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Mauro Santayana: Todos somos argentinos

24 de abril de 2012 às 10h32

por Mauro Santayana, em seu blog, sugestão da sgeral/MST

O Brasil e a Argentina, sendo os dois maiores países da América do Sul, têm sido alvos preferenciais do domínio euro-americano em nosso continente. A Argentina, sob Cristina Kirchner, depois de anos desastrados de ditadura militar, e do governo caricato e neoliberal de Menen, se confronta com Madri, ao retomar o controle de suas jazidas de petróleo que estava com a Repsol. Quando um governo entrega, de forma aviltante, os bens nacionais ao estrangeiro, como também ocorreu no Brasil, procede como quem oferece seu corpo no mercado da prostituição. Assim, as medidas de Cristina buscam reparar a abjeção de Menem.

Será um equívoco discutir o conflito de Buenos Aires com Madri dentro dos estreitos limites das relações econômicas. A economia de qualquer país é um meio para assegurar sua soberania e dignidade – não um fim em si mesmo.

As elites espanholas, depois da morte de Franco, foram seduzidas pela idéia de que poderiam recuperar sua presença na América Latina, perdida na guerra contra os Estados Unidos e durante a ditadura de quase 40 anos. Já durante o governo de Adolfo Suárez, imaginaram que poderiam, pouco a pouco, readquirir a confiança dos latino-americanos, ofendidos pela intervenção descarada dos Estados Unidos no continente. De certa forma, procediam com inteligência estratégica: a nossa América necessitava de aliados, mesmo frágeis, como era a Península Ibérica, na reconstrução de sua soberania, mutilada pelos governos militares alinhados a Washington.

Mas faltou aos governantes e homens de negócios espanhóis a habilidade diplomática, que se dissimula na modéstia, e lhes sobrou arrogância. Essa arrogância cresceu quando a Espanha foi admitida na União Européia, e passou a receber fartos recursos dos países ricos do Norte, a fim de acertar o passo continental. A sua estratégia foi a de, com parte dos recursos disponíveis, “comprar” empresas e constituir outras em nossos países. Isso os levou a imaginar que poderiam ditar a nossa política externa, como serviçais que foram, e continuam a ser, dos Estados Unidos. A idéia era a de que, em espanhol, os ditados de Washington seriam mais bem ouvidos.

O paroxismo dessa paranóia ocorreu quando José Maria Aznar telefonou ao presidente Duhalde, da Argentina, determinando-lhe que aceitasse as imposições do FMI, sob a ameaça de represálias. E a insolência maior ocorreu, e sob o governo socialista de Zapatero, quando esse heróico matador de paquidermes indefesos, Juan Carlos, mandou que o presidente Chávez (eleito livremente pelo seu povo, sob a fiscalização de observadores internacionais, entre eles o ex-presidente Carter) se calasse, no encontro iberoamericano de Santiago. Um rei matador de elefantes indefesos e sogro de um acusado de peculato – o bem apessoado serviçal da Telefónica de Espanha, Iñaki Urdangarin, pago com lucros obtidos pela empresa na América Latina, principalmente no Brasil.

Os espanhóis parecem não se dar conta de que as suas antigas colônias se tornaram independentes, umas mais cedo – como é o caso da Argentina – e outras mais tarde, embora muitas passassem ao domínio ianque. Imaginaram que podiam fazer o que faziam antes disso no continente – e incluíram o Brasil na geografia de sua presunção.

O Brasil pode e deve ser solidário com a Argentina, no caso da recuperação, para seu povo, das jazidas petrolíferas da YPF. E manter a nossa posição histórica de reconhecimento da soberania de Buenos Aires sobre o arquipélago das Malvinas.

Que querem os espanhóis em sua gritaria por solidariedade contra a Argentina, pelo mundo afora? Eles saquearam tudo o que puderam, durante o período colonial, em ouro e prata. Usaram esses recursos imensos – assim como os portugueses fizeram com o nosso ouro – a fim de construir castelos e armar exércitos que só se revelaram eficazes na repressão contra o seu próprio povo – como ocorreu na guerra civil.

Durante o seu período de arrogância subsidiada, trataram com desdém os mal chamados iberoamericanos, humilhando e ofendendo brasileiros e latino-americanos, aviltando-os ao máximo. Um só ser humano, em sua dignidade, vale mais do que todos os poços de petróleo do mundo. Antes que Cristina Kirchner determinasse a recompra das ações da YPF em poder da Repsol, patrimônio muito maior dos argentinos e de todos os latinoamericanos, sua dignidade, havia sido aviltada, de forma abjeta e continuada, pelas autoridades espanholas no aeroporto de Barajas e em seu território.

Que se queixem agora aos patrões, como seu chanceler, Garcia-Margallo fez, ao chorar nos ombros da senhora Clinton, e busquem a solidariedade de uma Europa em frangalhos. Ou que rearmem a sua Invencível Armada em Cádiz, e desembarquem no Rio da Prata. Isso, se antes, os milhões de jovens desempregados – a melhor parcela de um povo maravilhoso, como é o da Espanha – não resolvam destituir suas elites políticas, corruptas, incompetentes e opressoras, e seu rei tão ocioso quanto descartável.

E, ao final, vale lembrar a viagem histórica que Eva Perón fez à Europa, no auge de sua popularidade. Em Madri, diante da miséria em que se encontrava o povo, ofereceu a Franco, em nome do povo argentino, alguns navios cheios de trigo. O general respondeu que não era necessário, que os celeiros espanhóis estavam cheios de farinha. E Evita replicou, de pronto: ¿entonces, por qué no hacen pan?

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49 Comentários escrever comentário »

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PAULO

28/04/2012 - 23h25

Argentina simepre encarando las potencias mientras el resto de america se lava las manos o se hacen los desentendidos . Asi fue en la independencia contra Inglaterra y Espana , asi fue con las Malvinas , y asi fue como ayudamos a los paises hermanos a libertarse de los colonizadores gracias a San Martin , asi fue tambien el como el Che Guevara lucho contra los yankees etc etc .
Nos puede ir bien o mal pero tengo orgullo de haber nacido en el unico pais de neustra siempre esclavizada y desmerecida y explotada america latina que no baja los brazos , que no se deja oprimir , asi fue contra los gobiernos militares donde murieron mas de 20000 personas , pueblo que no se dejaron oprimir .
Claro que es mas facil decir" tudo bem " y dejarse someter , seguir siendo abusado por gobiernos por potencias por politicos etc .
Como dice un proverbio refran " NO ESTA MUERTO EL QUE PELEA"

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Sagarana

26/04/2012 - 10h37

Ainda bem que o nobre "jornalista" não é presidente da Petrobrás. Fosse, entubaria uma grana preta em investimentos na terra alheia, dinheiro do sofrido povo brasileiro, para depois tomar uma expropriação no meio dos cornos. Acorda meu!

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Mário SF Alves

25/04/2012 - 11h18

Gostaria de comentar esse artigo, mas nao vou faze-lo por um único motivo: além do claro entendimento quanto ä rigorosa e perfeita contextualizacao histórica e econömica manifestada pelo autor na defesa da reestatizacáo da YPF; fica impossível náo estabelecer analogia entre a privatizacáo da referida YPF e a privatizacao da CVRD no Brasil. Tudo muito claro, inclusive, no que faz supor a frase: "Quando um governo entrega, de forma aviltante, os bens nacionais ao estrangeiro, como também ocorreu no Brasil, procede como quem oferece seu corpo no mercado da prostituição."
Quanto ao mais, salta aos olhos o grito de solidadriedade que o Santayana naturalmente imprime ao texto.

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Jayme V. Soares

24/04/2012 - 20h20

Por que a Iberdrola, empresa espanhola deve ser a empresa distribuidora de nossa energia eletrica na Bahia?
Porque não estatizamos estes serviços? É mais um entreguimo do governo brasileiro, baiano?! E esta empresa aumenta quando e quanto quer o preço da energia consumida pelo nosso povo.

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    Jotace

    25/04/2012 - 03h34

    Caro Jayme,

    Porque a máfia espanhola age como os mata-paus: quando encontram uma árvore frondosa, hospedeira que lhes dá abrigo e cuja seiva suculenta vai alimentá-los, nela se instalam e a sugam até retirar-lhe a vida. Por que o governo Dilma não atenta para isso? Abraços, Jotace

Jotace

24/04/2012 - 19h43

Sugestão

Para aqueles que não temem os efeitos de um vomitório, a sabujice do Estadão acrisolada no artigo da Karla Mendes hoje publicado e intitulado ‘Espanha em recessão perdoa ao rei por caçar elefantes na África enquanto crise no país se agravava’. Jotace

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Sagarana

24/04/2012 - 19h43

Alto lá, me inclui fora dessa.

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jaime

24/04/2012 - 19h29

Também aplaudo os argentinos, mas para mostrar que somos hermanos deveríamos fazer alguma coisa em relação à Vale do Rio Doce e às telefônicas, principalmente.

Responder

    Jotace

    24/04/2012 - 23h07

    Falou, Jaime! Era justamente o que eu gostaria de ter encontrado no artigo do Dr. Rosinha e Marcelo Zero…Abs, Jotace

    Fabio_Passos

    24/04/2012 - 23h27

    Assino embaixo.
    Devemos seguir o bom exemplo da Argentina e re-estatizar as cias estratégicas entregues a estas cias privadas inescrupulosas e incompetentes que não tem nenhum compromisso com o Brasil… a não ser nos saquear.

Jotace

24/04/2012 - 19h26

Maravilhoso, soberbo e patriótico o artigo do Mauro Santayana! Parabéns à equipe do Vi o Mundo por divulgá-lo!
Jotace

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Flavio Lima

24/04/2012 - 18h16

Somos sim todos argentinos.

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Operante Livre

24/04/2012 - 17h55

Gracias a la vida que nos ha dado Santayana.

Responder

Walter Troncoso

24/04/2012 - 16h41

Santayana:
Eu vi seu articulo e achei muito interesante, a realidade e que eu ~estou morando no Brasil, mas não tenho poder de eleçao. mas eu gostei de seu articulo, so faltou falar que na epoca de Franco e logo da Guerra civil espanhola, a Argentina ficava 5 potença economica do mundo, ajudando a maioria dos paises da europa como ser( Espanha, Italia, alemanha, etc) nunca a ajuda economica foi devolta para Argentina. Tomara que o povo Brasileiro não tenha os erros que cometio o povo argentino, hoje a Espanha fala que a petroleira e de eles quando o graneiro do mundo(apelido da Argentina) dio de comer quando morian de fome, a causa da guerra civil. Com referença as Malvinas e logico que e tudo parte de um negocio de 300 familas que fican na isla imagina a pesca do mar argentino so para a explotacao de 300 familas, imagina o petroleo de mailvinas so para 300 familias de origem ingles, e como que um dia o governo argentino fale que Floripa e dos argentinos soamente porque a maioria das pessoas que moran em floripa falan que seu nacionalidade e argentina e não quer ser brasileiros.

Responder

Zé Eduardo

24/04/2012 - 16h11

Sempre perfeito. Na jugular. É só ver o quanto a Globo e o resto do PIG rastaquera esbravejaram contra a ação da Kirchner. Acho que eles não se conformam com a proximidade de uma'ley de medios'. Uma lei que nós poderemos estar reeditando por aqui a partir da CPI da VEJA et caterva: só vai depender da habilidade política, do dissernimento, do destemor e da vergonha na cara dos parlamentares que elegemos. Cabe a nós cobrar deles essa atribuição. Tanto frente a YPF e Madrid quanto frente à CPI da simbiose demo-tucana e o crime organizado 'es lo mismo': lá e cá a questão é de soberania e cidadania.

Responder

    Fabio_Passos

    24/04/2012 - 18h56

    O PIG está apavorado com o bom exemplo.
    Aqui está na hora de rever a privataria neoliberal que entregou cias estratégicas como a Vale do Rio Doce para exploração de grupos que não se importam com nosso desenvolvimento.

Gilson Rocha

24/04/2012 - 15h51

A Argentina vive dificultando as relações
comerciais com o Brasil.
Então seja argentino se quiser.
Eu não.

Responder

    Nelson

    24/04/2012 - 17h15

    "Pátria é humanidade" (José Marti)

    Abra tua mente, Gilson, não a deixe impenetrável como uma rocha, e você conseguirá entender do que o Santayana está falando.

    Gilson Rocha

    24/04/2012 - 19h05

    Ok, porque o sr. Santayana não comentou
    que na época da privatização tanto a sra. Cristina
    quanto Nestor foram a favor?
    Porque não comentou do Lobby?
    O problema é que a Argentina está volta e meia
    em crise.
    Já foi 5º economia do mundo, hoje está em 27°.
    E quando a coisa aperta não tem contrato ou amizade
    que faça cumprir os acordos.
    Não se enganem, a presidenta argentina não tem nenhuma
    piedade do Brasil quando a crise chega.
    Aliás, ela já provou isso algumas vezes.
    Se engane quem quiser.

Elias

24/04/2012 - 15h26

O melhor texto que já li sobre a arrogância de um país que barrou e mandou de volta ao Brasil uma senhora brasileira de 77 anos. SOMOS TODOS ARGENTINOS! (ao império espanhol) E MALVINAS PARA LOS HERMANOS! (ao império britânico)

Responder

    Elias

    24/04/2012 - 15h46

    Corrigindo: "monarquia espanhola" e "monarquia britânica"

Vlad

24/04/2012 - 14h42

Só se pedirem desculpa 800 mil vezes por chamar os brasileiros de macaquitos de mierda por 5 séculos.
hahaha …fala sério…se jogar Argentina vs Qualquer Um, responda (sem cinismo) pra quem vc vai torcer?
Viu?…então, não viaja.

º,..,º

Responder

    renato

    24/04/2012 - 18h33

    Argentina X União Européia, para quem você vai torcer.
    Eu vou torcer para a Argentina, 2 gols do Messi, o melhor do mundo, mas não é o Rei.
    Argentina X Estados Unidos, vou torcer para Argentina. 2 gols do Messi, o melhor do mundo, mas não é o Rei.
    Argentina X Espanha, vou torcer para Argentina. 2 gols do Messi, o melhor do mundo, mas não é o Rei.
    Não estou sendo cínico. Quero que os três aí encima percam até na bolinha de gude.

    Rafael

    24/04/2012 - 18h50

    Americanos, espanhóis, alemães, franceses, japoneses, enfim vários tem esse preconceito.

    Gabriel Braga

    24/04/2012 - 20h47

    Caro Vlad,

    O artigo é sobre algo muito mais importante que futebol.Soberania e dignidade.
    Adoro futebol,mas futebol é apenas a coisa mais importante,dentre as desimportantes.

Julio Silveira

24/04/2012 - 14h25

Perfeito. Mas cá dentro tem gente que não entende, ou se faz de desentendido para apoiar colonizadores de outrara e os atuais. Esses ficam cada vez mais identificaveis, já que até mesmo contra o Brasil em situação de divergencia contra o interesse estrangeiro vão ficar do lado de lá.

Responder

Adilson

24/04/2012 - 14h24

Esse texto surge como um oásis no deserto da ignorância da velha midia, que estimula incansavelmente no brasileiro, a repulsa à Argentina e ao seu povo. Aliás, nossa mídia é especialista em jogar nosso povo contra a América Latina inteira. – Paraguai, Uruguai, Venezuela, Bolívia, etc.

Responder

Werner_Piana

24/04/2012 - 13h34

Como um homem, um jornalista do quilate do Santayanna não tem um programa no rádio ou na tv?
Alô, tv Brasil, ACORDA!!!!

Responder

Remindo Sauim

24/04/2012 - 13h26

Nós gaúchos somos mais argentinos ainda, nos tocamos flautas no futebol, cobiçamos as moças uns dos outros, mas somos unidos contra os inimigos da América Latina.

Responder

Horridus Bendegó

24/04/2012 - 13h06

Grande defesa da dignidade da América do SUl!
Sim, ainda temos jeito!

Responder

    Fabio_Passos

    24/04/2012 - 18h54

    Toda a nossa solidariedade a Argentina!

    E que o bom exemplo da Argentina seja seguido no Brasil: Mineração, Energia, Telecomunicações…

Fabio SP

24/04/2012 - 12h51

Todos?!?! Eu não sou, não…

Responder

    Jair de Souza

    24/04/2012 - 14h16

    É que o Santayanna está falando de patriotas latinoamericanos.

    Operante Livre

    24/04/2012 - 18h08

    Ele se refere às pessoas com um mínimo de abstração para entender o que está latente na história.
    Precisa de inteligência histórica para entender figuras de linguagem, assim como para usa'-las.

Fabiano Araújo

24/04/2012 - 12h37

Segundo noticias vinculadas na mídia, a Espanha defende a continuidade de negociações entre a UE e o Mercosul, excluida a Argentina. O governo do Brasil deve rejeitar inequivocamente tal propositura. Se a Espanha quer transformar a UE em adversária da Argentina, o Mercosul deve se unir contra tal idéia e, mais, defender, em bloco, a devolução das Malvinas à Argentina. Quanto ao povo espanhol, tentou, na década de 30, destruir essa elite que infelicita seu país, porém, não obteve a solidariedade internacional devida (salvo da URSS e os heróicos brigadistas internacionais, aí incluido o nosso Apolônio de Carvalho). A Alemanha (autora do crime em Guernica) ajudou Franco a esmagar o povo espanhol e, hoje, é o país que mais se beneficia da política de austeridade que infelicita a Espanha. A infelicidade do povo espanhol é agravada por ter como rei, Juan Carlos, que foi tutelado por Franco e no governo, o PP (Partido Popular), que possui em seus quadros ex (sic!)- membros da Falange e entre seus líderes figuras como Aznar, cuja família, segundo historiadores, participou, diretamente, do assassinato de republicanos, durante a guerra civil.

Responder

    Jotace

    25/04/2012 - 03h50

    Caro Fabiano,

    Sem esquecer que Aznar foi um dos promotores do golpe que derrubou o Chávez a quem o povo reconhecido restituiu o poder acabando com o reinado de Pedro Carmona, também conhecido como Pedro, o Breve. Abraços, Jotace

Marcelo de Matos

24/04/2012 - 12h34

O processo de descolonização não pode parar. Mal libertos da dominação portuguesa, tornamo-nos vassalos da Inglaterra, de onde vinha a totalidade de nossos bens de consumo. Não tínhamos indústria e importávamos tudo. No fundo do baú guardo ainda trena, nível, grampeador e outros badulaques vindos da Grã Bretanha. Getúlio Vargas deu início à industrialização, criando a CSN, a Vale do Rio Doce, Petrobrás e hidrelétricas. O progresso tecnológico, que o país não acompanha, torna-nos, novamente, reféns das ex-colônias. Com base unicamente no “observes”, ou na experiência pessoal, diria que continuamos importando tudo. Sou assinante de quatro produtos Vivo: telefone fixo, celular, internet e TV a cabo. O Novo Mundo tem de acordar. O investimento em tecnologia é para ontem. O vilão não é só a China: podem ser os celulares do rei Juan Carlos, os vinhos da Argentina, ou os lençóis usados de Tio Sam. Falta “punch” à indústria nacional.

Responder

    Jotace

    24/04/2012 - 19h19

    Caro Marcelo,
    É um prazer te reencontrar aqui, com tuas intervenções sempre oportunas. Comentando esta última, eu diria que não nos tornamos reféns das ex-potências coloniais por ‘importarmos tudo e não termos acompanhado o progresso tecnológico’. O caso é de canalhice mesmo…Sobre o assunto, lê na Internet outro extraordinário artigo de Mauro Santayana e intitulado ‘TELEFÓNICA RECEBE RECURSOS DO BNDES, DEMITE MILHARES, E AINDA PEDE À ANATEL LICENÇA PARA ALIENAR O PATRIMÔNIO DO POVO BRASILEIRO’. Denunciando a semvergonhice e a cara de pau da empresa e dos entreguistas brasileiros, ele refere textualmente: ‘Os espanhóis não possuem tecnologia na área de telecomunicações e não desenvolvem nova tecnologia.’ E continua: ‘A prova disso é que a maioria dos equipamentos usados aqui pela Telefónica são importados da China’. Cordial abraço, Jotace

VLO

24/04/2012 - 12h28

Genial. Um artigo que vai direto ao ponto. E o final, com a frase de Evita, foi perfeito.

Responder

Adilson

24/04/2012 - 12h17

Texto excepcional! Que prazer lê-lo.

abraços

Responder

lulipe

24/04/2012 - 12h14

" Todos somos argentinos"…Fale somente por você meu caro!!!

Responder

    Jair de Souza

    24/04/2012 - 14h18

    Claro, só por ele e pelos outros patriotas latinoamericanos. Os saudosos do colonialismo e amantes do neocolonialismo devem ser excluídos.

    lulipe

    24/04/2012 - 18h46

    Caro Jair, primeiro você tem que aprender o significado de patriota para não ficar escrevendo bobagens.

    Nelson

    25/04/2012 - 08h37

    Você não sabe o que o Jair qualifica de patriota meu (ou será minha) caro(a) lulipe?
    O Jair se refere à Pátria Grande, a América Latina – Nuestra América – sonhada por Simón Bolívar, lugar onde todos os povos que a habitam viveriam em comunidade.

    Sugiro que dês uma espiada no grande livro do também grande Darcy Ribeiro, América Latina, A Pátria Grande. Infelizmente, não mais o tenho. Certa feita, o emprestei para um amigo (ou seria amiga? – o certo é que não lembro mais para quem emprestei) e ele nunca mais retornou.

    Mário SF Alves

    25/04/2012 - 11h25

    Espiada?!!! BBB/Bial. Mais sutil, impossível, prezado Nelson.

    lulipe

    25/04/2012 - 12h06

    Esse negócio de Pátria Grande não passa de baboseira, caro Nelson.Quando as coisas complicam é cada um por si ou será que você é tão ingênuo a ponto de acreditar na união dos países latinos-americanos???Quanta inocência……

Marcelo de Matos

24/04/2012 - 11h44

Teve repercussão na mídia o artigo de Bresser Pereira: “Enquanto analistas de vários países condenam a Argentina e até o The Wall Street Journal pede que o país seja expulso do G-20, um artigo sensato recoloca as coisas no seu devido lugar. Assinado por Luiz Carlos Bresser Pereira, ex-ministro de FHC, o texto “A Argentina tem razão”, lembra que o país vizinho, ao não controlar sua principal fonte energética, era a exceção – e não a regra no mundo de hoje”. Repercutiu, também, o post de Rodrigo Vianna (O Escrevinhador): “A Folha de hoje traz dois artigos que tratam das privatizações. Aécio Neves, o provável presidenciável tucano em 2014, defende de forma apaixonada a venda das estatais no reinado de FHC. Já o economista Bresser Pereira, que recentemente se desfiliou do PSDB, elogia a atitude corajosa da presidenta Cristina Kirchner de reestatizar a empresa de petróleo da Argentina, a YPF”.

Responder

Nelson

24/04/2012 - 11h16

Bravo Santayana.
Sempre uma fonte inesgotável de aprendizado para nossas mentes acossadas diariamente, exaustivamente, pela falsificação da história, pelas meias verdades, e mentiras mesmo, despejadas pelo monumental aparato de propaganda do sistema dominante.

Responder

    Fabio_Passos

    24/04/2012 - 19h02

    A rede furou o bloqueio do pensamento único.
    Quem pode ler Santayana só perde tempo acompanhando globo, veja, estadão e fsp se for intelectualmente limitado.

    As oligarquias da mídia estão cada vez mais apavoradas com os avanços dos governos progressistas das Américas.

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