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A tortura do transporte público em SP

publicado em 10 de abril de 2012 às 14:27

Apagão no transporte de São Paulo

Carlos Zarattini e Ciro Biderman, na Folha de S. Paulo, sugerido pelo Nicolas Tamasauskas, via Vermelho

Os recentes incidentes nas linhas do Metrô e da CPTM evidenciam uma situação caótica que reflete a falta de planejamento e investimento em transporte público nos últimos anos na Região Metropolitana de São Paulo. Os gigantescos congestionamentos que resultam em duas horas ou mais para chegar ao trabalho para uma parcela significativa da população são algumas evidências do efeito da (falta de) política de transporte das últimas gestões. Os mais prejudicados com esse descaso pela mobilidade são os mais pobres. Mais de 75% das viagens motorizadas da população com rendimento inferior a R$ 760 ocorre pelo meio coletivo.

É verdade que esse padrão não é uma novidade na cidade de São Paulo. O descaso com o transporte público tem prevalecido desde a gestão Maluf em 1993. A única exceção nos últimos 20 anos foi a gestão Marta Suplicy que construiu 70 quilômetros de novos corredores além de restaurar os 46 quilômetros construídos na década de 1980. A implementação do bilhete único deu um passo fundamental em direção a uma rede de transportes interligada. O Metrô se integrou ao sistema apenas em 2005, graças à pressão da população.

Em 17 anos no Governo do Estado o PSDB construiu menos de 30 quilômetros de linhas de metrô. A Linha 4, prevista para 2010, ainda não entregou 5 estações. A expansão da linha 5 até o Hospital do M’Boi Mirim está prevista para 2020. As demais linhas são apenas projetos. A linha Congonhas-Morumbi do monotrilho mal iniciou suas obras. A linha Vila Prudente-Cidade Tiradentes deverá ter apenas um trecho de dois quilômetros em 2014. A CPTM está muito distante de um serviço próximo do Metrô. Tem um planejamento tão
caótico que o Secretário de Transportes Metropolitano reconheceu que o governo Alckmin não estava preparado para tantos passageiros, conforme publicado nesta Folha, no dia 30 de março.

A implantação dos corredores de ônibus foi paralisada desde 2005. Dos 68km prometidos até o momento nenhum foi entregue. Nenhum tipo de planejamento ou controle foi implantado. Dependendo do trajeto e do horário são necessárias mais de duas horas para percorrer 17km. A Prefeitura se comprometeu com um bilhão de reais por ano para o Metrô, mas até agora apenas 975 milhões reais foram transferidos para “o governo estadual [que] decide onde aplicar os recursos”, como afirmou o prefeito Kassab nesse espaço. Como não tem nenhum plano para o transporte coletivo prefere simplesmente repassar o valor. É como um pai que ao invés de educar seu filho prefere dar dinheiro.

A omissão no transporte público dessa gestão está evidenciada na última pesquisa da ANTP. Apenas 18% avaliam como bom o sistema de transporte coletivo da cidade. Os ônibus municipais, que tinham 61% de avaliação boa/excelente em 2004, agora têm apenas 40%.

Os micro-ônibus que atendem à periferia e que tinham 59%, em 2004, caíram para 39% em 2011. 45% dos usuários ligam a violência à superlotação dos veículos. E 24% sentem-se desrespeitados pelas más condições do serviço.

Só vamos superar o “apagão do transporte” com uma política que supere a letargia dos governantes atuais. Um sistema moderno de ônibus, integrado aos trilhos é uma decisão política que os últimos governos não tomaram. Um sistema de transporte público de qualidade é a única maneira sustentável de acesso ao trabalho, educação e outros serviços públicos. O transporte público é um instrumento fundamental para redução do trânsito, melhoria da qualidade do ar, da segurança energética e da mudança climática. Se essa
mudança de política não ocorrer imediatamente corremos o risco de paralisar a cidade como vem ocorrendo sistematicamente nas últimas semanas.

Carlos Zarattini, ex-secretário municipal de Transportes de São Paulo, é deputado federal pelo PT.

Ciro Biderman é professor da FGV, pesquisador principal do Centro de Política e Economia do Setor Público da FGV e pesquisador afiliado do MIT.

Leia também:

Professor da UFPA denuncia ameaça à pesquisa científica

 

45 Comentários para “A tortura do transporte público em SP”

  1. sex, 05/04/2013 - 18:26
    camila aparecida peixoto

    gente o problema em sao paulo nao otransporte e sim a mobilidade onibus bom tem so nao tem espaça para se locomover um exemplo e marginal pinheiros transito parado e um onibus biarticulado no meio do transito assim nao da

  2. qui, 19/04/2012 - 14:22
    jura

    "Os mais prejudicados com esse descaso pela mobilidade são os mais pobres. Mais de 75% das viagens motorizadas da população com rendimento inferior a R$ 760 ocorre pelo meio coletivo."

    Não só os pobres, o trânsito de São Paulo é a coisa mais democrática da cidade: prejudica todo mundo. Quem tem carrão importado demora tanto quanto quem tem Brasília Muito Velha. A única diferença é o som e o ar condicionado.

    "É verdade que esse padrão não é uma novidade na cidade de São Paulo. O descaso com o transporte público tem prevalecido desde a gestão Maluf em 1993. A única exceção nos últimos 20 anos foi a gestão Marta Suplicy que construiu 70 quilômetros de novos corredores além de restaurar os 46 quilômetros construídos na década de 1980."

    Os autores, petistas, já se esqueceram ou abandonaram a gestão Erundina, que construiu os 46 km iniciais na década de 80?

  3. ter, 17/04/2012 - 16:57
    Gilson Rocha

    Realmente até parece que o transporte
    público horrível é só em São Paulo.
    E no Rio?Rio Grande do Sul?Paraná?Bahia?
    Goiás?Maranhão?
    O transporte público é uma beleza no Brasil, menos
    em São Paulo.
    Vamos falar claramente?
    Independente de governos, quando seu transporte público
    realmente melhorou?
    Alguém lembra?
    Em qual governo aí na sua cidade ou estado, se preocupou
    com a fiscalização séria e constante?
    Podem me informar com isenção?
    Em Porto Alegre já tivemos todos os governos possíveis.
    Quantos mudaram e melhoraram o transporte público?
    Nenhum…

  4. sáb, 14/04/2012 - 22:47
    Ximene

    Enquanto isto Sonsinha Francine já está em inserçoes do PPS no rádio dizendo que se todo mundo for de Bike o transito de São paulo vai ficar esplêndido… Ô Deus, eu mereço !!!

  5. sex, 13/04/2012 - 22:47
    Igor

    Que os hormônios (diretores, gestores) que regulam as atividades do organismo possam ser escolhido pela competência, e não como tem acontecido: o neuronio trabalhando no pé e o espermetozoide no cerebro, pois basta ver a linha 4 do metro para entender isso! Por favor governador, ó senhor governador, o senhor que é médico, a pressão deste organismo está altissima e qualquer dia ele infarta. Chega de remédios paliativos, e por favor nos de a cura!!!!!!!! ufa, quem sabe ele escuta assim!!!!!!!! rsrs

  6. sex, 13/04/2012 - 22:47
    Igor

    Mas vamos falar a linguagem do nosso governador, já que ele é médico: Sr. governador, o nosso estado está com as veias e artérias entupidas! Será que poderia abrir novas véias e arterias, além de desentupir e alargar as já existentes para que nós células possamos fazer o nosso trabalho em vez de ficarmos presos em artérias mal projetadas pelo cancer da incompetencia de mal administradores. Além daquelas já entupidas pela gordura de acidentes ocasionados pela falta de planejamento do cérebro pensante que deveria ser o nossos politicos. Poderiamos trabalhar melhor também se nós como células operárias não tivessemos que viajar durante horas para trabalharmos nos orgãos tão importantes para o organismo chamado São Paulo como hospitais, escolas, industrias, etc. entupindo cada vez mais as artérias de nossa cidade. Para isso vc cerebro poderia organizar e planejar um plano diretor minimamente decente e de vez construir cada vez mais veias por onde passam os carros e poluem ainda mais o organismo com toxinas destrutivas, poderia construir artérias que são canais maiores como o metrô para que as células possam se locomover.

  7. qui, 12/04/2012 - 11:13
    Gouki

    Engraçado os deputados do PT darem pitaco….o governo federal, que é do partido deles não coloca um centavo no metrô SP e nem na CPTM……só pensam em trem bala para rico e gringo usar.

    • sáb, 14/04/2012 - 22:40
      Lais

      Sr gouki, não venha com trollagens de quinta categoria… que ninguém que frequenta blog sujo tem QI de ostra de leitor da Veja.. O Metrô tem muito dinheiro do Governo federal investido, sim… a questão é que os desgovernos do PSDB há quase 20 anos no poder fazem questão de esconder que recebem $$….

  8. qua, 11/04/2012 - 19:02
    Fernando

    O PIG paulista critica o governo de Sao Paulo, mas o PIG fluminense não critica o do Rio.

  9. qua, 11/04/2012 - 16:21
    Marcelo

    O transporte publico aqui no Rio de Janeiro é tão ruim quanto em SP , falta em todo Brasil planejamento urbano . Infelizmente para nossos governantes ainda somos menos que cidadãos , somos ainda , na visão deles , apenas escravos , indios e degradados e como tal somos tratados .

  10. qua, 11/04/2012 - 11:00
    Eduardo Mendes

    Quem dera se fosse só em SP.

    O transporte público só será bom quando os ricos forem obrigados a depender dele, assim como acontece nas faculdade públicas.

  11. qua, 11/04/2012 - 7:59
    marcosomag

    O consórcio PSDB/Kassab criou uma forma obrigar a população a usar a péssima linha 4 do metrô paulistano. Como esta linha privatizada vive dando panes, o corredor de ônibus Rebouças/Consolação (construído na gestão da Prefeita Marta, do PT) tornou-se uma alternativa de transporte entre o Butantã e o Centro. Então, o Kassab inventou uma obra ("requalificação") no corredor de ônibus para que este deixe de ser alternativa á péssima linha 4. De quebra, o consórcio particular que administra a linha 4 (o mesmo consórcio que esfola o paulista nos pedágios) não perde receita com a evasão de passageiros que já vinha ocorrendo.

  12. qua, 11/04/2012 - 7:43
    Pedro

    Passageiros do Metrô Rio viajam dentro de cabine do condutor http://oglobo.globo.com/eu-reporter/passageiros-d

  13. qua, 11/04/2012 - 4:36
    Tom

    obs.: 975 milhões é quase 1 bilhão

  14. qua, 11/04/2012 - 4:10
    Gerson Carneiro

    Os demo-tucanos são um engodo em tudo. A vida não é propaganda, eles não entenderam.

  15. ter, 10/04/2012 - 23:51
    Marat

    Prezado Azenha, prezados amigos, eu pretendia escrever algo sobre nosso precário transporte público em SP. Farei isso com calma.
    Só adianto uma coisa: Além dos transtornos no metrô e nos trens, poc conta de quebras e atrasos, há algo estupidamente grosseiro nos trens: Aquele maldito sistema de alto-falantes, que a cada trinta segundos solta uma mensagenzinha tosca, ora para informar, ora para fazer lavagem cerebral. Coisas do tipo: "encaminhe-se para o local mais vazio da plataforma"… "quando a campainha tocar, não tente embarcar no trêm", e outras milhares de inserções estúpidas e chatas, que atrapalham demasiadamente os que desejam lêr e não tem poder de abstração!

  16. ter, 10/04/2012 - 23:00
    Willian

    São Paulo, São Paulo, eleja logo o Haddad para que posts como este desapareçam daqui. Coisa chata, sô!

  17. ter, 10/04/2012 - 22:48

    E infelizmente, vejo que não haverá absolutamente nenhuma mudança no transporte público enquanto o transporte individual não entrar em colapso.

  18. ter, 10/04/2012 - 22:24
    lulipe

    Para esse blog parece que no Brasil existe apenas SP, é como se os outros estados não existissem.Quase todo dia sai uma matéria, sempre com críticas, é claro.Gostaria de saber se SP fosse governada pelo PT se teríamos todo este ímpeto jornalístico!!!

  19. ter, 10/04/2012 - 21:35
    souza

    muitas pessoas que votaram em kassab passam diariamente por este sufoco do transporte em são paulo.
    elas não conseguem associar o voto a um projeto bom para a capital paulista, no caso, o transporte urbano.
    espero que nas eleições de outubro mais pessoas saibam fazer uma escolha voltada às suas necessidades pessoas e coletivas.

  20. ter, 10/04/2012 - 20:08
    pperez

    Transporte publico é uma obrigação do Estado.
    Ocorre que lavou as mãos e em quase todo o Brasil é uma desgraça só.
    A iniciativa privada explora por concessão e seus serviços deveriam ser fiscalizados pelas agencias reguladoras, que foram criadas pelos tucanos mas que Lula e agora Dilma inexplicavelmente mantiverram para ser um grande cabide de cargos e interesses dos mais diversos!

  21. ter, 10/04/2012 - 18:41
    Eunice

    Eu tenho até dúvidas do comprimento das linhas de metrô. Alguém já confirmou isso? Será que são 70 km mesmo, as em uso? Acho que consigo percorrer todas em um dia, pelo teste que fiz.É possivel fazer o cálculo pelo Google? Alguém tem tempo e se habilita?

  22. ter, 10/04/2012 - 17:31
    abolicionista

    São Paulo, um dos piores transportes do mundo?

    É, tem coisas que só o tucanato faz pela gente…

  23. ter, 10/04/2012 - 14:55
    Iracema de Alencar

    só São Paulo né? sei…será que se SP fosse governada por um "cumpanheiro" isso saia assim???
    tomem vergonha na cara cambada de cabra safado…esaa hiperpartidarização nao serve de nada a causa da "esquerda"…mas nao se deve perder tempo com isso…

    • ter, 10/04/2012 - 17:16
      Kilimanjaro

      Sim, os números mostram que sim. A gestão da prefeita Marta Suplicy implementou 70km de corredores de ônibus (consolação, rebolsas, nove de julho…) o que tornou viável usar o ônibus nessas avenidas, ja que antes os coletivos ficavam parados no transito. Também criou o bilhete único.

      Enquanto os 17 anos do PSDB no governo do estado entregou 30km de linhas de metro, o que é uma vergonha. A nova linha amarela, ligou pontos financeiros da cidade mas em nada ajudou a população que realmente precisa como as pessoas que moram na zona leste e que perdem horas no metro todos os dias correndo risco de vida em trens super lotados sem ar para respirar e em péssimas condições de manutenção. O descaso com a linha vermelha do metro em SP é gritante, chega a ser proposital, quem mora na zona leste da cidade é obrigado a passar por isso, faz parte da sua identidade, vira até piada "aquele cara da zona leste que leva 3 horas para chegar no serviço".

      Isso mudaria sim se não estivessem no poder governantes de ultra direita do PSDB que tem nojo do povo e que estendem seu ideal excludente nas coorporações ligadas ao transporte público, saúde, habitação e educação.

      Aqui é cabra da peste, em são paulo do sul do Piauí, de Maceió nas Alagoas ou da Bahia…

      É NÓIS QUE TÁ!

      • sáb, 14/04/2012 - 23:31
        Vitor O. Barbosa

        Com base no que você afirma que a linha 3 – vermelha não recebe investimentos? A linha recebeu 8 trens espanhóis a mais na frota, totalizando 55 trens. O restante da frota está sendo totalmente renovada. O atual sistema ATO está sendo substituído por CBTC, sistema utilizado nos sistemas mais modernos do mundo, que permitirá a redução do intervalo em torno de 20% e permitirá que uma quantidade maior de trens possa operar simultaneamente, aumentando a oferta de lugares.

        E o mais interessante é que a demanda e a lotação dessa linha só irão aumentar, devido a falta de opções de transporte na Zona Leste. Onde corredores de ônibus eficientes não existem.

        O problema da L3 não é resultado apenas de falta de novas linhas. Quando o Bilhete Único foi implantado nos ônibus, aconteceram diversos estudos para analisar se os sistemas absorveriam a nova demanda. A integração com o Metrô foi fruto de pressão popular e política, sem estudos e planejamento. O resultado foi a superlotação da linha 3 e o aumento significativo em todas as demais linhas.

        A linha 4 – amarela, faz a interligação com todas as linhas de Metrô e CPTM. Ou seja, um usuário da Zona Leste está economizando em média 40 minutos para acessar a linha 9, na Zona Sul. O monotrilho, também na Zona Leste, ajudará a desafogar o precário (sim, precário desde sempre!) sistema de ônibus da área 4 da cidade.

        O sistema de transporte sobre trilhos de SP é mantido apenas com recursos estaduais e uma leve ajuda municipal. Não há retorno de investimentos do Governo Federal para obras de novas linhas. O único envolvimento do Governo Federal foi o empréstimo para a construção do restante da linha 5, solicitado pelo governo estadual.

        Conclusão: No caos do transporte paulista, não existe um único grupo de culpados, são vários. Detesto fazer menções políticas, mas não é apenas o partido A e B que devem ser responsabilizados. Existe uma falta de investimentos que atinem as esferas municipais, estadual e federal.

      • seg, 16/04/2012 - 19:17
        abolicionista

        Parece que estou lendo Polyana. Pena que a realidade não é assim…

    • ter, 10/04/2012 - 17:30
      abolicionista

      Iracema, há vinte anos gente como você contribui com seu voto para a situação atual. Meus parabéns! Aproveite aquilo que você ajudou a construir!

    • dom, 15/04/2012 - 4:08
      Ronaldo cerqueira

      Essa pseudo classe média segue votando nesses tucanos e seus derivados por anos e ainda querem negar a culpa dos mesmos pelo caos em que se encontra o transporte público, talvez sim seja a hora de colocar um "cumpanheiro" no lugar dos que aí se encontram

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