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Cartas de Minas
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Zarattini: Reforma da Previdência é para atacar 70% da população que recebe menos de dois salários mínimos

13 de dezembro de 2017 às 22h55

Reforma da Previdência de Temer: outro golpe contra os trabalhadores

 por Carlos Zarattini*, especial para o Viomundo

Os números não mentem: a proposta de reforma/desmonte da Previdência encaminhada ao Congresso pelo governo Michel Temer é uma verdadeira tragédia para o povo brasileiro. As mudanças propostas vão acabar com a aposentadoria da maior parte dos trabalhadores, massacrando os mais pobres.

A população já percebeu e, por isso,  o governo vem gastando milhões de reais com peças publicitárias terroristas para tentar convencer o País de que as mudanças são necessárias, mas não mostra número verdadeiros.  

Empresas devem R$ 422 bilhões à Previdência. Mas o governo tem sido pródigo em benefícios grupos empresariais, com bilhões de reais em perdão de dívidas e isenções fiscais. Basta lembrar que a MP 795 doa a multinacionais do petróleo R$ 1 trilhão de reais em tributos, ao longo de 20 anos.

Como o problema é da Previdência se o governo doa R$ 1 trilhão  a petroleiras estrangeiras, que vão explorar nosso petróleo a 1 centavo de real o litro? Essa isenção fiscal é o dobro do que o governo pretende economizar com a famigerada reforma da Previdência.

Elite – Inúmeras benesses bilionárias são concedidas à elite do sistema financeiro. A MP 784 permite aos bancos pagarem R$ 50 milhões, dos R$ 500 milhões em multas devidas.

O Refis para empresas arrecadou R$ 7,5 bilhões, apenas metade do previsto, para renunciar a cerca de R$ 85 bilhões. Mas o governo alega que o problema é a Previdência.

 A reforma é rejeitada por 85% da população. Mesmo assim, Temer segue as ordens do mercado financeiro, que está de olho em clientes para planos de previdência privada. É um mercado de bilhões de reais. Pobres ficarão naturalmente fora desses planos privados.

A reforma proposta, portanto, empurra milhões de brasileiros das camadas mais pobres da sociedade ao pior dos mundos: sem aposentadorias, sem previdência privada e sem renda garantida por um sistema que se baseia no princípio da solidariedade universal surgido no século XIX na Alemanha de Bismarck.

Mentira– O governo mente ao dizer que a maior parte dos trabalhadores não será atingida. Todos  serão atingidos, porque o valor dos benefícios previstos na reforma é muito menor. Esse é um dos objetivos do que propõe Temer. 

Hoje, o valor do benefício resulta de uma média de 80% das maiores contribuições do segurado; com a reforma, a média ponderará todas as contribuições.

Só essa diferença representa uma diminuição média de 10% do valor do benefício – alguns perdem bem mais. Aposentadoria integral, somente com ininterruptos 40 anos de contribuição.

Como um cortador de cana, que começa a trabalhar, em média, com 16 anos de idade, vai se aposentar?

Aos 45, seu corpo não suportará trabalhar mais 20 ou 25 anos. Um professor prestes a se aposentador, com 25 anos de contribuição, terá que trabalhar mais 15 anos para ter a aposentadoria integral.

Os professores são particularmente atingidos.   Uma professora do ensino infantil que comece a trabalhar aos 18 anos até atingir a idade mínima de 60 anos, vai ter que trabalhar 46 anos para se aposentar, pois a idade mínima subirá um ano a cada 10.

Algum professor com 64 anos consegue dar aulas para crianças? Só se for na cabeça de Temer e de seus gênios insensíveis e antipovo.

Cortes – Outra maldade é contra casais de aposentados. Se um dos cônjuges morrer, haverá um corte brutal da renda. Simulações mostram que a proposta do governo vai reduzir  a renda de 50% a 70% dos casais aposentados pelo Regime Geral do INSS.

Hoje, quando um dos dois morre, acumula-se o rendimento. Em alguns casos de aposentados pelo Regime Único (do funcionalismo público), o corte dos ganhos poderá girar em torno de 60%.

Parece que há no Palácio do Planalto uma central de maldades orientada a retirar direitos sociais, previdenciários e trabalhistas da população brasileira.

É por isso que nesta semana centrais sindicais, igrejas, sindicatos, movimentos sociais e outros diferentes segmentos da sociedade decidiram ir às ruas para dar um basta à reforma de Previdência. Parlamentares que a defendem estão na mira da campanha legítima que os denuncia por agirem contra a maioria da população.

A mobilização popular vai impedir a votação desta desumana reforma da Previdência. É uma antirreforma para atacar violentamente as mulheres, os mais pobres e os idosos.

O desumano arrocho na classe trabalhadora se destina a pagar juros a banqueiros, fomentar a previdência privada. É para atacar 70% da população que recebe não mais que dois salários mínimos. Perversidade descomunal.

*Ricardo Zarattini é deputado federal (PT-SP), líder do partido na Câmara Federal

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