Saul Leblon: Grécia, o banco ou a vida

publicado em 20 de outubro de 2011 às 13:53

por Saul Leblon, em Carta Maior

Luta-se nas ruas da Grécia nesse momento. Mais de 120 mil pessoas protestam nessa 4ª feira, no 1º dia da nova greve geral contra o novo pacote de arrocho arquitetado pelo governo Papandreu em parceria ou sob as ordens da troika (FMI, Comissão Européia e BCE). Não importa mais saber quem é a mão e quem é o laço: é o pescoço da sociedade que está sob garrote implacável. Chegou-se a um ponto na Grécia em que as nuances do conflito não contam mais. Luta-se pela vida.

E contra ela, dispostos a tudo, estão os bancos credores que já deram e dão provas de seu empenho para reduzir ao mínimo as perdas com títulos de uma dívida de 300 bi de euros, cujo deságio (calote) o mercado já precifica em 50%. No papel de pescoço encontram-se 80% da população, sendo que 16% já em regime de desemprego aberto; os demais em uma espiral descendente aflitiva e devastadora.

O fato incontornável é que o ajuste imposto pelos credores, longe de afastar a sociedade grega da ruína, a cada dia empurra-a mais e mais para um sangradouro material e subjetivo que o instinto obriga a rejeitar.

Dados divulgados recentemente pela prestigiada revista da área médica, Lancet, são eloquentes: a) de 2007 a 2009, o número de suicídios saltou 17% na Grécia ; de acordo com o próprio governo, a tendência acentuou-se no primeiro semestre , quando essa taxa subiu mais de 40%; b) os homicídios e roubos quase duplicaram entre 2007 e 2009; c) o consumo de droga, heroína, em especial, disparou; d) a prostituição cresceu; e) o número de infecções de HIV decolou.

A crise do neoliberalismo atingiu na Grécia seu ponto de mutação. Deixou de ser apenas uma doença econômica para se transmudar em peste social. Por isso se luta nas ruas nesse momento.

Leia também:

Immanuel Wallerstein: “O capitalismo chegou ao fim da linha”

 

8 Comentários para “Saul Leblon: Grécia, o banco ou a vida”

  1. Marcio H Silva disse:

    É ruim d'eu me suicidar, ou me drogar, o matar um semelhante ferrado como eu. Antes disto liquido com uns dez neolibele e uns 20 banqueiros.

  2. Regina Braga disse:

    Peste Social um ótimo nome para o FMI,OTAN,ONU…Mas para o EUA é ótimo, venderam 400 tanques de guerra para os gregos…que estão lutando para sobreviver.

  3. Fabio_Passos disse:

    Peste social é uma boa definição para o neoliberalismo.

  4. Pedro disse:

    "Peste social", um ótimo nome para o capitalismo.

  5. Gilvan disse:

    "…o número de suicídios saltou 17% na Grécia ; de acordo com o próprio governo, a tendência acentuou-se no primeiro semestre , quando essa taxa subiu mais de 40%; b) os homicídios e roubos quase duplicaram entre 2007 e 2009; c) o consumo de droga, heroína, em especial, disparou; d) a prostituição cresceu; e) o número de infecções de HIV decolou."

    O neo-liberalismo não é uma mera ideolgia. É uma doença mesmo.

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