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Criméia Almeida: “Quem já luta há mais de 30 anos, não vai desistir agora”

publicado em 17 de março de 2012 às 22:55

Criméia Almeida e André Grabois

por Conceição Lemes

Desta vez, a Justiça agiu rápido.

Na quarta-feira, 14, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou à Justiça Federal do Pará (PA), em Marabá, o coronel da reserva Sebastião Curió por crime de sequestro qualificado contra cinco integrantes da guerrilha do Araguaia: Maria Célia Corrêa (Rosinha), Hélio Luiz Navarro Magalhães (Edinho), Daniel Ribeiro Callado (Doca), Antônio de Pádua Costa (Piauí) e Telma Regina Cordeira Corrêa (Lia).

Os seqüestros ocorreram entre janeiro e setembro de 1974. Após terem sido levados às bases militares coordenadas por Curió (na época, conhecido com o Dr. Luchini) e torturados, os cinco militantes desapareceram.

Dois dias depois, na sexta-feira, 16, o juiz federal João César Otoni de Matos, de Marabá (PA), rejeitou a denúncia feita pelo MPF contra Curió. Para o juiz, o Ministério Público tentou esquivar-se da Lei da Anistia ao propor a ação.

O Ministério Público Federal vai recorrer da decisão para que Curió seja processado pelos crimes de sequestro contra guerrilheiros do Araguaia.

Os procuradores da República que atuam no caso – Tiago Modesto Rabelo, André Casagrande Raupp, Ubiratan Cazetta, Felício Pontes Jr. (Pará), Ivan Cláudio Marx (Rio Grande do Sul), Andrey Borges de Mendonça e Sérgio Gardenghi Suiama (São Paulo) – já estão trabalhando no recurso que será dirigido ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Para o MPF, é “irrelevante a mera suspeita de que as vítimas estejam mortas”. “O fato concreto e suficiente é que após a privação da liberdade das vítimas, ainda não se sabe o paradeiro de tais pessoas e tampouco foram encontrados seus restos mortais”, diz a ação, que acusa Curió, “em razão de sua participação material e intelectual” nos fatos objeto da denúncia, de ser “um dos poucos agentes criminosos que ainda tem o conhecimento atual da localização das vítimas sequestradas”.

Criméia Alice Schmidt de Almeida, histórica militante política, comemorou a denúncia do Ministério Público Federal contra Curió.

“Essa decisão é histórica, pode ser um marco diferencial”, aplaude Criméia Almeida em entrevista ao Viomundo. “É uma grande satisfação ver que o Brasil começa a se preocupar com a Justiça. Até então fomos nós, familiares, que entramos na Justiça, pedindo isso e aquilo, perdendo muitas vezes, custando muito a ganhar.”

“Pela primeira vez o Ministério Público Federal assume a defesa de direitos tão importantes para a sociedade brasileira”, justifica Criméia. “Afinal, o desaparecimento impune de pessoas permite que esses crimes se perpetuem contra nós, que somos os familiares de alguns desses desaparecidos. Mas que se perpetue também através de outros desaparecimentos, outras mortes, praticados por agentes do Estado, que não são investigados nem punidos.”

O fato de a Justiça ter rejeitado a denúncia contra Curió não tirou as tirou as esperanças que Criméia tem deste momento: “Quem já luta há mais de 30 anos sem esmorece, não vai desistir agora. A gente insiste”.

Atualmente, Criméia tem 66 anos. Em janeiro de 1969, então com 21anos, foi para a região do rio Araguaia, onde se casou com André Grabois (lê-se “Grabóis”, é polonês), filho de Maurício Grabois, um dos dirogentes do PCdoB. Ficou lá até agosto de 1972, quando teve de deixar a guerrilha devido a gravidez.

O marido André (pai do seu filho João Carlos) e o sogro Maurício foram assassinados pelas tropas do então major Curió. Seus corpos nunca foram encontrados. É irmã de outra militante política histórica, Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha.

Segue a nossa entrevista, na íntegra. Ela, em Salvador, eu, aqui, em São Paulo.

Viomundo – Na quarta-feira, o Ministério Público Federal denunciou o coronel Curió pelo crime de seqüestro contra cinco guerrilheiros do Araguaia. Ontem, a Justiça Federal rejeitou a denúncia. Você esperava essa decisão da Justiça?

Criméia Almeida – Esperava, sim. Só não esperava que fosse tão rápido, pois a Justiça está sempre ‘sobrecarregada’. No caso da ação dos desaparecidos do Araguaia, que entrou em 1982, só foi transitada e julgada em 2007 e até hoje ainda não foi executada.

Viomundo – Quando foi para a região do Araguaia?

Criméia Almeida– Janeiro de 1969, eu era militante do PcdoB e estudantede enfermagem. Na época, o Araguaia era uma área de campo do PCdoB, não havia ainda a guerrilha, que só começou em abril de 1972, com o ataque das Forças Armadas.  Fiquei lá até agosto de 1972. Eu saí no final da primeira campanha, começo da segunda campanha. Ao todo, vivi quatro anos lá.

Viomundo – Por que deixou o Araguaia?

Criméia Almeida– Devido à gravidez, fruto do meu relacionamento com André Grabois [um dos comandantes da guerrilha], e para tentar reatar o contato da guerrilha com o partido, que havia se perdido com o início dos ataques das Forças Armadas. Fui morar com a minha irmã Maria Amélia, na clandestinidade.

Viomundo – O que representa a decisão do MPF de denunciar o coronel Curió quase 40 anos após o aniquilamento da Guerrilha do Araguaia?

Afinal, a sua família foi uma das mais atingidas pela ditadura militar no Brasil. Além de perder no Araguaia seu companheiro e sogro, você (grávida de oito meses), sua irmã, Maria Amélia, seu cunhado, César, e os filhos deles, Janaína e Edson, ambos pequenos, foram presos. A sua irmã foi torturada pessoalmente pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.

Criméia Almeida– Tem um significado muito grande. Desde 1975, quando foi criado o Movimento Feminino pela Anistia, nós lutamos por justiça. Desde a luta pela anistia as nossas palavras de ordem foram esclarecer os fatos, todas as circunstancias das mortes, a entrega dos restos mortais e a punição dos torturadores. Portanto, a possibilidade de punir um torturador é, para nós, um grande evento.

Viomundo – O fato de o coronel Curió ser o primeiro tem um caráter especial?

Criméia Almeida– Para nós, do Araguaia, tem um papel especial, sim, porque ele é uma das figuras vivas, mais públicas, da repressão à guerrilha.  Tem outros vivos, como Licio Augusto Maciel Ribeiro, Álvaro Pinheiro e outros que não me lembro do nome no momento, mas ele é o mais público.

Agora, para mim, a punição dos torturadores, seja do Araguaia ou não, é fundamental. É impossível a consolidação da democracia no país sem justiça. É uma das coisas pelas quais nós batalhamos muito.  Inclusive, quando da realização da 11ª Conferência Nacional de Direitos Humanos [2008], cujas propostas foram incorporadas ao Plano Nacional de Direitos Humanos 3, nós pedimos a Comissão da Verdade e Justiça.

Evidentemente não é uma comissão nomeada pelo executivo que vai fazer justiça, mas esperamos que aquilo que essa comissão apure seja subsídio para que se faça justiça no Brasil. A nossa batalha sempre foi pela verdade e pela justiça. Então, nós esperamos que isso agora deslanche.

Viomundo – Que o Curió seja o primeiro de vários?

Criméia Almeida– Sim, porque são tantos os torturadores que ainda estão vivos,debochando da gente…

Viomundo – Por exemplo.

Criméia Almeida —  Licio Augusto, José Jimenez, entre outros .

Nós ganhamos na Justiça interna – não estou falando da Corte Interamericana da OEA — o direito de receber os corpos dos nossos familiares desaparecidos. Só que os responsáveis não entregam esses corpos.  Falam que não sabem, vivem fazendo aqueles grupos de trabalho do Araguaia, Tocantins…  Só que sem as informações fundamentais, ou seja, quem são os militares que prenderam, torturaram, mataram, desapareceram com os corpos de militantes políticos.

Viomundo – O André Grabois chegou a conhecer o filho?

Criméia Almeida– Não. Ele foi morto em outubro de 1973, mas não pode conhecer o filho.

Viomundo – Você foi presa quando?

Criméia Almeida– Eu fui para São Paulo em agosto de 1972, fui presa em dezembro desse mesmo ano.  Eu estava grávida. Meu filho nasceu na prisão. Eles me proibiram de amamentá-lo, de ficar com ele… Enfim, mil formas de tortura para que eu falasse. O meu filho saiu das garras deles [torturadores] com 52 dias de vida.

Viomundo – Você pariu no presídio mesmo?

Criméia Almeida– Não. Eu pari no Hospital da Guarnição do Exército, em Brasília, onde fiquei 52 dias. Depois, o meu filho foi entregue a uma pessoa da minha família que o general Antonio Bandeira escolheu.  Depois de ele ser entregue, eu voltei para o presídio do Pelotão de Investigações Criminais, o PIC, em Brasília.  Eu fui torturada na Oban [Operação Bandeirantes], em São Paulo, e em Brasília.

Viomundo – Você ficou presa quanto tempo?

Criméia Almeida– De dezembro de 1972 a abril de 1973.  Meu filho nasceu em 13 de fevereiro de 1973. Aliás, uma ressalva. Eu nunca fui presa. Eu fui seqüestrada pelo Exército.

Viomundo – Como?!

Criméia Almeida– É isso mesmo. Para a Justiça, eu nunca fui presa,  pois não fui apresentada ao juiz, não fui processada, não fui condenada. Por isso mesmo eu não fui anistiada.

Viomundo – Mas, e a anistia que você teve?

Criméia Almeida– Eu só fui anistiada em 2003, mas foi anistia trabalhista por causa de uma alteração que o governo Lula fez em 2002 na lei da anistia.

Mas foi, insisto, uma anistia trabalhista, não foi uma anistia política, porque eu não fui presa. E depois falam que os dois lados foram anistiados… Pela cabeça do Judiciário eu nunca fui presa, o Estado podia tudo.

Viomundo – Em 2007, você, a sua irmã, Maria Amélia, o esposo dela, César, e os filhos deles, Janaína e Edson, entraram com ação na Justiça contra o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Em que medida essa ação difere da do MPF contra o Curió?

Criméia Almeida– Contra o Ustra é uma ação cível declaratória. Nós só pleiteamos que a Justiça o declarasse torturador, o que ocorreu em 2008, quando a ação foi julgada.  Nós ganhamos em primeira instância, ele entrou com recurso para anular a decisão. É isso que está para ser julgado agora.

Já a ação do MPF contra o Curió é criminal. É diferente. Nela, o Ministério Público Federal denuncia-o à Justiça pelo crime de seqüestro, prisão,  tortura e desaparecimento.  Ou seja, o crime continuado de seqüestro. Pelas convenções internacionais que o Brasil assinou, esse crime é imprescritível. Tanto que o STF [Supremo Tribunal Federal] consentiu na extradição dos torturadores uruguaio (este bem recente) e argentino, quando os julgou. É porque eles sequer foram beneficiados por essa interpretação do STF da Lei da Anistia no Brasil.

Viomundo – Dos guerrilheiros mortos na Guerrilha do Araguaia, quantos foram achados?

Criméia Almeida– Só o Bérgson Gurjão Faria e a Maria Lúcia Petit, que foram achados em 1991 pelos familiares. O Estado não nos ajudou em nada naquela época. Ajudou depois no processo de identificação. A Maria Lucia foi identificada em 1996 e o Bérgson em 2009.

Por isso, eu acho que, com a decisão do MPF, reacendem em todos os familiares as esperanças de justiça. Houve momentos em que a nossa confiança na Justiça caiu muito. A gente ganhou, mas não levou. Isso dá uma sensação muito ruim…

Essa decisão do Ministério Público Federal é histórica, pode ser um marco diferencial. É uma grande satisfação ver que o Brasil começa a se preocupar com a Justiça. Até então fomos nós, familiares, que entramos na Justiça, pedindo isso e aquilo, perdendo muitas vezes, custando muito a ganhar.

Pela primeira vez que o Ministério Público Federal assume a defesa de direitos tão importantes para a sociedade brasileira. Afinal, o desaparecimento impune de pessoas permite que esses crimes se perpetuem contra nós, que somos os familiares de alguns desses desaparecidos. Mas que se perpetue também através de outros desaparecimentos, outras mortes, praticados por agentes do Estado, que não são investigados nem punidos.

Viomundo – Considerando que a Justiça recusou a denúncia do MPF, como ficam as esperanças que está depositando neste momento?

Criméia Almeida — Continuo com esperanças.  Quem já luta há mais de 30 anos sem esmorecer não vai desistir agora. A gente insiste.

Leia também:

Edson Teles: Punir ou anistiar os torturadores?

 

38 Comentários para “Criméia Almeida: “Quem já luta há mais de 30 anos, não vai desistir agora””

  1. [...] Criméia Almeida: “Quem já luta há mais de 30 anos, não vai desistir agora” [...]

  2. [...] Criméia Almeida: “Quem já luta há mais de 30 anos, não vai desistir agora” [...]

  3. [...] da Anistia abrange os crimes cometidos apenas até 1979 — teoricamente). Vale lembrar que tem pessoas nessa luta há mais de 30 anos e eu mal [...]

  4. [...] da Anistia abrange os crimes cometidos apenas até 1979 — teoricamente). Vale lembrar que tem pessoas nessa luta há mais de 30 anos e eu mal [...]

  5. seg, 19/03/2012 - 22:53
    LuisCPPrudente

    Revogação da lei de auto-anistia imposta pelos militares torturadores e assassinos em plena Ditadura Militar.

    A lei de anistia de 1979 tem que ser jogada no lixo.

  6. seg, 19/03/2012 - 11:32
    Jose Luis Tenorio

    Interessante:
    http://www.atarde.com.br/politica/noticia.jsf?id=

  7. seg, 19/03/2012 - 9:05
    Alberto

    Criméia, não desista nunca! Não deixe de falar sobre o assunto. É preciso falar para que os velhos não esqueçam e as novas gerações conheçam e aprendam

  8. dom, 18/03/2012 - 23:55
    LuisCPPrudente

    É necessário a revogação da lei de auto-anistia que os militares torturadores e assassinos impuseram ao Congresso Nacional em plena Ditadura Militar.

    O STF tem que rever a cagada histórica que fez ao fortalecer uma lei imoral que é a lei de auto-anistia.

  9. dom, 18/03/2012 - 20:00
    bentoxvi-o santo

    Azenha.

    Sabe daquela fruta que de tão madura caiu do pé?caiu…

  10. dom, 18/03/2012 - 16:50
    Tetê

    Deixar Curío livre é um insulto

  11. dom, 18/03/2012 - 15:12
    trombeta

    Essa notícia não sairá no Jornal Nacional:

    A família Marinho, dona da TV Globo, assim como outros milionários brasileiros, foram alvos de reportagem da Bloomberg, dizendo que "Ricos brasileiros não tem vergonha de construírem suas casas em áreas de preservação ambiental".

    Um trecho diz que os Marinho violaram leis ambientais para construir, sem permissão, uma mansão de 1300 metros quadrados em Paraty (RJ), além de anexarem uma área pública na praia e desmatarem floresta protegida para construir um heliporto (local para pouso de helicópteros).

    Graziela Moraes Barros, inspetora do ICMBio (Instituto Chico Mendes), que participou de uma autuação na propriedade movida pelo Ministério Público, foi ouvida na reportagem. Ela disse:

    "Essa casa é um exemplo de um dos mais sérios crimes ambientais que nós vimos na região…

    … muitas pessoas dizem que os Marinhos mandam no Brasil. A casa de praia mostra que a família certamente pensa que está acima da lei…

    … Dois seguranças armados com pistolas patrulham a área, espantando qualquer um que tenta usar a praia pública", diz ela.

    Um juiz federal, em novembro de 2010, ordenou a família para demolir a casa e todos os outros edifícios na área. Os Marinhos apelaram a recurso na justiça ainda não julgado. (Com informações da Bloomberg, em inglês)

  12. dom, 18/03/2012 - 13:50
    EUNAOSABIA

    Lei da Anistia: procuradores do MPF tentam criar "insegurança jurídica", golpeando a democracia.

    A tentativa do Ministério Público Federal (MPF) de punir agentes de Estado que cometeram crimes de sequestro e ocultação de cadáveres durante a ditadura militar, sob a alegação de que seriam crimes permanentes, não ajuda a causa dos direitos humanos. Quem faz essa avaliação é o jurista Miguel Reale Junior, titular da cadeira de Direito Penal da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Para o jurista, a investida dos procuradores é nula do ponto de vista jurídico e temerária. 'Dar andamento a essa ideia significaria criar uma imensa insegurança jurídica', disse ele em entrevista ao Estado.

    Além de professor titular da USP, Reale Junior foi ministro da Justiça no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso em 2002 e também presidiu a Comissão de Mortos e Desaparecidos. Antes disso, no final da década de 1970, participou, como conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), dos debates que levaram à criação da Lei da Anistia, em 1979.

    Frases da entrevista do jurista Miguel Reale Junior, ao Estadão, publicada hoje:

    A Lei 9.140, que criou a comissão, estabelece em seu primeiro artigo que se reconhece, para todos os efeitos legais, a morte das pessoas desaparecidas. Foi em decorrência dessa determinação que houve a emissão de certidões de óbito pelos cartórios e a abertura de processos de sucessão, que eram reivindicações dos familiares. Diante disso, fica absolutamente sem sentido estabelecer agora que os desaparecidos continuam vivos.

    Eles faziam parte da guerrilha e as eventuais prisões que ocorreram colocavam-se dentro do nível da legalidade. O ilegal, evidentemente, seria torturá-los e matá-los. Portanto, se alguém fosse encaminhar um processo criminal, se tivesse elementos para isso, seria em relação a tortura e homicídio – jamais por sequestro.

    Onde é que existe algum indício, alguma ação que demonstre que, ao longo desse período de quase 40 anos, essas pessoas foram impedidas de recuperar a liberdade e continuam encarceradas?

    Todos os casos estão sob o manto da Lei da Anistia de 1979. E não se pode falar em sequestro e crime continuado, porque ninguém ficou sequestrado. Com o fim do AI-5 e o início do governo de Tancredo Neves e José Sarney, ninguém mais ficou encarcerado por crime político.

    É uma contradição falar em proteção dos direitos humanos sem o respeito aos princípios básicos do Estado democrático. Forçar uma interpretação, que permita moldar o que aconteceu a um determinado tipo penal, é um desrespeito aos princípios básicos do direito.

    • dom, 18/03/2012 - 17:04
      H. Magalhães

      Golpe à Democracia é o Desrespeito ao conceito de justiça: Crime de Sequestro é imprescritível e isso é princípio básico do Direito:

      Vem aumentando a pressão internacional para que o Brasil investigue e puna os crimes da ditadura militar. A Organização das Nações Unidas (ONU), ao lado da Anistia Internacional e do Tribunal Penal Internacional, pressionam o país para que puna militares que sequestraram, torturaram e assassinaram entre 1964 e 1985.
      A Anistia Internacional denunciou que “O Brasil continua atrasado em comparação aos demais países da região em sua resposta às graves violações de direitos humanos cometidas no período militar”, o que constitui um eco do clima internacional em relação ao acobertamento institucional daqueles crimes.
      ONU, Anistia Internacional, Comissão Interamericana de Direitos Humanos e TPI condenam o Supremo Tribunal Federal brasileiro por ter se manifestado contra ação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) iniciada em 2010 que questionava a Lei da Anistia, de 1979. A condenação informal do Brasil por leniência com os crimes de Estado durante a ditadura tem amplo apoio dos principais países-membros.
      Entre os países que integraram a Operação Condor – aliança secreta entre Brasil, Argentina, Chile e Uruguai orquestrada pelos Estados Unidos entre os anos 1960 e 1970 para combater movimentos de esquerda –, só o Brasil ainda não iniciou punições de militares que cometeram crimes de lesa-humanidade.
      A desculpa da Justiça, de setores da imprensa e dos próprios militares é a de que a Lei 6.683, aprovada pela ditadura em 1979, a dita Lei da Anistia, abrangeu “os dois lados”, ou seja, os que cometeram crimes em nome do Estado ou contra ele. Tal premissa, porém, é rejeitada pelas vítimas da ditadura, por descendentes dessas vítimas e pela comunidade internacional.
      A ONU, por exemplo, considera que o Estado não pode praticar crimes imprescritíveis como seqüestro, tortura e assassinato, não importando que outros crimes possam ter sido cometidos pelos que resistiram ao regime militar, pois o Estado tem que se pautar pela lei, sendo negado que atue contra a lei sob pretexto de combater “crimes”.
      Desenhando, para quem se nega a entender: o Estado não pode se igualar ao criminoso. Se um criminoso tortura, o Estado não pode torturá-lo. Até mesmo para aplicar pena de morte, onde ela existe, exige-se um julgamento e diversos outros ritos legais.
      Outro fator que torna insuportável a Lei da Anistia que a ditadura brasileira aprovou em benefício próprio, a exemplo do que fizeram outras ditaduras da região, é que foram punidos os acusados pelos ditadores de terem cometido seqüestros, assaltos e assassinatos, seja com o exílio, com prisão, com torturas ou até com a morte.
      Já os agentes do Estado que cometeram crimes, esses jamais responderam por nada. Não há um só caso de punição de membros da ditadura, ao passo que há centenas de casos de punições formais de membros da resistência àquele regime. A hoje presidente da República, Dilma Rousseff, é o exemplo mais conhecido, ao ter cumprido pena de prisão.
      Houve leis de anistia na Argentina, no Chile ou no Uruguai, mas essas leis foram derrubadas justamente devido ao conceito mundialmente reconhecido de que o Estado não pode praticar seqüestros, torturas e assassinatos em hipótese alguma, nem sob a desculpa de combater insurreição.
      Agora, após a Justiça do Pará ter rejeitado ação do Ministério Público Federal contra o coronel da reserva Sebastião Curió, acusado de sequestro e assassinato de cinco pessoas na década de 1970, o Superior Tribunal Federal, sob demanda da OAB, voltará a julgar a Lei da Anistia. O julgamento deve ser reaberto na semana que entra.
      O que impressiona, em um momento como este, é que o resultado desse julgamento foi antecipado pelo advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, que está afirmando que o Supremo Tribunal Federal deve revalidar a Lei da Anistia.
      Então ficamos assim: após a ditadura punir duramente todos os que conseguiu, fosse por meios legais ou ilegais, o último ditador, João Figueiredo, conseguiu garantir que, à diferença dos que enfrentaram os que usurparam o poder ilegalmente, nenhum integrante daquela ditadura jamais respondesse por nada.
      Ao nos tornarmos o único país-membro da Operação Condor no Cone Sul a não punir crimes da ditadura, passamos ao mundo mensagem de que o Brasil ainda não consolidou a sua democracia, de que o que temos é um simulacro, uma mera concessão de militares criminosos que ainda chantageiam o país com ameaça de novo golpe.

      Fonte: portal da Cidadania.

    • dom, 18/03/2012 - 19:40
      imanuel

      Vc teve a mãe ou a irmã estuprada covardemente por agentes do Estado? Não, né! Então cala a boca, ENS. Deixe que as vítimas julguem seus algozes. Quando vc algum dia passar por essa experiência então corra abraçar seus companheiros de infortúnio e se solidarize com eles. Por ora, mantenha sua matraca fedorenta fechada.

    • dom, 18/03/2012 - 22:18
      P Pereira

      O sujeito , apesar de ser um tremendo cara de pau, tem vergonha de citar suas fontes. Essa merda foi copiada e colada do blog apócrifo "Coturno Noturno".
      O antolhado não sabe que o google existe.

    • dom, 18/03/2012 - 22:41
      pauloricette

      Esse tal de "eunãosabia" (o mané deveria se autodenominar ignorante – soaria bem mais honesto o apelido) é só um nada querendo aparecer. O Viomundo deveria nos poupar de tais comentários imbecis.
      PS ao Viomundo: Garanto que se vcs fizerem uma enquete, a maioria dos leitores do "Viomundo" votarão pela censura desse idiota.

    • dom, 18/03/2012 - 23:56
      mfs

      A Lei da Anistia foi outorgada em 1979 pelos ditadores da época. O Estado democrático não é obrigado a obedecer leis criadas com o claro intuito de proteger os criminosos do regime anterior.

  13. dom, 18/03/2012 - 12:24
    Mari

    Muita força, Criméia! Sou admiradora de sua luta e coragem, sempre.

  14. dom, 18/03/2012 - 10:57
    pperez

    Agora a luta não é mais no campo da guerrilha e sim nos bastidores politicos que comandam o País!]
    Mas creio que por conta do corporativismo criminoso que impera, não haverá alçapão que prenda o Curió!
    O julgamento dele certamente será noutro plano de existencia!

    • dom, 18/03/2012 - 17:04
      JOSE DANTAS

      E para esse outro julgamento não precisa pressa e é mais um motivo para se perdoar as injustiças e barbáries que acontecem por aqui.

  15. dom, 18/03/2012 - 10:45
    pperez

    E o Curió fugiu de novo, ou melhor, abriram o alçapão pra ele fugir!

    • dom, 18/03/2012 - 15:01
      renato

      Não prenderam o Curió porque é crime ambiental, o único que pode prender o Curió é o Rivelino.
      O que valeria para o Curió é a um anel no tornozelo. O anel poderia ser o do JCOM, para ele acompanhar os movimentos do Curió.

  16. dom, 18/03/2012 - 7:35
    Arimateia Lobo

    Prezada Criméia, a Justiça virá. Tenhamos esperança na luta

  17. dom, 18/03/2012 - 7:00
    Gerson Carneiro

    Mais deboche:

    Os crápulas estão preparando uma festa para celebrar os 48 do golpe de 1964 (31 de março).

    Pois o Clube Militar antecipou a festa para o dia 29 e começou a distribuir os convites para a comemoração, que exige traje esporte fino.

    Fonte: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/03/mil

    • dom, 18/03/2012 - 11:30
      E S Fernandes

      Não sei porque estes milicos não são expulsos das forças armadas.
      Avante Dilma, a vida quer coragem, como diz o título de sua biografia.

      • dom, 18/03/2012 - 12:11
        Jairo_Beraldo

        Dilma fugiu da luta, quando se aliou a vermes da laia de Tony Malocci e Zé Caridozo Dantas, tucanos inrustidos.

      • dom, 18/03/2012 - 15:41
        Vlad

        A luta começou agora.
        Com o enfrentamento de Sarney, Renan, PR, e parasitas outros.
        Dilma não fugiu de nada. Quem se esquiva é sindicalista come-dorme, apaziguador de interesses.
        Dilma é guerrilheira e não tem a paciência com os parasitas.
        Vocês é que não enxergam meio palmo na frente do nariz remelento.
        Continuem falando de abobrinhas, justo na hora que alguém teve coragem de peitar os coronéis do atraso.
        "Grande" blogosfera míope.

      • dom, 18/03/2012 - 18:15
        Jairo_Beraldo

        Quero ver então ela fazer o que seu nariz remelento vê, e que muitos narizes remelentos não vêem.

      • dom, 18/03/2012 - 22:29
        luiz pinheiro

        Ignorante, remela é no olho, não no nariz. É por ser burro assim que voce insulta a presidenta Dilma. Vá cuidar das suas melecas.

      • seg, 19/03/2012 - 10:00
        Jairo_Beraldo

        Só quei mostrar ao seu colega esquerdoide isto que falou, espertão curturado….e vá dar ordens às suas negas…aliás, acho qu nem em seu barraco voce manda!

      • dom, 18/03/2012 - 22:44
        paulo roberto

        Jairo, não diria que ela fugiu, mas que está demorando muito a tomar uma atitude, isso me parece muito claro.

    • dom, 18/03/2012 - 14:56
      renato

      Quem vai pagar a festa?

    • seg, 19/03/2012 - 13:53
      Alexandre Bitencourt

      Isso é o que dá não punir esses criminosos.
      Se vangloriam de suas injustiças protegidos sob o manto do Juciário conservador.

  18. dom, 18/03/2012 - 6:20
    JOSE DANTAS

    Eu sei que o que vou dizer não vai agradar, muito embora seja uma indiscutível verdade.

    Esses 30 anos de luta inglória e sofrimento em consequência de uma impunidade negociada e transformada em Lei é fruto da ausência da capacidade de perdoar, que eu mesmo não sei se tenho, mas reconheço que deveria ter em toda a sua plenitude.

    Aquilo que é recomendado no "Livro da Lei" só faz bem, pena que não reconheçamos isso.

    • dom, 18/03/2012 - 12:13
      Jairo_Beraldo

      Voce não está de todo errado, mas até o tibunal da OEA, aconselhou ao governo brasileiro que se fizesse este julgamento dos covardes assassinos de fardas.

      • seg, 19/03/2012 - 6:30
        JOSE DANTAS

        Amigo,

        Eu falo de amor e perdão que são valores espirituais e você de ódio e vingança que é puro materialismo.

        Em momento nenhum eu defendi criminosos, apenas insisto em dizer que o perdão alivia as dores da alma, não do perdoado, mas de quem perdoa. Quando alguém perdoa se livra daquele fardo, por mais pesado que seja, pois ao invés de ficar remoendo todo aquele sofrimento, simplesmente passa a confiar na justiça divina, que não contempla impunidade.

    • seg, 19/03/2012 - 13:47
      Alexandre Bitencourt

      Essa incapacidade de perdoar está principalmente naqueles que batem no peito dizendo-se cristãos, entenda-se alguns militares e alguns setores da mídia conservadora. Não apenas a incapacidade de perdoar, mas também a de reconhecer seus erros. Pelo contrário, insistem nas suas injustiças e se vangloriam delas, tanto que se recusam a dizer onde estão as vítimas. O perdão é divino, mas também a justiça. Por maior que seja a benevolência, ela não pode passar por cima da justiça.

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