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Thomas Castilho: O que se esconde em Oruro

03 de março de 2013 às 14h17

Imprensa alimenta relação ambígua com as torcidas organizadas: demoniza-as, mas, ao mesmo tempo, as utilizam para promover o espetáculo

Thomas Castilho, especial para o Viomundo

Poucos assuntos parecem atingir um consenso tão grande como as torcidas organizadas. O senso comum não hesita em achar que se trata de gente desqualificada, criminosos travestidos de torcedores, marginais. Os predicados variam ao gosto de quem escreve e de quem lê.

Mas é real, também, que elas contribuem bastante para que esse preconceito se dissemine, assim como a atuação medíocre do mainstream do jornalismo brasileiro que já não se dá o trabalho de apurar os fatos, e condena por antecipação.

A morte do garoto Kevin descortinou esse quadro como nunca antes, além de evidenciar uma série de incongruências no futebol latino-americano, em todas as suas instâncias.

Após viver 10 anos a realidade dos Gaviões da Fiel, entre 1992 e 2001, de maneira mais ou menos intensa, sendo apenas um associado, como diretor ou conselheiro, aprendi que as torcidas compõem um ambiente mais heterogêneo e complexo do que possa parecer.  Não há, em nossos dicionários, adjetivo capaz de qualificar universo tão vasto de seres humanos. Seus associados mais ativos, contudo, são em grande parte jovens entre 17 e 25 anos, cheios de energia e disposição, a procura de um sentido para a vida. E encontram nas torcidas um ambiente propício para manifestar seu amor latente, sua vontade de ser alguém, e também sua violência.

A pesquisadora Heloísa Reis, da Unicamp, talvez a única estudiosa sistemática da violência e das torcidas organizadas no Brasil, porém, ensina: “As raízes da violência (ou violências, grifo meu) relacionada ao futebol estão na sociedade brasileira. A formação de indivíduos apáticos ou agressivos e violentos ocorre a partir de sua sociabilidade primária, quando já podem ser percebidas manifestações agressivas ou apáticas: que serão mais explicitadas na juventude, podendo permanecer na fase adulta.”

No caso do futebol, seria ingênuo dissociar a violência do torcedor da violência do policial, da violência do organizador, da violência do poder público, da impunidade, do consumo de álcool – que tem a mídia como principal estimuladora do consumo (Reis H., Violência e Futebol).

Mas por que eu estou falando de violência? Estou falando de violência porque o episódio em Oruro foi protagonizado por torcedores organizados. E para todos, isso basta. É simples assim?

Então vejamos. Há imagens (aqui) e testemunhas, entre elas algumas que afirmam que o sinalizador quase atingiu aos próprios brasileiros, sem se esquecer do réu confesso (aqui). Ah, mas ele é Laranja.

Ainda não conheci uma mãe que se dispusesse a se colocar em frente às câmeras da Rede Globo para dizer ao Brasil que seu filho é o demônio encarnado como propagado aos quatro ventos através do rádio, da televisão, dos jornais, e das redes sociais, com objetivo de salvar a pele de um suposto responsável maior de idade (aqui).

Tem que ser bem laranja para defender a tese. Além disso, o sinalizador foi disparado logo após um gol (aqui). Geralmente, nas arquibancadas, quando acontece um gol do seu time, sua torcida comemora. Não há muito tempo para pensar em atirar sinalizadores dentro do crânio de adolescentes.

Então por que continuar a falar sobre violência? Só porque o torcedor pertencia a uma torcida organizada? Sim, a lógica parece ser exatamente essa.

Um dos pontos que mais chama a atenção é a relação ambígua que a imprensa alimenta com as torcidas organizadas. Ainda que já tenham recebido todas as adjetivações possíveis e imagináveis, são essas mesmas torcidas que são utilizadas para promover o espetáculo. Grande parte dos jornalistas e cronistas esportivos, ou não (o tema é tão consensual que até intelectuais de áreas diversas se arriscam), destilam seu preconceito e ignorância temática durante os programas de televisão.

Contudo, nos intervalos, o que não faltam são imagens de torcedores uniformizados fazendo festa nos estádios. Bandeiras, cantos, papéis picados e, pasmem, muitas vezes, sinalizadores.  O jornalista Juca Kfouri, por exemplo, ainda que acredite ser uma infâmia alguém se arriscar a “defender” (seja lá o que queira dizer isso) torcidas organizadas, recheou o seu livro Corinthians, paixão e glória de fotos dessas mesmas torcidas. Resumidamente, o lado belo das torcidas serve apenas para promover o evento e render uns trocados, sem dar a elas qualquer direito à voz, qualquer direito à defesa.

Mas, partindo do pressuposto de um ato não-intencional, na hora do gol, ao acender um sinalizador que é utilizado em estádios para justamente promover o evento e fazer a festa, por que não um pouco mais de complacência e coerência num momento triste e delicado como esse?

Descarregar toda a responsabilidade do episódio em cima de um garoto de 17 anos que teve a infeliz ideia de acender um sinalizador para comemorar um gol irá prevenir outras mortes?

Manter 12 torcedores presos, sem que tivessem tido qualquer participação no episódio, apenas porque pertencem a torcidas organizadas, para saciar a sede de justiça da opinião publicada e daqueles que a reverberam, irá fazer com que os sinalizadores, ou parte deles, sejam proibidos?

Ah, mas dois deles tinham sinalizadores do mesmo lote. Sim, mas nesse estádio pirotécnico, os sinalizadores foram proibidos? Então por que as imagens mostram um faixa de torcida boliviana incandescente somada a dezenas de sinalizadores queimando sem qualquer tipo de incômodo (aqui)?

Por que a polícia, segundo relatos, não teria feito revista (aqui)? Será que foi porque o clima entre os torcedores era amistoso (aqui)?

Caso não fosse amistoso, será que os próprios torcedores do San José teriam ido até a prisão prestar solidariedade aos torcedores presos (aqui)? Torcedores organizados não são animais que sabem apenas se matar? Confuso isso, não?

Afinal, esse material era ou não proibido? O que diz o estatuto da Conmebol (aqui)? Caso não fosse, quem libera a entrada? Só Corinthians e corintianos merecem ser punidos, ainda que, o embaixador brasileiro e o advogado da embaixada do Brasil apontem diversas incoerências no inquérito (aqui e aqui)?  Ainda que o histórico de punições no futebol sul-americano pareça ser de escassa jurisprudência (aqui e aqui)?

Por que não uma visão um pouco mais equilibrada e imparcial, de modo a evitar que eventos como esse voltem a se repetir?

Que as punições sejam justas e responsabilizem a todos, além de torcedor e Corinthians – Conmebol, San José, policiamento, quem comprou, quem distribuiu, quem vendeu. Não apenas a parte mais fraca da estória, e da história. Assim, talvez pudéssemos acreditar que esse fato não servirá apenas para saciar sentimentos mesquinhos travestidos de luta por justiça.

Afinal, a Conmebol vai continuar a permitir jogos em pequenas cidades a quase 4.000m de altitude, sem estrutura e sem que o clube local garanta a segurança do evento (aqui)? Será capaz de tomar medidas outras que não escolher bodes expiatórios para maquiar sua própria incompetência e emitir notas de pesar (aqui)? Continuará tendo suas decisões sendo tomadas de maneira arbitrária, sem que sejam pelo menos apurados os fatos (aqui)?

Continuaremos presenciando jogadores sendo protegidos por escudos em cobranças de escanteio, sem que os mandantes sejam responsabilizados? Bandeirinhas continuarão sendo agredidos (aqui)? Quem vende sinalizadores de navio no centro da cidade? Eles são vendidos legalmente? Estavam vencidos? E os responsáveis pelo policiamento, alguém recebeu, ao menos, uma advertência? A família de Kevin será indenizada pela Conmebol, terá seus direitos de consumidor respeitado, já que a perda de uma vida não pode ser reparada? A hegemonia das emissoras de TV na condução do futebol será incomodada, ou apenas terão sua audiência ampliada com essa punição?

Tudo isso faz do episódio emblemático.

Em Oruro, se escondem as responsabilidades da própria Conmebol.

Em Oruro, se esconde uma imprensa tacanha, incapaz de interpretar com imparcialidade os poucos fatos que apura.

Em Oruro, se esconde uma sociedade hipócrita, que com nobreza ímpar se solidariza com a morte do garoto boliviano, mas que com uma conivência vergonhosa fecha os olhos para a execução de dezenas de jovens da periferia – em sua maioria negros – pelos grupos de extermínio que proliferam na PM paulistana, e finge não ver a dizimação de seus índios por pistoleiros pagos por latifundiários.

Em Oruro, esconde-se a mentira chamada Libertadores da América. No Brasil, se manifesta e grandeza do Sport Club Corinthians Paulista, nas atitudes pequeninas, incapazes de manter paixão clubística e preconceitos toscos afastados de assuntos sérios.

Mas e a violência? É mesmo, as torcidas. Segundo a pesquisadora Heloísa Reis, “os fatores geradores da violência são vários e complexos, mas pode-se afirmar que a disseminação de uma cultura em que violência e futebol sempre caminharam juntos contribuiu para a disseminação da violência nos estádios e dificulta a sua minimização. A ‘reação simbiótica’ entre esporte e violência não é exclusividade do futebol. Dunning afirma que todos os esportes competitivos conduzem ao aparecimento de agressão e violência (Elias e Dunning, 1992). Mas, por sua popularidade e seus valores masculinos, é no futebol que ela encontra um terreno fértil. É nesse conteúdo cultural que a expressão da violência física socialmente aceita e ritualizada aparece”.

Mas isso, isso é uma outra estória. O garoto Kevin não morreu devido à violência física, talvez a outras. Espero que não tenha morrido em vão. Justiça gera paz.

Thomas Castilho é professor de inglês

Leia também:

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38 Comentários escrever comentário »

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Alex Sandro Gomes

07/03/2013 - 19h12

Agora somos todos assassinos – Por Alex Minduín

Pois bem, bastou um torcedor morrer para nossa imprensa esportiva expor a sua “indignação” ao fato, condenando da melhor forma possível uma torcida inteira em especial os torcedores organizados, mencionam tudo o que for necessário para classificar da melhor forma possível esse tipo de torcedor. Da maneira que a imprensa brasileira divulga o fato, parece que a torcida do Corinthians, viajou 2.500km para praticar tal ação que vitimou o jovem torcedor Kevin Douglás Beltrán, de 14 anos. Não querer justificar a morte desse torcedor como uma fatalidade é pura hipocrisia, pois tenho a plena certeza que a torcida do Corinthians não saiu do seu país de origem para provocar tal ato absurdo!
Se há suspeitos, abre-se uma investigação e comprovando os fatos que haja à punição, agora execrar uma torcida como um todo e expor nomes, fotos e afins sem prova cabal é no mínimo insano!
Nossa imprensa está se tornando expert em dar “grandes” furos para ter e obter mais audiência, e isso, estão conseguindo sobre às costas dos torcedores organizados e não organizados que viajam horas a fio por amor a seus clubes.
O discurso não muda, basta ter um fato para que sejamos tachados de diversos adjetivos negativos! Agora já não somos uma nação apaixonada que faria qualquer coisa para acompanhar o time do coração, agora, diz a nossa imprensa, somos bancados pelos clubes e se utilizamos de sua marca, somos acusados de usurpar o nome e codinome de todas as instituições futebolísticas do país, em pról da nossa comunidade, o que falta mais para marginalizar o torcedor de futebol?
O ocorrido é lamentável e isso não deve proceder em nenhuma arquibancada do mundo!
Agora se utilizar do fato para obter audiência e afins é a maior violência que essa imprensa, em especial à esportiva, está fazendo com o futebol brasileiro e com os seus torcedores. Imagino o que esses jornalistas esportivos devem comentar nos encontros em bares e restaurantes na hora do almoço, me vem a mente assuntos do tipo: -Seu blog teve quantos acessos com esse assunto da Bolívia? – Quantos pontos subimos no Ibope com a morte do torcedor? Penso que a nossa imprensa também tem o papel de educar, direcionar e expor todas as mazelas que se contrapõem ao direito do cidadão, deveria ser uma premissa desse órgão tão importante, porém não é isso que vem ocorrendo com pequenas exceções.
Porquê essa mesma imprensa não menciona as condições dos estádios aonde ocorre o campeonato da Libertadores da América, inclusive do Brasil? Porquê não mencionam as dificuldades que essa mesma imprensa, equipes de futebol e torcedores passam para cobrir, jogar e prestigiar os seus times nos respectivos países que fazem parte dessa competição?
Caros jornalistas, em especial, os esportivos, já está ficando chato o sensacionalismo sem limites em torno de fatos que nós torcedores organizados e não organizados também condenamos. Somos todos assassinos?!

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roberto e santo silva

04/03/2013 - 20h13

pelo que li nos comentarios, torcida organizada nao presta,todos sao bandidos, nao trabalham.Nao tenho simpatia por torcida organizada, mas culpar todos ja e demais, como corintiano que ja fui ao estadio na decada de 80,que nao havia toda essa violencia, sinto-me ofendido por estes comentarios, nao so na tv mas aqui.quanto ao menino que morreu, quem vendeu o sinalizadores, a policia ja fez busca onde compraram otal sinalizador?garanto que nao, ai ate a proxima tragedia nos campos vao correr atras.Lembram na tragedia em sta maria,quantas casas fecharam depois do ocorrido?

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Urbano

04/03/2013 - 18h00

Na groubonoma, as novelas, o futebol e o humorismo são as coisas mais decadentes de todos os tempos da história da televisão brasileira. Para se ter uma ideia, a qualidade péssima fica rindo.

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Carlos Fuentes

04/03/2013 - 17h02

Agora os 12 caras presos na Bolivia são mártires…

Mais um tese para jogar toda a culpa na sociedade eque nada se faça. Faltou dizer que a culpa só é do rapaz Kevin e policia boliviana.

E quando integrantes de Gaviões tacaram fogo nos carros alegóricos após a apuração do desfile de carnaval do ano passado, também foi culpa da sociedade? E quando quiseram invadir o campo de jogo do Pacaembú na Libertadores 2006 contra o River? E quando entraram na arquibanda do estádio do Boca, batendo nos torcedores da própria equipe, a culpa foi da organização e da sociedade violenta?

Que fez a Gaviões e a Pavilhão 9 para que o MSI não chegasse ao clube? Nada.

o conceito de torcida organizada, no Brasil ou em qualquer lugar do mundo, é um conceito horrendo, de torcedor superior ao resto, que por isso demanda privilégios, que “defende” o clube dos malvados alheios que tentam “destruir” o clube. Desculpem, para mim são os camisas marrões dos clubes de futebol. Tô fora.

Só concordo que a mídia alimenta essas torcidas, mas não atura quando matam, num jogo esquizofrênico.

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jose marcos

04/03/2013 - 16h53

Sinto muito SR Thomas, mais o fato concreto é que a maior parte da violência parte das torcidas organizadas. Outra coisa, o simples fato de serem fanáticos já os condenam, pois fanatismo nenhum presta.

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Berenice

04/03/2013 - 16h13

Não acompanho futebol mas por falta de tv a cabo, e saco pra assistir programas gringos, assisti razoavelmente as reportagens sobre o ocorrido. Acho que o adolescente de 17 anos precisa provar que foi ele o responsável pela morte. Sim o jornalismo é ambiguo com relacao as torcidas organizadas, mas ele é ambiguo em relacao a quase tudo (menos seus interesses), afinal seu objetivo é render ibope. Entretanto, como cidadã acho que é preciso punir pela tragédia anunciada (desculpe o Castilho mas ver as torcidas nas ruas dá sempre um mau pressentimento). Por uma boa graninha muita mulher posa nua, porque não faria um pé de meia para o filho com uma confissão dessas? Enfim, seria muita impunidade e um péssimo exemplo a dar a juventude aceitar a palavra do garoto sem maiores precauções.

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augusto2

04/03/2013 - 13h22

qual é sua tese, sr castilho?
que os organizados são pouco homogeneos e sao seres humanos. Portanto nao vamos demonizar, nem prender, nem mudar leis e nem revolucionar puniçoes e Federaçoes de futebol?
É um passo a mais, e talvez em dez anos tenhamos puniçoes pedagogicas.
Inclusive das federaçoes e do clube mandante, sr castilho.
me cause espanto que voce defenda tao diretamente os seus ex-colegas de bandalheira uniformizada. (com beneplacito dos cronistas ou não).Alias voce nao mencionou nem uma vez que os LIDERES das suas organizadas todas elas, sao criminosos comuns, ja anteriormente presos, fichados e conhecidos por outros delitos tambem. Sejam quais forem suas cores ”organizadas”.
Alias como é que voce conseguiu conviver com eles? bem,sem problemas?

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    Conceição Lemes

    04/03/2013 - 13h55

    Releia o começo do texto do Thomas. sds

Benedito

04/03/2013 - 13h03

Parabéns, Thomas Castilho, por sua honestidade em dizer que já pertenceu à Gaviões e lá exerceu cargo de diretor. Isso se chama transparência. Parabéns também por apontar todas as questões envolvidas nessa tragédia. Infelizmente, muitas pessoas (como se percebe nos comentários aqui) pensam com o fígado ou só sabem raciocinar unilateralmente. Infelizmente, Thomas Castilho, muita gente ainda prefere julgar antes de analisar. Sugiro o filme “12 homens e uma sentença” (ou “12 Angry Men”, no original em inglês).

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Santi

04/03/2013 - 12h19

Se depois disto proibir os Sinalizadores já é um ganho.

Responder

Alexandre Aguiar

04/03/2013 - 10h59

Bonitas palavras na tentativa de isentar uma atrocidade.
Curioso é se querer explicar que a sociedade é complexa. Os crimes, a violência de maneira geral, devem ser relativizados por isto exposto, uma vez que todos somos levados, de forma ou outra, a cometer ilícitos, haja vista que somos parafusos de uma engrenagem.
O menino Kevin, a este ver, é o principal culpado, posto que estava na posição de alvo de um artefato proibido lançado por um membro de uma torcida entusiasmada e composta por cidadões que sofrem as agruras da sociedade de consumo.
O sujeito que na madrugada avança o sinal vermelho e, ao bater em outro veículo, mata uma família, não tem culpa alguma. Ao brigar com a namorada ou esposa foi levado por uma conduta descontrolada a beber num boteco qualquer, tomar o carro e andar por ruas mal sinalizadas das grandes cidades, repositário das inconformidades humanas e geridas pelo capitalismo avassalador dos grandes centros. Com raiva, resolveu avançar o sinal, este equipamento repressor das investidas tecnológicas presentes em automóveis modernos e bateu em um carro que não percebeu a passagem de uma vítima do sistema.

Será que um simples pedido de desculpas à família do menino boliviano já não seria um bom começo em reconhecer que não se pode fazer tudo o que se quer, imaginando que o sistema lhe oprime?

Responder

    Thomas Castilho

    04/03/2013 - 15h13

    Alexandre, ali não está escrito que o responsável pelo disparo não deva ser responsabilizado. Releia o texto. Também não quero justificar nada. Apenas está claro que, naquele estádio, os sinalizadores eram permitidos pela polícia. E que o autor do disparo não teve a intenção de matar. O homicídio foi culposo. Em breve será provada a culpa do menor.

    Alexandre Aguiar

    05/03/2013 - 16h15

    Ótimo. E é assim que deve ser tratado o caso. Eu li o texto e nele claramente você relativiza o assunto, Thomas. Então eu peço, releia você e se ponha na condição da família do menor morto e tente um exercíco de empatia. Porque a justiça é assim, ele procura o equilíbrio, para que não haja distinções.
    O susposto menor, realmente, não teve a intençao de matar. É um sonso, que leva artefatos perigosos para um estádio, para fazer festa, porém sem medir as consequências. É como se levasse um revólver para atirar para o alto, porque faz um barulho bonitinho. Falta responsabilidade. Por que não se dá facas para crianças?
    E é nisto que se baseia a justiça, a responsabilização de quem atua sem pensar no que pode ocorrer ao semelhante.
    E se ele tivesse matado um torcedor do seu próprio grupo? Um que estivesse ao seu lado, qual seria a reação? Você consegue medir isso? Meu caro, relativizar, ou tergiversar é muito bom para a teoria, um ótimo exercício de construção do raciocínio. Porém, na prática, houve um crime, independente das nuanças.
    E quanto ao artefato ser proibido ou permitido naquele estádio, esse tipo de alegação não cabe, meu amigo. É um atenuante raso.

doutor natas

04/03/2013 - 09h53

manas e manos,
tem um corpo na arquibancada. o corpo tem um nome: kevin espada. o seu cranio foi atravessado por um sinalizador. quem o disparou sabia o que ele poderia fazer. quem dispara uma arma sabe que ela mata. nao ha diferenca entre quem sabe usar uma arma ou quem nao sabe usar uma arma. o resultado eh o mesmo depois do uso: um morto. as justificativas… ah, as justificativas… bem, elas sao muito dificeis de serem engolidas quando se trata de ouvir a respeito do seu uso em locais de pratica de esportes. alguem ainda se lembra que em um estadio de futebol se pratica um esporte? na europa, se os manos e as manas nao repararam nao ha grades, fossos ou vidros blindados separando a plateia dos campos. ha alguns anos existian os famosos hooligans por todo o continente e esses caras foram foram tirados dos estadios – eh verdade que eles continuam sorrateiros por vezes nas vielas em volta deles nos dias de jogos – porque os clubes foram penalizados, porque os clubes eh que sustentavam esses caras. lah como cah. mas parece que os europeus preferiram o futebol profissional, por aqui parece que outros interesses pesam muito ainda ….

Responder

Gerson Carneiro

04/03/2013 - 09h34

Adolescente da Privataria Tucana se apresenta no Fantástico

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Bruno

04/03/2013 - 09h05

Lamentável que se dê voz a este indivíduo que tenta claramente justificar o injustificável.

Responder

Rodrigo

04/03/2013 - 08h26

Especial pro Viomundo??? — http://blogpulguinha.blogspot.com.br/2013/02/o-que-se-esconde-em-oruru_27.html — Nunca imaginei que vocês pudessem falsear os fatos dessa maneira!!!

Ainda mais deixando de dizer que esse tal professor de inglês é na verdade ex-relações públicas da gaviões…

É ruim hein!?

Responder

    Thomas Castilho

    04/03/2013 - 12h27

    Está no texto que fui diretor dos Gaviões, inclusive o período em que participei. Não teria porque omitir isso. Quais fatos foram distorcidos? Por quem?

    Conceição Lemes

    04/03/2013 - 13h45

    Rodrigo, a forma como saiu no Viomundo é exclusiva. O Thomas, depois de conversarmos sobre o texto original, fez vários acréscimos. Quaanto à desqualificação que, precipitadamente, vc fez dele, sugiro que releia o começo do texto. Aí, ele diz que foi sócio e diretor dos Gaviões. O que vc queria mais? RG, CPF ou o quê? Sds

Rodrigo

04/03/2013 - 05h38

Artigo de um corinthianista deseperado em ver a sua identidade de LOCO afirmada e reafirmada pela mídia e pela política de forma tão intensa começar a ser borrada pela mesma mídia. que só pensa em dinheiro.

Se fosse a mesma história, mas os envolvidos fossem manchas, ou independentes, aposto que a opinião equilibrada e esclarecedora seria diferente.

CLUBISTA

Responder

rodrigo

04/03/2013 - 01h56

Que torcida? Aquela que elege o Goulart do PMDB, ops, agora é PSD, toda eleição?

Responder

Marcius Cortez

03/03/2013 - 22h46

Artigo esclarecedor porque busca ver o problema em seu conjunto, no seu todo.
Justiça gera paz.
(Meu filho Pedro te manda um abraço, caro Thomas).

Responder

    Thomas Castilho

    04/03/2013 - 15h00

    Obrigado Márcio. Seu filho é como um irmão para mim. Alguém que carregarei até o fim dos meus dias. Grande abraço.

FrancoAtirador

03/03/2013 - 22h30

.
.
Se um sinalizador ou artefato similar é capaz de matar uma pessoa,

então é uma arma letal, cujo uso deve ser terminantemente proibido

em todos os espaços públicos, ainda mais num estádio de futebol,

onde os jogos são encarados como uma guerra por torcedores fanáticos.

Aliás, não terá sido coincidência demais o incêndio na Boate Kiss,

ocorrido na cidade de Santa Maria-RS, que já abateu 240 jovens vidas,

haver se iniciado exatamente pelo uso de um sinalizador como esse?

Pode ser que verdadeiramente e providencialmente seja um ‘sinal’.

Quantas tragédias como essas serão necessárias até se ‘acenda a luz’?
.
.

Responder

Jocel Ribeiro

03/03/2013 - 22h06

Como sempre, quando é torcida do corinthians quem faz, sempre a mesma lenga lenga. Bate estacas,jornalistas e comentaristas tentando justificar o injustificável. O que realmente aconteceu em Oruro é que a torcida do seu time praticou um ato condenável de matar um garoto indefeso de 14 anos. E não me venha com histórias, porque a Globo e a Band, que apoiam esses marginais travestidos de Gaviões da Fiel não mostraram os fatos,más as outras emissoras da América do Sul foram mais realistas e mostraram as cenas dos marginais acendendo os sinalizadores e apontando para a torcida.Vocês tem sorte é que aconteceu na Bolívia e a pena foi um pouco branda. Porque não acenderam sinalizadores no Japão na conquista do Mundial?? Porque vocês tem consciência do que aconteceria se tivessem acendido apenas um… Seriam eliminados da Libertadores por um bom tempo. Se tivesse acontecido com outra torcida, principalmente a mancha verde, estariam caíndo de pau na adversária… Vocês são é hipócritas!!!!

Responder

    Benedito

    04/03/2013 - 12h57

    Se informe, antes de acusar. E se acalme, antes que o ódio tome o lugar da razão. Em Yokohama, a torcida do Corinthians acendeu sinalizadores. Mas apagou logo em seguida quando o telão anunciou: “Fireworks are prohibited”.

denis dias ferreira

03/03/2013 - 20h21

Tá decidido: o culpado é a própria vítima. O que aquele pirralho estava fazendo aquela hora, naquele estádio?

Responder

    Véio Zuza

    04/03/2013 - 14h13

    Concordo integralmente com o DENIS, acima. De contextualização em contextualização, tirando cada vez mais o foco, chega-se à conclusão que tudo não passou de uma fatalidade, uma ilusão ou, pior (ou melhor, para os interessados), de um caso de suicídio… A culpa é da vítma.
    Os 12 inocentes ainda serão recebidos pela Presidenta…
    Só falta combinar com a Bolívia…

andré

03/03/2013 - 18h15

Independente do time que se torce, um cidadão que acende um sinalizador de navio no meio de uma multidão assume o risco de matar. Podia ser qualquer um. Torcedores organizados, inflados pela mídia que quer o lucro fácil, colocam o clube pelo qual torcem acima de qualquer vida humana. Quando dá um problema desse, todos querem tirar o corpo fora. Os torcedores que estão na Bolívia, com passagens e hospedaria pagas seja lá como, são cúmplices sim e o clube tbm (ou aquela história da torcida q tem um time só vale na hora da marquetagem?), pois há uma relação estreita entre dirigentes e organizadas. O grande problema além da violência enraizada na sociedade é a dimensão dada a clubes de futebol e suas torcidas pela mídia, pela sociedade. Enquanto futebol e o corintians forem tratados como “sagrado” todo poderoso, mais mortes acontecerão.

Responder

Mineirim

03/03/2013 - 18h07

Ou seja, pelo artigo acima, até mesmo pela “prática corrente” devemos manter, então, mais uma IMPUNIDADE! E que se danen os mortos ou a dor dos que ficaram…

Responder

Gerson Carneiro

03/03/2013 - 16h41

Eu só sei de uma coisa: quem paga o Pato é o Corínthians.

Responder

Roberto Andrade

03/03/2013 - 15h43

Excelente crítica. Traduz de forma clara os verdadeiros culpados por mais esta morte.

Responder

Gerson Carneiro

03/03/2013 - 14h49

Todas as vezes que percebo a Rede Globo se esticar demasiadamente para explicar ou tentar justificar um fato, fico desconfiado.

E foi isso que percebi nesse episódio da apresentação de um menor como autor do disparo do sinalizador em Oruro.

O dinheiro faz coisas que até o professor Thomas Castilho duvida.

Responder

    Thomas Castilho

    04/03/2013 - 12h30

    Desculpe minha ignorância, Gérson. O que você quis insinuar com a sua última frase?

    Gerson Carneiro

    04/03/2013 - 16h38

    “Ainda não conheci uma mãe que se dispusesse a se colocar em frente às câmeras da Rede Globo para dizer ao Brasil que seu filho é o demônio encarnado como propagado aos quatro ventos através do rádio, da televisão, dos jornais, e das redes sociais, com objetivo de salvar a pele de um suposto responsável maior de idade”

    Não estou insinuando, professor. Digo que dinheiro é capaz de fazer uma mãe se dispuser a fazer aquilo que o senhor ainda não conhece. A depender de fatores aliados tais como o estado emocional da mãe, a dificuldade que estiver enfrentando, sua condição financeira, sua personalidade. Estamos falando sobre ser humano. E ser humano é sim capaz de fazer o que achamos que não é capaz.

    De antemão, afirmo que não tenho condição de dizer que este é o caso dessa mãe desse menor apresentado no programa Fantástico como autor do disparo do sinalizador do caso em tela.

    Por outro lado, ninguém ainda comprovou o contrário, portanto, eu apenas desconfio. E o desconfiar não traduz crime.

    Percebi sim, no domingo, dia 26 de fevereiro, o esforço da Rede Globo em afirmar verdadeira a versão que coloca esse menor como autor. E já tomei ciência de tanta armação protagonizada pela Rede Globo que tudo que a Rede Globo prega me faz desconfiar. Ainda mais quando torna nítido o seu esforço em catequisar o telespectador.

    Por que a Rede Globo se posiciona de forma parcial nessa tragédia?

    Gerson Carneiro

    04/03/2013 - 16h58

    No mais, a Rede Globo em momento algum propagou o menor como demônio com objetivo de salvar a pele de um suposto responsável maior de idade. Pelo contrário, a todo instante o Cléber Machado e os repórteres que estavam no link ao vivo tratando do caso na hora do jogo das 16h00 não se cansavam de enfatizar que “trata-se de um menor de idade que está muito assustado e arrependido”.

    Foi essa parcialidade da Rede Globo que me fez desconfiar. Já tinha apresentado antes uma reportagem chorosa no Esporte Espetacular sobre o Pacaembú vazio.

    Daí advém outras questões como o porquê que apenas a Rede Globo conseguiu identificar e manter contato com o suposto autor.

    Da mesma forma em que há casos em que a Rede Globo partiu incriminando alguém, esse caso em que a Rede Globo tomou partido e tentou minimizar a gravidade do evento, merece ser observado com muita atenção.

    Thomas Castilho

    05/03/2013 - 10h13

    Olá Gérson,

    Sim, desconfiar não traduz crime, inclusive desconfiar da tese do “laranja”, que é a mais propagada, com ares de verdade absoluta. Acreditar que a Globo defenda torcidas é das duas umas: ingenuidade ou desconhecimento. É só gastar meia hora assistindo o Globo Esporte ou o SporTV para entender a opinião deles sobre o tema.
    O Cléber Machado disse o que disse porque deve ter conversado com o entrevistador, que sentiu na pele o desespero do moleque, que está sendo massacrado pela sociedade. Inclusive, é a exatamente a mesma coisa que ouvi da boca de um amigo que é ativo na torcida. “O moleque está apavorado, queria se entregar lá na Bolívia.” Trata-se de um adolescente de 17 anos que não teve intenção de matar. Isso será provado em breve, já que peritos estão analisando as imagens, além de haver queimaduras nas mãos dele. Você não acredita que o Mensalão tenha sido um julgamento político? E esse julgamento, é o quê?

    No mais, sim, o dinheiro faz coisas um dia inimagináveis, como submeter o PT a ele. Mas ouvindo a sinceridade daquela mãe na entrevista, fica claro que não é o caso. O tempo vai dizer.

    Gerson Carneiro

    07/03/2013 - 18h39

    “Menor que assumiu culpa por disparo de sinalizador ganha faculdade de graça”

    http://br.esporteinterativo.yahoo.com/blogs/futebol-cinco-estrelas/menor-que-assumiu-culpa-por-d%C3%ADsparo-sinalizador-ganha-151603124.html

    Tá muito estranha essa história. Não acha?

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