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A Caixa, Machado de Assis e o branqueamento do Brasil

publicado em 18 de setembro de 2011 às 21:39

A redenção de Cam, de Roberto Brocos, 1895, por sugestão da leitora Maria Utt. O quadro venceu a medalha de ouro da Exposição de Artes Plásticas de 1895 e está no Museu das Belas Artes, no Rio. A linha de sucessão representada pelas mulheres mostra a redenção pelo “branqueamento”.

A Caixa Econômica Federal, a política do branqueamento e a poupança dos escravos

por Ana Maria Gonçalves, no blog do Idelber Avelar, na revista Fórum, indicado pela Conceição Oliveira

18 de setembro de 2011 às 16:33

“São tanto mais de admirar e até de maravilhar essas qualidades de medida, de tato, de bom gosto, em suma de elegância, na vida e na arte de Machado de Assis, que elas são justamente as mais alheias ao nosso gênio nacional e, muito particularmente, aos mestiços como ele. [...]. Mulato, foi de fato um grego da melhor época, pelo seu profundo senso de beleza, pela harmonia de sua vida, pela euritmia da sua obra.”

O trecho acima é de um artigo do jornalista, professor, crítico e historiador literário José Veríssimo, em artigo no Jornal do Comércio, um mês depois da morte de Machado. Causou espanto em muita gente, inclusive em Joaquim Nabuco, que lhe enviou uma carta:

“Seu artigo no jornal está belíssimo, mas essa frase causou-me arrepio: ‘Mulato, foi de fato um grego da melhor época’. Eu não teria chamado o Machado mulato [itálico no original] e penso que nada lhe doeria mais do que essa síntese. Rogo-lhe que tire isso quando reduzir os artigos a páginas permanentes. A palavra não é literária e é pejorativa, basta ver-lhe a etimologia. O Machado para mim era um branco, e creio que por tal se tornava [sic]; quando houvesse sangue estranho, isso em nada afetava a sua perfeita caracterização caucásica. Eu pelo menos só vi nele o grego. O nosso pobre amigo, tão sensível, preferiria o esquecimento à glória com a devassa sobre suas origens”.

É interessante perceber que o que causa espanto a Nabuco é Veríssimo ter chamado Machado de mulato, e não ter dito que as qualidades de medida, tato, bom gosto e elegância, na vida e na arte, eram alheias aos mestiços como ele, um neto de escravos. Pensamento condizente com um governo brasileiro que discutia a nossa condenação ao atraso e à pobreza de espírito, adquirida via mestiçagem. A solução seria tentar reproduzir, nos trópicos, a pureza de sangue europeia, sonho de consumo antigo das elites portuguesa, na época do Brasil colônia, e brasileira, pelo que parece, até os dias atuais.

A ideia de embranquecimentos dos brasileiros é antiga, e muitos eram abolicionistas não por questões humanitárias, mas porque acreditavam ser necessário estancar o quanto antes a introdução de sangue negro entre os nacionais. Em um ensaio publicado em Lisboa, em 1821, o médico e filósofo Francisco Soares Filho aponta a heterogeneidade do Brasil como o grande empecilho para o país se tornar um Estado Moderno: “Hum povo composto de diversos povos não he rigorosamente uma Nação; he um mixto de incoherente e fraco”. O livro de Andreas Hofbauer, Uma história do branqueamento ou o negro em questão, transcreve vários trechos do artigo de Francisco Soares Filho, “Ensaio sobre os melhoramentos de Portugal e do Brasil”, entre os quais destaco o que fala da necessidade e das vantagens de se promover a miscigenação controlada:

“Os africanos, sendo muito numerosos no Brasil, os seus mistiços o são igualmente; nestes se deve fundar outra nova origem para a casta branca. (…) Os mistiços conservarão só metade, ou menos, do cunho Africano; sua côr he menos preta, os cabellos menos crespos e lanudos, os beiços e nariz menos grossos e chatos, etc. Se elles se unem depois à casta branca, os segundos mistiços tem já menos da côr baça, etc. Se inda a terceira geração se faz com branca, o cunho Africano perde-se totalmente, e a côr he a mesma que a dos brancos; às vezes inda mais clara; só nos cabellos he que se divisa huma leve disposição para se encresparem. (…) E deste modo teremos outra grande origem de augmento da população dos brancos, e quasi extinção dos pretos e mistiços desta parte do Mundo; pelo menos serão tão poucos que não entrarão em conta alguma nas considerações do Legislador.”

Hofbauer também cita o artigo de António d’Oliva de Souza Sequeira, “Addição ao projeto para o estabelecimento politico do reino-unido de Portugal, Brasil e Algarves”, de 1821, no qual, além de reforçar as ideias do benefício da mestiçagem de seu conterrâneo, aponta a necessidade de promover a imigração:

“Como o Brasil deve ser povoado da raça branca, não se concederão benefícios de qualidade alguma aos pretos, que queirão vir habitar no paiz. (…) E como havendo mistura da raça preta com a branca, (…) terá o Brasil, em menos de 100 annos todos os seus habitantes da raça branca. (…) Havendo casamentos de brancos com indígenas, acabará a côr cobre; e se quizerem apressar a extinção das duas raças, estabeleção-se premios aos brancos, que se casarem com pretas, ou indígenas na primeira e segunda geração: advertindo, que se devem riscar os nomes de “mulato, crioulo, cabôco” e “indígena”; estes nomes fazem resentir odios, e ainda tem seus ressaibos de escravidão (…) sejão todos ‘Portuguezes!”.

(Um breve parênteses: não sei se sou apenas eu que consigo ver semelhanças entre o discurso acima, de 1821, com o de “esqueçamos isso de brancos, negros, amarelos etc… somos todos Brasileiros!”, muito comumente encontrados em artigos de Ali Kamel, Demétrio Magnoli e Yvonne Maggie, por exemplo, apoiados pelo requentamento da teoria da mestiçagem, feito por Gilberto Freyre.)

A ideia de que, em 100 anos, os brasileiros seriam todos brancos, foi atualizada em 1911 por João Batista Lacerda, diretor do Museu Nacional. Nessa época o cientificismo já tinha biologizado o conceito de raça, e o racismo brasileiro se dividia entre duas correntes de pensamento. A segregacionista, que dizia que a mestiçagem já nos tinha posto a perder e que nunca seríamos uma nação desenvolvida; e a assimilacionista, que apostava na salvação através do processo de branqueamento, com imigrantes europeus.

Apostando sempre no seu povo, essa última tornou-se a posição oficial do governo brasileiro, que tentava vender, no exterior, a ideia de um país com grande futuro à espera dos europeus; ou à espera de europeus, para ser mais exata. Participávamos de feiras e congressos internacionais, disputando imigrantes com Argentina, Chile e Estados Unidos, e o discurso de Lacerda, representante brasileiro no I Congresso Universal de Raças, em Londres, tenta aplacar o medo dos europeus de compartilharem o Brasil com uma raça inferior:

“(…) no Brasil já se viram filhos de métis (mestiços) apresentarem, na terceira geração, todos os caracteres físicos da raça branca [...]. Alguns retêm uns poucos traços da sua ascendência negra por influência dos atavismos(…) mas a influência da seleção sexual (…) tende a neutralizar a do atavismo, e remover dos descendentes dos métis todos os traços da raça negra(…) Em virtude desse processo de redução étnica, é lógico esperar que no curso de mais um século os métis tenham desaparecido do Brasil. Isso coincidirá com a extinção paralela da raça negra em nosso meio“.

A elite intelectual brasileira, formada por literatos, políticos, cientistas e empresários, indignada com as declarações do diretor do Museu Nacional, foi debater nos jornais e revistas. Alguns clamavam que 100 anos era um absurdo de tempo, que o apagamento do negro se daria em muito menos. Outros debochavam do otimismo de Lacerda, como o escritor Silvio Romero, que acreditava que o processo, que todos concordavam ser irreversível, levaria, pelo menos, uns seis ou oito séculos. Mas todos concordavam que era apenas uma questão de tempo, desde que o Brasil continuasse a promover a entrada de brancos europeus, a não fazer nada para integrar os negros que já estavam no país ou para baixar a taxa de mortalidade entre eles, e a dificultar a entrada de novos africanos.

De fato, o governo brasileiro financiou a vinda de imigrantes europeus, não fez absolutamente nada que ajudasse escravos e libertos e proibiu a entrada de africanos. Um decreto de 28 de junho de 1890 diz que estava proibida a entrada de africanos no Brasil, e é reforçado por outros em 1920 e 1930, quando os banidos não necessariamente precisam ser africanos, mas apenas parecer. Em 1945, um decreto lei não mais proíbe, mas diz que:

Art. 1o – Todo estrangeiro poderá, entrar no Brasil desde que satisfaça as condições estabelecidas por essa lei.

Art. 2o – Atender-se-á, na admissão de imigrantes, à necessidade de preservar e desenvolver, na composição étnica da população, as características mais convenientes da sua ascendência européia, assim como a defesa do trabalhador nacional.

Imigração europeia

Tal decreto, me parece que foi revogado apenas 1980. Mas as “características mais convenientes” da nossa ascendência europeia ainda são as desejáveis e estimuladas pelo governo, como nos mostra, exatamente 100 anos depois do pronunciamento de João Batista Lacerda, diretor do Museu Nacional, esse comercial da Caixa Econômica Federal.

O fato mais visível é o branqueamento de Machado de Assis. Sobre esse assunto, que é longo e complexo, sugiro a entrevista com o professor Eduardo de Assis Duarte e, para quem quiser se aprofundar um pouco mais, a leitura de seu livro “Machado de Assis Afrodescendente: escritos de caramujo”. Veríssimo, atendendo ao apelo de Nabuco, nunca incluiu o artigo em seus livros; e para acabar com qualquer dúvida quanto à mulatice, a certidão de óbito de Joaquim Maria Machado de Assis diz que o grande escritor, da “cor branca”, faleceu de “arteriosclerose”.

Questionada pelo ato falho, a assessoria de imprensa da Caixa se manifestou, dizendo que “o banco sempre se notabilizou pela sua atuação pautada nos princípios da responsabilidade social e pelo respeito à diversidade. Portanto, a Caixa sempre busca retratar em suas peças publicitárias toda a diversidade racial que caracteriza o nosso país”. Mas há também outro fato interessante no universo europeizado do comercial: no Rio de Janeiro de 1908, circulam apenas brancos.

O comercial, assinado por “Caixa – 150 anos” e “Governo Federal – País rico é país sem pobreza”, apaga completamente as presenças negra e mestiça da capital federal do início do século. Tais atitudes colocam o governo como propagador e vítima das políticas oficiais de branqueamento da população e de ensino deficiente, voltado para o descaso com e o esquecimento do passado escravocrata brasileiro.

Tivessem os profissionais envolvidos na criação, produção e aprovação de tal comercial estudado um pouco mais a vida dos africanos no Brasil, não teriam cometido erros tão banais. E tão graves, porque em nome de um governo e de uma instituição que diz ter uma história construída por todos os brasileiros, mas que parece, nesse caso, retratar apenas aqueles brasileiros que sempre foram mais brasileiros do que os outros. A nossa desigualdade entre iguais.

Tivessem esses profissionais dado uma olhada nos levantamentos demográficos da época (embora “raça” não tenha entrado nas estatísticas entre 1890 e 1940 – porque “éramos todos brasileiros”…) ou nas crônicas publicadas em jornais e revistas da época, ou o interesse de conhecerem um pouco melhor o assunto em questão, saberiam que a população negra e mestiça do Rio de Janeiro deveria ser, no mínimo, 30 e 40% do total, mas aparentava ser muito mais.

A então capital federal, onde já era numerosa a presença de escravos e libertos, recebeu grandes contingentes de negros e mulatos após a assinatura da Lei Áurea, chegados das áreas rurais e de diversas partes do Brasil. Eles eram, então, a maioria a circular pelas ruas, em busca de emprego, que não havia, ou fazendo bicos, tentando se adaptar à nova realidade. Uma “sociedade movediça e dolorosa”, como nos contam as crônicas de João do Rio, entre tantas outras tão fáceis quantos de achar, caso houvesse interesse.

Para continuar lendo, clique aqui.

PS do Viomundo: Alguém poderia nos indicar livros ou teses sobre o “branqueamento” do Brasil?

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112 Comentários para “A Caixa, Machado de Assis e o branqueamento do Brasil”

  1. ter, 24/04/2012 - 12:03
    osk

    E afinal o que querem os brasileiros que não se consideram de características européias? Querem ser ressarcidos por um passado onde foram oprimidos? Ou pretendem demonstrar as grandes realizações do continente africano em termos de civilização?
    Vamos ter calma, esta onde de vitimização oculta um rancor e racismo que assim se legitimiza.
    É necessário facultar o acesso ao estudo e a educação, mas privilegiando o esforço.
    branco pobre, negro pobre, tem oportunidades? Quais?
    Não tenho vergonha de ser branco, mestiço, ou de etnia africana.
    Mas não vou viver cheio de ódio e racismo! Todo mundo se discrimina, a soluçao para as questões pessoais é e sempre foi o dinheiro. Quem quer ser aceito, procure ganhar dinheiro, e logo verá que esqueçe toda esta retórica negra, ou nazista, isto é tudo um escapismo para quem não tem o que deseja.
    Não tenho orgulho em ser negro, ou branco, gostaria de ter orgulho de ser brasileiro.
    E quantos brancos realmente europeus estão na política? Semitas , eslavos , todo tipo de miscigenação nos governa. Estaremos bem governados? Estaremos sendo vítimas do político branco?
    Sem hipocrisia, sem exagero, sem racismo.
    Soluçao para o brasileiro: estudar e ganhar dinheiro.
    Quem tem dinheiro nao tem cor.

  2. ter, 11/10/2011 - 15:18
    lui

    Muito bom o artigo!

  3. qui, 22/09/2011 - 0:34
    Ivan Jotta

    Cara, fantástico esse artigo!

    Sensacional!

    Parabéns para a escritora! Muito perspicaz!

  4. [...] A Caixa, Machado de Assis e o branqueamento do Brasil [...]

  5. [...] A Caixa, Machado de Assis e o embranquecimento do Brasil   [...]

  6. ter, 20/09/2011 - 11:58
    Bonifa

    Custa a cre, quase não acredito mesmo, que Joaquim Nabuco, o homem que mais lutou pela liberdade dos negros no Brasil, inclusive publicando talvez o mais sério livro sobre a escravidão em todo o mundo, o seu "A Abolição", tenha dito escrito a José Veríssimo esta inacreditável carta. Mas enfim… Estes são já episódios passados no Século Vinte e, no fim da vida, certos homens sofrem de encolhimento intelectual e até moral.

  7. ter, 20/09/2011 - 11:47

    O livro "O Conde de Gobineau no Brasil" (Georges Raeders, editora Paz e Terra) é bem interessante. É um livro de bolso que dá pra ler numa tarde. Ele foi um diplomata francês no Brasil do século XIX. Ele dizia que a população brasileira estava fadada à extinção devido à mestiçagem e escreveu livros sobre o assunto.

    Outra dica é o filme "Quanto vale ou é por quilo". Imperdível. Ele tem várias cenas da situação dos escravos no século XIX e de quebra ainda faz uma ponte com um conto de Machado de Assis sobre um capitão do mato caçador de escravos.

    Luciopim

  8. ter, 20/09/2011 - 10:59
    O_Brasileiro

    O "apartheid" brasileiro não é apenas social. É étnico também. Façam uma visita ao shopping Higienópolis (SP). (Não posso falar dos shoppings da Barra da Tijuca porque não vou lá há muito tempo.) Vejam quantos governadores negros tiveram SP, RJ e MG. Vejam a proporção de médicos negros. E de juízes.
    É a violência do "apartheid" brasileiro que gera a violência urbana. Negros querendo deixar de ser "negros" (pobres) e brancos não querendo se tornar "negros" (pobres). O problema da cor da pele não é ela estar associada a nenhuma inferioridade física ou cultural, e sim a cor negra da pele estar associada à pobreza.
    Por isso as políticas anticíclicas são tão importantes, entre as quais se destacam as cotas raciais.

  9. ter, 20/09/2011 - 9:34
    FrancoAtirador

    .
    .
    <img src="http://catinha.dk/img/twins.jpg"&gt;

    A inglesa Kylie Hodgson e o marido Remi Horder com as filhas gêmeas.

    Os avós das meninas são negros e as avós são brancas.
    .
    .

  10. ter, 20/09/2011 - 9:27
    Fátima

    "O imaginário social é composto por um conjunto de relações imagéticas que atuam como memória afetivo-social de uma cultura, um substrato ideológico mantido pela comunidade. Trata-se de uma produção coletiva, já que é o depositário da memória que a família e os grupos recolhem de seus contatos com o cotidiano. Nessa dimensão, identificamos as diferentes percepções dos atores em relação a si mesmos e de uns em relação aos outros, ou seja, como eles se visualizam como partes de uma coletividade. Dênis de Moraes" . O Brasil ainda não se vê como mestiço? Até a miss universo é e o presidente americano são afro-descendentes. Esse imaginário social que eclipsa nossa descendência africana é muito forte no meio publicitário, que pouco se importa com as questões sociais ou raciais. Caberia à direção da caixa, ou ao setor publicitário da empresa a percepção da situação. Seria pedir demais?

  11. ter, 20/09/2011 - 9:07
    Marco Vitis

    Ana Maria

    "Para que esse país comece a conhecer e respeitar sua História", como você afirma, é necessário que cada um conheça e valorize as instituições que contribuem para a promoção da cidadania.

    Você não conhece a CAIXA.

    Se a conhecesse, não a equipararia ao "branqueamento de Machado" promovido por Joaquim Nabuco. O seu próprio texto refuta a sua conclusão. Você mesmo reconhece que a CAIXA tem 14.000 funcionários que foram homenageados com um belíssimo comercial no Dia da Consciência Negra. Que outra instituição fez isso, além da CAIXA ?

    A CAIXA tem uma política de pessoal que valoriza a diversidade, que promove a equidade de gênero. Nos últimos cinco anos a CAIXA foi presidida por uma competente mulher. Estes são fatos históricos, que você aparentemente desconhece. E se os conhece, por que os omite ?

    Você faz uma enunciação, sem fundamento, que revela o seu provável desconhecimento da CAIXA. Você afirma: " por ter lucrado, talvez ilegalmente, com o dinheiro dos escravos, e fazer disso motivo de orgulho". A sua premissa é uma mera suposição : "talvez ilegalmente". Mas com base nessa premissa, que tacitamente reconhece ser sem fundamentação verdadeira, mesmo assim você assertivamente afirma que a CAIXA faz disso motivo de orgulho. Conclusão falsa. Não tem validade lógica e não tem comprovação na realidade. Mas é uma insidiosa, uma falsa insinuação que pode iludir alguém desatento.

    A CAIXA é uma instituição que desde a sua origem recebe "as pequenas economias das classes menos abastadas". Isto é um fato histórico, presente até hoje. Você, Ana Maria, tem ideia de quantos milhões de brasileiros discriminados foram bancarizados pela CAIXA nos últimos anos. Estou falando de milhões de brasileiros. Você sabe quantos ?

    Você tem noção de quantos imóveis para cidadãos de baixa renda a CAIXA viabilizou financeiramente ? Você tem noção da qualidade dos serviços prestados pela CAIXA aos programas sociais que atendem aos brasileiros excluídos ?

    Você, Ana Maria, não conhece a CAIXA. Pois se conhecesse jamais faria uma afirmação tão falsa e insidiosa como esta: "Talvez isso também pudesse ser chamado de exploração de mão de obra escrava. Da qual, hoje, a Caixa se orgulha." Outra vez um "talvez" na premissa e outra conclusão logicamente inválida e semanticamente falsa, porque é uma calúnia contra todos os funcionários da CAIXA (inclusive os descendentes de escravos que lá trabalham).

    Como historiadora competente, que talvez seja, você deveria se basear em fatos reais (que estão ao seu alcance) e não em suposições que produzem conclusões falaciosas e agridem uma das instituições da qual todo cidadão brasileiro, como eu, pode se orgulhar.

  12. ter, 20/09/2011 - 1:31
    Leonardo Câmara

    Adorei vocês terem levantado este tema. O fato me deixou chocado de imediato. Lembro-me de estar assistindo TV com minha filha quando passou o desafortunado comercial. Chamei a atenção dela para este incidente.

    É notório que Machado, assim como os irmãos Rebouças eram brasileiros miscigenados eminentes no final do século XIX. Os responsáveis pelo comercial tem a obrigação moral de apresentar uma retratação púbica.

  13. seg, 19/09/2011 - 22:50
    Lucas

    Grande retrospectiva sobre o conceito de mestiçagem e "branqueamento" na história do Brasil. E muito bom quando artigos fazem uma revisão assim, colocando a notícia em seu contexto. Ótimo também lembrar que muitos dos nosso abolicionistas eram movidos mais por medo dos africanos do que pelo humanitarismo.

    Quem me dera se ensinassem esse e outros fatos inconvenientes nas aulas de história para as crianças do futuro (se bem que agora, com a internet, é possível que as crianças do futuro não precisem das escolas para ensinar tais fatos pra elas).
    .

  14. seg, 19/09/2011 - 20:51
    Fabio_Passos

    E o papel da mídia-corrupta – globo / veja / estadão / fsp – na perpetuação do racismo brasileiro?

    repercutindo lá no Nassif…

    "O racismo velado, por Kabengele Munanga" http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-racism

    "
    Revista Fórum – como o senhor vê o tratamento dado pela mídia à questão racial?

    Kabengele – A imprensa faz parte da sociedade. Acho que esse discurso do mito da democracia racial é um discurso também que é absorvido por alguns membros da imprensa. Acho que há uma certa tendência na imprensa pelo fato de ser contra as políticas de ação afirmativa, sendo que também não são muito favoráveis a essa questão da obrigatoriedade do ensino da história do negro na escola.

    Houve, no mês passado, a II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial. Silêncio completo da imprensa brasileira. Não houve matérias sobre isso. Os grandes jornais da imprensa escrita não pautaram isso. O silêncio faz parte do dispositivo do racismo brasileiro.

    (…)

    O silêncio da imprensa não é um silêncio neutro, é um silêncio que indica uma certa orientação da questão racial.
    "

  15. seg, 19/09/2011 - 20:07
    FrancoAtirador

    Escravidão, nacionalidade e “mestiços políticos”

    Por Celso Noboru Uemori, doutorando em Ciências Sociais pela PUC-SP e membro do NEILS (Núcleo de Estudos de Ideologias e Lutas Sociais)

    Resumo:
    Este artigo aborda esses temas: a influência da escravidão sobre a constituição da
    sociedade brasileira; a abolição e alforria como instrumentos capazes de extirpar
    os “males de origem” produzidos pelo regime servil; o efeito deste na constituição
    do que Joaquim Nabuco denominou de “mestiços políticos”, ou seja, a coexistência
    na mentalidade do brasileiro do autoritarismo do senhor e da submissão do
    escravo.

    http://www.pucsp.br/neils/downloads/v11_12_celso….

  16. seg, 19/09/2011 - 19:19
    Francisco

    Gosto mais do Lima Barreto. Ele não tinha conta bancária…

  17. seg, 19/09/2011 - 19:02
    Carlos Cruz

    Pois é, um comercial de um banco estatal, num governo petista, que se diz "social", discriminando a raça negra, fazendo a descaracterização de um icone da literatura brasileira, Machado de Assis, para pregar o esquecimento e a importancia da raça negra, admirada, no Brasil. É o PT aí, gente. Um partido elitista, branco, de olhos azuis. Racismo puro! É o Pt, hoje, em sua essencia, demagogo. Até a elição vir, quando mudam e passam a sorrir e a mostrar os dentes…

  18. seg, 19/09/2011 - 17:00
    will

    Agências de propaganda fanfaronas….olha que o responsável car-de-pau falou:

    O “Politicamente Correto” fez mais uma vítima na propaganda brasileira. Reclamação pública da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial iniciou um movimento de “condenação” ao novo comercial da campanha dos 150 anos da Caixa Econômica Federal. Segundo a entidade, o “imortal” Machado de Assis, mulato de família pobre do Rio de Janeiro, virou branco no filme que celebra os clientes importantes da instituição. José Henrique Borghi, sócio e diretor de criação da Borghi Erh Lowe, agência responsável pelos 12 comerciais mensais que celebram o século e meio da Caixa, explica a confusão. “Claro que fizemos pesquisa, óbvio que sabemos que Machado de Assis era fruto de miscigenação. Tanto que ao ser escolhido pela semelhança de fisionomia, o ator passou por um processo de maquiagem a fim de que sua pele fosse escurecida. Devido a uma série de fatores, iluminação principalmente, o resultado na exibição do filme não é o imaginado”, diz. Borghi lembra que a acusação de racismo é absurda, especialmente porque a Caixa é uma instituição que tem em seu calendário, entre outras datas, a comemoração do Dia do Negro. “Em nossas campanhas para a Caixa também existe a preocupação de retratar todo o povo brasileiro. Em cada filme procuramos adequar a participação de brancos, negros, mulatos, orientais e índios, já que a história da instituição está ligada ao desenvolvimento do País”, afirma. “Por essa razão estamos muito tranqüilos com relação a esse assunto. Nosso objetivo com a campanha é retratar fielmente cada época. O nosso Machado de Assis pode ter ficado um pouco mais claro do que o desejado mas também não é nenhum nórdico, louro de olhos azuis”, conclui reclamando do exagero das manifestações.

    • seg, 19/09/2011 - 17:11
      Clovis Pacheco Filho

      Eu me recordo que houve anteriormente uma campanha publicitária, não me lembro de que, em que o pianista Laércio de Freitas apareceu caracterizado como Machado de Assis. Laércio é mulato e seus traços fisionômicos se parecem bastante com os de Machado. Poderia ter sido novamente o personagem em questão, e tudo estaria bem mais próximo do real!

  19. seg, 19/09/2011 - 16:46
    Bonifa

    Observei imediatamente este "cordial" absurdo. E fico feliz com o post, que não contribui para não deixá-lo passar "em branco".

  20. seg, 19/09/2011 - 16:19
    Jota Ricardo

    Quem seria o ator sueco do comercial? Aposto no bergmaniano Erland Josephson. Achei que ele já tinha morrido( seria uma explicação por estar mais pálido do que o habitual). Pesquisei e vi que está vivo, com 88 anos. Então exageraram na maquiagem…

  21. seg, 19/09/2011 - 15:56
    damastor dagobé

    mais pouco ele (Machado) começava a escrever em sueco;…aliás..todos os clientes dos bancos brasileiros – pelas famílias retratadas nas propagandas – são nórdicos…eles que são brancos que se entendam né?

  22. seg, 19/09/2011 - 14:03
    Luciano Prado

    Vem pra Caixa você também… Vem!

    Vai?

  23. seg, 19/09/2011 - 13:36
    mucio

    Um dia espero poder ver desaparecerem pela mestiçagem todos os brancos, pretos e índios.
    BRASIL MESTIÇO

  24. seg, 19/09/2011 - 13:31
    yacov

    Zumbi, José do Patrocínio, Aleijadinho, Machado de Assis, Pelé, os sambistas geniaias da velha guarda da Portela, Paulinho da Viola, Pixinguinha, Cartola, os Golden Boys, e tantos outros que contribuíram e contribuem para o engrandecimento da cultura brasileira e para o nascimento de uma grande civilização tropical bronzeada, como pregou o grande profeta Darcy Ribeiiro. VIVA OS NEGROS DO BRASIL!!! PS – Duvido que as nossas elites pensantes tenham tanto medo e olgeriza de um negro se ele for rico. Assinado: um branco de olhos azuis, que nada tem de rico.

    "O BRASIL PARA TODOS não passa na glObo – O que passa na glOBo é um braZil para TOLOS"

  25. seg, 19/09/2011 - 12:33
    Rael

    Azenha, parabéns pelo post!
    Sobre a questao do "branqueamento' especificamente e relações raciais de forma geral, além dos já citados pelo pessoal acima, há também interessantes como: A integração do negro na sociedade de Classe (florestan fernandes); A negociação da identidade nacional (Jeffrey Lesser); Classes Raças e democracia (Antonio Sérgio Guimarães); Discrimnação e Desigualdades raciais no Brasil ( Carlos hasnbalg); Negro e Brancos em São Paulo (Geroge Andrews); O brasil café com leite (CArolina Vianna Dantas); Uma história nao contada: negro, racismo e branqueamento em sao paulo (Petronio Domingues)….

  26. seg, 19/09/2011 - 12:01
    Danilo Morais

    Além das ótimas referências de Conceição Oliveira e Idelber sugiro o livro "Diploma of whiteness: race and social policy in Brazil, 1917-1945", escrito em 2003 por Jerry Davila. Entre outros achados o trabalho de pesquisa de Davila aponta, por exemplo, como a carreira no magistério foi "branqueada" no Brasil – haviam mais professores negros no início do séc. XX que no final da primeira metade deste mesmo século.

  27. seg, 19/09/2011 - 11:43
    zepgalo

    Nesse ano de 2011 o que eu já escutei de coisas como "o Brasil é assim por causa dessa misturada de raças", ou algo do tipo, não cabe numa mão. Isso de pessoas com graduação, com mestrado e doutorado, velhas e novas.

    E gente das "melhores universidades do Brasil". Vá num restaurante da USP e escute o que a maioria dos alunos acham sobre mestiços, negros, índios, nordestinos, muçulmanos, etc. É de arrepiar a espinha.

    Quanto maior o "nível intelectual" do sujeito, parece que mais racista e preconceituoso ele é. E nem se dá conta disso.

  28. seg, 19/09/2011 - 11:43
    Rosiméri

    No que refere a História da Educação no Brasil, temos varios
    autores que tratam desssa questão.
    História Antropologia e a Pesquisa educacional (O mestiço brasileiro: estereótipos e 'cientificismos")
    Marcos Cesar de Freitas ;
    A Escola e a República e outros ensaios de Marta Maria Chagas de Carvalho

  29. seg, 19/09/2011 - 11:42
    Antonio

    Alguém sabe me dizer porque a Argentina não tem negros? Buenos Aires foi um dos principais portos de chegada de escravos na América e dizem que o tango tem origem africana. O Chile, o Paraguai e a Bolívia também não têm negros. Todos esses países tem muitos descendentes de nativos americanos, mas não de negros.
    Eu, como descendente de negros, índios e europeus, sinto-me um verdadeiro e orgulhoso brasileiro!

  30. seg, 19/09/2011 - 11:39
    Daci

    Só dias desses é que descobri ou entendi o comercial da caixa, eu muito boba não via o Machado naquele senhor e ficava sem entender o comercial!! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK sou boba mesmo!

    • seg, 19/09/2011 - 13:58
      Alexandre Felix

      Fique tranquila Daci, você não é boba…o comercial que é equivocado e ruim. Abs.

      • seg, 19/09/2011 - 18:05
        Daci

        Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk dei muitas gargalhadas quando entendi quem fazia o papel do Machado de Assis, juro que demorei mesmo, só pequei no tranco!!
        Até quando vão tentar nos enganar, como posso dizer a minha neta que aquele senhor faz o papel do Machado?? Ta dificil!!

  31. seg, 19/09/2011 - 11:35
    Nilson Lage

    1. Há perto de 50 anos, vi em arquivo do Correio da Manhã várias fotos de Machado, jamais publicadas ou retocadas, de quando teve um ataque epilético numa estação ferroviária. Era mulato, mais escuro do que o mostram, com traços europeus no rosto.
    2. Como linguista, posso assegurar que a palavra "mulato" perdeu, no Brasil, o viés pejorativo que tinha ainda, em segmentos intelectuais, no início do século XX, enquanto o manteve nos Estados Unidos. Para isso contribuíram a presença de muitos mulatos em posições sociais e intelectuais destacadas da vida brasileira – de Roberto Marinho a Mário de Andrade – e, mais que tudo, o fascínio que a mestiça, mais que a negra, desperta no desprezado mas ainda dominante sexo (gênero é coisa de gramática) masculino.

  32. seg, 19/09/2011 - 11:12
    Alexandre Felix

    Pois é..ainda tem gente que se espanta, quando um doido norueguês diz que a causa da falta de denvolvimento no Brasil é a mestiçagem. Ainda temos muito que aprender. Este texto lança luz sobre um tema que eu não tenho muita informação e me dá bons argumentos contra racistas e ignorantes, de uma forma geral. Muito obrigado, gostei muito!

    • seg, 19/09/2011 - 12:41
      Ana Giulia Zortea

      Me desculpe, mas não acredito que o governo tenha alguma parcela de culpa neste assunto. A Caixa é publica sim, mas tem seus diretores e o pessoal de marketing e se o governo digo a presidenta ter que tomar conta de todos as empresas publicas até mesmo para uma campanha de marketing acredito que ela não teria condições de tratar de assuntos mais importantes, por isso que é preciso saber delegar, e nós cidadãos sabermos cobrar de quem realmente deve ser cobrado, neste caso as pessoas que aprovaram tal campanha, que acredito deve ser alguém que fez concurso para trabalhar na caixa e ocupa o cargo independente de partido político.

      • seg, 19/09/2011 - 17:27
        Klaus

        Posso concordar Ana Giulia, mas se fosse uma propaganda do governo de São Paulo você viria aqui discordar, dizer que a culpa não é deles mas dos diretores de marketing? Não, né? Você não discutiu a essência do meu comentário, que é a diferença de tratamento dado pelos comentarista do blog a fatos ligados ao governo federal e aqueles do governo paulista (ou qq da oposição).

      • seg, 19/09/2011 - 17:51
        Conceição Lemes

        Klaus, a Aninha Zortea tem 11 anos. É a mais jovem leitora do Viomundo. Lembra-se daquela garotinha que enquadrou o Aleluia aqui no Viomundo, porque ele criticou o Lula pelo título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Coimbra? É a mesma. Na epoca, tinha 10 anos!!!!!!!!!!!! abs.

      • seg, 19/09/2011 - 19:27
        Orsola Ronzoni

        Caraca, essa guria é um gênio! Com apenas 11 aninhos consegue ler um texto longo, intricado e de certa forma meio maçante, e ainda fazer ilações de extrema pertinência. Uau! Acho que o QI dela deve ultrapassar os 500. Engane-me que eu gosto.
        Klaus, você está com toda a razão: se fosse um governo tucano a einsteisinha viria aqui para "enquadrar" a tucanada para deleite dos Top-Ten do blog.

      • seg, 19/09/2011 - 22:09
        Ana Giulia Zortea

        Orsola não sou gênio, apenas gosto de ler e de me manter informada e acho que pra isso não se tem idade.Se tivesses lido um pouco mais teria visto que em meu primeiro comentário desta matéria falei sim que a caixa era publica, mas acredito realmente que se deve responsabilizar os verdadeiros culpado e que neste caso é a direção da caixa. E o texto não é "maçante" como falaste, talvez por eu ter interesse no tema abordado, li sim todo o texto e continuei a leitura no link que levava para outra pagina, e amei saber mais coisas, sobre a caixa, empresa que mesmo sendo publica portanto é do povo, pensarei duas vezes se terei algum tipo de conta no futuro nesta empresa que não respeita a verdadeira história de seu povo.
        AH, mais uma coisa obrigada por teres me ensinado mais uma palavra(ilações), quando li primeiro pensei que tivesses escrito errado mas procurei um dicionário e agora ja sei que não erraste e já sei inclusive o que significa. Como vês, não sou nem um gênio apenas gosto de aprender, entendeu????

      • ter, 20/09/2011 - 0:38
        Celso

        Que baixaria, Orsola! Faz jus ao nome.

      • ter, 20/09/2011 - 11:56
        Orsola Ronzoni

        Para Celso
        Baixaria?! Estou apenas contestando a capacidade desta menina de ler e interpretar um texto extremamente difícil, com várias citações e bastante hermético. E uma menina de 11 anos consegue lê-lo e entendê-lo. Ora, me poupe! A não ser que ela seja uma superdotada, sócia da Mensa, sociedade formada na Inglaterra por pessoas de alto QI, hoje espalhada pelo mundo e que apenas aceita pessoas com QI na faixa dos 2% superiores da população. Se assim for, dou a mão à palmatória.

      • ter, 20/09/2011 - 9:09
        Fátima

        Uma menina de 11 anos é enormemente mais arguta que muitos comentaristas ressentidos que postam na blogosfera.

      • ter, 20/09/2011 - 10:48
        O_Brasileiro

        Você fez um grande elogio à Ana Giulia.
        Mas talvez só acredite nisso se vir que ela tem mesmo 11 anos.
        Ou seja, ela tem uma fé nos seres humanos bem maior do que a sua. E talvez por isso ela consiga ter uma capacidade argumentativa ainda maior.

      • ter, 20/09/2011 - 17:33
        Klaus

        Como diz o Lula, "se você conhecer uma pessoa muito idosa esquerdista, é porque ela está com problema. Se acontecer de conhecer uma pessoa muito jovem de direita, também está com problema." Tamos aí eu e a Aninha pra dar razão pro Tio Lula.

      • seg, 19/09/2011 - 17:52
        Conceição Lemes

        Aninha, que bom te ver por aqui! Salve, queridíssima. Beijo enorme pra vc. Outro pra mãe Angela.

      • ter, 20/09/2011 - 0:38
        Christian Schulz

        Zortea é mais esperta que toda a diretoria da CEF.

      • ter, 20/09/2011 - 10:28
        Alexandre Felix

        Oi Ana. Foi um prazer enorme descobrir que você tem 11 anos. Me anima ver que muitos jovens tem a consciência que você tem; embora a maioria pense o contrário, que os jovens são todos alienados…grande engano. Espero ler seus comentários muitas vezes por aqui…abraço!

  33. Hoje muitos antropólogos, biólogos e cientistas percebem que, na verdade, o que está a ocorrer no mundo é o contrário, a evolução biológica produziu seres com uma pele cada vez mais morena e negra, devido à quase ausência de pelos no ser humano. É por isso que a tez melânica é dominante, é uma simples questão de proteção. Com o passar do tempo, a mistura genética produzirá, portanto, uma raça que tende às características dos gens dominantes.

    Em termos leigos podemos colocar assim: se eu me casasse com a Naomi Campbell (uhu), nossos filhos nasceriam com pele escura. A natureza sabe o que faz.

    • seg, 19/09/2011 - 12:43
      EUNAOSABIA

      Entendi.

    • seg, 19/09/2011 - 16:51
      Vinícius

      Roberto, desculpe, mas nada a ver. Não é assim que a evolução funciona. A evolução funciona por tentativa e erro. Assim: Você tem 10 filhos com a Naomi Campbell. Alguns serão escuros como ela, outros claros como vc, a maioria estará entre um extremo e outro.

      Se vocês se mudarem para o Saara ou para o Cerrado, os clarinhos vão sofrer e tendem a morrer antes de deixar descendentes. Mesmo que lhe dêem netinhos, a taxa de sobrevivência de pessoas mais escuras será sempre maior; a tendência é você ter uma descendência com a bela cor da Naomi.

      Já se vocês forem para a Finlândia, os mais escuros vão produzir pouca vitamina D, pois o sol fraco quase não lhes afeta, terão problemas no desenvolvimento, e eles e seus netos tenderão a morrer antes de se perpetuarem: ou seja, sua descendência tenderá a ser tão alva quanto o pililimpimím da sua musa. Foi assim que a pele escura dos Homo sapiens de origem africana clareou ao longo das migrações.

      • Pois é exatamente isso, Vinícius, tentativa e erro. A pele desbotada foi um erro ou, pelo menos, tornou-se uma inadequação.

        A Índia é um exemplo muito bom. Habitada, no passado, pela Civilização do Vale do Indo, uma etnia negra, foi invadida por hordas de bárbaros arianos aproximadamente em 1500 AC. Esses ancestrais dos vikings invadiram, conquistaram e ocuparam. Todos brancos. No entanto, ao viajarmos à Índia, de norte a sul, não os vemos mais, pois a natureza, sabiamente, os extinguiu através da mestiçagem. No sopé dos Himalayas é muito frio, neva. Ao sul o calor é escaldante e o sol brilha o ano inteiro. No entanto, os gens arianos foram pro beleléu tanto ao norte como ao sul.

        É possível saber mais sobre isso nos livros Civilização do Vale do Indo, de Sir Mortimer Wheeler, e El Culto de Lo Femenino, de Andre Van Lysbeth.

      • ter, 20/09/2011 - 10:16
        Vinícius

        Ah Roberto, não é assim não…

        Primeiro que os brâmanes e xátrias são mais claros que as castas mais baixas. Isso é evidente. A dominação ariana se manteve, as castas são um sistema racial. E por "ariano" entenda "povo euro-asiático", não tem nada a ver com nazismo. Era só um povo tão bárbaro quanto todos os outros daquela época.

        Segundo, a pele clara não é um "erro", é uma mutação. É tão "erro" quanto a falta de pêlos, os caninos pequenos e o polegar opositor… Nossos ancentrais chegaram na Europa e começaram a morrer, pq a luz do sol era muito fraca. Falta de vitamina D. Sobreviveram (ou viviam com mais saúde) os que tinham a pele mais clara, ou seja, não faltava vitamina D. Tem mais: põe dois caras pelados na neve, um tem o nariz basal, o outro tem o nariz grande, cavernoso, como os europeus. Quem tem mais frio? Então houve seleção em relação à temperatura também (provavelmente numa Era Glacial, não fazia 40 graus na França…).

      • Vinícius, esses arianos tinham tudo a ver com os nazistas e vice-versa. Num dos Vêdas (os livros considerados sagrados pelo hinduísmo), o deus ariano Indra diz, textualmente: "É preciso preservar a pureza da raça ariana". Ahá, uma frase que o Goering, ministro de Hitler, amou quando leu. Nesse mesmo livro está a suástica, símbolo ariano antigo depois adotado pelos nazis.

        O sistema de castas é um sistema racista, sem dúvida. Mas a verdade é que, mesmo nas castas mais "puras", não há mais arianos "puros", todos têm a pele melanizada, uns mais, outros menos. Embora, ao conversar sobre isso com os de casta mais alta, eles digam: "Nós arianos…".

      • qua, 21/09/2011 - 5:33
        Beto

        Se trata sempre de adaptação ao ambiente!
        E demanda muitas gerações… organismos que se reproduzem mais rápido se adaptam em menos tempo!
        Acontece que o ambiente tem se modificado bastante, ultimamente, para todos os organismos!
        Vamos se misturar minha gente, miscigenação!
        Viva o Povo Brasileiro!

      • ter, 20/09/2011 - 10:26
        Vinícius

        Não tenha complexo contra sua pele não cara… não é muito prática, queima, enche de pintas, mas é a que você tem né? A gente vai se virando como pode, passando protetor solar, pondo chapéu na cabeça, hehehe E olha, homem não precisa ser bonito, só ser engraçado e saber temperar distância com atenção. É ou não é?

        Só sei de uma coisa: não é com pseudociência que a gente vai reverter centenas de anos de humilhação e violência, cuja vítima, aliás, não foi um tom de pele, mas um POVO, pessoas concretas…

      • qua, 21/09/2011 - 6:03
        Beto

        Creio que a evolução funcione por tentativa e acerto!

    • seg, 19/09/2011 - 16:54
      Vinícius

      Mas mesmo com o que eu disse, seria um processo de dezenas de milhares de anos.

    • seg, 19/09/2011 - 17:21
      Klaus

      Caramba, esta teoria foi de amargar. Onde inventaste isto, na mesa do bar?

    • seg, 19/09/2011 - 19:00
      O Ilustrador

      Poucas vezes li tanta bobagem reunida. Para começar pelo próprio conceito de raça, cientificamente já derrubada. Você poderia me citar algumas fontes por obséquio?

    • ter, 20/09/2011 - 0:14
      maxz

      Há dois mil anos ,dizem os cientistas , não existia no mundo nenhuma pessoa com olhos claros .Estes só apareceram quando o homem colonizou a escandinávia .

    • ter, 20/09/2011 - 15:43
      Beto

      A espécie é Homo Sapiens, as raças são adaptações da espécie aos diferentes ambientes em que se desenvolveram. Nessa nossa época globalizada , na qual a maioria dos seres da espécie vive em ambientes urbanos artificiais, o intercâmbio genético na sociedade mais miscigenada do mundo que é a brasileira tende a formar a raça do futuro, global, fruto da contribuição genética de todas as raças.
      Viva o povo Brasileiro!!!

  34. seg, 19/09/2011 - 9:18
    damastor dagobé

    essas discussões "intelectuais" sempre me fazem lembrar o Grande Millor Fernandes antes
    de sua fase Veja: "se os russos chamavam sua classe letrada de inteligentsia,em sua língua, a nossa não poderia ser outra coisa que não…burritsia. "

  35. seg, 19/09/2011 - 9:16
    Conceição Lemes

    Luana Tolentino, historiadora e professora em BH, nos mandou por e-mail as suas sugestoes. Estão abaixo. Valeu, Luana, obrigadíssima. Beijo em vc, abraços gerais.

    Segue dois livros que a meu ver tratam com primor a questão do branqueamento no Brasil:

    "Rediscutindo a mestiçagem no Brasil", do antropólogo Kabengele Munanga.

    "O espetáculo das raças", da Historiadora Lilia Morirz Schwarcz.

    Aproveito para indicar também o livro "Machado de Assis: afro-descendente", do professor e pesquisador Eduardo de Assis Duarte. Eduardo sofreu duras críticas ao publicar este livro, justamente por desconstruir a figura de um Machado de Assis branco e alheio às questões raciais. Vale a pena ler!

  36. seg, 19/09/2011 - 9:01
    virginia langley

    O mais curioso em minha opinião é que ninguém cita Afonso Henriques de Lima Barreto, o maior de todos na opinião de Otto Maria Carpeaux o maior critico literário do Brasil que diz que o único problema com Machado de Assis é que ele é um escritor inglês..e voltando a Lima Barreto, o unico que nao tinha alma branca, o unico que realmente incomoda. Sintomatico dos problemas da boa consciencia dos nossos bem pensantes.

  37. seg, 19/09/2011 - 8:55
    Julio Silveira

    Eu e minha esposa percebemos o erro na propaganda, talvez fruto desse preconceituoso, mas não assumido, preconceito. Preconceito, que dentro da alma racista dos formadores dessas opiniões, não aceitam um negro (por que mulato para os racistas é negro), ser o vulto de maior dimensão na literatura brasileira. Apesar disso tudo, rimos bastante, mas o assunto é sério principalmente vindo de uma instituição que é do estado brasileiro e deveria ser um pouco mais politicamente correta e passar ao publico uma informação mais associada a realidade histórica. Francamente foi uma bola fora.

  38. seg, 19/09/2011 - 7:32
    gregorio de matos

    E tão ingênua essa vontade de ser branco que habita a mente dos brancos(só se for na bahia) do brasil ,esse sentimento de desterro . Pobres ,expulsos do paraíso : Europa dos sonhos deles, Grecias idílicas , Italias de Berluscones e bunga-bungas. É ainda necessário superar esses resquiços do pseudo- ciêntificismo entre nos . Entendo que o brasil só vai se encontrar quando eleger não só um presidente mestiço+pra negro ou indio ,mas quandos pessoas do povo mestiço do brasil dotadas "clareza mental " sobre a nossa indentidade cultural(parece inevitável que só um negro (que a rigor de uma analise mais profunda ,mesmo na bahia,já nao é um negro puro africano (é o branquiamento funcionou ,mas não como os idiotas pretenciosos queriam ,eles não leram muito Mendel) brasileiro possa fazer isso ; o desenvolvimento de uma consciência sobre a real identidade étno-histórica do nosso povo)entrarem se tornarem predominantes na política nacional .Lula e Dilma são degraus indispensáveis ,mas eles tem que cumprir outras tarefas hercúleas,o presidente mestiço + pra preto ou indio do brasil ainda esta por vir ,e sem ele jamais seremos uma nação de verdade que se aceita como é. Até por que a luz do pensamento germânico que ainda domina o mundo ( eu moro na Alemanha)da França pra baixo é todo mundo escuro (como eles dizem aqui : diesen südlichen tip=esses tipos do sul) e nem venha do Rio Grande do Sul com sobrenome Schutz ou Müller pensando que é branco ,que vc ,só vai ser privado do shock ,se tiver a sorte de não encontrar os extremistas ,(que falam o que realmente pensam ). Como me falou um autodenominado:"chileno " nascido na Alemanha ,filho de pai chileno branco e mãe alema (ao me convidar para ir em uma passeata brigar,sair na mão ,contra os nazis): "Eu nem sabia que eu era chileno até que um dia eu estava de noite sozinho numa estação de metro em Köln,quando um grupo de jovens (como ele)começou a me bater e gritar "auslender aus" (vai embora daqui estrangeiro),então eu comecei a ir pras manifestações do nazis pra brigar contra eles também."Isso tudo não tem ,nada haver com ciência esse pessoal que acredita na superioridade de quem quer que seja sobre quem quer seja, se dividem basicamente entre os que não tem noção e são induzidos pelos que sabem, que se trata apenas de uma forma de dominar; seja contra o pretos por serem pretos , os pobres alemaes por serem pobres,os que não tem doutorado por serem burros ,o homosexuais por serem homosexuais,as mulheres por serem mulheres,os poloneses por serem polones(eslavos de um modo geral são inferiores por serem mesticos,prega o pensamento nazi,e latinos, é melhor nem comentar ,e melhor usar e jogar fora ,que era o que os nazis queriam fazer com os italianos e os japoneses,e chegaram a tentar fazer com os russos,mas se deram mal)Agora ficam esse monte de babacas no brasil e no mundo inteiro, querendo ser nazista,como um paulista que eu conheço aqui ,que em grupo batia em gays em SP,chegou aqui berlim tomou um sapeca-iaia dos nazis e caiu na real .

    • seg, 19/09/2011 - 12:11
      beattrice

      Os EUA elegeram Obama e a sociedade americana não amadureceu nem evolui com isso.
      Lamentavelmente.
      A evolução de um agrupamento social repousa em outros fatores,
      como educação e saúde, ambas pautadas nos direitos humanos históricos.

  39. seg, 19/09/2011 - 7:25
    niveo campos e souza

    Bendita mestiçagem!!!
    Salve Darci Ribeiro

    Niveo Campos e Souza

  40. seg, 19/09/2011 - 7:15
    EUNAOSABIA

    Na estação de metrô Santa Cecília aqui em São Paulo, tem um grande mural com muitas fotos do cotidiano da vida brasileira de tempos antigos, sempre uso essa estação, tem umas fotos de Machado de Assis em diferentes fases da vida, quando jovem, ele chega a lembrar quase o Ronaldinho Gaucho, mas na propaganda da CEF e do governo Dilma, ele lembra mais o Alexander Von Humboldt.

    Ai se fosse uma propaganda da antiga "Nossa Caixa" do governo de um Tucano.

    Já tinha petista acusando o PSDB de homofobia, outros fazendo greve de fome e um pedido de CPI estaria em curso.

    Mas como eles são amigos das coisas mais avançadas e mais progressistas, nada disso vai acontecer, afinal, eles que amam as coisas mais avançadas e mais progressistas são melhores do que nós os atrasados reacionários.

    • seg, 19/09/2011 - 7:59
      Klaus

      Se fosse da NossaCaixa ou qualquer governo da oposição, até as Ley dos Medios seria lembrada, os nazistas, o apartheid, iam viajar na maionese e surfar na batatinha em cima deles. Como é do governo federal, que é do PT, não há uma crítica sequer ao governo federal ou a CEF, que é quem dá o de acordo ao comercial. Assim vamos indo na blogosfera independente que se acha completamente diferente do "PIG".
      Outra: nenhum dos "Top 10" do blog aparece aqui pra comentar.

      • seg, 19/09/2011 - 12:42
        EUNAOSABIA

        Klaus, você disse tudo, comentário totalmente pertinente.

        Esses caras não passam é de farsantes, mentem acima de tudo para si mesmos.

        Eu rolo de rir é quando dizem que Lula é de esquerda, que são contra o neo-liberalismo (a maioria desses incultos se quer sabe o que é isso), que são anti capitalistas (por que não vão para Cuba experimentar um pouco do paraíso comunista na terra?) e por aí vai, são grandes bafentos isso sim.

        Demagogos, mentem sem a menor desfaçatez, e o pior, mentem acima de tudo para si.

      • seg, 19/09/2011 - 13:24
        Ana Giulia Zortea

        Klaus meu comentario abaixo foi para você.

      • seg, 19/09/2011 - 19:03
        O Ilustrador

        Exatamente. A diferença desses blogs ´para o PIG é só de lado, veja que os grandes defensores da educação pública em sp e mg não deram uma única nota sobre a greve no rs, que tem as mesmas reinvindicações. Puro proselitismo.

    • seg, 19/09/2011 - 9:35
      C R TEIXEIRA

      Por falar nisso quem é dono da "Nossa Caixa"?

    • seg, 19/09/2011 - 11:04
      Alexandre Felix

      Nunca mais uso a estação de metrô Santa Cecília…

    • seg, 19/09/2011 - 11:28
      edv

      Não me consta que vc possa discutir este assunto no seu PIG miRdiático, némêz?

    • seg, 19/09/2011 - 13:18
      yacov

      Parabéns, "EUNÂOSABIA" !! Vejo que o seu cérebro não está totalmente prejudicado e inutilizado e você ainda tem alguma percepção. Falou uma grande verdade. A propósito, diga-nos: Quantos políticos, e/ou parlmentares negros ou homossexuais tem no PSDB????

      "O BRASIL PARA TODOS não passa na glOBo – O que passa na glOBo é um braZil para TOLOS"

  41. seg, 19/09/2011 - 3:07
    Adilson

    O PIG levando mais uma lapada. Vide link a seguir: http://www.hariovaldo.com.br/site/2011/09/17/moda

  42. Azenha!

    Estou pra te indicar esta série de documentários há algum tempo, Black in Latin America, da PBS, TV pública americana, com o professor Henry Louis Gates. Imperdível pra você e todos os leitores do Viomundo. Tem episódios sobre vários países latino-americanos. O link abaixo é o episódio do Brasil, "Brazil: A Racial Paradise?" (espero que o link abra fora dos EUA):
    http://www.pbs.org/wnet/black-in-latin-america/fe

    abs!
    :D

  43. seg, 19/09/2011 - 2:21
    maria utt

    Há um quadro, Azenha, chama-se Redenção de Cam, de Modesto Brocos, de 1895, que é perfeita síntese da "tese" do branqueamento nas artes plásticas.

  44. seg, 19/09/2011 - 2:10
    Edson

    Somos negros, brancos, mulatos, somos um jogo de futebol, somos um gol . . . . . . . . e uma maior torcida.

  45. seg, 19/09/2011 - 1:53
    Arthur Schieck

    Sou um grande fã de Richard Dawkins e tenho que admitir que não me aventuro muito nas ciências sociais. Tem dois livros dele que eu li que abordam a questão das raças, o "gene egoísa" e principalmente o livro "a grande história da evolução" cujo "conto do gafanhoto" explica um pouco como surgem as diferentes raças (para ele, etnia é um eufemismo). Ele levanta questões interessantes como, por exemplo, a herança africana de Colin Powel. "se um ET chegasse a terra e visse juntos Condoleezza Rice, Donald Rumsfeld, George Bush e Colin Powel, certamente ele classificaria Condoleezza em um grupo racial diferente dos outros 3". Mas para todo mundo Powel é negro. Por que? Entender biologicamente como isso funciona é, pra mim, suficiente pra condenar qualquer forma de racismo, inclusive o "racismo do bem" que são as políticas de cotas que usam esses critérios. Eu não gosto do "somos todos brasileiros". Prefiro dizer que somos todos humanos.
    O comercial da CEF na minha opinião foi racista sim, mesmo que de forma inconsciente.

    • seg, 19/09/2011 - 13:17
      Silvio I

      Arthur Schieck:
      Os negros assim como os brancos, tem diferenças antropológicas. Todo depende da região da África, que foram seus antepassados. Agora não gostei como se referiu a cotas. Pense que os negros, e indígenas, e por este motivo, ser os mais pobres da sociedade, esta sempre os radiou. Isto se quer recuperar.A pesar de ser todos brasileiros, eles nunca puderam concorrer a um bom colégio.Existe forçosamente, uma diferença cultural.Pense que se encontra em um borde de um precipício, mais que tem que passar para u outro lado.Vai a lançar uma corda com um gancho, para poder usar ela como si fosse uma ponte. Depois de passar retira a corda. Nos estamos em este caso necessitamos passar um obstáculo que tem 300 anos.Necessitamos valer nos de algo, ate que este algo, não seja mais necessário.Não pense que isso vai ocorrer amanha, isso sô vai a ocorrer, quando estes que usarão as cotas estejam formados, e seus filhos já terão outro standard de vida, ai se poderão retirar as cotas, porque eles ai ,estarão em igualdade de condições. Agora não estão em igualdade de condições. Tem-se que dar uma pequena vantagem, para que possam chegar, a um destino juntos.

      • seg, 19/09/2011 - 16:59
        Vinícius

        Sou a favor de cotas também. Essa questão de "quando retirar a corda" é interessante. Retirar quando, em 10 anos? Em 10 anos não dá tempo contra não sei quantos anos de escravidão mais não sei quantos anos de Estado racista mais não sei quantos anos de jogador de futebol passando pó de arroz no corpo…

        Então quanto, 25? É o espaço de uma geração. Acho que é uma medida legal. Mas la pergunta: depois de uma geração inteira acostumada com um direito, quem é que vai tirar esse direito? E se 25 anos não bastarem, e prorrogarem as cotas? Quem vai tirar um direito que existe há 50 anos? Já tem que ir pensando nisso…

      • ter, 20/09/2011 - 8:07
        Ze Duarte

        Eu não sabia que negros e indios não podiam estudar em bons colégios… tipo, é proibido?
        Então os filhos de Pelé por exemplo devem ser beneficiados pelas cotas pelo fato de serem negros? O fato de serem negros os prejudica? Você acha que os negros são inferiores e por isso merecem cotas? Você é racista?

    • seg, 19/09/2011 - 14:27
      Paulo

      Para todo americano Powel é negro assim como Obama. Brasileiros veem muito a cor da pele como o que caracteriza uma etnia.
      Para americanos o que vale é a gota de sangue. Voce pode ser a décima geração com a cor da pele branca, olhos verdes, loiro de cabelo liso, nome sueco e sobrenome anglo-saxão mas, se a 500 anos atras tiveste um antepassado negro, voce é negro.

    • ter, 20/09/2011 - 9:00
      Fátima

      Arthur, também sou uma grande fã de Richard Dawkins. Ele é muito esclarecedor. Leio algo dele todo dia.

  46. seg, 19/09/2011 - 1:30
    macz

    O extermínio de negros no Brasil é evidente . É só olhar as estatísticas ;em Salvador são 30 mortes por arma de fogo no fim de semana .

  47. seg, 19/09/2011 - 0:40
    Selma

    Já contei esse caso o blog do Nassif… História real, nomes fictícios… Maria é uma mulher de mil afazeres. Por isso mesmo, e por ser um pouco atrapalhada, está sempre atrsada para os seus compromissos. Um deles é o de buscar sua filha na escola. Maria recorre, hora ao Pedro hora ao João. A diretora da escola – que não deveria!!!!! – entrega a enina e ainda pergunta como vai Maria, manda lembranças e outras gentilezas… Como tudo pode ficar pior, certo dia Maria não pode contar nem com tempo nem com os dois rapazes. O que fazer? Ah! o Joaquim!! Bem, Joaquim é ducado e daquele tipo que mesmo sério tem um sorriso no rosto. – Que isso, dona Maria, não é estorvo nenhum. Quando Joaquim chega à escola, a diretora levanta-se, tentar disfarçar o espanto, puxando a blusa para baixo para arrumar a postura. Ela pede licença ao Joaquim, vai à outra sala e telefona para Maria. Fala sobre a situação, desconfia e pede para Maria descrever as aparências de Joaquim. A diretora pede desculpa, ressalta a preocupação da instituição com a segurança das crianças, manda mais lembranças para Maria e libera a menina. Qual é a tez de Joaquim?

  48. seg, 19/09/2011 - 0:03
    Celso

    Parabéns, Azenha e Conceição pelo post que é uma trabalho sério de jornalismo. Tratar de assunto tão sensível é essencial em qualquer publicação da imprensa.

  49. dom, 18/09/2011 - 23:58
    Ana Giulia Zortea

    Quando vi a propaganda da caixa, pensei eles erraram feio colocaram um senhor branco representando Machado de Assis que era mulato. Depois minha tia falou que a agencia de publicidade é que deveria ser perguntada sobre isso. Falei que a agencia poderia até ter que se explicar, mas como ja fiz alguns comerciais sei que quem da a ultima palavra antes de aprovado o trabalho é a cliente neste caso a CAIXA. São estas coisas que muitas vezes me envergonham de ser brasileira( apesar de amar o meu Brasil). A caixa é uma empresa publica, e isto que ela aprovou foi uma falta de respeito com todas as pessoas negras e mulatas, a impressão que tenho é que querem dizer que um negro não seria capas de ser quem Machado de Assis foi, só que esquecem que isto é um fato ele nasceu mulato e morreu mulato e nada e nem ninguém pode mudar isto.O
    Brasil tem que aceitar e aprender a respeitar a raça negra. O negro no Brasil não teve nem o direito de ter a sua própria história, digo isso porque a maioria dos sobre nomes que os negros usam não são de suas origens e sim dos senhores de seus antepassados, e pelo que sei os livros que continham os registros dos escravos foi queimado, e com isso queimara também o direito de um povo saber sua verdadeira origem, de que parte da Africa vieram, quais seu verdadeiros sobrenomes entre tantas outras coisas. No Brasil uma família negra que não passou por nem uma miscigenação dificilmente conseguira chegar ao fim de sua arvore genealógica, como todas as outras famílias oriundas de outras raças. Isto é um assunto que se for pra debater vai muito longe, por isso vou parar por aqui e me desculpem por ter tomado tanto espaço.

    • seg, 19/09/2011 - 23:19
      Conceição Lemes

      Aninha, querida, vc me enche de esperança, felicidade e orgulho. Tenho certeza de que se os demais comentaristas soubessem que vc tem 11 anos também ficariam muito felizes. Vc representa o nosso futuro. Escreva o quanto quiser, sempre que quiser. Um beijo enorme, boa sorte no campeonato no Rio Grande do Sul.

  50. dom, 18/09/2011 - 23:46
    Marcio H Silva

    Para mim, um dos melhores livros.
    O Povo Brasileiro é uma obra do antropólogo Darcy Ribeiro, lançada em 1995, que aborda a história da formação do povo brasileiro.Darcy Ribeiro descreve no livro que:
    "[...] Todos nós, brasileiros, somos carne da carne daqueles negros e índios supliciados. Todos nós brasileiros somos, por igual, a mão possessa que os supliciou. A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de nós sentida e sofrida que somos e a gente insensível e brutal, que também somos. Como descendentes de escravos e de senhores de escravos seremos sempre servos da maldade destilada e instilada em nós, tanto pelo sentimento da dor intencionalmente produzida para doer mais, quanto pelo exercício da brutalidade sobre homens, sobre mulheres, sobre crianças convertidas em pasto de nossa fúria."A mais terrível de nossas heranças é esta de levar sempre conosco a cicatriz de torturador impressa na alma e pronta a explodir na brutalidade racista e classista." (1995, p.120)

  51. dom, 18/09/2011 - 23:40
    Christian Schulz

    A CEF me enche de orgulho, como não poderia deixar de ser…

  52. dom, 18/09/2011 - 23:03
    Almeida Bispo

    Olha, incomoda-me essa coisa de acusar Portugal de nos influenciar malignamente, inclusive nessa coisa de raça. Em primeiro lugar por Portugal, salvo casos esparsos, nunca foi de falar mal de mestiçagem; e nem nunca teve autoridade pra isso. Em segundo, que tudo que foi plantado no Brasil em termos de costumes veio principalmente da Inglaterra, depois, pela ordem, França, Espanha e Alemanha… O Brasil, e em especialm suas elites, nunca quiseram se identificar com Portugal. Nunca quiseram assumir sua raiz. Há uma coleção excelente de relatórios dos diversos governos provincias no http://www.crl.edu (ver Collections, Brazilian provincials reports) e lá se ira ver o tempo inteiro se debatendo a educação na Espanha, Alemanha, França e principalmente na Inglaterra. Nem uma vírgula sobre Portugal. É a nossa mania de macaquinho de imitação, especialmente de nossa elite que tem atrasado o país; e não nossa mestiçagem.

    • seg, 19/09/2011 - 1:30
      Arthur Schieck

      Sou Fluminense (mas meu time é Flamengo rs..) e posso dizer que quando estive em Lisboa me senti em casa, não por conta do idioma, mas por toda a cultura que me cercava. Naqueles poucos dias lá percebi que nós brasileiros somos excencialmente "portugueses", tanto para o bem quanto para o mau. Nossa cultura pode ter influências indígena, africana, italiana, espanhola e talvez, como bem disse, inglesa, alemã e até francesa, mas na excência o que nos define melhor é a influência portuguesa. O racismo do nosso povo é só uma das muitas influências que vieram de além mar.

    • qua, 21/09/2011 - 10:02
      Bonifa

      A sorte do Brasil, em ter sido colonizado por portugueses é algo tão precioso que chega-se a suspeitar de intervenção divina. Como poderíamos ser uma grande e rancorosa Espanha, um Canadá misto de Haití, Uma Indonésia sem cultura malaia, uma destroçada guiana inglesa gigante? Somos portugueses, somos brasileiros e esta é nossa identidade magnífica. Os primeiros europeus que chegaram no Oriente, ensinaram aos chineses a fazer sopa e aos japoneses a fazer tempurás. Sem nenhum resquício de poderes feudais no sentido europeu, que jamais existiram em Portugal, porque o povo não permitiu. Somente agora, sofrendo a influência da opção pela aproximação com a União Européia, Portugal experimenta o odioso sentimento do racismo e a presença de bandos de jovens fascistas. Portugal futuramente deverá desvincular-se destas influências malígnas, e aprofundar suas relações com seus filhos de além-mar, Brasil, Angola, Guiné, Moçambique, Timor.

      • seg, 26/09/2011 - 10:48
        Vinícius

        Sim e não! Nas ilhas das ìndias os portugueses se comportavam como piratas. Tinham uma estratégia assim: primeiro, faziam contato. Na segunda visita faziam acordos, ficavam mais amigos. Na terceira, aproveitavam as boas vindas para chegar quebrando tudo (para saquear mas também para estabelecer fortes). E podiam com os "índios", pois tinham superioridade de armas; mas só até essa estratégia ficar conhecida, e os comerciantes muçulmanos começarem a se organizar (com ajuda genovesa, inclusive, acreditam?).

        Foi esse comportamento ridículo que afundou suas possibilidades de expansão no Oceano Índico. Os holandeses foram com mais calma, acabaram virando uma influência muito mais duradoura naquela parte do mundo.

  53. dom, 18/09/2011 - 22:53
    Silvio I

    Azenha:
    Ninguém pensou, que a herança tem leis. E que ela vai pulando, passadas algumas gerações volta aparecer um negro ou mulato, em uma família toda de olhos azuis. Ai vai ser um Deus nos acuda.Sô se salvará com o DNA.

  54. dom, 18/09/2011 - 22:45
    Luiz Lima

    Pode consultar a obra de Florestan Fernandes "A integração do negro na sociedade de classes". Estes volumes foram reeditados recentemente pela Ed. Globo, e são encontrados facilmente.

  55. dom, 18/09/2011 - 22:41
    mariafro

    Este Texto do André Botelho traz uma síntese da grande questão que atormentou nossos ideólogos em fins do XIX e quase toda a primeira metade do XX:
    CIENTIFICISMO À BRASILEIRA: NOTAS SOBRE A QUESTÃO RACIAL NO PENSAMENTO SOCIAL
    http://www.achegas.net/numero/um/andre_b.htm

  56. dom, 18/09/2011 - 22:35
    aparecidafernandes

    Viomundo,

    o prof. Alípio de Souza Filho, da UFRN, tem tese de doutorado sobre o tema. Ele analisa extamente o fato de o país ter-se alicerçado sobre a ideia de que o nosso "atraso" como nação reside na nossa mestiçagem. Não lembro o título do trabalho, mas pode ver no lattes dele ou procurar no banco de teses da UFRN.

  57. dom, 18/09/2011 - 22:31
    mariafro

    Azenha para começar

    Estrangeiro em Sua Própria Terra Representações do Brasileiro… – MARCIA REGINA CAPELARI NAXARA – Annablume;

    Onda Negra, Medo Branco: o Negro no Imaginário das Elites Séc. XIX – Celia Maria Marinho De Azevedo;

  58. dom, 18/09/2011 - 22:19

    Salve, Azenha, salve Conceição. Sobre branqueamento no Brasil, eu sugiro:

    1. "Uma história do branqueamento ou o negro em questão", livro de Andreas Hofbauer (São Paulo: Editora Unesp, 2006).

    2. "Negotiating National Identity: Immigrants, Minorities, and the Struggle for Ethnicity in Brazil", livro de Jeffrey Lesser (Durham e Londres: Editora Universitária de Duke, 1999).

    3. "Preto no branco: Raça e nacionalidade no pensamento brasileiro". livro de Thomas Skidmore (Editora Paz e Terra, 1976).

    Forte abraço.

  59. dom, 18/09/2011 - 22:00
    Gerson

    SALVE A MULATADA BRASILEIRA.
    (Martinho da Vila com Zeca Baleiro)
    http://youtu.be/EeaYVWwDd4w

    …José do Patrocínio, Aleijadinho..Machado de Assis que também era mulatinho…Salve a Mulatada Brasileira…

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