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Decadente em votos, Botafogo manobra para assumir o poder; veja quem pagou a conta das campanhas recentes dele

10 de julho de 2017 às 11h10

Da Redação

Rodrigo Maia, do DEM, recebeu 95.328 votos para prefeito do Rio em 2012. Dilma Rousseff, em 2016, atingiu 54.501.118.

E, no entanto, como presidente da Câmara, Maia pode assumir o Planalto nas próximas semanas.

É a traição da traição, se confiarmos nas informações de bastidores publicadas nos jornais e na internet.

Elas dão conta de que Maia já garantiu a Moreira Franco a permanência no ministério como forma de garantir a ele o foro privilegiado.

A esposa de Maia, Patrícia, é enteada de Moreira, o “gato angorá” da lista da Odebrecht, um dos políticos mais próximos a Michel Temer.

Outro auxiliar importante de Temer, Eliseu Padilha, também seria mantido no alto escalão.

O senador Renan Calheiros, que rompeu oficialmente com o governo liderado pelo PMDB, já deu a senha, em entrevista à Folha: “Não devemos descartar o Rodrigo Maia como alternativa constitucional e como primeiro e decisivo passo para essa inevitável travessia que nós deveremos ter de fazer”.

Maia teve o apoio do PCdoB quando se reelegeu presidente da Câmara. Especula-se que, depois do mandato-tampão, poderia concorrer ao Planalto por via indireta tendo como vice o comunista Aldo Rebelo, recém convertido ao PSB, o que é revelador da consistência ideológica na política brasileira.

O “mercado” já se manifestou, através das manchetes dos jornais: é Maia presidente, desde que a equipe econômica e as reformas sejam mantidas.

O governo Temer tem 7% de ótimo ou bom, segundo a mais recente pesquisa Datafolha.

Portanto, o que o Brasil está prestes a fazer é trocar um presidente desmoralizado por um presidente sem votos.

Por trás, o “mercado”.

Por que não existe diferença entre eles?

Porque os financiadores que irrigam as campanhas dos três principais partidos brasileiros são os mesmos.

Em 2010, candidato a deputado federal, Rodrigo Maia gastou R$ 1,9 milhão oficialmente para obter 86.162 votos. Em 2012, arrecadou por dentro R$ 6,45 mi para sua campanha fracassada à Prefeitura do Rio, em que terminou com apenas 2,94% dos votos. Em 2014, obteve o quinto mandato consecutivo de deputado com 53.167 votos, ou seja, quase 33 mil a menos que em 2010, apesar de gastar mais, R$ 2,3 milhões.

Quem pagou a conta oficialmente?

O Banco Itaú aparece nas três campanhas, com R$ 300 mil; construtoras e empresas do ramo imobiliário comparecem fortemente, com destaque para a Carvalho Hosken, ‘dona’ da barra da Tijuca, com R$ 275 mil.

A maior parte do financiamento veio dos diretórios estadual e nacional do DEM, ou seja, aquele dinheiro ‘misturado’ que ninguém consegue saber de onde vem exatamente.

A consulta às doações de 2014 demonstra a simbiose entre o pai — ex-prefeito do Rio, Cesar Maia — e filho.

O ex-executivo da Odebrecht, João Borba Filho, acusou Rodrigo Maia de já em 2008 receber pessoalmente, em dinheiro, R$ 350 mil para o DEM, que haviam sido pedidos pelo pai, então prefeito do Rio.

Porém, o inquérito a que Maia responde no STF atualmente diz respeito à OAS, que doou “por dentro” a ele R$ 50 mil em 2010.

Segundo a acusação da PGR, descrita no G1, Maia usou o cargo de deputado federal para beneficiar a empresa:

Em 2013, quando Rodrigo Maia era presidente da Comissão de Viação e Transportes da Câmara, ele apresentou requerimentos ao TCU questionando as regras para concessões de aeroportos, que prejudicavam a OAS.

Já em 2014, Rodrigo Maia apresentou uma emenda à Medida Provisória que regulamentava a aviação regional. O texto de Maia tinha o objetivo de reestabelecer regras iguais para o pagamento de tributos para aeroportos privados e públicos, o que beneficiaria a OAS, concessionária no Aeroporto de Guarulhos, mas a emenda não foi aprovada.

A contrapartida, segundo a PF, veio na forma de doações para a campanha ao Senado de César Maia, pai do deputado, em 2014.

O dinheiro foi pedido pelo deputado, inclusive por meio de mensagens. Em uma delas, enviada no dia 17 de setembro de 2014, o deputado pergunta a Léo Pinheiro: “A doação de 250 vai entrar?” No dia seguinte, a OAS faz duas doações, que somam R$ 250 mil, para a campanha de César Maia. Junto com outras duas doações anteriores, o valor total repassado para a campanha de César Maia foi de R$ 1 milhão.

Cabe destacar, além disso, que na campanha de 2014 o atual presidente da Câmara recebeu R$ 200 mil da Praiamar Indústria Comércio e Distribuição Ltda, uma empresa ligado ao grupo Itaipava. Suspeita-se que essa empresa fazia fachada para a Odebrecht, que teria uma “conta de chegada” com a fábrica de cervejas fora do Brasil.

Próximo a Sergio Sveiter (PMDB-RJ), relator do processo de Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, Maia pode contar com o relatório favorável à aceitação da denúncia, que será apresentado logo mais.

O ‘confronto’ entre os dois pode se dar no plenário da CCJ, onde Temer garante ter ao menos 39 dos 66 votos para barrar a denúncia.

Porém, como se viu acima, tal enfrentamento é mera distração, preâmbulo da troca de seis por meia dúzia.

PS do Viomundo: Com 234.657 votos em três eleições (2010, 2012 e 2014), menos que os 301.446 do vereador Eduardo Suplicy em São Paulo (2014), Rodrigo Maia é o sonho de consumo da Globo: um presidente sem votos.

Campanha de 2010, 86.162 votos:

Campanha de 2012, 95.328 votos:

Campanha de 2014, 53.167 votos (reprodução parcial):

 

2 Comentários escrever comentário »

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Lukas

11/07/2017 - 11h42

“De Enver Hoxna a Rodrigo Maia: a trajetória de um democrata”. Taí um bom título para uma futura biografia deste “comuna”…

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Luís CPPrudente

10/07/2017 - 16h25

Decepção, Aldo Rebelo sai do PCdoB e vai para o PSB. Este PSB que aderiu ao governo golpista de Temer, mas que está abandonando o governo golpista de Temer. Muitos dos deputados federais do PSB são empresários ou pilantras como Heráclito Fortes.

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