VIOMUNDO

Marcha contra a Monsanto e professores conversam na Paulista

27 de maio de 2013 às 18h00

Momentos da Marcha contra a Monsanto na Avenida Paulista. Fotos: Carmen Sampaio (a primeira e a terceira de cima para baixo) e Betinha Smidt (a segunda)

por Conceição Lemes

Nesse final de semana, a Marcha Internacional Contra a Monsanto ocorreu em mais de 25  países, incluindo Brasil. Aqui, houve manifestação em várias cidades. Em São Paulo, foi no sábado.

Com o slogan “Fora Monsanto de nossos corpos e de nossos campos!”, os manifestantes pretendiam informar os transeuntes sobre o agrotóxico colocado nos alimentos e mostrar que a sociedade brasileira também está alerta e e preocupada em ter uma alimentação saudável.

Só que aqui houve feliz  uma coincidência. No mesmo horário e local de concentração da Marcha contra a Monsanto — vão do Masp, na Avenida Paulista — havia uma manifestação de professores da rede pública  de ensino.

Os dois movimentos acabaram conversando.

“Os professores foram muito receptivos. Me convidaram até para subir no carro de som para falar sobre os perigos dos agrotóxicos à saúde humana”, diz, entusiasmada, Carmen Sampaio, uma das organizadoras da Marcha contra a Monsanto. “Se fôssemos só nós, teríamos umas 50, 100 pessoas. Juntando com os professores, umas 2 mil pessoas passaram por lá.”

“Foi uma oportunidade ímpar. Afinal, quem melhor do que os professores para disseminar essas informações em sala de aula? Muitos levaram panfletos para os alunos!”, comemora Carmen. “Eu não acredito em acaso, mas em sincronia. É a mãe Terra conversando com a gente enquanto ainda é possível fazer algo contra a destruição.”

Durante a manifestação, houve coleta de assinaturas contra a Monsanto. A marcha fez uma parada em frente à sede da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão que avalia e autoriza a liberação de agrotóxicos no Brasil.  Abaixo o panfleto distribuído.

Leia também:

Dr. Rosinha: A Monsanto quer patentear a nossa comida

Stédile: Venenos do agronegócio vão matar o agronegócio

Investigação VIOMUNDO

Estamos investigando a hipocrisia de deputados e senadores que dizem uma coisa ao condenar Dilma Rousseff ao impeachment mas fazem outra fora do Parlamento. Hipocrisia, sim, mas também maracutaias que deveriam fazer corar as esposas e filhos aos quais dedicaram seus votos. Muitos destes parlamentares obscuros controlam a mídia local ou regional contra qualquer tipo de investigação e estão fora do radar de jornalistas investigativos que trabalham nos grandes meios. Precisamos de sua ajuda para financiar esta investigação permanente e para manter um banco de dados digital que os eleitores poderão consultar já em 2016. Estamos recebendo dezenas de sugestões, links e documentos pelo [email protected]

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Mário SF Alves

12/08/2013 - 21h45

Ainda que os agrotóxicos e os transgênicos fossem biologicamente inertes. Na realidade, não são. E o que é mais grave: sua obtenção lembra queijo suíço, é ciência meia-boca, recheada de atalhos. E seu uso passa longe de ser suficientemente testado. Passa a anos-luz do princípio da precaução. Mas, ainda que fossem inertes. Ainda que fossem ambientalmente inofensivos, ainda assim, tal problema não se resolveria. O problema maior decorrente do empoderamento dessas empresas/corporações é diretamente proporcional à perda de poder e escravização dos povos. É daí que decorrem preocupações com a segurança alimentar. É daí que surgem críticas à bio-pirataria e nasce a resistência contra a privatização da vida, via patenteamento de modificação genética de organismos vivos.

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Críticos da Monsanto têm sido alvo de ataques cibernéticos - Viomundo - O que você não vê na mídia

12/08/2013 - 12h57

[…] Marcha contra a Monsanto e professores conversam na Paulista […]

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Rodolfo Machado

06/08/2013 - 14h30

Herbicida do agente laranja pode ser liberado para uso em lavouras

Do site “Articulação Nacional de Agroecologia”

http://www.agroecologia.org.br/index.php/noticias/noticias-para-o-boletim/513-agronegocio-um-modelo-esgotado

Os herbicidas à base de glifosato, anunciados em anos anteriores como solução definitiva contra pragas na agricultura, já não exercem a mesma eficácia sobre plantas daninhas. Como resultado, as espécies invasoras ocupam lavouras e resistem à pulverização, prejudicando ou até inviabilizando safras inteiras. Uma solução apresentada propõe o plantio de variedades transgênicas de soja e milho resistentes a um defensivo mais agressivo, o 2,4-D (ácido diclorofenoxiacético).

Atualmente em análise na Comissão Nacional de Biotecnologia (CTNBio), órgão vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia, a solicitação caminha para a liberação. Mas a medida gera controvérsias: enquanto uma força-tarefa capitaneada pelo setor agroquímico defende a aprovação, alguns pesquisadores a condenam por fomentar o uso de um produto que imporia riscos à saúde humana.

Integram a pauta da CTNBio pedidos de liberação comercial de duas variedades de soja e de uma variedade de milho tolerantes ao 2,4-D – todos impetrados pela Dow AgroSciences em 2012. Dois deles já foram examinados e aprovados por subcomissões que avaliam seus impactos sobre a saúde humana e animal.

Até 14 de agosto, a tramitação de ao menos um deles deve estar concluída nos grupos que analisam aspectos associados ao meio ambiente e produção vegetal. Se aprovados, seguem para deliberação na reunião plenária da CTNBio já no dia seguinte.

“As discussões devem ser acaloradas em função das peculiaridades do 2,4-D e das implicações relacionadas a seu uso em larga escala, no caso da liberação comercial daquelas plantas geneticamente modificadas”, considera o engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo, doutor em Engenharia de Produção e representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário na CTNBio.

Melgarejo acredita que a decisão final não irá ocorrer na reunião de agosto, considerando os pedidos de protelamento que partiram do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e do Conselho Federal de Nutricionistas. No entanto, quando a votação ocorrer, a tendência é que as novas variedades transgênicas sejam liberadas.

Há indicativo de que o assunto seja integrado também à pauta da Comissão de Meio Ambiente do Senado Federal, o que ainda não ocorreu, segundo a assessoria do senador Blairo Maggi (PR/MT), que preside a comissão. O parlamentar, conhecido produtor de soja na região Centro-Oeste, não quis comentar a possível aprovação das novas variedades transgênicas.

Crítica

O engenheiro agrônomo Luciano Pessoa de Almeida, professor de Fundamentos de Agroecologia da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), critica a proposta de tolerância ao 2,4-D. Para ele, o setor agroquímico adota a estratégia para tentar corrigir falhas da sua política de transgenia, já que a aplicação de glifosato originou pragas mais resistentes, como a buva, que não consegue mais conter. “É a solução proposta para um problema que foi criado pelas próprias multinacionais”, diz.

Melgarejo, por sua vez, acredita que a solução é enganosa, pois o plantio de soja e milho tolerantes ao 2,4-D ou a outros herbicidas levará ao surgimento de plantas daninhas resistentes também aos novos defensivos. “Com o tempo, teremos ervas cujo controle se tornará mais e mais complexo, para as quais os herbicidas que conhecemos não funcionarão”, pondera.

Como principal interessado, o agricultor apoia as novas variedades, diz Melgarejo. Isso porque os transgênicos estabeleceram um patamar de facilidade na gestão das lavouras do qual os produtores não abrem mão, independentemente dos problemas causados.

Contra as ervas mais resistentes, eles pressionam por alternativas e o mercado agroquímico interpreta como demanda por novas plantas transgênicas. “Os valores envolvidos nesse negócio são descomunais, e isso, naturalmente, implica em enormes pressões econômicas”, considera.

Preocupação

A preocupação quanto à liberação de variedades resistentes ao 2,4-D aumenta na medida em que a agressividade do herbicida não se restringe às pragas que combate. Enquanto o glifosato e o glufosinato de amônio, que dominam o mercado brasileiro de defensivos, ocupam a faixa verde na Classificação Toxicológica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o 2,4-D está no ápice do risco: faixa vermelha – extremamente tóxico.

Melgarejo explica que o produto é tóxico no contato com a pele, na inalação e na ingestão, o que garante maior ameaça aos agricultores, sujeitos a diversos tipos de contaminação. E os riscos se estendem a públicos variados.

“No fundo, estaremos aplicando veneno sobre alimentos, e esses alimentos carregarão parcelas de veneno rumo a seus consumidores”, afirma, acrescentando que o 2,4-D será absorvido pelas plantas transgênicas e, enquanto não for completamente degradado, estará presente nos tecidos vegetais, inclusive nos grãos.

Agente Laranja
Para Luciano Almeida, a maior ameaça do 2,4-D está gravada na história: trata-se da presença do herbicida como um dos elementos que compuseram o Agente Laranja, um desfolhante usado pelo exército dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã. “Tem potencial para causar mutações”, alerta.

Ana Cristina Pinheiro, coordenadora da força-tarefa e especialista em Product Stewardship de defensivos da Dow AgroSciences, diz que o problema com o Agente Laranja no Vietnã esteve relacionado a uma “impureza” presente no processo de produção do 2,4,5-T – o outro elemento que o compõe – chamada dioxina TCDD. “Esse composto não é mais comercializado e nunca foi registrado e utilizado no Brasil”, alega.

Conforme Ana Cristina, órgãos como a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Diretoria Geral de Proteção ao Consumidor e à Saúde da Comissão Europeia e a Agência Americana de Proteção Ambiental (EPA) concluíram que o 2,4-D não oferece riscos à saúde humana quando utilizado de acordo com as indicações do rótulo e bula.

“O uso adequado das tecnologias agrícolas e entre elas a de aplicação de agroquímicos são essenciais para garantir a segurança ambiental e eficácia no uso de defensivos agrícolas”, afirma.

Entre as soluções de tecnologia, a força-tarefa indica o uso de aviões agrícolas como o meio recomendado para a aplicação do herbicida. De acordo com Leonardo Melgarejo, entretanto, existem casos de crianças intoxicadas pela aplicação aérea de agrotóxicos em proximidade de escolas. A ocorrência mais recente foi registrada em Goiás, em maio deste ano, indica.

Segundo Melgarejo, considerando tratar-se de um produto extremamente tóxico, que será manipulado em escalas colossais, é temerário e quase irresponsável afirmar que sua aplicação será segura.

Repercussão
A liberação de transgênicos resistentes deve fomentar ainda mais o uso do 2,4-D. Nos Estados Unidos, onde o produto já se constitui do terceiro fitossanitário mais utilizado, com mais de 31 mil toneladas anuais, o desfecho da situação brasileira é acompanhado com interesse.

Charles Benbrook, professor e pesquisador do Centro de Agricultura Sustentável e Recursos Naturais da Universidade do Estado de Washington, nos Estados Unidos, diz que o país norte-americano, o Brasil e a Argentina são os únicos produtores de milho no mundo que consideram seriamente o 2,4-D, apesar de ser um dos herbicidas mais arriscados do mercado.

Força-tarefa
A ligação com o Agente Laranja é um dos argumentos em torno do 2,4-D que o setor agroquímico tenta desmistificar. Quatro grandes empresas – Atanor, Dow AgroSciences, Milenia, Nufarm – criaram uma força-tarefa e divulgam informações sobre o uso do herbicida no site http://www.24d.com.br.

A Força-Tarefa explica que o 2,4-D é recomendado para a cultura da soja pelas Comissões Oficiais de Pesquisa de Soja das Regiões Sul, Central e de áreas de Cerrados. Além da soja, já se aplica o produto em culturas de milho, trigo, arroz, café e cana-de-açúcar.

Segundo Benbrook, a aprovação dos transgênicos resistentes ao 2,4-D nos EUA ainda depende de estudos complementares de impacto ambiental, mas sua aplicação é esperada para o plantio comercial de 2015 ou 2016. O agravamento dos problemas relacionados às ervas resistentes ao glifosato, contudo, pode levar a uma aprovação de emergência do milho 2,4-D, avalia.

O pesquisador possui um compêndio de 117 estudos que associam o 2,4-D a formas de câncer e outras 149 pesquisas que relacionam o herbicida a defeitos congênitos. Apesar dos riscos, prevê aumento de 73 vezes na quantidade de 2,4-D aplicado ao milho até 2019 nos EUA.

Outra preocupação de Benbrook reside na fiscalização que seria necessária para controlar o ingresso no mercado de versões mais baratas e de tecnologia ainda menos segura do herbicida. “Há 2,4-D barato, mal fabricado e de alto risco produzido na China e em outros países, e, sem dúvida, outros fabricantes genéricos e de baixo custo vão entrar no negócio se as culturas com 2,4-D elevarem a demanda em 10 vezes ou mais”, conclui.

(*) Fonte: Portal Terra.

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Rodolfo Machado

06/08/2013 - 14h18

Agronegócio, um modelo esgotado
Do site “Articulação Nacional de Agroecologia”

http://www.agroecologia.org.br/index.php/noticias/noticias-para-o-boletim/513-agronegocio-um-modelo-esgotado

Vandana Shiva

Por Péricles de Oliveira, de Botucatu (SP)

Perante uma atenta plateia composta por mais de 3 mil pessoas, a renomada cientista indiana Vandana Shiva fez uma palestra de uma hora, respondeu a perguntas e encantou a todos com suas ideias, experiências e convicções, durante a abertura do III Encontro Internacional de Agroecologia, no dia 31 de julho, na cidade de Botucatu, interior de São Paulo.

Vandana foi muito contundente ao longo de toda a sua fala. Começou contando de sua vida, de como havia estudado biologia e física quântica na universidade e de como se considerava uma pessoa alienada da realidade do mundo.

Esclareceu que o choque que a fez despertar foi um grave acidente ocorrido, 30 anos atrás, numa fábrica de pesticidas – que resultou numa tragédia, com a morte de mais de 35 mil indianos. A partir daí, é que ela acaba se convertendo à causa do povo e não para mais de pesquisar a ação das empresas transnacionais sobre a agricultura.

Hoje, ela é considerada uma das principais pesquisadoras dos malefícios para a saúde humana e para a destruição da biodiversidade que as sementes transgênicas e os agrotóxicos das empresas transnacionais vêm causando em todo o mundo.

“Revolução Verde”

Vandana falou sobre as consequências da chamada Revolução Verde, imposta pelo governo dos Estados Unidos, na década de 1960, a toda a sua área de influência como forma de vender mais insumos agroquímicos e suas mercadorias agrícolas.

O resultado disso – o de subjugar países e camponeses – pode ser visto hoje, já que 65% de toda a biodiversidade e dos recursos de água doce do planeta foram contaminados por agrotóxicos.

Além disso, há estudos comprovando que 40% de todo o efeito estufa que afeta o clima no planeta é causado pelo uso exagerado, desnecessário, de fertilizantes químicos na agricultura. Chegou a dizer, inclusive, que em muitas regiões da Europa, em função da mortandade e desaparecimento das abelhas, a produtividade agrícola já teria caído 30%.

A indiana atentou para o fato de que se fôssemos calcular os prejuízos e custos necessários para repor a biodiversidade e reequilibrar o meio ambiente com vistas a amenizar os desequilíbrios climáticos, eles seriam maiores, em dólares, do que todo o comércio de commodities que as empresas realizam.

Genocídio

Em relação à ação das empresas transnacionais que atuam na agricultura – como Monsanto, Bunge, Syngenta e Cargill – também não poupou críticas. Denunciou que elas controlam a produção e o comércio mundial da soja, milho, canola e trigo. E que fazem propaganda enganosa dizendo que a humanidade depende dos alimentos produzidos pelo agronegócio para sobreviver, quando na prática a humanidade se alimenta com centenas de outros vegetais e fontes de proteínas, que elas ainda não puderam controlar.

Disse que essas “empresas, ao promoverem as sementes transgênicas, não inventaram nada de novo. Não desenvolveram nada. O único que fizeram foi fazer mutações genéticas que existem na natureza para viabilizar a venda de seus agrotóxicos”.

Citou que a Monsanto conseguiu controlar a produção de algodão na Índia, apoiada por governos subservientes, neoliberais, e que hoje 90% da produção depende de suas sementes e venenos. Com isso houve uma destruição do modo camponês de produzir algodão e um endividamento dos que permaneceram.

A conjunção do alto uso de venenos intoxicantes que levam à depressão e a vergonha da dívida fez com que, desde 1995 até os dias de hoje, houvesse 284 mil suicídios entre os camponeses indianos. Um verdadeiro genocídio escondido pela imprensa mundial e cuja culpada principal seria a Monsanto.

Apesar de tantos sacrifícios humanos, a Monsanto ainda recolhe em seu país 200 milhões de dólares anuais, cobrando royalties pelo uso de sementes geneticamente modificadas de algodão.

Commodities não são alimentos

O modelo do agronegócio é apenas uma forma de se apropriar do lucro dos bens agrícolas, mas ele não resolve os problemas do povo. Tanto é que aumentamos muito a produção, poderíamos inclusive abastecer 12 bilhões de pessoas [quase o dobro da população mundial], mas, no entanto, temos 1 bilhão de pessoas que passam fome todos os dias, sendo 500 milhões delas camponesas que vivem no meio rural e que tiveram seu sistema de produção de alimentos destruído pelo agronegócio.

encontro internacional agroecologia eia

As commodities agrícolas são meras mercadorias agrícolas, não são alimentos. Cerca de 70% de todos os alimentos do mundo ainda são produzidos pelos camponeses.

É preciso entender que alimentos são a síntese da energia necessária que os seres humanos precisam para sobreviver, a partir do meio ambiente em que vivem, recolhendo essa energia d a fertilidade do solo e do meio ambiente.

Quanto maior a biodiversidade da natureza, maior o número de nutrientes e mais sadia será a alimentação produzida naquela região para os humanos. E o agronegócio destrói a biodiversidade e as fontes de energia verdadeiras.

As empresas lançam mão de um fetiche gerado pela propaganda, de que estão usando modernas técnicas de biotecnologia para aumentar a produtividade das plantas, mas isso é um engodo. Quando se vai pesquisar o que são tais biotecnologias, elas são guardadas em segredo. Porque, no fundo, elas não mudam nada na natureza. São apenas mecanismos para aumentar a rentabilidade econômica das grandes plantações.

Na verdade, a agricultura industrial é a padronização do conhecimento, é a negação do conhecimento sobre a arte de cultivar a terra. Porque o verdadeiro conhecimento é desenvolvido pelos próprios agricultores, e pelos pesquisadores, em cada região, em cada bioma, em cada planta.

Consumidores

O modelo do agronegócio quer transformar as pessoas apenas em “consumidores” de suas mercadorias. Vandana nos diz que devemos combater o uso e o reducionismo da expressão “consumidores”, que devemos usar o termo “seres humanos”, pessoas que precisam de uma vida saudável. “Consumidor” indica uma redução subalterna do ser humano.

As empresas do agronegócio dizem que são o desenvolvimento e o progresso. Na prática, chegam a controlar 58% de toda produção agrícola do mundo, porém, dão trabalho para apenas 3% das pessoas que vivem no meio rural. Portanto, o agronegócio é um sistema antissocial.

A indiana revelou ainda que fez parte de um grupo de 300 cientistas de todo mundo que se dedicam a pesquisar a agricultura e que após realizarem diversos estudos, durante três anos, comprovaram que nem a Revolução Verde imposta pelos Estados Unidos, nem o uso intensivo das sementes transgênicas e dos agroquímicos podem resolver os problemas da agricultura e da alimentação mundial. Algo que só pode acontecer por meio da recuperação de práticas agroecológicas que convivam com a biodiversidade, em cada local do planeta.

Vandana concluiu sua crítica ao modelo do agronegócio dizendo que ele projeta a destruição e o medo, porque é concentrador e excludente. Por isso, tornou-se algo comum o costume dessas empresas ameaçarem ou cooptarem os cientistas que se opõe a elas.

A saída é a agroecologia

Após criticar duramente o modelo do capital, a cientista dedicou sua palestra a projetar as técnicas ou o modelo de produção da agroecologia como a alternativa popular e necessária para produção de alimentos.

Defendeu que o modelo da agroecologia é o único que permite desenvolver técnicas de aumentar a produtividade e a produção sem a destruição da biodiversidade.

Que a agroecologia é a única forma de criar empregos e formas de vida saudáveis para a população permanecer no campo e não ter de se marginalizar nas grandes cidades. Sobretudo, fez a defesa de que os métodos da agroecologia são os únicos que conseguem produzir alimentos sadios, sem venenos.

Dificuldades da transição

Quando perguntada sobre as dificuldades da transição entre os dois modelos, contestou, citando a Índia: “Nós já tivemos problemas maiores na época do colonialismo inglês. No entanto, Gandhi nos ensinou que a nossa fortaleza é sempre ‘lutar pela verdade’, porque o capital engana e mente para poder acumular riquezas. Mas a verdade está com a natureza, está com as pessoas”.

Dessa energia que emana de Gandhi, Vandana reforçou: “Se houver vontade política para fazer a mudança, se houver vontade para produzir alimentos sadios, será possível cultivá-los”.

Vandana concluiu conclamando a todos a se envolverem e participarem do Encontro Mundial de Luta Pelos Alimentos Sadios e Contras as Empresas Transnacionais que a Via Campesina, os movimentos de mulheres e centenas de entidades realizam todos os anos, na semana de 16 de outubro. “Precisamos unificar as vozes e as vontades em nível mundial. E essa será uma ótima oportunidade.”

Recomendações

Quando perguntada sobre as recomendações que daria aos jovens, aos estudantes de agronomia, aos agricultores praticantes da agroecologia, Vandana Shiva elencou seis pontos:

Primeiro: disse que a base da agroecologia é a preservação e a valorização dos nutrientes que há no solo. Neste instante, a indiana fez referência a outra cientista presente na plateia que a assistia muito atenta, a professora Ana Maria Primavesi. “Precisamos ir aplicando as técnicas que garantam a saúde do solo, e dessa saúde, recolheremos frutos com energia saudável.”

Segundo: estimular que os agricultores controlem as sementes. As sementes são a garantia da vida. “Nós não podemos permitir que as empresas transnacionais transformem nossas sementes em meras mercadorias. As sementes são um patrimônio da humanidade.”

Terceiro: precisamos relacionar a agroecologia com a produção de alimentos saudáveis que garantam a saúde e assim conquistar os corações e mentes da população da cidade, que está sendo cada vez mais envenenada pelas mercadorias com agrotóxicos. “Se vincularmos os alimentos com a saúde das pessoas, ganharemos milhões de pessoas da cidade para a nossa causa.”

Quarto: precisamos transformar os territórios em que os camponeses têm hegemonia em verdadeiros santuários de sementes, de árvores sadias, de cultivo da biodiversidade, da criação de abelhas, da diversidade agrícola.

Quinto: precisamos defender a ideia que faz parte da democracia, a liberdade das pessoas de terem opções de alimentos. Elas não podem mais serem reféns dos produtos que as empresas colocam nos supermercados de acordo com a sua vontade apenas.

Sexto: precisamos lutar para que os governos parem de usar dinheiro público – que é de todo o povo – para subsidiar, transferir esses recursos para os fazendeiros. Isso vem acontecendo em todo o mundo e também na Índia. O modelo do agronegócio não se sustenta sem os subsídios e vantagens fiscais que os governos lhes garantem.
Foto: EIA

(*) Fonte: Brasil de Fato.

Responder

Rodolfo Machado

01/08/2013 - 17h00

Azenha, a Vandana Shiva já esta no Brasil, no evento de Botucatu:

http://www.agroecologia.org.br/index.php/noticias/noticias-para-o-boletim/510-palestras-destacam-movimentos-sociais-desafios-e-possibilidades-da-agroecologia

Índia: Basta às corporações agroindustriais

Do site “Envolverde”

http://envolverde.com.br/ambiente/india-basta-as-corporacoes-agroindustriais/

Nova Délhi, Índia, julho/2012 – A privatização dos recursos da terra é uma receita para a escassez e a desertificação, para a violência contra as mulheres, a fome e, como ocorre na Índia, ao suicídio dos camponeses.

Até há pouco tempo, a água e a biodiversidade na Índia eram bens comuns utilizados pelas mulheres. Este é o sistema que está sendo ameaçado pela privatização.

O cuidado do solo durante gerações é parte de uma cultura segundo a qual os seres humanos têm a terra em custódia e a reconhecem como uma mãe que nutre a humanidade. Um bom uso agrícola melhora o solo e fabrica húmus, que é o xis da questão quanto à fertilidade da terra. Quando a terra é convertida em mercadoria, o solo pode desaparecer na imaginação e na realidade.

Um aviso da companhia construtora e imobiliária EMAAR-MDG, com sede em Dubai, nos Emirados Árabes, que se propõe “construir uma nova Índia”, diz: “Onde agora há campo, haverá casas, centros comerciais, clubes de golfe”. O que se esquece é que, onde há campos, há um solo, cultivos, populações e camponeses, especialmente mulheres agricultoras, que na Índia integram a maior parte do campesinato.

Quando o solo dá lugar ao concreto e moradias se convertem em selva de pedra, as comunidades dão lugar às corporações empresariais e aos consumidores, e as mulheres como produtoras às mulheres como sexo disponível.

A conversão da terra em mercadoria segue junto ao uso e abuso da química na agricultura. A Índia gasta anualmente US$ 2 bilhões em subsídios para fertilizantes químicos.

No solo vivente são introduzidos insumos externos como os fertilizantes sintéticos, que com o tempo destroem os processos pelos quais se cria a fertilidade da terra.

As mulheres são especialistas no uso de insumos internos na agricultura, já que trabalham com os produtos da própria terra para fertilizar o solo. Não fazem falta insumos externos. Os materiais orgânicos são reciclados e convertidos em compostagem, ou seja, em fertilizantes orgânicos, enquanto os cultivos de leguminosas fixam nitrogênio na terra.

O outro insumo externo na agricultura está constituído pelas sementes compradas. Na medida em que as sementes se convertem em propriedade das corporações, estas criam sementes “não renováveis” de modo que os agricultores são forçados a comprá-las todos os anos. As dívidas nas quais incorrem ao comprar estes e outros insumos externos são a principal razão para a epidemia de suicídios de agricultores, que, por sua vez, deixam viúvas endividadas e sem terra. Os agroquímicos contaminam a terra e nossos corpos, enquanto as sementes “não renováveis” das corporações agroindustriais atentam contra a biodiversidade e a liberdade dos camponeses.

O acesso às sementes está sendo obstruído por leis que tornam ilegal o manejo pelos camponeses das sementes como um bem comum e concedem ao Estado o poder de dar licenças às variedades, o que obriga os produtores a buscarem a aprovação do Estado por meio do registro das patentes. O pretexto é o controle da qualidade, mas os critérios usados para conceder as licenças, na realidade, negam aos camponeses o direito de utilizar suas próprias sementes tradicionais, forçando-os a adquirir as sementes das corporações agroindustriais.

O governo da Índia tentou introduzir tal lei na forma da Seed Act 2004. Porém, realizamos uma ampla e exitosa campanha de não cooperação e declaramos que economizar e compartilhar sementes era um dever, não um crime, bem como continuaríamos guardando e compartilhando nossas sementes e defendendo a biodiversidade.

No caso da biodiversidade, o desprezo dos bens comuns biológicos está ocorrendo por causa das patentes. As patentes sobre biodiversidade constituem o centro do artigo 27.3 (b) do Acordo sobre Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados com o Comércio da Organização Mundial do Comercio (OMC). Um problema associado com as patentes é o da biopirataria praticada pelas corporações, patenteando a sabedoria indígena e a biodiversidade, como ocorre no caso de patentes sobre trigo, o arroz basmati e outras espécies vegetais autóctones da Índia, como neem e haldi. Desde que uma patente concede um direito exclusivo para usar, produzir, vender os produtos patenteados e processá-los, as patentes sobre a biodiversidade e as sementes, na verdade, impedem o uso e o acesso às sementes como bem comum.

Uma agricultura estável só pode basear-se na vigência dos direitos, fundamentalmente dos direitos dos camponeses e do povo, não das corporações privadas. Envolverde/IPS

* Vandana Shiva é bióloga, ambientalista e escritora.

Responder

Rodolfo Machado

05/07/2013 - 15h17

Azenha, que tal aproveitar a oportunidade para uma entrevista “exclusiva” com a Vandana Shiva?

Botucatu: Encontro Internacional de Agroecologia terá Vandana Shiva como palestrante

Do site “Leia Noticias”

http://www.leianoticias.com.br/noticias/index.php/noticias/botucaturegiao/22788-botucatu-encontro-internacional-de-agroecologia-tera-vandana-shiva-como-palestrante

A indiana Vandana Shiva será uma das palestrantes no III Encontro internacional de Agroecologia, que será realizado em Botucatu, entre os dias 31 de julho e 3 de agosto.

Vandana Shiva é Física, Ecofeminista e ativista ambiental. Na década de 1970, participou do movimento Mulheres de Chipko, formado por mulheres que adotaram a tática de se amarrar às árvores para impedir a derrubada e o despejo de lixo atômico naquela região. Foi uma das líderes do International Forum on Globalization, e recebeu o Right Livelihood Award em 1993, considerado uma versão alternativa do Prêmio Nobel da Paz.

Diretora da Research Foundation for Science, Technology, and Ecology, em Nova Déli, segundo ela “um nome muito longo para um objetivo muito humilde, que é o de colocar a pesquisa efetivamente a serviço dos movimentos populares e rurais, e não apenas fazer de conta que estamos ajudando-os”.

Shiva é autora de inúmeros livros, entre os quais The Violence of the Green Revolution (1992), Stolen Harvest: The Hijacking of the Global Food Supply (2000), Biopirataria: a pilhagem da natureza e do conhecimento (Vozes, 2001), Understanding Intellectual Property Rights (2002), Monoculturas da mente (Global, 2004), Guerras por água (Radical Livros, 2006).

Shiva é figura de destaque no movimento anti-globalização e consultora para questões ambientais da Third World Network. Entre suas atividades mais recentes, incluem-se iniciativas de ampla divulgação para a preservação das florestas da Índia, luta em favor das sementes como patrimônio da humanidade e programas sobre biodiversidade dirigidos a diferentes coletividades, além de pesquisas para o desenvolvimento de uma nova estrutura legal para os direitos de propriedade coletivos, como alternativa para os sistemas de direitos de propriedade intelectual atualmente em vigor.

Antes de se dedicar integralmente ao ativismo político, às causas feministas e à defesa do meio ambiente, Shiva foi uma das principais físicas da Índia.

III EIA – Acadêmicos, técnicos, pesquisadores e estudantes ligados às experiências em Agroecologia no Brasil e outros países latino-americanos se reunirão para um amplo e profundo debate com o foco direcionado para o intercâmbio de conhecimentos técnico-científicos com o tema “Redes para Transição Agroecológica na América Latina. A programação é extensa e inclui palestras, mesas redondas, debates, oficinas, minicursos e uma feira de saberes e sabores.

De acordo com os organizadores, entre os objetivos estão situar a Agroecologia como marco teórico e metodológico importante para a consolidação de estratégias de desenvolvimento rural sustentável; promover a articulação entre iniciativas e programas sobre o tema realizados no Brasil e em outros países da América Latina; discutir a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica; debater o currículo de formação em Agroecologia nos cursos de graduação e pós-graduação.

Participam do evento nomes respeitados na área como Vandana Shiva, líder do Movimento Navdanya da Índia, expoente mundial no debate sobre biodiversidade, gênero e soberania alimentar; Miguel Altieri, pesquisador da Universidade de Berkeley/Califórnia e coordenador da Sociedade Científica Latinoamericana de Agroecologia; Eduardo Sevilla Guzmán, catedrático do Instituto de Sociologia e Estudos Campesinos da Universidade de Córdoba; Victor Manuel Toledo, pesquisador reconhecido no debate mundial sobre agrobiodiversidade e conhecimento popular.

Dentre os participantes brasileiros está Francisco Roberto Caporal, professor doutor da Universidade Federal Rural do Pernambuco, reconhecido internacionalmente pela sua influência no grupo idealizador da nova Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural do Brasil – PNATER.

O evento é uma realização da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp – Campus de Botucatu -, Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais e Instituto Giramundo Mutuando.

Inscrições, programação completa e mais informações no site http://www.eia2013.org

Informações adicionais:

Agroecologia promove diálogo entre o saber popular e o conhecimento científico

Uma Ciência relativamente nova estará em discussão no 3º Encontro Internacional de Agroecologia (EIA), que será realizando entre os dias 31 de julho e 03 de agosto, em Botucatu-SP.

De acordo com a professora doutora Beatriz Stamato, a agroecologia busca responder à crise socioambiental que vivemos na atualidade. “Trata-se de um retorno às origens da agricultura familiar, aliando o saber popular com o conhecimento científico”, explica.

Segundo a professora, a agroecologia é um conhecimento que inspira a busca por novas formas de produzir alimentos e permitir entender as relações entre o campo e a cidade. “Possibilita mãos sustentabilidade para a produção agrícola e mais justiça no campo”.

Entre as técnicas alternativas, Beatriz cita a rotação de cultura, poli cultivo e controle biológico de pragas e doenças, eliminando os agrotóxicos e agroquímicos. “Setenta por cento da alimentação dos brasileiros é proveniente da agricultura familiar, porém as grandes corporações agrárias querem vender sementes e agroquímicos, tornando os produtores dependentes deles. A agroecologia quer tornar essas pessoas independentes, mostrando técnicas de cultivo, manejo e controle biológico que possibilitam uma produção mais barata, independente, sustentável e que resultam em uma alimentação mais saudável à população”, declara Beatriz.

Fonte: Conte Jr. – Assessoria de Comunicação

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Rodrigo Leme

27/05/2013 - 20h16

Daqui a pouco quem mora e trabalha na Paulista é que vai ter que pedir permissão para a prefeitura para usar a avenida.

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    renato

    27/05/2013 - 20h26

    Mas aí não é um Centro de Eventos, Rodrigo.
    Eu só vejo passeata, comemoração de campeonato de futebol.
    Estes dias eu estava vendo uma reportagem, e …espere lá
    um pouco… Tem alguem passando aqui….
    Continuemos..os mendingos diziam que já não bastava a policia,
    o alcool, e agora isto..
    Opa agora vem a marcha para Jesus. Logo atras as Vadias..
    Eu digo que vocês tem que ir embora daí, isto não te pertence mais..

    Alexandre Salazar

    27/05/2013 - 20h32

    Daqui a pouco quem mora e trabalha na Paulista e em todo o mundo é que vai ter que pedir permissão para a Monsanto para plantar, comer e criar animais.

    rodrigo

    27/05/2013 - 20h36

    Melhor exemplo possível da mesquinhez e da indigência mental da nossa classe média.
    Parabéns xará, dessa vez você se superou.

    Rodrigo Leme

    28/05/2013 - 08h06

    Mesquinhez não é ocupar 3x na semana o espaço onde pessoas moram e trabalham. Então tá tudo certo.

    Julio Silveira

    27/05/2013 - 20h58

    Rodrigo, estou enganado ou você está se candidatando a ganhar um estoque de alimentos trangenicos da Monsanto. Voce gosta?

    Lucas

    27/05/2013 - 21h29

    o coroné vai ser o responsável por destribuir as permissões de acesso à Paulista.

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