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Diante da iminente troca de Temer por Maia, Samuel Pinheiro Guimarães lança o “Fora Meirelles”

10 de julho de 2017 às 11h28

Fora Meirelles! O inimigo do Povo!

Samuel Pinheiro Guimarães*, especial para o Viomundo

10 de julho de 2017

O Senhor Henrique Meirelles, Ministro da Fazenda, ex-presidente do Bank of Boston e durante vários anos presidente do Conselho da J e F (de Joesley), de onde saiu para ocupar o Ministério da Fazenda, procura, à frente de uma equipe de economistas de linha ultra neoliberal, implantar no Brasil, na Constituição e na legislação uma série de “reformas” para criar um ambiente favorável aos investidores, favorável ao que chamam de “Mercado”.

O Senhor Henrique Meirelles já declarou, de público, que se o Presidente Temer “sair” ele continua e todos os jornais repetem isto, com o apoio de economistas variados e empresários, como o Senhor Roberto Setúbal, presidente do Itaú.

Estas “reformas” são, na realidade, um verdadeiro retrocesso econômico e político e estão trazendo, e trarão, enorme sofrimento ao povo brasileiro e grande alegria ao “Mercado”.

Enquanto crucificam o povo brasileiro e em especial os mais pobres, os trabalhadores e os excluídos, o debate político fica centrado na corrupção, desviando a atenção da classe média e dos moralistas, em torno de uma verdadeira “novela” com heróis e bandidos.

Discute-se se Michel Temer levou ou não “contribuições pessoais” e se foram 500 mil ou 20 milhões, a prazo; se o Senador Aécio Neves pediu uma propina ou um empréstimo (informal!!) de 2 milhões de reais; se a JF corrompeu quem e quantos e os donos ficaram livres de pena; se o Senhor Joesley merecia o perdão; se Sérgio Moro, juiz de primeira instância, é ou não a principal autoridade judiciária do país, acima da Lei; se o Ministro Marco Aurélio é justo; se o Ministro Gilmar Mendes é imparcial etc etc etc.

O tema verdadeiramente importante é a tentativa das classes hegemônicas brasileiras, aqueles que declararam ao Imposto de Renda ganharem mais de 160 salários mínimos por mês (cerca de 160 mil reais) e que são cerca de 70 mil pessoas e que constituem, em seu conjunto, aquela entidade mística que os jornais e analistas chamam de “Mercado”.

O “Mercado” contra o Povo.

De um lado, o “Mercado”:

• os empresários, promotores do Pato e financiadores do MBL; exceto aqueles que já se deram conta que Meirelles é contra a indústria;
• os rentistas;
• os grandes proprietários rurais (entre eles o Senador e Ministro Blairo Maggi e o avião interceptado pela FAB);
• os grandes proprietários urbanos;
• os banqueiros (não os bancos) e seus lucros;
• os gestores de grandes empresas privadas, modestos ex-professores universitários;
• os proprietários dos meios de comunicação;
• os grandes executivos brasileiros de megaempresas multinacionais;
• os professores universitários, formados em universidades estrangeiras, em teorias próprias dos países desenvolvidos e que, mesmo lá, fracassam;
• os economistas e os jornalistas econômicos, empregados do Mercado.

De outro lado, o Povo:

• os 53 milhões de brasileiros que recebem o Bolsa Família, isto é, cuja renda mensal é inferior a 182 reais;
• as dezenas de milhões que são isentos do imposto de renda por terem renda inferior a 2.500 reais por mês.
• os 61 milhões que estão inadimplentes, com seus crediários;
• os 14 milhões de desempregados;
• os 3 milhões de crianças fora da escola;
• os mais de 11 milhões de habitantes de favelas (hoje chamadas comunidades!!);
• os subempregados;
• os 47 milhões que ganham menos de um salário mínimo por um mês;
• os milhões sem remédios e sem hospital.

O programa econômico de Henrique Meirelles é o verdadeiro inimigo do povo!

Não é a corrupção que distrai a atenção da verdadeira catástrofe que está sendo consolidada na legislação através de um Congresso que representa principalmente empresários, banqueiros, proprietários rurais, rentistas, etc.

O Mercado agora deseja colocar um presidente de imagem limpa já que, como disse o Senhor Roberto Setúbal, na Folha de São Paulo, o importante são as reformas! Não importa quem as conduza!

É preciso lutar com todas as forças contra este programa de “retrocessos” disfarçados, cinicamente, de reformas a “favor” do Povo!

*Embaixador. Secretário-Geral do Itamaraty, de 2003 a 2009. Ministro para Assuntos Estratégicos, de 2009 a 2010. Liderança da Minoria, Senado Federal, de 2016 a 2017.

Leia também:

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9 Comentários escrever comentário »

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Ronald

10/07/2017 - 21h05

Meu comentário não foi publicado?! está havendo censura no Viomundo?

Responder

    RONALD

    13/07/2017 - 16h38

    Peço desculpas aos moderadores do Viomundo. A demora na publicação foi somente temporária e o meu comentário já foi publicado. Saudações Cordiais !!!!

Ramon

10/07/2017 - 19h44

Só a luta, transformará o nosso país um local justo e adequado para todos, especialmente os mais pobres. O caminho é difícil, pois o povão está dominado pela mídia golpista, e suas alienações.

Responder

    Nelson

    10/07/2017 - 22h33

    Não somente o povão, amigo. A classe média, em sua maior parte, segue acreditando que estávamos prestes a ser devorados pelo demônio vestido de vermelho, que estávamos na iminência de cairmos nas mãos dos comunistas.

    Imagine. Bancos e outros setores acumulando lucros astronômicos, sempre maiores, sob os governos do PT, e os espertos acreditando que os comunistas estavam chegando. Isto dá uma ideia do tamanho da incapacidade de compreensão política da classe média.

    O que os governos do PT estavam tentando fazer era desenvolver o capitalismo brasileiro. Mas, como o capitalismo brasileiro representa uma ameaça a outros centros capitalistas, tinha que ser dizimado. Eis a razão do golpe.

    Continuasse nesse rumo, o Brasil tornar-se-ia, em mais duas ou três décadas, um competidor de peso no mercado mundial. Era preciso brecar esta tentativa brasileira. Não foi possível pelo voto, através da eleição de 2006, da de 2010 ou da 2014, sobrava a opção doutras vezes usada: o golpe de Estado.

RONALD

10/07/2017 - 19h20

Até que enfim, alguém falou do verdeiro mal neste país e no mundo – os banksteres – os políticos são meros fantoches do capital parasitário mundial. Eles(os políticos) comem as migalhas que caem da mesa dos verdadeiros senhores de engenho – os banksteres.
O sistema capitalista é montado para criar essa eterna aliança espúria entre os Estados e o capital.
O povo fica eternamente votando e um e outro, mas o controle fica sempre nas mãos dos banksteres.
Vejam o discurso do Requião sobre isto – os bancos são os inimigos que não conseguimos ver, pois agem nas trevas !!!!

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Paulo Roberto de Oliveira

10/07/2017 - 16h46

Nós, os inocentes, ficamos a imaginar que basta o Temer cair para que o Meirelles e suas reformas caiam junto, mas não vai ser simples assim.
Só as eleições gerais antecipadas pode mudar esse rumo. Enquanto isso os golpistas & cia. (& CIA também) ficam rindo da nossa cara.

Responder

    Lukas

    10/07/2017 - 17h26

    Que garantia vocês têm que numa eventual vitória de Lula em 2018 ele não trará Meireles ou um igual para a Fazenda?

Nelson

10/07/2017 - 16h14

Esta corretíssimo o nosso diplomata. Porém, creio que devemos ir mais além. Movimento sindical, movimentos sociais e populares em geral e estudantes têm de começar, prá já, uma campanha de mobilização de todo o povo brasileiro. O objetivo: anular todos os atos, medidas e leis aprovadas após o dia 17 de abril de 2016, dia do golpe de Estado perpetrado contra a democracia brasileira.

Esses atos, medidas e leis propostas por um governo golpista e corrupto, o de Michel Temer, foram aprovados por um Congresso Nacional de maioria corrupta e avalizados pro Judiciário idem. Além disso, a plataforma de campanha que ganhou a eleição de 2014 não contemplava este ataque brutal sobre os direitos do povo brasileiro, o que impõe falta de legitimidade a sua aprovação.

Portanto, creio que não resta outra alternativa ao povo brasileiro.

Responder

Lukas

10/07/2017 - 16h05

Meirelles é o culpado pelo bom governo Lula e ninguém nunca o agradeceu.

Minto: Lula o agradeceu ao querer que Dilma o indicasse para Ministro da Fazenda em substituição ao Levy.

Mas ela foi cabeça dura e deu no que deu.

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