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Cartas de Minas

Quem é o primo de Aécio Neves, o que ele fez no governo e como ele pode enterrar de vez a carreira do senador afastado

21 de maio de 2017 às 21h11

Da Redação

Acabar com a “carreira” de Aécio Neves. Literalmente. É este o potencial de uma delação premiada de Frederico Pacheco de Medeiros, primo do senador afastado da presidência do PSDB que está preso em Minas Gerais.

Primeiro, um alerta. Leia tudo o que vem a seguir com uma ponta de sal. É comum que se anunciem “delações premiadas” na mídia apenas para atingir objetivos obscuros. A IstoÉ, por exemplo, já antecipou como seria uma delação de Antonio Palocci. Pode ser mentira, pode ser uma forma de extorsão, pode ser um alerta a aliados, pode ser um pedido de socorro…

O delator Otávio Marques de Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, primeiro disse que havia doado por fora R$ 1 milhão à campanha Dilma-Temer, em 2014. Depois, quando Dilma demonstrou que o cheque havia sido destinado ao vice-presidente, Otávio mudou sua versão, livrando Temer de qualquer embaraço.

José Antonio Sobrinho, da Engevix, disse que havia entregue R$ 1 milhão ao coronel João Baptista Lima Filha, o coronel Lima, amigão de Temer, como forma de agradecimento pela obtenção de com contrato em Angra 3. Depois de sair da cadeia, em Curitiba, Sobrinho afirmou, sem esclarecer os detalhes, que não teria havido interesse das autoridades em sua delação premiada.

Ou seja, o mercado das delações premiadas parece — insistimos, parece — contaminado por interesses políticos. Ou, simplesmente, pela força do dinheiro. O ex-braço direito do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, de nome Marcelo Miller, simplesmente bandeou-se para a advocacia e participou do acordo de delação premiada do dono da JBS, Joesley Batista.

Deveria ser um escândalo alguém atuar nas duas pontas de uma investigação, mas estamos no Brasil…

Frederico Pacheco de Medeiros, o primo de Aécio, é uma pessoa importante.

O Lupa fez um resumo da carreira dele:

FREDERICO PACHECO DE MEDEIROS

Pacheco foi preso na quinta-feira (18) em sua casa, no condomínio Morro do Chapéu, em Nova Lima, Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Em seu currículo, desde 2003, acumula diversas passagens por cargos públicos. Em janeiro de 2003, Fred — como é conhecido — foi nomeado como secretário adjunto do governo mineiro de Aécio Neves.

Permaneceu no cargo até outubro de 2006.

A informação vem da gestão atual do Estado de Minas Gerais.

No período eleitoral de 2006, entre julho e setembro, ele trabalhou na campanha de reeleição de Aécio.

Em seguida, com a vitória do primo, em outubro daquele ano, reassumiu o cargo de secretário adjunto e lá ficou até junho de 2008.

No mês seguinte, virou secretário geral do governo de Minas Gerais e lá permaneceu até março de 2010, quando retornou ao seu cargo antigo, como secretário adjunto do governo mineiro.

Em 2011, quando Antonio Anastasia assumiu o governo com apoio de Aécio Neves, Fred foi nomeado diretor de Gestão Empresarial da Companhia Energética de Minas Gerais S.A. (Cemig).

Em 2014, Fred trabalhou como administrador financeiro da campanha de Aécio Neves à Presidência da República.

Fred deixou a Cemig em 2015.

Fonte graduada do Viomundo em Minas Gerais diz que Frederico foi o articulador da venda de 1/3 das ações da estatal Cemig — a Companhia Energética de Minas Gerais —  à empreiteira Andrade Gutierrez.

Conforme denúncia publicada por nós, aqui, foi um negócio da China para a empreiteira:

Para viabilizar o negócio, a Cemig comprou, em 2009, a participação da Andrade Gutierrez na Light do Rio de Janeiro por R$ 785 milhões, pagos à vista.

A Andrade Gutierrez, por sua vez, deu R$ 500 milhões de entrada na compra de 33% das ações ordinárias da estatal mineira, ficando o restante do valor da compra, no total de R$ 1,6 bilhão, para pagamento em 10 anos com a emissão de debêntures a serem adquiridos pelo BNDES, a juros e taxas facilitadas.

Na prática, a Andrade Gutierrez fez um negócio da China. De 2010 a 2013, recebeu mais de R$ 1,7 bilhão em dividendos da Cemig.

O poder da empreiteira na estatal não se restringe à participação nesse item.

No acordo de acionistas a Andrade Gutierrez garantiu, por meio de artifícios embutidos no documento, o direito de indicar seu representante na Diretoria de Desenvolvimento de Negócios e Controle Empresarial das Controladas e Coligadas, que simplesmente é quem conduz os investimentos da Cemig, em especial as grandes construções.

Trocando em miúdos, a Andrade conduzia os investimentos da Cemig nas construções que ela, Andrade, era capacitada para fazer!

Pelas gravações divulgadas pela Operação Patmos, Frederico Pacheco de Medeiros foi um homem da mala relutante de Aécio Neves. Ele parecia pressentir que daria confusão.

Em conversa com Ricardo Saud, o homem da mala da JBS, Frederico disse:

“Outro dia estava pensando. Acordei à meia noite e meia, o que estou fazendo? O que tenho com isso? Eu não trabalho para o Aécio, eu não sou funcionário público, sou empresário. Trabalho para sobreviver. Eu tenho com o Aécio um compromisso de lealdade que o que precisar eu tenho de fazer. Eu falei, olha onde eu tô me metendo”,

As informações de que ele considera fazer uma delação premiada nos foram dadas por uma fonte de Minas Gerais que diz ter contato com integrantes do Judiciário local.

Esta fonte diz que uma mensagem do pai de Frederico foi divulgada na rede interna dos desembargadores da ativa do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

“Meu filho Frederico Pacheco de Medeiros está preso por causa de sua lealdade a você, seu primo. Ele tem um ótimo caráter, ao contrário de você, que acaba de demonstrar , não ter, usando uma expressão de seu avô Tancredo Neves, ‘um mínimo de cerimônia com os escrúpulos’. Vejo agora, Aécio, que você não faz jus à memória de seu saudoso pai, Aécio Cunha. Falta-lhe, Aécio, qualidade moral e intelectual para o exercício que disputou de Presidente da República. Para o bem do Brasil, sua carreira política está encerrada.  Lauro Pacheco de Medeiros Filho, desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais”.

Segundo nossa fonte, Lauro foi indicado para o TJ por Tancredo Neves. Mas, Frederico não seria exatamente a pessoa idealizada pelo pai: “Cobrava, quando diretor da Cemig, até por audiencias com empresários”.

Leia também:

Relendo Dilma, depois da delação de Joesley

 

9 Comentários escrever comentário »

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carloscezar

19/10/2017 - 08h49

uma vergonha pro judiciario mineiro,tambem pros homens entendidos de leis,das minas gerais—ninguem toca no assunto,—o orgulho de minas era a cemig,maior estatal eletrica do brasil,—quiça do mundo,delfinhou-se nas garras do senador mineiro—agora pouco aecio acabou de vender pros chineses as hidreletricas da estatal,a midia num da uma manchete se quer; e fica assim mesmo—alias isso aqui e o brasil…

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Marcelo

22/05/2017 - 16h16

Quem sempre acabou com a carreira do Aécio sempre foi o próprio Aécio. De vez em quando o Ronaldinho e o Hulk com seu narigão acabavam com a carreira do Aécio também.

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Anonima

22/05/2017 - 15h33

Conheço o Fred de longas datas. Coisa que ele não é, de jeito algum, é inocente. Sempre foi “interesseiro”, sempre teve uma queda grande por “dinheiro”. Só jogar o nome dele no google, para ver o tanto de empresas que ele possui em sociedade com primos e irmãos. Todos enriqueceram num espaço de tempo recorde. Agora, este papo de que é um coitado, leal ao Aécio. Ele devia já estar prevendo que iria ser gravado. Mas olha a ficha dele, recebeu mala de dinheiro em 2014, todos estes cargos fáceis que ele obteve na vida, nunca lutou por nada, só no caminho mais curto, acordos na Cemig com a Andrade Gutierrez, em troca de quê? Ou vocês acham que ele não botou a mão no dinheiro??? Ahhh… Bem feito!

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emerson57

22/05/2017 - 11h01

A foto do Laércio e do Pórrela, lá em cima, ganhou o concurso: “Seu carão vale um milhão” !!!!

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maria nadiê rodrigues

22/05/2017 - 09h21

Imbróglio dos grandes o Brasil está enfiado até o gogó.
Quem primeiramente criou esse estado de degradação moral não foi o PT, mas o PSDB na figura de Aécio, não por ele ter recebido tantos votos em 2014, se quase ninguém sequem o conhecia, mas por ter recebido votos de protestos contra o PT. Aquela eleição não foi uma disputa por nomes, mas por partidos: PT e anti-PT. Se candidato hoje, Aécio estaria lá embaixo nas pesquisas, disputando com Lula, Ciro, entre outros, mesmo sem a imagem de agora.
Aécio saiu na frente enquanto parlamentares como Álvaro Dias, Carlos Sapaio, Jereissate, Aloysio Nunes, entre tantos outros mais ressentidos pela derrota nas urnas, foram, aos poucos, articulando um modo de retirar Dilma do poder. Até que surge das sombras Eduardo Cunha, que serviu de bucha de canhão pra depois ser entregue a Moro, como vimos.
Justiça, políticos e imprensa deram conta do resto.
A situação de Aécio foi ficando cada vez pior quando Pimentel, do PT, avançou o sinal e tomou o cargo tantas décadas ocupado pelos tucanos. Foi a prova de que nem seus conterrâneos o queriam no poder. Mas o conluio entre PMDB de Temer e Cunha com os tucanos se fortalecia, quando aparecem tantas figuras patéticas, tipo Janaína, Bicudo e Reali Júnior para sacramentarem o golpe, de novo com a anuência da OAB, do STF, entre outros órgãos importantes da Justiça, e, claro, com a Globo representado o resto do PIG.
De repente, como num passe de mágica, reaparece a figura de dois açougueiros bem-sucedidos dispostos a dizerem a todos que são bandidos desde as mais remotas décadas, e que se mantiveram muito mais pelas ligações espúrias com os políticos do que pelos seus próprios méritos. Que importa se declarar bandido quando está em jogo a sua liberdade?
Da montanha de denúncia, ninguém é bobo pra acreditar que todas são isentas de mais investigações, bem como que outras foram evitadas, como é do costume dos bandidos fazer.
No que tange às denúncias contra Temer e Aécio, estas são batom na cueca, sem chance de outros convencimentos, porque por trás das alegações de MT são fartas as indagações pertinentes ao que o presidente ilegítimo tenta retirar do contexto, ou apenas tem passado por cima, mesmo sabendo que quem acompanha sua via-crúcis não tem como compará-lo a Jesus Cristo.
Do muito que se encontra na minha cabeça em face dessa nova crise política, terminaria colocando o seguinte: a base de sustentação de Temer que ainda persiste com alguns tucanos de boa plumagem pode ter muito mais razões do que é possível imaginarmos. Com o passar dos dias, vamos conhecendo mais a fundo o que tem por trás dessa estaca segurando um morto pra não se arrebentar de vez.

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Lukas

21/05/2017 - 23h21

Temos três campos em luta:
1) Fica Temer (Folha e Estadao)
2) Fora Temer com eleições indiretas (Globo)
3) Fora Temer com diretas já (lulistas em geral).

Pobre Brasil.

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    JBVieira

    22/05/2017 - 12h17

    Completamente errado e tendencioso o #3 do Sr. Lukas.
    O correto é: 3) Fora Temer com DIRETAS-JÁ: todas as pessoas que prezam a democracia no Brasil [lulistas, anti-lulistas, qq um], e que não querem o governo tomado por anti-democratas, fascistas, canalhas et caterva.

    Lukas

    22/05/2017 - 16h15

    JBVieira, deve ser reconfortante estar sempre do lado dos bons, justos, honestos e imaculados, não é verdade?

    Parabéns!

thewhuela

21/05/2017 - 21h51

No final da história o primo Basílio age com indifereça

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