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Londres em chamas: As “hienas” de 1871 voltam a atacar

publicado em 13 de agosto de 2011 às 1:37

O capitalismo bestial ataca nas ruas

12-14/8/2011, David Harvey, Counterpunch

David Harvey é Professor Emérito do Graduate Center da City University of New York. Pode ser encontrado através de sua página em http://davidharvey.org/.

Tradução do coletivo da Vila Vudu

“Adolescentes niilistas e bestiais”. Foi como o Daily Mail apresentou-os: os jovens enlouquecidos, vindos de todas as vias da vida, que correram pelas ruas sem pensar,  desesperadamente atirando tijolos, pedras e garrafas contra os policiais, saqueando aqui, incendiando ali, levando as autoridades a uma também enlouquecida caçada de salve-se quem puder/agarre o que conseguir, enquanto os jovens iam alterando seus alvos estratégicos, saltando de um para outro.

A palavra “bestial” saltou-me à vista. Lembrou-me que os communards em Paris em 1871 foram mostrados como animais selvagens, como hienas, que mereciam ser (como foram, em vários casos) sumariamente executados, em nome da santidade da propriedade privada, da moralidade, da religião e da família. Mas em seguida a palavra trouxe-me outra associação: Tony Blair atacando a “mídia bestial”, depois de ter vivido por tanto tempo confortavelmente alojado no bolso esquerdo de Rupert Murdoch, até que Murdoch meteu a mão no bolso direito e de lá tirou David Cameron.

Evidentemente haverá o debate histérico de sempre entre os sempre prontos a ver a agitação das ruas como questão de pura, simples e imperdoável criminalidade, e os ansiosos por contextualizar eventos em termos de polícia incompetente; de eterno racismo e injustificada perseguição aos jovens e às minorias; de desemprego em massa entre os jovens; de pauperização incontrolável da sociedade; de uma política autista de austeridade que nada tem a ver com a economia e tudo tem a ver com a perpetuação e a consolidação da riqueza e do poder individuais. Haverá até quem condene o sem sentido e a alienação de tantos trabalhos e empregos e tal desperdício da vida de todos os dias, de tão imenso, mas desigualmente distribuído, potencial para o florescimento humano.

Se tivermos sorte, haverá comissões e relatórios que dirão tudo, outra vez, que já foi dito sobre Brixton e Toxteth nos anos Thatcher. Digo “sorte”, porque os instintos bestiais do atual primeiro-ministro parecem tender mais a mandar usar canhões d’água, a convocar a brigada do gás lacrimogêneo e a usar balas revestidas de borracha, ao mesmo tempo em que ele untuosamente pontifica sobre a perda da bússola moral, o declínio da civilidade e a triste deterioração dos valores da família e da disciplina entre os jovens sem lar.

Mas o problema é que vivemos em sociedade na qual o próprio capitalismo se tornou besta fera rampante. Políticos-feras mentem nos gastos, banqueiros-feras assaltam a bolsa pública até o último vintém, altos executivos, operadores de hedge funds e gênios do lucro privado saqueiam o mundo dos ricos, empresas de telefonia e cartões de crédito cobram misteriosas tarifas nas contas de todos, varejistas aumentam preços, por baixo do chapéu artistas vigaristas e golpistas aplicam seus golpes até entre os mais altos escalões do mundo corporativo e político.

Uma economia política de saqueio das massas, de práticas predatórias que chegam ao assalto à luz do dia, sempre contra os mais pobres e vulneráveis, os simples e desprotegidos pela lei – isso é hoje a ordem do dia. Alguém ainda crê que seja possível encontrar um capitalista honesto, um banqueiro honesto, um político honesto, um comerciante honesto ou um delegado de polícia honesto? Sim, existem. Mas só como minoria, que todos os demais consideram idiotas. Seja esperto. Passe a mão no lucro fácil. Fraude, roube! A probabilidade de ser apanhado é baixa. E em qualquer caso, há muitos meios para proteger a fortuna pessoal e impedir que seja tocada pelos golpes das corporações.

Tudo isso, dito assim, talvez choque. Muitos de nós não veem, porque não queremos ver. Claro que nenhum político atreve-se a dizer essas coisas e a imprensa só publicaria, se algum dia publicasse, para escarnecer de quem dissesse. Mas acho que todos os que correm pelas ruas agitando a cidade sabem exatamente a que me refiro. Estão fazendo o que todos fazem, embora de modo diferente – mais flagrante, mais visível, nas ruas. O Thatcherismo despertou os instintos bestiais do capitalismo (o “espírito animal” do empreendedor, como o chamam timidamente) e, desde então, nada surgiu que os domasse. Destruir e queimar é hoje a palavra de ordem das classes dominantes, de fato, em todo o mundo.

Essa é a nova normalidade sob a qual vivemos. Isso deveria preocupar o presidente do inquérito que logo será nomeado. Todos, não só os jovens agitadores, devem ser chamados à falas. O capitalismo bestial deve ser levado a julgamento por crimes contra a humanidade, tanto quanto por crimes contra a natureza.

Infelizmente, isso é o que os agitadores nem veem nem exigem. Tudo conspira para nos impedir de ver ou exigir exatamente isso. Por isso o poder político tão facilmente se traveste na roupagem da moralidade e de uma razão repugnante, de modo que ninguém veja a corrupção nua e a irracional estupidez.

Mas há réstias de esperança e luz em todo o mundo. O movimento dos indignados na Espanha e na Grécia, os impulsos revolucionários na América Latina, os movimentos camponeses na Ásia, todos esses começam a ver através da imundície que o capitalismo global, predatório, bestial lançou sobre o mundo. O que ainda falta para que todos vejamos e comecemos a agir? Como se poderá começar tudo outra vez? Que rumo tomar? As respostas não são fáceis. Mas uma coisa já se sabe: só chegaremos às respostas certas, se fizermos as perguntas certas.

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30 Comentários para “Londres em chamas: As “hienas” de 1871 voltam a atacar”

  1. ter, 16/08/2011 - 17:11
    Pedro

    Transformar a sociedade parece ser a única resposta viável à crise de uma forma de vida, no caso, a capitalista.

  2. [...] As “hienas” de volta, nas ruas de Londres   [...]

  3. sáb, 13/08/2011 - 19:17
    Gerson Carneiro

    "Ordem" e "Desordem".

    O que diferencia estas duas coisas que na verdade são uma coisa só? A conveniência.

    Tanto "Ordem" quanto "Desordem" são disposições de elementos. Portanto, são uma mesma coisa.

    Quando a disposição de elementos é convêniente dá-se o nome de "Ordem"; quando não, dá-se o nome de "Desordem".

    É por isso que sempre o que é "Ordem" pra uns será "Desordem" para outros. E de tempos em tempos essas manifestações emergem.

  4. sáb, 13/08/2011 - 17:42
    FrancoAtirador

    .
    .
    Destino Manifesto Anglo-Saxão

    Questões de provas de vestibular de História*:

    Questão 1
    Precisamos manter para sempre o princípio de que só o povo deste continente [Sic] tem o direito de decidir o próprio destino. Se, porventura, uma parte desse povo, constituindo um estado independente, pretendesse unir-se à nossa Confederação, esta seria uma questão que só a ele e a nós caberia determinar, sem qualquer interferência estrangeira.
    (Primeira mensagem anual do presidente Polk ao Congresso dos Estados Unidos. In: SYRETT, H.C., org. Documentos Históricos dos Estados Unidos, Cultrix, s/d)
    O discurso acima, de 2 de dezembro de 1845, reafirmava a crença do presidente Polk na expansão do território americano.
    O conjunto de idéias que melhor explicita essa crença é:
    c) o Destino Manifesto

    Questão 2
    Leia os trechos de notícias de jornais norte-americanos publicados nos EUA no século XIX:
    (1) (…) um espírito de interferência hostil [de outras nações] para conosco, com o objetivo confesso de deformar nossa política e prejudicar nosso poder, limitando nossa grandeza e impedindo a realização de nosso Destino Manifesto, que é estendermo-nos sobre o continente que a Providência fixou para o livre desenvolvimento de nossos milhões de habitantes, que ano após ano se multiplicam. (Democratic Review)
    (2) A universal nação ianque pode regenerar e libertar o povo do México em poucos anos; e cremos que é parte de nosso destino civilizar esse belo país e capacitar seus habitantes para apreciar algumas das numerosas vantagens e bênçãos de que dispõem. (New York Herald)
    (Citados por AQUINO, R.S.L. et al. "História das sociedades americanas". Rio de Janeiro: Livraria Eu e Você, 1981. p.140 e 141.)
    Quanto à história do expansionismo norte-americano no século XIX, pode-se afirmar que:
    e) a imprensa dos Estados Unidos acreditava [sic] que eles tinham uma predestinação: a missão de civilizar povos inferiores do continente americano por causa de seu "Destino Manifesto", ou seja, o seu domínio representava a vontade de Deus.

    Questão 3
    TEXTO I: "Foi essa consciência de nossa superioridade inata que nos permitiu conquistar a Índia. Por mais educado e inteligente que seja um indiano, por mais valente que ele se manifeste e seja qual for a posição que possamos atribuir-lhe, penso que jamais ele será igual a um oficial britânico."
    (Kitchener apud AQUINO, séc. XIX e XX, p. 23)
    TEXTO II: "Se prevejo corretamente, essa poderosa raça avançará sobre o México, a América Central e a do Sul, as ilhas do Oceano, a África e mais adiante (…) Essa raça está predestinada a suplantar raças fracas, assimilar outras e transformar as restantes, até toda a Humanidade ser anglo-saxonizada."
    (Josiah Strong apud AQUINO, ibid, p. 99)
    Com base na análise dos textos anteriores e nos conhecimentos sobre a crise do capitalismo e a solução imperialista, pode-se dizer que:
    (01) As referências raciais contidas nos dois textos identificam os seus autores como defensores de uma hierarquização racial e da dominação imperialista.
    (02) A transformação do capitalismo liberal em monopolista, motivando uma crescente busca de mercados, resultou na interpretação da ocupação colonialista de áreas afro-asiáticas e centro-americanas como um direito dos países industrializados.
    (08) O pensamento expresso por Lord Kitchener foi partilhado pela sociedade inglesa do século XIX, contribuindo para que os britânicos vissem, na sua expansão imperialista, uma missão civilizadora sobre as raças inferiores da Ásia e da África.
    (16) A idéia de "anglo-saxonizar toda a Humanidade" é demonstrativa da postura etnocêntrica que tem caracterizado todas as formas de dominação imperialista.

    *Foram publicadas somente as respostas corretas

    http://professor.bio.br/historia/search.asp?searc

  5. sáb, 13/08/2011 - 16:25
    FrancoAtirador

    .
    .
    DITO E FEITO

    "A sociedade não existe, o que existe são os indivíduos"

    (Margareth Thatcher, a dama de ferro do neoliberalismo que governou a Inglaterra de 1979 a 1990.
    Líder da extrema direita do Partido Conservador, Thatcher desregulamentou a economia,
    implementou um amplo programa de privatizações,
    arrochou salários, reprimiu greves duramente, fechou fábricas, esfarelou o trabalho operário,
    elevou o número de desempregados de um milhão, no início de sua gestão, a 3 milhões em meados dos anos 80,
    reduziu a influencia dos conselhos salariais na economia e praticamente aboliu o salário mínimo.)

    A julgar pelos distúrbios dos últimos dias, semeou de fato uma selva de indivíduos, furiosos, no lugar da sociedade.

    CARTA MAIOR

  6. sáb, 13/08/2011 - 15:01
    Rodolfo Machado

    Para mim isto basta,o depoimento emocionante de um pai de família e avo também, em defesa dos manifestantes:
    [youtube 1FE-Zl_2fyI http://www.youtube.com/watch?v=1FE-Zl_2fyI youtube]

  7. sáb, 13/08/2011 - 14:25
    FrancoAtirador

    .
    .
    Destino Manifesto Anglo-Saxão

    Mais algumas questões extraídas de provas de vestibular de História*:

    Questão 4
    Os processos de ocupação do território americano do Norte simbolizam, para muitos historiadores, a presença do ideário europeu no Novo Mundo. Os pioneiros ingleses do Mayflower construíram uma sociedade baseada na justiça e no cumprimento dos valores religiosos e morais protestantes. Essa base fundadora teve papel essencial na formação dos Estados Unidos da América.
    Assinale a opção que contém a relação correta entre a fundação e a formação dos Estados Unidos.
    b) A Revolução Americana de 1776 foi o episódio que representou, de forma mais cabal, a presença da tradição dos primeiros colonos, através do sentido de "liberdade" e da idéia de "destino manifesto".

    Questão 5
    A população que, em 1790, era de quase 4 milhões de habitantes passou para cerca de 31 milhões em 1860. Dez anos depois, alcançava os 40 milhões. Boa parte desse contingente era formado por estrangeiros: entre 1830 e 1860 entraram no país quase 5 milhões de imigrantes europeus.
    (José Robson de A. Arruda e Nelson Piletti)
    A História dos Estados Unidos da América, no que diz respeito à fase do expansionismo interno e à ocupação e ao povoamento do atual território norte-americano, teve como justificativa a Doutrina do Destino Manifesto,
    sobre a qual é verdadeiro afirmar que:
    1. explicitava uma visão racista que agia como alimento moral para o desenvolvimento da nação.
    3. baseava-se em um sentimento de superioridade do imigrante europeu branco, diante dos índios e dos mexicanos.
    4. contém elementos inspirados no Darwinismo Social, no qual as relações sociais destacam a sobrevivência dos mais capazes.
    5. os norte americanos tinham sido predestinados por Deus à conquista dos territórios situados entre os oceanos Atlântico e Pacífico.

    Questão 6
    O mapa abaixo indica intervenções empreendidas pelos EUA na América Latina.
    LEGENDAS:
    1-Ilhas Virgens;
    2-Porto Rico;
    3-Rep. Dominicana;
    4-Haiti;
    5-Panamá;
    6-Cuba;
    7-Nicarágua;
    8-México.
    (AQUINO, R. S. L. de; LEMOS, N. J. F. de & LOPES, 0. G. R C. "História das Sociedades Americanas" Rio de Janeiro: Eu e Você, 1997.)
    Até o final da década de 20 do século XX, estas ações dos EUA podem ser consideradas como resultado dos seguintes fatores:
    c) crença na missão civilizatória norte-americana – ampliação da presença econômica na América Latina

    Questão 7
    "… era como se os Estados Unidos tivessem como objetivo uma missão civilizatória junto aos povos da América Latina."
    (Hervert Croly, "The Promisse of American Life")
    A consolidação do capitalismo nos Estados Unidos da América, ao longo do século XIX, identificou-se em seu processo de expansão territorial, que se relaciona corretamente com o(a):
    c) vitória no conflito contra o México, que resultou na anexação dos territórios do Texas, Novo México e Califórnia.

    Questão 8
    Na primeira metade do século XX, a política externa estadunidense experimentou diversos reordenamentos que caracterizaram e definiram as suas ações em face das transformações que ocorreram no período, visando consolidar os seus interesses em escala mundial.
    Sobre este período histórico, é CORRETO afirmar:
    d) A ideologia do "Destino Manifesto" foi utilizada para justificar a crença de que os EUA deveriam difundir os valores de sua civilização pelo mundo, mesmo que para isso fosse necessário invadir outros Estados e derrubar governos para atender aos seus interesses.

    Questão 9
    Considerando as políticas imperialistas norte-americanas, numere a 2ª coluna de acordo com a 1ª.
    1ª Coluna
    1. Big-Stick
    2. Aliança para o Progresso
    2ª Coluna
    (2) constitui-se num programa de auxílio econômico para a América Latina.
    (1) foram intervenções militares para defender os interesses norte-americanos na América Central.
    (1) apoiou-se na ideologia do Destino manifesto e na Doutrina Monroe.
    (2) foi uma proposta do governo Kennedy para evitar a expansão do comunismo na América.
    (2) estimulou as reformas de alcance social.
    A seqüência correta é: c) 2 – 1 – 1 – 2 – 2

    *Foram publicadas somente as respostas corretas.

    http://professor.bio.br/historia/search.asp?searc

  8. sáb, 13/08/2011 - 13:58
    O_Brasileiro

    E depois dizem que não existem vampiros… Sugam o "sangue" da vítima até prendê-la, enlouquecê-la, ou matá-la!
    Quando não as prendem, enlouquecem ou matam, tornam-nas seus escravos, mortos-vivos!

  9. sáb, 13/08/2011 - 12:06
    Paulo Eduardo

    É, talvez de perguntas certas se chega a resposta certas…

    O que fica é, como o autor diz: é o lucro fácil patrocinado pelo estado, gatunagem com dinheiro público! E depois falam de livre-iniciativa, livre-mercado…

    E se estamos falando de pilhagem, vendo o denúncismo no Brasil de desvio de recursos, de superfaturamento… o pq do silêncio tumular sobre as empresas, empreiteiras, e consórcios, qual é o nome dos corruptores? quem é corrupto e corruptor na fabula da esperteza?

    E já que estamos falando de acesso a informação, quando a blogsfera independente valorosa e valente vai começar a colocar esses nomes em pauta, não importando de que governos sejam?

    flw

    Paulo Eduardo

  10. sáb, 13/08/2011 - 11:59
    Bonifa

    Os Repórteres Sem Fronteiras (RSF) estão denunciando que a RIM, fabricante dos celulares BlackBerry, estão colaborando com a polícia britânica para identificar os responsáveis pelas manifestações contra o governo na Inglaterra. http://www.lemonde.fr/europe/article/2011/08/13/r

  11. sáb, 13/08/2011 - 11:56
    Bernardino

    OS ANGLO SAXOnios estao em maus lençois,EUA quebrados ,Inglaterra em chamas parece que chegou a hora da onça beber água.A exploraçao tem limites meus caros os ricos nao investiram nos paises pobres quando ainda colonia e hoje vemos a fatura chegar. O pau vai cantar ainda mais e EUA e asseclas vao virar ditaduras pra segurar a GRANA dos sionistas!!!
    Aqui surgiu umLULA como amortecedor social,bem como na Argentina com KICHNER,Venezuela CHavez,Equador,Paraguai e bolivia com governos voltados ao POVO em que pese A IMPRENSA,canalha,manipuladora e entreguista,defendendo a Direitona Burra e Predadora!!!!

  12. sáb, 13/08/2011 - 11:09
    Regina Braga

    Cameron, falou que tudo é puro vandalismo…Mas esqueceu de dizer que o desemprego e o tratamento dado aos imigrantes está na raiz dos problemas. As manifestações no Egito,Bahrein,Síria,etc …eram lutas contra as ditaduras e foram apoiadas pelo Reino Unido. Agora,dentro de Londres as manifestações são vandalismo? Como anda a taxa de emprego por lá? Como está a educação e saúde?Quem de fato está ganhando com os cortes no orçamento? Sempre vai ter meia dúzia ganhando muito e o resto do povo se…equilibrando.

  13. sáb, 13/08/2011 - 10:24
    FrancoAtirador

    .
    .
    Estudo diz que anglo-saxões promoveram apartheid

    Os anglo-saxões que conquistaram a Inglaterra no século V criaram um sistema de apartheid que lhes possibilitou controlar e dominar a maioria britânica, sustenta um estudo genético que será publicado nesta quarta feira.
    Segundo cientistas, em menos de 15 gerações, mais da metade da população da Inglaterra tinha genes dos invasores. "Os bretões nativos foram geneticamente e culturalmente absorvidos pelos anglo-saxões durante um período de algumas centenas de anos", afirma Mark Thomas, um biólogo da Universidade College de Londres.

    "Uma inicialmente pequena elite anglo-saxã poderia ter rapidamente se estabelecido ao ter mais filhos que sobreviveram à idade adulta, graças a seu poderio militar e vantagem econômica", explica. "Nós acreditamos que eles também evitaram os genes dos britânicos nativos de entrar na população anglo-saxã ao restringir os casamentos inter-raciais em um sistema de apartheid que deixou o país culturalmente e geneticamente germanizado", acrescenta.

    "Isto é o que vemos hoje: uma população de ampla origem genética germânica, falando uma língua essencialmente germânica", continua. Thomas acredita que o estudo, publicado no jornal especializado britânico Proceedings of the Royal Society B, responde questões-chave sobre um dos pontos decisivos da história européia.

    Os anglo-saxões – tribos germânicas que viveram nos atuais Alemanha, norte da Holanda e Dinamarca – invadiram a Grã-Bretanha em 450 d.C., depois da queda do Império Romano. Eles conquistaram a Inglaterra, mas não conseguiram penetrar as franjas celtas onde hoje se situam Gales e Escócia. Coincidentemente, incitaram um êxodo de bretões para onde hoje é a Bretanha, na França.

    A população da Inglaterra na época era de provavelmente dois milhões de habitantes, enquanto o número de anglo-saxões era minúsculo: a menor estimativa estabelece o número de imigrantes em menos de 10 mil cerca de 200 anos após a invasão, embora outros o calculem em mais de 100 mil.

    Como tal minoria pode ter dominado um país de forma tão enfática? Como pode ter marginalizado a assimilação da maioria britânica e impor sua língua, leis, economia e cultura, cuja marca é visível atualmente? A resposta, sugerem Thomas e seus colegas, é uma "estrutura social de apartheid", que preservou os anglo-saxões como os mestres e os nativos britânicos (chamados "Welshmen", galeses em inglês, originada da palavra germânica para escravo) como os servos.< p> A evidência disto aparece em textos antigos, inclusive nas leis de Ine, o soberano de Wessex no fim do século VII, um reino anglo-saxão no oeste da Inglaterra. Ine estabeleceu os pagamentos de "wergild", indenização paga pela família do assassino à da vítima a fim de evitar uma vingança de sangue.

    Se um anglo-saxão fosse morto, o "wergild" era de duas a cinco vezes superior à multa paga pela vida de um galês de status semelhante. Os locais de sepultamento também fornecem um indício sobre a disparidade sócio-econômica entre bretões e anglo-saxões.

    http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,O…

    • sáb, 13/08/2011 - 17:47
      Bonifa

      É muito improvável que os invasores anglo-saxões tenham restringido os casamentos com celtas por razões de pureza racial, amigo Francoatirador. E é ito estranho que "cientistas" ressaltem esta possibilidade. O que geralmente acontecia em tais invasões era que o núcleo de liderança invasor mantinha-se relativamente em isolamento étnico por algum tempo, e uma parte dos conquistados, geralmente guerreiros, era levada à condição de escravos ou servos, estabelecendo-se aí outra barreira de miscigenação. Mas a não ser em raros casos de migração em massa, de deslocamento de populações inteiras de uma terra para outra, caso raro que implicava em massacre dos antigos ocupantes da terra, o que acontecia era que o grosso da população local permanecia onde estava e passava a adotar os novos marcos culturais e institucionais dos conquistadores, embora mantendo muito de sua própria cultura. Estes habitantes comuns, mormente camponeses, por prevalência de privilégios sexuais dos conquistadores, absorviam em poucas gerações um considerável fluxo de miscigenação. Muitas vezes, na maioria dos casos, como ocorreu com os invasores germânicos Visigodos em Portugal, a invasão foi quase completamente de ordem cultural e institucional, passando a vigorar os códigos visigóticos em lugar das antigas leis romanas. A totalidade do povo celtíbero foi mantida. Toinbee e Ibn Kaldun são leituras imprescindíveis para entendermos as invasões. Não adiantam os povos se protegerem com cercas e muros, como nos Estados Unidos, ou qualquer outro tipo de isolamento, como na Europa ou em Israel. A invasão virá, os invasores se misturarão com os locais e surgirá uma nova civilização produto desta mistura.

      • Como é bom aprender com vcs. Obrigado. abs

      • dom, 14/08/2011 - 0:02
        FrancoAtirador

        .
        .
        Caro Bonifa.

        Talvez você não tenha lido o restante da matéria da AFP, que trata do aspecto técnico da pesquisa.

        De acordo com o estudo científico – e não tenho motivos para duvidar – houve um fenômeno singular, certamente normativo-impositivo do invasor, que levou, em apenas 5 séculos, ao predomínio genético da minoria anglo-saxã sobre a maioria nativa Bretã, na Inglaterra.
        Com certeza houve fuga em massa, êxodo, de bretões para outras regiões.
        Note-se também que estamos falando de dois povos que tinham códigos da guerra muito específicos e, além disso, devido às próprias crenças daqueles povos bárbaros, era necessário a um impor a hegemonia étnica e cultural sobre o outro, após o domínio territorial. A subjugação, portanto, era integral.

        Transcrevo o restante da matéria publicada no Terra:

        "Restos de esqueletos de homens supostamente anglo-saxões são freqüentemente encontrados junto de uma arma e outros artefatos preciosos, enquanto os dos nativos bretões são freqüentemente encontrados sem armas e com apenas um ou dois objetos.

        Em um trabalho prévio, a equipe de Thomas comparou o "gene pool" (reservatório de genes) entre ingleses nativos brancos na região central da Inglaterra atual e similares nas terras ancestrais dos anglo-saxões.

        Eles descobriram que os dois grupos partilharam entre 50% e 100% de variações indicativas no cromossomo sexual masculino Y.

        No estudo mais recente, ele usou simulações de computador para tentar explicar como a segregação pode ter possibilitado aos anglo-saxões florescer, enquanto os bretões encolhiam.

        O modelo de computador usa vários cenários relativos ao tamanho da afluência de imigração, diferentes taxas de casamentos inter-raciais e a vantagem reprodutiva dos anglo-saxões, com mais riquezas e recursos.

        Hoje, o apartheid é mais conhecido pela notória segregação racial que prevaleceu na África do Sul de minoria branca.

        Mas os autores afirmam que há muitos outros exemplos na história em que os conquistadores ou colonizadores usaram este tipo de controle para evitar a assimilação, alimentar sua identidade e manter sua supremacia política, militar ou econômica sobre a maioria étnica.

        Na época do rei Alfred, o Grande, no século IX, as diferenças no status legal entre os anglo-saxões e os bretões feneceu inteiramente. Dois séculos depois, os normandos invadiram a Inglaterra e impuseram seu próprio apartheid, atribuindo a si próprios um status legal maior que o dos bretões e permitindo aos normandos se casar com mulheres nativas, mas evitando que os nativos se casassem com mulheres normandas."
        .
        .

  14. sáb, 13/08/2011 - 10:09
    Polengo

    Alguém aí já ouviu o dito popular que diz: "bonzinho só se f…"?

  15. sáb, 13/08/2011 - 8:56

    Corrigindo, 27 de Maio de 1871.

  16. sáb, 13/08/2011 - 8:35

    Um depoimento de Louise Michel, sobre a noite de 27 de setembro de 1871:

    [...] Algumas granadas explodiam a
    intervalos regulares; dir-se-ia as
    badaladas de um relógio, o relógio
    da morte.

    Naquela noite clara, embriagada
    pelo perfume das flores, os
    mármores pareciam-me vivos [os
    federados
    encontravam-se
    no
    cemitério de Père Lachaise, um dos
    últimos redutos da resistência].

    Andávamos em investigações e a
    granada
    regular
    caía
    constantemente, as outras variavam.

    Quis regressar sozinha. Dessa vez,
    a granada, ao cair perto de mim,
    através dos ramos, cobriu-me de
    flores. Foi junto do túmulo de
    Mürger. A figura branca, lançando
    sobre um túmulo flores de
    mármore, produzia um efeito
    encantador. [...]

    Ao regressar para junto de meus
    camaradas, perto do túmulo sobre o
    qual está deitada a estátua de
    bronze de Cavaignac, oiço-lhes esta
    recomendação: Desta vez, não sai
    mais daqui.

    Fico ao pé deles. Das janelas de
    algumas casas partem os tiros.

    Suponho que chegou o dia. Temos
    mais feridos por causa das
    granadas. O grupo reduz-se. Eis o
    ataque; são preciosos reforços.
    Enquanto se põe a questão de quem deverá vir, eu já estou longe, tendo-
    me esgueirado por um buraco do
    muro. (MICHEL, 1971a, p. 60).

  17. sáb, 13/08/2011 - 3:40
    LOCK

    hummmm talves os capitalistas bestiais seja os imigrantes paquistaneses , indianos e asiáticos que estavam protegendo seus estabelecimentos não é? ou melhor ainda os revoltosos sem perspectivas são os jovens professores que foram pegos? ou os jovens mesmos, criançaS de de 11 anos roubando playstation 3 pra jogar em casa.Os pais colocarem os filhos nas escolas e lutarem para se formarem isso eles não fazem, devem sonhar com seus filhos trabalhando na indústriaS de sapatos, carros, mineração, deve ser o sonho dos pais daqueles "contestadores" que foi arrancados pelas malévolas forças do capitalismo.(MANDA ELES PRA CHINA)

  18. sáb, 13/08/2011 - 2:52
    Armando S Marangoni

    Estava tudo indo mais ou menos bem, até chegar numa conclusão cartesiana ápoda e acéfala: (abre aspas) Mas uma coisa já se sabe: só chegaremos às respostas certas, se fizermos as perguntas certas. (fecha aspas).

    Fica difícil saber se o autor copiou essa frase de algum lugar porque a achou solene e a usou para finalizar 'academicamente' seu artigo-manifestação, ou se ele realmente pensa ser possível fazer perguntas certas sobre o futuro, uma realidade cujas verdades só se sustentam na imaginação.

    • sáb, 13/08/2011 - 11:32
      Camaleão

      O problema não é a pergunta cartesiana. Perguntas cartesianas são ótimas, porque OBRIGAM a perguntar o pelo fator que realmente pode alterar o rumo das respostas. Problema são, sempre, as RESPOSTAS cartesianas.
      O que realmente muda o rumo das respostas, nesse artigo, brilhantíssimo, é que o autor PERGUNTA — e responde, obrigando a olhar para o CAPITAL e o CAPITALISMO. Essa é a muito bem-vinda pergunta cartesiana que, sim, ajuda a empurrar na direção de todos buscarmos respostas não-cartesianas.

      Ninguém perde nada se jogar à lata do lixo da história as RESPOSTAS cartesianas (como a de Armando Marangoni, acima). Mas todos perdemos muito se jogarmos à lata do lixo da história também as RESPOSTAS não cartesianas como a de David Harvey. Fui claro, ou terei de desenhar.

      O problema é o capital e o capitalismo, estúpido!

  19. sáb, 13/08/2011 - 2:37
    ellen

    genial!!!
    O texto mais verdadeiro, direto, realista que li nos últimos tempos!!!!

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