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Luiz Eduardo Soares: “Acabou o sossego para as elites brancas brasileiras”

16 de fevereiro de 2014 às 22h07

por Dario de Negreiros, do Rio de Janeiro, especial para o Viomundo* 

O imperativo de desmilitarização das polícias brasileiras tem aparecido com cada vez mais força e maior frequência no debate público, em especial dentre os setores mais progressistas.

Apesar disso, é raro encontrarmos textos que aprofundem a compreensão da questão e que ponham em pauta outras deficiências tão ou mais importantes de nossas instituições policiais.

Isso o faz, seguramente, o antropólogo Luiz Eduardo Soares, um dos autores da PEC-51, que altera radicalmente a arquitetura institucional da segurança pública no país.

Desmilitarização, ciclo completo e carreira única formam o tripé da emenda constitucional proposta pelo senador Lindbergh Farias (PT-RJ).

Nesta entrevista, concedida no dia 13 de janeiro, na Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), além da discussão mais geral sobre os impasses da segurança pública no Brasil, o professor faz sua análise sobre os resultados obtidos nesta área pelo governo Cabral, no Rio. Sem grandes motivos, em sua ótica, para otimismo.

“O governo parece ser o governo das empreiteiras, para os grandes eventos, a corrupção grassa e as reações às manifestação democráticas são reações repressivas do pior estilo”, diz. “Nós temos realmente uma corrosão da legitimidade política do governo do Rio que é espantosa.”

Soares ocupou os cargos de Secretário Nacional de Segurança Pública (em 2003, no governo Lula) e de Coordenador de Segurança, Justiça e Cidadania do Rio (entre 1999 e 2000, no governo Garotinho), quando foi também sub-secretário de Segurança Pública. Em parceria com os policiais do Bope Rodrigo Pimentel e André Batista, escreveu o livro Elite da Tropa, que deu origem ao filme Tropa de Elite.

Segue a íntegra da entrevista:

Viomundo – Com o passar dos anos, nota-se que o discurso de pessoas envolvidas com o tema da segurança pública tem ficado cada vez mais crítico em relação às UPPs. Inicialmente, falava-se de uma experiência de polícia comunitária, de uma alternativa às incursões bélicas às favelas, de se oferecer às áreas pobres um serviço público de segurança. Agora, fala-se da militarização da vida cotidiana, do cerceamento de liberdade da população das áreas ditas pacificadas, de um urbanismo de minoria que promove a segregação urbana e as remoções. Houve uma mudança na percepção que temos do projeto ou foi o projeto, em si, que piorou ao longo do tempo?

Eu acho que é uma mudança da realidade, que expressa etapas distintas do processo. Eu chamava sempre a atenção, desde o início, para o fato de que havia uma vantagem muito grande na supressão das incursões bélicas, nas quais morriam os inocentes, os eventuais suspeitos, eventualmente até policiais.

Essas incursões acabavam por envolver um certo tipo de apropriação de armas e drogas que eram revendidas pra outras facções ou para o próprio grupo que fora objeto dessa intervenção policial. E isso acabava por degradar ainda mais a imagem da instituição diante da população, porque essas negociações se davam à luz do dia e todos sabiam da magnitude, da profundidade da hipocrisia envolvida naquelas intervenções.

Entretanto, elas eram, por seu caráter bélico, dantescas nas suas consequências. Os sofrimentos se aprofundavam e, com eles, os ressentimentos, os estigmas, os preconceitos e o apartheid social se radicalizavam. E sem qualquer benefício, de qualquer espécie, para a comunidade ou mesmo para a cidade.

Nesse sentido, é sempre um avanço muito grande que você possa acabar com a lógica da intervenção bélica. E oferece um serviço 24h. Deveria ser assim pensado, me parece, o serviço de segurança pública, como outros serviços sociais.

Você dispõe do acesso a uma instituição cuja função constitucional é evitar que os direitos sejam violados. Então, para a fruição dos direitos, você precisa contar com um representante do Estado – se este representante age efetivamente desta maneira, inspirado e orientado pelo respeito aos direitos humanos e à legalidade constitucional.

Como frequentemente acontece nos bairros afluentes: não há invasão a Copacabana, à Gávea. Há provisão de um serviço 24h.

Eu sempre chamava a atenção, entretanto, para o fato de que, se as polícias não fossem transformadas, aquele projeto não teria futuro, não teria sustentabilidade. A ideia de prover um policiamento comunitário, de resolução de problemas, de proximidade, era inteiramente incoerente, incongruente e inconsistente, porque incompatível com a natureza dessa instituição, sua organização, sua cultura corporativa, com as práticas já mais do que assimiladas na sua linguagem cotidiana.

Era previsível que, se nós não alteramos as instituições, se não mudamos a estrutura organizacional, se a estrutura militar perdura, qualquer projeto que tenha uma intenção mais democrática acaba submergindo, acaba sendo derrotado por essa força inercial. E nessa caso é muito compreensível que haja uma degradação.

Em primeiro lugar, a seleção das favelas que recebem UPPs atende não às necessidades intrínsecas aos processos internos, mas aos projetos de cidade, projetos econômico-financeiros orientados para a valorização imobiliária, especulativa. Uma dinâmica que passou a governar a cidade, praticamente, e que tem conexão com as remoções.

E que determina o que eu chamo de “circuito Elizabeth Arden”: aquele circuito para inglês ver, que projeta uma vitrine do Rio de Janeiro, mais próxima do circuito turístico. E que é absolutamente coincidente com o circuito Olímpico e da Copa.

Em segundo lugar, [a degradação ocorre] pela natureza mesma do projeto. O projeto previa que, uma vez deslocados aqueles que se impunham pela força das armas àquelas comunidades, seria possível o Estado, então, cumprir seu dever, estar presente ali em todas as áreas: educação, saúde etc. Evidentemente isso não aconteceu.

Com a presença única e exclusiva desse braço do Estado, que é o braço policial, na ausência de qualquer outro tipo de representação do Estado, as implicações são as conhecidas. Este poder, substituindo o anterior, vai se converter em uma espécie de síntese do Legislativo, do Executivo e do Judiciário, que só pode ser, muito mais do que tutelar, tirânico. E vai decidir sobre baile funk, sobre questões que não lhe dizem respeito.

Nesse sentido, sim: há uma ilegalidade constante. As abordagens continuam sendo aquelas marcadas pelo racismo, pelo sentimento de classe. A linguagem violenta da polícia se replica, se reitera lá. A tendência é que aquilo comece a instaurar um quadro muito corrosivo, muito agressivo.

O importante, pra concluir, é que nós compreendamos todos os elementos que estão em jogo, pra evitar jogar fora a criança com a água do banho, como dizia meu avô.

Viomundo – E o que nós poderíamos dizer que as UPPs trouxeram de positivo à política de segurança pública e à população do Rio?

Três pontos, que me ocorrem agora.

Primeiro, a supressão das incursões bélicas. Segundo, a ideia de que é possível tratar as favelas como uma parte da cidade, um bairro da cidade, que merece o serviço [de segurança], não uma presença eventual por incursão. E, em terceiro lugar, o deslocamento do poder armado que se impunham, tirânica e despoticamente, sobre as comunidades.

Eu sempre evitei tratar esses meninos e meninas envolvidos na violência de uma forma unilateral, que simplesmente os criminalizava, subtraía deles a sua humanidade e os isolava de um contexto no qual havia plena inteligibilidade para suas ações.

Quer dizer, conhecendo as trajetórias e as circunstâncias nós podemos compreender o recurso à violência de uma maneira muito mais humanizada, densa, complexa, pra evitar as posições estritamente punitivas etc.

Mas, por outro lado, nós temos de reconhecer como se dá a instauração desse poder, a que custos, com que consequências. A inviabilização da organização política, da participação, do deslocamento livre, das manifestações culturais ou religiosas livres, o ir e vir livre – no seu sentido mais cotidiano – etc.

Isso tudo varia, assim como as UPPs, de favela para favela, de momento para momento. O momento Lulu, na Rocinha, é um; o momento Dudu, é outro. Depende de quem se impõe, quem é o colonizador, se é alguém que vem de fora ou se nasceu e cresceu na comunidade, conhece todos e cria um modo de convívio mais harmônico, mais aceitável.

Mas, de qualquer forma, havia situações extremas que eram insuportáveis e você tem, aí, um campo que é problemático. Deslocar a arma foi positivo.

Não me refiro à droga, porque eu sou favorável à legalização, contra o proibicionismo e acho que é um delírio imaginar que se vá reprimir e controlar a dinâmica da droga. Ao contrário, tem havido uma modernização do tráfico graças à UPP. A UPP ajudou a modernizar, a racionalizar e, nesse sentido, é um estímulo ao tráfico.

Viomundo – Como isso se daria? Essa modernização está relacionada às milícias?

Não, as milícias são a reiteração de um processo muito antiquado. E elas tem seus limites, que são distintos dos do tráfico.

Viomundo – Seriam três momentos, então?

Sim, são três situações distintas. A milícia é totalizante, ela não se impõe para um negócio específico, para viabilizar a circulação de mercadorias de um certo tipo no varejo. O tráfico se impõe sobre uma comunidade apenas para fazer um negócio específico, que é aquele da droga. Eventualmente alguns se metiam com gás, com vans. Mas o seu negócio, basicamente, era a droga.

Já a milícia se impõe para dominar completamente todas as dinâmicas econômicas, comerciais, financeiras, imobiliárias, promovendo migrações internas para especular com terra pública, deslocando populações, obtendo votos, se impondo através de candidaturas que formam um cinturão ligado a certos territórios da cidade.

As milícias são máfias que operam com essa pretensão totalizante. É um projeto muito mais ambicioso, requer muito mais poder e investimentos muito mais fortes, de todo tipo.

Viomundo – E por que a UPP ajudaria a modernizar o tráfico?

O modelo tradicional do tráfico lembra a economia soviética ou o modelo de desenvolvimento dos anos 50, um modelo estatista, pesado, baseado na metalurgia… (risos).

Imagine o seguinte: para você funcionar, você precisa recrutar um pequeno exército. Esse exército vai ter de ser fiel, leal, vai ter de se organizar com disciplina, se submeter a uma série de condições, sabendo que não vai viver mais do que 25 anos no máximo.

Que não vai poder fruir dos benefícios que decorrem daquela atividade, senão no dia-a-dia da própria autorrepresentação potente, seduzindo as meninas e curtindo uma glória efêmera – mas nada mais do que isso. Os recursos ficam embaixo do colchão, dificilmente eles podem sair daquele espaço.

Para trocar a própria vida, para viver uma vida de muito risco, é preciso muita coragem, muitos valores que a gente às vezes subestima: coragem, lealdade, fidelidade, capacidade de organização.

Isso depende da capacidade da liderança de manter o sentimento de pertencimento, o que decorre também da sua capacidade de impor coesão a esse grupo. Isso não é fácil, isso exige identidade, que é reproduzida; exige, sempre, rivalidade, porque essa segmentação fortalece a coesão interna e favorece, portanto, essa experiência do pertencimento, que é tão forte para garantir a reprodutibilidade.

Isso tudo para quê? Para vender drogas. Você tem de negociar com a polícia, negociação que se torna cada vez mais cara.

Nunca houve tráfico no Rio senão com a polícia como parceira e, frequentemente, como protagonista. Então não há essa distinção polícia/tráfico: polícia é o tráfico, tráfico é a polícia.

Claro que não estou generalizando, nem para o tráfico, nem para a polícia. Mas, de uma maneira geral, é assim que se dá, é uma rede. Isso custa muito caro, os lucros se reduzem muitíssimo.

Tem que se empenhar parte dos seus ganhos em armas, pra se garantir contra outras facções e eventuais invasões. E contra a eventualidade de que as negociações com as polícias falhem – e às vezes elas falham até intencionalmente, porque as polícias criam dificuldade pra depois impor uma inflação ao custo do arrego. E viver sempre sob tensão.

Isso tudo, para fazer o negócio do varejo da droga. Ora, não é muito mais lucrativo, tranquilo, muito mais razoável, você fazer como se faz nos países desenvolvidos todos, em que há um tráfico varejista? Você não precisa dominar um território, dominar uma comunidade inteira de milhares de pessoas, armar um exército, treiná-lo, etc., para vender a droga.

Você vende a droga, simplesmente isso (risos). Você não precisa ser sedentário, ter lá a boca. Você é nômade, tem um rede de varejistas e se reduz aos “aviões”. Vai para a Barra da Tijuca, ninguém vai te perturbar. Vai para uma área nobre e ninguém vai investigar você. E, a partir dali, vai municiando os seus distribuidores locais e usando outras redes. Isso é muito mais lucrativo.

Eu dizia há alguns anos que o velho modelão, do controle territorial, estava em crise. É difícil suportá-lo, não havia grandes ganhos.

Tanto que quando a mídia mostra as casas dos traficantes, mesmo tentando mostrar riqueza e exuberância, o que você vê é um motel de subúrbio, com espelhos na parede, com uma jacuzzi, eventualmente. E tudo isso é o máximo que essas pessoas alcançam depois de tantos anos de domínio.

Com a UPP, esse processo de renovação foi estimulado. Porque o pessoal já não podia manter o território sob o seu domínio. E começaram a perceber que não precisavam. Nem era conveniente.

É claro que isso vai exigir uma geração de adaptação, porque viver fora da favela exige um reaprendizado nas regras das relações no campo da economia da droga. São outras conexões. Mas isso vai se dar, já está se dando. E a UPP ajudou a precipitar esse processo.

Viomundo – Dados do Núcleo de Pesquisas de Violência (Nupevi) mostram que, apesar de o Rio já contar com cerca de 50 mil policiais, as UPPs estão presentes em apenas 3% das mais de mil favelas da cidade, enquanto as milícias dominam 41,5% e o tráfico, 56%. A hipertrofia do aparato policial, que seria necessária para a expansão do projeto, não torna o projeto das UPPs inviável para a cidade como um todo? Podemos pensar em implementar as UPPs em todas as mais de mil favelas do Rio?

Não. Todo mundo sabe que isso é inviável. A ideia de saturação do território com a presença humana também é fruto de uma lógica que não compreende a complexidade das dinâmicas envolvidas. Uma lógica estritamente militar: lógica da ocupação.

No limite, se nós estendermos essa lógica, vamos chegar àquele impasse anedótico de um policial para cada cidadão, sendo que é necessário haver um vigia para o vigia (risos).

É um projeto que, rigorosamente, foi pensado no prazo curto, sem que houvesse comprometimento do poder público com transformações profundas do aparato policial, ou até da sua formação, e com o prazo todo pautado na política.

Veja: na Baixada Fluminense, nós temos 1 policial para 2.500 cidadãos. Na zona Sul, às vezes 1 para 60, 1 para 50, em certas áreas até 1 para 30. Porque são áreas de muita visibilidade, em que todos estão procurando criar condições para reduzir riscos. A mídia acompanha, os representantes mais poderosos da sociedade estão atentos.

Os problemas se concentram na zona Oeste, na Baixada, em São Gonçalo. E aí não há atenção nenhuma do poder público. Isso está expresso por essa distribuição.

A saturação levaria a situações absurdas. Tem havido contratações de policiais para cada nova UPP, até porque se diz que os policiais mais velhos já estão “contaminados”, na sua maioria, por toda uma história.

Ocorre que esses que são contratados não são treinados para construir uma história alternativa. Pelo currículo que nós conhecemos, o treinamento é muito superficial e só no último mês de formação enfrenta as questões relativas às relações sociais, aos direitos humanos. É uma coisa absolutamente insuficiente.

E a maré montante da tradição se impõe, é claro: é uma instituição antiga, forte e os contingentes mais numerosos são esses que foram formados por outras gerações.

Viomundo – Mas houve, de fato, redução de homicídios no Rio de Janeiro?

Sim. É incontestável, não há nenhuma dúvida a respeito da redução. Há redução de homicídios dolosos em regiões de UPP, sem nenhuma dúvida, os dados são eloquentes.

Por razões óbvias: não tem mais incursão bélica. Os números de autos de resistência decrescem, decrescem as mortes e decrescem homicídios, porque as pessoas deixam de estar armadas. Menos armas em circulação, menos homicídios: de fato, tende a haver essa correlação.

O problema das UPPs é que isso tudo ocorreu em um primeiro momento. Hoje, as dinâmicas do tráfico voltaram a ser muito fortes. Na Rocinha, por exemplo, tem havido confrontos armados com policiais, tem havido perda de controle em várias áreas.

Ou seja, o Sérgio Cabral está com um problema muito sério: além da degradação das UPPs, há o crescimento do contingente de oposição dos “sem-UPP”. Porque para quem aprendeu, vendo a mídia, que UPP é uma maravilha, os que moram em favela se sentem excluídos: “mais uma vez, uma coisa boa não chegou para nós”. E o contingente dos sem-UPP é sempre muito maior do que o dos com-UPP.

Estes, por sua vez, começaram a se dividir, por causa das práticas antigas da polícia. E há aqueles que consideram que as UPPs estão criando uma dificuldade para a segurança do Estado, porque quem sai dessas áreas vai agir em outras.

Há uma percepção generalizada, por mais que o secretário negue, que isso está acontecendo. Até porque as pessoas conhecem os criminosos: “Fulano de Tal, que é da Rocinha, está aqui, do lado da minha casa, com o pessoal”. Eles vêm em grupo, armados, e criam uma sensação de medo, de insegurança, de incerteza, muito grande.

Há, então, uma tendência convergente muito negativa na avaliação do governo, nessa área, por conta desses diferentes vetores.

Viomundo – Associando falta de sustentabilidade de escala, lógica de implementação baseada em critérios de especulação imobiliária e rearticulação do crime em comunidades afastadas, o projeto das UPPs não acabam virando uma forma de jogar a sujeira para debaixo do tapete – ou para mais longe da classe média?

Claro, sem dúvida. E por isso que eu lhe disse que todo o plano tinha uma natureza política, não tinha compromisso com a seriedade. Se tivesse compromisso com o interesse público, a questão fundamental teria de ser enfrentada: a mudança das polícias. Para começar a conversar.

E as ações sociais nas favelas, as UPPs Sociais, teriam de ser colocadas como absolutamente prioritárias. Não basta o secretário de segurança dizer que isso é indispensável, teria de ser a prioridade. Isso não foi nunca prioridade do governo.

Não mexe com as polícias, a prioridade social não existe, o governo parece ser o governo das empreiteiras, para os grandes eventos, a corrupção graça e as reações às manifestação democráticas são reações repressivas do pior estilo. Nós temos realmente uma corrosão da legitimidade política do governo do Rio que é espantosa.

Viomundo – Em algumas comunidades já se escutam gritos de “Fora UPP”. Alguns movimentos sociais já têm essa expressão como palavra de ordem. Nós podemos, ao seu ver, colocar as coisas nesses termos?

Eu sou inteiramente contrário a isso, mas eu respeito estes movimentos. Toda a mídia faz apenas um mantra positivo, então posições mais sectárias na direção contrária também cumprem um papel importante.

Mas eu acho que está errado e simplesmente perguntaria ao companheiro que defendesse isso: qual é a proposta? O “Fora UPP” não é suficiente. Se dissermos “Fora essa UPP”, fora essa política, tal como está sendo conduzida, e isso associado a um conjunto de exigências: perfeito, eu endosso.

Um bom exemplo da posição que eu considero a mais consequente é, por exemplo, a dos grupos da favela da Maré. Eles pactuaram uma posição tão forte que acabou sendo reconhecida como absolutamente legítima pela sociedade e pelas polícias, inclusive. E acabaram adiando o projeto de intervenção na Maré.

Porque o pessoal da Maré distribuiu uma cartilha sobre direitos, com o que o policial pode e o que não pode. Exigiu do comando da polícia a apresentação de um plano, exigiu que aquilo fosse debatido. Queria saber do governo o que mais aconteceria, em que condições isso se faria.

Exigiram a presença da Defensoria Pública, do Ministério Público, dos defensores de direitos humanos. E isso foi tão forte, e tão evidentemente necessário, que teve o poder de adiar a decisão original do governo. O mero “Fora UPP” me parece um eco reativo à posição conservadora.

O que a esquerda nunca logrou enfrentar é a seguinte questão: como abordar o problema de um grupo armado que, em nome de interesses capitalistas – ainda que a organização seja proto-capitalista –, se imponha pela arma para vender drogas no varejo, atuando sobre a sua casa e, eventualmente, sobre a sua vida.

Isso é inaceitável, a massa da população não tolera isso. Isso é contrário aos direitos humanos, a quaisquer perspectivas universalistas. Como é que nós nos situamos diante disso? Nós achamos que isso é tolerável só porque são capitalistas mais primitivos, porque operam uma economia mais associada à marginalidade e porque as pessoas tem certas trajetórias sociais que nós compreendemos?

Então nós somos cúmplices, por inércia, deste tipo de tirania? Se isso está errado, se isso produz violações aos direitos populares, como é que nós agimos face a esse desafio e como é que nós evitamos que isso se reproduza?

Por outro lado, é claro que nós não podemos defender uma intervenção que aparentemente resolva esse problema criando outros análogos, ainda que de outro tipo. Por isso é muito importante o comprometimento dos movimentos sociais com propostas alternativas.

Por exemplo: há pessoas que defendem uma posição mais sectária para preservar o status quo e beneficiar os seus pares. Dentro da polícia, eu conheço alguns personagens que são contrários às mudanças, que estão ligados ao status quo, que querem a conservação do poder e, ao mesmo tempo, criticam o reformismo, o gradualismo, sustentando que apenas uma revolução poderia de fato alterar a natureza dessas instituições.

Bom, diante dessa postura, todos voltamos para casa impotentes para mais uma noite de sono. E, no dia seguinte, o que está vigente? O status quo. E os oponentes do status quo estão desmobilizados, porque estão à espera da redenção. E os outros estão celebrando, com champanhe, a manutenção do status quo. É esse o resultado que a gente colhe deste tipo de crítica.

Viomundo – Um estudo do Ipea de janeiro de 2012 (Daniel Cerqueira, Textos para discussão, Ipea, n. 1697, jan. 2012) aponta distorções nas estatísticas de homicídio no Rio no ano de 2009. A pesquisa usa termos como “omissão” e “escamoteamento” e diz que a redução do número de homicídios anunciada pelo governo estadual coincide com o aumento dos óbitos classificados como “causa indeterminada”. Além disso, há um aumento do número de desaparecidos. O quão confiáveis são os dados do governo?

Em primeiro lugar, esses dados são sempre problemáticos, mesmo que haja toda a boa vontade. Os dados de desaparecimento e de mortes violentas são muito complicados, por uma série de razões. No Rio de Janeiro, havia várias categorias que poderiam descrever o mesmo fenômeno: homicídio doloso, encontro de cadáver, encontro de ossada, morte suspeita, afogamento.

Às vezes aparecia um cadáver com a marca de um tiro na nuca, entretanto no mar. Então às vezes se fazia a classificação de “afogamento”, para um sujeito com um tiro na nuca! (risos)

Essas gavetas podem ser abertas a qualquer momento. Se os números ultrapassam certos limites, você desloca. Para acabar com isso, eu sugeri que nós unificássemos essas categorias em uma só: crime letal intencional. Isso, inclusive, acabaria com uma outra perversão na classificação: o crime seguido de morte, ou latrocínio, é codificado como crime contra o patrimônio.

O que é um absurdo do ponto de vista da segurança pública, em que nós estamos preocupados com a vida. Se a consequência é a morte, isso é que é o mais relevante. Depois, essa minha proposta acabou sendo em grande parte descartada.

Há, então, uma flexibilidade muito grande, se o governo tiver más intenções. O ISP (Instituto de Segurança Pública) é, em geral, dirigido por pessoas bem-intencionadas e eu acho que ele merece credibilidade.

O Daniel Cerqueira, excelente pesquisador, de fato mencionou problemas graves e, ao fim e ao cabo, parece ter havido uma grande confusão entre as secretarias de Segurança e de Saúde, de base de dados etc. Não necessariamente, pelo o que eu entendi, houve má intenção na manipulação dos dados, mas equívocos importantes.

Viomundo – E quanto aos desparecimentos?

Nós não podemos dizer que todos os desaparecimentos sejam homicídios. Há de tudo, inclusive muitos que reaparecem e não são notificados. Então é muito primário dizer que os desaparecimentos são homicídios. Pesquisas mostram como essa categoria é vasta. Mas certamente há, aí, um lote – nós não sabemos de que dimensão – que inclui também homicídios.

O professor Ignacio Cano fez uma pesquisa cujo título é expressivo de uma mudança da ação das milícias: “No sapatinho”. Ele quer dizer o seguinte: as milícias matavam ostensivamente, porque a morte era um ritual dramático de afirmação de poder, era exemplar para a reprodução do domínio. Então se matava e se torturava publicamente.

Depois da CPI das Milícias, depois de o delegado Cláudio Ferraz prender mais de 500 milicianos, depois de os jornalistas do jornal O Dia serem torturados e quase mortos, e com a mudança de ares políticos que se deu com o debate público, os milicianos – que eram, segundo as autoridades conservadoras tradicionais, expressão da “autodefesa comunitária” [expressão atribuída comumente ao ex-prefeito César Maia] – foram ressignificados e hoje são vistos majoritariamente como criminosos.

Políticos, mesmo aqueles que na prática continuam aliados às milícias, afastam-se para evitar o contágio simbólico. Isso significa o seguinte: eles têm, agora, de adotar outros métodos, outras práticas, porque estão sob o escrutínio público.

Então eles matam silenciosamente, sepultam os cadáveres, os fazem desaparecer. E impõem à família silêncio, para que ela não denuncie. Isso também aumenta o número de desaparecidos.

Viomundo – Uma pesquisa de 2003 apontou que mais de 65% dos 1195 autos de resistência registrados naquele ano apresentavam traços nítidos de execução, como tiros na nuca, tiros na cabeça, de cima pra baixo etc.

Os números são eloquentes e é sempre interessante reiterá-los, a despeito de já serem muito conhecidos: de 2003 a 2012 (inclusive) houve 9.646 mortos provocados por ações policiais no Estado do Rio de Janeiro. Um número dantesco.

Nós não sabemos quantos desses autos de resistência constituem execuções extrajudiciais. E o fato de não sabermos já é indicativo da gravidade desse processo: não há investigação, não há nenhum tipo de responsabilização. Salvo excepcionalmente, quando se atinge alguém da classe média e se sai daquele universo já estigmatizado, que se mantém à sombra de qualquer tipo de visibilidade legal e democrática.

A própria experiência mostra, e os depoimentos confirmam, que provavelmente a enorme maioria é constituída por execuções extrajudiciais. O fato de elas não serem investigadas já é, também, um sintoma de tudo isso.

Enfim, nós temos um processo bárbaro, selvagem, de violência perpetrada pelo Estado através desse aparato institucional. É uma máquina de morte. Máquina que afeta, também, violando direitos, os trabalhadores policiais, que são alvos de uma série de práticas violentas ou de tratamentos e abordagens violentas.

A perseguição que se dá, inclusive política, é impressionante. O presidente da ACSMCE (Associação de Cabos e Soldados Militares do Ceará), Pedro Queiroz, foi exonerado da Polícia Militar porque organizou uma reunião. No encontro último que eu tive para discutir a PEC-51, com 17 lideranças policiais, três foram presos quando retornaram aos seus Estados. Os militares são proibidos de se organizar, de discutir.

Isso é parte das normas e isso expressa a natureza militar da sua instituição. Isso é parte fundamental do problema.

Viomundo – Há grandes esforços para fornecer ao policial das UPPs um outro tipo de formação?

Um esforço suficiente para produzir mudanças? Não, não há.

Não estou dizendo que não haja pessoas bem intencionadas, mas não é suficiente, porque não há uma política institucional mais abrangente.

Mas, mesmo que houvesse, tampouco seria suficiente, porque a estrutura institucional militar determina um certo tipo de funcionamento dos seus agentes, reduzindo-lhes campo de liberdade na atuação. E esse padrão tem um corte, tem uma direção política inexorável. Simplesmente pelo seguinte: ao policial, na ponta, não cumpre pensar, mas cumprir ordens.

E por que é assim? Porque a estrutura é hierárquica, a vertebração é rigorosa organizacionalmente e há uma concentração decisória.

Isso funciona no exército, porque o propósito é fazer com que o método adotado por essa instituição, que é o pronto-emprego, se viabilize. Para quê? Para atingir as suas metas constitucionais, que são a defesa da soberania nacional, etc., envolvendo inclusive práticas bélicas quando necessário.

Então se deduz da finalidade (que é, no limite, fazer a guerra) um método (pronto-emprego) do qual decorre a necessidade de um certo tipo de estrutura organizacional. Há, então, a ideia, de que preciso que exista uma fonte exclusiva de ordens, que deve fluir sem óbices por todas as cadeias comunicacionais, até a base, para promover um deslocamento célere de grandes contingentes humanos e materiais. Isso se justifica em razão da natureza desse embate, que é a guerra.

A aplicação à polícia militar desse mesmo modelo organizacional só se justificaria se a missão da PM fosse análoga à do exército. Não é. Mesmo constitucionalmente, não há nenhuma relação. Algumas práticas são similares, ainda que distintas.

Mas representam menos de 1% das atividades da PM no Brasil. Nada pode justificar a organização de 99% das atividades com base em 1%.

E se nós, então, extrairmos as consequências desse modelo organizacional, nós compreenderemos que cumprirá ao policial, na ponta, apenas a execução de determinações superiores, sempre.

E nós temos muitas experiências no Brasil de policiais inteligentes, que buscaram iniciativas criativas, outros tipos de postura, e que foram punidos porque romperam o pacto, o paradigma do funcionamento institucional. Portanto isso não é irrelevante ou secundário. É decisivo.

Viomundo – Talvez seja interessante entrarmos, agora, na discussão sobre a PEC-51, que o senhor ajudou a redigir e que define como sendo uma revolução da arquitetura institucional da segurança pública no Brasil. A desmilitarização é colocada claramente como um dos cernes dessa proposta. Quais são os outros pontos principais e por qual motivo ela teria esse caráter revolucionário?

Esta arquitetura institucional, nós herdamos da ditadura. Aqui, é necessário um parênteses: eu nunca disse que a polícia militar foi criada pela ditadura. Ela foi criada com a vinda da corte para o Brasil e com a necessidade de caçar os escravos, de operar a escravidão. A ditadura não precisou inventá-la: ela era já um legado histórico do escravagismo, da violência de classes na sua modalidade mais ostensiva, despudorada, mais trágica.

Mas o fato é que nós herdamos o modelo arquitetônico institucional. Com alguns ajustes em 1988, na promulgação da Constituição.

Algumas características: a União é quase impotente. Ela só intervém na crise. Senão, ela pode lavar as mãos.

Tem a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), a qual cumpriria supostamente formular uma política nacional, para o que ela não dispõe de instrumentos ou de autoridade. Portanto, a rigor, a Senasp não tem maior função pela natureza do ambiente legal no qual se inscreve.

Mais do que isso, a União não interfere. Ou seja, ela pode lavar as mãos em relação ao genocídio praticado pelas polícias estaduais, pode continuar repassando recursos para os Estados, para segurança pública, mesmo que os Estados continuem com suas Pedrinhas, esses presídios que são açougues humanos, desrespeitando a lei. E mesmo que as polícias não cumpram as leis.

A União também lava as mãos em relação à formação do policial. Assume responsabilidades na educação em todas as áreas, mas na segurança, não.

As polícias se formam às vezes com um mês, às vezes com um ano, com currículos completamente distintos. Uma verdadeira babel. Não há nem um ciclo básico mínimo. Eles têm, todos, o mesmo nome, são todos policiais, ainda que com qualificações distintas. E, se são todos policiais, teriam de ter pelo menos um ciclo básico mínimo, como acontece na engenharia ou na medicina.

O sujeito pode ser pediatra, ginecologista, neurocirurgião, mas é médico e, sendo médico, tem de cumprir alguns quesitos na sua formação.

A União tem feito questão de não se responsabilizar mais do que já o faz, porque isso é um problema político que traz só desgastes. Nenhum governo federal tem nenhum interesse em mudar esse quadro.

Os municípios estão excluídos. E qualquer leitor da política pública brasileira após 1988 verá que o município tem, crescentemente, um papel relevante em todas as áreas mais significativas. Todas as políticas mais estruturadas – na saúde, na educação, na ação social – envolvem o município, com repartição de responsabilidades, de recursos etc.

Na segurança, não existe nenhuma participação dos municípios. Há uma referência brevíssima, no artigo 144, que diz que o município pode criar uma guarda para proteger o próprio municipal – as estátuas públicas, o palácio municipal etc.

Viomundo – No entanto, a ação das Guardas Civis Municipais vai muito além disso, na prática.

Na prática, não tem rigorosamente mais nada a ver com vigia de prédio. São protopolícias, às vezes armadas, dirigidas por um militar. São pequenas PMs em desvio de função, que replicam as estruturas peremptas, já desgastadas e irracionais das velhas polícias militares. E, mais ainda, replicam os seus defeitos, sem que haja nenhuma política alternativa para a sua formação etc.

E ninguém questionou a sua constitucionalidade. Mas pode fazê-lo, porque de fato elas não estão previstas constitucionalmente.

Diante deste quadro todo, a responsabilidade recai sobre os governos estaduais e suas duas polícias. Então, no desenho mais amplo, essas questões são muito relevantes.

Viomundo – Outra proposta-chave da PEC-51 é a ideia de que toda polícia deve realizar o ciclo completo do trabalho policial: preventivo, ostensivo, investigativo.

Aí chegamos a outra parte da arquitetura institucional da segurança pública que é o modelo policial, essa jabuticaba institucional. Uma parte do trabalho, a investigativa, quem faz é a Polícia Civil; a outra parte, preventiva e ostensiva, quem faz é a PM.

Esse tipo de distribuição não funciona. Não sou eu que digo, há um grande consenso entre aqueles que lidam com essa área, estudam, pesquisam. Mas, sobretudo, há um grande consenso entre os operadores, os agentes, os profissionais policiais. E

m 2010, 70% dos policiais e dos profissionais de segurança pública (agentes penitenciários, guardas municipais etc) consideram o nosso modelo policial falido. E é fácil constatar.

Viomundo – E de quem vem a resistência? Se não vem dos policiais, que é o que comumente se imagina, quem resiste e por qual motivo?

Pra completar a pergunta, a gente teria de saber: mudança para onde? Porque tem certas coisas que eu quero mudar, mas eu não estou disposto a mudar pra qualquer lugar, de qualquer maneira. Algumas coisas muito ruins podem ficar piores (risos).

É difícil fazer uma proposta que atenda a maioria, que seja o mais consensual possível. Mas há um consenso razoável nas polícias quanto às mudanças, sim.

Quanto à desmilitarização, nas bases da PM sem dúvida nenhuma a grande maioria quer a desmilitarização. Não apenas para ter a possibilidade de se sindicalizar, mas para deixar de ser regida por códigos disciplinares que são frequentemente inconstitucionais.

Na maioria dos Estados, eles podem ser presos pela mera vontade do superior, sem contraditório, sem qualquer acusação formada. Simplesmente pela veleidade subjetiva daquele protagonista.

São situações inacreditáveis de arbítrio às quais eles são submetidos. Muitas vezes nós não lutamos solidários aos seus direitos. E isso é muito importante: são trabalhadores, cidadãos, submetidos a todos os tipos de violação e de exploração.

Frequentemente eles não são a fonte daquelas decisões políticas que eles aplicam, eles são agentes. Não quero desresponsabilizá-los individualmente, mas é preciso que nós compreendamos o quadro mais amplo.

A PEC-51 é fruto de mais de vinte anos de negociação e de discussão, até que se chegou a um mínimo denominador comum, que ainda assim gera muita resistência, que envolve: desmilitarização, ciclo completo e carreira única no interior de cada instituição.

Viomundo – O que significa carreira única?

Carreira única significa uma única porta de entrada. Depois, com méritos, provas, há a progressão na carreira. É a bandeira, por excelência, dos policiais da base da Polícia Civil e da base da PM.

Imagina você trabalhar 25 anos sabendo que você só vai chegar a sargento. Você já sabe qual é o salário, sabe qual é a imagem pública etc.

Mesmo que você seja o melhor policial do mundo, você não tem como ir além disso, porque você entrou pela porta de baixo. Se você entra como oficial, você pode dirigir aquela instituição, você pode ser coronel, não há limite para a sua ascensão.

No caso da Polícia Civil, a sociedade não está informada sobre seu funcionamento. Todos os que ouvem a descrição de seu funcionamento ficam perplexos. Há uma tendência natural ao apoio à carreira única.

Imagina um rapaz ou uma moça de 23 anos, de classe média, que fez uma excelente faculdade e, depois, se dispõe a fazer um concurso para delegado, assim que se forma como bacharel em direito.

Nunca ouviu falar em segurança pública na vida, ou em gestão. Não é matéria da sua formação. É bom lembrar que segurança pública é uma questão bastante distinta do bacharelado em direito, ainda que haja sobreposições tópicas.

Essa pessoa passa no concurso, faz um mês de adaptação e assume a condição de delegado auxiliar em uma delegacia.

Vai dirigir, vai comandar 30 ou 40 profissionais, alguns que estão lá há 20 ou 25 anos. Vai ganhar muito, muito mais, ter muito mais prestígio e o céu é o limite para a sua progressão. Os outros estão condenados a ficar ali.

Aí alguém diria: “pô, mas o que está lá pode fazer o concurso também”. Pode… o sujeito trabalha dia e noite, com aqueles turnos incríveis, às vezes ainda tem de fazer bico na segurança privada, exaurido, não tem nenhum estímulo pra estudar, nenhum apoio para se preparar, sabendo que vai competir com esse jovem que só fez isso da vida. E que os 20 anos de trabalho na instituição não valem um ponto.

Não vale meio ponto, não vale 0,1 ponto em qualquer prova! Isso é uma desfaçatez, é um desrespeito. A sua história não vale nada?

É assim que se forma essa divisão interna. Isso é tão importante que, na Polícia Federal, amigos meus agentes dizem: “Atenção, em qualquer momento vai haver morte. O nível de conflito interno, de tensão, é tal, e todos nós armados nos cruzando pelos corredores, que um dia vai haver um confronto. Nós estamos próximos disso, não suportamos mais”.

Viomundo – De onde vêm as resistências à carreira única?

A reação muito forte, aqui, tem sido dos delegados de polícia e de alguns oficiais. Na PM, a maioria dos policiais talvez seja contra, mas a resistência maior, mesmo, é na Polícia Civil.

Muitas PMs já estavam fazendo uma reflexão autocrítica, entendendo a necessidade dessa mudança, algumas já estavam começando a adotar porta única de entrada, já estavam começando a rever essa história de praças versus oficiais, criando um espaço interno mais democrático, mais universalista. Mas na Polícia Civil há uma resistência muito grande.

Viomundo – Acabar com a divisão dos ciclos (preventivo, ostensivo, investigativo) significa, necessariamente e em todos os casos, unificar as polícias?

Não. Isso é importante, porque nós poderíamos gerar monstrengos.

Imagina em São Paulo, onde nós temos dois monstrengos: a PM, com 100 mil pessoas, e a Polícia Civil, com 35 mil. Juntando os dois, nós vamos ter um monstrengo maior ainda.

Se já são ingovernáveis separadamente, imagina elas juntas. E elas seriam [o equivalente a] um terço do Exército nacional. O poder de chantagem seria extraordinário. Não faz nenhum sentido isso.

Já no Acre, no Amazonas, em outras áreas, há um processo histórico de aproximação, de integração. Ali, eventualmente, uma unificação poderia ser vista como natural, fruto de muitos anos de uma política mais ou menos convergente. Polícias pequenas, Estados menores, você pode ter essa integração.

Viomundo – E a PEC-51 comportaria, então, todas essas variações?

Todas as variações que você quiser, desde que os princípios sejam respeitados.

Cada Estado discutiria isso internamente e colocaria na sua Constituição Estadual uma decisão sobre o modelo de polícia, respeitados desmilitarização, ciclo completo e carreira única no interior de cada instituição.

Aí é matéria para discutir com a sociedade, tem um prazo de cinco ou seis anos. Esse é um processo de transição com participação da sociedade, com controle externo.

Viomundo – Mas como haveria ciclo único com duas polícias?

Pode haver 50 polícias. Você pode ter polícias pequenininhas. Nos EUA são 21 mil polícias.

Você pode, por exemplo, distribuir por tipos criminais diferentes. Você pode ter polícias municipais nos municípios grandes – em vez de serem guardas, seriam polícias, assumindo todas as responsabilidades – e que cuidassem dos crimes de pequeno potencial ofensivo (atinentes à Lei 9.099/95).

Fazendo todo o ciclo, mas relativamente aos crimes de pequeno potencial ofensivo. Que correspondem a 65% dos atendimentos nas delegacias. Então você desobstruiria as delegacias, repassaria isso para o âmbito local, sendo questões menores que exigem outro tipo de intervenções.

Você pode ter uma polícia para tratar só de homicídio doloso, por exemplo, ou só de crime organizado. O que seria uma espécie de Polícia Federal de âmbito estadual, fazendo uma analogia. Você pode ter polícias metropolitanas, regionais.

Você pode multiplicar o número de polícias, se você achar que dessa maneira a sociedade controla melhor, tem mais transparência, tem mais plasticidade. Ou você pode criar polícias maiores. São pactos estaduais, mas os princípios têm de ser respeitados.

Viomundo – A gente sabe, entretanto, que é extremamente difícil aprovar uma PEC. E o senhor mesmo já buscou outras formas de alterar a arquitetura de nossas instituições policiais. Por exemplo, como sub-secretário de Segurança Pública do Rio [gestão Garotinho], o senhor tentou promover a integração das polícias através de um artifício que era o Instituto de Segurança Pública, que convocaria seletivamente policiais que trabalhariam juntos na Delegacia Legal e no Batalhão Legal. Esses policiais seriam, então, lotados no que o senhor chamava de um mesmo plateau institucional. Não há a possibilidade de se buscar a reestruturação da arquitetura institucional sem necessariamente se aprovar uma PEC?

Não, não há. E essa minha história ajuda a prová-lo.

A experiência era essa: já que nós temos essas duas polícias, vamos criar um artifício pelo qual alguns policiais, até voluntariamente, se disponham a uma nova experiência. Aí nós vamos ter uma outra formação, para um outro tipo de abordagem, e vamos, experimentalmente, demonstrar outras possibilidades.

Isso, entretanto, foi alvejado em pleno vôo por uma ação da Associação de Delegados, que declarou inconstitucional essa tentativa.

Eles ganharam a causa, mostrando que efetivamente não se pode promover nenhuma transformação maior por artifícios deste tipo. A Constituição é uma camisa-de-força, que impõe limites realmente muito vigorosos.

Viomundo – Na pré-história das UPPs, nós temos os chamados Mutirões pela Paz, criados pelo senhor e por sua equipe, na Secretaria de Segurança do governo Garotinho, em 1999.

E depois o Gpae [Grupamento de Policiamento de Áreas Especiais].

Viomundo – Exato. De que modo esses seus projetos tentavam evitar ou minimizar estes problemas que hoje estão patentes nas UPPs?

Nunca me ocorreu usar a expressão que hoje é comum: pacificação. Eu acho um equívoco susceptível a todo tipo de manipulação demagógica etc.

Por isso, Mutirão pela Paz, o que é diferente. A ideia de mutirão sugere esforço coletivo e, no nosso caso, apontava para a necessidade de uma mobilização multissetorial, não só comunitária, mas também do governo. Então nós chegávamos não só com a polícia. Tentávamos chegar, discutindo com a comunidade todas as suas grandes questões e o que o Estado tinha de fazer para resolvê-las: saúde, educação, trabalho etc. Nós chegávamos assim.

Mas chegávamos também com a polícia, e uma polícia que nós queríamos que agisse com uma orientação comunitária. Como fazê-lo sem uma preparação anterior? Era se construir o barco enquanto se navegava.

Era presença diária, esforço diário, aprendendo ali com todas as dificuldades, mas era o que se tinha de fazer de imediato. Suprimindo aquela lógica colocada em prática pela história pendular da segurança pública no Rio. Este é o pêndulo: abandono da área ou ocupação militar. Invasão bélica, com pé na porta e desrespeito aos direitos humanos; depois vem um refluxo: não se toca nisso para não se criar problemas, para respeitar os direitos. A história política do Rio aponta para esse pêndulo.

O Brizola fez um esforço louvável, admirável, meritório, de suspender o pé na porta, política tradicional. Rendamos homenagem ao Brizola, pelo esforço que ele fez. Mas o que ele fez para colocar no lugar da política do pé na porta? “Vamos afastar a polícia daí, polícia não tem jeito”. Não houve nenhuma política, propriamente, para transformar esses aparatos do Estado. O esforço era no sentido de suspender essa prática.

Claro que isso não é suficiente. É preciso que haja uma substituição, uma alternativa. De que maneira essas instituições vão lidar com essas populações? Nós não vamos mudar essas práticas? Só vamos afastá-las? Então nós eliminamos as polícias.

Elas são necessárias ou não são? Pode existir um Estado, existindo lei, classes sociais, sem polícia? É possível isso, como é que seria? Como é que a polícia pode ser reconfigurada em um ambiente democrático? Para que lado, para que horizonte nós nos guiamos?

Isso nunca foi objeto de discussão pública, não era questão relevante nas esquerdas, então houve esse processo de suspensão, simplesmente, da presença.

O nosso esforço não era buscar o “meio”, não existe “meio”, não existe posição intermediária nisso. Existe a necessidade de se formular uma política. A ausência de política não é a melhor negação de uma política bárbara. Para negar uma política bárbara você tem que produzir uma política que seja democrática. A gente tentou, então, estar nessas comunidades e oferecer a atividade policial como garantia de direitos, não reproduzindo a velha brutalidade.

Viomundo – Isso funcionou?

Não. Bom, funcionou e não funcionou (risos). Funcionou, porque foi um sucesso enorme onde nós começamos. E não funcionou porque houve um embaraço político.

O governador era o Garotinho. Bom, o leitor vai imediatamente associar essa palavra a um personagem conhecido. E, nesse caso, é importante que haja um esforço de reflexão histórica, porque houve vários personagens que mudaram ao longo da história, em uma direção ou outra.

É importante que nós saibamos que, em 1998, Garotinho foi eleito contra César Maia, aglutinando os partidos de esquerda. A dúvida dos movimentos sociais de esquerda não era votar em Garotinho ou César Maia, era votar em Garotinho ou anular.

E as forças progressistas, que se aliaram, tinham do Garotinho uma imagem muito distante, porque ele fora prefeito bem longe da capital, lá em Campos dos Goytacazes. Tinha feito um mandato que foi muito popular. Ele vinha da esquerda, tinha passado pelo PCB, foi co-fundador do PT e foi pro PDT de Brizola.

Ele era radialista, tinha características populistas. Eu chamava a atenção para evitarmos o “veto estético”. A classe média, às vezes, faz o veto estético.

Você não gosta de um determinado arranjo que parece brega, que é cafona, e a partir daí deduz precipitadamente, atribuições. E, naquele momento, o compromisso que o Garotinho assumiu, no programa de governo, era muito progressista e democrático. Tanto que a maior parte das forças de esquerda estivemos juntos no governo.

Uma outra informação importante: desde o início, a vice-governadora Benedita da Silva começou a subir os morros comigo, quando nós fazíamos os nossos trabalhos do Mutirão pela Paz. Era absolutamente inusitado visitar favelas, e visitar levando as autoridades policiais para um grande debate aberto, nos espaços públicos, para discutir polícia, comportamento policial. Ela passou a estar comigo e nós tínhamos muita visibilidade na mídia, ela acabava aparecendo todos os dias, em todos os jornais.

Avançado o primeiro semestre, o governador me chama no palácio e diz: “Parabéns, beleza de projeto, de trabalho, os resultados são incríveis, a sociedade está satisfeita, aplaudindo. Só que tem o seguinte: o projeto precisa ser qualificado, ter mais consistência”. Eu falei: você está totalmente certo, é exatamente o que a gente precisa.

Ele disse: “Então vamos dar uma parada, uma freada de arrumação”. Aí eu fiquei um pouco preocupado. Como assim uma parada?

E ele: “Continua o que já existe, não vai retroagir, mas não vamos ampliar o projeto para outras favelas até que isso esteja estruturado”. A solução foi sendo protelada. Só bem adiante, no segundo semestre, que o governador me chama de novo para dizer que ia se chamar Vida Nova e que não ia envolver polícia. E me apresentou um projeto de intervenção social nas favelas que era apenas a cópia, já esmaecida, do velho clientelismo, o mais primitivo.

Eu usei essa expressão e ele me acusou de estar influenciado por intelectuais da USP (risos). Mas como denominar esse tipo de prática?

Viomundo – Práticas que consistiam em quê?

Cooptação de lideranças locais que depois serviriam como os cabos eleitorais.

Viomundo – Há muitas denúncias de que isso é o que acontece hoje.

Continua acontecendo. Essas políticas são sempre de interesse de quem está no poder. Você dá um pouquinho de recurso aqui ou ali, valoriza lideranças locais cooptando-as e faz disso um mecanismo de reprodução política. São cabos eleitorais que, depois, vão barganhar com a comunidade local. Essa é a história do Rio de Janeiro nas áreas populares: clientelismo, o mais rastaquera, o mais primitivo.

Enfim, nós já estávamos em início de rota de colisão, a coisa não acabou bem, eu acabei exonerado depois.

Viomundo – Tudo isso associado a pretensões eleitorais do Garotinho para o governo federal.

Sim. O que o governador queria era tirar a Benedita do foco. Ela seria a candidata à prefeitura do ano seguinte, o ano 2000. E, se ela continuasse no Mutirão pela Paz, com aquela visibilidade, ela se tornaria realmente uma força importante.

Ele já tinha se comprometido a apoiá-la, mas ele não tinha esse propósito, de fato. Tinha outras intenções. E era interessante que ela não estivesse muito forte para fazer sombra a ele. Esse era o cálculo, o mais mesquinho, o mais trivial. E muito lamentável.

No final do ano, nós tivemos um encontro, num café da manhã. O Garotinho abre, em cima da mesa, uns papeis com os resultados de uma pesquisa, na qual ele era o governador mais bem avaliado do país, já no final do ano.

Ele estava felicíssimo, e nós também, porque houve um esforço muito grande naquele ano. Havia méritos no governo dele, só que a ambição individualista, carreirista, falou mais alto. E isso se evidenciou quando ele nos disse: “Com esse resultado, eu sou candidato à Presidência da República”. Ele falou isso para os cinco coordenadores de secretaria – eu e mais quatro.

Quando ele disse isso, eu gelei. Porque eu compreendia que o candidato do nosso campo já existia: era o Lula. Se ele se lança candidato, só tem um espaço pra ele: a direita. A esquerda era o espaço do Lula. Isso significa uma inflexão política no governo.

No primeiro ano de governo, ele foi inimigo do PMDB no Rio, ele brigava com o Sérgio Cabral e o Jorge Picciani, na Assembleia. Era uma queda de braço permanente com o PMDB. Eu deduzi que haveria um recuo: ele se uniria ao PMDB. A partir daí, todas as nossas políticas iriam por água abaixo. E, efetivamente, foi o que aconteceu.

Viomundo – O senhor criou a Força Nacional de Segurança, que posteriormente se transfigurou e se afastou bastante de sua concepção original. Para muitos, a Força Nacional de Segurança Pública, hoje, além de inconstitucional, representa uma contribuição substantiva para a militarização do trato com a segurança pública no Brasil. Como você avalia a Força Nacional de Segurança e os convênios que ela realiza com governos estaduais?

Eu tive a ideia da Força de Segurança Nacional como a constituição de um grupo policial civil de investigadores das polícias. Eu sentia que nós precisávamos constituir um grupo para investigar as polícias. Os nossos problemas estão nas polícias, sobretudo, e era indispensável que esse grupo tivesse autoridade, autonomia, independência e mecanismos de investigação sofisticados. É muito grave o que acontece nas polícias brasileiras e, particularmente, no Rio de Janeiro.

A Força Nacional seria, então, composta por uma seleção de policiais civis de diversas partes do Brasil. Porque essa era uma matéria urgente e nós não tínhamos tempo para formar uma polícia nova. Pra formar uma polícia nova, você precisa de 15 anos, até os primeiros formados alcançarem um nível de competência e de experiência para enfrentar um desafio dessa magnitude. Nós precisávamos utilizar o que de melhor o Brasil dispunha.

O diretor seria o diretor da PF, pra evitar competição com a PF. E por que não a própria PF? Porque ela não tinha mais gente suficiente. Nós precisávamos de um grupo bastante numeroso e com esse tipo de foco. E esse grupo se desconstituiria depois da sua missão cumprida, deixando ensinamentos. Porque a partir daí nós teríamos mais razões ainda para transformar as polícias e nós compreenderíamos a necessidade de acompanhar as polícias de outra maneira. Seria muito educativo, também.

Era essa a ideia e houve um acolhimento positivo. Depois, quando eu fui ver nos jornais, virou o contrário disso.

A Força de Segurança Nacional virou uma força militar e de presença ostensiva nos Estados. Isso é completamente absurdo e ridículo, porque a sua presença no Rio de Janeiro, por exemplo, é patética. Nós temos no Rio 50 mil policiais, em São Paulo são 100 mil.

A Força Nacional tem um grupo muito limitado, e esse grupo não tem nem a experiência que uma cidade complexa como o Rio exige. Eles vêm ganhando diária, ganhando muito mais do que os que trabalham no Rio, e estes têm de ensinar a eles como se portar. Não faz nenhum sentido. E não agrega de nenhuma forma, nem mesmo numericamente. É mais uma presença política, simbólica.

Eu compreendi a visita dos secretários de segurança do Rio e de São Paulo ao ministro da Justiça como uma manobra política com o propósito de dividir com o PT os custos da repressão. Só isso. Eles não buscam, a meu juízo, nenhuma cooperação efetiva. Isso poderia estar na pauta desde sempre, mas nunca houve um movimento no sentido de se buscar uma cooperação efetiva e sincera.

Porque o que manda na dinâmica dessas escolhas é a política menor, a disputa partidária etc. Então esse movimento não é mais do que dar, no PT, o abraço do afogado: “Nós vamos nos afogar com a repressão, nos nossos Estados? Então vamos juntos, vocês não vão ficar fora dessa! Vamos pagar juntos a conta do desgaste político”.

E o ministro [José Eduardo Cardozo] tem aceitado esse compartilhamento de custos, porque ele nunca usou nenhuma modulação ao discurso repressivo em vigor nos Estados. Ele nunca sugeriu uma alteração nesse quadro.

E aí a situação nacional é patética. A ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário – que eu respeito, como pessoa, como militante – se esgoela denunciando a barbárie e o ministro abençoa o governo do Maranhão, vai dar mais verbas e recursos. Assim como as verbas continuam indo para as polícias, inclusive a do Rio, que perpetram um genocídio.

Os autos de resistência continuam se multiplicando. O governo federal é cúmplice de tudo isso, abençoa esses processos, e a ministra denuncia as barbaridades, como se ela fosse presidente de uma ONG, de uma entidade da sociedade civil. É uma forma do governo se proteger incorporando a própria crítica. Mas politicamente é absurdo, não tem coerência nenhuma.

O ministro da Justiça diz que preferia morrer a ter de cumprir pena em um presídio brasileiro, que os presídios brasileiros eram masmorras e que a LEP (Lei de Execução Penal) não era cumprida. Depois de dois anos no cargo.

Isso só me parece razoável se você, depois de dois anos no cargo, descobre isso tudo e então apresenta à nação um plano emergencial de intervenção a partir deste reconhecimento. Mas ele apenas reiterou o que já se sabia e não apresentou essa disposição urgente de intervenção.

Viomundo – O senhor acha que 2014 é um ano em que as manifestações ganharão força novamente?

Olha a minha ousadia: eu não acho, eu tenho certeza (risos).

Eu estou convencido de que acabou o sossego para as elites brancas brasileiras. A desigualdade está desnaturalizada. E as jornadas de junho quebraram a cristaleira. Isso vai se derramar pelas ruas, não tem retorno.

Não há mais como sustentar esse nível de hipocrisia, de brutalidade do Estado. E não vai haver apaziguamento possível. Essas iniciativas, como os “rolezinhos”, são muito diferente do “não”, do “fora não sei o que”. Vamos para o shopping, vamos fazer diferente, vamos inventar uma nova forma de lidar com isso.

Não que nós repitamos, em escala, o que houve em junho. Vai haver muita manifestação, com outra qualidade, outras características. Mas como eu não só estudo os movimentos, mas sou parte deles, eu dou o testemunho de que nós vamos pras ruas. Isso vai acontecer, a não ser que nos impeçam. Mas não há força suficiente para que nos impeçam.

Clique abaixo para ouvir um trecho da entrevista:

*Dario de Negreiros viajou ao Rio de Janeiro com as despesas pagas pelos assinantes do Viomundo, aos quais agradecemos por compartilhar jornalismo independente com os demais internautas. Esta reportagem faz parte de uma série sobre as políticas públicas do Rio de Janeiro na área de segurança.

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PAULINHO SOLUÇÃO

18/07/2014 - 19h29

“A VITÓRIA PERTENCE AO MAIS PERSEVERANTE..
“O SUCESSO É A SOMA DE PEQUENOS ESFORÇOS”…

Parabenizo e homenageio por meio deste ao ESCRITOR LUIZ EDUARDO SOARES e toda equipe pelo lançamento do livro “TUDO OU NADA”. Parabéns pelo EXCELENTE TRABALHO, DETERMINAÇÃO E PROFISSIONALISMO, realizado neste belíssimo trabalho e um brinde pelo SUCESSO! O potencial de trabalho de vocês é de grande valor para a comunicação brasileira. Recebam esta singela homenagem com meus sinceros votos de muitas realizações e planos futuros. Desejo nestas poucas palavras votos de muita SABEDORIA, CONHECIMENTO, ENTENDIMENTO e principalmente DISCERNIMENTO em todos os seus caminhos e muitos DIAS, SEMANAS, MESES E ANOS DE FELICIDADE E PROSPERIDADE, SAÚDE, PAZ, AMOR e que Deus estenda às mãos e acrescente 100 por cento de juros em cima de tudo isso.

“A MAIOR RECOMPENSA PELO TRABALHO NÃO É O QUE A PESSOA GANHA, MAS O QUE ELA TORNA- SE ATRAVÉS DELE.”

DESEJO SUCESSO A TODOS!

PAULINHO Solução
http://www.paulinhosolucao.blogspot.com
[email protected]
[email protected]
Salto/SP

Responder

Aroeira

03/03/2014 - 20h08

ACABOU O SOSSEGO PARA AS ELITES OU PARA OS BRASILEIROS?

Publicado em 03/03/2014
Sheherazade,
a madrinha do pelotão,
convoca “Marcha da Família”

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2014/03/03/sheherazade-madrinha-do-pelotao-convoca-%e2%80%9cmarcha-da-familia%e2%80%9d/
Sheherazade convoca “Marcha da Família”

Por Altamiro Borges

Saiu neste sábado (1) na coluna de fofocas de Felipe Patury, da revista Época: “No próximo dia 22, em São Paulo, sai da Praça da República rumo à Catedral da Sé a segunda edição da Marcha da Família com Deus pela Liberdade. A original fez, em 1964, percurso semelhante dias antes de o ex-presidente João Goulart ser derrubado. Há 50 anos, a organização coube a então primeira-dama do estado, Leonor de Barros, e a mulheres de empresários. A atual foi convocada pelas redes sociais, recebeu apoio de lideranças evangélicas e, pelo Facebook, da apresentadora Rachel Sheherazade, do SBT. O grupo diz contar com a simpatia do filósofo Olavo de Carvalho e até de Denise Abreu, a petista que mandou na aviação civil no governo Lula e ficou famosa por sua predileção por charutos”.

De imediato, dei risada! Pensei que era piada carnavalesca. Mas não é. A patética marcha, que relembra a ação dos golpistas em 1964, está marcada para 22 de março e a âncora do SBT, que explora uma concessão pública de tevê, realmente está metida na sua convocação. Em sua página no Facebook, a nova musa de direita conclama seus seguidores: “Gente boa, sempre vou defender a família. Participe da marcha, divulgue, mostre sua defesa em favor dessa instituição criada por Deus”. E Rachel Sheherazade não é ingênua. Ela sabe que a tal marcha nada tem a ver com Deus ou a família, termos usados para enganar os mais ingênuos e tapados. Num dos sítios que convoca a manifestação ficam explícitos os seus objetivos golpistas e fascistóides.

A marcha tem como principal intento exigir “intervenção militar constitucional já”. Entre outras bandeiras, ela prega: “1- destituir a presidente Dilma Rousseff e o vice-presidente Michel Temer; 2- dissolver o Congresso Nacional; 3- prisão de todos os conspiradores por servirem aos interesses estrangeiros através do Foro de São Paulo, uma invasão sigilosa do território nacional executada pelo regime de Cuba através de agentes infiltrados; 4- dissolução de todos os partidos e investigação com punição das organizações integrantes do Foro de São Paulo; 5- Intervenção em todos os governos estaduais e municipais e nos seus respectivos legislativos; 6- combate à corrupção e à subversão; 7- intervenção no STF, cuja presença de ministros simpáticos aos conspiradores é clara e evidente”.

Já um folheto distribuído pelas ruas da capital paulista afirma que “há 50 anos, no dia 19 de março de 1964, nossos pais e avós foram às ruas e conseguiram a redenção do povo brasileiro. Eles tiveram coragem. Agora é a nossa vez”. O panfleto prega “intervenção militar constitucional” e rosna: “Fora o comunismo, o marxismo e as doutrinas vermelhas”; “Não seremos uma nova Cuba nem uma nova Venezuela”. Outro texto critica “a contratação de médicos cubanos e os gastos para a realização de grandes eventos esportivos no Brasil” e conclama: “Todos juntos nas ruas dizendo um não à tirania do PT, em apoio aos irmãos venezuelanos e contra a ditadura esquerdista… Todos em defesa da nossa pátria. Nossa bandeira é verde e amarelo e não foice e martelo”.

A apresentadora do SBT se soma a estas mensagens – um misto de fanatismo direitista e maluquice fascista. Em sua página no Facebook, os fiéis seguidores elogiam sua “coragem” e chegam a lançá-la para disputar cargos eletivos. Amilton Augusto, por exemplo, defende “Joaquim Barbosa (presidente) e Rachel Sheherazade (vice-presidente)”. Elias Machado comenta: “Não sei se ela tem vocação política, mas seria uma ótima opção para presidente”. Já Arthur Roque declara: “Eu apoio a intervenção militar. Somente isto para acabar com esta corja de comunistas. Está na hora do pau! Avante general Heleno, avante Jair Bolsonaro”. Só falta a emissora de Silvio Santos estampar uma convocatória para a “Marcha da Família”!

******

Em tempo: o Tijolaço, de Fernando Brito, também trouxe inusitada notícia de Sheherazade:

Sheherazade, ameaçada por Chaves (o Chapolim, não o Hugo), vira madrinha do pelotão. “Mico” ou sinal dos tempos?

Caro contribuinte paulista, você quer ver como é gasto o seu dinheirinho?

Quer saber como é a “inteligência” da polícia de São Paulo?

Então leia esta história que, juro, não é mentira.

Diversas viaturas de PM foram mobilizadas para proteger Rachel Sheherazade, a treme-terra do SBT, contra perigosos manifestantes que iriam exigir de Sílvio Santos a substituição da “âncora” do jornalismo da emissora. E que pediam, no seu lugar, ou Chaves-Chapolim ou então o “Seu Madruga”…

Na falta de sequer um só manifestante, os guapos rapazes da PM, sem ter com quem exercitar os seus “instintos mais primitivos” e sem nada de importante para fazer, posaram para fotos com a “madrinha do pelotão”, como você vê aí em cima.

O episódio não é apenas ridículo, mas revelador do “mix” de idiotice, histeria e picaretagem envolvido nessa história.

A página não é anônima, é apenas uma piada criada por dois rapazes, uma gozação óbvia. O que convocava?

“Porque o Seu Madruga e o pobre menino do barril tem muito mais a nos ensinar sobre tolerância e igualdade… Venha você também pedir pro Silvio colocar Chaves no lugar da Rachel Sheherazade.”

Nenhum incitamento e um milhão de vezes mais suave que qualquer comentário da dita cuja em rede nacional, por meio de uma concessão pública.

Se o SBT chamou a polícia, bastava ter passado por lá “uma viatura”, que ia chegar, rodar por ali e o policial avisaria pelo rádio: – Aí, chefia, é caô, não tem ninguém aqui não, positivo? Prosseguindo para alfa-bravo-charlie para atender ocorrência de briga de casal…

Mas não, veja o que publicou o UOL na sexta-feira: “Várias viaturas estão na porta do SBT, desde o começo da manhã de hoje, realizando um trabalho preventivo para a manifestação, marcada há alguns dias nas redes sociais, contra a jornalista e apresentadora Rachel Sheherazade, do “SBT Brasil”.”

Seria apenas um “mico”, se fosse o único.

(…)

Ou será que ainda é preciso mais alguma coisa para dizer que se monta um clima de radicalização política que não existe senão na cabeça de um bando de fascistóides, do qual Sheherazade é apenas uma perigosa caricatura?

Será que é preciso algo mais para ver que a exploração midiática está levando a se criar um clima de confronto que não existe?

Será que, ingenuamente, os nossos “libertários” não vêem que a única coisa que conseguiram libertar foi a extrema direita do sarcófago em que se encontrava?

Será que nossos “juristas” não vêem que não é casual a movimentação indecorosa de Joaquim Barbosa no Supremo?

Será que acreditam que, a esta altura, com os apelos públicos a uma intervenção militar, já não há grupos contaminados dentro de nossas Forças Armadas?

A “onda de direita” no mundo e na América Latina é fruto da minha imaginação?

Será?

E será, sobretudo, que temos uma força política capaz de se contrapor a essa escalada insana?

Responder

    Mário SF Alves

    22/03/2014 - 19h56

    É emblemático que na ânsia de manipular ingênuos cheguem a manifestar a extrema ignorância de confundir cor com símbolo.

    “Nossa bandeira é verde e amarelo e não foice e martelo”.
    _______________________________________

    “A apresentadora do SBT se soma a estas mensagens – um misto de fanatismo direitista e maluquice fascista.”

    E só.

tiao

03/03/2014 - 10h52

Uma frase do ex delegado Helio Luz: A policia foi criada para ser violenta e corrupta.Disse tudo!

Responder

Urbano

02/03/2014 - 18h57

Sustentamos uma política de segurança pública, que na maior parte das vezes será usada contra nós mesmos, mesmo que sejamos inocentes. E se houver interesse da elite na parada, então é de arrombar meio mundo de gente…

Responder

    Urbano

    02/03/2014 - 19h02

    Mesmo seguindo mesmos é ruim. Ainda faz um papel mais bonito no lugar de mesmo.

Mauro Assis

19/02/2014 - 22h43

Com a polícia militar vivemos uma guerra civil que mata 50.000 pessoas por ano. Imagine uma “desmilitarizada”: a bandalha ia deixar as armas em casa e nos assaltar com flores…

Responder

Paulo Villas

19/02/2014 - 14h23

Metade das elucubrações do artigo não existiriam ou não teriam propósito se o consumo de drogas fosse legal. Alem do mais , como falar em cidadania se os direitos dos consumidores de drogas sequer fazem parte do contexto da discussão. Já imaginaram o sufoco do consumidor para se abastecer em áreas permanentemente conflagradas…sobreviver no meio de uma guerra entre o exército do tráfico e a polícia , para comprar uma trouxinha de maconha.
Desmilitarizar a polícia é preciso , mas há intervenções mais importantes para ocupar a polícia do que a guerra contra o tráfico , guerra estúpida , como por exemplo , as investidas golpistas sobre a frágil democracia brasileira. É preciso construir uma Guarda Nacional um Serviço de Inteligência moderno , antes de pensar em desmilitarizar as polícias …

Responder

Lando Carlos

19/02/2014 - 12h58

Não se pode falar em segurança pública sem levar em consideração políticas que ofereçam cidadania para as pessoas. A presença do Estado não deve ser apenas policial, mas sim um conjunto de políticas inclusivas que ofereçam o resgate que a falta de perspectiva expõe de acesso ao mundo do crime. Seguramente desenvolver a sociedade, proporcionando acesso a todo um conjunto de ganhos que beneficiará toda a sociedade em cadeia, deve ser buscado por todos os que tem compromisso com a melhoria do local em que vivem.
Desvincular o Estado da sociedade, como se o Estado fosse outra coisa que não a própria sociedade, é tirar das pessoas a compreensão de que o Estado deve servir a sociedade. Que cabe ao Estado cumprir funções constitucionais. E que os governos são eleitos para isso, os governos direcionam as responsabilidades do Estado.
Dar alternativas para as pessoas não entrarem no mundo do crime é ação complementar à presença policial, quer seja pelas UPP’s ou não. Dar dignidade para as carreiras policiais é importante, todos os policiais desejam isso. Estruturar as polícias dando melhores condições de trabalho é imprescindível, assim como acabar com a rivalidade entre as polícias civis e militares, que são uma coisa só com funções diferentes. Exercer os governos para criar as soluções que atendam toda a sociedade, buscando seu desenvolvimento sem excluir ninguém.
Protestar é direito de quem quiser faze-lo, desde que se esclareça as pessoas sobre de quem é a responsabilidade daquilo que se protesta. O resto é puro oportunismo.

Responder

Julio Silveira

19/02/2014 - 08h10

Sonho meu, sonho meu, vai buscar quem mora longe sonho meu.
Na verdade essa proposta se trata mais uma papinha para adoçar a boca de criança. Por que já sabemos que isso nunca, eu digo nunca, irá acontecer devido a tantos interesses e cultura que habitam atrás desse assunto.
Desde que me entendo por gente ouço sobre isso, mas hoje para mim já se tornou ladainha, me desculpem.

Responder

FrancoAtirador

18/02/2014 - 20h00

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Esta flexibilização de competências na Proposta de Emenda,

da polícia e do próprio comando, é uma ótima idéia mesmo.

A possibilidade, e não a obrigatoriedade, de deslocamento

da esfera estadual para o âmbito municipal também é justa.

O bom é que hoje há quase um consenso que a desmilitarização

das PMs estaduais, e a conseqüente desvinculação do Exército,

é uma necessidade à plenitude do Estado Democrático de Direito.
.
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Responder

Heitor

18/02/2014 - 17h35

CRM-MG não acha anti-ético assassinar garoto de 10 anos e traficar seus órgãos. Dá-lhe CUBA!!!
http://noticias.r7.com/minas-gerais/crm-absolve-medicos-condenados-por-trafico-de-orgaos-em-pocos-de-caldas-mg-14022014

Responder

Ted Tarantula

18/02/2014 - 16h37

que juízo tem uma sociedade que outorga à PM a responsabilidade de resolver conflitos sociais acumulados em 500 anos de esculhambação, incúria, desmazelo, omissão, burrice, desmandos, corrupção, desigualdade e opressão????????
quando dá no que dá apontam o dedão e bradam aos céus: despreparados!!!!! violentos!!!! brutos!!!
que chance tem disso dar certo????
não precisam me xingar…basta responder.

Responder

Guanabara

18/02/2014 - 13h16

O que gostei na entrevista é que ficou claro o grande problema no país: política. Há bons projetos, feitos por pessoas sérias e competentes, e que depois são desvirtuados para atender interesses eleitoreiros. O cerne do problema ainda está na reforma política. Sem ela, você tem surtos de melhorias, mas que logo em seguida voltam para onde estavam.

E não há como resolver qualquer questão de segurança pública apenas através de polícia. O próprio entrevistado fala disso, embora seu foco seja a modernização das instituições policiais, não adianta eliminar o traficante e não dar condições de vida à população das áreas , então, dominadas por facções criminosas. Presença do Estado não é somente presença policial/militar. Agora, se os políticos eleitos são eleitos, também, por vias de parcerias, por exemplo, com milicianos, como querer que isso mude sem, antes, mudar a política?

Responder

J.Carlos

18/02/2014 - 12h57

Gostaria de saber notícias do bravo jornalista Marco Aurélio Carone, o único que combateu de frente a quadrilha aecista nos últimos anos. Agora até o NovoJornal virtual foi tirado do ar. Se não for através do Viomundo, dificilmente outro blog vai noticiar.

Responder

Edgar Rocha

18/02/2014 - 02h13

Agradeço imensamente ao Viomundo, enquanto leitor assíduo, pela entrevista completa com o Professor Luiz Eduardo Soares e parabenizo ao Dario de Negreiros pela condução irreparável. A falta que faz um artigo desta natureza para o entendimento da questão da Segurança Pública torna esta entrevista algo de valor inestimável. Mesmo estando aqui em São Paulo (e por este mesmo motivo) temos a impressão que os problemas ligados ao tema são tão homogêneos quanto a violência imposta à sociedade por aqueles que repelem mudanças. De minha parte, gostaria de sugerir o aprofundamento sobre a atuação dos grupos organizados na favela da Maré, que pareceram a mim, muito interessante como um conjunto de ações cidadãs.
Evidentemente, ainda não li a PEC 51 (nem sabia que existia, admito). Mesmo assim, me perdoem por ser precipitado, queria saber de antemão se está contido em seu texto, algo sobre a permanência ou extinção dos tribunais militares. É que na última vez que levantei esta questão (foi no post sobre o Coronel Adilson Paes que defendeu aqui a desmilitarização em 10/11/2013), já que o referido post não fazia mensão a este tema. Como no presente, também não se abordou a questão (talvez no texto da PEC seja contemplada) pediria gentilmente que me respondesse se há referências a este tema. Pra ser mais exato, repito a pergunta que fiz:

Uma vez desmilitarizados, como seriam considerados os possíveis crimes pregressos (anteriores a implantação da nova lei)? Teríamos, por exemplo, uma reedição da lei de anistia, já que os crimes cometidos durante a PM militarizada previam fórum especial com tribunal específico?

Desculpe-me se sou precipitado, mas acho que o apoio amplo passa por esta questão. Não acho que seja de interesse da sociedade compactuar com a impunidade de crimes cometidos enquanto a Polícia for militar.

Por outro lado, ao que parece, a PEC 51 foi amplamente discutida nos setores e nas categorias profissionais da área de Segurança Pública. Não seria o momento de ampliar a discussão. Digo, ir além de sua divulgação em sites e buscar apoio popular dentro dos setores organizados? Demorou, não? Se o projeto não tem apoio institucional, tem enfrentado resistência dentro dos meios envolvidos… não vejo porque não ampliar seu reconhecimento.

Responder

simas

18/02/2014 - 01h02

Eu vou embora… Mas, tem um monte de afirmações, descabidas, pelaê. E ninguém pautou o interesse, externo, de se transformar as CA’s em polícia, pra “perseguir” o tráfico.
Ora, Os EEUU já não têm um órgão especializado, com uma super organização e poder; inclusive, agindo em lugares, paises chaves na produção de drogas? E a Cia?,,
Convenhamos

Responder

simas

18/02/2014 - 00h49

Gente,
Este Só-ares já teve a sua oportunidade… Deu em nada. Minto! Ao fim da época garotinho, com “o” – pq existiu a do garotinha, com “a”…risos, eu fui a uma tal de Delegacia Legal. Era uma delegacia legal, “paca”. Tudo caindo aos pedaços; banheiro?… atravessei a rua e pedi por-favor num restaurante. Eu nunca vi uma entidade tão nova, ficar tão deprimente, tão rapidamente. Será q o Só-ares tem alguma explicação? Mas, o cara é tão brilhante… Cheio de idéias, novas e redentoras… Opaaa!… Redentoras? Mudemos de assunto: q eu saiba, em todo o mundo, a polícia faz a mesma coisa, da mesma forma… Na casa de um Só-ares, da vida, chega ou entra um policial, cheiroso, e declama… – Com licença; por favor; dá pra usar o controle-remoto?…risos Agora, num ambiente de bundões, manda chumbo, certeiro, igual àquele acertado na cabeça do Mineirinho, acuado… em Londres. Esse “despreparo” é próprio de todas as polícias, imagino. Imagino. O q difere é como se interpreta: Certos lugares, o q se observa é a força da lei…
Gente, qual o q. Desmilitarizar é coisa de interesse do crime; não tenham dúvidas. Mesma coisa, é afirmar q as polícias são corruptas e fazem “meia” com a marginália… Mesma coisa, mesma teoria é o comportamento da mídia, maldita e mafiosa, afirmando q o Governo Federal é uma corporação corrupta, nunca vista… As pessoas comuns, agora, hj, nas ruas, nos ambientes públicos repetem q os Políticos, os Ministros, os Juízes, os q trabalham nos Executivos, todos ou quase todos, são uma camarilha de corruptos, ladrões… Dizem e dão meia volta e praticam os mais diversos… deslizes.
Já sou idoso; e durante minha vida assisti a evolução da polícia. Atualmente, entro em uma Delegacia Legal – essas mesmas onde o tal Só-ares, junto com o garotinho e a garotinha trabalharam de pedreiros, construindo, e vejo prédios, outros… Com funcionários, outros. Tudo diverso do tempo em q era jovem e onde os coronéis adentravam pra exercitar a prática da impunidade. Mais ou menos, assim; variavam os personagens corruptores… Durante a “redentora”, então, a impunidade foi institucionalizada, de vez. Vc’s querem o q? Q se dê crédito a um “idealista”, tipo oportunista? Os garotinhos estão chegando; fiquem espertos.
… risos Agora, é um pagode: as UPP’s chegaram ao limite. O Goveno da Pres Dilma ‘ta no limite. Eu fico pasmo com a desfaçatez de quem nunca fez nada e quer voltar pra desconstruir o q se conseguiu, com mto esforço, durante anos à fio, realizar. Estão exigindo q o Executivo Federal se vire em Reformas de Base; as mesmas responsáveis pela deposição de um presidente eleito pelo voto, direto e, ainda, dono de avaliação positiva, popular.
O grde problema da militarização da polícia, é q ela dá o moral pra q o soldado enfrente a marginália, em situação, até, melhor q ele policial… É mto duro um policial do Bope, por exemplo, encarar os soldados do tráfico, bem armados, com a cuca cheia de droga, num ambiente físico de favela… O policial, no geral, tem medo de se mostrar policial; esconde q é policial; anda desarmado e sem identificação, pela cidade, pelo Estado, pelo Pais. Tudo isso, em troca de uma remuneração, miserável. Pergunte ao Só-ares em qto monta uma periculosidade do policial, q ele pagava, qdo secretário?… Pergunte, tbm, qto ele ganhava de comissão.
No Estado do Rio, quem tenta desqualificar a polícia tem interesses escusos; ou, então, usa drogas, mesmo.
Abraço, fraterno

Responder

Fabio Passos

17/02/2014 - 22h07

Análise sensacional.
Esta é a pluralidade que o PiG esconde… e que podemos ver na rede.

” polícia é o tráfico, tráfico é a polícia.”

E ainda há quem defende a “guerra contra as drogas”…

Responder

    simas

    18/02/2014 - 11h59

    Pq vc não manda o Só-ares, agora, passear na Rocinha, de cara limpa?… Diz pra ele perambular pelas ruelas, pregando… Mas, ele, vai ter de deixar claro, q tem horror ao tráfico e à milícia… Aliás, pq essa gente não se refere à milícia, pelo seu apelido, real… de MINEIRA?
    Vc sabia, meu querido, q o Bope qdo entra numa favela prende todo mundo… seja do tráfico, seja da MINEIRA? Pois, é. Entrega essa gente pra Justiça dos homens, cuidar… Passam dias; e ‘tá tudo no mesmo lugar, novamente.
    O problema não está na brava Polícia Militar ou Civil. Está no sistema, na estrutura, corrompida. Ela, essa estrutura, é q precisa ser renovada, totalmente.
    Piadinha, procê: agora, nesse momento, o Deputado Bolsonaro pinta pra ser presidente da Comissão de Direitos Humanos… Verdade! Se vc não correr e se rebelar…
    Abraço, fraterno

    Fabio Passos

    18/02/2014 - 19h35

    Entregam para a “justiça” apenas os que não são torturados e/ou executados… estes grupos de extermínio institucionalizados são um horror.

Vicente

17/02/2014 - 17h17

Eu sei por que discurso de pessoas envolvidas com o tema da segurança pública tem ficado cada vez mais crítico em relação às UPPs. Porque o PT rompeu com Cabral.

Responder

Véio Zuza

17/02/2014 - 13h08

E “desmilitarizar” os traficantes é prá qunado?
Acho que Portugal, França, Espanha e outros também produzem jabuticabas…lá também tem polícia militar, e bota militar nisso…
Quem estiver interessado é só entrar no site da “Guarda Nacional Republicana” (GNR), de Portugal.. fica-se sabendo que ela foi criada ao mesmo tempo que a atual PM-RJ, por D. João VI… Mas lá não tem especialistas como o Dr. Soares…

Responder

    bernardo

    18/02/2014 - 00h55

    Véio, desmilitarizar não significa desarmar. As polícias vão continuar tendo armas, como sempre tiveram. Desmilitarizar significa apenas que um policial que é cabo não vai precisar obedecer cegamente as ordens do capitão, sob pena de ser preso se desobedecer. Significa que o cara que começa lá embaixo pode chegar lá em cima pelo mérito, ao invés de ficar limitado a sargento, enquanto o cara que entra como oficial vai subindo de patente simplesmente por tempo de serviço prestado.
    A polícia nos países desenvolvidos não é militar não. Alguns até tem uma polícia militar, mas é pra situações de terrorismo, invasão, tentativa de subversão do sistema, etc. Quem faz o policiamento normal nas ruas são civis.

Gustavo

17/02/2014 - 09h08

Se tudo o que Soares elabora nesta entrevista depende, como ele afirma, de desmilitarizar a PM, eu pergunto: um governador (ou de um futuro governador) tem alçada para tomar essa atitude? Ou seja, digamos que Lindbergh seja eleito e Soares nomeado seu Secretário de Segurança. Isto seria condição suficiente para desmilitarizar a PM e consequentemente, permitir pôr em prática todas as ideias de Soares expostas nesta entrevista?

Responder

Romanelli

17/02/2014 - 07h47

do jeito que vai, NUNCA vai ter jeito ..a maioria das favels precisam ser REMOVIDAS e não remendadas.

Primeiro, é preciso URBANIZAR as favelas, torná-las com cara de cidade, funcionalidade de bairros ..e não um amontoado de GUETOS e becos que dificultam qualquer trato.

E quem tem coragem de começar ? Primeiro em área neutra, construindo, depois deslocando e DESTRUINDO o que ficaria desocupado ? Isso é coisa de longo prazo (20 anos no máximo, pq mais é RELAXO e falta de vontade)

Já até imagino os traficantes e lideres comunitários reclamando, a turma que mama no auxilio aluguel reclamando ..o povo que INVADIU área dos outros – que coincidentemente no caso é pobre – (não importa se invadindo área de dinossauros, índios, do Estado ou de particulares) dizendo que antes das obrigações, eles tb tem direito de escolha ..ihh, sei sei

Depois ninguém entende pq falta água nos mananciais, pq o planeta aquece e as cidades tem cada vez mais tempestades localizadas ..a fauna e flora se deterioram ..os rios e mares apodrecem ..tudo isso é falta de VONTADE e coragem de fazermos o que é certo, e CUSTA MUITO CARO

..de certo, com certeza, não é ver o homem viver e PROCRIAR como um ANIMAL dependurado criticamente nos barrancos ..açoitado pelos poderes de repressão e acuado pelos marginas e pelo tráfico, usado pelos políticos que nunca trazem solução, mas só simpatia.

DUVIDO, du-vi-do, que pelos desenhos, duvido que um dia estas FAVELAS consigam encontrar serviços públicos de qualidade (correios, gás, segurança, saúde, bombeiros, ambulância, escolas, áreas de lazer etc etc) ..aliás, se umas poucos escolhidas a dedo conseguir (conforme até fala o artigo), vai ser a custa da TORRA e ineficiência de muita grana

A propósito, tb não vi no texto de forma clara e pratica o que seria esta tal de “desmilitarização das nossas polícias” ?? ..por acaso seria o fim do policiamento preventivo, ostensivo, da polícia de choque, da hierarquia ? ..tudo seira gerido pelo dotô delegado e a sua OAB ?

Aqui em SP, desta discussão, ainda na década de 80 ressurgiram com uma tal polícia municipal, uma que NÃO serve pra NADA – só sorve recursos – e que ainda por cima sequer evitou a terceirização da segurança pública que ainda é feita nos parques, museus e demais instalações públicas estaduais, federais e municipais por particulares (notadamente empresas ligadas, tal qual concessão de TV, a POLÍTICOS)

Responder

    abolicionista

    17/02/2014 - 13h55

    Agora a culpa pelo desastre ecológico é dos pobres, é? A gente aprende cada coisa na internet…

    Roma

    18/02/2014 - 07h09

    Fica frio, pelo andar da carruagem vc tem muito que aprender, inclusive a ler..

    Aonde vc leu que eu disse que a CULPA era do pobre ? Não não, eu não disse, mas digo agora, a CULPA TAMBÉM, também é do pobre, assim como dos extrativista que, em nome da preguiça, acabam inclusive tirando comida da boca da cotia.

    abolicionista

    18/02/2014 - 11h53

    Nada como apelar para a falácia do “argumentum ad hominem”. Mas, diz uma coisa, quando você vai partilhar um pouco dessa sabedoria toda com a gente? Guardando esse tesouro só pra você, Romaninho?

    A propósito, olha só quem estava despejando o esgoto no mar do Rio de Janeiro:

    http://cbn.globoradio.globo.com/editorias/meio-ambiente/2014/01/23/HELICOPTERO-DA-CBN-FLAGRA-DESPEJO-DE-ESGOTO-NO-MAR-DE-SAO-CONRADO.htm#ixzz2rEfksfab

    Acho que esse esgoto não vinha da favela, né?

    Aliás, se você quer mais informações mais sólidas a respeito de quem produz mais lixo no mundo, aí vai um link, com dados do Banco Mundial:

    http://www.portalresiduossolidos.com/quem-produz-mais-lixo-no-mundo/

    Fica tranquilo, cara, são só algumas informações. Você ainda é o sábio aqui, continue nos iluminando…

    Romanelli

    19/02/2014 - 07h32

    Colega, vc sabe o que significa a conjunção “TAMBÉM” ? ..então tá

    Olha, sei que existem diversos responsáveis e diversas fontes de detritos, inclusive dos industriais (que aqui, depois de décadas, já estão bem encaminhados, o que não quer dizer eliminados de vez).

    Do que lembro, as CIAs de esgoto, que seguiram por DÉCADAS uma politica equivocada que tentou aproveitar a topografia das cidades pra baratear seus custos (aprendida com os Portugueses), elas que fizeram da calha de muitos córregos e rios suas valas, carregam sim parte da culpa, e com ela seus técnicos, os políticos despreparados (que vieram do povo e não de marte) e os partidos que não souberam priorizar, mas..

    ..mas não são as CIAs que constroem seus barracos com a BUNDA virada pro rio ou pros mangues (tá, aqui vc vai dizer que pobre não sabe ENTERRAR sua BOSTA tb ? que precisa GANHAR de graça as fossas, sei sei)

    ..não são empresários que jogam suas geladeiras, TVs e sofás nos mangues, nos rios e represas, são ? (ah tá, vc vai dizer que nas favelas e palafitas o caminhão não vem)

    ..não são os governos que jogam o LIXO do alto do morro, na cabeça dos vizinhos que moram embaixo (ah sei, vc vai dizer que pobre não foi instruído a respeitar o próximo, ããããrã, e cadum cadum)

    Desculpe, chega de dilema TOSTINES vai ??!!Que tal crescermos e assumirmos a nossa parte de CULPA para a solução dos problemas ?

    TODOS, também.

    Essa de ficar culpando o MUNDO por vc não cumprir com seus deveres, de dizer que 1o eles depois nós, essa de troca troca já deu, não deu ?

    Verdade é que ninguém pode ficar de fora, nem índio, nem garimpeiro, a responsabilidade é de todos (índio que Vilas Boas chegou a idealizar glamorizar dizendo que eles não mijavam no rio por respeito à natureza – vê se pode – e não por medo do Candiru)

    Sei que da urbanização acelerada dos anos 50/60/70 vem muitos dos nossos problemas, agravados que foram pelas crises de 74/78/80 e 90 que limitaram o poder de ação e planejamento do Estado, mas isso, reitero, NÃO tira do povo a sua parcela de culpa, pela AÇÃO do desmatamento por exemplo, por ter mais filhos do que sua estrutura podia suportar ..mas isso é história, assim como a existência dos TIGRES no Rio, ou do sanitarista

    Agora, hoje, duns 25 anos pra cá, convenhamos, informação é o que não falta, nem pra turma do Jd Angela, pois o que nos faltam mesmo é a CENSURA, a responsabilização, o respeitar de nossos melhores valores, a mea culpa, a vontade de nos construirmos uma NAÇÃO, valores estes que em parte são suprimidos em nome duma política irresponsável que manipula as masas através da defesa ideológica de pensamentos primário tipo a dum “vitimismo Sócio Patológico que assolaria as massas” (deste que faz do pobre, além de pobre, um ser quase que SEMOVENTE, descerebrado e totalmente desprovido do livre arbítrio, ou incapaz de ter a noção sobre seus atos).

    ..francamente, se pra vc isso te satisfaz, mesmo pq com isso vc talvez consiga achar um culpado pelos seus próprios erros e pecados, a mim não.

    Vladimir

    20/02/2014 - 01h56

    Desmilitarizar a policia mantém sim a policia operacional, preventiva, uniformizada.
    A hierarquia também continua existindo, como existe nas empresas não militares.
    Sai fora apenas a parte militar: punições sem a mesma necessidade de provas que nas empresas civis; passa a haver o direito de se sindicalizar. Fica o principal símbolo da policia que tanto precisamos nas ruas: o giroflex ligado, a coordenação georeferenciada para distribuir bem as equipes nas regiões,o uniforme bem típico de policias ostensivas e preventivas.

    A melhor parte é mais sutil. O policial nas pontas terá a elasticidade de empresas civis para buscar soluções para os problemas nas regiões onde atua. Podendo inclusive coordenar ou apenas contatar outras esferas de governo ou organizações. Luz para parque onde ocorre estupros; verificar se há denominadores comuns nas quadrilhas da região e se da para prevenir as causas; “sei lá”: se fosse estes exemplos listados exatamente, não seria necessário um policial na ponta bem preparado e com flexibilidade de atuação, bastaria um coronel comandar os itens exatos e pré definidos lá do comando central. O policial na ponta vai encontrar provejamos e soluções diversas em cada região. Não precisa dizer que tudo dentro da legalidade (e mais, moralidade um pouco além da tão somente lei).

    Claro que sugestões mais inovadoras ainda são bem-vindas: mesmo!

FrancoAtirador

17/02/2014 - 01h43

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PROTESTO DE VÂNDALA NA ITÁLIA

ATIVISTA ITALIANA AGREDIU POLICIAL INDEFESO
QUE NÃO PODE REAGIR, PORQUE É PROIBIDO POR LEI

Manifestante beija policial durante manifestação em Susa, na Itália,
em protesto contra a construção de uma linha de trens de alta velocidade
entre Turim (Itália) e Lyon (França), no dia 16 de novembro de 2013

A estudante italiana Nina De Chiffre, de 20 anos,
que está sendo processada pela justiça italiana,
por violência sexual contra o policial da cidade,
contou em detalhes a agressão premeditada:

“Tentei provocar um pouco, como uma prostituta teria feito numa rua.
Conheço as regras das forças da ordem e agi segundo elas.
Sei que os soldados não podem reagir às provocações.
Não me limitei a beijá-lo, como se vê na foto…
Sim, disse-lhe certas coisas, para ver se reagia,
mas manteve-se impassível.
Abri a viseira, e toquei seus lábios com os dedos”.

Nina não teme uma eventual condenação:

“Prefiro ser processada
a ver meu beijo como sinal de paz.
Foi um gesto de nojo diante da polícia”.

Fonte: Outras Palavras, via GGN

Íntegra em:
(http://jornalggn.com.br/noticia/na-italia-beijar-policial-e-vandalismo)
(http://migre.me/hUG7t)
.
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PROTESTO NO RIO DE JANEIRO-RJ/BRASIL

Policiais disparam tiros de bala de borracha
em manifestante durante protesto no Rio de Janeiro
em 20 de junho de 2013.

Sem palavras…

(http://migre.me/hUGoa)
.
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Responder

Fábio

17/02/2014 - 01h09

Quem quer uma polícia nos moldes da PM não quer segurança público, mas sim higienismo social e limpeza étnico-racial.

Responder

    Romanelli

    17/02/2014 - 07h55

    Vc fala isso pq não mora aonde eu moro ..vem cá vem, vem ver as ruas tomadas no de repente, varando madrugada, por funkeiros e passistas ..vem ver os MANO que depois de tragarem vem por cima de vc querendo grana pra poder mais

    Desculpe, mas nunca vi BANDIDO atender na base do faz favor

    Verdade mesmo é que há décadas que a polícia prende e a lei frouxa solta (e a polícia erra sim, exagera SIM, e muito)

    ..mas o engraçado é que tanto o exagero da polícia, como o excesso de criminalidade, são afetados pelo mesmo mal ..IMPUNIDADE

    fossemos um país que atentasse de VERDADE para a vida, e muitos destes crimes não teriam encontrado um terreno fértil pra ocorrer.

    abolicionista

    17/02/2014 - 21h40

    Eu sou nascido e criado na zona Sul de São Paulo. Vivi minha infância e adolescência no Parque Arariba, perto do Jardim Ângela. Parque Santo Antônio, Jangadeiro, conheço a área. Trabalhei em escola no morro do S e o escambau. Apela-se para o discurso fascista porque ele postula uma solução fácil, ele fala à indignação e ao ódio. Esse ódio existe em todos nós, a vontade de resolver tudo com uma porrada, um tiro. A vontade de chamar um super herói, um capitão nascimento que resolva tudo… O discurso fascista se alimenta desse ódio, manipula esse ódio para ganhar poder e não mexer nas estruturas. Há quantos anos a polícia sobe a favela para matar “bandido”? E o que isso resolveu até hoje? Nada, não mudou nada. É muito fácil escolher um bode expiatório, jogar nele todo nosso ódio, fazer uma fogueira, amarrar num poste, dar um tiro na nuca. Mas isso é hipocrisia. Porque o verdadeiro ladrão, o dono da emissora de TV, o cara que parou de construir o metrô para enfiar a grana no bolso de empresa internacional, esses ninguém tem coragem de pegar…

    Romanelli

    18/02/2014 - 07h00

    colega, desculpe, mas acho que quem vive tentando escolher node expiatório são vocês, os esquerdopatas.

    Gostaria que vc me lê-se com mais atenção, daí tenho certeza que nosso diálogo poderia render melhores frutos.

    O que nos diferencia é que NÃO só a tua causa esta contida na minha, mas como outras tb, Eu não busco heróis, nem santos numa ou noutra classe social. Acho sim que em TODAS encontramos gente boa, e outras tantas, canalhas. Eu, em nome duma ideologia (notadamente IMPORTADA) não fico à cata de inimigos ou de Malvinas pra entreter o eleitorado (tipo como estes discurso racialista e sexista que algumas correntes tentam nos IMPORTAR, tal como fizeram com as cotas RACISTAS, a lei do saquinho do supermercado recente ou, já já, com a da liberação da maconha turbinada).

    Verdade é que não só a coisa não muda (com o pratica duma polícia violenta que NÂO veio de MArte, mas muitos até do Jd Angela) como tb da favela NUNCA deixou de morar, FABRICAR e de sair LADRÃO, bandido, gente sem valor nem educação/informação,,

    ..queira vc ou não somos uma SOCIEDADE violenta ..uma sociedade que glorifica e vitimiza o CRIMINOSO, uma sociedade fundamentada na IMPUNIDADE, uma que conta os centavos dos roubos ou do custo de se manter um cárcere, mas que não conta as DEZENAS de BILHÕES anuais de prejuízos que sofremos com as mortes precoces (fora a dor e o cerzir da nossa COESÃO social), isso quando o correto seria desenvolvermos valores no sentido oposto, de valoração da vida.

    Policial tb é gente, tem filhos e família, em outras situações eles deveriam ser homenageados e preservados (e eu não os tenho em convívio em meu ambiente) ..mas aqui constantemente são escrachados, como se os erros deles fossem mais graves do que os dos malacos ..como se eles fossem os culpados por tudo o que temos de errado, como se fossem seres isolados, impunes e imunes às barbáries.

    Nasci e sou descendente de paulistas e paulistanos MUITO antes do Jd Angela existir ..e verdade que se as autoridades tivessem dado prioridade ás causas nobres (e não a Copas ou Olimpíadas) muitas das nossas mazelas estariam SIM resolvidas nestes últimos 12 anos de governo poGrecista.

    Hoje, só pra vc entender, desde o governo LULA o país aumentou em HUM MILHÃO E MEIO o déficit de moradia pra pessoas da classe D/E ..e isso pq doutro lado ele veio com a campanha de “compre e se endivide com um carro feito por empresa estrangeira”, ou com o “minha Casa Minha cina” que priorizou imóvel pra classe rica e média, além de INFLACIONAR todo o mercado com os constantes aumentos do teto.

    Verdade é que NADA justifica a onda de desaforos e desobediência civil que estamos experimentando ..HOJE se vc quer, seundo a XUXA, vc pode TUDO

    Assim, se vc quer protestar, TAQUE fogo no ônibus, obstrua uma rua, deprede um bem público (ou particular), taque fogo em pneu, faça passeata em via principal.

    Se vc quer moradia, INVADA, tome e arranque ..se quer um local pra se divertir, faça ali mesmo na RUA ..toque um samba, um baile funk, aumente o volume do seu carro até que o ouvido do CANCEROSO do seu vizinho exploda.

    Não não, desculpe, mas fui criado com o lema de que “eu não estava sozinho no mundo,”, que eu devia respeitar pra ser respeitado”, “que o meu direito terminava quando começava o do outro”, “que a rua não era minha, nem do outro, mas de todos” ..enfim, uma forma diferente da dos que chegam ao mundo e acham que a sociedade tem que, nem que na MARRA, os servir.

    em resumo, hoje a maioria desaprendeu a fazer cobrança, a dialogar, a propor mudanças ..em resumo, hoje as esquerdas inconsequentes (que não deixam de ser FASCISTA tb), mais do que nunca, é que quer tomar tudo na marra.

    Romanelli

    18/02/2014 - 07h10

    Azenha, postei uma réplica meio que longa pro colega. Acho que por isso o sistema a bloqueou.

    Se ainda der tempo, se vc liberar, eu agradeço.

    abolicionista

    18/02/2014 - 12h51

    Nada como criar um espantalho e bater nele.

    1) Meu caro, onde eu disse que as ações da polícia eram a origem do mal? Aliás quem tem difamado a polícia é a Revista Veja, especialista em destruir reputações. A Veja só respeita a polícia quando a polícia é violenta, quando ela pensa a sociedade, a Veja é contra a polícia. Leia a resposta do delegado carioca aqui mesmo, no site. Vale a pena. Eu elogio a polícia quando ela presta serviço à comunidade, quando age em prol da “res” pública. Quando ela sobe a favela e comete crimes, é meu dever cívico e moral denunciar isso. E isso tem acontecido sistematicamente nas periferias de São Paulo. Sou testemunha de vários casos desse tipo. São invasões de domicílio sem mandado, agressões e até estupros. Eu não comparo a conduta da polícia com a dos bandidos, acho que isso é uma linha de argumentação falaciosa. O professor, assim como o policial, também é um trabalhador, também enfrenta muitas dificuldades, violência. E nem por isso pode cometer crimes. Ele não pode se pautar pelo que fazem os bandidos. Se não, já pensou: “o professor esmurrou o aluno, mas aquele aluno bateu na irmã dele e no irmão mais novo, ah, e ele fuma maconha”. Dá pra ver que não é por aí, né? Acho sim que um passo importante para o avanço da democracia no país é a desmilitarização da polícia. Pesquise um pouco e descobrirá que há vários modelos alternativos e mais eficientes de policiamento. Muitos dos próprios praças, aliás, apóiam a desmilitarização, como foi vinculado nessa matéria aqui:

    http://www.papodepm.com/2014/01/pracas-querem-desmilitarizacao-pec.html

    Não entendi por que você precise dizer que sua família está em São Paulo muito antes do Jardim Ângela existir. O que isso quer dizer? Que você tem mais direito à cidade do que “quem chegou depois”? Do que os nordestinos que invadiram sua cidade, é isso que você está sugerindo? Espero sinceramente que não. Porque meus avós vieram sim do nordeste e trabalharam duro construindo prédios, avenidas, deram o sangue e o suor por essa cidade. Meus pais lutaram muito e faço parte da primeira geração da minha família que pode fazer faculdade e viajar ao exterior. Sou tão paulistano quanto você, meu caro. Além disso, tenho ascendência negra e indígena. Sou tão brasileiro quanto você. E mesmo que não fosse, isso não serve de argumento, é xenofobia.

    Eu acho que o governo do PT tem muitos problemas, inúmeros. Acho que programas como o Minha casa, minha vida deveriam ser, no mínimo, reavaliado. Entre outras coisas, porque pode contribuir com a formação de uma bolha imobiliária. Há quem diga que não, mas eu acho que pode criar uma bolha sim. Mas há muita discussão de economistas a respeito. O crescimento do déficit de moradia vem de muito tempo e o programa não ajudou a resolvê-lo. Enfim, o PT é um partido muito complicado. Mas ainda é um partido. Quanto ao PSDB, vou ser bem claro: considero o PSDB uma máfia, não um partido político. Sem mais. Se você quer falar de impunidade, vamos falar também sobre o Trensalão, o maior escândalo de corrupção da história do Brasil, que chega na casa dos bilhões. Não apenas por indignação moral, mas porque o problema dos transportes é central para São Paulo. Se você não sabe disso, é porque não anda de metrô. Usei o metrô de São Paulo durante anos, e testemunhei a degradação do metrô. A Cidade do México, começou a construir o metrô na mesma época que São Paulo e hoje tem o dobro de nossa malha. Isso sem falar de que nosso metrô concentra as estações nos bairros nobres. Na linha verde, por exemplo, é praticamente uma estação por quilômetro. Isso sem falar no fato de que são megaestações cara para construir e para manter e, muitas vezes, completamente inúteis, como é o caso da estação Sumaré, que poderia ser muito menor.

    Fora isso, há uma confusão em seu comentário. A maior parte do PT foi condenou veementemente os protestos. Na minha opinião, o PT se tornou mais ou menos o que o Partido da Ordem era na França de Napoleão III. Você confunde as coisas quando diz que o PT estimula os protestos, pelo contrário, olha a Lei anti-protestos aí. Eu, que apoio os protestos, tenho que argumentar nas duas frentes. Não apoio que se queimem ônibus ou depredações, mas considero o prejuízo material inferior ao prejuízo humano. Alguém ferido, para mim, é muito menos importante do que uma vidraça quebrada. Contudo, a situação nas cidades é de desespero. Se você pega transporte público na hora do rush, você sabe do que estou falando. O sofrimento é muito grande, e esse sofrimento explodiu nas ruas. Fico surpreso que tenha demorado tanto. Infelizmente, ele explodiu de forma violenta, mas acho que poderia ter sido muito pior. No metrô da linha amarela, que nem é o mais lotado, vi cenas horríveis, gente sendo pisoteada, esmagada nas portas, mulher tomando cotovelada. Seres humanos não podem se submeter a isso. Por isso os protestos. Com a despolarização operada pela mídia, é ainda mais compreensível que esses protestos assumam feições violentas. De uma massa desorganizada se pode esperar tudo. Mas isso é uma longa conversa…

    Acho que o problema é que seus comentários acabam carregados de preconceito. Os exemplos que você usa. Afinal, não só os funkeiros que fazem barulho nas ruas, tem muito playboy que coloca o som do carro no último volume e sai doidão por aí atropelando gente. Agora, será que a polícia também aborda o playboy do mesmo modo que aborda o funkeiro? Claro que não, porque o policial sabe que, se fizer isso, vai ter problemas quando chegar na delegacia. O playboy tem advogado, pai importante, vai querer prestar queixa. Ou seja, mais uma lei que só vale para um dos lado, como você mesmo reconhece. Ora, os pobres sabem disso, não são idiotas, são apenas pobres. Por isso as instituições não são respeitadas. Nem pelos ricos, que as utilizam em seu benefício, nem pelos pobres, que sabem que elas não existem para servir a eles. A elite brasileira não quer uma polícia que não seja corrupta, ela se beneficia da corrupção, pois essa polícia trataria o pobre como cidadão, gozando dos mesmos direitos dos ricos. A elite quer uma polícia que faça política de repressão, que mantenha o pobre em seu lugar. Por isso ela olha sempre para o passado e nunca para o futuro. Ela tem saudades da Casa Grande. Bom, enquanto assim for, terão de aguentar o canto dos quilombolas.

    Robson

    18/02/2014 - 14h05

    Cara, vá ler Veja!!!

    É nítida que sua orientação ideológica fascista e saudosa de regimes autoritários. Você quer o que seu direitalha? Mais matança? Mais supressão de direitos sociais? Mais concentração de renda? Mais supressão de direitos trabalhistas? Mais concentração fundiária????

    NÃO SE ENGANE GALERA, ESSE CARA NÃO DESEJA MELHORIAS NO ÂMBITO DE POLÍTICAS PÚBLICAS COMO: Educação, moradia, saneamento, Lazer e etc…

    Ele deseja o bem só para o próprio umbigo como muitos elementos da classe média fascistóide e “indignada” que assistem Globo, leem VEJA,dão audiência a Olavo de Carvalho, Rodrigo Constantino – o civilizado-, Mainard, Reinaldo Azevedo e etc…

    Queira você ou não somos uma sociedade violenta mesmo pois boa parcela desta glorifica ações violentas e supressão de Direitos Humanos como parasitas que têm saudades do militarismo.

    Seu discurso udenista e pseudo-moralista não me engana e todos sabemos onde pode acabar.

    Romanelli

    19/02/2014 - 06h54

    Abolicionista, parece que começamos a conversar.

    ..a maioria das suas colocações, por minhas próprias, e por uma melhor leitura da vossa parte, já estão respondidas (como o fato de eu também censurar os carros com som alto, venha de onde e de quem vier).

    Somente a uma duvida sua farei referencia:

    Não !! Não me acho com mais direitos que ninguém, mas iguais, e DEVERES também, deveres também (e a mim nada veio de graça, uma de minhas avós foi LAVADEIRA de beira de rio em SP, e nenhum de seus filhos aprenderam a justificar violência e a CRUELDADE, o ROUBO do que é dos outros, em nome da pobreza)

    ..o que tentei dizer, inclusive pelo desenvolvimento do meu texto, é que já vi MUITA coisa acontecer nesta cidade, sinto-me sim detentor de MUITAS informações que se compartilhadas podem nos ajudar, a todos nós, a temos um melhor entendimento da nossa realidade, só isso.

    Quanto ao outro DELINQUENTE que apareceu só pra ofender e tripudiar, nada a comentar.

    Flávia

    26/02/2014 - 17h01

    Só mesmo um imbecil para achar que o problema da violência se resolve com mais violência e não com inteligência (no sentido literal e no sentido de “inteligência da polícia” também. Saiba que a violência e letalidade da polícia não tem nada a ver com um método para “proteger a sociedade da violência” mas sim com um direcionamento ideológico que visa intimidar as camadas mais pobres (mais passíveis de se revoltarem) para que a minoria (classe média e elite) possam ficar em paz. Claro, é mais fácil controlar o pobre na porrada do que debater distribuição de renda e problemas sociais. Claro, o Estado Mínimo já provou que resolve a parada, né? É a velha máxima que se aplica a esse tipo de energúmeno que defende estado policial, é a velha máxima que IDENTIFICA O COVARDE: autoritarismo com o mais fraco e subserviência com o mais forte. parabéns por ser covarde

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