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Cartas de Minas
Cartas de Minas

Luís Carlos Lopes: Bullying e assédio moral, outros ovos da serpente

08 de abril de 2011 às 13h51

Dica do leitor Beaumirage

por  Luís Carlos Lopes*, publicado em EcoDebate em 16 de junho de 2010

Muitas pessoas são perseguidas por pertencerem a grupos sociais, no contexto, em desvantagem. Ninguém revela, em profundidade, porque perseguiu ou está perseguindo. O preconceito imanente ao ato permanece secreto e negado pelos algozes.

Em vários ambientes, tem sido notada a presença de relações interpessoais baseadas em diversos tipos de agressão. Estas estão longe de ser os antigos apelidos, a tentativa de integração por meio de rituais de aceitação do novato pelo grupo ou o velho costume de afirmar moderadamente a superioridade real ou imaginária de uns sobre os outros. Essas novas práticas referem-se ao ataque radical aos mais fracos, aos que têm maiores dificuldades de se defender, aos diferentes etc. Em inúmeros casos, chega-se à agressão física e/ou ao constrangimento moral total.

As conseqüências destas práticas entre crianças e adolescentes são muito graves. Levam, por exemplo, ao abandono e à evasão escolar e à construção de personalidades formadas e tangidas pelo medo e pelo ressentimento. Não são menores, quando atingem adultos, podendo provocar a perda de empregos, o isolamento social e facilitar o desenvolvimento de doenças de natureza psicológica. Existem os casos que levam ao suicídio ou ao assassinato. O linchamento moral é algo que se assemelha ao linchamento físico. Deseja-se a morte de seu objeto. Se ela não é possível de fato, quer-se alcançar a destruição e/ou o afastamento/expulsão de seus alvos.

O bullying infanto-juvenil escolar é um tipo de assédio moral absurdamente irracional que rompe com as velhas regras de coleguismo e de espírito de grupo. É muito diferente das antigas brigas de turma de colégio, isto é, confrontos entre grupos de origens diversas. Ele ocorre no seio da mesma instituição, entre alunos que se conhecem e muitas vezes são vizinhos. São comuns entre adolescentes de várias faixas etárias. Alguém é escolhido para ‘pato’. Nesta pessoa, o ódio do grupo é depositado com vigor, incluindo-se xingamentos e episódios lamentáveis de violência física. Com as facilidades de gravação e difusão disponíveis, estas barbaridades chegam algumas vezes à Internet e até a TV.

O assédio moral no ambiente adulto assume inúmeras variações, que respeitam o contexto específico onde ele ocorre. Trata-se de uma forma de abuso, que usa de subterfúgios para tentar destruir o objeto escolhido. A ‘fofoca’ transforma-se na intriga, na invencionice e na maledicência. Os limites entre o público e o privado são abandonados e desconsiderados. As pessoas são atacadas de acordo com os preconceitos acreditados. São pressionadas, admoestadas e maltratadas, sem que isto se relacione de modo direto com as atividades que desenvolvem.

Há sempre objetivos não revelados nestes ataques. A variação é muito grande. Há quem tenha prazer pessoal sádico enlouquecido de agir assim, destruindo pessoas. O ódio pode ser alimentado por ciúmes, invejas e demais sentimentos dos baixos instintos. É comum que estas manifestações também escondam outros motivos de ordem política, ideológica e moral. Os que praticam o assédio raramente revelam os seus verdadeiros motivos para tentar destruir alguém que está tão próximo. Normalmente, eles projetam em seus alvos suas frustrações e incapacidades profissionais e pessoais.

Estes fatos ocorrem nas áreas públicas e privadas, sendo comum em sociedades com a vivência histórica e social de alto grau de violência real e simbólica. A existência de mídias centradas na exibição acrítica da violência explica parcialmente o problema. A fragilidade da capacidade de mobilização macropolítica atual tem outro quinhão. Há registros da ocorrência de casos em escolas de qualquer nível. Tais práticas refletem a dificuldade de integração dos grupos, porque não existe o entendimento mútuo, ou porque ele não é desejado por quem detêm o poder micropolítico em cada organização. Isto leva a algumas pistas para compreender o que vem acontecendo.

Com o desenvolvimento do capitalismo contemporâneo, o individualismo e a competição interpessoal cresceram muito. Quanto mais alienado e convencido pelas prédicas do sistema, as pessoas mais se imaginam como indivíduos isolados que deveriam disputar todo o dia uma espécie de corrida pela taça de ouro, pisando em quem estiver por perto ou possa atrapalhar. Junto a isto, o velho carreirismo transformou-se em algo natural. Quem não o adota é visto como uma avis rara, que precisa ser eliminada.

A vida para o prazer, isto é, o hedonismo radical cria um certo vazio, quando não se pode consumir o que a publicidade tanto alardeia. É neste vazio, nesta falta de sentido para a existência, que se forma a cultura da violência sem motivo ou razão aparente. A farsa da vida é preenchida por algo que lhe dê uma direção de poder, alimentando com o ódio o que não pode ser preenchido com os limites do sistema. Não posso comprar tudo o que vejo, mas posso tiranizar os mais próximos, sem maiores problemas.

Imaginando-se a situação de alguém mais produtivo e eficiente, é usual que o coletivo onde esteja inserido, se for fraco e descompromissado, o veja com desconfiança e incompreensão. Daí é um passo para se tentar destruí-lo, porque ele funciona como uma espécie de espelho das fraquezas dos demais. Algumas vítimas de bullying são os alunos mais esforçados e inteligentes. O assédio moral é fortemente usado para agredir os que, no ambiente de trabalho corrompido, têm um comportamento que os diferenciam pela responsabilidade, independência de qualquer fonte de poder, seriedade e capacidade profissional. As críticas recebidas pelos servis e bajuladores não se podem enquadrar em atos de assédio, até porque, no atual contexto, elas são raras e se vinculam a outra compreensão política do mundo.

O assédio moral é um conjunto de práticas violentas relacionadas às ideologias preconceituosas que assolam as mentes do tempo presente. Nos atos de violência que o caracterizam encontram-se facilmente elementos do racismo, do sexismo, da homofobia, do idadismo e do preconceito contrário à inteligência. A orientação político-ideológica e a formação moral também podem ser motivos. Muitas pessoas são perseguidas por pertencerem a grupos sociais, no contexto, em desvantagem. Ninguém revela, em profundidade, porque perseguiu ou está perseguindo. O preconceito imanente ao ato permanece secreto e negado pelos algozes.

A violência do bullying escolar transforma-se facilmente em vias de fato. O assédio moral, entre adultos, raramente, gera episódios físicos de contato direto. Todavia, são conhecidos inúmeros casos de violência verbal, de isolamento de pessoas e outros atos de hostilidade direta ou disfarçada. Os mestres do assédio são hábeis manipuladores, capazes de arregimentar a outros, com suas mentiras e intrigas. Procuram, como na inquisição medieval, ‘queimar’ suas vítimas, buscando um consenso de grupo sobre os alvos escolhidos. Os danos provocados são evidentes. Perde o grupo por produzir sua própria autofagia. Perde a vítima que nem sempre consegue suportar e resistir, desestruturando-se.

No assédio moral, há elementos do fascismo líquido já comentado em outras oportunidades. Não é necessário que os executores do assédio saibam sua coloração política ou compreendam a que deuses servem. Estando envolvidos no processo, eles simplesmente repetem o que apreenderam com outros manipuladores. Manipulam e acabam sendo presos da mesma teia que ajudam a tecer. Os verdadeiros donos da teia, por vezes, estão longe e são invisíveis para os algozes e suas vítimas. Urge rasgar a cortina e revelá-los.

Em todas sociedades humanas sempre existiram fortes e fracos. As crianças, principalmente as mais pobres, são os mais fracos de nosso tempo. Mas, há outros e outros grupos que precisam de proteção. Diz-se que há civilização, direitos humanos etc, se os fracos são protegidos dos que tem mais poder. Se isto não existe, vive-se em plena barbárie.

* Luís Carlos Lopes é professor e escritor.

** Colaboração do Centro de Estudos Políticos Econômicos e Culturais CEPEC para o EcoDebate, 16/06/2010

 

34 Comentários escrever comentário »

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damastor dagobé

11/04/2011 - 11h26

e ainda tem gente – acho que mais ainda que o normal – repetindo o mantra da "educação" como panaceia (remedio universal) para todos os males do mundo…desconfio cada vez mais que a tal "educação" é que é fonte desses males..em todo caso pq antes de dar palpites a torto e adireito não pegamos O Ateneu, escrito em 1888 por Raul Pompeia e em seguida, Raizes do Brasil de Sergio Buarque de Holanda..aposto que vamos perder muitas ilusões sobre isso.

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José Manoel

11/04/2011 - 00h52

Bullying se combate assim: no primeiro sinal de assédio, chamam-se os pais ou responsáveis! No segundo, RUA!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Só que as escolas fecham os olhos e, em sua grande maioria, não fazem nada!!!!!!!!!!! É fácil como tirar m……… de sapato!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Responder

Florival Scheroki

10/04/2011 - 10h56

Achar culpados ou causas imediatas,estas que não parecem miragem, é a primeira reação.
Há uma forte tendência em colocar no interior do infeliz assassino a maldade,como se tivesse nascido com ela.
Há várias linguagens para esta manobra,todas apoiadas pelo saber acadêmico.
A mais vulgar que li aqui é a postada pelo Cleber que começa assim

"Sim, geralmente esse tipo de "assassino em massa" sofreu bullying. Mas esta não é a única explicação. Geralmente, esse tipo de assassino, além de ter sofrido bullying, tem alguma doença mental, em especial, algum tipo de psicose. '

A coisa é tão chocante que temos que jogá-la para longe, para o sobrenatural, para qualquer lugar, interno ao corpo o à mente, ou externo, contanto que eu (nós) não tenhamos um laivo dessa maldade; ou pelo menos que tenhamos bons genes e boa criação familiar que nos proteja de cometer estas desrazões. Esta tem sido a tendência do pensamento dito lúcido pelos que são puros de alma e geneticamente imunes.

Não quero polemizar o inato x aprendido. Mas tenho outras perguntas aos que se acham imunes às desrazões. Não diferencio desvarios premeditados dos não premeditados, e não sei para que, ou a quem serve esta distinção.

Minhas outras questões estão num comentário que fiz ao post do Cleber Ramalho. Mas não va´ler se você se acha tão puro de alma e geneticamente, que não caberia na nau dos loucos modernos.

Responder

SôniaG.

09/04/2011 - 22h26

O que está colocado é que torna-se imprescindível e urgente uma campanha institucional do Ministério da Educação quanto ao bullying. Nesse momento, sem dúvida, haverá uma maior aceitação/sensibilização e possibilidade de esclarecimento a pais, professores e especialmente aos próprios jovens quanto a essa prática. Concordo que o bullying é também incentivado pelos 'humoristas' sem talento e as Tvs., concessionárias sem compromisso com a sociedade e com a educação.

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Artur

09/04/2011 - 21h50

Trabalhei por 18 anos em uma montadora em Curitiba, onde era o responsável pelo processamento noturno das rotinas, assim como o banco de dados do Mainframe. Foram anos de desprezo, isolamento, falta de oportunidade e muito assédio moral. Devido a ser um profissional dedicado, criativo e extremamante leal, acreditei que um dia teria as oportunidades que pedi. Mas não, devido a um caso amoroso entre minha chefe e uma colega, fui ignorado e tive minha vida destruída. Socialmente, não tenho mais amigos. Fiz muitos, pois sempre fui prestativo, conversados e preocupado com o bem estar do que me cercavam. Profissionalmente fui destruído devido a não ter chance de trabalhar durante o dia e conhecer novas plataformas e linguagens. Trabalhava com Mainframe, VSE, VSAM, DLI, COBOL, etc, que já estão em desuso praticamente no mundo todo. Não tenho opções aos 55 anos. Familiarmente a destruição não foi maior porque me sujeitei a ser um capacho e não ter amor verdadeiro de meus filhos (3) e minha mulher. Mas como podem eles gostar de alguém que este ausente por todos estes anos. Que trabalhava 10, 12, 14 horas ou mais por noite ? Uma mulher que não tinha um companheiro à noite ? Estou tentando recomeçar, mas está muito difícil. Vou ver até onde aguento. E isso ocorreu numa das maiores multinacionais do mundo. Empresa que poderia sim me dar condições de progredir. Afinal, se eu fosse um desleixado, irresponsável, ou não tivesse o conhecimento e dedicação, não teria ficado por 18 anos como responsável por uma área tão importante.

Responder

    Florival Scheroki

    10/04/2011 - 10h20

    Seu testemunho me comove. Não sei o que dizer. Entendo você e vi inúmeros casos parecidos.

    Caça-talentos

    10/04/2011 - 18h21

    Artur,

    Saiba que com o que você trabalhava, Mainframe, VSE, etc, ainda é usado em grandes empresas. A Caixa, por exemplo, ainda usa mainframe. Até onde eu sei, para mainframe não se importam com idade. Digo isso porque a maioria das pessoas que conheci que trabalham com mainframe são mais velhas e nem por isso as vi sendo demitidas. Muito pelo contrário, são valorizadas.

    Grandes empresas ainda usam mainframe e contratam quem CONHECE sobre o assunto e não se importam com a idade, pois normalmente os jovens não têm conhecimentos de mainframe.
    Procure na internet empresas que trabalham com mainframe e ofereça seus serviços, faça um cadastro e/ou envie seu currículo.

    Pelo que conhece sobre o assunto você será valorizado. Procure, pois se é raro os locais onde você pode trabalhar, também é raro os profissionais com seus conhecimentos.

    Ass.
    Caça-talentos.

    Sergio Damasceno

    18/04/2011 - 16h05

    Há! Até parece uma montadora em que eu trabalhei por 10 anos e quando pude, eu dei o pé na bunda dela. Ela preferia alguém vindo da Alemanha do que um brasileiro, não importava o quanto esse brasileiro se esforçava.
    Vi muita gente esforçada como você ser desmerecida, por isso caí fora quando pude.

Marcia Costa

09/04/2011 - 16h23

Artigo extraordinário. O autor mostra como a desqualificação percorre toda a vida de um ser humano. Fica minha pergunta: como tornar nossa sociedade mais respeitosa uns com os outros? (PS: Hoje a trocida do Volei do Futuro acolheu o Micahel, hostilizado pela torcida do Cruzeiro por sua opção sexual. Parabéns a todos vcs que tiveram essa atitude de tanta beleza humana!)

Responder

beattrice

09/04/2011 - 01h55

O assédio moral no Brasil é um grave problema de saúde pública, com consequências físicas, emocionais e morais, na idade escolar.
Na idade adulta há consequências gravíssimas, também profissionais e corporativas, com prejuízos inclusive financeiros, uma linguagem que a sociedade costuma entender melhor, financeiro$$$$$$!!!!

Responder

Daniel Campos

08/04/2011 - 21h44

AS escolas não vão fazer nada à respeito, pois para elas os alunos praticarem crueldades contra os outros é "natural". A tendência portanto é a situação piorar cada vez mais

Responder

    FrancoAtirador

    09/04/2011 - 00h06

    .
    .
    Enquanto o Poder Público não age,

    há algumas alternativas às vítimas de assédio moral,

    como por exemplo:

    1) Buscar auxílio dos Conselhos Tutelares;

    2) Registrar ocorrência na Polícia Civil;

    3) Procurar a Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude (Ministério Público);

    4) Contratar um advogado e acionar civil* e criminalmente, no Poder Judiciário, os agressores.

    * Na esfera judiciária cível, cabe ação de indenização por danos morais causados pelo(s) ofensor(es), inclusive contra a escola, sendo que os pais respondem pelos filhos menores de 18 anos.

    Quem não tem condições financeiras, para pagar um advogado, deve procurar a Defensoria Pública.

    Se o assédio moral é na esfera das relações de trabalho, ação de reparação deve ser ajuizada na Justiça do Trabalho.
    .
    .

    ana db

    10/04/2011 - 06h53

    Ação civil, atingidas no que tem de mais sagrado (bolso0 a reação da escola será imediata.
    Lembrando que a responsabilidade da escola é OBJETIVA.

    FrancoAtirador

    10/04/2011 - 16h23

    .
    .
    Correto.
    .
    .
    CÓDIGO CIVIL (LEI 10406)

    Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.

    (…)

    Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.

    Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.

    (…)

    Art. 931. Ressalvados outros casos previstos em lei especial, os empresários individuais e as empresas respondem independentemente de culpa pelos danos causados pelos produtos postos em circulação.

    Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil:

    I – os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia;

    II – o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições;

    III – o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele;

    IV – os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo para fins de educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos;

    V – os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia.

    Art. 933. As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente, ainda que não haja culpa de sua parte, responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos.

    (…)

    Art. 935. A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal.

    (…)

    Art. 942. Os bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem ficam sujeitos à reparação do dano causado; e, se a ofensa tiver mais de um autor, todos responderão solidariamente pela reparação.

    Parágrafo único. São solidariamente responsáveis com os autores os co-autores e as pessoas designadas no art. 932.
    .
    .

    Caio Henrique

    09/04/2011 - 00h47

    Também penso como você , daqui pra frente esses atos de tornaram cada vez mais frequentes.

FrancoAtirador

08/04/2011 - 21h13

Brasil
Sexta-feira, 8 Abril 2011 às 00:23
Perfil falso de Bolsonaro postou ataque 7 dias antes do massacre em escola

Agência Globo

Um perfil anônimo no Orkut postou, sete dias antes da chacina na escola Escola Municipal Tasso da Silveira, uma mensagem que falava de uma chacina num colégio do Rio de Janeiro.

O texto, que também foi publicado por um perfil falso do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) na mesma rede social, num fórum que debate o bullying afirma que em breve teremos um documentário estilo Columbine nas telinhas nacionais, se referindo ao massacre na escola americana em Littleton, Colorado, que terminou com 13 mortos e 25 feridos .

"Nem estou chorando, apenas me preparando para uma chacina que irei fazer no colégio que fui bulinado (sic). Em breve teremos um documentário estilo Columbine nas telinhas nacionais. Aguardem…", diz a mensagem.

A comunidade No Escuro, onde a mensagem foi postada, convoca seus mais de 46 mil membros a contarem seus segredos e medos, e a confessar suas fraquezas.

De acordo com a assessoria de imprensa do Google, responsável pela rede social, não há como falsificar a data que uma mensagem é postada, o que confirma que o texto foi publicado sete dias antes do ataque.

http://www.maisgoias.com.br/noticias/brasil/2011/

Responder

FrancoAtirador

08/04/2011 - 17h49

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PAIS E PROFESSORES DEVEM SE CONSCIENTIZAR:

O BULLYING PODE CONDUZIR A CRIANÇA E O ADOLESCENTE

A TRANSTORNOS PSICÓTICOS GRAVES,

CULMINANDO ATÉ NO SUICÍDIO DA VÍTIMA

E NO(S) HOMICÍDIO(S) DO(S) AGRESSOR(ES).
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Enquanto muitos tentam buscar explicação do que o motivou a atirar contra crianças, um vizinho, que não quis se identificar, disse que o atirador foi muito zombado durante a infância:

“O jeito estranho e esquisito dele. Na época da escola, as pessoas sacaneavam, botavam apelidos, principalmente sobre sua forma de andar vestido. As meninas eram as que mais zombavam dele”.

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O assessor cultural Thiago Costa da Cruz, de 23 anos, disse que o rapaz que atirou contra alunos e professores da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro, era muito calado e pouco se ouvia sua voz em sala de aula.

Thiago disse que foi colega de classe de Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, da 5ª a 8ª série do ensino fundamental. De acordo com o jovem, ele e outros colegas não conseguem entender a tragédia.

Wellington “sempre andou de cabeça a baixa. Em quatro anos ouvi sua voz pouquíssimas vezes”, contou.

Thiago disse ainda que “ninguém era bastante amigo dele”, apenas outro garoto.

Os dois tinham “o mesmo perfil comportamental”. Thiago ressaltou ainda que os dois também se vestiam de forma diferente dos outros colegas, “não usavam roupas da moda”.
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A dupla era vítima de bulliyng na escola por parte de outros colegas. Eles “até sofriam com isso.

Os garotos insinuavam que eles eram um casal”.

Mas, Thiago conta que as meninas eram as que mais provocavam Wellington. “Pelo menos com os meninos ele até falava às vezes, com as meninas não. Nunca”, afirmou.

“Elas o ridicularizavam a todo instante. Lembro que na época tínhamos nossas paquerinhas e algumas meninas os provocavam”, contou.

“Uma vez encontrei com ele no banheiro do térreo, bem em frente ao refeitório, dando socos na parede de raiva. Eu falei para ele parar com isso, porque era brincadeira. E disse que eu também não gostava de algumas brincadeiras, mas aceitava e brincava também”, disse.

Segundo Thiago, Wellington foi a casa dele duas vezes durante os quatro anos que estudaram juntos, na sexta série, para um trabalho escolar. Mas, ele pouco falava. Até o crime acontecer, ele sabia poucas informações sobre a vida do assassino e nunca soube que ele era adotado.

Ele conta ainda que não tratava mal o colega e poucas vezes o provocava. “Pelo contrário, eu o defendi ‘N’ vezes”, contou. Após o fim das aulas, eles não tiveram mais contato. Mas, há cerca de duas semanas, passou de carro em frente à escola e o viu “sentado, olhando pro nada”, lembra. A cena chamou atenção porque “lá à noite é a rua mais deserta de Realengo”.
http://g1.globo.com/Tragedia-em-Realengo/noticia/
http://www.band.com.br/jornalismo/cidades/conteud

Responder

Leider_Lincoln

08/04/2011 - 17h41

O pior de tudo é que as meninas que morreram não foram as que "zoaram" do rapaz, mas outras. Entãonão há anti-heroísmo nerd. Há insanidade. Sobre isso o melhor texto até agora é o do Flávio Gomes: http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/2011/04/0

Responder

Jairo Alves

08/04/2011 - 17h19

Nas décadas passadas não tinha esse negocio de bulying, voce nao ouvia falar em massacres de escolas, nada do tipo.

A esquerda, através da degradação do politicamente correto e glorificação do fracasso está acabando com a sociedade ("somos coitadinhos, vamos nos vingar").

Responder

    José Manoel

    11/04/2011 - 00h54

    Jairo: sempre teve!!! Na minha época, chamavam o assediado de "corinho"!!!!! Só que ninguém fazia nada!!!!! Os tempos e o medo era muito maior!!!!!!!!!!!!!!!

mac

08/04/2011 - 16h01

Seria um caso de anti-herói ? O herói dos nerds ?? O transtornado , O Coringa do Batman ??

Responder

    FrancoAtirador

    08/04/2011 - 17h44

    .
    .
    Neste caso, não exatamente.

    Na mente do psicopata, ou seja, pela lógica doentia dele,

    foi uma vingança pessoal contra os "agressores"

    que frequentaram a escola onde foi vítima do bullying.
    .
    .

    FrancoAtirador

    08/04/2011 - 19h48

    .
    .
    Neste caso, não exatamente.

    Na mente do psicopata, isto é, pela sua lógica doentia

    foi uma vingança pessoal contra os "agressores"

    que frequentavam a escola onde ele foi "vítima" do bullying.

    Para o psicótico não fazia diferença se eram as mesmas pessoas ou não.

    O que importava era se vingar daquela forma.
    .
    .

    beattrice

    09/04/2011 - 01h49

    Não há indícios de psicopatia no caso de Realengo.
    Há indícios de esquizofrenia.

    FrancoAtirador

    09/04/2011 - 15h51

    .
    .
    Usei o vocábulo "psicopata" em seu significado original,

    e que, etmologicamente, tem sentido mais genérico: "doente mental".
    .
    .

Cleber Ramalho

08/04/2011 - 16h00

Sim, geralmente esse tipo de "assassino em massa" sofreu bullying. Mas esta não é a única explicação. Geralmente, esse tipo de assassino, além de ter sofrido bullying, tem alguma doença mental, em especial, algum tipo de psicose.

O que causa os vários tipos de psicose, entre eles a esquizofrenia? Genética. Não adianta procurar culpados, não adianta botar a culpa na sociedade.

As psicoses como a esquizofrenia são causadas por disfunções nos neurotransmissores do cérebro. É um desequilíbro químico do cerébro. A pessoa já nasce com isso. Caso vocês tenham prestado atenção no noticiário, vocês notaram o fato de que a mãe biológica do Wellington, o "maníaco do Realengo" era esquizofrênica. Essa é uma das razões pelas quais ele foi adotado.

Nem todo esquizofrênico ou psicótico tem um pai ou uma mãe que também desenvolveu a doença. O gene é latente na família. Todo esquizofrênico tem um parente, um primo distante, que também é esquizofrênico.

Os psiquiatras ainda debatem em que medida o fator "meio social" influencia no desenvolvimento da doença. Embora reconheçam que se trata de uma doença genética, alguns psiquiatras acreditam que existe algum nível de influência do meio para que a doença seja desencadeada. Obviamente, ela só pode ser desencadeada em quem tem os genes.

Ou seja, embora seja uma condição genética, algumas pessoas portadoras dos genes podem nunca desenvolver a doença em um grau profundo. A influência do meio, das experiências de vida, podem servir como um "gatilho" que dispara a doença.

É a mesma coisa do alcoolismo: uma pessoa que é filho de alcoolatra não deve experimentar a primeira dose de alcool, pois se ele for portador dos genes do alcoolismo, basta a primeira dose para desencadear a doença.

O bullying e outros tipos de humilhação e rejeição podem ser um dos fatores que contribuem para uma pessoa portadora dos genes da esquizofrenia desenvolver a doença.

O que significa que nem todos as vítimas de bullying vão cometer atos de intensa violência, e sair matando pessoas. Geralmente quem faz isso são pessoas que, além de sofrerem bullying, são portadoras de alguma doença mental genética que as fazem perder o contato com a realidade, e ficar fora de si.

Muito cuidado com isso também: nem todo esquizofrênico que sofreu bullying se torna uma pessoa violenta e assassina. Na verdade, a maioria dos esquizofrenicos nunca mataram ou tentaram matar outras pessoas (algumas tentam matar a si próprias, suicidando-se, mas nunca tentam matar outra pessoa).

O que se tem que tirar de lição é que é preciso uma melhor rede de acompanhamento psicológico e psiquiátrico para os nossos jovens, em especial nas escolas públicas. Muitas vezes, a pessoa que é esquizofrênica nem sabe que é, e nem a família, pois não há um psiquiatra para diagnosticar.

É preciso fazer o diagnóstico, e o acompanhamento médico dessas pessoas. Existe tratamento para a esquizofrenia, na forma de medicamentos anti-psicóticos. Na maioria dos casos, a pessoa pode permanecer no convívio da família, se está devidamente medicada.

E o acompanhamento é importante, pois só um psiquiatra pode ter condições de identificar se a pessoa está prestes a cometer um ato de violência, internando a pessoa a tempo. Provavelmente, se o Wellington tivesse sido corretamente diagnosticado, e tivesse acompanhamento médico, o psiquiatra teria sido capaz de identificar que ele estava prestes a cometer um ato de violência, o teria internado preventivamente, para tratamento.

Responder

    beattrice

    09/04/2011 - 01h52

    Excelente contribuição a sua, tenho tentado destacar este aspecto.
    O episódio de Realengo NÃO constitui um problema de SEGURANÇA PÚBLICA, mas sim um problema de SAÚDE PÚBLICA, que na área mental está praticamente desmantelada.

    ana db

    10/04/2011 - 07h01

    Problema de saude publica.
    E quando se abandona a saude publica, a vitima será sempre a sociedade.
    Seja no caso de dengue ou de esquizofrenia como o de Wellington.
    A quem interessou fechar os hospitais psiquiatricos?

    Florival Scheroki

    10/04/2011 - 10h39

    "Ou seja, embora seja uma condição genética, algumas pessoas portadoras dos genes podem nunca desenvolver a doença em um grau profundo. A influência do meio, das experiências de vida, podem servir como um "gatilho" que dispara a doença."

    Seu pensamento endogenista me soa como um insulto por não ser capaz de suportar as atrocidades do meio social. Pode me dizer como seria nossa sociedade se todos fossem geneticamente protegidos em relação à brutalização da relações? Faça um esforço para evitar, em sua resposta, argumentos baseados em fatores endógenos orgânicos.

    Outra questão: se apenas uns poucos fragilizados pela genética ou personalidade ou qualquer coisa interna que queira chamar, não saem matando os outros e nem a si mesmos, como é que eles vivem e sentem a brutalização das relações e que sociedade estão a permitir?

    Se não tiver respostas, saberei entender que não são fáceis, e que é muito mais conveniente achar a fragilidade no interior da pessoa. Assim, basta eliminar o fraco que a sociedade ficaperfeita como alguns querem, Medieval, mas é assim,

Neuza

08/04/2011 - 15h55

Enfim uma análise lúcida. No psiquismo frágil, com herança genética desfavorável, de um garoto feio, pobre, tímido e complexado, o bulling desapiedado das meninas que ele adorava como joias inalcançáveis, gerou essa explosão da raiva impotente encarcerada por anos… Ou mudamos nossa cultura consumista e hedonista, inculcando nos jovens valores mais sadios e solidários, ou só Deus sabe…

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Valdir Pereira

08/04/2011 - 15h27

Por falar em bullying, vamos todos bater palmas para Emilio Surita e sua "gangue" do Pânico na TV.

O programa Pânico na TV é a maior apologia ao bullying que existe nesse país. Trata-se de um programa totalmente voltado à glorificação do bullying, um programa de total incentivo ao bullying. Bullying contra gays, contra gordos, contra japoneses, contra mulheres (supostamente) "burras", contra um monte de coisa.

Parabéns Emilio Surita e companhia… Vocês conseguiram destruir a mente dos nossos jovens, estragar toda uma geração e virar nossa sociedade de cabeça para baixo. Está aí o resultado.

Responder

    Klaus

    08/04/2011 - 18h06

    Desenvolva o raciocímio.

    edv

    08/04/2011 - 19h44

    Aí é melhor desenhar…

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