Jornalista revela como sindicato patronal fez campanha pelo impeachment na mídia

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O pato era você, leitor

COMO AJUDEI A MANIPULAR OPINIÕES E VIABILIZAR O GOLPE

por Elcio Cabral Melo, jornalista, no Facebook, via Maria Frô, na Revista Fórum

Peço desculpas por ter colaborado com essa sujeira, e quero me justificar dizendo que eu estava tentando trabalhar honestamente, que entrei em depressão nesse trabalho e (ainda bem!) fui demitido.

Foi entre julho de 2014 e junho de 2015 que trabalhei como jornalista, assessor de imprensa, repórter e ghostwriter do Sindhosp (Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de SP) e Fehoesp (Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de SP) e lá ajudei a “aquecer o caldeirão” em que colocaram a democraticamente eleita presidenta Dilma Rousseff.

Um golpe começa assim: você reúne os interessados e vai “queimando o filme” da presidenta em várias frentes, culpando-a de tudo que for possível, usando as televisões, os jornais, as rádios e os portais da internet. Um dos interessados na queda de Dilma era o meu chefe, Yussif Ali Mere Jr., bem como seus colegas diretores do sindicato e da federação.

Assim, tive de escrever coisas que abomino, e quem assinava era o presidente, ou vice, ou algum manda-chuva de lá.

Consegui publicar as opiniões em jornais como “Folha”, “Estadão”, “Valor Econômico” e “O Globo”, entre outros.

Lembrando: eu era só um jornalista de uma pequena associação patronal.

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Muitos outros estavam fazendo o mesmo por aí, no Brasil todo.

Exemplos: Fiesp, Fecomercio, Febraban etc…

PASSOS DA MANIPULAÇÃO

A) Desqualificar o alvo:
 “Mere Jr explicou que 2015 é “o ano do ajuste de contas”, visto que a presidente Dilma Rousseff não tomou as atitudes cabíveis na economia no passado”  — Ver aqui

— “Os dados do TCU confirmam (editorial “As Falhas do Mais Médicos“) o que já era sabido: o programa Mais Médicos, de forte cunho ideológico e que liga o atual governo à ditadura cubana dos irmãos Castro, foi feito às pressas às vésperas das eleições e tem caráter eleitoreiro.” — Ver aqui

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— “Em vez de leiloar ministérios para acalmar os ânimos dos partidos aliados – que de aliados não têm nada – o governo deveria anunciar as reformas políticas e ministeriais. Trocar favores, votos e cargos é uma barganha que faz mal à saúde.”

— “Parabenizo o economista Arminio Fraga, cujas palavras desnudaram a tese falaciosa da candidata Dilma Rousseff. Por mais que haja, no governo atual, malabarismos financeiros, a verdade sempre surgirá, pois os números não mentem. É preciso manter olhos e ouvidos atentos.” — Ver aqui

B) Impor a agenda de direita como se fosse solução para todos os problemas:

— “O texto revela o mal que centrais sindicais estão provendo nas relações de trabalho. Políticas de bondade não levam ao crescimento. O país só integrará o rol dos desenvolvidos quando melhorar a produtividade.” — Ver aqui

C) Ignorar assuntos desconfortáveis como a Lei-Anticorrupção, enviando um subordinado em seu lugar:
 “Marcelo Luis Gratão, gestor do Instituto de Ensino e Pesquisa na Área da Saúde (IEPAS), representou o presidente da FEHOESP e do SINDHOSP, Yussif Ali Mere Jr, no 1º Seminário Lei das Empresas Limpas com Foco na Área da Saúde.” — Ver aqui

D) Dar o tiro de misericórdia: 
“Junto com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e outras centenas de entidades, o SINDHOSP, a FEHOESP e seus sindicatos filiados estão apoiando a campanha pelo “Impeachment Já!” da presidente da República, Dilma Rousseff.“– Ver aqui

E) Celebrar:

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Leia também:

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