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Janio de Freitas: Ilusionismo de Moro foi para salvar FHC?

25 de fevereiro de 2016 às 12h35

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Efeitos secundários

Janio de Freitas, na Folha

Um mistério, mas nem tanto. O juiz Sergio Moro expôs por escrito, os procuradores falaram à vontade, representantes da Polícia Federal falaram também, mas ninguém disse o essencial para dar sentido a essa operação 23 da Lava Jato: por que, afinal de contas, o marqueteiro João Santana “recebeu propina” US$ 3 milhões da Odebrecht, se nada tem a ver com intermediação de contratos da Petrobras, nem se sabe de outras atividades suas que expliquem comissões da empreiteira?

Também não há, nas tantas palavras daquelas vozes da Lava Jato, nenhum indício, consistente ou não, de que o dinheiro da Odebrecht no exterior seja proveniente da Petrobras, como “desconfiam”. Nem que tenha qualquer relação com campanha no Brasil.

A falta até de mínima sustentação das exposições de Sergio Moro, no próprio decreto de prisão de Santana e Mônica, como nas falas dos procuradores e policiais é nada menos do que escandalosa. Ou deveria sê-lo.

O jornalista Fernando Molica levantou, para sua coluna no carioca “O Dia”, o uso de determinadas palavras no decreto de prisão do casal. Sergio Moro diz ser algo “possível” 19 vezes. “Já ‘possivelmente’ foi escrita em 3 ocasiões, ‘provável’ em 5. Moro utilizou alguns verbos no futuro do pretérito: ‘seria’ aparece 14 vezes; ‘tentar/tentariam’ merecem 16 aparições”.

Ou seja, o piso do decreto de Moro é o texto das vaguidões, das inexistências e dos pretendidos ilusionismos.

Anterior por poucos dias, o outro caso gritante na última semana fez Hélio Schwartsman considerar cabível a hipótese de que, suscitada em momento de ataque mais agudo a Lula, a história de Fernando Henrique com Mirian Dutraemergisse como um chamariz das atenções. Em tal limite, e sem ameaçar suas veracidades, a hipótese é admissível. E, por força, desdobra-se em outra.

Ainda que Sergio Moro, os procuradores e a PF dispusessem de elementos convincentes para a prisão de Santana e Mônica, seria preciso fazê-la com a urgência aplicada? Nenhum fato a justificou. O risco de fuga era zero, já estando ambos no exterior. Mas o problemático assunto das remessas e contas externas de Fernando Henrique foi sufocado com mais facilidade. Não que se pudesse esperar um tal assunto levado a sério: a Procuradoria Geral da República, os procuradores e a Polícia Federal não foram capazes de emitir, dirigida à população como devido, sequer uma palavra a respeito. Mas sempre poderia ocorrer algum desdobramento a exigir mais para sufocá-lo.

Além disso, a oportunidade foi perfeita para o fato consumado de ampliar o alcance de Sergio Moro e da Lava Jato, apesar da duvidosa legalidade do novo alcance. O âmbito legal das ações de Moro e da Lava Jato não inclui eleição, campanhas, Santana, e atividades das empreiteiras fora do sistema Petrobras. Extendê-lo já foi tentado, mas o Supremo Tribunal Federal barrou-o. Mas é por aqui que se pode entender o serviço prestado por tanto “possível” e “possivelmente” e “seria”: misturam o marqueteiro com dinheiro da Petrobras. E com as campanhas de Lula e de Dilma, que assim são postas na jurisdição das ações da Lava Jato e de seu poderoso juiz.

Sergio Moro, os procuradores e policiais federais falaram muito sem dizer o essencial. Mas já se entende parte dele.

FANTASMAS

Não tenho apreço por João Santana. Sua demissão da campanha eleitoral na República Dominicana me parece positiva para os dominicanos. Com isso, porém, a funcionária fantasma de José Serra pode voltar, também, a Brasília. Para ganhar outra vez, que tristeza, só como fantasma do Senado. Um efeito secundário da ação de Sergio Moro.

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Investigação VIOMUNDO

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Elias

26/02/2016 - 11h45

A velha grande imprensa, depois de doze anos de bombardeio contra os os governo de Lula e Dilma mostra que não tem mais competência para derrubar presidentes. O quarto poder, historicamente golpista, sempre teve como aliados os militares. Os militares hoje não embarcam em qualquer canoa. Mas parte do judiciário, sim. E é com essa parte do judiciário que a imprensa golpista vem contando para derrubar Dilma, desmoralizar Lula e chegar ao “fim da raça petista”, realizando assim o sonho de Bornhausen amigo da jornalista Miriam Dutra que foi amante de Fernando Henrique Cardoso. Essa grande imprensa, enfraquecida pela internet, busca fortalecer sua artilharia ao contratar jovens direitistas verborrágicos e não tão jovens pichadores azedos ou azevedos. Mas esse mostro chamado também de grande mídia, apesar do pesares tem ainda resquícios de boa informação. É o caso de (vou citar apenas dois) de Janio de Feitas e Bob Fernandes.

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FrancoAtirador

26/02/2016 - 11h42

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OLJ = OC/PPP
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Também é Possível que a OLJ seja uma Parceria Público Privada (PPP)
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Organizada para Retirar um Partido Político do Poder, pela Via Judicial.
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Responder

Carlos

25/02/2016 - 19h35

Como a oposição e a mídia, sozinhas, não derrubam o governo, recebem o apoio primordial do TRIUNVIRATO DO GOLPE: PF, MPF e MORO.

Responder

Euler

25/02/2016 - 17h23

Um dos poucos jornalistas dignos da mídia golpista, Jânio de Freitas desnuda aquilo que a parte da sociedade brasileira não lobotomizada pela Globo já sabe: Moro e seus agentes da PF e do MP estão a serviço do golpe. O papel deste complô é abafar e blindar qualquer ataque aos tucanos e aos Marinho e apresentar mais ataques ao PT, Lula, Dilma e afins para manter o espetáculo da novela: “Tudo de ruim começou com o PT”. Em parte, infelizmente, PT, Lula e Dilma fazem jus a este bombardeio midiático, não por razões morais, de corrupção e etc., mas pela covardia, pela omissão e pela miopia política, ao não revidar à altura aos ataques da direita. Aprenderam a apanhar calados, e inclusive pagando para isso, o que faz da experiência petista de governo uma pedagogia da covardia. Quem não é capaz de lutar, de se defender e de usar as armas de que dispõe para enfrentar os inimigos do povo, merece o quê?

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    João Só

    26/02/2016 - 14h22

    Exatamente, o PT não soube se apropriar de todos os mecanismos legais para exercer o poder de forma plena. O controle da PF pela direita é o melhor exemplo. Onde já se viu a polícia do Estado atuar no ataque ao governo de esquerda?

Maria Aparecida Jubé

25/02/2016 - 12h52

Nenhum mistério, um juiz que ganha altíssimos salários e centenas de benesses do povo e trabalha para esconder os crimes praticados por figurões do seu partido, ou seja, recebe do povo, mas trabalha para o partido.

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Messias Franca de Macedo

25/02/2016 - 12h44

Agora, falando em coisas positivas!

Ainda “não nunca será desta vez”, [mequetrefe] “juiz” DEMoTucano Sérgio ‘mor(T)o’!
Entenda

***

Mulher de João Santana admite ter recebido da Odebrecht – por serviços prestados às campanhas políticas realizadas… Na África, na Venezuela e no Panamá

25/02/2016 02h00

(…)

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/02/1743107-mulher-de-joao-santana-admite-ter-recebido-da-odebrecht.shtml

***

Ô golpistas da ‘PORCA-tarefa’, é preciso desenhar?!…

Responder

    Lukas

    25/02/2016 - 14h21

    Olhem que interessante!

    Odebrecht pagou pelas campanhas eleitorais no Panamá, na Venezuela e na África. Mas não no Brasil.

    João Santana aceitou receber dinheiro da empreiteira por seus trabalhos em campanhas eleitorais do Panamá, da Venezuela e na África. Mas os pagamentos da campanha de Lula e Dilma foram limpos e declarados, e nada tem de irregular.

    Não é fantástico que ambos decidam ser honestos no Brasil e só no exterior sejam corruptos? Que sorte a nossa, hein?

    Sidnei Brito

    25/02/2016 - 16h55

    Lukas, seus ídolos Moro e galera da PF é que dizem não haver irregularidades nos pagamentos do PT. Se quiser, pode reclamar com eles.
    Mas não deixa de ser interessante sua observação…
    Veja: os doadores ao PT e ao PSDB nas últimas eleições são praticamente o mesmo, inclusive em valores, em alguns casos em montantes até maior para o PSDB. Não é fantástico que só se considere sujo o dado ao PT e limpíssimo o entregue ao PSDB?
    Que sorte a nossa que os empreiteiros só desejem ser corruptores pela metade, hein? Afinal, seria bem pior se o fossem por inteiro, não?

    Julio Silveira

    25/02/2016 - 19h23

    Fantástico “cidadão” Lukas é saber que a odebrecht faz esse tipo de serviço desde o regime da Ditadura, para todos os partidos, e fico pasmo que só procuram acusações contra um. Isso é realmente fantástico. É mais fantástico ainda é ver pretensos cidadãos, cheios de arroubos de moralidade, olharem pro lado quando o gato que rouba o peixe do vizinho é o seu.

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