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Marcos Coimbra: Lava Jato cansou e 55% acham que impeachment é vingança de Cunha

29 de janeiro de 2016 às 19h10

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A dupla deu um descanso no recesso, para retomar depois do Carnaval

O impeachment sem força

A pregação diuturna anti-PT e anti-Dilma na mídia tornou-se inócua. E a Lava Jato já não atrai a mesma atenção de antes

por Marcos Coimbra — publicado 27/01/2016 05h55, na CartaCapital

Atribui-se a Fidel Castro uma fórmula para saber se um país passa por uma revolução. É fácil, segundo ele: basta verificar se os indivíduos sorriem. A alegria de viver durante uma revolução seria imediatamente perceptível no rosto de cada um.

Fidel não disse, mas seria razoável supor que o inverso também fosse verdadeiro. Sempre que o repúdio a um governo se tornasse universal e não houvesse solução natural para os problemas coletivos, a tristeza se estamparia em cada face.

Ninguém está contente com a situação atual ou sorri quando pensa no Brasil. A maioria está insatisfeita e o desejo por mudanças é unânime. Mas seria despropositado imaginar que todos estejam acabrunhados. No País real, os tristes e desesperançados são minoria. Menor ainda é a parcela que aceita a conversa oposicionista de que tudo de mal é responsabilidade de Dilma Rousseff e do Partido dos Trabalhadores. Esse porcentual se reduz um pouco mais quando se trata daqueles que acreditam que a saída de Dilma e o fim do PT resolveriam os problemas da nação.

Apesar de agir em concerto no Parlamento, na mídia, no Judiciário e na sociedade civil, as oposições foram incapazes de promover e conservar na opinião pública o clima emocional necessário a transformar a insatisfação em revolta. No máximo, conseguiram atrair segmentos bizarros, de um direitismo de opereta.

Uma das razões é o fato de o tempo ter passado. As circunstâncias que propiciam amplos movimentos de opinião costumam ser fugazes e não resistem à banalização. É possível sustentar um clima político de alta eletricidade por semanas e, talvez, alguns meses, não por mais de um ano.

Quem aguenta ver os mesmos personagens a repetir as mesmas coisas dia após dia? Quem se emociona ao ouvir um discurso proferido cem vezes? Quem se surpreende com a denúncia de hoje, se é idêntica àquela de ontem?

A exacerbação da militância anti-Dilma e anti-PT da “grande” mídia serve para explicar a retração do movimento pró-impeachment. Ao repetir a mesma adjetivação exagerada, as mesmas manchetes tonitruantes, as mesmas fotos canhestramente encenadas, sua peroração tornou-se inócua. Hoje, ela prega para os convertidos.

A perda de interesse pela Operação Lava Jato é o sintoma. Joia do discurso oposicionista e vitrine para alguns dos personagens mais vistosos de suas fileiras, ela não consegue manter a atenção da opinião pública no nível de quando começou, por mais intenso que seja o holofote ofertado pelos meios de comunicação.

Em pesquisa do Instituto Vox Populi de dezembro de 2015, apenas 24% dos entrevistados disseram manter o mesmo elevado interesse do início da Lava Jato, taxa idêntica àquela dos que “não têm qualquer interesse pelo assunto e nunca tiveram”. Outros 18% afirmaram que “tinham muito, mas agora a acompanham sem interesse”, enquanto 10% responderam que “tinham muito, mas perderam completamente o interesse”. Entre os restantes, 21% “nunca tiveram grande interesse e assim permanecem” e 3% “nunca ouviram falar” no assunto.

A segunda razão a explicar a pequena capacidade mobilizadora da ideia de impeachment é a imagem dos políticos que patrocinam a empreitada.

A mesma pesquisa constatou: 55% dos entrevistados acreditam que o processo de impeachment é uma “vingança de Eduardo Cunha”, avaliação da qual discordam apenas 21%. Os restantes não sabem ou não têm opinião. A respeito das consequências do processo na economia, 45% afirmaram que “a oposição está sendo oportunista” ao propô-lo agora, enquanto 39% disseram que ela “faz o seu papel”.

Ante a pergunta a mencionar nomes de líderes da oposição, 49% disseram que “políticos como Aécio e Fernando Henrique Cardoso só pensam em seus próprios interesses quando apoiam o impeachment”, enquanto 34% afirmaram que “eles pensam no Brasil e fazem o que é correto”. O que significa que muitos eleitores do PSDB na eleição de 2014 não estão convictos do patriotismo de seus representantes.

A perspectiva das movimentações em favor do impeachment é ruim, casos elas realmente desejem contar com a opinião pública. O tempo não as ajuda e suas lideranças atrapalham. Só em um momento tão estranho de nossa história quanto este, uma tese tão despropositada ainda sobrevive.

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8 Comentários escrever comentário »

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marco

31/01/2016 - 23h10

Sr.Marcos.Se por acaso ler o que posto,quero lhe comentar o seguinte.Os comportamentos sociais,numa sociedade dividida em classes,tem na PEQUENA BURGUESIA,o seu carro chefe.Os Pequenos Burgueses,nascidos após a idade média,vieram ao mundo,para DUAS TAREFAS,quais sejam; PUXAR SACO DE RICO e SENTIR PENA DOS POBRES.O puxar sacos,inclui cumprir as tarefas que a BURGUESIA lhes destina.Sempre,os PEQUENOS BURGUESES,vão expressar esse comportamento,pois sabem que nos PALÁCIOS,somente adentram,até as dependências dos serviçais,e são nutridos intimamente,por inveja,mas não arredam pé de suas tarefas.Quanto aos pobres,sentem pena e ódio de classes,pois aqueles que sobem na escala social,logo que entram nessa classe,passam a ter comportamentos idênticos aos outros,e aqueles que permanecem abaixo,são desprezados,pois o PEQUENO BURGUÊS,tem em seu DNA,a IDEOLOGIA ESCRAVISTA.Então,enquanto perdurarem essas condições,vamos continuar assistindo de parte deles,mais vaias que aplausos,com relação a qualquer coisa.São os protagonistas da VAIA.

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lulipe

31/01/2016 - 18h46

Acreditar em pesquisa do Vox Populli é como acreditar em saci-pererê…

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maria do carmo

31/01/2016 - 15h35

Marcos Coimbra, muito bem dito, um sorriso no rosto, FHC esta sempre gargalhando, fora as fotos quando da entrevista sentado nos bracos do sofa, se portando como um garoto para se mostrar para alguem?, apoz delator falar que ao apagar das luzes de seu ultimo mandato, recebera da Petrobras cem milhoes, tive a certeza que as gargalhadas era dos tolos dos brasileiros, mas a sua observacao tambem e pertinente, esses que estao golpeando o Brasil, FHC, Aecio, e CIA, e digo mais, estao com os bolsos forrados, essa tambem e a razao do sorriso, apesar da crise que eles estao instalando no Brasil, a conspiracao da oposicao, esta clara, aliaz bem diz e sempre disse o Grande Senador Requiao, o melhor presidente que o Brasil ja teve e Lula com a maior aprovacao e sempre ofendido na sua honra,ontem mandou a Folha a pqp ,com muiita razao, eu mesma sempre pensei em faze-lo, so nao o faco, pois nao haveria repercussao, mas gracas ao Grande Senador Requiao, que independente de partido sempre defende Lula porque e Grande, inveja nao faz parte de seus sentimentos, a oposicao e pequena invejosa, nao aceita que o retirante, nordestino, metalurgico, honesto e inteligente, deu certo, reconhecido pelo Brasil e pelo mundo como o governo mais progressista que o Brasil ja teve, a trinta anos a oposicao esta tentando incrimina-lo, em conspiracoes e acusacoes infundadas, agora chegaram ao cumulo, ate a Europa esta estupefata com a midia seletiva, parcial e sem nocao! Garanto que todos que agridem Lula, com 10 porcento das investigacoes dedicada a Lula, estariam encarcerados ate o fim de seus dias, por seus crimes!

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Edilson

30/01/2016 - 09h53

Blz a crédito que o Brasil vai saí dessa …e confio na competência do PT não vai se por que eles querem tirá a Dilma na marra…e o seu Aécio neve que si cuidem quê a batata dele esta assando…

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mauro silva

29/01/2016 - 23h00

estive no centro comercial “parque balneário” em santos no final da tarde de hoje.
todas, repito, todas as mesas de cafés e restaurantes estavam ocupadas.
“crisis. what crisis?” – lp do Supertramp dos anos 70.
é bem o anverso do brasil hoje: aquela crise que o “seu” zé do neco disse que nunca viu na roça.
o nome da crise é outro: golpe.

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FrancoAtirador

29/01/2016 - 21h47

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A Maioria da População póde ter cansado da Lava Jato
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mas a OLJ (OC/PPP) não cansou de perseguir o Lula.
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