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Alipio Freire: A herança do golpe civil-militar de 1964

publicado em 5 de dezembro de 2011 às 8:19

por Alipio Freire, em Brasil de Fato

Memória

sem presente ou futuro

é nostalgia.

Ou narcisismo.

Para que levemos essa constatação em frente, é fundamental que, tendo em vista os trabalhos da Comissão da Verdade, nos organizemos todos para esclarecer aos trabalhadores e povo (povo=os explorados e oprimidos) – sobretudo os mais jovens, a respeito do golpe civil-militar de 1964; seus sujeitos políticos; a real ‘natureza’ de classe do programa e dos projetos dos golpistas; o sentido das violências desencadeadas contra os trabalhadores e o povo enquanto ponto programático dos golpistas; e todas as formas e propostas de resistência e/ou revolução que se levantaram contra o regime instaurado. Algumas dessas questões estão respondidas em cartilha do Núcleo de Preservação da Memória Política , ainda que muito mais necessite ser tratado.

Sobretudo, é fundamental que se esclareça como o programa levado a cabo pelos golpistas continua presente, ainda hoje, no nosso dia a dia. Sobre esta última questão, é necessário esclarecermos alguns pontos, dos quais citamos apenas três dos mais óbvios e simples:

1. Caso se mantivesse a política salarial do presidente João Goulart – deposto pelo grande capital internacional e seus aliados – o salário mínimo atual seria de R$ 2 800,00;

2. Se o programa das Reformas de Base, defendido pelo presidente Goulart e pelas forças populares e de esquerda houvesse sido aplicado, a Educação não teria sido privatizada. Ao invés disto, teríamos  ensino público, universal, gratuito e de boa qualidade em todos os níveis.

3. Teria sido feita uma reforma agrária nas terras às margens das rodovias, ferrovias e açudes.

Somente assim, acreditamos, começaremos a desconstruir as versões oficiais da nossa História recente; a transformar a questão da Verdade numa campanha massiva e, consequentemente, a questão da necessidade de Justiça numa reivindicação da grande maioria da nossa classe trabalhadora, do nosso povo, e das suas organizações e movimentos.

Alipio Freire, jornalista e escritor, integra o Conselho Editorial do Brasil de Fato e a direção do Núcleo de Preservação da Memória Política.

Leia também:

Ana Paula Salviatti: A ditadura e seus fósseis vivos na USP de 2011

 

11 Comentários para “Alipio Freire: A herança do golpe civil-militar de 1964”

  1. [...] Alípio Freire: A herança da ditadura cívico-militar [...]

  2. ter, 06/12/2011 - 7:57
    Renato

    Graças a Ditadura Militar ou a Revolução de 64, o Brasil não virou socialista. Fora Marx.

  3. seg, 05/12/2011 - 21:43
    Deborah

    Outra coisa que precisa ser esclarecida é que apesar de erroneamente aclamado que as reformas de base seriam o Brasil comunista, o Brasil-Cuba, ou qualquer coisa do tipo, tais reformas nada se diferem do que foi feito nos países centrais CAPITALISTAS. Reforma Agrária, Educação básica e mercado interno estão na órbita capitalista. A quarta mentira é: "Sem regime militar Brasil teria se tornado comunista!' Infelizmente não tínhamos uma Rússia, Coréia do Norte ou China pertinho…

    • ter, 06/12/2011 - 7:59
      Renato

      Graças a Deus não tinhamos uma Rússia, Coréia do Norte ou China pertinho…Eu quero a minha empresa. Quero ter o poder de demitir empregado vagabundo e petista.

  4. seg, 05/12/2011 - 12:47
    Rodrigo

    Essas coisas de "Se aconteceria se…" são complicadas. Dizer que o salário mínimo seria de quase 3 mil reais é fácil, — supondo que nenhum outro fator econômico mudasse, não é? Afinal, esses quase 3 mil não necessariamente valeriam o que 3 mil valem hoje, já que todos os preços seriam afetados. Basta um mínimo de familiaridade com a economia para ser que não é assim que as coisas são.

    O golpe foi uma lástima. Mas não se deve presumir, por isso, que o governo de Jango nos levaria ao paraíso.

    • ter, 06/12/2011 - 17:35
      Mário SF Alves

      Rodrigo,
      O paraíso é inalcansável. Mas, já nos bastaria – e muito – o desenvolvimento socio-econômico que a partir dali o Brasil viveria.

  5. seg, 05/12/2011 - 12:32
    Marat

    Pois é. Nossas elites sempre deram um jeito de fazer do Braisl um país atrasado e submisso. E eles ainda querem dar as cartas, os coronéis do atraso!

  6. seg, 05/12/2011 - 9:26
    Claudio

    Go back to the future!

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