Breno Altman: A calúnia golpista da SIP contra o presidente Lula | Viomundo - O que você não vê na mídia
Viomundo – O que você não vê na mídia
 
Você escreve
18 de julho de 2010 às 10:05

Breno Altman: A calúnia golpista da SIP contra o presidente Lula

17/07/2010

por Breno Altman, em Opera Mundi

Breno Altman – Opera Mundi

Os jornais de hoje (17) estampam declaração do presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa, Alejandro Aguirre, afirmando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “não pode ser chamado de democrático”. O ataque se estende aos demais países da região que são administrados por partidos de esquerda. Esses governos, de acordo com o dirigente da SIP, “se beneficiam de eleições livres para destruir as instituições democráticas”.

Certamente é importante, para os leitores, conhecer a história dessa entidade antes de julgar a credibilidade das declarações de seu principal dirigente. Fundada nos Estados Unidos em 1946, a SIP teve papel fundamental durante a Guerra Fria. Empenhou-se com afinco a etiquetar como “antidemocráticos” os governos latino-americanos que não se alinhavam com a Casa Branca. Constituiu-se em peça decisiva da guerra psicológica que antecedeu os levantes militares no continente entre os anos 60 e 80.

Orgulha-se de reunir 1,3 mil publicações das Américas, com 40 milhões de leitores. Entre seus membros mais destacados, por exemplo, está o diário chileno El Mercurio, comprometido até a medula com a derrubada do presidente constitucional Salvador Allende, em 1973, e a ditadura do general Augusto Pinochet

Outros jornais filiados são os argentinos La Nación e El Clarín, apoiadores de primeira hora do golpe sanguinário de 1976, liderado por Jorge Videla. Aliás, suspeita-se que a dona desse último periódico recebeu como recompensa um casal de bebês roubado de seus pais desaparecidos.

A lista é interminável. O vetusto diário da família Mesquita, Estado de S.Paulo, também foi militante estridente das fileiras anticonstitucionais, clamando e aplaudindo, em 1964, complô contra o presidente João Goulart. Mas não foi atitude solitária: outros grupos brasileiros de comunicação, quase todos também inscritos na SIP, seguiram a mesma trilha golpista.

Os feitos dessa organização, entretanto, não são registros de um passado longínquo. Ou é possível esquecer a histeria da imprensa venezuelana, em abril de 2002, no apoio ao golpe contra o presidente Hugo Chávez? Naquela oportunidade, a SIP não deixou por menos: a maioria de seus filiados foi cúmplice da subversão oligárquica em Caracas.

Uma trajetória dessas é para deixar até o mais crédulo com as barbas de molho. Qual a autoridade dos dirigentes dessa agremiação para falar em democracia, com sua biografia banhada na lama e no sangue? O que fazem é se aproveitar dos espaços públicos sobre os quais exercem propriedade privada para conspirar, agredir e manipular.

Ainda mais quando apelam à calúnia. A imensa maioria dos veículos de imprensa no Brasil dedica-se à desabusada oposição contra o presidente Lula e seu partido. Nenhuma publicação dessas foi fechada ou censurada por iniciativa de governo. Circulam livremente, apesar de muitos terem atravessado o Rubicão que separa o jornalismo da propaganda política, violando as mais comezinhas regras de equilíbrio editorial.

As palavras do presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa, dessa forma, devem ser compreendidas através do código genético de Aguirre e seus pares. Hoje, como antes, atacam os governos progressistas porque desejam sua desestabilização e derrocada. Insatisfeitos com os resultados e as perspectivas eleitorais de aliados políticos, tratam de vitaminá-los com factóides de seu velho arsenal.

A história do presidente Lula, afinal, é de absoluto respeito à Constituição e à democracia. O mesmo não pode ser dito da SIP, cujas impressões digitais estão gravadas na história dos golpes e ditaduras que infelicitaram a América Latina.

(*) Breno Altman é jornalista e diretor editorial do site Opera Mundi.

 

Gostou? Compartilhe.

 

This website uses IntenseDebate comments, but they are not currently loaded because either your browser doesn't support JavaScript, or they didn't load fast enough.



leia também

Fernanda Giannasi: “O dinheiro não falou mais alto”

Prefeitura italiana rejeita proposta de ex-donos da Eternit para se retirar do processo do século

Cremesp rechaça o voluntarismo terapêutico e higienista

Sobre a intervenção na Cracolândia

Kenarik Boujikian: Coronelismo no Judiciário

STF romperá o conservadorismo? Sobre CNJ

Souto Maior: Um desafio à cultura nacional

Caso Pinheirinho

Bajonas Brito Junior: O Brasil reinventa o totalitarismo

No Congresso em Foco

Tuítaço pela qualidade da internet hoje às 16h

Iniciativa: Idec e Campanha Banda Larga é um Direito Seu. Alvo: Oi

Fernanda Giannasi: Schmidheiny, o poderoso chefão do amianto?

Justiça mesmo que tardia

Quer vender aquela sua mesa de pebolim?

Sobre o bolsa banqueiro europeu

Slavoj Zizek: A privatização do conhecimento intelectual

O fim da burguesia e do trabalhador como o conhecemos

Ato contra a violência policial no Pinheirinho

Hoje, a partir das 17h, no vão do Masp

Gerson Carneiro: O avesso do avesso do avesso do avesso

Sobre o BBB e a MP 557

Morvan Bliasby: Lula e a integração da América Latina

Construção fundamental

PM de Pernambuco reprime estudantes

Contra o aumento da tarifa de onibus

Urariano Mota: A inteligência fora das ondas

Cartas camponesas

Luis Felipe Albuquerque: Syngenta concorre ao prêmio internacional de pior empresa

Do mundo, em 2011

Protesto contra a Globo no caso BBB

Em São Paulo, nesta sexta-feira às 12h

Manifesto exige imediata responsabilização da Globo no caso BBB

As principais entidades feministas do Brasil assinam

Exames médicos “extras”: Problema de comunicação

Concurso da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo

Avon: Não somos patrocinadores do Big Brother

Nem nós

Privataria Tucana é lançado hoje no Rio de Janeiro

Com a presença de Amaury Ribeiro Jr., Emir Sader, José de Abreu, Fernando Brito e Luiz Fernando Emediato

Ana Flávia Ramos: A mídia que estupra

Ainda o BBB

Fátima Oliveira: “Há algo misterioso e perverso na história do escritor”

Sobre alguns mistérios da vida privada de Lewis Carroll

Justiça suspende reintegração de posse do Pinheirinho

Despacho foi expedido às 4h45 desta terça-feira

Vera Paiva: Como a PM deve atuar em toda a cidade de São Paulo?

A agressão do estudante no DCE/USP deixa claríssimo que a sociedade tem de enfrentar já esse debate

Urariano Mota: Quem não pode pagar, que se morda de dor

Planos de saúde X anestesiologistas (2)



Vi o mundo Reprodução de conteúdo autorizada com menção da fonte. As opiniões expressas no site são de responsabilidade dos autores.