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Antônio David: Quanto mais perseguir os Black Blocs, mais eles crescerão

02 de novembro de 2013 às 20h13

por Antônio David, especial para o Viomundo 

Este artigo só poderá ser compreendido por quem entende a diferença entre justificar e explicar. O objetivo desses parágrafos não é justificar a ação dos Black Blocs, mas tentar explicar por que os Black Blocs existem e por que agem como agem. Não tem por objetivo defender que os Black Blocs estejam certos ou errados, muito menos que sejam bons ou maus. Se os Black Blocs têm razão ou não têm razão, deve-se, antes, procurar suas razões, sejam elas justas ou não.

Aqui, parte-se de um pressuposto: se os Black Blocs ganham cada vez mais corpo e projeção (é uma hipótese), deve haver razões para tanto, razões que estão inscritas na sociedade e que, portanto, vão além desse ou daquele indivíduo. Não se trata aqui de dizer que os Black Blocs não devam ser criticados. Trata-se de dizer que, para criticar, é preciso antes entender.

Partindo de impressões empíricas e elocubrações especulativas, meu objetivo não é estabelecer a verdade, mas estabelecer hipóteses, a fim de ensejar a discussão.

1. Black Blocs são majoritariamente moradores de periferia de grandes centros urbanos. São jovens, não raro muito jovens. Muitos são negros. Em sua maioria, trabalham ou dividem seu tempo entre trabalho e estudo. Não são marginais, mas trabalhadores.

2. Os Black Blocs sentem um profundo ódio. Sua conduta é sintoma da experiência de vida, marcada pela violência e opressão rotineiras na escola, no trabalho, no contato cotidiano desde a infância com todo tipo de impulso ao consumo (isso também é violência!), no relacionamento com a PM, que sistematicamente comete todo tipo de abusos sob o amparo do Estado e a certeza da impunidade. Não há como entendê-los ignorando sua experiência de vida.

3. Black Bloc não é uma organização. Tampouco reduz-se a mera tática. É, antes de tudo, expressão da agudização do nível de revolta de uma fração da classe trabalhadora no Brasil. Fruto em última instância das transformações recentes do capitalismo e do Estado no Brasil, trata-se de um produto histórico.

Não faz sentido enquadrar os jovens nele engajados em categorias como “aspirantes”, “militantes”, “quadros intermediários”, “dirigentes”. Eles não foram “recrutados”. Se o movimento não é espontâneo na medida em que tem uma história, é espontânea a atitude de quem nele se engaja: vestir-se de preto, tomar as ruas e agir. Qualquer um pode ser Black Bloc na manifestação de amanhã.

4. Por isso, os Black Blocs não devem ser encarados pelas organizações de esquerda como se fossem outra organização concorrente, mas sim como uma fração da própria classe trabalhadora que, espontânea e livremente, colocou-se em ação.

5. Se os Black Blocs são o que supostamente não deveriam ser, ou se lhes falta o que supostamente deveriam ter, a existência de um número não inexpressivo e, ao que tudo indica, crescente de jovens da classe trabalhadora que se sentem atraídos pela estética Black Bloc está ligada ao fato de que estes jovens olham para a esquerda e nada vêem ou, se vêem, sentem desprezo. Se eles estão certos ou errados, é outra coisa. O que importa é que eles têm suas razões. Cabe a esquerda procurar compreendê-las.

6. Senão todas, muitas das críticas que as organizações de esquerda fazem aos Black Blocs, se levadas à radicalidade, deverão conduzir a uma autocrítica. Do ponto de vista da esquerda, a existência dos Black Blocs é sintoma das limitações de suas organizações tradicionais, que em tese deveriam organizá-los – pois, tendo estratégia e programa, tais organizações supostamente sabem responder à pergunta “como organizar a revolta?” -, mas ou não conseguem (algumas têm razões para tanto), ou não têm interesse. A esquerda não os organizou; eles se auto-organizaram (numa não-organização).

7. Por isso, soam patéticas e ridículas todas as críticas aos Black Blocs que postulam o que eles “deveriam” ou “não deveriam” fazer, o que “deveriam” ou “não deveriam” pensar, o que “deveriam” ou “não deveriam” ser.

8. Com ou sem Black Blocs, manifestações de rua no Brasil são potencialmente violentas porque a PM pratica sistemática e deliberadamente todo tipo de abuso em manifestações, inclusive infiltrando agentes (P2) para provocar tumulto – embora as semanas que sucederam os acontecimentos de junho tenham criado a aparência (mera aparência!) de uma mudança de atitude por parte da PM. A novidade é que, agora, há reação(*).

9. A força da burguesia está no dinheiro, na mídia e na polícia. A força dos trabalhadores está no número. Se a força dos Black Blocs ainda é muito pequena, na medida em que ainda não passam de algumas dezenas, esse dado pouco importa diante de seu potencial de crescimento. A questão é: os Black Blocs tendem a crescer rápida e continuamente? Não se deve duvidar disso.

10. Repleta de limitações, contradições e desvios, a Democracia é uma conquista da classe trabalhadora. Mas a presença dos Black Blocs, atraindo cada vez mais adeptos e simpatizantes, é sintoma das limitações da democratização da sociedade e do Estado no Brasil, no que se inclui a impermeabilidade de um sistema repressivo herdado da ditadura.

A sociedade brasileira é recortada de cima a baixo pela violência, uma violência costumeira e brutal, com a qual nossa Democracia convive bem. Na ausência de outros meios para fazer frente à violência no sentido de suprimi-la, criam-se espontaneamente meios (violentos) e com eles se reage (com violência) à violência sofrida. A estética Black Bloc é, pois, um destes meios.

11. Só a violência pode fazer frente à violência? Não.

Também a política pode fazer frente à violência. Mas se é verdade que a política não está impossibilitada, o fato é que os jovens engajados na estética Black Bloc, percebem a política como estando bloqueada.

O ponto é que são muitos os que compartilham dessa percepção – e estes são Black Blocs em potencial. Certos ou errados, inteligentes ou ignorantes, bons ou maus, o ponto é que eles todos têm suas razões. Aqui, novamente, a crítica das organizações de esquerda aos Black Blocs por conta de sua recusa à política, se levada à radicalidade, deverá conduzi-las à autocrítica.

12. Há uma enorme verdade no clamor do ex-presidente Lula: “façam política”. Ao mesmo tempo, a recomendação não deixa de soar como uma autocrítica, afinal, seus oito anos de governo não foram exatamente mobilizadores. Mas logo se vê que a intenção parece ser diametralmente oposta à autocrítica, pois “fazer política” não é outra coisa senão baixar as armas, filiar-se a um partido e engajar-se na luta eleitoral. Bem vistas as coisas, o imperativo “façam política” participa do esforço latente generalizado de ignorar as razões que levam tantas pessoas à recusa da política.

13. A crítica de que os prejuízos causados pela ação dos Black Blocs são insignificantes só pode vir de quem não entendeu nada. Os Black Blocs não destroem o patrimônio privado com o intuito de causar prejuízo. A natureza de suas ações é estética. A luta é sobretudo simbólica e ideológica. O objetivo é pedagógico: alimentar na sociedade o ódio de classe e a reação aos abusos promovidos pelo Estado.

É como se, ao quebrar o vidro de um banco, um recado fosse dado: “Reajam!”. Mas, como já se comprovou em outros momentos históricos, a realização desse objetivo encontra limitações em determinações culturais ligadas à formação do Brasil. Também a classe dominada guarda traços conservadores profundamente enraizados.

14. As situações de conflito derivadas da presença dos Black Blocs na conjuntura tende a legitimar, aos olhos da população, inclusive entre os trabalhadores, a repressão policial e a ideologia da ordem. Sobretudo a considerar o aparato de propaganda controlado pela mídia televisiva, da qual, paradoxalmente, de alguma maneira os Black Blocs dependem. É provável que o esforço de alimentar o ódio de classe funcione para uma parte da sociedade; o efeito colateral é que o fascismo também sairá fortalecido.

15. A considerar a correlação de forças atual, o enfrentamento provavelmente terá um resultado desfavorável para a classe trabalhadora, ao menos no curto e médio prazos.

As ruas, espaço vazio deixado pela esquerda e ocupado pelos Black Blocs, já está sendo ocupado também pela direita. A sociedade brasileira carrega traços protofascistas, e a classe média não terá pudor em assumir abertamente sua veia fascista, acompanhada de amplo setor popular. A tendência é a rotinização administrada da revolta. Se no curto prazo a repressão desregulada vencer, corre-se o risco de no longo prazo sobrarem apenas cacos para serem reunidos.

16. Mas se a luta eleitoral e parlamentar não são suficientes e o enfrentamento da abissal desigualdade no Brasil exige polarização nas ruas, e se a polarização nas ruas parece ser inevitável, o fato é que os Black Blocs disputam e cada vez mais disputarão o espaço (vazio) de vanguarda da polarização nas ruas. Sobretudo quando se considera que os Black Blocs atraem o elo mais fraco da cadeia do trabalho e são um dos únicos sujeitos políticos que têm coragem de enfrentar a polícia.

17. Quanto mais o sistema os perseguir, intimidar, criminalizar, mais os Black Blocs crescerão, pois a causa de sua força é o ódio e o desejo de justiça, e essa fonte tornou-se nos dias atuais fecunda e inesgotável, pelo encontro entre a administração fascista das periferias, as expectativas criadas pela ascensão social promovida na última década e a intensificação da exploração do trabalho.

18. Experiência é aprendizado. Os acontecimentos recentes têm sido um aprendizado para os Black Blocs. Talvez a contragosto, mas sob a necessidade de se defenderem, não surpreenderá se os Black Blocs se organizarem. Com isso, poderão assumir conscientemente uma estratégia. Suas energias poderão ou não convergir com as das organizações de esquerda.

19. Provavelmente os Black Blocs crescerão. Mas, crescendo ou não, e mesmo que os Black Blocs não cresçam, mesmo que sumam, de uma maneira ou de outra os jovens hoje engajados na estética Black Bloc inevitavelmente formarão quadros importantes para a luta social no Brasil. Não importa que escolha façam, se acertarão ou errarão, o fato é que terão relevância na conjuntura política.

Em tempo: recentemente, a presidente Dilma afirmou ser uma “barbárie” a violência dos Black Blocs. Nas décadas de 60 e 70, não se falava em “barbárie”, mas em “terrorismo”. Seguramente, haverá os que dirão: “mas os que pegaram em armas lutaram por Democracia”. E pelo que lutam os Black Blocs, senão pelo que entendem ser uma real Democracia, contra o que percebem ser uma falsa Democracia?

(*) Relato de uma pessoa que estava no momento do conflito em São Paulo, no ato do Passe Livre do último dia 24 de outubro:

“Eu estava pouco antes desse momento, realmente deplorável, tentando falar com o Coronel, arrogante. Ele e outro soldado estavam pegando e anotando o RG de todos os manifestantes que passavam e de quem chegava perto só pra perguntar o que estava acontecendo ou para quem perguntava por que tinham detido uma menina que não estava fazendo nada: qualquer manifestante era “fichado” por eles. Apresentei-me como advogada e perguntei o motivo e finalidade desse fichamento. O coronel foi debochado e recusou-se a responder. Insisti e logo em seguida ele largou os RGs e partiu para cima de um garoto vestido de black bloc que passava segurando um mastro, tipo pau de bandeira. Avançou pra cima do garoto e começou a bater, mas acho que não contava que todos que estavam em volta se revoltassem e partissem pra cima dele pra ele largar o garoto. Depois disso não vi mais porque estourou a confusão e saí de perto /…/” (publicado pelo Black Bloc SP).

 Antônio David é estudante de pós-graduação em Filosofia na Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH/USP).

Leia também:

Marcio Saraiva: Sem querer, Black Bloc ajuda direita antidemocrática

 

66 Comentários escrever comentário »

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Coronel Adilson Paes: Violência policial tem de parar; desmilitarização da PM já passou da hora - Viomundo - O que você não vê na mídia

10/11/2013 - 18h31

[…] Antônio David: Quanto mais perseguir os Black Blocs, mais eles crescerão […]

Responder

Eurico

07/11/2013 - 05h24

Este David é um jênio, ou será um (in)gênio: Descobriu que se atacar os blacks eles aumentam mais ainda. Eu sempre tive cá com meus botões que a repressão não adianta nada. Para que colocar na cadeia um corrupto? Precisa é ensinar a ele que não é bom ser corrupto. Como colocar na cadeia um cara que matou a mulher no momento de ódio? Precisamos ensinar ele a ter mais paciência. E o policial que matou sem motivo? Ele não tem culpa nenhuma. A sociedade é culpada de não o ter capacitado para ser um bom policial. Estuprador? Como condená-los com tantas mocinhas andando com quase tudo à vista. Aliás, Lampião, tanto admirado pela literatura de cordel, também se dizia um injustiçado. Como condená-lo a ele e seu bando de injustiçados? No final, eu sinto um grande peso na alma por ser tão culpado e não ter conseguido construir uma sociedade melhor. Somos todos culpados pela culpa destes blacks, nossos modernos “rouge et noir” (Ah!! Stendahl, se você fosse vivo!!). Para dizer a verdade, precisamos nos colocar todos na prisão para espiar nossos crimes. Eu proponho que sejamos presos pela ordem decrescente de RGs. Quando chegar a minha vez, é só mandar um email eu me aprestarei já algemado e com uma mordaça, para facilitar a vida de meu algoz.

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    rodolfo borges

    21/11/2013 - 22h44

    é sério q vc ta comparando quem quebra vidraça de banco pra se expressar com estrupadores, assassinos, corruptos, etc?

MarcosLima

06/11/2013 - 00h41

Não faz sentido enquadrar os jovens nele engajados em categorias como “aspirantes”, “militantes”, “quadros intermediários”, “dirigentes”. Eles não foram “recrutados”. Se o movimento não é espontâneo na medida em que tem uma história, é espontânea a atitude de quem nele se engaja: vestir-se de preto, tomar as ruas e agir. Qualquer um pode ser Black Bloc na manifestação de amanhã.
Faz sentido deixar um pequeno comerciante chorando por terem acabo com seu comercio?

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Wagner Iglecias: O fim da autoridade? - Viomundo - O que você não vê na mídia

04/11/2013 - 20h21

[…] Antônio David: Quanto mais perseguir os Black Blocs, mais eles crescerão […]

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Paulo Expedito

04/11/2013 - 19h54

Vejamos, quantas vezes na história presenciou-se movimentos semelhantes e quais foram os resultados.
Será que é admissível um pessoa movida pelo ódio quebrar os móveis de casa (patrimônio público), bater em quem for contra para satistazer sua revolta incontida.
Suponhamos que chegássemos a uma revolta generalizada, isto aumentaria a participação dos menos favorecidos em que?
Protesto sem objetivo definido, não me representa, quero saber exatamente para onde estou indo.

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    João Batista dos Santos Fagundes

    05/11/2013 - 00h45

    Esse comentário seria risível, se seu autor não se dispusesse a, aparentemente, dar a impressão de estar falando sério. Quem disse que esses protestos ou quaisquer outros são para te representar sujeito? Tirou isso de onde? Você quer um protesto que te represente – é ilusão minha ou sua noção de grandeza subiu patamares Olímpicos…Penso que você quis dizer que quer protestos com ideias que te representem, não é isso…mas isso já temos, com Marco Feliciano, Silas Malafaia, PSDB, PT. Vai para o teu trabalho enfadonho…não te preocupes, a classe média e seu medro melindroso e covarde existirão..sua vida não vai mudar…não tenha medo…você vive no Brasil….a civilização ainda é um barco que ainda não se divisa no horizonte.

Andre

04/11/2013 - 19h31

Me desculpe, mas o texto é incoerente, não apresenta evidencias empiricas e falseia dados. Incoerencia: black blocs são jovens da periferia, trabalhadores (hipótese 1);Qualquer um pode ser black block amanhã ou depois (hipotese 3, incoerente com a hipotese 1 que não apresenta evidencias); A esquerda deixou as ruas vazias: falso do ponto de vista empirico: ano passado as ruas estavam cheias com gente de oposição de esquerda ao governo na greve dos funcionários publicos. Na verdade a esquerda nunca saiu das ruas. Quem está tirando a esquerda das ruas é o ‘confronto’ black block X policia.
Duas evidencias que as hipóteses não explicam:
1) na última quinta feira,no Rio houve uma manifestação contra as prisões feitas na manifestação anterior (haviam apenas 300 pessoas, muito menos que em outras manifestações, o que derruba a hipótese do ‘apoio crescente’ aos black block); haviam policiais e black block na manifestação, mas não houve confronto nem ‘vandalismo’. Dessa vez a esquerda deixou a rua vazia, mas a policia não: pergunta: o ódio acabou de repente??? Ou, o ódio é dirigido a outras instituições???
2) porque em um site que diz ser da Federação Anarquista de São Paulo há propaganda do nacional-anarquismo?

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astrogildo cruz

04/11/2013 - 19h16

O que houve é que a mídia burguesa no início achou “bonitinhos” os black blocs, achando que eles iriam derrubar o governo Dilma. Existe uma simbiose perfeita entre as ações dos black blocs e os interesses de partidos como o Democratas, PSDB e PPS, que investem na política do quanto pior melhor. Quem precisa cobrir a cara para agir são os direitistas e conservadores.
Astrogildo Cruz

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Ricardo

04/11/2013 - 18h39

Pronto. Agora os BB tem assessor de imprensa: Antônio David. Tenta aparentar isenção, mas o texto é absolutamente pró black bloc. Tenta justificar o injustificável: violência contra patrimônio público e a democracia. Tenta vitimizar os pobres trabalhadores injustiçados e “abusados” pela PM. O Antônio deve ter virado ídolo dos colegas BBs da Filosofia da USP, muitos deles também BBs.

O que os BB cometem nas ruas só tem um nome: crime. Não é protesto. Não é manifestação. Não é exigência. Repito: é CRIME. Eles lançam morteiros, pedras e molotovs contra PMs perfilados. Xingam os caras. Ninguém me contou isso. Eu vejo ao vivo na TV. E quando a polícia reage, vira o Estado opressor. Balela. BBs não querem nada, só destruição. Diversão de garotos revoltados com tudo e nada. Covardes escondidos atrás de máscaras. Quem usa máscara é bandido. E lugar de bandido é na cadeia. É onde todos os BBs merecem estar.

Responder

Julio Silveira

04/11/2013 - 17h55

Muito tem se falado na origem dos Black Blocs, com sendo filhos de uma classe média com tendências fascistas, antes de se considerar legalmente contestatórias.
Gostaria de lembrar a muitos, que muitos dos que atualmente estão no poder também já foram estigmatizados, só que com a pecha de comunistas. E isso bastava para criminaliza-los, e dava motivo para os conservadorismo nacional se manter operante, ainda como hoje graças a um bem articulado movimento midiático altamente militante, que sempre que surgem contestações populares aos exclusivismos culturais tentam matar o intento desses movimentos desestabilizando-os para manter as prerrogativas conservadoras. Sem que se procure ir de fato aonde deveriam, que é na verificação das motivações que estão por trás desses movimentos. Querer uma sociedade pacifica e cordata é o ideal, mas somente se pode pensar nisso quando não houverem pessoas sendo discriminadas em seu acesso a cidadania plena. Enquanto uma parte da cidadania brasileira estiver recebendo tratamento diferenciado por prerrogativas abstratas, em detrimento de outros que, em tese, inclusive legal, deveriam ter os mesmos direitos. Enquanto isso existir no Brasil se justificarão os Black Blocs ou outra coisa com o mesmo fim com outra nomenclatura que se tenha para dar. Por isso acredito que antes de se criminalizar movimentos, os detentores de cargos de poder deveriam levantar de suas cadeiras de assentos já aquecidos e ir buscar a respostas para isso nas ruas, verificarão que não existem tantos cidadãos felizes como pensam em suas cortes e mundos encantados.

Responder

    Ricardo

    04/11/2013 - 18h43

    Cara, nem na Suíça existe essa sociedade perfeita que você idealiza. Acorda, rapaz! Ou então se muda pra Xan-gri-lá.

    Julio Silveira

    04/11/2013 - 22h03

    Moleque, Xangri-lá fica lá longe no Tibete, mas aqui no Brasil um pouquinho de coerência faria muito bem. Levo a sério quando critico a hipocrisia, para mim ela não cola. Esses democratas de araque que você gosta não gostam da Ditadura dos outros. E infelizmente sou obrigado a compartilhar o Brasil que procuro fazer com esse seu que você prefere manter.

    Igor Tkaczenko

    05/11/2013 - 14h39

    Manter. A palavra de ordem para esse conervadorismo que está instalado no governo federal. Uma vergonha para qualquer petista, qualquer progressista, qualquer humanista.

às ruas!!!

04/11/2013 - 15h17

Na boa, muitas pessoas que comentaram aqui não estiveram na rua em nenhum momento. Percebe-se claramente os comentaristas de sofá, conservadores de direita e de esquerda. Não querem mudança. O sofá está confortável e quentinho.

Pra começo de conversa, ninguém acordou em junho. As periferias do Brasil nunca dormiram. Não deixaram.

Movimento social existe no Brasil há décadas, séculos. Quem diz que o povo acordou em junho, não é do povo, é pequeno-burguês que vai no embalo do momento. Tanto é que já voltou para o sofá.

Sobre os BBs, quem é contra a organização do povo para a autodefesa ou foi ludibriado pelos meios de comunicação e partidos dominantes, ou é reaça mesmo. À merda com vocês.

Nego fica com dó de banco porque teve uma vidraça quebrada, mas esquece (propositalmente?) que, em 2013, esses agiotas estelionatários tiveram os maiores lucros da história às custas de muito juros e taxas abusivas.

Nego reclama que as manifestações atrapalham o transito, mas esquece (propositalmente?) que já havia trânsito antes das manifestações de junho. Além de esquecer (propositalmente?) o quão pífia é a extensão da malha metroviária de São Paulo, por exemplo.

Nego diz que as ações black bloc servem de desculpa para a brutalidade policial, mas esquece (propositalmente?) que a brutalidade dos cães de guarda da elite existe desde que os europeus estupradores de índios vieram catequizar os povos originários.

Nego diz que os BBs não tem ideologia ou não tem programa político, mas esquece (propositalmente?) que com a ascensão do PT ao poder, qualquer referência para a juventude de partido político de esquerda foi jogada na lama. Esse governo privilegia bancários e ruralistas, não à toa avançou menos na reforma agrária que o FHC.

Nego reclama de violência, acreditando que pedindo ‘por favor’ alguma coisa muda neste país.

Nego pede que os BBs sejam mais ‘democráticos’, mas esquece (propositalmente?) que o povo brasileiro ainda não declarou sua independência. Quem declarou a independência foi o filho do imperador. Somos um povo que ainda não conquistou a liberdade.

Nego chama “votar em algum usurpador” de democracia e acha que todo mundo tem que fazer isso. Acha que nós decidimos o futuro do país através deste maldito voto.

Por que eleger alguém para tomar decisões por mim, se eu mesmo posso tomá-las?

Morte ao capital!

Que Oxaca sirva de exemplo.
Viva as assembleias populares!
Viva a luta!
Viva a liberdade!
Viva a vida!

Responder

    Ricardo

    04/11/2013 - 18h47

    Morri de rir com esse comentário. Muito fora da realidade. Rapaz, quando vocÊ tiver família pra sustentar, talvez não perca tempo se preocupando com os efeitos da colonização portuguesa e vá trabalhar para sustentar seus filhos.

    PQP, incrível a quantidade de mala que apareceu depois de junho.

    Leo V

    04/11/2013 - 19h26

    Bem dito!

    Brasileiro, o Outro

    04/11/2013 - 21h26

    “Por que eleger alguém para tomar decisões por mim, se eu mesmo posso tomá-las?”

    Criança, independente das baboseiras que você escreveu antes, essa aí ofusca todas as outras.
    Leve isso às últimas consequências (se conseguir) e veja o tamanho da asneira.

    Willson

    05/11/2013 - 10h43

    A questão do vandalismo é muito séria. E nao é só contra vitrina de banco. Há também os semáforos, placas de trânsito, banheiros químicos, as lixeiras, os orelhoes telefônicos as bancas de jornaleiros humildes, carros da imprensa e de particulares que viram barricadas. Se atearem fogo no meu carro nao vou me alegrar em nome da causa. Há fogo, destruição e sujeira. Mesmo que fosse só contra os bancos, não se enganem, somos todos nós que vamos pagar o prejuízo. A polícia, é óbvio, já de início jogou combustível na confusão, por sua violência gratuita, incompetência e arrogância. Em suma, todo mundo errou. Os ganhos são poucos. O brasileiro real sumiu das ruas. E só reaparecerá para tentar ajudar os blacblocs a estragar a próxima copa do mundo.

Lincoln Secco: Diante dos Black Blocs, o PT escolhe Alckmin - Viomundo - O que você não vê na mídia

04/11/2013 - 00h40

[…] Antônio David: Quanto mais perseguir os Black Blocs, mais eles crescerão […]

Responder

Gilmar Bueno da Silva

03/11/2013 - 22h55

Pô gente:Um ano o reajuste dos ônibus foi de 17%.No outro de 15%.Em outro foi de 13%.Se eu tiver enganado tive um outro de 11%.Aí vem Haddad com 6 meses/gestão e reajusta para 6,6%.E aí quebram tudo.Não fizeram pressão para as centenas de Bilhões que irão para à Educação devido o tal campo de Libra.O governo tomou um cacete do tal Conselho Federal dos Médicos + PIG e ninguém saiu pra Rua.O MP de SP + Governo/Estadual estão atolados em corrupção e esses mascarados vão pra rua pra reclamar aumento/IPTU pros Ricos….KKKK!!!A Edir está certa.Nos anos 70 se o Coronel Erasmo Dias te pegasse com coquetel Molotov…Ahhh!Antes de teu corpo desaparecer,uma breve estadia na cadeira do dragão lá nas dependencias do tal DOI-CODI.São todos,coxinhas.Encerrando:Agora no tal Rock Rio não teve Black Blocs,porquê??…..KKKKK!!!!!

Responder

Carlo Giuliani

03/11/2013 - 22h32

Só pra dar um toque histórico, parece que quase ninguém aqui lembra das passeatas contra a ALCA…

Responder

assalariado.

03/11/2013 - 22h05

Se um articulista escreve sobre qualquer luta social sem levar em consideração que vivemos numa sociedade de luta de classes, o perigo de errar na avaliação é grande. Porém, nada melhor do que analisarmos/ estudarmos melhor as praticas e táticas de lutas atuais da sociedade brasileira e mundial, tentando desvendar o que pensam esses grupos. Nada contra quem escreve e/ ou teoriza sobre, e tenta desvenda -los, através de suas praticas históricas, seus resultados fins, que muitas das vezes acabou por favorecer a ideologia de direita.

Dado que a burguesia capitalista e seus capachos ideológicos são os agentes invisíveis, os senhores donos do ‘Estado de Direito’ que, por sua vez, nunca passou de um cavalo de troia institucionalizado a serviço do capital, principalmente, quando essa exploração do (CAPITAL X TRABALHO), periga com suas crises econômicas e politicas de dominação, sobre o todo social. E tome golpe de Estado, via seus braços armados jurídicos e/ ou militares para manter a ordem, a ordem politica ideológica do capital.

Acho eu que, o Black Bloc deveria enquanto pretensa força politica, se mostrar para as bases da sociedade através de escritos/ teorias no que realmente lhes interessa como proposta de sociedade. Não adianta falar contra a corrupção, serviços públicos defasados e tals. A pergunta que fica é: Qual é a proposta de sociedade do Black Bloc para saúde, educação, transporte, …? mesmo que esta proposta seja fora dos valores e do eixo econômico ideológico do modo de produção capitalista e seu Estado burguês vândalo quando se trata do bem restar social das massas.

Aliás, tenho eu a certeza que a arrumação necessária social para o povo nação, não vai se dar sob os valores e a batuta do maestro ideológico capitalista e suas injustiças sociais.

Tentando contribuir com o debate, mando este vídeo que, também, tenta explicar o Black Bloc.

Endereço: https://www.youtube.com/watch?v=r5B59qxn__o

Saudações Socialistas.

Responder

denis dias ferreira

03/11/2013 - 22h03

Os Black Blocs estão dando o que falar. Até em velório se tornou pauta obrigatória. Nunca tão poucos atemorizaram tantos. Todos resolveram eleger os BBs o Judas da vez. Esquerda, direita, rede Globo, PIG, fascistas, feministas, nazistas, evangélicos, gays, racistas, comunistas, homofóbicos, católicos, sexistas, ubandistas, marxistas, futuristas, budistas, machistas, neoliberais, virgens, homens de bem, devassas, senhoras de fino trato, todos irmanados contra essa grave ameaça que paira sobre esta amena e agradável terra brasílica!

Responder

    Leo V

    04/11/2013 - 10h27

    É isso.

    Costume de um povo cordial com uma elite conservadora dá nisso.

    Quando a cordialidade diminui é um deus nos acuda.

    Somos Primeiro Mundo agora: Los Angeles 1992; França 2005; Inglaterra 2011; Brasil 2013. E o pessoal ainda tá reclamando. Acabar com os BBs é querer que o Brasil volte pro Terceiro Mundo.

ricardo silveira

03/11/2013 - 21h34

Trocando em miúdo, o que acho que o autor disse é o seguinte: não se faz política por aqui, o que se faz é violência, mas querem que os black blocs façam política, e os Black blocs apenas respondem com violência à violência que recebem e que caberia à esquerda entendê-los e fazer política, de verdade. Isso é de uma simplificação absurda. A experiência mais recente que tivemos de política como violência, o que é um contrasenso, foi a da Ditadura de 64. Querer mudar a realidade que temos, complexa e cheia de problemas, dessa forma não é nem doença infantil, é estupidez, mesmo.

Responder

abolicionista

03/11/2013 - 20h24

Nas periferias do Brasil, nunca houve democracia.

Responder

    Liz Almeida

    03/11/2013 - 20h49

    E por que os black blocs pouco se manifestam nas periferias, mas se manifestam, por exemplo, contra o reajuste do IPTU que, pasmem, beneficia a maior parte da periferia?

    brasileirodagema

    03/11/2013 - 22h37

    As manifestações dos blocos negros são na parte rica da cidade porque só ela tem visualidade midiática. Além disso, é na parte rica da cidade que estão os símbolos de seu poder injusto. Quanto aos Black Blocs protestarem contra o aumento do IPTU, não me consta que esse seja o objetivo do movimento e nem o motivo de ele estar sendo perseguido pelo Estado. O colapso das grandes cidades é iminente e está ocorrendo em escala global. As formas tradicionais da democracia representativa já se mostraram ineptas para conter o avanço da desigualdade e o sucateamento da vida. As manifestações desnudaram uma verdade dura de tragar: política não se faz apertando botões, mas com sangue, suor e lágrimas. Não existe versão light da luta de classes, como Lula tenta fazer acreditar. E as formas tradicionais de organização política estão fazendo areia, quem tem moral para condenar os Blocos Negros?

    Liz Almeida

    03/11/2013 - 23h41

    “As formas tradicionais da democracia representativa já se mostraram ineptas para conter o avanço da desigualdade e o sucateamento da vida.”

    E a sua sugestão é ……..? O que? Uma guerra civil?

    Até concordo que ‘as formas tradicionais de democracia representativa’ vem se mostrando ineptas, mas essa democracia representativa encontra-se em mudanças; o povo vem mostrando que não tem mais estômago pra política como ela é hoje. Então, ‘as formas tradicionais de democracia representativa podem mudar’, sem deixar de ser democracia representativa, sem deixar de ser política, e com pessoas que realmente representem o interesse das classes oprimidas ocupando cargos nas câmaras municipais, assembléias legislativas, congresso nacional, governos estaduais, presidência da república.

    Qual o primeiro passo pra isso ir em frente? A reforma política – não a minirreforma que estão querendo fazer, uma de verdade – onde está o povo (e também os black blocs)pra cobrar isso do congresso? Não está.

    Esse é o problema; no momento que é preciso que o povo mostre a cara e se manifeste pra cobrar algo que iria revolucionar a política, e mudar ‘as formas tradicionais de democracia representativa’, eles não aparecem. E ficam aí achando que é a solução é uma guerra civil que, no máximo, vai desembocar em uma nova ditadura militar no país.

abolicionista

03/11/2013 - 20h16

Admiro e apoio as ações dos Black Blocs. Todo ônibus tem um pouco de navio negreiro, apinhado de gente pobre, indigno. O país é um poço de desigualdade e injustiça social. Tenhamos coragem de lutar. “Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança.” (Benjamin Franklin)

Responder

    Liz Almeida

    03/11/2013 - 21h00

    Colega, ninguém aqui questiona o fato de ‘o país ser um poço de desigualdade e injustiça social’. Todos sabemos disso. Mas não será com ações que acabam por beneficiar a ultradireita e os ultraconservadores que resolveremos essas questões.

    Não estamos mais na ditadura onde não existiam eleições, os militares mandavam, e quem ousasse ser contra, era morto.

    Estamos numa democracia, com eleições livres (sim, é necessária a reforma política pra tornar o processo menos injusto); quando Lula disse: ‘façam política, se candidatem’, por certo, disse convicto que essa a melhor ou talvez a única forma de mudar de verdade, ‘nas entranhas’, o que está errado.

    abolicionista

    03/11/2013 - 22h45

    Estamos assistindo justamente ao esgotamento do modelo lulista de fazer política, meu caro. Nossa democracia nunca alcançou as periferias, onde a tortura e a bala (não a de borracha, mas a de chumbo) sempre correram soltas. As cidades se tornaram infernos dantescos e o governo lava as mãos nas bacias de Pilatos do Congresso.

    lukas

    03/11/2013 - 22h48

    Os que usam o ônibus não apoiam sua destruição.

    O povo odeia os black blocs.

    abolicionista

    03/11/2013 - 23h29

    Eu uso e apoio. Ninguém tem autoridade para falar em nome do povo, meu caro. Seja menos arrogante.

José X.

03/11/2013 - 19h58

Peraí, os caras quebram tudo, quebram caixa de banco mas também ponto de ônibus. Acho muito estranho toda essa tolerância em relação a esse bando uniformizado que se vale da violência para…para que mesmo ? O propinoduto tucano no estado tá ai há 20 anos, agora-se descobriu-se o ninho tucano na prefeitura, mas protestar contra isso nada né, o negócio é protestar contra os 20 centavos, é protestar contra o Cabral,,,em SP…De duas uma, ou ão muito estúpidos esses black blocks, ou estão recebendo uma graninha pra ficar incendiando ônibus…

Responder

Izaías Almada: Avós das ruas, futebol e política - Viomundo - O que você não vê na mídia

03/11/2013 - 19h00

[…] Antônio David: Quanto mais perseguir os Black Blocs, mais eles crescerão […]

Responder

Alexandre Cesar Costa teixeira

03/11/2013 - 17h56

BB’s são tiranos, pois não aceitam dialogar e só fazem impor sua ira. Odeiam a democracia e idolatram a fantasia.

Responder

Liz Almeida

03/11/2013 - 17h47

De onde vieram as hipóteses sobre os black blocs que o Antônio David escreveu? Ele conversou com os black blocs? Quantos? Em quais cidades?

Como chegou a hipótese de que são da periferia? Por que nas manifestações da periferia geralmente eles não aparecem, mas aparecem principalmente nos protestos em bairros de classe média ou alta?

Enquanto não houver dados concretos que comprovem as hipóteses do autor, eu vou preferir continuar acreditando que os black blocs são, em sua maioria, babacas da classe média que se usassem melhor os neurônios, iam perceber que o que fazem acaba dando margem a infiltração de criminosos, nazistas, ultraconservadores, etc.

Achei péssimo quando o autor citou a fala da Dilma, que condenou a violência dos black blocs, e comparou o período atual com a ditadura, ‘quando naquela época chamavam de terrorismo’, disse o autor. Naquele vídeo em que a Dilma humilhou o Agripino Maia, ela falou algo que tocou fundo: ‘Qualquer comparação entre a ditadura militar e a democracia brasileira, só pode partir de quem não dar valor a democracia brasileira…’ (vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=12P7LtbHdqM ; sugiro que quem já assistiu, assista novamente, pois é relevante até mesmo pra discussão sobre os black blocs)

Sou, definitivamente, contra o uso de máscaras e depredações, porque os que fazem isso tem outra forma de mudar ‘tudo o que está aí’, sem abrir caminho pra violência e pra criminosos. Eles podem fazer política, olha só… podem se candidatar; quem falou isso? foi o Lula? pra mim, ele está certíssimo.

Responder

Elias

03/11/2013 - 17h09

O final do texto de Antônio David, confirma o que eu disse em 16/09/2013: “Considero Antônio David o mais divagante dos analistas suportáveis”. E para confirmar a confirmação, vamos ao “Em tempo” de Antônio David: “recentemente, a presidente Dilma afirmou ser uma “barbárie” a violência dos Black Blocs. Nas décadas de 60 e 70, não se falava em ”barbárie”, mas em “terrorismo”. Seguramente, haverá os que dirão: “mas os que pegaram em armas lutaram por Democracia”. E pelo que lutam os Black Blocs, senão pelo que entendem ser uma real Democracia, contra o que percebem ser uma falsa Democracia?”

Incrível como um pós-graduante da Fefeleche se embaralha numa dicotomia ridícula entre “real democracia” (ele escreve democracia com maiúscula) e “falsa democracia”. Como se fosse possível a democracia ser falsa ou real. O Brasil está entre as maiores democracias do mundo. Hoje somos até mais democráticos que os Estados Unidos com sua “nóia” antiterrorista. Black Blocs agindo como agem no Brasil, nos EUA seriam enquadrados como terroristas. Tudo isso é muito patético. Um cara nos anos sessenta, no Brasil, cantou: “Derrubar as prateleiras, as estantes, as estátuas, as vidraças, louças, livros” e hoje defende a censura contra biógrafos honestos como Fernando Morais, Ruy Castro, Lira Neto, Paulo Cesar de Araujo entre outros. Antonio David, óbvio, é um cara inteligente, mas repito, é o mais divagante dos analistas suportáveis.

Responder

    Elias

    03/11/2013 - 22h51

    Esqueci de dizer…o cara que cantou: “Derrubar as prateleiras, as estantes, as estátuas, as vidraças, louças, livros”, disse mais tarde que “é necessário respeitar o farol vermelho” e mais recentemente botou camiseta preta no rosto, apareceu no Instagram bem ao estilo Black Bloc e se posicionou a favor do uso de máscaras em manifestações. Seu nome? Caetano Veloso. Hoje milita na Procure Saber, organização a favor da censura à biografias não autorizadas, ou seja, uma espécie de Cansei da MPB como já disseram, mas assim mesmo, Caetano não deixa de ser genial quando compõe e canta. Se paradoxo pagasse volumosos impostos (piada velha) Caetano e David mal teriam o que comer.

Dalva Maria

03/11/2013 - 16h39

Então vejamos: Em resumo, o aumento do IPTU em São Paulo vai cobrar mais dos ricos e menos dos pobres, inclusive isentando alguns por conta da renda mensal. Na quinta-feira, dia 31, um grupo de manifestantes esteve em frente a residência do prefeito Haddad protestando contra o reajuste do imposto e entre eles, os Black Blocs. Se os BBs são de periferia, o que faziam eles nessa manifestação????

Responder

José Ricardo Romero

03/11/2013 - 16h33

Antônio David, o item 1 simplesmente não é verdade e isto muda toda a história. Que dados tem você para fazer tal afirmação? O que sabe você sobre a composição humana das manifestações de junho e sua natureza bem como quem são os black blocs ou os anônimos? Como saber o que realmente são mascarados no sentido lato e no metafórico? Se não têm uma ideologia, não é possível tirar uma resultante de suas ações, estas sim bem visíveis, porque tanto quebram caixas de banco e restaurantes fast food quanto sinais de trânsito e abrigos de ônibus. O que é certo é que a indefinição leva consigo um rastro de oportunistas, com certeza hoje mais numerosos, violentos e inconsequentes, que querem apenas roubar e aproveitar a inoperância das autoridades, resultado de um equivocado respeito à liberdade de expressão.

Responder

Lincoln

03/11/2013 - 16h29

Antônio
parabéns pela coragem intelectual. Lincoln

Responder

Gerson Carneiro

03/11/2013 - 16h02

E tem gente grande pegando carona no Black Bloc só pra aparecer.

Responder

    Thael

    03/11/2013 - 17h42

    Gerson, já foi desmentido que está foto foi um apoio aos BBs. Abraços.

    Gerson Carneiro

    03/11/2013 - 19h17

    Até onde soube foi desmentido por ele quando percebeu a enrascada em que entrou. Foi isso?

Igor Tkaczenko

03/11/2013 - 15h40

O texto parte de uma primazia filosófica. Hanna Arendt estaria sorrindo agora ao perceber que há no Brasil argumentos demonstrativos que simplesmente expõem o que se vê, é a finesse filosófica. Quem conhece a história e/ou assistiu ao filme sobre a filósofa, sabe o quanto ela “sofreu” ao expor a crítica sobre o julgamento do tenente coronel da SS, Adolf Eichmann. A verdadeira filosofia quando chega, ao tomar seu lugar, estabelece a imparcialidade ficando apenas a crítica e a incômoda realidade. Incômoda para alguns, claro.

Portanto, não se trata aqui de trilhar opiniões sobre como se deve agir em relação aos Black Blocs. Também é ingênuo pensar que é culpa exclusiva dos Black Blocs a violência que surge nas manifestações.

Sabemos que a polícia infiltrada entre os manifestantes – nas primeiras manifestações – incitou a violência para favorecimento cômodo da reação violenta da própria polícia. O texto aponta isso inequivocamente, bom. O interesse? Apenas político e econômico. Defender contratos milionários da Copa do Mundo e Olimpíadas e refrear os ânimos de participação direta popular e cobranças nas ruas. Deixo aqui uma ressalva: a presidenta quis, à época, convocar um plebiscito para reforma política, mas foi sabotada. Democracia participativa impõe medo à democracia (frágil) representativa, e isso para qualquer governo e políticos representantes que têm tirado muitos proveitos próprios da arte de “bem governar”.

Os Black Blocs representam, como o texto coloca, muito mais do que simplesmente vontade de quebrar e delinquência. Eu completaria, como venho sempre defendendo, que a falta de educação pública gratuita de qualidade, emancipadora e verdadeiramente geradora de oportunidades, seria, assim, a àgua para o estopim de Black Blocs da vida. Não tenho dúvida: investir verdadeiramente na educação é mostrar o compromisso público fundamental de qualquer governante, criando a ideia de cuidado e gerando o sentimento de não abandono. Isso sim é agir pelo bem irrestrito, além das cercanias burguesas da classe média clássica e conservadora de nosso país. O outro fator seria a reforma das polícias. Uma polícia cívica que faça valer a lei, os direitos e deveres de cidadãos. Uma policia servil, vigilante e investigativa, e não repressora, militar e violenta, que favorece a manutenção de poder político protofascista. Portanto, cabe a pergunta: realmente interessa a reforma das polícias?

Mas mesmo assim temos, na verdade, oportunidades únicas para se mexer em demandas seculares e reformá-las, e parte da sociedade; dentre ela os Black Blocs; enxerga isso. Porém, infelizmente em nosso país falta uma outra qualidade fundamental para uma sociedade desenvolvida que vá além do pragmatismo político a fim de garantir, em nome do mercado, compra e venda de bens duráveis; faltam políticos competentes.

Afirmo, sem titubear, que as competências políticas estão nos arranjos, conchavos e articulações para exercício e manutenção de poder, mas não encontramos essa competência no aproveitamento das oportunidades de transformações sociais, como os gritos atuais das ruas favorecem. O bom oportunismo do político visionário ao bem comum social morreu. Isso é facilmente comprovado pelo texto mesmo, quando afirma em excelência que o governo Lula (PT) não foi tão assim de mobilizações, justamente por talvez não ter o knowhow suficiente em saber aproveitá-las. Na verdade, tal como foi para a nossa infelicidade historicamente comprovado.

Responder

renato

03/11/2013 - 15h17

“SE”, eles tiverem um IDEAL, só um.
Ninguém tira eles do cenário.

Responder

abolicionista

03/11/2013 - 15h00

Nenhuma conquista social importante foi obtida de modo absolutamente pacífico. Todas as conquistas da classe trabalhadora foram obtidas por meios de lutas violentíssimas, inclusive. Contudo, como o Brasil sempre seguiu a reboque a caravana do progresso, essas conquistas no geral chegaram aqui sob a forma de acordões por meio dos quais se passava uma camada de verniz sobre a estrutura escravocrata, que permaneceu intocada. Mas não nos enganemos, os canalhas endinheirados não cederão um centímetro passivamente, são eles que realmente possuem o Estado e o “monopólio da violência”. É preciso quebrar esse monopólio, ou nada mudará.

“Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança.” (Benjamin Franklin)

Responder

    Emilio GF

    03/11/2013 - 17h57

    Nenhuma derrota da classe trabalhadora foi aplicada, igualmente, sem violência. Vide a Ditadura e seu achatamento do salário mínimo, a “elevação” do Brasil a país com pior distribuição de renda do mundo, a supressão dos sindicatos combativos, etc.
    No Egito tivemos uma mostra límpida. As manifestações derrubaram os militares e provocaram uma eleição livre. Quem ganhou não agradou os manifestantes que voltaram às ruas.
    O exército matou 525 pessoas num dia, todo mundo ficou pianinho e os militares voltaram ao poder.

    abolicionista

    03/11/2013 - 20h12

    Ficar parado, passivo, seja lá o que for, não resolverá nada. O medo de perder não pode impedir-nos de lutar. O medo é a ração diária dos covardes. Nenhuma conquista estará assegurada enquanto tivermos medo. Por isso a frase de Benjamin Franklin. Não há democracia nas periferias do Brasil, nunca houve. Há um imenso cala a boca estampado na própria paisagem da cidade, que a cada dia se parece mais com um cenário futurista. Às armas, cidadãos, já clamava aquela velha canção…

laura

03/11/2013 - 14h56

Interessante artigo.
Lembrei-me dos operários quebrando maquinas no século XIX.
Mas há que ver também se os Black Blocs são realmente formados apenas por jovens da periferia. Em natal, RN, nas passeatas de junho havia sim jovens da periferia violentos. Mas havia também e aparentemente gente de direita infiltrada.

Responder

Leo V

03/11/2013 - 14h41

Muito bom texto.

Responder

J Souza

03/11/2013 - 13h39

“De boas intenções o inferno está cheio!”
Os “black blocks” afastam os manifestantes pacíficos das ruas, reduzindo a pressão popular sobre os políticos, pois, ao invés de milhares, apenas algumas centenas vão às ruas!
Muito conveniente…

Responder

    Lucas F

    03/11/2013 - 15h03

    claro, os black blocks afastam os demais manifestantes, e a pedra que tenho em meu bolso agora afastam os extraterrestres impedindo assim a invasão iminente. Ah, o que seria do mundo sem minha pedra!
    se o sarcasmo não basta, resto dar-se conta que na escalada das manifestações de junho, antes da marcha dos coxinhas, já haviam black blocks em são paulo e isso não impediu que muita gente mais fosse às ruas nas manifestações seguintes. O mesmo ocorreu no Rio durante a greve dos professores. O seu argumento é furado como uma peneira.

    J Souza

    03/11/2013 - 16h22

    As “pedrinhas” e as FARC… As “pedrinhas” e o Sendero Luminoso…
    Uaauuuuu! Acabaram com os bancos, foi?
    Colômbia e Peru se tornaram os países mais “comunistas” da América Latina, foi?
    Que aula de “história” você e sua “pedrinha” nos deram…

    renato

    03/11/2013 - 15h20

    Pode até ser, mas manifestantes, não tem a força de vontade que estes caras tem. As vezes manifestantes nem sabem por que estão lá, vão porque alguém convidou, ou outros.
    O que eu penso? Não gosto de nem um deles, nem manifestantes nem BB.
    Acho que a via é outra.

    João Batista dos Santos Fagundes

    03/11/2013 - 16h25

    “De cristãos, demagogos, hipócritas e uma escória alienada o inferno também está cheio”. O comentário do Senhor J Souza só ilustra bem o que foi dito pelo autor, que não se dispôs a tomar partido, mas elaborou uma análise lúcida sobre o tema. Quanto “as ruas estarem fazrias”. De fato, estão e sempre estarão, pois a luta permanece no seio e na veia dos que realmente querem realizar mudanças. As ruas estão fazias porque àquela onda de gente que se formou em junho eram em sua maioria pessoas de classe média baixa e média, que, com razão, estão cansadas de impostos absurdos, impunidade a olhos vistos e toda uma sorte de mazelas que assolam o país, todavia, essa mesma gente que foi as ruas em junho, é do tipo que quer ao ouvir o primeiro estouro do cano de escape de um carro foge, pois sua moral de classe média, que anseia ser alta, e acha que ficar três horas em um ônibus para chegar em casa, é sinônimo de “boa moral”, “cidadania”. E, pois, puramente normal que esse medo obsidional seja a sombra da classe média e da maior parte do povo; um medo do covarde, do “que abaixa a cabeça”, o medo do que sempre diz – sim – a qualquer senhor “de farda, jaleco, terno ou clergyman”. Como disse Oscar Wilde, “existem três tipos de tirano: o que tiraniza o corpo, o príncipe; o que tiraniza a alma, o papa; o que tiraniza o corpo e alma, o papa”. Evidentemente que no contesto republicano do atual Brasil alguns termos possuem sinônimos, como príncipe – presidenta, senado, deputados, prefeitos, vereadores, poder judiciário; papa – pastor, bispo, pastora, obreira; povo – fiel, cordeirinho, classe média, miseráveis de todo gênero, pobres, e toda sorte de alienados. Bem, parabéns ao autos pelo excelente texto. Só para que fique claro, não participei de nenhuma manifestação e não sou um black bloc, infelizmente, pois para qualquer um que invoque a denominação de anarquista, a ação é a carta de apresentação.

    João Batista dos Santos Fagundes

    03/11/2013 - 16h31

    errata: leia-se “corre ao ouvir..”; ..”o que tiraniza o corpo e a alma, o povo”.

edir

03/11/2013 - 08h54

A minha humilde opiniäo como moradora de periferia é a seguinte: uma boa surra neles faria um bem muito grande. Fui do movimento popular na década de 80 em SP capital e na dura década de 90 em Campinas. Participei centenas de vezes nos movimentos de ruas assim como no bairro em conselhos de saúde/transporte/educacäo e membro da sociedade de bairro. Nunca quebrei nada, nunca usei de violencia para que nossos pedidos fossem atendidos. Usávamos a pressäo e o diálogo para que nossas reinvidicacöes fossem atendidas. Muito engracado o povo brasileiro: criticam as leis , mas nunca querem cumpri-las. Assim näo dá.

Responder

    renato

    03/11/2013 - 15h15

    Como era a “pressão”.

    abolicionista

    03/11/2013 - 20h23

    “uma boa surra neles faria um bem muito grande.” Isso é o argumento de quem condena a violência? Desculpe, mas só um ser humano degradado seria capaz de dizer algo assim. Sabemos a polícia que temos e mesmo assim pedimos mais repressão? Desculpe, mas isso é de uma sordidez infinitamente nojenta.

    lukas

    03/11/2013 - 22h58

    A voz do povo… Ouça.

    abolicionista

    08/11/2013 - 20h38

    Entendi, o povo são os comentadores do Viomundo…

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