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2011, o pior resultado da reforma agrária dos últimos 16 anos

publicado em 6 de março de 2012 às 15:13

por Roldão Arruda, em  O Estado de S. Paulo, via site do MST

O programa de reforma agrária do governo da presidente Dilma Rousseff (PT) assentou no ano passado 22.021 famílias, de acordo com números que acabam de ser divulgados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Trata-se do mais baixo índice registrado nos últimos 16 anos, que englobam também os governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O melhor índice foi registrado em 2006, quando 136.358 famílias tiveram acesso à terra.

Em Pernambuco, onde o Movimento dos Sem Terra (MST) contabiliza quase 15 mil famílias acampadas à espera de um lote de terra, o governo assentou apenas 102 famílias no ano passado. Foi o número mais baixo entre todas as unidades da federação.

“Os números comprovam que a reforma agrária não é considerada prioritária pelo atual governo. Eles são vergonhosos”, disse nesta segunda-feira, 5, José Batista de Oliveira, integrante da coordenação nacional do MST. De acordo com suas informações, do total de 22.021 assentamentos anunciados pelo governo, apenas 7 mil ocorreram em áreas que foram desapropriadas especialmente para a reforma agrária.

“Boa parte do que o governo põe na conta de assentamento é, na verdade, regularização de lotes fundiários, que estavam abandonados ou ocupados de maneira irregular”, diz o representante do MST.

Demanda menor. O presidente do Incra, Celso Lisboa Lacerda, tem outra avaliação. Ele disse que um dos fatores que explicam a redução no número de assentamentos é a queda na demanda. “Há muito menos famílias acampadas hoje do que no governo do presidente Lula”, afirmou.

Pelas estimativas do Incra, o total de famílias acampadas em todo o País gira em torno de 180 mil. É a metade do que existia no início do governo Lula.

Outro fator importante, ainda segundo Lacerda, é a mudança de concepção do foco de atenção que teria ocorrido no atual governo. “No governo de Fernando Henrique, a única coisa que se fazia era a distribuição de lotes. Com o Lula surgiu a preocupação em dotar os assentamentos de infraestrutura”, disse. “Houve mais investimento na construção de estradas, casas, redes de energia elétrica e de água.”

Com a ascensão de Dilma, segundo o presidente do Incra, o foco passou a ser criação de melhores condições para que os assentados produzam e gerem renda. “Boa parte da estrutura do Incra está dedicada hoje à assistência técnica, melhoria das condições de infraestrutura, regularização ambiental”, afirmou. “Isso reduziu em parte a capacidade de assentar novas famílias, mas é preciso compreender que a reforma não se resume à criação de novos assentamentos. Na verdade, a parte mais difícil vem depois da concessão do lote às famílias, que é o desafio de inserir as pessoas no processo produtivo, na agricultura familiar.”

Um terceiro fator que teria influenciado a queda dos assentamentos, segundo Lacerda, foi a demora na definição da sucessão no Incra. Ele tomou posse no final de março e as diretorias das superintendências regionais só foram completamente definidas em setembro.

A demora fez com que a maior parte do orçamento só fosse executada no final do ano. “Fizemos o pagamento de áreas para a reforma que ainda não apareceram nos números de 2011. Eles só vão aparecer nos resultados deste ano.”

O Estado que teve o maior número de assentamentos no ano passado foi o Pará, com 4.274 famílias. Isso vem se repetindo desde o governo de Fernando Henrique, porque se trata da região com maior área de terras pertencentes à União, que podem ser mais facilmente destinadas à reforma. Nos Estados do Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste a obtenção de terras é mais difícil – e muito mais cara.

Leia também:

Secretaria Nacional do MST: Balanço de 2011 e perspectivas para 2012

 

27 Comentários para “2011, o pior resultado da reforma agrária dos últimos 16 anos”

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  3. qua, 07/03/2012 - 21:06
    Mariza

    Dilma deve estar atolada até o pescoço, com essas alianças, pois o Ministro Aguinaldo Ribeiro que é da Paraiba, neto de Aguinaldo Veloso ,este é considerado o mandante dos assassinatos de dois líderes camponeses: João Pedro Teixeira Marido de Elizabete Teixeira, lider da Liga camponesa em Sapé-Pb e após 20 anos passados, também mandou assassinar Margarida Maria Alves, lider camponesa da cidade de Alagoa Grande, crimes repudiados no Brasil inteiro, o avô do Ministro nunca pagou pelos crimes. Sabe quantas vezes eu faria isso? nunca! quem duvidar pode pesquisar a história. Enquanto o povo brasileiro não tiver consciência, estaremos sujeitos a esse tipo de situação. São um bocado de abutres.

  4. qua, 07/03/2012 - 10:50
    Ulisses

    Hoje, com emprego bombando, quem quer pegar lote de menos de 20 ha que mal dá para subsistência?
    Atualmente mais de 50% dos sem terras são empregados que na realidade querem uma terrinha para divertir no final de semana e produzir alguma coisa como hortas, ovo, galinha e porco caipira. Podem observar, nas estradas onde há assentamentos observem os barracos onde teoricamente haveria uma família! Não há ninguém a não ser quando há distribuição de cestas básicas ou visita e reuniões do Incra ou dos próprios sem terras. Estão todos na cidade trabalhando graças ao governo PT! Há inclusive quem paga um senhor aposentado para ficar no barracão para garantir a vaga! Poucos são realmente agricultores reais. Ninguém quer trabalho braçal, pegar no guatambú não é moleza não, companheiro.

    • qua, 07/03/2012 - 12:12
      Porco Rosso

      Soninha, é você?

      • qua, 07/03/2012 - 20:22
        Ulisses

        Porquinho vermelho, Soninha ia dizer que no governo do PT o emprego tá bombando? É que eu sou profissional rural e tenho argumento para dizer que os novos não querem mais ficar no campo! Ainda mais em gleba cujo tamanho não dá condições de produzir nada em quantidade significativa para sua sobrevivência adequada. Quando ainda há a possibilidade de se estabelecer uma parceria integrada com empresas avícolas para produção de frango de corte ou de suínos paras fases de reprodução ou terminação, este produtor pode sobreviver sem luxos. No tempo do FHC, o trabalhador tentava uma gleba por que não havia emprego na cidade, mas hoje? Acho que você nunca pegou em um cabo de enxada e trabalhou o dia inteiro com o sol rachando seu lombo para saber o que é isto não? Alem de que o trabalhador está sozinho por que todas as empresas estaduais de assistência rural, EMATERs, estão sucateadas e não há concurso a pelo menos mais de 20 anos.

      • sex, 09/03/2012 - 11:27
        Miguel

        essa conversa de "poucos sao agricultores reais" da nojo. Agricultura e' genetica? Alias, tem alguem "lixeiro de verdade", "mecanico de verdade" ou "mendigo de verdade"? Cada uma…

      • sáb, 10/03/2012 - 3:44
        Felipe

        Talvez a única classe não estranhada na cidade seja a burguesia… Darcy Ribeiro é um bom interlocutor deste debate – o homem e o meio. Sem deixar de mencionar o grande Milton Santos.

  5. qua, 07/03/2012 - 10:38
    lulipe

    Onde estão os bravos defensores do Governo Petista???

  6. qua, 07/03/2012 - 8:52
    Araquem

    “… Boa parte da estrutura do Incra está dedicada hoje à assistência técnica, …"

    Essa gente nunca tem vergonha de mentir descaradamente. Em SP, por exemplo, para 20.000 famílias assentadas existem menos de 20 técnicos. O escritório de Andradina, responsável pela assistência técnica para 8.000 famílias só tem UM agrônomo. No Pontal, 5.000 famílias e UM técnico.
    E o ITESP, condenado na justiça por desvio de verbas federais está sendo contratado para assumir a assistência técnica do estado. Desfaçatez sem tamanho.

  7. qua, 07/03/2012 - 1:35
    Geysa Guimarães

    Também, pudera! Com o troca-troca de ministro e assessores, é natural que o governo, em 2011, apresente resultados menos robustos em todas as áreas.
    2012 promete ser melhor. As ligações perigosas entre o demo Demóstenes e Cachoeira vão ocupar a mídia e senadores inúteis por bom tempo.

  8. qua, 07/03/2012 - 1:18
    cleli

    O governo so governa para seus fins, nao importa mesmo os meios.

  9. qua, 07/03/2012 - 0:41
    Leonardo Câmara

    Enquanto isso os banqueiros estão enchendo as burras…

    Já passou da hora de levar a sério o discurso do PSOL. Como dizia o velho Briza: O PT é a esquerda que a direita gosta.

    Governo Dilma é neoliberal.

  10. ter, 06/03/2012 - 23:22
    Porco Rosso

    Caraca, ficar atrás do FHC é sacanagem.

  11. ter, 06/03/2012 - 22:59
    Renato M

    Para você conhecer uma pessoa dê a ela dinheiro e poder. O que aconteceu com os companheiros do PT é muito simples: aburguesaram-se até a medula. Atualmente o PT não passa de um partido reformista como tanto outros. Analisem quem no Norte e Nordeste apoia o governo. Renan Calheiros, Jader Barbalho, José Sarney… é melhor parar. Cadê aqueles que defendiam a aliança com o Kassab? Nunca li tantas tolices para justificar uma possível aliança que não se concretizou. Diga-se de passaagem não se concretizou não pelo PT, mas pelo despertar do vampiro. Procurem o Maluf talvez ele aceite uma aliança. Na verdade infelizmente o patrimonialismo continua a imperar no Estado brasileiro… Cargos, empregos, comissões… Esta situação gera um torpor político com consequências imprevisíveis para a nossa ainda incipiente democracia.

  12. ter, 06/03/2012 - 22:49
    Fabio_Passos

    O governo Dilma está atolado até o pescoço no favorecimento dos latifundiários e das transnacionais do agronegócio. Enquanto isso milhares de famílias de brasileiros continuam penando sem terra para produzir alimentos.
    soja para exportar prá china, código de aniquilamento florestal e veneno nos alimentos dos brasileiros são as grandes conquistas do governo do PT.

  13. ter, 06/03/2012 - 21:37
    Dom Pedrito

    O Lula começou e a Dilma continua a fazer do agronegócio a galinha dos ovos de ouro. Reforma agrária e agronegócio são incompatíveis, portanto, sobrou pra reforma agrária.

  14. ter, 06/03/2012 - 21:22
    Julio Silveira

    Com nosso camuflado governo que diz trabalhar para seus eleitores, mas agrada sobremaneira os aristocratas e outros "atas" de sempre, o MST, essa entidade nada independente que pare de reclamar, haja ou se cale como tem feito. Senão parece jogo de cena para tapear aqueles que ainda acreditam na possibilidade de uma reforma agrária de verdade.

  15. ter, 06/03/2012 - 20:50
    Francisco

    180 mil sem terra? Se a prioridade do governo Dilma é acabar com a miséria, eis aí 180 que podem ser contemplados. E não se trata de receber bolsa, se trata de coloca-los a produzir o feijão, arroz, banana que se consome nas cidades.

    Talvez por ser economista, Dilma terá planilhas formidáveis para apresentar ao fim do governo. Mas dentro das planilhas, tem gente!

  16. ter, 06/03/2012 - 20:03
    carneirouece

    Podem ficar com raiva, caros camaradas. Mas insisto em Dizer que pior que o governo da Dilma, só o do FHC.

    O Paulo Henrique amorim gosta de chamá-la de ''JK de saias". Eu prefiro a alcunha "FHC DE SAIAS". Só espero que o governo dela não se saia pior que o do dito-cujo. Ela está se esforçando….

  17. ter, 06/03/2012 - 19:49
    bad__boy

    Ah-rá, e agora, qual presidente o MST (e a petralhada) vai apontar como o que mais fez pela reforma agrária? Não vai ser nem Lula e nem Dilma, vai ser o glorioso farol, o professor de Sorbone, o único, o magnífico boca de suvaco FHC.

    E mais uma vez, mando minhas palavras de força para o ex-presidente Lula, o que menos fez pela reforma agrária nunca antes na história deste país, que neste momento está internado com infecção pulmonar!

    MORRE DIABO

  18. ter, 06/03/2012 - 16:48
    Alienígena

    Existem dois times, os puxa saco do PSDB e os puxa saco do PT, por que os "puxa" do PT não comentam nada quando os números são ruíns??????Não tem jeito, seja qualquer partido, os políticos só governam para os empresários………………………sou a favor das invasões mesmo, esperar os "recursos" do Estado é acreditar em papai noel……………….

  19. ter, 06/03/2012 - 16:38
    Felipe

    Perguntas de um Operário que Lê

    Quem construiu Tebas, a das sete portas?
    Nos livros vem o nome dos reis,
    Mas foram os reis que transportaram as pedras?
    Babilònia, tantas vezes destruida,
    Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
    Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
    No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
    Foram os seus pedreiros? A grande Roma
    Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
    Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
    Sò tinha palácios
    Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
    Na noite em que o mar a engoliu
    Viu afogados gritar por seus escravos.

    O jovem Alexandre conquistou as Indias
    Sòzinho?
    César venceu os gauleses.
    Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
    Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
    Chorou. E ninguém mais?
    Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
    Quem mais a ganhou?

    Em cada página uma vitòria.
    Quem cozinhava os festins?
    Em cada década um grande homem.
    Quem pagava as despesas?

    Tantas histórias
    Quantas perguntas

    Bertolt Brecht

  20. ter, 06/03/2012 - 15:36
    Fernando

    Descanse em paz, governo Dilma.

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