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Vinicius Wu: Não, não é uma conspiração das elites

17 de junho de 2013 às 20h53

Política| 16/06/2013 | Copyleft

Sobre o que dizem as ruas

Seria recomendável aos dirigentes políticos do campo progressista afastar o risco de reproduzir aqui os erros da esquerda espanhola que, inicialmente, criminalizou o 15-M e terminou falando sozinha nas últimas eleições. Também seria recomendável não outorgar, de forma alguma, às elites brasileiras uma capacidade de mobilização que ela não possui. Refutar a ideia de que os jovens estão nas ruas em função da mídia ou de qualquer tipo de conspiração das “elites” é o primeiro passo para não cair em um erro elementar.

Vinicius Wu (*), na Carta Maior

A forma menos adequada de buscarmos a compreensão de um fenômeno social complexo é a simplificação. Não encontraremos uma única motivação para os recentes protestos que se espalharam pelas principais cidades do país, se o procurarmos.

Temos questões mais gerais e universais ao lado de outros muitos temas locais e setoriais.

Há aspectos que aproximam os manifestantes de São Paulo aos do Rio e de Porto Alegre e, outros tantos, que os distanciam.

O papel da internet e das redes sociais é central e, em geral, os políticos e formadores de opinião não o tem compreendido minimamente.

Buscar algum grau de compreensão do atual fenômeno, a partir do ponto de vista de uma esquerda que se coloca diante do dificílimo desafio de governar transformando, é o objetivo desse breve artigo.

O que se pode dizer preliminarmente é que estamos diante de uma expressão política do novo Brasil. A revolução democrática, levada a termo pelos governos Lula, redefiniu a estrutura de classes da sociedade brasileira, incluiu milhões de brasileiros à sociedade de consumo e possibilitou a emergência de novas expressões culturais e políticas. Mas o inédito processo de inclusão social e econômica ainda é imperfeito, inconcluso e contraditório.

As dinâmicas políticas decorrentes do processo massivo de inclusão social em curso ainda são imprevisíveis, mas algumas pistas são visíveis e exigem da esquerda brasileira uma reflexão mais adensada.

As conquistas sociais dos últimos anos vieram acompanhadas da despolitização da política, de uma onda conservadora que constrange o Congresso Nacional e paralisa os partidos de esquerda, distanciando, ainda mais, a juventude da política tradicional.

Lembremos que, recentemente, tivemos manifestações espontâneas, em todo o país, contra a indicação de Marcos Feliciano à Comissão de Direitos Humanos do Congresso Nacional.

Na oportunidade, nenhum manifestante propunha o fechamento do Congresso ou a criminalização dos políticos. E o que fez nosso Parlamento enquanto Instituição? Nada.

Esperou solenemente o movimento se dispersar.

Frente à onda conservadora que estimula a homofobia, o racismo e a violência sexista, o que têm feito os partidos políticos? Os ruralistas de sempre se organizam no Congresso Nacional para anular os direitos dos indígenas e o que dizem nossos parlamentares progressistas?

Os dez anos de governo de esquerda no país nos deixam um legado de grandes conquistas, entretanto, há incerteza e imprecisão quanto aos próximos passos.

Demandas históricas não atendidas carecem de respostas mais amplas. Além disso, novas questões sempre se impõem num cenário de conquistas sociais e políticas. Pois, se é verdade que os governos do PT incluíram milhões e possibilitaram acesso a inúmeros serviços antes inacessíveis, também é verdade que temos, em diversas áreas, serviços de baixa qualidade e, fundamentalmente, caros.

O transporte nas grandes cidades é um drama cotidiano para milhões de brasileiros. Temos pleno emprego em diversas regiões metropolitanas do país e, no entanto, ainda temos um oceano de precariedade e informalidade.

E aqueles que ingressaram na sociedade de consumo nos últimos anos, legitimamente, querem mais: anseiam por cultura, lazer, mais e melhores serviços, educação de qualidade, saúde, segurança e transportes.

São os efeitos colaterais de toda experiência exitosa de redução das desigualdades sociais e econômicas.

Evidentemente, há ainda o afastamento e o desencantamento com a política e os políticos.

A denominada “crise da representação” não é um conceito acadêmico abstrato. O déficit de democracia e de legitimidade das Instituições políticas colocam em xeque a capacidade dos atuais representantes em absorver e compreender as novas dinâmicas sociais e políticas que se expressam nas ruas do país.

Nossa jovem democracia corre o risco de caducar precocemente, caso não tenhamos êxito em ressignificá-la e reaproximá-la dos setores sociais mais dinâmicos.

Essas seriam algumas das questões mais gerais que aproximam os movimentos do Sul, sudeste e nordeste. Mas há ainda temas locais que incidem sobre dinâmicas especificas e mobilizam pessoas a partir de questões mais sensíveis a partir de sua vivência concreta nos territórios.

O Rio de Janeiro, por exemplo, se tornou uma das cidades mais caras do mundo. Há uma reorganização em grande escala do espaço urbano e há setores sociais que se sentem completamente alheios (e marginalizados) ao processo de “modernização” da cidade.

Em São Paulo, temos uma polícia orientada para o uso desmedido e desproporcional da força e da violência – e isso não diz respeito somente aos dias de protestos. Também há ali um tipo de violência estrutural contra homossexuais e mulheres sem que o Poder Público organize qualquer resposta mais contundente. Poderíamos estender a lista.

Por fim, cumpre registrar que seria recomendável aos dirigentes políticos do campo progressista afastar o risco de reproduzir aqui os erros da esquerda espanhola que, inicialmente, criminalizou o 15-M e terminou falando sozinha nas últimas eleições.

Também seria recomendável não outorgar, de forma alguma, às elites brasileiras uma capacidade de mobilização que ela não possui e jamais possuirá. Refutar a ideia de que os jovens estão nas ruas em função da mídia ou de qualquer tipo de conspiração das “elites” é o primeiro passo para não cair em um erro elementar que seria bloquear qualquer possibilidade de dialogo com esses novos movimentos.

Melhor acreditar que é possível extrair do atual momento elementos para a renovação da agenda da esquerda brasileira e reforçar os laços que unem os governos progressistas da América Latina a todas as lutas contra as diversas formas de privatização da vida.

É hora de reforçarmos nossa capacidade de dialogo, de escuta, e ouvir a voz nada rouca das ruas – a mesma que nossos adversários sempre buscaram silenciar. Estamos diante de uma oportunidade singular para renovarmos nossos discursos e nossas práticas, projetando o próximo passo da Revolução Democrática no Brasil com base na força sempre renovadora das mobilizações da juventude.



(*) Secretário-geral do governo do Estado do Rio Grande do Sul

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40 Comentários escrever comentário »

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Caiu o nosso muro de Berlim. E agora? - Viomundo - O que você não vê na mídia

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Rômulo Gondim – Sobre Datenas, Jabores e Pondés

19/06/2013 - 00h48

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Scavone: Explosão jovem cheira mais primavera que pólvora e gasolina - Viomundo - O que você não vê na mídia

18/06/2013 - 19h38

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Carlos Zarattini: Hora de voltar aos bairros e debater com a população - Viomundo - O que você não vê na mídia

18/06/2013 - 11h45

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Geysa Guimarães

18/06/2013 - 11h36

Quase isto.
Capacidade de mobilizar geral a elite pode não ter, mas continua com aguçado senso de oportunidade.

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von Narr

18/06/2013 - 10h42

O protesto é baseado em ideias básicas: políticos são todos iguais, enganadores e corruptos, não existe diferença entre direita e esquerda, o grande problema do Brasil é a corrupção, a democracia não é democrática. O movimento não é anti-PT ou anti-Dilma porque considera que todos os partidos e políticos são lixo, todos são igualmente rejeitáveis, PT é lixo, PSDB é lixo, FHC e Lula são lixo, Marina e Aécio são lixo, a Globo é lixo, e até PSOL e PSTU são lixo porque são partidos e quando chegarem no poder vão fazer igual, roubar e mentir. Essa é a idéia básica do movimento. E isso não é coisa apenas dos jovens. A despolitização, o horror aos políticos, se espalha pelo mundo. Creio que a maioria vai votar nulo. Se uma parte dos eleitores da esquerda votar nulo, então fica como na Espanha, a direita leva. Nisso reside a euforia da Globo que, é evidente, passou a apoiar o movimento e imprime e tenta vender (a Globo sempre quer vender alguma coisa) a ideia de que é um grande desabafo nacional anti-Dilma e anti-PT. É sim, mas não é só contra eles.

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    Carlos Vicente Sampaio

    18/06/2013 - 15h46

    Pode-se dizer tudo sem se se perder em retórica. Você disse tudo, Von Narr. Perfeito.

Luiz Otávio

18/06/2013 - 09h46

Acho que criaram um gigante sim, mas que infelizmente é um ‘monstrão’ sem cabeça. Ninguém sabe quem são os lideres. Ninguém sabe ao certo o que querem. O alvo são os políticos? Ou a velha cultura política? Nós mesmo não estamos impregnados de tudo isso que criticamos? Falamos de futebol no Facebook, no bar e de repente soltamos ” brasileiro só pensa em futebol. Hipocrisia. ”Ah, mas eu sou politizado” Preconceito. Há um Parte disso é culpa das redes sociais que não são espaços convidativos ao debate (140 caracteres, piada). Outra coisa é o imediatismo da informação. Querer se informar ao invés de se comunicar. Preguiça. Google style. CtrcC+CtrlV. O que disseram da Lei de Responsabilidade Fiscal que hoje engessa as prefeituras e sufoca gastos justamente nestas áreas que reivindicam melhorias. Acho engraçado quando alguém diz ”odeio pessoas falsas”. Beleza, pode dizer alguma pessoa que GOSTA de pessoas falsas? Agora queremos um Brasil melhor. Aí pergunto…quem não quer? Estamos falando em corrupção, malandragem como se isso não fizesse parte da nossa cultura. Como se fosse atributo de um setor. Temos sim péssimos políticos em todos os partidos, mas não são os únicos culpados e nem é justo jogar nos políticos de hoje, todos os 5 séculos de descasos, roubalheira, corrupção, impunidade que sempre votamos e respaldamos. Está impregnado em diversos setores da sociedade. Queremos sempre levar vantagem em tudo. Estacionamos em vagas proibidas. O truque de usar, por exemplo, R$ 20,99 ao invés de R$ 30,00 é exemplo desta ‘malandragem aceita’. Cansamos de tanta violência. Legal…o que estamos querendo? Inserir na agenda uma campanha pela redução da maioridade? Pena de morte? Mais investimentos em segurança pública e que continuaria sustentando o mesmo Estado Policial, violento e repressor? Outro modelo de Polícia? Uma coisa é dizer, queremos transporte público de qualidade. Tá bom, mas o que propõe? Passe Livre, mais ciclovias, guias rebaixadas, acessibilidade. Tamô junto. Outra coisa é ficar no campo das abstrações. Certamente, muitos que neste movimento estão conclamando direitos sociais em nome dos pobres ironicamente acham que Bolsa Família é esmola pra comprar votos. Nem mesmo os partidos que fazem oposição ao Governo pensam mais assim. Falta uma compreensão por parte de todos que hoje, nem o Brasil nem nenhum outro país é governado por políticos. Não é a Dilma quem governa o Brasil. Nem será a Marina, nem o Plínio e nem o Aécio. Quem governa e continuará a governar o Brasil e o Mundo são as empresas. São elas que decidem que aqui o preço do carro chulé é 100 e o mesmo carro fabricado aqui e exportado para o México é 30 enquanto outro carro top na Europa é 20. Esse é o papel do Brasil na Divisão Internacional do Trabalho no mundo capitalista. Vivemos numa modernidade tosca onde o estimulo ao consumismo leva a coisificação do homem e a criação de uma sociedade de competitividade. Somos levados a crer que somos todos concorrentes e devemos vencer na vida quando deveríamos compartilhar vida e conhecimento. Hoje o que importa é TER e não SER. E não é apenas ter e sim ter algo melhor que o do outro e com o sentimento de que ‘pagou mais barato do que o outro’. Assim, é natural que muitos discursos das classes médias sejam norteadores de reivindicações do tipo ”Pagamos muitos impostos e os serviços urbanos são ruins”. Então, eu lhes pergunto ”Mas desde quando temos cidadões? Como brilhantemente disse Milton Santos:

Consumismo e competitividade levam ao emagrecimento moral e intelectual da pessoa, à redução da personalidade e da visão do mundo, convidando, também, a esquecer a oposição fundamental entre a figura do consumidor e a figura do cidadão. É certo que, no Brasil, tal oposição é menos sentida, porque em nosso país jamais houve a figura do cidadão. As classes chamadas superiores jamais quiseram ser cidadãs. Os pobres jamais puderam ser cidadãos. As classes médias foram condicionadas a apenas querer privilégios, e não direitos. E isso é um dado essencial do entendimento no Brasil: de como os partidos políticos se organizam e funcionam; de como a política se dá, de como a sociedade se move.
SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. 7. ed. Rio de Janeiro: Record, 2005, p.29

Então, o desafio que se coloca aos jovens das ruas é a de colocar uma cabeça no mostro. E não é qualquer cabeça. Não mais a cabeça da classe média que quer privilégios. Não mais a do ser humano competitivo, hipócrita, malandro, egoísta, preguiçoso, preconceituoso, imediatista e consumista. Numa era de constantes avanços técnicos e científicos, é o progresso na maneira de ver o outro, de incluir o outro de reconhecer os direitos dos outros que se faz necessário.

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jose carlos lima

18/06/2013 - 08h48

Artigo muito bom, é o bode

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Vlad

18/06/2013 - 08h35

Do site do Terra:

17 de Junho de 2013•19h34 •atualizado em 17 de Junho de 2013 às 21h14

SP: quem não protesta diz não se importar em chegar mais tarde em casa

“Eu podia reclamar que eu vou chegar mais tarde em casa, que eu estou com fome, que eu vou perder o horário da janta, mas não. Estou adorando. Do jeito que está, não é incômodo. O que incomoda é ser roubado. Incômodo são os políticos”, diz Antônio José Bauer, 53 anos

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Julio Silveira

18/06/2013 - 08h01

Estou completamente em sintonia com essa percepção e posicionamentos.
Percebo muitas vezes a disputa politica que usa os movimentos, a favor ou contra, conforme a conveniência, tentando canalizar para si os benefícios políticos dessa situação. Mas os vejo completamente insensíveis para a realidade da aversão que a cidadania vai acumulando contra a politica nacional e as autoridades em geral. Tenho dito, a cidadania está se revoltando contra suas autoridades de todos os partidos e nos mais diversos poderes, que parecem demonstrar uma completa ausência de interesse sobre as posições populares e os problemas sociais.

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Eduardo Vieira Miranda

18/06/2013 - 01h25

Enquanto PSDB ficou chamando Bolsa Família de Bolsa Vagabundagem, e o PT ficou paralisado no discurso do mesmo Bolsa Família da década passada.

A caravana dos incluídos (pelo próprio Lula) passou.

Eu por exemplo, não andava de avião com frequência antes do governo Lula. Nos primeiro cinco anos, sempre relevei, considerando o argumento da inclusão, de que a infra não estava preparada. Agora eu quero um aeroporto decente. To pedindo demais?

Estou prestes a comprar meu primeiro carro novo. Um sonho que tive. Sempre votei em Lula-Dilma e estou feliz pela conjuntura econômica que me proporcionou isso. Ok. Mas as ruas e rodovias são péssimas, e não sei o que é pior: andar de ônibus ou andar de carro.

O protesto de hoje não foi só contra a Dilma. Foi contra a Globo, contra o Alckmin, contra o Beto Richa, contra o Sérgio Cabral… Vi isso. Ficou claro, inclusive no PIG.

O protesto de hoje foi para que sejamos primeiro mundo de fato. Para que tenhamos uma qualidade de vida digno de quem enche a boca para afirmar que somos a sexta economia do mundo.

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Bacellar

18/06/2013 - 01h19

De fato existe uma oportunidade que se abre para a renovacao da postura da esquerda, mas o texto é ingenuo ao desprezar o poder do capital, negar que o bombardeio midiatico anti-pt nos ultimos anos esta muito presente nessas manifestacoes é negar o obvio. Se esta do tamanho que esta tem muito a ver com oq houve em SP na ultima quinta. E foi a mando de quem? Ninguem esta dizendo que se deve negar dialogo aos movimentos, pelo contrario, mas estive hoje na manisfestacao em SP e nao vi a maioria das demandas citadas no artigo entre os manifestantes salvo algumas excessoes, pelo contrario, a grosso modo eu vi sim uma gigantesca massa de manobra…

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paulo

18/06/2013 - 00h19

Sim, sim, sim é uma conspiração das elites.

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    Malvina Cruela

    18/06/2013 - 08h56

    elite sim…no melhor sentido
    -dos que não se acovardam
    -dos que não se deixam engabelar pelo “governo popular”
    -dos que não ficam anestesiados por babaquaras do melhor “melhor dos mundos”, das “grandes conquistas sociais”
    -dos que não caem na bestajada binaria e bipolar de esquerda/direita
    -da elite que não podemos dispensar…afinal elite é sempre o que tem de melhor em um grupo qualquer.

Carlos N Mendes

17/06/2013 - 23h26

As elites tem sim, grande capacidade de mobilização. Elas também tem a inteligência para isso, inclusive para parecer que não foram elas que mobilizaram essas multidões. Isso de forma alguma quer dizer que elas estão por trás dessa onda disforme e desconstrutiva; um amigo me disse que que a desesperança e a revolta tem sido inculcadas na cabeças dos brasileiros a tanto tempo que elas haveriam de emergir mais cedo ou mais tarde. O interessante é ver nossa imprensa, a principal doutrinadora dessa revolta, se sentir ofendida e afrontada com o resultado da própria tacanhice e intolerância, agora mescladas e transformadas em hipocrisia da pior espécie. Sei como isso tudo começou, e tenho muito medo de como pode acabar.

Responder

Wildner Arcanjo de Morais

17/06/2013 - 23h15

Bem, no DF eu não ví manifestante ocupando o Palácio do Planalto. Em São Paulo, não ví manifestante em frente à sede da Prefeitura. No RJ é um caso atípico (ou, quem sabe não…) Acho que dá pra ver com quem o povão está realmente revoltado. Quanto as vaias de Dilma, gostaria de saber se o povo que ficou de fora do estádio, se tivesse dentro deixaria aquilo acontecer…

Não vamos medir a população do Brasil por meia dúzia que ainda acham que, com a TV (uma coisa cada vez mais antiquada quanto o rádio) conseguem manipular o Povo. Não somos tão burro quanto parecemos.

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Roberto Locatelli

17/06/2013 - 22h55

A direita está, sim, tentando capitalizar as manifestações. E, em parte, está conseguindo.

São anos e anos de lavagem cerebral da mídia contra a política e os políticos. A direita quer, agora, colher os frutos do que plantou: quer dar o golpe de estado contra Dilma, fechar o Congresso e suspender eleições.

Responder

    Wildner Arcanjo de Morais

    17/06/2013 - 23h16

    Não acho que os meios de comunicação estão com tanta bola assim, falta ainda combinar com o povão…

    paulo

    18/06/2013 - 00h22

    Tem sim grande poder de manipulação, uma juventude que ouve e prestigia uma musica tao ruim como o tal de funk tem o cerebro facil de ser manipulado.

    Wagner

    20/06/2013 - 12h44

    Acompanhe as páginas que surgem e levam a multidão no facebook… no fundo, vão conduzindo a massa com opiniões da direita… páginas como Rede Esgoto de Televisão, O Brasil Acordou e até páginas que se intitulam Anarquistas postando coisas com fotos da PM com algo: “Imagina se a polícia usar toda essa força… contra os bandidos”… ou colhendo ‘likes’ que ultrapassaram 1 milhão com meta dos 10 milhões contra a Dilma… A Internet está contaminada, não sei se infiltrada (creio que sim) como também replica o pensamento condicionado por décadas de televisão. Precisamos de gente fazendo tirinhas, colando frases fortes de imagem que combatam na Internet essas correntes… do contrário, eu pessoalmente, já sinto a ansiedade me invadir além do normal, e medo do que pode vir.

Raimuindo Nonato Souza

17/06/2013 - 22h32

Prezados,
Adoreia participação da juventude nestas manifestaçõese. Mas entendo que elas devam ser pautadas por sugestões: como melhoria na qualidade educacional,investimento em saúde pública, criação de novas universidades, os cargos legislativossejam federais,federalizaçãodaeducaçãopbásica, oseleitospara cargos legislativos só possam se reelegrer uma única vez consecutiva e que seus parentes aaté o terceiro grau não possam se candidatar; eleições para para cargos dos judicários (STF e outros); investimentos em metros em todoas as cidades com mais de 500 mil habitantes; trem urbanos para todas cidades; lei dasmídiasedemocratiza-la eoutras.

Responder

    paulo

    18/06/2013 - 00h24

    E voce acredita que essas manifestações buscam esses objetivos? Faz me rir.

    Otto

    23/06/2013 - 19h55

    “Tem sim grande poder de manipulação, uma juventude que ouve e prestigia uma musica tao ruim como o tal de funk tem o cerebro facil de ser manipulado.”

    No caso do funk convém lembrar de intelectuais de esquerda que consideram esse ruído manifestação cultural da juventude pobre, excluída e por aí vai.
    Portanto há imbecis acadêmicos de esquerda querendo lucrar em cima da ignorância popular…

Malvina Cruela

17/06/2013 - 22h25

nada parece mais difícil de mudar que esquemas mentais petrificados; e esquerda funciona no esquema binário como os computadores: zero/um, aceso/ apagado, esquerda/direita, pt/PSDB, Lula/Serra…no fim será tudo como sempre; trocamos seis por meia duzia; seis picaretas por meia duzia de salafrários.

Responder

Marcelo de Matos

17/06/2013 - 22h17

Há tempo a direita esperava uma oportunidade de iniciar um movimento tipo “ou param com a roubalheira ou paramos o país”. Esse mote tem sido repetido “ad nauseam” nas redes sociais. A ultraesquerda, não se sabe se por inocência ou cumplicidade, facilitou as coisas. A reivindicação do “passe livre” é utópica ou capciosa: o certo é que serviu com perfeição aos propósitos da direita. De reivindicatório, aliás, pelo menos no atual estágio, o movimento não tem nada. No Rio, onde a manifestação ganhou maior corpo, incendiaram carros e depredaram o prédio da Assembleia Legislativa. O movimento é moralista, contra a corrupção, o mensalão. Isso ficou claro quando expulsaram o pessoal do PSTU com suas bandeiras: sem partido, sem partido. Ora, pois, o movimento é “apartidário”: mais que isso, é contra os políticos corruptos. Quem não é bobo sabe a que políticos estão se referindo. A essas alturas o PIG e Alckmin resolveram apoiar também: não teremos mais balas de borracha, já que estamos diante de uma inusitada oportunidade de canalizar o movimento contra Dilma e o PT.

Responder

    José X.

    17/06/2013 - 22h48

    É mais ou menos o que eu penso também. Estão repetindo o que aconteceu na Espanha: no final, essa “juventude” cabeça oca vai acabar sendo instrumentalizada pela direita (se já não estiver sendo). E tudo com ajuda de nossos velhos conhecidos, supostamente da “extrema-esquerda”: PSOL, PSTU e quejandos.

    Vlad

    18/06/2013 - 08h33

    Tudo é monitorado hoje em dia.
    Os movimentos sociais também monitoram.
    Neste exato instante, por exemplo, registra-se em diversos locais que um ativista continuísta chapa-branca insultou os manifestantes de cabeça oca e instrumentos da zelite.
    O cerco está se fechando…faltam poucos quadradinhos.

Adriana Amorim

17/06/2013 - 22h04

Adoraria concordar com suas belas e sábias palavras, mas não sou tão otimista. Concordo que a elite não tem a força que talvez temamos, mas boa vontade e interesse em uma vida digna e de qualidade para os emergentes, o que seria fundamental para que essa luta fosse legítima e de todos, ah, meu amigo, isso não tem mesmo. Infelizmente engrosso o caldo dos que não acreditam na juventude burguesa. Acredito sim, de alguma forma, nos movimentos populares de fato, que através de suas manifestações cotidianas e culturais realizam uma verdadeira transformação. Concordo com vc, que sem diálogo podemos perder muito, tudo até, mesmo porque é porrada em cima de porrada, mas não consigo, me perdoe creditar muita autoria ou mesmo senso de cidadania a estas manifestações, sobretudo nos estados do sudoeste, que constante e declaradamente desafazem de nortistas e nordestinos. Mas, concordo plenamente que a aliança com a ala mais conservadora que há na nossa sociedade foi a pior estratégia do governo Dilma. É isso, me agrada o texto, só lamento não conseguir dormir acreditando numa boa juventude burguesa.

Responder

willian

17/06/2013 - 22h03

Viomundo e comentaristas ainda estão naquela coisa de PIG e tucanos…

Aliás, estamos recebendo uma aula de jornalismo. Como transformar uma manifestação contra o PT num ataque aos inimigos de sempre em quatro atos.

Em dois dias, as manifestações se tornam a favor do PT.

Pelo menos na blogosfera.

Responder

    von Narr

    18/06/2013 - 11h05

    Os manifestantes protestam contra o governo porque, segundo eles, é corrupto, não cuida da educação, da saúde, etc. Bem, o único governo nacional que existe é o do PT, da Dilma. Então, as passeatas são anti-Dilma e anti-PT, concordo. A própria Globo já está abertamente favorável às passeatas, os comentaristas se esmeram em lembrar que os vândalos são minoria, o que também acho. O movimento não é pra quebrar nada. Acontece que os manifestantes são contra todos os governos. O palácio do Alckmin quase foi invadido. Então, o movimento é contra todos os políticos e todos os partidos. O PSTU e o PSOL tem sido hostilizados. No fundo, é um enorme movimento em favor do voto nulo. Pode ser até que Aecio venha a ser beneficiado, ou Marina, mas é incerto.

Aristides Bartolomeu Novaes

17/06/2013 - 22h00

Há muito os partidos da base do governo não vem dando atenção às conquistas que o povo merece, já que não basta apenas o bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e outros programas necessários para diminuir as desigualdades, mas não suficientes para o bem estar da população.
Emprega-se muito dinheiro na saúde, educação, infraestrutura e outros, todavia os recursos não são fiscalizados seriamente, motivo pelo qual dão margens à corrupção, desvios de todo o tipo e muito mais. O povo sabe, mesmo sem acesso, de tais desmandos, razão pela qual está nas ruas.
Tenho certeza que os órgãos governamentais tomarão decisões necessárias para corrigir, já que os protestos, que não são partidários, tomaram proporções enormes em quase todos os estados.É um alerta sério para o governo e o PT, este muito omisso!

Responder

    JOTACE

    18/06/2013 - 00h23

    Caro Aristides,

    Há uma questão que me parece vital, mas que não foi abordada no seu comentário. Como aliás sucedeu com o artigo tão bem elaborado do Vinicius Wu: é a da privatização desenfreada, escandalosa, desencadeada sem limites pelos governos de Lula e Dilma, e que caminha pari passu com a corrupção. Agora, sua “certeza de que os órgãos governamentais tomarão decisões necessárias para corrigir” os desmandos que o povo não está mais aceitando, é como acreditar nos velhos contos da carochinha. Dilma e seu mentor, os grandes continuadores da velhacaria vende-pátria dos
    tempos de FHC e caterva, jamais que tiveram ouvidos para as queixas do povo. E vão insistir no mesmo caminho, com seus porta-vozes bem remunerados, a culpar o PiG, as oligarquias, o ministro das comunicações (?) pelas vaias e todas as manifestações de protesto que muito provavelmente culminarão com a derrota dos que fazem o atual governo. Cordial abraço, Jotace

    Aristides Bartolomeu Novaes

    18/06/2013 - 14h27

    Prezado Jotace.
    Quando me referir aos desvios, corrupção e outras mazelas, tratei de forma apartidária, na certeza de que esse país precisa ser passado a limpo. Quanto as privatizações, não vi no governo LULA/DILMA nenhuma falcatrua como a que existiu no governo FHC. É bom lembrar que tenho o livro do Amaury Junior ‘A PRIVATARIA TUCANA’,e posso emprestá-lo para que tome conhecimento do que foi um verdadeiro crime, com a Verônica Serra, cunhado do Serra e tantos outros desmandos, com contas abertas em Paraísos Fiscais e comprovadas com REGISTROS EM CARTÓRIO, e muitos documentos afins sobre o tema.
    Porém, o objetivo principal é acabar, o que é praticamente impossível, com essa vergonha nacional, independentemente de partido, direita, esquerda e tantos outros oportunistas que só querem o bem próprio, não importando com o povo sofrido e explorado do nosso país. Mas o objetivo principal está sendo alcançado nesse blog, qual seja, debate democrático, o que é raro nos meios de comunicações atual e que é muito parcial.

Luís Carlos

17/06/2013 - 21h43

Bom texto. O movimento pode representar a superação dessa democracia representativa como é colocada, a serviço do capital, ampliando e radicalizando a partidipação social superando o “déficit de domocracia” apresentado pelo autor. As vitórias alcançadas pelos 10 anos de governos populares podem avançar ainda mais com o movimento popular nas ruas pressionando por mais conquistas, empurrando oligarquias, especuladores e grande mídia cada vez mais.
Aliás, ótima oportunidade de avançar com projeto da lei de mídia.

Responder

José Sena

17/06/2013 - 21h29

Prezados,

Quer dizer que somente o Sul, Sudeste e Nordeste existem? Tivemos uma manifestação em Belém hoje que reuniu mais de 20.000 pessoas que pediam: transporte público de qualidade (não se falou em preço de passagem), educação de qualidade (Belém cantou: “Brasil tem que acordar, um professor vale mais que o Neymar”) e segurança pública.

Responder

caco bisol

17/06/2013 - 21h12

deu pau.

Responder

caco bisol

17/06/2013 - 21h11

Começou a falar nossa língua…

Responder

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