A manchete inicial, na primeira página digital do New York Times, dizia: “Unarmed, Bin Laden ‘resisted'”. Infelizmente, não fiz print-screen. Mais tarde, mudou para a manchete acima, “Bin Laden estava desarmado quando foi morto”. A versão traduzida abaixo reflete o texto que acompanhava a manchete inicial. Mais tarde, ela foi completamente modificada para refletir declarações segundo as quais, na confusão do combate, soldados americanos não tinham como discernir se Osama bin Laden poderia ou não reagir. Para ler o novo texto, em inglês, clique aqui. Siga o link sob o título para ler o texto antigo, traduzido abaixo. Curioso, muito curioso…
May 3, 2011, 3:23 pm
White House Corrects Bin Laden Narrative
By MICHAEL D. SHEAR
Autoridades da Casa Branca buscaram na terça-feira corrigir a versão oficial do ataque no Paquistão que resultou na morte de Osama bin Laden, dizendo que o líder da al-Qaeda não estava armado e que a mulher dele não foi morta. Mas eles acrescentaram que bin Laden resistiu quando confrontado durante o ataque.
A nova narrativa do Departamento da Defesa divulgada pela Casa Branca e lida durante um briefing na terça-feira diz que uma das mulheres de bin Laden foi alvejada na perna quando atacou membros do comando no terceiro andar da casa.
“No quarto com bin Laden, a mulher — esposa de bin Laden — se dirigiu em direção a um dos militares dos Estados Unidos e foi acertada na perna, mas não morta”, diz a declaração. “Bin Laden então foi acertado e morto. Ele não estava armado”.
A narrativa foi divulgada no momento em que escalaram as tensões entre os Estados Unidos e o Paquistão, com autoridades paquistaneses acusando os Estados Unidos de “uma ação unilateral não autorizada” em seu território que não seria tolerada novamente e o enviado dos Estados Unidos ao Afeganistão e Paquistão, Marc Grossman, dizendo a autoridades paquistaneses que a paciência com eles estava acabando no Congresso [dos Estados Unidos].
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Ao divulgar a nova narrativa do ataque, Jay Carney, o secretário de imprensa da Casa Branca, tentou corrigir declarações feitas por autoridades do governo que haviam sugerido que bin Laden estava armado durante o ataque.
Sob questionamento, o sr. Carney disse que a Casa Branca mantinha sua alegação feita na segunda-feira de que bin Laden resistiu à captura, mas disse que “resistência não requer uma arma de fogo”. O sr. Carney disse que a nova narrativa era resultado de informação “fresca”.
“Quero deixar claro que é, novamente, informação fresca e, voces sabem, vamos continuar a juntar e providenciar a voces detalhes, quando conseguirmos e pudermos divulgá-los”, afirmou o sr. Carney. “A resistência foi completa, como eu disse”.
Na segunda-feira, John O. Brennan, o principal assessor de contraterrorismo do presidente Obama, disse acreditar que a esposa de bin Laden foi morta quando tentava proteger o líder do terror durante o ataque de 40 minutos.
Mas a narrativa divulgada na terça-feira pelo sr. Carney sugere que a mulher que morreu durante o ataque era parte de outra família que vivia na casa. A narrativa diz que a mulher foi morta no primeiro andar, não no terceiro, onde bin Laden foi encontrado e morto.
“No primeiro andar do prédio do bin Laden, dois mensageiros da Al Qaeda foram mortos junto com uma mulher que morreu no tiroteio”, o sr. Carney disse. “Bin Laden e sua família foram encontrados no segundo e terceiro andares do prédio. Havia a preocupação de que bin Laden se oporia à operação de captura, e ele de fato resistiu”.
Nem a narrativa do Departamento de Defesa nem a do sr. Carney fizeram qualquer menção ao fato de que a mulher morta teria sido usada como “escudo humano” durante o ataque, como foi previamente descrito.
Autoridades do governo também mudaram sua descrição sobre quanta informação o sr. Obama e outras autoridades do alto escalão da Casa Branca tiveram em Washington, enquanto a operação acontecia no Paquistão.
Na segunda-feira, o sr. Brennan disse repetidamente que ele e outros no Situation Room estavam monitorando a situação em “tempo real”. O sr. Brennan não disse na segunda-feira se as autoridades podiam ver ou ouvir a operação [em andamento].
“Éramos capazes de monitorar a situação em tempo real e ter updates regulares e garantir que tinhamos visibilidade em tempo real sobre o progresso da operação”, o sr. Brennan disse a repórteres na segunda-feira.
Mas na terça-feira, Leon E. Panetta, o diretor da Central de Inteligência Americana, disse numa entrevista à Newshour da PBS que “quando as equipes entraram na casa, posso dizer que houve um período de cerca de 20 a 25 minutos quando nós realmente não sabíamos exatamente o que estava acontecendo, e houve alguns momentos tensos enquanto esperávamos por informação”.
“Mas finalmente”, o sr. Panetta disse, “o almirante McRaven voltou e disse que tinha ouvido a palavra ‘Geronimo’, que era a palavra-código para representar que tinham pego bin Laden”.
PS do Viomundo: Nos Estados Unidos os propagandistas dizem que é preciso “controlar a narrativa”. A versão de que Osama bin Laden tinha se escondido atrás de uma mulher era a mais conveniente. Agora, a mulher morta está no primeiro andar e a ferida na perna, no terceiro, junto de bin Laden. O que nos leva a perguntar: se atiraram na perna de uma mulher desarmada, por que não poderiam atirar na perna de um terrorista desarmado e capturá-lo vivo? O problema é que sobraram testemunhas vivas. Talvez o comando americano gostaria de tê-las trazido para o Afeganistão, junto com o corpo de bin Laden, mas com a perda de um helicóptero faltou espaço. Assim, é preciso adequar a “narrativa” ao fato de que testemunhas vivas agora podem desmentí-la. Estou apenas testando hipóteses. Se o Ali Kamel pode, também podemos.
Leia aqui o relato do jornalista Robert Fisk sobre as entrevistas que fez com bin Laden.




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