VIOMUNDO

Paulo Abrão: Há um vácuo para politizar o debate. Adversário morto é o amedrontado

13 de março de 2016 às 23h26

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Paulo Abrão: Porto Alegre mostrou que existia espaço para atos pacíficos e organizados da resistência. Foto: Daniel Isaia/Agência Brasil

 Paulo Abrão*, no Facebook

Algumas conclusões do dia:

1. As manifestações foram dentro do controle. Não afetam o transcurso da administração institucionalizada da crise.

2. Não houve adesão massiva dos pobres, mas sim da classe média e alta. Do contrário haveria milhões e milhões nas ruas. Toda manipulação tem limites.

3. Moro é um novo herói nacional. Aécio sai diminuído. PSDB não capitalizou. Se Moro admitir sair candidato em eleições desmoralizará a Lava Jato e ficará caracterizado o seu viés político-partidário para o resto da história.

4. Houve menos espaço para pedidos de intervenção militar. Por outro lado, há uma explícita expansão de um pensamento fascista agressivo (Bolsonaro e seguidores).

5. A crítica é à política, de forma generalizada. Significa que há um vácuo para politizar o debate. E a esquerda é melhor nesse jogo.

6. Porto Alegre mostrou que existia espaço para atos pacíficos e organizados da resistência hoje. Adversário morto é o amedrontado. A mensagem veio do Sul: “Sí, se puede! Yes, we can! Ainda Podemos Brasil!”. Em gauchês: “Não tá morto quem peleia”.

7. Imprensa escolheu traduzir as manifestações como pedidos de saída de Dilma. A linha ficou revelada no editorial do Estadão.

8. A oposição esperava muito mais de hoje. Gastaram muita energia e dinheiro e muito tempo de TV. Se está difícil para a situação, está difícil para a oposição também.

9. O campo político da situação (e a Frente Brasil Popular) agora tem que ter serenidade e ser capaz também de demonstrar a sua força nos atos que convocaram para o dia 18. Que sejam pacíficos também.

10. Todos nós do campo democrático temos que seguir no rumo da busca de uma saída democrática para a crise, valorizando a luta social.

* Paulo Abrão é secretário-executivo do Instituto de Políticas Públicas do Mercosul e ex-Secretário Nacional de Justiça

Investigação VIOMUNDO

Estamos investigando a hipocrisia de deputados e senadores que dizem uma coisa ao condenar Dilma Rousseff ao impeachment mas fazem outra fora do Parlamento. Hipocrisia, sim, mas também maracutaias que deveriam fazer corar as esposas e filhos aos quais dedicaram seus votos. Muitos destes parlamentares obscuros controlam a mídia local ou regional contra qualquer tipo de investigação e estão fora do radar de jornalistas investigativos que trabalham nos grandes meios. Precisamos de sua ajuda para financiar esta investigação permanente e para manter um banco de dados digital que os eleitores poderão consultar já em 2016. Estamos recebendo dezenas de sugestões, links e documentos pelo [email protected]

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C.Paoliello

14/03/2016 - 13h14

Santayana, brilhante como sempre, fala do domínio do atraso:

http://www.redebrasilatual.com

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LUIZ

14/03/2016 - 12h54

Não podemos nos esquecer que um país desiludido com a política, costuma produzir monstros. O exemplo é a Alemanha em 1933. Naquele contexto surgiu Hitler e toda a humanidade conhece esse desfecho. Vamos cuidar da política. Já temos de plantão Bolsonaro, ou seja, a pior escória que poderia aparecer. A irresponsabilidade de Aécio e seus asseclas, estão nos levando a isso. Respeitem as urnas e disputem eleições limpas em 2018. Porém, esse é o grande problema. Essa turma não tem voto.

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Lukas

14/03/2016 - 11h41

“6. Porto Alegre mostrou que existia espaço para atos pacíficos e organizados da resistência hoje.”

Você tá falando do churrasquinho de ontem? O churrasco de fim de ano da firma teve mais gente.

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    Tales

    14/03/2016 - 13h42

    Então o pessoal da firma votou na Dilma pq ela foi a que teve mais voto na eleição! Respeite o voto da maioria da firma heheheeh

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