VIOMUNDO

Tereza Campello: Estudos desmentem o mito do “Bolsa Preguiça”

17 de março de 2014 às 11h47

por Luiz Carlos Azenha

Três estudos incluídos num livro que faz o balanço dos dez anos do Bolsa Família desmentem o mito, espalhado por críticos do programa de transferência de renda, de que ele cria dependência e estimula a preguiça.

Programa Bolsa Família: uma década de inclusão e cidadania inclui 33 artigos de 66 técnicos. Segundo a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, gente qualificada e independente do governo federal.

Os estudos mencionados por ela demonstram que a taxa de ocupação dos que recebem o Bolsa Família é praticamente idêntico ao da população em geral: 75%.

Ou seja, trabalham tanto quanto os demais brasileiros.

Recentemente, o Viomundo publicou duas entrevistas de críticos à esquerda do Bolsa Família.

A professora Lena Lavinas, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, analisou os programas de transferência de renda da América Latina.

Segundo ela, o Bolsa Família é mudança positiva, mas insuficiente.

Dentre outras coisas, Lavinas afirmou:

Aparentemente, há coisas muito estruturais faltando. A política fiscal, por exemplo, não tem nenhum impacto distributivo. O crescimento recente foi em grande parte lastreado em cima dos preços das commodities, o que facilitou muito certo tipo de gasto, que é a questão que eu coloco no artigo que você leu (da New Left Review). Outro fator de desenvolvimento da demanda interna foi a expansão do crédito. Acesso a crédito e tudo isso não é algo que no médio e longo prazo garanta uma sociedade mais igualitária. O dinheiro no Brasil continua muito caro. A taxa média de juros para as pessoas pobres, quando pegam crédito, é de 80% ao ano, um assalto! E ainda assim as pessoas pegam. Quando você vai comprar um carro à vista ou um carro a prazo, o preço é o mesmo. É uma vergonha.

Publicamos, também, uma entrevista com um dos mais importantes especialistas em trabalho no Brasil, o professor Ricardo Antunes, da Unicamp paulista.

Antunes disse que, ao contrário do que muitos dizem, ainda não acabou o gás do lulismo e que isso se deve ao Bolsa Família, que concorda ser “necessário”.

Mas Antunes cutucou:

O Bolsa Família pra mim é uma política assistencialista. Mais e pior do que assistencial. Não toca em nenhum elemento estrutural. Seria imprescindível fazer o Bolsa Família junto com questões estruturais da questão brasileira. Uma delas é vital, a questão da propriedade da terra. Reforma urbana! O Bolsa Família acabou se tornando um projeto assistencialista que minimiza uma tragédia, não enfrenta, tem consequências nefastas porque beneficia entre aspas quem não tem trabalho incentivando o não-trabalho e fazendo com que o que deveria ser um ponto de partida para enfrentar uma questão estrutural se tornasse o grande cabo eleitoral do PT. Ele não elimina a miséria! Não paga o custo dos cachorros das nossas classes médias, da classe dominante. Como ele é insuficiente e não resolve, o PT quer eternizá-lo. Tendo sempre o Bolsa Família a população olha o PT e diz “é ruim, mas nos dá o Bolsa Família”; olha o tucanato e diz “é insensível e vai acabar com o Bolsa Família”.

Por conta disso, abrimos espaço para que a ministra Tereza Campello polemizasse.

Segundo a titular do MDS, além de desmontar a tese do Bolsa Preguiça os estudos demonstraram também que não é verdade que quem recebe o Bolsa Família procura a informalidade. Na verdade, sustenta a ministra, as pessoas ficam na informalidade por causo do despreparo para ingressar no mercado de trabalho formal.

Campello disse que só há duas explicações para o fato de pessoas bem informadas repetirem as acusações desmontadas pelos estudos: motivos ideológicos dos que fazem oposição ao governo e “preconceito [contra os pobres], infelizmente”.

Na entrevista ao Viomundo [íntegra gravada, abaixo], Campello disse que nunca, nem no governo Lula, nem no governo Dilma, se afirmou que o Bolsa Família era a panaceia para todos os males do Brasil.

Porém, é o que tem impacto de forma mais rápida na qualidade de vida dos pobres. A partir dele, criou-se um cadastro único que permite o desenvolvimento de outros programas. Tereza Campello diz que há “dezenas” de iniciativas acopladas ao Bolsa Família.

Por exemplo, há alguns dias o governo Dilma cumpriu a meta de matricular um milhão de pessoas no Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), que oferece cursos profissionalizantes de 400 horas que preparam de pedreiros a cuidadores de idosos. Ao todo, são ofertados 530 cursos.

Além disso, no atual governo foram construídas 500 mil cisternas, garantindo acesso à água de milhares de pessoas — dentre as quais há muitas cadastradas no Bolsa Família.

Segundo a ministra, o Brasil se tornou referência mundial.

Na semana passada, 40 técnicos de países africanos estavam no país para conhecer detalhes sobre o Bolsa Família. Nesta semana, o Banco Mundial promove no Brasil um seminário Sul-Sul sobre “seguridade social” com representantes de 50 países.

“Uma das coisas que eles falaram é isso, que o Brasil hoje não é mais um laboratório de políticas sociais, o Brasil é hoje uma universidade. Quem quiser aprender sobre políticas sociais tem que vir ao Brasil e aprender com a gente”, afirmou a ministra, que ouviu isso em Washington, quando esteve no Banco Mundial para comemorar os 10 anos do Bolsa Família.

Esta semana será inaugurada uma plataforma digital que tem o objetivo de ser espaço de troca de informações sobre programas de transferência de renda, World Without Poverty, parceria do MDS com Ipea, PNUD e Banco Mundial.

Aqui abro parênteses para dar testemunho pessoal sobre aspectos pouco considerados do Bolsa Família e de outras mudanças relativamente recentes no Brasil.

Em Cabrobó, Pernambuco, vi com meus próprios olhos a dinamização da economia local, que tem impacto especialmente no comércio. Por conta do Bolsa Família e de investimentos federais na região, dispararam as vendas de celulares e produtos de consumo da linha branca. Chegaram agências bancárias. A feira local se ampliou. Novos empregos foram criados.

O segundo aspecto, provavelmente relacionado ao aumento do poder de compra do salário mínimo, é mais difícil de mensurar. Nas minhas viagens pelo interior do Piauí e do Maranhão, vi muita gente que havia trocado a bicicleta e o jegue pela moto e se aventurava, tarde na vida, a conhecer a região. Uma guia que me atendeu em São Raimundo Nonato, no Piauí, tinha mais de 40 anos e pela primeira vez saia da cidade para viajar. Essa mobilidade geográfica simultânea de milhões de pessoas certamente tem impacto social e econômico ainda pouco avaliado.

Voltando à ministra, também perguntei a Tereza Campello sobre uma crítica consistente da direita, que fala sempre na necessidade de ampliar a “porta de saída” do Bolsa Família.

Clique abaixo para ouvir a resposta e toda a argumentação da ministra:

Leia também:

Lena Lavinas: Bolsa Família é mudança positiva, mas insuficiente

Ricardo Antunes e os protestos no Brasil: Não acabou o gás do lulismo

Investigação VIOMUNDO

Estamos investigando a hipocrisia de deputados e senadores que dizem uma coisa ao condenar Dilma Rousseff ao impeachment mas fazem outra fora do Parlamento. Hipocrisia, sim, mas também maracutaias que deveriam fazer corar as esposas e filhos aos quais dedicaram seus votos. Muitos destes parlamentares obscuros controlam a mídia local ou regional contra qualquer tipo de investigação e estão fora do radar de jornalistas investigativos que trabalham nos grandes meios. Precisamos de sua ajuda para financiar esta investigação permanente e para manter um banco de dados digital que os eleitores poderão consultar já em 2016. Estamos recebendo dezenas de sugestões, links e documentos pelo [email protected]

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EVAIR DA COSTA NUNES

25/03/2014 - 20h59

Mas, infelizmente, há ignorantes – não disse estúpidos – apenas ignorantes, os que ignoram, mas para aqueles que são analfabetos políticos tudo deve sr explicado, que ainda falam do Bolsa Família como algo nefasto e de estímulo à vagabundagem!!!!!!!!

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sonia

21/03/2014 - 10h38

Em 68, na fiila do restaurante do Crusp havia sempre umas crianxas pobres pedindo comida. Nohs, os revolucionarios ofereciamos um fuzil. Os moleques nao entendiam nada de nossa ironia grotesca. Ainda existem os que pensam da mesma forma. Soh a revoluccao salvara! Coitados dos que tem fome hoje, eles nao conseguirao esperar nossos revolucionarios tomarem o poder!

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Luís Carlos

19/03/2014 - 17h27

A seguridade social parece que foi esquecida ou desconsiderada pelo professor Antunes. Deixa a imrpessão, forte, de que a desconhece ou acha desnecessária, quando na verdade, em todos países é bandeira de luta dos trabalhadores. A assistência social, aqui o Brasil, integra a seguridade social, conforme Constituição Federal. Hoje, uma das maiores e mais impactantes políticas públicas da seguridade social brasileira, é justamente o Bolsa Família, junto com as duas outras áreas da seguridade, o SUS e a Previdência Social. Ao criticarem o Bolsa Familía, entre outras coisas, parecem criticar a seguridade social em se eixo da Assistência Social.
Além disso, o Bolsa Família, como dito por Campelo, guarda relações com diversas outras políticas. Exige mínimo de frequéncia escolar, imunizações em dia e está ligado ao PRONATEC. O significado de freqüência escolar alga é enorme, pois ataca um dos principais indicadores negativos no processo de ensino nacional que é a evasão escolar de crianças de baixa renda, principalmente, impactando na formação dessa criança/adolescente. A carteira de imunizações em dia, dialoga com erradicação de morbidades e morbimortalidades de crianças. Algumas delas já erradicadas do país, como sarampo e poliomielite, há décadas, mas que sempre podem reaparecer, especialmente com a alta mobilidade internacional que temos atualmente. Isso impacta fortemente nas condições de desenvolvimento de um país. Já o PRONATEC, faz a devida interface com acesso a diferentes oportunidades de emprego e superação da roda que aprisiona diferentes gerações de famīlias de trabalhadores à miséria, desemprego, analfabetismo e menor expectativa de vida.
Se uma política pública da seguridade social como o Bolsa Família, com essas e outras inúmeras interfaces não é estruturante, de fato, há muita pouca vontade para acessar informações básicas sobre a mesma ou incapacidade extrema de observar e analisar fatos ao alcance da vista.
O relato de Azenha do que testemunhou em cidades do interior do nordeste é visível em todo o país, bastando para ver isso, sair do hábitat da grande cidade e deixar de se alimentar por informações viciadas pela intolerância ideológica e miopia academicista.
O Bolsa Família, junto com o SUS e previdência social são suportes estruturantes para a seguridade social dos trabalhadores brasileiros, por isso são atacados pelos adoradores do neoliberalismo que odeiam de morte políticas públicas de seguridade social que atacam aplicando suas receitas de ajuste fiscal. Essas políticas de seguridade social são distributivas, basicamente com recursos de custeio, e de transferência de renda.

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J Souza

19/03/2014 - 13h50

É “cômico” ver pessoas “de esquerda” defendendo um governo “de esquerda” por causa de uma bolsa que já dura mais de 10 anos e que equivale a alguns cupons de alimentação, enquanto o tal governo “de esquerda” pratica atos neoliberais à vontade… Se duvidar, nesse tal governo “de esquerda” o neoliberalismo avançou mais do que nos tempos do FHC…

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    Mário SF Alves

    19/03/2014 - 17h00

    Então, se entendi bem, a seu ver, a coisa se resume a isso. Ou seja, a mera disputa eleitoral.

    Olhe a História do Brasil, J Souza, tente compreender o que foi o golpe civil-militar, com intervenção descarada dos EUA, com, inclusive, dizem, da 4ª Frota norte-americana ancorada na costa do país. Basta isso e já será um bom começo. Não será necessário nem compreender o poder de transformação do povo brasileiro. Não será preciso nem se colocar no lugar de um frentista, de um caixa de supermercado, de um pedreiro, de um enfermeiro, de um agricultor, de um feirante, de um atendente de operadora estrangeira de telefonia, de um bancário a serviço de banco estrangeiros, e de tantos outras indômitos e valorosos trabalhadores.

Mário SF Alves

19/03/2014 - 11h57

Bolsa Família… Renda Básica de Cidadania… alguém se lembra? Alguém se lembra da luta do senador Eduardo Suplicy?

A César o que realmente for de César!!!

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augusto2

18/03/2014 - 09h15

oh, dilma tira a campello e bota alguem mais articulado, agressivo e que sabe responder na lata os delirios FORA DE FOCO da dra Lavinas que dependem de uma grande ignorancia da realidade brasileira.
E que saiba retrucar na bucha o ricardo antunes, que quer reforma agraria junto, reforma fiscal junto.. Nos tambem queremos.
So faltava o lulismo, fraco como é nos outros FRONTS todos, e sem sem Midia alguma… atacar de frente os pontos mais rijos do inimigo.
Não teria havido nem segundo mandato de Lula.

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Zanchetta

18/03/2014 - 08h31

A arte de falar muito e não dizer nada…
1. Se a gente não souber direitinho porque o desastre ocorreu, a gente não sabe enfrentar. Então, eu quero dizer para vocês que, do ponto de visto do governo federal e das informações que nós temos, que integram todo o combate, enfrentamento e monitoramento de desastres naturais no Brasil, integra o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o INPE. O INPE monitora o clima no Brasil, o INPE, nos melhores padrões internacionais, com contatos com todos os órgãos internacionais. A avaliação nossa é que houve, de dezembro a fevereiro, um fenômeno em cima da Bolívia, entre a parte sul, se eu não me engano, centro e a parte norte ou sul – a centro eu tenho certeza, a sul eu esqueci, se é sul ou se é norte. Bom, mas o que ocorreu ali? Ocorreu uma imensa concentração de chuvas. Nós temos dados de 30 anos, de 30 anos. Nesses 30 anos, não houve nenhum momento, nenhuma situação tão grave quanto essa, em termos de precipitação pluviométrica num só lugar. Portanto, é um absurdo atribuir às duas hidrelétricas do Madeira a quantidade de água que veio pelo rio.

2. E aí eu até disse aqui uma fábula, que vocês conhecem a fábula do lobo e do cordeiro. O lobo, na parte de cima do rio, olhou para o cordeiro e disse: “Você está sujando a minha água”. O cordeiro respondeu: “Não estou, não, eu estou abaixo de você, no rio”. A mesma coisa é a Bolívia em relação ao Brasil. A Bolívia está acima do Brasil, em relação à água. Nós não temos essa quantidade de água devido a nós, mas devido ao fato que os rios que formam o Madeira se formam nos Andes, ou em regiões altas, se eu não me engano, o Madre de Dios e o Beni, em regiões… em região eu acho que de altiplano um pouco mais baixo, o Mamoré. Então, não é possível que seja devido à Usina de Santo Antônio e a de Jirau a quantidade de água que tem no rio. A não ser que nós nos tomemos por cordeiro e nós não somos cordeiros. Ou seja, ninguém pode dizer para nós, que estamos embaixo, que a culpa da quantidade de água que está embaixo não é de quem está em cima, onde a água passa primeiro. É isso que eu estou dizendo.

3. Este país é um imenso país, não é? Vocês vejam só, eu fiquei olhando o rio Madeira, fiquei olhando… estive lá no Nordeste, o Nordeste está também na pior seca, tem gente que diz que é dos últimos 50, e tem lugares que dizem que é dos últimos 100 anos. Nós temos tido fenômenos naturais bem sérios no Brasil. O fenômeno natural, a gente tem sempre de lembrar, é possível conviver com ele, não é combater ele, nós não queremos combater chuva, nós queremos conviver com a chuva. Então, vamos discutir, sim, porque além disso aqui, nos reservatórios aqui, do Madeira, é tudo a fio d’água. O que significa a fio d’água? Significa que a água passa, a água passa, ela não armazena. Todos os reservatórios do Brasil que não são a fio d’água, que eram os grandes reservatórios do Brasil, onde está a chamada “caixa d’água” do Brasil, são grandes reservatórios de água, grandes, imensos, como é o reservatório de Itaipu, o de Furnas, o de Sobradinho, o de Três Marias, enfim, nesses reservatórios, você regulariza duas coisas. É a tecnologia que nós adotamos para a hidrelétrica, é a seguinte: a gente reserva a água, quando você reserva a água, você está reservando energia.

4. Como aqui é rio de planície, aqui, nessa região, é rio de planície, o rio de planície tem pouco desnível, e você só gera muita energia em reservatório quando tem desnível. Nada impede que em algum lugar ou outro, em rio de planície, você faça um reservatório. Mas você só consegue fazer gerar energia em rio que tem desnível. Estava me dizendo o Ministro da Integração, para a gente ter uma ideia: rio São Francisco, de Sobradinho até o mar, vocês sabem quantos metros tem? Tem 300 metros de desnível. Do rio Madeira – eles fizeram um cálculo, foi um cálculo… é aproximado, viu, gente? Depois ninguém vai me perguntar assim: “Presidente, é trezentos e tanto?” Por favor, é aproximado, em torno de 300 metros. E do Madeira, daqui de Porto Velho, até o mar, o mar, é 60 metros. É essa a diferença. Então, eu quero explicar o seguinte: não é possível olhar para essas duas usinas e acharem que elas são responsáveis pela quantidade de água que entra no Madeira, a não ser a que a gente acredite na fábula, na história do lobo e na fábula do lobo e do cordeiro.

Responder

Igor L. S. - ENSA

17/03/2014 - 22h38

O Programa do Bolsa Família foi um projeto criado pelo Governo Lula em 2003 e seu objetivo se baseia na transferência de renda com a meta de beneficiar núcleos familiares em situação de pobreza e extrema pobreza, sendo que este é também integrado a diversos outros programas assistenciais, dentre eles o Fome Zero e a Bolsa Escola, o que acabou por impulsionar o combate à fome e também, o acesso à educação. Apesar das controversas declarações da esquerda que afirmam que os benefícios do projeto social estimulam a desocupação e o ócio daqueles que usufruem do programa, o Bolsa Família foi considerado uns dos principais agentes de combate à pobreza no mundo, além de ser o projeto do qual os governos de todo o mundo estão de olho para tentar implantar nos seus respectivos países. Logo, acredita-se que o Programa Bolsa Família é o principal responsável da migração dos pobres (classe C) para a classe-média (classe B) com relativo poder de compra. Contudo, o programa de assistência social do governo é criticado pelo caráter apaziguador momentâneo pelo modo de transferir a renda sem oferecer maiores estruturas para um maior estado de bem-estar social daqueles que são amparados pelo projeto, todavia, ainda é inegável os reflexos positivos do programa em busca de uma sociedade mais igualitária à todos, por mais que o sistema como um todo se faça necessário um constante aprimoramento pelas falhas que se decorreram ao longo de seu trajeto.

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    nobrega

    18/03/2014 - 20h22

    Os programas sociais são de muito antes do lula. Começaram no governo Vargas, por insistência e manifestos populares. FHC já tinha em seu governo políticas de assistência social. O PT apenas modificou os projetos anteriores, unificando os benefícios em um só, e fazendo muita propaganda enganosa reeditou o clientelismo no Brasil.

    Aliança Libertadora Nacional

    18/03/2014 - 21h30

    Cara essa não cola, ainda mais nesse blog.

    Sua conclusão é agradecer o FHC por ajudar os pobres.

    Acho que você não sabe muito sobre o “assistencilista” FHC, o príncipe da privataria.

Rodolfo Lisboa Cerveira

17/03/2014 - 22h19

O BF, não resta dúvida, é um instrumento de inclusão social, mas é preciso uma exposição didática para rebater as críticas dos oposicionistas. Caso contrário, o assistencialismo como eles proclamam, fica mais evidente e vai conquistando as pessoas incautas ed ingênuas.

Responder

Jose Srur

17/03/2014 - 22h17

Por quê nenhum jornal ou televisão fala sobre as filhas e netas de militares que recebem uma bolsa milionária?
Por quê não fazem campanha contra os salários milionários dos membros dos poderes executivo,legislativo e ,sobretudo ,do judiciário?
Por quê não cobram os mais de 450 bilhões dos sonegadores ?
Agora um plano que é reconhecido mundialmente a imprensa sempre está ávida por tentar denegrir.
Cabe agora ao governo federal publicar esta matéria em âmbito nacional para mostrar a verdade dos fatos

Responder

Ernê Cavalcante

17/03/2014 - 18h52

Os que criticam o Bolsa Família não conseguem ver que o PT quer a inclusão social, todavia não tem o poder necessário para esta inclusão. O povo não votou em parlamentares do PT, pois uma minoria de parlamentares é mesmo que nada. Os parlamentares são os que aprovam todas as medidas propostas pelo Poder Executivo. Sem eles, impossível a governabilidade. O PT é refém do PMDB que é partido burguês, que só diz apoiar o PT pq não conseguiu derrotá-lo e resolveu se aliar a ele para se beneficiar, porém , atrapalha as políticas sociais que o PT tenta implementar, pois os PMDB e demais “aliados” do PT só estão ali para se locupletar. Na verdade não há interesse no bem do povo. Todos os que entendem isso sabem que o Bolsa Família seria, apenas, o pontapé inicial.

Responder

Adriano Medeiros Costa

17/03/2014 - 18h15

Ser contra o Bolsa Família revela muito sobre o caráter, isto é, sobre a falta de caráter, de quem se pronuncia contra um programa de segurança alimentar.

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Péricles

17/03/2014 - 17h20

É uma grande injustiça crer que a direita não quer acabar com a pobreza. Talvez possamos discordar da metodologia, mas as metas são as mesmas. Nós queremos acabar com a pobreza pela via da inclusão social, a direita, mais pragmática e objetiva, prefere a via do óbito.

Responder

    Péricles

    17/03/2014 - 17h24

    Alguns podem até achar que estou com má vontade, mas a via do óbito é extremante ineficaz. Todos os estudos têm mostrado que a pobreza só crescia no Brasil e só começou a diminuir a partir dos programas de inclusão social desde 2003. A fome mata devagar demais.

Julio Silveira

17/03/2014 - 16h42

Se transferência de renda fosse ruim os antigos beneficiários, os ricos, facilitariam essa transferência. Pelo simples fato de que coisa ruim ninguém quer. O problema, neste caso, é apenas a velha hipocrisia, não querem abrir mão de algo que pensaram, e ainda pensam, ser seu por direito inalienável e resistem por que é difícil perder essa arrogância, essa prepotência. Querem os recursos do estado na integralidade, como uma reserva de capital, para atendê-los em suas aventuras econômicas. Sempre foi assim, disfarçado sob diversas formas, priorizando os ricos, cobrindo falências, emprestando ao rico a juro que devia ser para pobre, e invertendo a regra e os valores. Mas o trabalhador sempre foi a justificativa, mais ou menos como um refém, mas de araque, combinado, para justificar as bondades. Pelo menos agora vai direto a quem de direito, a quem realmente precisa. Formando novos consumidores, proporcionando giro de capital, saindo do circulo vicioso dos mesmos. Antes se criava insuspeitas bondades vindas de um estado governado por conservadores que utilizavam os recursos de todos para concentrar e manter a renda para os seus poucos. Isso eles não aguentam e afinal a fome é dos outros.

Responder

luiz carlos soares

17/03/2014 - 16h28

Tá mais do que na hora de se usar argumentos como esse de que “quem critica o BF não gosta de pobre”. A gente não gosta de pobreza. Nada justifica que um país rico como nosso ainda seja um dos campeões da pobreza.Eu critico, sim, o programa principalemnte por falta de fiscalização. Concordo com a MARIANA. O GF se importa mais com os números ,com as estatísticas.Não adinata afirmar que temos tantas milhões de familias beneficiadas se entre elas tem um monte que utiliza mal a grana,não manda os filhos à escola, não aproveitam os programas de profissionalização. E quantas pessoas haverão que não precisam dessa ajuda e a recebem por pura politicagem a nivel municipal? Prá mim, mais importante que os discursos seria o governo dar periodicamente dados bem fundamentados, dizer quantas pessoas já abdicaram da BF, quantas crianças foram matriculadas, quantos políticos desonestos foram denunciados por desvio da BF.Sou muito a favor da BF, mas não há dúvida de que precisamos MAIS. Mais saneamento básico, mais atenção à saúde, mais controle e combate às drogas, inclusive ao tabagismo e alcoolismo.
Como disse Fidel: “se não se fizer aquilo que se pode, ou ainda mais do que se pode, é como se não se fizesse absolutamente nada”.

Responder

    augusto2

    18/03/2014 - 09h28

    resumindo queres que o programa que ‘consome’ (porque Lula diria “investe”
    0,5% do PIb brasileiro) fosse bem mais perfeito.
    Quando os tucanodemicos tomarem o poder, os defeitos do programa desaparecem em questao de tres, quatro anos… na certeza. Junto com o proprio, eu nao tenho duvida.

Karlo Brigante

17/03/2014 - 15h33

Resumindo…
Quem é contra o Bolsa Família,ou é desinformado ou mal intencionado!!!

Simples assim…

Responder

Mariana

17/03/2014 - 15h09

Acredito que o maior problema do Programa Bolsa Família não seja a transferência de renda em si, mas a desvirtuação do programa pelos gestores e técnicos responsáveis através de práticas profissionais (trocas políticas), que vão contra a estruturação da vida pessoal e profissional do indivíduo beneficiário do programa. O programa foi muito bem planejado e estruturado, mas o desenvolvimento dele nos municípios, cidades, estados, depende de como a equipe entende (ou não) o programa. Como profissional da assistência social eu entendo que falta muita coisa pra amparar o programa e orientar a implantação dele, como uma fiscalização frequente e contínua das ações, capacitação para os gestores e funcionários, além de outros quesitos que dependem da realidade de cada local. Onde eu trabalho, por exemplo, tem uma cidade que quando chegou o programa inscreveu toda a população nele. E nada aconteceu. Hoje, dez anos depois, o sistema travou; alguns tiveram o benefício cortado, outros não; quem precisa não consegue se cadastrar e receber o benefício; e a fiscalização aparece ano sim, dois não, e nem sabe que este problema existe. A população é quem sofre com tudo isso, por que querendo ou não, a transferência de renda do programa às vezes é a única possibilidade de comprar comida, água limpa, saúde, transporte, roupa, lazer e até a dignidade.

Responder

Pedro

17/03/2014 - 14h24

Viomundo, esse formato de entrevista está muito bom! Um dica: Política do Precariado!

Eu gostaria de ouvir entrevistas com pessoas “das antigas” (rs) como a do Adriano Benayon que vocês já fizeram.

Responder

JADIR BAPHTISTA DE ARAUJO

17/03/2014 - 14h10

SER CONTRA A FAMILIA E NAO CONHECER O CONTEUDO

Responder

Leandro_O

17/03/2014 - 13h57

Mas essas políticas estão sendo sufocadas pela excessiva tributação regressiva que os políticos pouco fazem questão de mudar. E bem lembrado: além da tributação regressiva há os juros bancários, que para pobres é bem maior do que para ricos, que tem como pagar à vista.

Responder

Matheus

17/03/2014 - 13h30

Ridícula a resposta. O argumento contra a insuficiencia do Bolsa-Família seria o que, dizer que ele é o suficiente, que não precisa ir além, que não beneficia eleitoralmente o PT ou que os dirigentes governamentais não pensaram nesse benefício eleitoral? Ora, me poupem.

Os argumentos usados pelo Ricardo Antunes e Lena Levinas podem ser sintetizados no seguinte:
i) Bolsa-Família é necessário, mas insuficiente.
ii) Deve-se ir além do BF, com investimento em educação e saúde, reforma agrária, moradia popular, etc.
iii) Sem reformas estruturais, o BF tende a criar, no longo prazo, uma “clientela” eleitoral, dependente do subsídio (embora o Ricardo Antunes tenha exagerado ao afirmar que incentivava o “não trabalho) e sem acesso a outros direitos, que não à “ajuda estatal” do BF.

A resposta da ministra dá uma demonstração de estupidez. Ao invés de argumentar, usa falácias como acusar os divergentes (de “preconceito contra pobres”), como se, inclusive, as propostas e críticas ao BF não mostrassem que esses críticos se importam, e muito, com as famílias dependentes do BF. A ponto de querer que reformas estruturais as retirem dessa dependência.

Bola fora o título, Azenha. Ficou parecendo que os argumentos da Lena Levinas e do Ricardo Antunes tinham sido refutados, o que não foi o caso.

Responder

    Edmilson

    17/03/2014 - 16h12

    É preconceito contra pobre mesmo! Ainda que se usem subterfúgios para disfarçá-lo. E quanto ao benefício eleitoral, isso é consequência de qualquer ação do governo em relação aos seus beneficiários (os ricos, por exemplo, são eternamente gratos e sempre votam no PSDB porque FHC reduziu os impostos que eles pagavam – vide, por exemplo, a extinção da alíquota de 35% do Imposto de Renda). As ações sociais de um governo de esquerda, no entanto, beneficiam muito mais gente (o que pode gerar muito mais votos) do que as ações elitistas de um governo neoliberal. E você queria que o governo deixasse de realizar essas ações para NÃO TER benefício eleitoral?

    Joca de Ipanema

    17/03/2014 - 18h18

    O que você não compreendeu Matheus, é que o Bolsa Família nuca se propôs a transformar as estruturas per se. No meu entender, essa é apenas uma primeira etapa. A mudança das estruturas necessita de muito mais recursos. Penso que o programa é, antes de tudo, um auto indutor dessa transformação, não através dos beneficiários diretos, mas através de seus filhos, pois o B.F. está atrelado a educação, essa sim, que servirá de base para as verdadeiras mudanças, aí, já, com mais facilidade. Nunca foi intenção de que se eternize. Foi uma medida de urgência para tirar da fome milhões de brasileiros, o que, por si só já o justifica. Esse negócio de clientela eleitoral dependente, é argumento para quem não se lembra, ou nunca conheceu o voto de cabresto, que, esse sim, perpetuou o coronelato, principalmente o nordestino. E s´~o durava o tempo da eleição. É isso o que incomoda.E também o cheque mate no mercado subserviente e semi-escravo do qual as elites sempre usufruíram. Os erguimentos de Antunes e Levinas, não foram contestados. São coerentes, mas a meu ver, fora de contexto,

Urbano

17/03/2014 - 12h16

Quem é contra o Bolsa Família, a probabilidade de ser um defensor do bolsa corrupção é altíssima. Tenham certeza disso…

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