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Deputado Caetano: PSDB do Montoro se transformou no partido da pinguela do Temer

15 de junho de 2017 às 09h25

PSDB: DA SOCIAL DEMOCRACIA AO NEOLIBERALISMO

por Caetano, especial para o Viomundo

No final do século XIX, os ideais do socialismo comandavam o debate do futuro da humanidade. Mas o capitalismo, com seus trejeitos e malabarismos, foi inventando formas e usando suas marionetes para perpetuar-se na exploração, cada vez mais assustadora, dos meios de produção.

Aprofundando desigualdades, num estágio crescente de desequilíbrio do Planeta e da vida humana em sociedade, o capitalismo inventou até com certa genialidade, no campo político, o que chamou de Social Democracia ou Estado de Bem Estar Social.

Um instrumento eficiente para perpetuar a mais valia, a exploração do trabalho, a concentração de rendas e a absorção de camadas da sociedade; encantadas com o dinheiro e os donos do capital. Muitos, nessa transição, oriundos diretamente dos que se aliavam aos operários e princípios socialistas.

O que se verificou nesse movimento de fundação da Social Democracia?

Aproveitando-se das teorias de John Maynard Keynes, buscou-se “humanizar” o capitalismo, acrescentando-lhe um pouquinho de igualdade e liberdade. Surge, então, o Estado de Bem Estar Social, sobretudo na velha Europa, tendo o Estado como centro da organização econômica, promovendo intervenções anticíclicas na economia, aumentando a demanda interna e buscando o aquecimento da economia.

Esse era o ideário da Social Democracia, que em 25 de junho de 1988, em pleno período das festas juninas, foi solenemente apresentado por Franco Montoro e Mário Covas, anunciando o futuro do Brasil, em meio aos grandes debates populares, na elaboração da nova Constituição Cidadã de 5 de outubro de 1988.

Era o Compromisso com a Democracia, o Estado de Bem Estar Social em Pindorama, a consolidação dos direitos individuais e coletivos, a defesa da soberania nacional, a ordem social justa, o pluralismo de ideias, culturas e etnias, o desenvolvimento econômico com a prevalência do trabalho sobre o capital.

Este é o arcabouço programático da nova social democracia, surgida no Brasil com o PSDB. Em tão pouco tempo, porém, o que assistimos?

O PSDB entrou em crise de identidade. Seus eleitores e membros vivem a maior crise existencial que se tem notícia na história política brasileira. Com mais intensidade do que a que verificamos na Inglaterra, com o Partido Trabalhista de Toni Blair; ou na Alemanha, com o Partido Social Democrata.

A paixão arrebatadora pelo capital transformou rapidamente o PSDB no Partido do Neoliberalismo Brasileiro. Talvez por ciúmes da velha ARENA, do Brasil Colônia, hoje chamado de DEM, que são os porta-vozes do capitalismo selvagem, da desigualdade social, da exploração do trabalho infantil e trabalho escravo, do fim da legislação trabalhista e fim dos direitos sociais.

O Partido do extermínio da aposentadoria para o cidadão menos contemplado com as riquezas produzidas no País, talvez por ciúmes ou inveja mal explicada, o PSDB de Franco Montoro transformou-se no partido de Temer, da Pinguela Para o Futuro, do golpe à democracia, das parcerias estranhas e espúrias com o submundo da política, do suicídio político perante a sociedade a fim de sustentar um governo podre, corrupto, investigado e desmoralizado no Brasil e no exterior.

Depois de 13 anos varrido das urnas presidenciais, espaço que ocupou por obra e graça de um grande brasileiro, Itamar Franco, responsável pela ascensão de FHC ao poder, e ingratamente escondido e esquecido no ninho tucano, a Social Democracia Brasileira se atrapalhou no seu itinerário, abraçou um programa temeroso, neoliberal e perverso, fruto de um golpe de estado, negando seu estatuto, sua história e razão de ser, para atacar direitos sociais e trabalhistas duramente conquistados no Brasil, com sangue suor e lágrimas do movimento operário brasileiro.

Assim, após quatro derrotas presidenciais, encontramos uma força política da ex-social democracia desfigurada, envolvida em graves escândalos, seu presidente afastado do mandato de senador e na iminência de uma prisão, e, o que é pior, submetendo seus membros e eleitores a defender um presidente acusado, investigado pela polícia federal, repudiado por 95% da sociedade brasileira.

Esse é o triste fim dos neoliberais assassinos de direitos sociais, que passarão à história como um aglomerado de senhores feudais que, um dia, se autointitularam social-democratas do Brasil.

Caetano é deputado federal (PT/BA) e vice-líder do Partido dos Trabalhadores na Câmara.

Leia também:

Damous, exclusivo: O Direito brasileiro está desmoralizado

 

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ROVILSON G CASTRO

18/06/2017 - 21h26

Melhor se esconder na manta da mãe ditadura, que se já era arcaica, hoje cheira putrefação a UDN são os ossos carcomidos pela história. O PSDB E SEUS ASSECLAS são rejeitados pelos corvos, urubus e hienas enojados do odor fétido e nauseabundo.

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Àlvares de Souza

17/06/2017 - 12h28

Não há de ser nada. O PSDB mudará de nome e continuará a ser o partido dos bundões de sempre. Só que passará a se chamar PPBrax, Partido da Pinguela Braxileira.

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F. Afonso

16/06/2017 - 16h44

Penso que o PSDB morreu junto com o Covas mas, foi ferido de morte na aprovação da reeleição. Ali – divergindo de uma linha de explicação – não foi um golpe no PT e sim na ala liderada pelo Covas que mantinha o PSDB no caminho social democrata. Antes, o mesmo Covas tinha abortado a adesão ao Collor(com FHC e Jereissati) com um incisivo discurso na tribuna do Senado. Quando,embalado na popularidade do Real,a ala liberal conseguiu se sobrepor,foi por terra o ideário original. Uma pena! Faz falta ao Brasil ter um partido que representasse(e liderasse,e servisse de guia ) aquela parcela do empresariado mais progressista(vide criação do PNBE,dissidência da FIESP) e da classe média idem,que não se sentiam de esquerda mas,tampouco queriam se fazer representar pelo conservadorismo retrógrado e fisiológico que caracterizou sempre a ala direita da política brasileira. O que se desenhava naquele período era uma possível e benfazeja aproximação entre os setores de esquerda(majoritariamente no PT),operários organizados,intelectuais de esquerda,oriundos da luta(armada ou não) contra a ditadura,comunidades ligadas à Igreja com essa parcela da população que o PSDB representava.
Imagina uma coalizão(ou qualquer outro desenho institucional) que criasse uma hegemonia política de esquerda-centro-centro esquerda,a comandar a governança do País? Um Congresso que expressasse essa hegemonia…ao invés de o que temos,coalhado de representantes da direita-arcaica-fisiológica!!!

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Lukas

16/06/2017 - 09h50

Na semana que vem teremos um texto sobre no que se transformou o Partido dos Trabalhadores.

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Mont del Excrement

16/06/2017 - 02h35

essa turma do FHC pregava que o partido era para não roubar e nem deixar ninguém roubar e o petismo sempre disse que isso seria impossível, pois o ser o humana sempre cai em tentação. E agora que tudo que petismo dizia vira verdade pura, petista fica admirado

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