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Cartas de Minas
Cartas de Minas

Marcio Sotelo e Patrick Mariano: Hora de discutir o papel da PM

23 de junho de 2013 às 20h24

O papel da Polícia na Democracia: um debate necessário.

por Marcio Sotelo e Patrick Mariano, especial para o Viomundo 

Outubro de 1992, cidade de São Paulo [1]

Houve, sim, uma negociação, que não teve muito sucesso. A tropa de choque invadiu e começou então esse episódio e o massacre. Eu me encontrava no quinto andar e me lembrei de uma carta que uma senhora tinha me trazido com o Salmo 91. Entrei na minha cela, na 504E e naquele momento já tinham diversas pessoas ajoelhadas, clamando por seu Deus”, descreveu.

Logo depois, contou que um policial entrou na cela e pediu para que todos tirassem a roupa e saíssem nus, para fora.

 “Descemos até o primeiro andar e todos tinham ficado sentados ao chão, com a cabeça entre as pernas, cobrindo a cabeça com os braços, e ali, por volta de umas 3 horas [da manhã], os policiais mandaram que os detentos retornassem para suas celas”.

Quando ele se dirigia para a cela, um policial o chamou com um toque no ombro. “Quando me virei e achei que ia tirar a minha vida, ele me pediu para ajudar a carregar alguns cadáveres. Eu ajudei a carregar, aproximadamente, 35 [corpos]”.

Abril de 1996, rodovia estadual, município de Eldorado dos Carajás/PA [2]:

“A polícia começou a se preparar, como se fosse para um combate. Corriam com as armas, mostravam, apontavam se ajoelhavam e nós olhando. Fechamos todas as portas e ficamos olhando pelas brechas” (Miguel Pontes, 42 anos, tiro na perna)

“De acordo com eles mesmos era dar tiro em vivo ou morto. Quando ‘se’ demos conta, era bala pra cima de bala e nego caindo morto” (Meirton Germiniano, 29 anos, tiros na perna)

São Paulo, junho de 2013 [3]:

Uma viatura parou diante de nós. Policiais apontaram a arma e ordenaram: “corram que vamos atirar”. Corremos e eles cumpriram a promessa. Atingiram uma amiga. Nos desesperamos. As ruas estavam desertas, não havia onde entrar. Estávamos sozinhos. Humilhados e indignados pela arbitrariedade, pela violência, pela covardia, gritamos por socorro.

O primeiro fato resultou em 111 mortes de civis por agentes do estado. O segundo, em 19 e, o terceiro, em muitos feridos. O que eles têm em comum, numa primeira e superficial análise? A violência policial. Qual a informação latente que quase nos escapa: a decisão política que determina a ação repressiva.

Nos três lamentáveis episódios existiu um comando deliberado da autoridade política máxima do Estado para que a PM agisse com rigor e força.

As polícias militares estaduais são treinadas, desde sempre, sob a lógica do inimigo interno. Essa ideologia, todos sabem, se moldou e se fortaleceu na ditadura militar com a cartilha da segurança nacional e da manutenção da ordem pública.

Ou seja, partindo da premissa que a sociedade vive em eterna e plena harmonia, todas as ocorrências que causem ruptura a essa lógica, devem ser extirpadas do meio social. Assim, em um país desigual e injusto como nosso a regra é a canção de Gil: “não me iludo, tudo permanecerá do jeito que tem sido”.

Mesmo após a Constituição da República de 1988, esse pensamento, infelizmente, ainda constitui a base de estudos das escolas de formação das polícias e das forças armadas, estando presente em diversas leis e atos internos das corporações.

Não se fez uma releitura democrática dessa base ideológica. Daí que cada Polícia Militar se constitui como força política poderosíssima nas mãos dos Governadores, que as usam ao seu bel prazer.

A ordem para a ação policial nesses três casos partiu de um Palácio. Mas, outro componente deve ser descoberto para revelarmos as nódoas desses fatos: a decisão política contou com o apoio da grande mídia. A mesma mídia que cria heróis como o Capitão Nascimento e lota as salas de cinema fazendo apologia da tortura.

Este Viomundo, bem demonstrou isso ao trazer o editorial da Folha de São Paulo clamando por ação enérgica da PM contra os estudantes. O clamor do jornal resultou na batalha trágica da Consolação. A ideologia da repressão às manifestações não foi superada pelos novos ares do regime democrático e ainda compõe o pensamento não só das forças policiais, como também, da “elite pensante” brasileira que comanda as redações dos grandes veículos de comunicação de massa.

Para entender o pensamento com que são formados nossos policiais, basta uma rápida passada de olhos no youtube. Escolhemos um vídeo [4] que demonstra um pouco desse pensamento ao enaltecer a ação da Cavalaria da PMDF contra trabalhadores rurais sem terra, em frente ao Congresso Nacional.

É preciso, portanto, (re) discutir o papel da polícia na Democracia e sua formação para se evitar que fatos como esses se repitam. Não se desconsidera que grande parte desses policiais não gostaria de reprimir manifestantes, ganham pouco e são desvalorizados pelo Poder Público, sendo compelidos, quer pela formação, quer pelas desastrosas decisões políticas que os orientam, a agirem dessa forma.

Ao final, quem deu a ordem nunca é punido. No recente julgamento pelo massacre dos 111 do Carandiru, no banco dos réus estavam 26 policiais militares, dos quais 23 foram condenados. Nítido neste caso que decisões políticas (decorrentes da própria estrutura do Estado brasileiro) ignoraram a distinção – inafastável no Direito Penal Internacional e no Direito Internacional dos Direitos Humanos e evidentemente possível em nosso ordenamento – entre mandantes ou responsáveis políticos e perpetradores. Um mandato, um gabinete oficial e um telefone  significou muitas vezes neste país licença para matar.

Refletir sobre essas questões é tarefa imperiosa de todos que buscam a efetivação de uma sociedade mais justa, fraterna e solidária. Exigir dos governos – estadual e federal – que pautem essa questão e que abram o diálogo com os movimentos sociais é o primeiro e necessário passo. Existem exemplos país afora, como a experiência da Policia Militar do Estado de Sergipe na negociação de ordens de reintegração de posse, que devem ser estudados e seguidos. [5]

Enquanto se louvar o Capitão Nascimento em milhares de salas de cinema e enquanto não se debater essa questão, fatos como esse se repetirão Brasil afora.

O regime democrático, ainda mais em um país injusto socialmente como o nosso, não só deve conviver bem com o conflito, como necessita dele para avançar ainda mais em sua consolidação. A lógica da militarização da polícia obedecia à doutrina da segurança nacional, que tinha raízes na ideia de que os inimigos seriam “internos”. A questão, portanto, é: ainda hoje, trata-se ainda conflitos sociais como se os seus protagonistas fossem inimigos do Estado ou como cidadãos que tem o direito elementar de reivindicar, inclusive, ou principalmente, nas ruas?

Sufocar, através da repressão, os gritos da sociedade por transformação é prática de regimes autoritários, de amarga lembrança de todos nós.

O momento de pautar essa questão é agora. Assim, será possível completar a canção de Gilberto Gil, citada há pouco, para que se possa continuar a (e nos) transformar  “as velhas formas do viver”.

Marcio Sotelo Felippe é jurista e ex-Procurador Geral do Estado de São Paulo. Patrick Mariano Gomes é mestre em Direito, Estado e Constituição pela Universidade de Brasília e integrante da Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares – RENAP.

[1] http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/sp/2012-10-01/sou-um-sobrevivente-do-carandiru-relata-ex-detento.html

[2] http://www.radioagencianp.com.br/node/1101

[3] http://blogdeumsem-mdia.blogspot.com.br/2013/06/movimento-passe-livre-relato-coletivo.html

[4] http://www.youtube.com/watch?v=c0qd5rKxyf8

[5] http://www.youtube.com/watch?v=GDh0a7LBBpY

Leia também:

Jandira Feghali: Grupos fascistas pagos jogaram bombas nos próprios manifestantes

 

31 Comentários escrever comentário »

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26/06/2013 - 23h58

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Eduardo

26/06/2013 - 11h19

A sociedade dá um voto de confiança aos MP’s Federal e Estaduais. A responsabilidade,seriedade,honestidade, independencia, ética e isenção são condicões indispensáveis ao exercicio da função. Recado : não dá mais para tolerar corporativismo politico como praticado pelo MP do Estado de São Paulo, e individualismos nojentos como o de Demostenes Torres! Abram os olhos!

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denis dias ferreira

25/06/2013 - 20h42

Muito bom o artigo. Copiei.

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Stedile: "Globo e empreiteiras se apropriaram de gastos exagerados da Copa" - Viomundo - O que você não vê na mídia

25/06/2013 - 16h52

[…] Marcio Sotelo e Patrick Mariano: A hora de discutir o papel da PM é agora […]

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#changebrazil: Leitores estranham conexões do "movimento" - Viomundo - O que você não vê na mídia

25/06/2013 - 12h58

[…] Marcio Sotelo e Patrick Mariano: A hora de discutir o papel da PM é agora […]

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Edvaldo

24/06/2013 - 23h06

Tá aqui o exemplo de um policial que se recusou a espantar os manifestantes.

Qual movimento de esquerda se lembrou de elogiar esse cidadão?
A direita deve ter se lembrado e provavelmente a essa hora esse rapaz pode estar desempregado.
Divulguem esse video para que outros policiais pensem em suas atitudes antes de atacar a população.

https://www.youtube.com/watch?v=NKcxbQixrrA

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Fabio Passos

24/06/2013 - 22h24

A PM, assim como o PiG, é um entulho da ditadura.
Ao invés de proteger o cidadão… protege a propriedade da “elite” branca enquanto prende e arrebenta o pobres.

A “elite” branca usa a PM como grupo de extermínio, assassinando preto e pobre na periferia, para deleite e aplausos do PiG.

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    Richardson

    25/06/2013 - 11h18

    Você precisa rever seus conceitos, amigo! Hoje na polícia quase não existem mais pessoas da época da ditadura. Hoje, por exemplo, a PMDF é exigido curso superior para entrar em seus quadros. Concorda que são pessoas mais esclarecidas. Sempre fui estudante. Sou Cidadão. Trabalhador. Pai de família. Tenho familiares. Pago impostos altíssimos e me revolto com tudo que acontece no nosso país. Da impunidade reinante que paira sobre os políticos que nunca são presos, tem foro privilegiado e quando vão a julgamento ou são absolvidos ou os crimes prescrevem! Sou contra a PEC37 e a favor de tornar a corrupção crime hediondo. E, embora policial, sou a favor da desmilitarização e unificação das polícias. Hoje cada polícia realiza atos independentes uma das outras e isso não é bom para a população. E, embora vivamos em um sistema democrático, vivemos na ditadura. Defendemos vários valores Constitucionais, mas nós mesmos não os temos. Lembre-se que ali muitos estão além do horário de serviço, na folga, obrigados! Alegação? Necessidade do serviço! E, ao contrário de várias categorias ou qualquer trabalhador que ganham hora extra, estamos obrigado pelo nosso próprio regime! Acha mesmo que ficamos felizes com isso? Trabalhar obrigado, longe da esposa e familiares sujeito a toda sorte de atendado. Contudo, estamos felizes do povo ter acordado queria esta está lá se tivesse folga. Nós também corremos perigo ali. Muitos arremessam paus, garrafas com água. Se agimos somos truculentos, se não agimos somos omissos e todo rigor da lei nos alcança, se deixamos invadir faltamos o nosso dever é cometemos crime. Gostaria apenas que refletisse o outro lado. Sou é sempre serei estudante, pois acredito que a educação liberta e esclarece. Devemos levar bandeiras sim contra a desmilitarização e a unificação da polícias. Mas não seja injusto! Basta perceber que quem faz a segurança em todo Brasil são as Polícias Militares. Quem esta segurando tudo. A segurança dos manifestantes, o trânsito, a proteção do patrimônio público é a polícia militar. Cadê a polícia civil para identificar os vândalos? Cadê a PF. Quando o pau quebra infelizmente é a PM que tem que resolver, mas não pense que isso nós agrada, pois quando chega até nós a família, o governo e até a igreja falhou em algum momento!

    denis dias ferreira

    25/06/2013 - 20h34

    Cara, acho que você gostaria de estar lá pra distribuir porrada também. Por favor, não faça pose de vítima, milhares de brasileiros pobres foram assassinados pela PM. E quantos foram punidos? A vida de milhões de brasileiros é muito mais arriscada e dura que a sua.

    Fabio Passos

    25/06/2013 - 21h11

    Quem falhou é a “elite” branca e rica, que construiu um Apartheid Social no Brasil.
    A casa-grande usa a PM como cão de guarda, para proteger seus privilégios indecentes, sua renda e patrimônio acumulado… uma gigantesca riqueza roubada da maioria da população trabalhadora do Brasil.

    Os ricos são o crime!
    E estão impunes. E controlam o aparato repressivo do Estado.
    Pinheirinho é a regra.
    A PM, assim como o PiG, é um entulho da ditadura.

    denis dias ferreira

    26/06/2013 - 01h34

    Corrigindo o meu texto acima. Não o conteúdo, mas a forma.
    Cara, acho que você gostaria de estar lá pra distribuir porrada também. Por favor, não faça pose de vítima. Milhares de brasileiros pobres foram assassinados pela PM. E você sabe quantos PMs foram punidos? Poucos, muito poucos. A vida de milhões de brasileiros é muito mais arriscada e dura que a sua.

Dilma propõe plebiscito para Constituinte exclusiva fazer a reforma política - Viomundo - O que você não vê na mídia

24/06/2013 - 18h35

[…] Marcio Sotelo e Patrick Mariano: A hora de discutir o papel da PM é agora […]

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Urbano

24/06/2013 - 18h00

O papel é o de sempre, o higiênico.

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angelo

24/06/2013 - 16h29

Cap Nascimento é ídolo da galera. O próprio mudou de opinião, deixou de ser burro, mas a escola ficou.

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Maisa

24/06/2013 - 13h50

Seguramente um dos temas mais importantes a entrar na pauta política do governo, qual seja, discutir o nosso modelo(????) de segurança publica. Afinal de contas, porque no Brasil ainda sustentamos esse modelo ultrapassado de segurança publica? A quem interessa a manutenção desse modelo? Quem se beneficia e quem eh prejudicado? se conseguirmos responder a essas três perguntas já será suficiente para constatarmos o quao deletério se configura esse modelo e que a sociedade eh a maior prejudicada. Insistir na manutenção das PMs e Policias Jdiciarias (PCs ) que se digladiam entre si e tem nos seus comandos pessoas que, nomeadas pelos governadores, nao tem autonomia de atuação e nem mesmo,isenção de ânimos exatamente porque sao nomeadas e escolhidas, a dedo, pra trabalhar pro governos e proteger osngovernantes de ocasião, ou seja, sao areas de interesse politico dos governos. O mesmo se diga da outrora policia republicana e hoje mero joguete do governo federal, e falamos, claro, da Policia Federal. Os comandos das policias no Brasil estão comprometidos com os chefes dos governos e se tornaram policias de governo e nao de Estado pois foram todas computadas e nao há autonomia de trabalho e de uatividades. O governo federal trabalha ostensivamente pela aprovação da PEC 37, ou seja, aquela que impede o MP de investigar e concede exclusividade de investigação aos delegados de policia, os mesmos que nao tem autonomia e que podem ser removidos de suas investigações caso apresentem qualquer risco de atingir os governantes. Isso nao configura controle total???? Por que, então, afastar o MP das investigações? Será necessário olhar e buscar modelos de estrutura de policia que em países funcionam . Por que manter no nosso ordenamento jurídico essa figura deletéria do Inquérito Policial e do nao menos deletério Delegado de Policia? União sobrevive sem o outro e ambos contribuem para que o império da IMPUNIDADE prospere vez que os inquéritos sao, no mais das vezes, mal feitos e 95% deles sao sumariamente arquivados. Manter esses estruturas custa muito dinheiro e oferece pouquíssimo retorno para a sociedade tão carente de justiça. Se as policias do Brasil estão nesse descalabro eh por culpa dos governos e políticos que querem controlar todos os órgãos de investigação/fiscalização. Será que a Dilma, que já colocou a PF em segundo plano pelas razoes já expostas, terá coragem de mudar esse modelo arcaico, inservivel, inócuo e iníquo de segurança publica? Nao será o momento de tirarmos as policias das esferas de influencia dos governos, estaduais e federal para transforma-lãs em AGENCIAS com autonomia financeira e administrativa, cujos gestores terão que ser indicados ao Senado Federal e eleitos por mandados de dois anos e recondução por igual período? Com a instalação de estruturas baseadas em conhecimento, tempo de serviço e mérito pessoal, precisamos de delegados de policia? Será que precisamos de policias fardadas que tem treinamento de guerrilha e que obedecem cegamente o que ditam os governantes? Afinal, o Brasil tem policia?

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O aviso de incêndio soou: A esquerda diante do "gigante verde-amarelo" - Viomundo - O que você não vê na mídia

24/06/2013 - 12h28

[…] Marcio Sotelo e Patrick Mariano: A hora de discutir o papel da PM é agora […]

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Bacellar

24/06/2013 - 12h26

Questao importante pois nao foi mesmo pelos 20 centavos, o inicio de tudo foi a truculencia da pm paulista no dia 13. O modo como agiram (que pra quem ja acompanhou outras manifestacoes ou reintegracoes de posse nao foi nada surpreendente) ao ganhar uma cobertura mais pormenorizada da midia, e aí que foi possivel identificar um movimento pensado, fez com que muita gente ficasse inconformada e fosse para as ruas. As acoes da PM estao sendo decisivas no surgimento desse movimento de massa estranho que esta ai, reprimem ou nao de acordo com o perfil dos manifestantes.

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margo

24/06/2013 - 11h02

Desde que me conheço por gente a policia é sempre perversa, a do brasil eu acho que é a pior do mundo inteiro, cumpri cegamente as ordem, matam e espancam como se o outro fosse um saco de pancada, mas se fingem de cegos nestas horas pq sabem quem pagam seu salario, sabem que quem estão contra a eles são os que mandam neles o governo, só não sei pq eles são tao macho na hora de cumprir as ordem, pq não amenizam. Criaturas, quando seu filho é morto por uma bala perdida, a culpa é de quem? Quando vc não tem um bom plano de saúde e sofre quando precisa dele, a culpa é de quem? A miseria que sofre um manifestante é a mesma que a sua e o causador não é o manifestante. Voces sabem quem sao. Porque vcs são tem perversos, porque a cabeça de vcs são tão arcaicas, fechadas ate hoje. O que fazem para os policiais deste pais agirem desta forma, com total despreso aos situações que ele esta incluso e não so o resto da população. Acordem policiais vcs são gente, iguais aos outros.

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Jose Mario HRP

24/06/2013 - 09h29

http://www.dailymotion.com/video/x1163g2_scarpelly-se-liga-rousseffao_fun

Nossos “revolucionários” mostrando sua cultura!
Depois não diga que não avisei!
É careca em ação!

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Matheus

24/06/2013 - 04h04

A reforma policial deveria ter sido feita em 1988! Mas ainda há tempo para:
* Unificar as polícias federais em uma única Polícia Federal incorporando os efetivos, equipamentos e funções da Política (judiciária) Federal, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Ferroviária Federal.
* Unificar as polícias civil e militar de cada Estado/DF em uma única polícia, incorporando os efetivos, equipamentos e funções da Polícia Civil e da Polícia Militar.
* As forças policiais unificadas da União e dos Estados/DF devem apresentar três diferenças em relação ao atual modelo de polícia:
a) Ciclo completo: a mesma força policial deve realizar o policiamento ostensivo e investigação criminal sob um comando único.
b) Desmilitarização: as atuais Polícias Militares tem um status confuso e contraditório, incompatível com a democracia. São forças paramilitares dos governos estaduais, força auxiliar e reserva do Exército Nacional, integrantes da inteligência militar (espionagem) e regidas pelo Regime Disciplinar do Exército (com algumas modificações). Essas características são o que chamamos de “militarização”. As novas polícias estaduais devem romper com isso, diferenciando claramente a segurança externa (militar) da segurança interna (policial), e se organizando como força profissional e civil de policiamento preventivo e repressivo.
c) Carreira única: as atuais polícias estão divididas em um “alto clero” e “baixo clero” separados, como castas. As polícias judiciárias (PF e PC) são divididas em Delegados e outros policiais; a polícia ostensiva militarizada está dividida em oficiais e praças. A carreira única vai permitir que todos os policiais sejam aprovados no mesmo concurso, passem pelo mesmo treinamento inicial. Todos começarão no mesmo posto da hierarquia policial, e poderão chegar ao posto mais alto, de acordo com critérios meritocráticos (escolaridade, cursos especiais, não cometer crimes e abuso de autoridade, etc).
* Criação de uma Polícia Penitenciária da União e de cada Estado/DF, para o controle da população carcerária.
* Criação da Guarda Civil da União e de Guardas Civis Federais, com funções de polícia administrativa análogas à Guarda Municipal: proteção do patrimônio, bens, serviços e instalações públicas. Creio que seria uma economia de gasto público, em comparação com a prática atual de contratar serviços de segurança privada para realizar essas funções em órgãos públicos.

Responder

Bonifa

24/06/2013 - 03h39

Agora seria a hora para a discussão de tudo. Mas a discussão levaria ao melhor caminho, à verdade, e a verdade é o que menos interessa a nossa Imprensa Reacionária. Ela não vai permitir, por exemplo, a discussão e imediata votação da Reforma Política, já que a mudança de patamar político para nível superior não iria favorecer de modo algum ao modus operandi de seus aliados que atuam tanto nos partidos quanto em outras instâncias políticas, como o Judiciário e o Ministério Público.

Responder

FrancoAtirador

24/06/2013 - 01h43

.
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Seria o caso de simplesmente extinguir a Polícia Militar,

criando as guardas civis municipais de policiamento ostensivo,

reciclando os quadros de soldados que já estão incorporados

e passando os Bombeiros à condição de Corporação Civil.

Os oficiais graduados irão para a reserva com os respectivos soldos,

para que se divirtam nos clubes militares falando mal do comunismo.
.
.

Responder

Francisco

24/06/2013 - 01h11

A verdade é que a PM só não trucidou para valer porque tinha muito branco nessas passeatas.

Tivesse preto, pobre ou índio e tinha morrido gente aos magotes.

Mas antes que alguém entenda mal: policia tem que ter poder e autoridade assim como um pai tem poder e autoridade sobre os filhos. Há que haver limites numa sociedade como se tem numa família.

A única diferença entre um e outro é que a criança esta em processo inicial de aprendizado e é frágil. O sujeito que se dispõe a fazer passeata, presumi-se, sabe, pelo menos, como se portar numa. E o preço de não se portar.

Passeata sem avisar o tema, a hora e o local? Que zona é essa? Aviso de passeata sem antecedência de três, quatro dias? Que mangue é esse?

Teve esse monte de saques justamente porque a policia não tinha como distinguir o que era arrastão do que era passeata! É quase um milagre que algum dono de estabelecimento não tenha metido bala em manifestante, pensando que era arrastão. E vice-versa.

Quando um policial, dentro dos termos da Lei, diz faça isto ou aquilo é para fazer, não é para questionar: faz e fim! “Passeata de protesto somente nessa faixa, por obséquio…”, esta dito e fim de papo!

Quem quiser criar seus filhos sem limites, faça e ele que suporte as consequências COMO HOMEM. A sociedade brasileira, através da policia, tem o DEVER de educar seus jovens sobre as regras da ação política democrática. Nessa tarefa, devem ser apoiados pela mídia eletrônica aberta sob concessão, numa ação educativa. Isto é um DEVER delas.

Cada um faz o que quer como se não existissem normas comuns e preestabelecidas. Agora mesmo tem um monte de abestado dando palpite sobre a PEC do MP sem fazer a menor ideia do que esta no texto constitucional ou o que seja a MP hoje no mundo e no Brasil.

Chamem a Super Nanny!!!

Responder

Francisco

24/06/2013 - 00h52

Por medo de tudo, até da sombra, o partido “sem medo de ser feliz” comeu várias moscas.

Quem diria que, quase trinta anos depois do fim do regime militar e , pior, doze anos depois do PT chegar no poder e, ainda pior, dois anos depois da primeira vitima de tortura chegar ao poder ainda haveria Policia Militar no Brasil.

Porque ainda existe policia militar no Brasil?

Só há uma resposta: por medo.

“É que tem ‘setores’ preocupados com perdas salariais…”, “Existe a questão da tradição…(!)”, tudo é desculpa…

A única “desculpa” que me faz vacilar é a da disciplina. Se com detenção e faxina a PM é esse descalabro, sem essas ferramentas, que será da policia?

Responder

Edgar Rocha

23/06/2013 - 22h50

Bom lembar que a atuação truculenta da polícia vai muito além das ações coordenadas contra a sociedade organizada e contra os que reivindicam seus direitos. Embora muito importante, esta é uma discussão feita no atacado (sem trocadilho). No varejo, a questão se aprofunda ainda mais e se agrava na medida em que, agredidos e mortos não dispõem de nenhum meio eficaz de desagravo à indignidade a que são submetidos, não passando muitas vezes de números estatísticos mal calculados, mal interpretados, passando injustamente, de vítima a algoz. A presença opressora do Estado se mostra no cotidiano e tem endereço certo. São os mais pobres e os seguimento mais fragilizados da sociedade. Esta discussão tem de extrapolar os fatos que adquirem notoriedade. No texto acima, afirma-se que os excessos cometidos partem direto de ordens de gabinete. A firmação é perfeita. Mas, enquanto isto, os poucos casos de violência individual que ganham espaço na mídia são tratados como iniciativas pessoais de maus agentes, desonerando os comandos políticos e militares de quaisquer responsabilidade e sendo esquecidos após o próximo crime. Isto só aumenta a impunidade, neste que é o lado mais sangrento desta história. O número de mortos e feridos em manifestações nem de longe se compara ao número de inocentes que morrem todos os dias, seja por excessos diretos da polícia, seja vítima da ação coordenada de um poder paralelo que sem dúvidas é o que dá a cartas tanto no jogo político, representativo, quanto no interior da própria PM. As PMs de todo o país tem, em alto grau, se deixado cooptar por um número infinito de esquemas, falcatruas e máfias, demonstrando claramente a quem elas servem no momento e por conseguinte, o Governo que a comanda. Não creio que a solução seja, portanto, buscar responsáveis diretos por esta ou aquela ação. É preciso admitir que já não mais se pode falar em preservar uma categoria que mais contribui pro aumento dos índices de violência do que ampara o cidadão e defende as instituições e o Estado de Direito. Esta é a maior mazela da Ditadura Militar deixada como herança para o Estado. Um suporte eficiente de apoio pra todo tipo de corrupção e coação moral. O maior cacoete herdado pela PM é esta pretensão de tomar o Estado de assalto e manter a todos sob pressão. Não tem jeito. Discussões pontuais não resolvem. É preciso começar a rever a necessidade de manter esta serpente embaixo da cama chamada PM.

Responder

José X.

23/06/2013 - 21h04

Mais importante: papel da mídia, do judiciário e do ministério público. Os três estão abocanhando largas fatias de poder sobre os outros poderes e especialmente sobre “nós, o povo”. Além de serem praticamente invulneráveias à lei.

Responder

    Regina Braga

    24/06/2013 - 11h10

    Adorei,José X…Somos reféns de grupos que não podem ser questionados.

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