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Stédile: Globo faz parte da associação do agronegócio

publicado em 2 de setembro de 2010 às 4:37

Foto Manuela Azenha

João Pedro Stédile, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) está otimista. Depois da derrota eleitoral de Lula, em 1989, ele acredita que os movimentos sociais brasileiros enfrentaram um longo período de hibernação. Hoje, no entanto, ele acredita que estejam novamente em ascensão. Identifica no apoio da maior parte deles a Dilma Rousseff uma unidade que há muito não via, a ponto da candidata reunir em torno dela apoios que nem mesmo Lula conseguiu, em 2002 e 2006.

Na noite desta quarta-feira João Pedro nos recebeu no casarão que é sede do MST em São Paulo, uma propriedade que foi comprada com dinheiro arrecadado pelo fotógrafo Sebastião Salgado em uma exposição internacional de fotos do movimento. Ele agora está de olho em um galpão industrial do bairro, que gostaria de transformar em um centro cultural. O MST faz muitos outros planos: a produção de arroz e suco de uva orgânicos para servir na merenda escolar, um projeto para a alfabetização de adultos e a formação universitária dos sem terra estão entre eles (o movimento já “formou” dez doutores).

Sugerimos que você ouça a entrevista na íntegra. Participaram eu, Luiz Carlos Azenha, Conceição Lemes e Manuela Azenha.  É um passeio pelos principais temas que a sociedade brasileira enfrentará, obrigatoriamente, nos próximos anos. Começamos falando sobre as eleições e uma recente entrevista de Stédile ao Brasil de Fato que o Viomundo reproduziu.

Sobre a ascensão dos movimentos sociais:

Stedile1.wma

Viomundo: Bom, vamos lá começar então perguntando sobre a conjuntura política. Eu li o seu artigo sobre a necessidade dos movimentos sociais apoiarem a candidatura da Dilma. Por que essa sua posição?

Stédile: A maioria dos movimentos não fizeram um debate explícito sobre a quem apoiar, para preservar uma certa autonomia, ou seja, como não somos partidos políticos — e mesmo o movimento sindical, mesmo a UNE na sua plenária ela definiu contra o Serra, mas sem indicação de voto — porque a rigor a nossa base deve votar de acordo com a sua consciência, aqui não é um comitê central que decide vota em fulano e todo mundo baixa a cabeça. A natureza do movimento social é muito mais ampla. No entanto, eu acho que se criou um ambiente político no Brasil nos últimos meses que levou a que 90% dos movimentos sociais aregaçassem as mangas e trabalhassem contra o Serra e a favor da Dilma, na perspectiva de que num governo Dilma vai ter uma correlação de forças mais propícia para fazer a luta social e para apresentar propostas de mudanças estruturais, que é o que a sociedade brasileira precisa.

Viomundo: Que propostas você acredita sejam as mais importantes?

Stédile: Ah nos vários campos. Por exemplo, na política economia. Não basta seguir mais quatro anos do mesmo. Nós precisamos enfrentar radicalmente o problema do superávit primário. Nenhum país do mundo pratica — dos países grandes, de economias grandes — pratica superávit primário, só Brasil e Argentina. Por que manter essa política que na verdade é um processo de apropriação da poupança nacional, que é recolhida na forma de impostos de todo mundo, de forma compulsória, vai para a Receita Federal e a Receita Federal separa 26% para pagar juro? Eu espero que o governo inclusive tenha aprendido com a crise do ano passado, porque o que salvou o Brasil de um efeito mais grave na economia foi que o Lula sabiamente tirou 100 bilhões do superávit primário e botou no BNDES e esses 100 bilhões foi que garantiu o crescimento econômico, ou seja, ele foi direcionado para investimentos produtivos.

Bem, o tema dos juros — é um absurdo a taxa de juros atual, não só a Selic, que é [a taxa] que o governo paga, mas sobretudo o que as pessoas e empresas pagam. Cartão de crédito no Brasil, que é o que financia o consumo da classe média, com taxa de juro de 190% ao ano, mas nem na crise de 19 no período do Hitler, que justificou a ditadura dele, havia uma taxa de juro tão alta, real, isso tem que mudar.

Tem que mudar a jornada de trabalho. Na conjuntura anterior nós não tivemos força para emplacar 40 horas. Eu acho que agora nós vamos ter unidade de todas as centrais, dos movimentos sociais para fazer um movimento mais vigoroso e emplacar a jornada de trabalho. Então, você veja, só esses três aspectos na política econômica, isso altera a correlação de forças na sociedade. Isso significaria mais distribuição de renda para os trabalhadores, melhores condições para os que produzem a riqueza.

Bem, na agricultura nós temos vários pontos que são fundamentais para mudar. Desde acelerar a reforma agrária, porque nós não temos reforma agrária atualmente, nós temos uma política de assentamentos, que ela é mais direcionada a resolver problemas sociais. Então, quando tem um conflito em determinada região, o governo vai lá, desapropria uma fazenda e desanuvia. Mas isso não é reforma agrária, reforma agrária é quando tem uma política propositiva que o governo se antecipa para garantir que todos os que querem trabalhar na terra tenham acesso à terra. Para isso ele tem de tomar iniciativa e desapropriar os maiores latifúndios. Só assim vai haver uma desconcentração da propriedade. O dado do Censo de 2006 revelou que a concentração atual da propriedade da terra é maior do que em 1920. Na semana passada o presidente do Incra teve a lucidez de revelar um dado que não está publicado ainda nos cadastros do Incra, de que há uma avalanche de empresas brasileiras indo aplicar o seu dinheiro, se proteger em patrimônio-terra. E hoje há 177 milhões de ha em propriedades de capitalistas que moram na cidade, de empresários, ou seja, são empresas industriais, bancos, que são donos de terra, que a rigor não é o seu meio de produção.

Também nós temos no problema da terra o tema do modelo do agronegócio, que ele é insustentável a longo prazo, porque o agronegócio ele só consegue produzir com mecanização intensiva e isso expulsa a mão-de-obra. Há dez anos havia 6 milhões de assalariados agrícolas no Brasil. Hoje, se reduziram a 1,6 milhão. E com o uso intensivo de agrotóxicos. E o veneno, por ser de origem química, não é biodegradável. Ele acaba com o solo, contamina a água ou, pior ainda, fica nos alimentos e vai se transformar em câncer.

Um balanço dos assentamentos no governo Lula:

stedile dois.wma

O programa de educação do MST para o campo:

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O suco de uva do MST (e a Globo na associação do agronegócio!):

stedile 4.wma

Como driblar o bloqueio da mídia corporativa

Stedile 5.wma

 

54 Comentários para “Stédile: Globo faz parte da associação do agronegócio”

  1. […] quase ausente da mídia corporativa por conta do apoio dos barões da mídia ao agronegócio (a Globo é integrante da associação do agronegócio, denuncia João Pedro Stedile) e às verbas publicitárias que irrigam o bolso dos Marinho, Frias, Mesquita e […]

  2. […] quase ausente da mídia corporativa por conta do apoio dos barões da mídia ao agronegócio (a Globo é integrante da associação do agronegócio,denuncia João Pedro Stedile) e às verbas […]

  3. […] Com Sergio Cabral e Aloizio Mercadante, José Roberto Marinho, o “ambientalista” das Organizações Globo, preocupadíssimo com o Aquífero Guarani. Os cursos da Fundação Roberto Marinho ensinam crianças a economizar água, mas não contam que os maiores gastadores de água do mundo são os homens do agronegócio. Coincidentemente, a Globo faz parte da associação do agronegócio, conforme denunciado por João P… […]

  4. dom, 28/10/2012 - 12:21
    iuana engelmann

    Olá gostaria de saber se vc tem facebook me addc sou filha do irineu engelmann … abraços

  5. qua, 04/07/2012 - 2:59
    abolicionista

    O Stédile é brilhante! Eu tenho vergonha dessa minha vidinha urbana medíocre quando ouço um sujeito desses falar. Isso porque ele representa um movimento, não é só um indivíduo, é toda uma força histórica que fala por meio dele. Se o PT tiver o mínimo de responsabilidade, tem de fazer de tudo para reforçar o MST, o maior movimento social desse país. Acorda, Dilma!

  6. [...] Em 2010, João Pedro Stedile já falava sobre a simbiose entre o capital financeiro e os ruralistas, simbolizada pelo fato de que a Globo faz parte da associação do agronegócio. [...]

  7. [...] Stédile: Globo faz parte da associação do agronegócio [...]

  8. [...] e soja para alimentar os porcos da China, que exige expansão continuada da fronteira agrícola. João Pedro Stédile, do MST, fala repetidamente sobre o extraordinário avanço das finanças sobr… Vi isso em grandes extensões de terra do sul do Maranhão, recentemente: sementes da Basf, [...]

  9. [...] Stédile: O que faz a Globo na associação do agronegócio?   [...]

  10. [...] Stédile: O que a Globo faz na associação do agronegócio?   [...]

  11. [...] Stédile: O que a Globo faz na associação do agronegócio?   [...]

  12. [...] Grosso modo, concordamos com a avaliação de João Pedro Stédile, do MST, segundo a qual existe uma aliança do setor financeiro com um punhado de empresas que controlam o [...]

  13. [...] E aqui para ouvir uma entrevista com João Pedro Stedile, do MST, em que ele trata deste e de outros… [...]

  14. [...] a nova etapa da luta do MST, que sintoniza o movimento ainda mais com os interesses da sociedade, ouça esta entrevista. Garanto: é mais esclarecedora que o festival de obviedades com objetivo de criar polêmica [...]

  15. [...] Clique aqui para ouvir entrevista que o Viomundo fez com João Pedro Stédile, do Movimento dos Sem Terra (MST), a partir da qual decidimos nos aprofundar no assunto. [...]

  16. [...] Clique aqui para ver como a Globo faz parte de uma associação do agronegócio (será que planta na…   [...]

  17. [...] Clique aqui para ouvir entrevista que o Viomundo fez com João Pedro Stédile, do Movimento dos Sem Terra (MST), a partir da qual decidimos nos aprofundar no assunto. [...]

  18. seg, 24/01/2011 - 13:52
    RMFF

    Excelente a entrevista.
    Sugiro que todos aqueles que leram esta reportagem passem a agir de uma forma mais ativa. Que tal se todos nós boicotássemos todos aqueles produtos produzidos pela agronegócio capitalista selvagem. Que tal se consumíssemos apenas produtos produzidos pela agricultura familiar, de preferência pelos pequenos agricultores dos assentamentos do MST? Pode ser que alguns entre nós morréssemos de fome, mas seria pelo bem da revolução social no campo. Divulguem esta idéia.

  19. sáb, 22/01/2011 - 8:19
    Adilson

    Azenha,

    Permita-me distoar do post, para dizer: O jeito de ser do PIG é leviano. Pois foi vastamente divulgado pelo PIG que era um absurdo o fato do ex-Presidente Lula e sua família aceitar o convite do Ministro da Defesa para passar férias em acomodações do Exército.
    Todavia a dublê da Mirian Leitão, a jornalista Nara Lacerda da CBN Brasília foi ao Haiti a convite das Forças Aéreas. Pelo que sabemos Lula foi um excelente Presidente com relevantes serviços prestados à nação Brasileira, já a Nara Lacerda o que fez para merecer o privilégio de viajar as custas do dinheiro do contribuinte, além de provalvemente, ficar hospedada e comer as nossas custas?
    Depois de tudo posto, o ato da jornalista Nara Lacerda da CBN Brasília fere os princípios da moralidade, razoabilidade e universalidade, isso sim é um absurdo.

  20. [...] Para ouvir uma entrevista imperdível do Stedile, em que ele trata deste e de muitos outros assuntos… [...]

  21. sex, 21/01/2011 - 15:07
    Fernando

    Ou se cassa a concessão da Globo ou vamos seguir avançando em pingados.

  22. [...] Para ouvir uma entrevista imperdível do Stedile, em que ele trata deste e de muitos outros assuntos…   [...]

  23. ter, 18/01/2011 - 21:03

    Meus Deus, Azenha, que entrevista maravilhosa!!

    me emocionei com essa frase dele: “A sociedade estará do nosso lado porque a natureza está do nosso lado. A natureza irá evidenciar as contradições do capital.”

    Parabéns, acho que foi a melhor entrvista que vi com Stédile.

  24. dom, 16/01/2011 - 19:48
    Rodrigo

    Otima entrevista
    MAis uma vez parabens Azenha
    Estamos no caminho , estamos acordando do sonho podre que o PIG nos impos.
    A cada dia mais gente fica sabendo da verdade.
    Forca!
    Vamos fazer um brasil mais justo.
    Sds

  25. dom, 16/01/2011 - 15:23
    Luci

    A oligarquia (organizada e unida) encontrou meios de se manter no poder e quando houver qualquer manifestação contra atos injustos a repressão e a truculência é o diálogo. Sobre propriedade, terra, função social da terra o artigo da professora Ermínia Maricato "Os prisioneiros da Especulação Imobiliária" afirma como se mantém a tradição latifundiária, o poder político e economico concentrado em mãos de poucos, e a impunidade.

  26. seg, 13/12/2010 - 12:28

    é preciso distribuir essas fatias do bolo entre os mais pobres, com rigor ainda

  27. dom, 12/12/2010 - 10:25
    Maria Rodrigues Nagy

    No Brasil, entre os agricultores, podemos destacar os 2 extremos dessa cadeia produtiva: de um lado temos os que trabalham com a agricultura familiar, que na maioria das vezes se utliza de técnicas voltadas à agroecologia, que para além da produção de alimentos livres dos agrotóxicos, lida com a terra de forma amis harmônica; e aqueles que tem o agronegócio que visa muito mais pruduzir sua própria riqueza… esse sim é o que utliza uma carga de venemo muito acima do suportável.
    Dentro disso tudo, estamos nós, os consumidores… então as campanhas que visam esclarecer os maleficios dos agrotóxicos deve se voltar principalmente para nós … se tivermos consumidores esclarecidos, a oferta de alimentos terá que mudar seu comportamento, como ocorreu nos países europeus.

  28. dom, 12/12/2010 - 10:04
    ebrantino

    Militante e lider que transpira sinceridade em tudo o que diz ou escreve, intelectual respeitavel, defende com afinco a sua utopia – ver a felicidade do homem do campo – coisa desejavel, que deve ser perseguida com vigor, mas é apenas meta, sonho, mais ou menos como a "terra sem males", dos Guaranis. Mas, ao defender o seu sonho, com unhas e dentes, e uma inteligência insuperavel, tem prestado imenso serviço à pátria, inclusive criando caminhos novos, respeitados em todo o mundo, e evitando o desvio para trilhas inviaveis e que só levariam ao retrocesso.
    O Stédile deve ser proposto para o Nobel da Paz, e não o pobre do Obama ou o desastrado chines. Uma das coisas que provou é que é possivel ter sistemas diferentes de exploração rural no mesmo país, cada um com seus objetivos. Mas o Estado tem de estar atento, se não o maior engole o menor. É mais um motivo para termos um Estado forte no Brasil. O Capitalismo carrega em sí a tendencia à concentração da riqueza, e isto se aplica fortemente à concentração da propriedade rural. Um Estado vigoroso e socialmente preocupado, entretanto, pode conseguir a manutenção de um grande setor de pequena e média agriculturas. Há exemplos. Ebrantino.

    • dom, 12/12/2010 - 15:30
      Mário SF Alves

      Ebrantino,
      Comungo com você a homenagem ora feita ao Stédile. E mais. A meu ver, este, sim, é um intelectual que conta na construção de um Brasil de todos. É lamentável que sua luta não seja igualmente aceita por todos os brasileiros. Aqui ainda impera a desumana, anti-social e antieconômica concentração da terra. Esta abominação desconcertada com o mundo civilizado é mantida por força de lobby e pressão política dos grileiros, dos latifundiários [detentores de poder sobre latifúndios improdutivos], de parte do poder econômico e político, das grandes corporações dos venenos e transgênicos e da resistência cega das antigas e decadentes tradições aristocráticas – ainda que caídas por terra – em nosso País. Embora não revelem, a ordem destes é manter o Brasil como um imenso feudo, a qualquer custo; ainda que isso significasse jamais romper com o subordinamento internacional do País, e à custa de seu crescimento e da histórica e insuportável marginalização de seus filhos. Se a luta por superação desse entrave tem o nome de utopia, então que viva a utopia!
      Att., Mário.

  29. [...] Clique aqui para ouvir a entrevista que fizemos com o Stédile antes da eleição, na qual ele expõe a moderníssima pauta do MST. [...]

  30. sex, 12/11/2010 - 18:17
    Carmen

    O Stédile tocou num ponto muito importante e que muito pouco debatido no Brasil: a questão do uso de agrotóxicos.
    É preciso que o governo de Dilma se empenhe na regulamentação e fiscalização do uso indiscriminado de agrotóxicos.
    Nas lavouras brasileiras são usados pelo menos dez produtos proscritos na União Europeia (UE), Estados Unidos e um deles até no Paraguai. Estamos sendo envenenados dia-a-dia. Além de câncer, vários distúrbios mentais podem ser desencadeados, tais como: depressão, síndrome do pânico, esquizofrenia e até mutações genéticas.
    Os agricultores necessitam de uma educação voltada ao esclarecimento disso, pois muitos deles são as próprias vítimas desse uso indiscriminado. Há vários estudos e levantamentos, que demonstram a destruição nefasta que tais produtos causam nessa população.
    É incongruente e irracional manter isso fora de controle, uma vez que a repercussão é muito grande:
    O que adianta manter altos índices de produtividade e acabar sobrecarregando o sistema de saúde? O que se ganha de um lado, perde-se de outro. O custo é muito alto. Envolve vidas humanas e não é só, envolve todo o nossa biodiversidade. A questão é de vontade política, por parte do governo e de mudança de consciência por parte dos agricultores, principalmente do agronegócio.

  31. ter, 09/11/2010 - 22:08
    Mário SF Alves

    Tive o privilégio de assistir os videos dessa entrevista, e o que o Stédile diz sobre reforma estrutural me faz recordar os idos de março de 1964. Ainda continua tudo ali, é como se o tempo tivesse parado; está tudo ali no discurso que o ex-Presidente João Goulart proferiu na Central do Brasil, em 13 de março de 1964. Siga o link: http://blogdodanielphilos.blogspot.com/2009/06/jo…. Enfim, é como se esse feudo não pudesse se transformar em uma Nação nunca.
    Quanto à agricultura familiar, e mais particularmente, no que tange a questão da superação do uso de contaminantes químicos e artificiais transgênicos, não seria demais lembrar que no ES, agricultores descendentes de imigrantes pomeranos – oriundos da extinta Pomerânia, e transformada em corredor polonês na segunda guerra – ainda praticam uma modalidade de agricultura tradicional, que prefiro chamar de pré-capitalista. Bom, o fato é que, por mais que parte – ou a maioria – dos agrônomos a desconheçam ou a reneguem como sendo coisa do passado e sinônimo de ignorância técnica, ela possui uma base técnica, sim. Essa técnica, cuja origem remonta à Idade Média, é conhecida como pousio e consiste em dividir a propriedade em lotes de tamanho variável, conforme a disponibilidade e vocação produtiva da terra. Tais lotes, depois de individualmente cultivados são deixados em descanso com o objetivo de recuperar a fertilidade natural. Esse descanso da terra se dá, entre outros cuidados, até mesmo mediante a introdução de espécies leguminosas fixadoras de nitrogênio atmosférico. Importante ressaltar que tal técnica, base da verdadeira agricultura, aplicável tanto a regiões de clima tropical, como temperado, antecede o atual conceito de agricultura orgânica, visto que é orgânica por natureza e não por definição ou conceito. E é uma pena que o ES sendo guardião desse tesouro, não o veja como tal; muito pelo contrário.
    Em tempo: os referidos agricultores fazem uso do fogo na limpeza de seus campos de cultivo, porém, é prática secular e nada tem a ver com a queimada feita a bangu, de tipo agribusiness ou agroindústria existente e já dominante por aí.

  32. qui, 09/09/2010 - 0:27
    Rodrigo

    Realmente, é um prazer ouvir o Stédile falar.
    Sempre que encontro uma entrevista dele páro para ouvir.
    É de uma clareza que impressiona.
    Fala da realidade brasileira como só quem a vive dia a dia pode saber.
    Muito diferente do que lemos nos jornais e vemos na televisão.
    A propósito, a mídia brasileira é um lixo imundo, não sabe o que se passa no próprio país.

    • qui, 08/09/2011 - 0:16
      Sil

      Rodrigo concordo com quase tudo,não que não saibam,não interessa falar sobre…Estamos em um bom caminho.A mídia atenta contra o povo brasileiro!

  33. qua, 08/09/2010 - 12:01
    Hans Bintje

    Azenha:

    Eu NÃO vou falar sobre cerveja neste post – embora, se o MST produzisse trigo em grãos orgânico, eu conseguiria produzir uma ótima Witbier ( http://obiercevando.blogspot.com/2008/01/witbier…. ).

    Por que apenas "arroz e suco de uva orgânicos" para servir na merenda escolar?

    As sugestões são da revista Carta Capital ( http://www.cartacapital.com.br/cultura/vote-em-mi… ):

    "E chegará um tempo, prometo, que na cesta básica do brasileiro só teremos produtos de alta qualidade. Chega de enlatar ervilhas vagabundas. Chega de produzir óleo que mais se presta a uso mecânico. Feijão, só novinho para dar bom caldo. Arroz, só os que rendem mais e ficam soltinhos. A sardinha passará por uma reavaliação. Uma pesquisa profunda vai dizer se o povo gosta, de fato, daquela coisa que vem em latinhas. Aulas de apuro do paladar serão obrigatórias. Vou criar a merenda gourmet. (…)

    Meu governo vai cuidar e indenizar todo aquele que, por falta de opção, consumiu verduras e frutas com excesso de veneno e hoje padece de algum mal. Nutrição será matéria também obrigatória nas escolas e nas empresas. Não será por falta de alerta que um incauto trabalhador comerá duas ou três vezes por semana salsicha com molho de tomate e arroz."

  34. [...] ter uma visão completa do que sugere Stédile, recomendo que ouçam a íntegra da entrevista, aqui. Garanto que vale a [...]

  35. ter, 07/09/2010 - 14:32
    Jader

    Gente acho que o Carta Maior acou o rastro da polvora da bala de prata:
    COINCIDÊNCIAS E REMINISCÊNCIAS

    Quinta-feira, 4 de agosto; Jânio de Freitas, Folha:

    Segunda-feira, 6 de setembro:

    Assaltada a Secretaria da Fazenda de São Paulo, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Cerca de 16 homens armados renderam dois seguranças e invadiram o prédio Os assaltantes permaneceram no local por aproximadamente duas horas e meia; fugiram levando setenta e quatro computadores novos –já recuperados– e 21 notebooks. No local há câmeras instaladas, mas a CPU foi levada pelos assaltantes. (Carta Maior; 07-09)

  36. [...] ter uma visão completa do que sugere Stédile, recomendo que ouçam a íntegra da entrevista, aqui. Garanto que vale a [...]

  37. ter, 07/09/2010 - 14:25
    Urbanos

    Não se filia a udr porque não quer, pois de agronegócio, latifúndio e grilagem tem bom conhecimento.

  38. ter, 07/09/2010 - 14:11
    Jairo_Beraldo

    A Globo é mais ativa para a elite urbana, da qual faz parte, que a elite rural. Nunca fui contra o MST, pois sei como funcionam as "invasões", que na verdade, são "ocupações consensuais". E bobagem agredir o agronegocio, como sendo toda a classe ruralista.

  39. ter, 07/09/2010 - 1:29
    Marcelo Almeida

    Me emocionei escutando a entrevista com Stédile!

    Precisamos de gente assim; guerreira!! O MST hoje tem o seu lugar na nossa sociedade, ainda que a nossa direita não queira!!

    Sds.

  40. seg, 06/09/2010 - 19:46
    Marcelo

    É sempre um prazer ouvir uma pessoa que fala com essa lucidez.

  41. dom, 05/09/2010 - 12:26
    Mauro

    Enquanto ouvimos Stédile tomamos consciencia que a invasão, a apropriação do nosso Solo pode se dar de uma maneira tão diferenta da divulgada pela midia.
    Parabéns pela exposição do material.

  42. dom, 05/09/2010 - 10:40
    Fernando

    Nota: Milícia Armada de ex-Deputado Federal assassina militante do MST no Pará
    http://candidoneto.blogspot.com/2010/09/nota-mili

    • ter, 05/10/2010 - 17:40
      Angelo Frizzo

      Quando será que isso (assassinatos no campo) vai acabar? São milhares que nem foram investigados, muito menos seus autores julgados e, menos ainda condenados. Mesmo com uma juiza de testemunha, ao lado de um policial militar, ele atirou e matou um sem-terra, e, ficou por isso mesmo.

  43. sáb, 04/09/2010 - 11:02
    Fabio_Passos

    Plinio continua defendendo as propostas mais avançadas para o Brasil:

    "Em entrevista, Plínio defende reestatizações e desapropriações" http://www.band.com.br/jornalismo/eleicoes2010/co

    "
    O candidato do PSOL à Presidência, Plínio de Arruda Sampaio, defendeu nessa quinta-feira, em entrevista ao “Jornal da Globo”, a reestatização do sistema de saúde do país e da mineradora Vale, prometendo ainda que, se eleito, vai desapropriar todas as terras que ultrapassarem mil hectares.
    "

  44. sáb, 04/09/2010 - 9:55
    André

    Viva os movimentos sociais! Viva a esquerda brasileira, que marcha unida rumo a construção de uma correlação de forças q permita as reformas necessárias a melhoria de vida do povo!

  45. sex, 03/09/2010 - 9:02
    monge scéptico

    Sem dúvida sr. STÉDILE. A globo talvez tenha(dizem) as maiores, pouco produtivas e melhores
    fazendas do país. Pouco se importam com o homem afeito as lides do campo. Ver campesinos
    em favelas sofrendos todo tipo de agruras, e humilhação, deve dar algum prazer a esses sádi-
    -cos. Toda vez que alguém se levanta para luta r por justiça no campo,também eles se levantam,
    com apoio até das religiões, contra uma reforma agrária justa, o que plenamente possível.
    CONTINUE! O POVO O APOIA!

  46. sex, 03/09/2010 - 0:22
    Ed.

    Pelo menos o Galvão e a Ana Maria Braga estão nessa…
    Será que são "stock options"?
    Hehe

  47. qui, 02/09/2010 - 23:04
    Fabio_Passos

    “Tem 400 mil presos no Estado de São Paulo e 93% disso é crime contra o patrimonio. O que vemos é uma criminalização da pobreza”
    Plinio de Arruda Sampaio

    E acompanhem o Hamilton Assis porque ele acerta em cheio…

    [youtube Crsjz2Ygmhw http://www.youtube.com/watch?v=Crsjz2Ygmhw youtube]

  48. qui, 02/09/2010 - 22:42
    Fabio_Passos

    Participem do plebiscito para determinar limite a propriedade da terra!

    Já está acontecendo.
    Saiba onde votar: http://www.limitedaterra.org.br/

  49. qui, 02/09/2010 - 11:07
    Fernando

    Yeda manda a Brigada Militar bater nos povos quilombolas:
    http://coletivocatarse.blogspot.com/2010/08/morad

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