Flávio Dino: “Acordo oficializa que, aqui, a maioria do PT seguirá conosco” | Viomundo - O que você não vê na mídia
Viomundo – O que você não vê na mídia
 
Entrevistas
19 de junho de 2010 às 10:06

Flávio Dino: “Acordo oficializa que, aqui, a maioria do PT seguirá conosco”

por Conceição Lemes

No encontro estadual, em 27 de março, o PT do Maranhão aprovou por 87 votos a 85 apoiar a candidatura do deputado federal Flávio Dino (PCdoB) ao governo do estado.

Em 11 de junho, a direção nacional, por 44 votos a 30, anulou o encontro estadual e aprovou a coligação com o PMDB de Roseana Sarney, candidata à reeleição. Manoel da Conceição, 75 anos, fundador do PT, e o deputado federal Domingos Dutra (PT-MA) entraram em greve de fome, que se encerrou nessa sexta-feira após acordo com o PT, avalizado pelo presidente nacional do partido, José Eduardo Dutra.

No final da tarde de ontem, o Viomundo conversou em São Luís com o deputado Flávio Dino. Ele havia acabado de sair do diretório estadual do PT.

Viomundo – O que achou do acordo?

Flávio Dino – É uma grande vitória. É o reconhecimento do direito da militância do PT, que apóia a minha candidatura, de aderir a ela sem nenhum tipo de retaliação ou pressão. Por esse acordo, restabelecemos aquilo que legitimamente havíamos conquistado no encontro estadual. Ou seja, o apoio do PT à nossa candidatura. Na prática, o acordo oficializa que a maioria da militância do PT no Maranhão não seguirá a posição da direção nacional e continuará conosco.

Viomundo – Esse acordo começou a ser trabalhado quando?

Flávio Dino – Na quarta-feira. Mas eu só tomei conhecimento dos termos numa reunião realizada na quinta à noite. Concordo com o que foi feito. Depois da decisão desastrosa da direção nacional, o acordo acabou sendo um caminho para restabelecer a coerência da atuação do PT aqui no Maranhão.

Viomundo – O que representa a sua candidatura?

Flávio Dino — Renovação, mudança, desejo de superar o império oligárquico estabelecido há 45 anos na política maranhense pela família Sarney.

Viomundo — Se não houvesse a greve de fome do Manoel e do Dutra, essa vitória teria sido possível?

Flávio Dino — Apesar de a greve ser um gesto extremo e preocupante do ponto de vista humanitário, politicamente acabou sendo fundamental para a obtenção desse acordo. Portanto, meu reconhecimento aos companheiros pelo ato de coragem que resultou nessa vitória.

Viomundo – Em algum momento o senhor temeu pela vida principalmente do Manoel da Conceição, cuja saúde já é bastante frágil?

Flávio Dino — Muitas vezes. Desde sexta-feira à noite [11 de junho] eu vinha ponderando com ele, pedindo que não fizesse a greve de fome. Exatamente por ser uma pessoa de 75 anos, com uma saúde fraca, inclusive em função das torturas que sofreu na ditadura militar. Ontem [quinta-feira] à noite eu o vi. Renovei o apelo. Graças a Deus a situação extrema não se configurou.

Viomundo – Como recebeu a notícia de que o PT não iria apoiar mais a sua candidatura?

Flávio Dino ­–  Com grande surpresa. O jogo foi jogado segundo as regras. E conseguimos apoio da maioria do diretório. O José Eduardo Dutra [presidente nacional do PT] e o Paulo Frateschi estiveram presentes e reconheceram a legitimidade do encontro. Infelizmente, mudaram de opinião e a direção nacional acabou, na prática, intervindo no PT do Maranhão. Lamentável. O PCdoB é um partido da base aliada assim como o PSB. Eu sou deputado federal da base do governo. Por isso, não havia nenhum motivo político ou jurídico para legitimar a atitude da direção nacional do PT. Portanto, foi uma decepção imensa. A vida segue. Esperamos que em algum momento a direção nacional do PT reflita sobre o erro que cometeu no Maranhão.

Viomundo – A sua candidatura conta com o apoio de que partidos?

Flávio Dino – PcdoB, PSB e a maioria da militância do PT. Estamos negociando com outros partidos, visando à ampliação do arco de alianças. Temos até dia 30.

Viomundo – A Dilma subirá no seu palanque?

Flávio Dino – Deve subir, pois existe um acordo nacional, segundo o qual onde houver dois candidatos que a apóiam, ela prestigiará ambos. É o caso do Maranhão. Tem a Roseana e tem a minha candidatura. Não há nenhuma razão para que a Dilma não a reconheça. Pelo contrário. O protocolo da aliança nacional estabelece que ela estará conosco também.

 

Gostou? Compartilhe.

 

This website uses IntenseDebate comments, but they are not currently loaded because either your browser doesn't support JavaScript, or they didn't load fast enough.



leia também

Ildo Sauer: “O ato mais entreguista da história”

Dando o pré-sal ao Eike

Fausto Pereira: Gestante que não aderir ao pré-natal está dispensada do cadastro

Assessor especial do ministro Alexandre Padilha, em entrevista sobre a MP 557

Yoshiaki Nakano: Livrar o Brasil da mentalidade colonial

Imigrantes podem mudar dinâmica do trabalho

Mílton de Arruda Martins: “O SUS não existe sem os seus milhares de trabalhadores no Brasil inteiro”

Exclusiva com o secretário do Ministério da Saúde desafiado a pensar o presente e o futuro do setor

Jornalistas e blogueiros entrevistam Stedile

Nesta segunda, twitcam a partir das 20h30

Repórter joga luz nos bastidores da relação entre mídia e polícia

Entendendo o que você vê, lê e ouve

Allen Frances: Um alerta a médicos e pais sobre o déficit de atenção

Campanha para tornar os diagnósticos mais criteriosos

Paulo Teixeira: “Três estudantes fumando maconha não ameaçam segurança de ninguém”

Em entrevista exclusiva, ele analisa a necessidade de rever a presença da PM na USP e a lei de drogas

Marcelo Branco: Lobby das teles quer fim da neutralidade na rede

Negociações do Ministério de Comunicações com as operadoras têm causado mal-estar

Fernando Morais: “Bloqueio é uma metralhadora apontada para Cuba”

Em entrevista ao Sul21

Telia Negrão: Governo Dilma ainda sem rumo na saúde das mulheres

Avalia a Rede Feminista de Saúde

Mulheres do PT-MG pedirão neste sábado expulsão de filiado condenado por estupro

Diz Gláucia Helena Souza, da Secretaria Estadual de Mulheres, em entrevista ao Viomundo

Observações de Bernardo Kucinski sobre Israel, Palestina e mídia

“A qualquer momento uma simples faísca pode fazer tudo explodir”, teme o jornalista e escritor

Walter Pinheiro: “O que Veja fez não é jornalismo sério, é bandalheira”

Para o senador baiano, uma viagem sem tamanho para promover uma rede de intrigas

Polícia Federal já está no caso Veja/Hotel Naoum

Revela ao Viomundo o gerente Rogério Tonatto. Vai apurar quem fez as imagens da “matéria” de capa

A estreia de craque do site do Romário

Entrevistando Andrew Jennings

Artur Henrique: Dilma faz mea culpa diante de centrais sindicais

Discutindo a relação, em Brasília

Gilberto Maringoni: Gestão “incompetente” pode derrotar Chávez em 2012

Segurança e abastecimento

Heloisa Villela: Saudável na França, doente nos Estados Unidos

Medicina & Cultura

Telia Negrão: Compromissos assumidos pelo Ministério da Saúde com a Rede Feminista de Saúde não são cumpridos

Rede Cegonha e atenção integral à saúde da mulher

Raquel Rolnik: Removidos pelos megaeventos são os últimos a saber

Um “estado de exceção”

Lei paulista é uma paulada no SUS

Permite a venda para planos de saúde de até 25% da capacidade dos hospitais públicos gerenciados por OSS

Pai de bombeiro do Rio: “Não assine nada, nem com arma na cabeça!

Os 439 bombeiros presos foram pressionados a assinar documentos, admitindo a culpa

Bloco Minas Sem Censura: Jatinho de Aécio não viaja em céu de brigadeiro

Suspeitas de ocultação de patrimônio

Esther Vilela: Partos de risco habitual serão feitos por enfermeiro-obstétrico

Coordenadora de Saúde da Mulher, do Ministério da Saúde, explica como vai funcionar a Rede Cegonha



Vi o mundo Reprodução de conteúdo autorizada com menção da fonte. As opiniões expressas no site são de responsabilidade dos autores.