconhecemos e valorizamos a ciência, defendemos sua autonomia e lutamos por seu financiamento adequado. Porém, insistimos no tema inicialmente proposto pela OMS e questionamos: em um contexto global de conflitos e guerras, a quem interessa mitigar o debate sobre a universalidade em saúde?

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No Brasil, o Sistema Único de Saúde tem como princípios fundamentais: a universalidade, a equidade e a
integralidade.

Assim, desde sua fundação, nosso SUS busca a cobertura universal em saúde, sem distinção de territórios e populações. Apesar dos avanços, na celebração dos 40 anos da 8a Conferência, ainda temos muito a
conquistar!

Com racismo, machismo e desigualdade, não há universalidade

Pessoas pretas, mulheres, moradoras de periferias e deficientes morrem mais e mais cedo, vítimas de problemas de saúde que poderiam ser evitados e da violência.

Têm piores indicadores de saúde ao longo da vida, mais dificuldades de acesso aos serviços e, quando conseguem atendimento, sofrem com discriminações, racismo institucional e baixa qualidade da assistência.

Quem é mãe ou cuida de uma pessoa ainda enfrenta a ausência de políticas intersetoriais que conectem a saúde com a educação, a assistência social, a habitação e os direitos humanos.

Com tanta terceirização, não há universalidade

A cidade e o estado de São Paulo são provas de que a terceirização falhou!

Além de não melhorar o acesso aos serviços de saúde, ainda piorou o atendimento. Filas, superlotação, falta de vagas e baixa qualidade da assistência, além das notícias de fraudes, continuam fazendo parte do cotidiano.

Com a alta rotatividade de trabalhadores nas OSS, não há educação permanente em saúde, com prejuízos inegáveis às dimensões de vinculação e formação profissional.

O prefeito Ricardo Nunes e o Secretário de Saúde Zamarco contratam Organizações Sociais da Saúde (OSS) que têm reputação ruim e não monitoram suas atividades de forma correta, pois são contados “números de atendimentos” sem se importar se a saúde da população está melhorando.

Ao mesmo tempo em que pagam milhões para as OSS, dão o calote em outras empresas, deixando a municipalidade descoberta.

Sem financiamento adequado, não há universalidade

Um SUS forte e soberano precisa de financiamento para todas as suas ações, incluindo a promoção, a prevenção e a assistência em saúde, com unidades bem estruturadas e força de trabalho motivada e respeitada em seus direitos. Sem isso, não é possível enfrentar as desigualdades pelo território e implementar as políticas e programas de forma efetiva.

São Paulo tem papel relevante também na formação de recursos humanos da saúde, no desenvolvimento científico e tecnológico e no complexo económico-industrial da saúde.

Nesses setores, o fechamento da FURP pelo governo estadual e o sucateamento dos laboratórios municipais configuram perdas para a população e para o conjunto do sistema de saúde.

Sem controle social, não há universalidade

Há anos os governos estadual e municipal de São Paulo vêm tentando minar os espaços de participação social, mas usuários(as) e trabalhadores(as) do SUS resistem na luta!

Por um sistema de saúde verdadeiramente universal, equânime e integral, pela democracia e pela soberania nacional, reivindicamos concursos públicos para a saúde, ampliação do financiamento do SUS municipal e estadual e controle social efetivo!

Assinam a Carta, os Movimentos, Coletivos, Entidades de Trabalhadores, Partidos e Parlamentares, abaixo listados

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