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O que não sai nos jornais sobre a extrema-direita na Ucrânia

publicado em 7 de março de 2014 às 22:31

Na principal reportagem sobre a Ucrânia que publicou hoje, a versão digital do New York Times diz que o Right Sector é “controverso” por causa de sua organização “semi-militar”. Mas, como você verá abaixo, é muito mais que isso.

O papel dos nacionalistas de extrema-direita nos protestos da Ucrânia

por Ivan Katchanovski, no Moscow Times

Feb. 12 2014

A primeira vítima do atual conflito na Ucrânia é a verdade. Houve uma enxurrada de informação não confirmada, selecionada, distorcida e incorreta sobre vários aspectos tanto dos protestos quanto da política ucraniana em geral, tanto na mídia pró-governo quanto na mídia pró-oposição.

O papel-chave da direita radical em transformar o conflito de um protesto pacífico em algo crescentemente violento e em colocar a Ucrânia à beira de uma guerra civil e fragmentação foi ignorado, minimizado ou deturpado pela mídia, políticos e especialistas, na Ucrânia e, em menor medida, no Ocidente.

Enquanto isso, na Rússia, uma atenção muito maior na extrema-direita inclui aparentes tentativas de associar os protestos com nacionalistas radicais e elementos neonazistas e seus predecessores históricos da facção de Stepan Bandera da Organização dos Nacionalistas Ucranianos, OUN.

Os protestos começaram no final de novembro contra a decisão do presidente Viktor Yanukovych de abandonar o acordo de associação e livre comércio com a União Europeia. Então, a dispersão brutal de protestos majoritariamente pacíficos de manifestantes pró-UE pela unidades da polícia especial geraram mais protestos. Mas a direita radical jogou papel-chave na tomada da prefeitura de Kiev e nas tentativas de atacar o palácio presidencial em primeiro de dezembro e o Parlamento em 19 de janeiro.

Muito da mídia ucraniana e os principais líderes de oposição inicialmente disseram que os ataques violentos contra o palácio presidencial e o Parlamento tinham sido liderados por agentes provocadores a serviço do governo ucraniano ou da Rússia. Eles citaram um canto em russo de alguns dos que atacavam como prova-chave de sua afirmação, embora este canto seja usado por fãs extremistas de times de futebol ucranianos, como o Dynamo Kiev.

Em contraste, a mídia ignorou a admissão na página do Right Sector do Vkontakte [Nota do Viomundo: o Facebook deles] de que seus membros eram os que entoavam o canto. Se é possível que provocadores possam ter sido infiltrados na liderança e em posições das organizações de extrema-direita, é um exagero dizer que eles controlavam a extrema-direita e lideraram os ataques.

Grupos de torcedores extremistas, de nacionalistas radicais e organizações neonazistas, como a Trident, Patriotas da Ucrânia, Martelo Branco e UNA-UNSO, formaram o Right Sector e participaram nos grandes ataques violentos em Kiev e contra governos regionais. Embora o principal partido de extrema-direita, o Svoboda, tenha se distanciado publicamente dos ataques ao palácio presidencial e ao Parlamento, há provas de envolvimento de ativistas do Svoboda e de organizações associadas nos ataques.

Estes grupos de extrema-direita se consideram em várias extensões como herdeiros da OUN ou glorificam a OUN. Alguns deles são responsáveis por usar símbolos neonazistas, como a cruz celta e o sinal 14/88, cujos números fazem referência a supremacistas brancos, além do “Heil Hitler”.

No entanto, símbolos e cantos da OUN, como a bandeira vermelha e negra, as saudações coreografadas “Glória à Ucrânia, Glória aos Heróis”, “Glória à Nação”, “Morte aos Inimigos” e “Ucrânia acima de tudo” foram usados muitos mais amplamente pela extrema-direita durante as ações violentas. O Svoboda fez um comício com tochas acesas em honra ao aniversário de Bandera, no primeiro de janeiro, diante do prédio da Prefeitura de Kiev, que ocupa.

Muitos órgãos da mídia, políticos nacionalistas e historiadores da Ucrânia apresentam Bandera e sua facção da OUN como heróis nacionais que lutaram pela independência da Ucrânia contra a União Soviética e a Alemanha nazista. Eles negam, justificam ou falsificam a colaboração da OUN com a Alemanha nazista no início e no final da Segunda Guerra Mundial e o envolvimento da OUN e do Exército Insurgente Ucraniano nos assassinatos em massa de judeus, poloneses, russos e ucranianos.

Por exemplo, cerca de 1.500 judeus, ucranianos e poloneses, vítimas de execução em massa dos nazistas, cujos restos foram exumados recentemente em Volodymyr-Volynskyi, foram apresentados falsamente como vítimas da [polícia política] NKVD soviética, a predecessora da KGB.

A mesma distorção acontece sobre a participação da polícia local nestas execuções: ela era controlada pela OUN, cuja maioria se juntou ao Exército Insurgente Ucraniano. Meu estudo demonstra que pelo menos 63% dos líderes da OUN e do Exército Insurgente Ucraniano serviram durante a ocupação nazista como policiais, milicianos, administradores locais, nos batalhões Nachtigall e Roland Battalions, na divisão da SS da Galicia, no Bergbauern-Hilfe ou colaboraram com as agências de segurança e inteligência da Alemanha nazista, primariamente no início e no fim da guerra.

Mas seria incorreto associar os protestos na Ucrânia com a extrema-direita. Os manifestantes violentos da extrema direita representam uma minoria relativamente pequena. Pesquisas de opinião mostram que o Svoboda e seu líder, Oleh Tyahnybok, são muito menos populares entre os ucranianos que líderes não-nacionalistas de oposição como Vitali Klitschko e Arseny Yatsenyuk e seus partidos.

Da mesma forma, pesquisas conduzidas pelo Instituto Internacional de Sociologia de Kiev mostram que a OUN, o Exército Insurgente Ucraniano, Stepan Bandera e Roman Shukhevych são populares apenas entre a maioria dos eleitores do Svoboda e residentes da Galicia, um ex-reino no oeste da Ucrânia. A opinião positiva é minoritária entre os eleitores de todos os outros grandes partidos, de todas as gerações e residentes de todas as outras regiões, inclusive Kiev. Apenas 1% dos ucranianos expressam uma visão positiva a respeito de Adolf Hitler.

Ainda assim, muitos líderes de oposição e manifestantes adotaram a saudação da OUN em Maidan [a praça central de Kiev]. Eles cooperam com o Svoboda e não se distanciam completamente dos manifestantes violentos da extrema-direita. Existe até apoio para os manifestantes violentos, mas alguns pesquisadores acadêmicos dizem que o envolvimento de nacionalistas radicais e simpatizantes neonazistas está sob pressão. Tais ações não são compatíveis com os valores liberais e democráticos associados com a União Europeia.

Uma resolução pacífica do conflito, com a intermediação do Ocidente e da Rússia, cria a possibilidade de remover e escolher o presidente e o governo através de eleições. Para o futuro da Ucrânia como um país unitário isso é preferível que se a oposição ou o governo usarem violência e tentarem uma estratégia de vitória total, que possivelmente pode levar à guerra civil e à partilha de uma Ucrânia já profundamente dividida.

*Ivan Katchanovski é professor da escola de estudos políticos e do departamento de comunicações da Universidade de Ottawa. Ele é autor de Cleft Countries: Regional Political Divisions and Cultures in Post-Soviet Ukraine and Moldova e co-autor de Historical Dictionary of Ukraine, Second Edition.

Clique aqui para o site do Right Sector

PS do Viomundo: Mais tarde, em declaração reproduzida no Daily Beast o autor do artigo acima — escrito antes do desfecho da crise, com a fuga do presidente eleito da Ucrânia — acrescentou:

“A extrema-direita da Ucrânia conseguiu agora um nível de representação e influência que não tem paralelo na Europa. Um membro do Svoboda, nome adotado pelo Partido Nacional Socialista em 2004, se tornou ministro da Defesa. Integrantes do Svoboda também controlam o escritório do procurador geral, a posição de vice-primeiro ministro e os ministérios da Ecologia e da Agricultura. O Right Sector paramilitar tem poder de fato em pelo menos algumas regiões do oeste da Ucrânia, como Rivne e Volyn. Anriy Parubiy, o comandante da autodefesa de Maidan, foi indicado como chefe do Conselho de Defesa e Segurança Nacional e [Dmitro] Yarosh, líder do Right Sector, deve se tornar seu vice”.

O trecho da reportagem do New York Times reproduzido no topo do post diz que Yarosh vai se candidatar a presidente da Ucrânia, depois de um congresso em que grupos ultranacionalistas vão formar um partido para competir com o Svoboda pelos eleitores de extrema-direita.

Trecho final da reportagem do Daily Beast traz declarações de Yarosh:

“Somos contra a degeneração e o liberalismo totalitário, mas apoiamos a moral tradicional e os valores da família, contra o culto do lucro e da depravação”. O que Yarosh quer dizer quando fala em “degeneração” é “homossexualismo”. Quando ele fala em “liberalismo totalitário” quer dizer que os direitos da Nação são mais importantes que os direitos humanos. Sítios do Right Sector usam ativamente termos estranhos como “homoditadura liberal” quando falam sobre as sociedades modernas ocidentais.

Leia também:

Ricardo Antunes e os protestos no Brasil: Não acabou o gás do lulismo

 

39 Comentários para “O que não sai nos jornais sobre a extrema-direita na Ucrânia”

  1. seg, 10/03/2014 - 13:00
    Mário SF Alves

  2. seg, 10/03/2014 - 12:45
    Mário SF Alves

    Enquanto isso, e só pra recordar:

    “Noventa milhões em ação,
    Pra frente Brasil,
    Do meu coração”

    É… ainda bem que já passou o tempo deles por aqui.
    ___________________

    Década de setenta; AI-5; todo poder emana do governo dos generais. À “unanimidade”.

    Resultado: que primor de organização familiar; que primor de economia; que primor de sociedade, que paz; que primor de reforma agrária [erradicação total das distorções fundiárias remanescentes das Capitanias Hereditárias]; que primor de soberania; que primor de independência. E a dívida social com compatriotas negros e índios? Ah, tudo resolvidinho. E o que é melhor, sem nenhuma interferência estrangeira por parte do Kennedy e da CIA. Quanta saudade! Estivéramos diante da mais suprema obra da supremacia branca tupiniquim. Eram tempos dos homens de bem; aqueles que jamais se submeteram aos interesses escusos dos colonizadores estrangeiros. E a questão da corrupção? Ah, isso foi totalmente erradicado. Escândalo da Mandioca? Bobagem. Escândalo da CAPEMI? Ih, isso jamais existiu. Escândalo… escândalo, que escândalo?

    E só pra resumir:

    O Ato Institucional n.º 5, editado em 13 de dezembro de 1968, deu início ao período mais violento e repressivo do regime ditatorial brasileiro – e, de quebra, ampliou o alcance dos mecanismos instituídos pelos militares para defender a moralidade pública. Uma nova CGI foi gerada no âmbito do Ministério da Justiça com a tarefa de realizar investigações e abrir inquéritos para fazer cumprir o estabelecido pelo Artigo 8º. do AI-5, em que o presidente da República passava a poder confiscar bens de “todos quantos tenham enriquecido, ilicitamente, no exercício de cargo ou função pública”.
    _____________________________________
    Observe-se o detalhe [e agora é sério]: “todos quantos tenham enriquecido, ilicitamente, no exercício de cargo ou função pública”. Ou seja, com exceção dos Zés Dirceus e Zés Genoínos e Lamarcas, todo esse poderio descomunal de uma ditadura militar esteve voltado apenas contra os bagrinhos. Nada de se meter com os tubarões de sempre, os daqui e os de acolá.
    Enquanto isso, corta para o Brasil (é assim, Azenha?); o Brasil de hoje, este que dela se origina e que sob seus aparatos jurídico-ideológicos ainda hoje se conduz:

    Atenção! Atenção! A Receita Federal acusa! Um ponto três trilhões de reais [TRILHÕES!] sonegados. Êpa! Mas, claro, com os “funcionariozinhos públicos” devidamente inscritos na Dívida Pública da União.

    É… e ainda há que duvide tratar-se aqui de um passado no qual o País esteve submetido a uma ditadura híbrida, civil-militar, e comandada por brasileiros associados e à serviço de governos estrangeiros.
    _________________________________________________
    Ainda bem que o tempo não para; ainda bem que a História só se repete como farsa.

  3. dom, 09/03/2014 - 15:41
    "Adriano Medeiros Costa"

    Eles são fascistas…e ponto final.

  4. dom, 09/03/2014 - 13:07
    Urbano

    E que se vê nesse imbróglio todo é a Ucrânia de um lado, e do outro os sem ucrânio…

  5. dom, 09/03/2014 - 12:03
    Jair de Souza

    Gente, acho que vocês estão enganados. O que está acontecendo na Ucrânia é uma revolução popular, totalmente de esquerda, comandada pela classe operária, que quer acabar com o capitalismo e instalar um sistema político-social em benefício do povo trabalhador. Bem, pelo menos é isso O que a gente lê no portal do PSTU. E todos sabemos que o PSTU é o verdadeiro partido da classe trabalhadora do Brasil e que só apoia o que é bom para os trabalhadores dos outros países.

    Vocês se esqueceram do todo o apoio (mais do que apoio, verdadeiro amor) que, no passado, os atuais dirigentes do PSTU dedicavam ao virtuoso líder socialista polonês Lech Walesa e a central Solidariedade? Vocês se esqueceram que Lech Walesa e o Solidariedade transformaram a Polônia num país verdadeiramente socialista. Hoje, na Polônia, a classe trabalhadora é dona de tudo. Os direitos trabalhistas e sociais que eles tinham quando ainda estavam sob o regime aliado da União Soviética eram insignificantes em comparação com o que eles têm agora. Agora, nenhum grande burguês, nenhum latifundiário, nem o clero ultramontano, manda no país. É só a classe operária, como corresponde a qualquer força apoiada pelo PSTU.

    Além do mais, a Polônia que foi refundada por Lech Walesa e o Solidariedade (com o forte apoio dos dirigentes de nosso glorioso PSTU) também vem demonstrando a importância da prática do internacionalismo proletário. É por isso que a Polônia não vacilou em enviar forças militares para acompanhar a justa campanha que o grande líder mundial dos trabalhadores, George W. Bush, comandou para livrar o Iraque de um ditador e introduzir ali uma democracia com completo controle dos trabalhadores; mais recentemente, a Polônia (sempre com o alento imprescindível de nosso PSTU) também participou dos abnegados esforços feitos pela OTAN (ou seja, a organização que é de fato um exército de libertação da classe operária mundial) para combater e derrotar o tirano Muamar Gadafi e, depois de trucidá-lo como corresponderia, deixaram a Líbia sob o domínio das forças populares comandadas pelos trabalhadores socialistas unificados de Al Qaeda; e, se isso fosse pouco, a Polônia criada por Lech Walesa (claro, como sempre, com total apoio de nosso PSTU) está participando ativamente na luta da classe operária da Síria para derrocar a tirania de Bashar al Assad e instalar ali um governo exclusivamente da classe trabalhadora, contando com a ajuda altruísta dos governos dos Estados Unidos, dos países da União Europeia (que já quase concluíram a tarefa de levar a Europa ao socialismo e, por isso, estão entrando na fase de construção do comunismo), das monarquias operárias que governam a Arábia Saudita, os Emirados, o Qatar e a Jordânia, dos sionistas de Israel (eternos amantes da paz e da justiça para todos os povos, especialmente para o palestino). E, como no caso da Líbia, eles estão recebendo a inestimável colaboração das forças operárias lideradas pela Al Qaeda.

    É por isso que eu não estou entendendo a confusão que está havendo por aqui. Se os verdadeiros representantes da classe trabalhadora estão dizendo que na Ucrânia são as forças operárias e socialistas que derrubaram o anterior governo, por que vocês andam falando que os nazistas estão ocupando postos chaves no novo governo? Vocês acham que um partido tão profundamente vinculado à classe operária do mundo todo, como nosso PSTU, apoiaria forças nazi-fascistas em algum lugar?

    • seg, 10/03/2014 - 12:58
      Mário SF Alves

      Ou seja, a traça roeu as referências teóricas do PSTU. Resultado: Isso; essa miopia, essa pressa doida, essa práxis alucinada.
      __________________________
      Mas não são os únicos e nem serão os últimos. Até porque, aconteceu algo bem parecido com o PCI, na Itália, imediatamente após o esfacelamento da U.R.S.S.

      Outras Glasnosts e outras Perestroikas hão de vir. E tomara que uma delas seja bem no coração daquele Império corporativo, hoje na contingência de, às claras, manter apoio a aventureiros neo-nazistas.

  6. dom, 09/03/2014 - 10:03
    Julio Silveira

    Ontem enquanto procurava um programa de TV para assistir, casualmente parei num canal da rede quase monopolista, que tratava deste assunto. O apresentador reconhecido extra oficialmente como um representante dos interesses norte americanos, apresentava o programa com três convidados, que exibiam currículos de grandes entendedores do assunto. Mas o que realmente achei interessante foi perceber uma quase unanimidade, lógico que sutil, na tentativa de levar o telespectador a pensar o Putim como o lado errado da história. Propunham uma analise isenta, mas não conseguiam, são naturalmente pró norte America, pró ocidente. O único deles que apresentava criticamente alguma ponderação pró Moscou era sutilmente, cavalheirescamente, combatido para entrar na unanimidade que parecia ser a base do programa. Formaram uma tendência pró simpatia a favor da tese loucura Putim, o imprevisível quase incontrolável. Devem ser adeptos do time que tem como slogan a frase “quando o estupro for de iminente, de antemão, relaxa e aproveita”. Mesmo você tendo a oportunidade para de evitá-lo e se defender. Percebi nessa visão traços inequívocos do colonismo brasileiro, a preparação psicológica para a covardia, e cheguei a conclusão que nossas fraquezas legais que enfraquecem a cidadania, subjugando-a a toda seria de violências e tornando-nos condescendentes com ela tenha um pouco a ver com essa cultura incutida.

    • dom, 09/03/2014 - 14:38
      Marcos F. L.

      Júlio, está lá no wikipedia República Autônoma da Criméia, não houve nada de invasão como a tendência pro Washington do programa painel tenta passar ao telespectador, há um acordo para a presença de bases militares russos na região e não intervenção como disse o Demétrio Magnoli.

  7. dom, 09/03/2014 - 9:17
    José X.

    Como a pesquisa da SECOM mostrou, ninguém mais lê jornais nem revistas.

  8. .
    .
    O Triste Fim e o Pior Recomeço:

    Europa, a Weimar em decadência.

    (http://www.cartacapital.com.br/destaques_carta_capital/a-europa-de-weimar)
    .
    .

    • .
      .
      E agora os dois lados

      têm a bomba atômica.
      .
      .

    • .
      .
      WEIMAR: DEPOIS DO INCÊNDIO

      Com o fim da Primeira Guerra Mundial
      e a renúncia do Kaiser da Alemanha,
      a república foi proclamada da sacada
      do Palácio do Reichstag, em 09/11/1918.

      Após a proclamação, o Reichstag
      passou a ser a sede do Parlamento
      da então República de Weimar.
      (http://migre.me/idG4J)
      (http://migre.me/idG7U)

      Entretanto, em 27 de fevereiro de 1933,
      houve um grande incêndio no Reichstag.
      Por essa razão, os parlamentares alemães
      passaram a se reunir nas instalações
      da casa de ópera Krolloper, em Berlim.
      (http://migre.me/idEKF)

      Adolf Hitler, já como Chanceler da Alemanha,
      discursou no Krolloper, em 23 de março de 1933,
      apresentando o projeto de reforma constitucional,
      para implementação do programa de governo nazista,
      que daria início ao que seria o III Reich.
      (http://migre.me/idG3d)
      (http://migre.me/idGcI)

      A seguir, trechos do discurso ‘azevedo-barboseano’.

      [Cuidado! Você pode sair daqui convencido por ele!]:

      “Homens e mulheres do Reichstag alemão!

      De acordo com o governo do Reich, o partido nacional-socialista e o partido popular nacionalista alemão lhes submetem um projeto de lei para resolver a situação do povo e da nação.

      Os motivos para esta medida de caráter excepcional são os seguintes:

      Em novembro de 1918, as organizações marxistas apossaram-se do poder executivo por meio de uma revolução.
      Os monarcas foram destronados, as autoridades do Reich e dos Estados afastados do governo, violando-se, portanto, a Constituição.

      O sucesso da revolução no sentido material assegurou a seus progenitores escapar da ação da lei.

      Procuram justificar moralmente tal coisa afirmando que a Alemanha e seu governo foram responsáveis pela eclosão da guerra.
      Essa asserção era sabida e conscientemente mentirosa.

      Em conseqüência dela, todavia, estas acusações mentirosas feitas no interesse dos nossos antigos inimigos levaram à mais severa opressão de todo povo alemão e à quebra das garantias que nos foram dadas pelos 14 pontos de Wilson, e assim lançaram a Alemanha, isto é, as classes trabalhadoras do povo alemão, a uma época de infinita desgraça.

      Todas as promessas feitas pelos homens de novembro de 1918, caso já não tenham sido feitas propositadamente, se comprovaram não menos como malditas ilusões.

      Em seu conjunto, as “conquistas da Revolução” foram agradáveis a uma pequena parcela de nosso povo, porém, para a esmagadora maioria, pelo menos enquanto esta tinha que ganhar seu pão de cada dia pelo próprio esforço, foram infinitamente tristes.

      Que aqui os partidos e homens responsáveis por este desenvolvimento procurem milhares de amenidades e desculpas, num impulso de auto-preservação, é compreensível.

      Todavia, comparando-se de forma isenta os resultados médios dos últimos quatorze anos com as promessas proclamadas na época, o balanço é negativamente destruidor para os responsáveis deste crime sem paralelo na história alemã.

      Nosso povo sofreu uma queda do nível de vida em todas as áreas no decorrer dos últimos 14 anos…

      Outra característica marcante destes quatorze anos foi que, excetuando algumas variações naturais, a linha de desenvolvimento apontou constantemente para baixo.

      Este reconhecimento deprimente foi uma das razões da aflição coletiva.

      Ela exigia a visão sobre a necessidade da recusa completa das idéias, organizações e das pessoas, sobre as quais começou a pesar com justiça sua responsabilidade por esta situação de desgraça.

      O movimento nacional-socialista começou a ganhar mais o espírito e a vontade dos alemães, apesar da terrível repressão.

      Juntamente com outras associações nacionalistas, ele eliminou em pouco de mais algumas semanas os poderes dominantes desde novembro de 1918 e colocou o poder público nas mãos do governo nacional através de uma revolução.

      O povo alemão ratificou este ato a 5 de março.

      O programa de reconstrução do povo e do Reich resulta da grande necessidade de nossa vida política, moral e econômica.

      Convencido que esta derrocada tem suas origens em feridas no seio do próprio povo, é objetivo do governo da revolução nacional eliminar aquelas enfermidades da vida popular, e evitar futuramente qualquer possibilidade de seu retorno.

      A divisão de nação em grupos com opiniões inconciliáveis, provocada sistematicamente pelas doutrinas falsas do marxismo, significa a destruição da base de uma possível vida comunal.

      A dissolução abrange todos os fundamentos da ordem social.

      A concepção antagônica frente a termos como Estado, sociedade, religião, moral, família e economia, apresenta diferenças que levam a uma guerra de todos contra todos.

      Partindo-se do liberalismo do século passado, este desenvolvimento encontra seu fim natural no comunismo.

      Esta movimentação conjunta de instintos primitivos leva a uma associação entre a concepção de uma ideia política e as ações de verdadeiros criminosos.

      Começando com os saques, incêndios, ataques em ferrovias, atentados e assim por diante, tudo encontra sua sanção moral nas idéias comunistas.

      Somente os métodos individuais de terrorismo de massa custou ao movimento nacional-socialista mais de 300 mortes em poucos anos e dezenas de milhares de feridos.

      O incêndio no Reichstag, como tentativa frustrada de uma grande ação, é apenas um sinal daquilo que a Europa poderia esperar da vitória desta gente diabólica.

      Quando uma determinada imprensa – principalmente fora da Alemanha – tenta hoje em dia, de acordo com o princípio de levantar inverdades políticas através do comunismo, identificar este ato vergonhoso com o levantar nacional da Alemanha, então eu só tenho meus atos confirmados em não deixar nada passar para que este crime seja reparado através do enforcamento público dos culpados e seus cúmplices!
      (…)
      É somente a criação de uma verdadeira comunidade nacional, erguendo-se acima dos interesses e das diferenças de classe, que pode fechar permanentemente a fonte de nutrição de tais aberrações do espírito humano.

      O estabelecimento dessa unidade cosmovionária no corpo da nação é tanto mais importante quanto só por esse meio é que surge a possibilidade de manutenção de relações amigas com as potências estrangeiras, independentemente das tendências ou princípios gerais por que se governem, pois a eliminação do comunismo na Alemanha é um assunto puramente interno.

      O resto do mundo pode também estar interessado, pois o romper do caos comunista no populoso Reich alemão iria levar a conseqüências políticas e econômicas no restante da Europa Ocidental, de proporções inimagináveis.
      (…)
      Uma ampla reforma do Reich só poderá nascer do desenvolvimento orgânico.

      Seu objetivo deve ser a construção de uma constituição que una a vontade do povo com a autoridade de uma liderança real.

      A legalização de tal reforma constitucional vai ser dada pelo próprio povo.

      O governo da revolução nacional vê fundamentalmente como sua obrigação, de acordo com o sentido da confiança dada pelo voto popular, manter longe da formação da vida da nação aqueles elementos de que consciente e intencionalmente negam esta vida.

      A igualdade teórica diante da lei não pode resultar na tolerância sob igualdade daqueles que fundamentalmente escarnecem a lei…
      (…)
      Simultaneamente com essa política de purificação de nossa vida pública, o governo do Reich procederá um inteiro expurgo moral do corpo da nação.

      Todo sistema educacional, o teatro, o cinema, a literatura, a imprensa e o rádio – tudo será empregado como um meio para este fim e dessa forma avaliado.

      Todos estes elementos devem servir para a manutenção dos valores eternos presentes no caráter essencial de nosso povo.

      A arte sempre ficará sendo a expressão e o reflexo dos anseios e da realidade de uma época.

      Atitude neutral e internacional do alheamento está desaparecendo rapidamente.

      O heroísmo avança apaixonadamente e no futuro moldará e norteará o destino político.

      A tarefa da arte é ser a expressão desse espírito determinante da época.

      Sangue e raça serão mais uma vez a fonte da intuição artística.

      É tarefa do governo providenciar que justamente num período de poder político limitado, os valores vitais internos e a vontade de vida da nação encontrem um gigantesca expressão cultural.

      A obrigatoriedade diante desta decisão é expressão de reconhecimento aos personagens de nosso grande passado.

      Em todas as áreas de nossa vida histórica e cultural, deve ser erigida esta ponte entre passado e futuro.

      O respeito diante dos grandes homens deve ser ensinado novamente aos jovens como herança sagrada.

      À medida que o governo está decidido a proceder com a desintoxicação política e moral de nossa vida pública, ele consegue e assegura as condições para uma verdadeira e profunda vida religiosa.

      As vantagens de natureza política e pessoa que queiram resultar de compromissos com organizações ateístas, não valem a pena frente à visível destruição dos valores morais fundamentais.

      O governo nacional considera as duas religiões cristãs como os mais ponderáveis fatores para a manutenção de nossa nacionalidade.

      O governo respeitará os acordos concluídos entre ele e os Estados federais. Os direitos destes não serão infringidos.

      Mas o governo confia e espera que o trabalho de regeneração moral e nacional de nosso povo, a tarefa que ele se impôs, seja, por outro lado, tratada com o mesmo respeito.

      Ele tratará todas as outras confissões com justiça objetiva.

      Mas ele não poderá tolerar que o simples pertencer a uma determinada religião ou a uma determinada raça, implique na dispensa de deveres legais gerais e até a liberdade para comportamentos criminosos, ou na tolerância a crimes.

      A preocupação do governo vale na correta coexistência entre igreja e Estado; a luta contra uma cosmovisão materialista, em prol de uma verdadeira comunidade do povo serve tanto para os interesses da nação alemã quanto ao bem-estar de nossa fé cristã.

      Nossas instituições legais devem servir acima de tudo para a manutenção desta comunidade nacional.

      A não-destituição dos juízes, por um lado, deve corresponder a uma elasticidade dos veredictos voltada ao bem da sociedade.

      Não o indivíduo deve ser o centro da preocupação legislativa, mas sim o povo.

      A alta traição e a perfídia para com a nação serão no futuro impiedosamente extirpadas.

      Os fundamentos da existência da justiça não podem ser outros senão os fundamentos da existência da nação.

      Portanto, queira isto ser sempre a linha-mestra daqueles que, sobre os duros caminhos da realidade, são responsáveis pela vida nacional.

      Grandes são as tarefas do governo nacional na esfera da vida econômica.

      Aqui todas as ações devem ser governadas por uma lei:
      o povo não vive para o comércio e o comércio não existe para o capital,
      mas o capital serve o comércio e o comércio serve ao povo.

      Em princípio o governo não protegerá os interesses econômicos do povo alemão pelo método tortuoso de uma burocracia econômica a ser organizada pelo Estado, mas pelo máximo fomento da iniciativa particular e pelo reconhecimento dos direitos de propriedade.

      Entre as intenções produtivas por um lado e, de outro, o trabalho produtivo, deve-se construir um equilíbrio justo.

      A administração deve ser resultado da capacidade do respeito da aplicação e do trabalho através da economia. Também o problema de nossas finanças públicas se resume, ao final, no problema de uma administração austera.

      A planejada reforma de nosso sistema tributário deve simplificar as classificações e com isso levar a uma diminuição dos custos e dos tributos.

      Fundamentalmente o moinho fiscal deve ser construído na correnteza e não na fonte.

      Diante desta premissa, deve haver uma diminuição dos tributos através da simplificação da administração.

      Esta reforma tributária a ser instituída no Reich e nos Estados não é uma questão do momento, mas sim segundo as necessidades do período analisado.

      O governo evitará sistematicamente as experiências monetárias.

      Enfrentamos acima de tudo duas tarefas econômicas de primeira magnitude. A salvação do agricultor alemão deve ser conseguida a qualquer preço.

      A destruição desta classe em nosso povo levará às conseqüências mais graves.

      O restabelecimento da rentabilidade das propriedades agrícolas e pecuaristas pode ser duro para o consumidor.

      O destino, entretanto, que assolaria todo o povo alemão caso os agricultores desaparecessem, seria com uma desgraça sem comparação.

      Somente em conjunto com a recuperação da rentabilidade de nossa agricultura e pecuária, a questão referente à execução ou acordos pode ser solucionada.

      Caso isso não aconteça, então a eliminação de nossos agricultores levaria não apenas à bancarrota da economia alemã, mas principalmente à destruição do núcleo do povo alemão.

      Sua preservação saudável é também condição fundamental para o florescer e germinação de nossa indústria, de nosso comércio interno e das exportações alemãs.

      Sem o contrapeso dos agricultores alemães, a loucura comunista já teria assolado a Alemanha e com isso destruído definitivamente a economia alemã.

      O que nossa economia geral incluindo nossas exportações deve agradecer à saudável existência do camponês alemão, não pode ser compensado através de nenhum sacrifício comercial.

      Por isso o futuro povoamento do solo alemão deve atrair também nossa grande preocupação.

      Ademais, é perfeitamente claro para o governo nacional que a debelação final das dificuldades, tanto no comércio agrícola como no das cidades, depende da absorção do exército dos desempregados no processo da produção.

      Esta constitui a segunda das grandes tarefas econômicas.

      Ela só pode ter solução com uma satisfação geral, na aplicação de princípios econômicos sãos e naturais e de todas as medidas necessárias, mesmo que, no momento, elas não possam contar com qualquer grau de popularidade.

      Criação de vagas de trabalho e a contribuição obrigatória de serviço são, a este respeito, apenas medidas individuais dentro do âmbito de toda a ação proposta.

      Semelhante ao agricultor alemão, é a posição do governo nacional em relação à classe média.

      Sua salvação só poderá advir da política econômica em geral.

      O governo nacional está decidido a resolver esta questão.

      Ele reconhece isto como sua tarefa histórica, apoiar e incentivar os milhões de trabalhadores alemães em sua luta pelos direitos civis.

      Como Chanceler e nacional-socialista, eu me sinto ligado a vocês como um antigo companheiro de minha juventude.

      A elevação da força de consumo desta massa será uma parcela considerável da engrenagem econômica.

      Com a conservação de nossas leis sociais, acontecerá um primeiro passo para sua reforma.

      Basicamente, porém, deve acontecer a utilização de cada força de trabalho em prol da coletividade.

      O desperdício de milhões de horas de trabalho humano é uma loucura e um crime que leva à pobreza de todos.

      Não importa qual valor seria criado através do uso de nossa força de trabalho excedente, ele poderia representar uma melhor condição de vida para as milhões de pessoas que hoje passam necessidade e estão na miséria.

      Deve e vai ser feito pela capacidade organizatória de nosso povo, solucionar esta questão.
      (…)
      Para vencer a catástrofe econômica é necessário:

      1. uma liderança absolutamente autoritária nos assuntos internos, afim de criar a confiança na estabilidade das condições

      2. A garantia, pelas grandes nações, de uma paz duradoura, afim de restaurar a confiança mútua entre as nações.

      3. A vitória final dos princípios do bom senso na organização e condução da economia, assim como na desobrigação geral nas reparações e responsabilidades irreais pelas dívidas e juros.

      Infelizmente situamo-nos diante do fato de que a Conferência de Genebra, apesar das longas negociações, não chegou até agora a nenhum resultado prático.

      A decisão concernente à garantia de uma medida real de desarmamento tem sido constantemente protelada por questões de detalhes técnicos e pela introdução de problemas que nada têm a ver com o desarmamento.

      Esta tática é inútil.

      A condição ilegal do desarmamento unilateral e a resultante insegurança nacional da Alemanha não pode continuar por mais tempo.

      Reconhecemos como um sinal de responsabilidade e da boa vontade do governo inglês o fato de que tenha procurado, através da sua proposta de desarmamento, levar a Conferência a alcançar finalmente soluções rápidas.

      O governo do Reich apoiará qualquer esforço para a verdadeira execução de um desarmamento geral. Durante quatorze anos estivemos desarmados, e durante quatorze meses estivemos a esperar os resultados da Conferência do Desarmamento.

      De muito maior alcance é o plano do chefe do governo italiano, que faz uma tentativa esclarecida e vasta para conseguir um desenvolvimento pacífico e coerente de toda a política européia.

      Damos a maior importância a este plano, e estamos prontos a cooperar com absoluta sinceridade dentro das bases por ele estabelecidas, afim de unir as quatro Grandes Potências, Inglaterra, França, Itália e Alemanha, numa cooperação antiga para atacar com resolução e coragem os problemas de cuja solução depende o destino da Europa.

      É por esta razão que somos particularmente gratos pela sinceridade apreciativa com que o renascimento nacional da Alemanha tem sido recebido na Itália.

      Nós desejamos e esperamos que a igualdade dos idéias espirituais seja o fundamento para um contínuo aprofundamento das relações amistosas entre ambos os países.

      Do mesmo modo, o governo do Reich, que considera o Cristianismo como fundamento inabalável da moral e do código de moral da nação, empresta o maior valor às relações de amizade com a Santa Sé, e esforça-se por desenvolvê-las.

      Sentimos simpatia para com nossa irmã a Áustria nas suas perturbações e dificuldades.

      Em tudo o que se faz o governo alemão está consciente da conexão existente entre o destino de todas as raças germânicas.

      Sua atitude para com as outras potências estrangeiras pode ser depreendida do que já foi dito.

      Mas até no caso de que as nossas relações estejam assoberbadas de dificuldades, procuraremos chegar a um entendimento.

      Mas em caso algum as bases para a compreensão jamais poderão ser a distinção entre vencedores e vencidos.

      Estamos convencidos de que tal entendimento é possível em nossas relações com a França, se os governos atacarem os problemas que as atingem em ambos os lados, fazendo-o de maneira esclarecida.

      O governo do Reich está pronto a cultivar com a União soviética relações amigas proveitosas a ambas as partes.

      É acima de tudo o Governo da Revolução Nacional que se sente em posição de adotar semelhante política positiva para com a Rússia Soviética.

      A luta contra o comunismo na Alemanha é nosso assunto interno no qual jamais permitiremos a interferência do exterior.

      As relações políticas com outras potências, que nos unem interesses comuns, não serão alteradas.

      Nossas relações com outros países ganharão atenção especial também no futuro, principalmente nossa relação com os grandes países além-oceanos, com os quais a Alemanha nutre há muito tempo relações amistosas e interesses econômicos.

      Levamos particularmente a peito o destino dos alemães que vivem fora das fronteiras da Alemanha e nos estão ligados pela fala, cultura e costumes, e têm de lutar duramente para manter estes valores.

      O governo nacional está disposto a usar de todos os meios a seu alcance para defender os direitos internacionalmente garantidos às minorias alemãs.

      Recebemos de bom-grado o plano para uma Conferência Econômica Mundial e aprovamos a sua reunião em data próxima. O governo do Reich está pronto a tomar parte nesta conferência, afim de que finalmente se chegue a resultados positivos.

      A questão mais importante é o problema de nossas dívidas externas de curto e longo prazo.

      A completa alteração das condições do mercado internacional de mercadorias exige de nós um ajuste.

      Somente a partir de uma condição de completa confiança pode nascer uma real superação das aflições gerais.

      Dez anos de uma sincera paz será mais proveitoso par ao bem-estar de todas as nações do que 30 anos de discussão em torno de termos como vencedores e vencidos.

      Para se colocar na posição de cumprir as tarefas expostas, o governo do Reich apresenta a Lei de Exceção através de ambos os partidos, o nacional-socialista e nacionalista alemão.

      Parte das medidas desejadas exige maioria constitucional.

      A execução destas tarefas e suas soluções são necessárias.

      Não corresponderia ao sentido deste levante nacional e seria insuficiente para o objetivo almejado, se o governo nacional fosse negociar caso a caso uma correspondente autorização do Reichstag.

      O governo não é movido aqui a destituir o Reichstag como um todo.

      Ao contrário, ele se reserva também para o futuro a informar o Reichstag e requerer sua aprovação.

      A autoridade e execução de tarefas iriam sofrer se pudesse existir no seio do povo dúvidas na estabilidade do novo regimento.

      O governo do Reich considera impossível uma nova sessão do Reichstag diante da profunda ansiedade da nação.

      Quase nunca aconteceu uma revolução destas proporções tão disciplinada e sem derramamento de sangue como o levante do povo alemão nesta semana.

      É minha vontade e meu inabalável objetivo garantir também para o futuro este desenvolvimento tranquilo.

      E o mais importante, é que seja dado ao governo nacional uma posição soberana, que seja necessário nestes períodos, para evitar um outro desenvolvimento.

      O governo fará uso desta autorização apenas enquanto for exigido para levar a cabo as medidas vitais.

      Nem a existência do Reichstag, nem do Reichsrat, está ameaçada.

      Posição e direitos do presidente do Reich permanecem intocáveis.

      A concordância interna de seus objetivos será a máxima missão do governo.

      A existência dos Estados não será ameaçada.

      O direito da igreja não será diminuído e sua posição perante o Estado não será alterada.

      Os casos onde exista a necessidade interna de se recorrer a tal lei de exceção são limitados em si.

      Mas mesmo assim o governo pleiteia a aprovação da lei.

      Ela mostra em todo caso, uma clara decisão.

      Ela permite aos partidos do Reichstag a possibilidade de um desenvolvimento pacífico e um entendimento futuro.

      O governo também está decidido e disposto a aceitar a rejeição e, com isso, a declaração de resistência.

      Queiram, meus senhores, decidir por si próprio em prol da paz ou da guerra!”

      (http://www.youtube.com/watch?v=eMLGjnqBvf0)

      (http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8131/tde-22022010-115028/pt-br.php)
      .
      .
      Resultado da votação:

      O projeto nazista foi aprovado com 444 votos favoráveis,
      correspondentes a quase 70% do total de parlamentares,
      transformando-se na Ermaechtigungsgesetz (Lei Habilitante),
      conhecida como “Lei de Concessão de Plenos Poderes de 1933″.

      (http://migre.me/idHd4)
      .
      .
      Leia também:

      USA PATRIOT Act

      Sigla, em inglês, para:
      “Uniting and Strengthening America by Providing Appropriate Tools Required to Intercept and Obstruct Terrorism – Act of 2001″.

      Em tradução livre:
      “Lei de 2001 para Unir e Fortalecer a América, Fornecendo Instrumentos Apropriados Requeridos para Interceptar e Obstruir o Terrorismo”.

      (http://pt.wikipedia.org/wiki/USA_PATRIOT_Act)
      (http://www.gpo.gov/fdsys/pkg/PLAW-107publ56/pdf/PLAW-107publ56.pdf)
      (http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=556)
      (http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/'Washington-promoveu-una-Operacao-Condor-mundial'/6/17586)
      (http://jus.com.br/artigos/6037/a-restricao-de-direitos-fundamentais-e-o-11-de-setembro)
      .
      .

      • seg, 10/03/2014 - 15:36
        Mário SF Alves

        Qualquer coincidência terá sido mera semelhança!

        Em tempo:

        “É somente a criação de uma verdadeira comunidade nacional, erguendo-se acima dos interesses e das diferenças de classe, que pode fechar permanentemente a fonte de nutrição de tais aberrações do espírito humano.”

        Viu, Zé Dirceu, viu Zé Genoino, viu Haddad? Pois é, interesses e diferenças de classe, nem pensar, viu? E, apenas um detalhe: por que ele, o Hitler, chefe do funeral, o megalomaníaco, suprimiu a expressão luta de classes?

        Para pensar: se de fato ocorreu, como entender a citada supressão? Afinal, luta de classes é uma categoria do marxismo, teoria que naquele momento era apontada como a sucursal do próprio demônio [soviético].

        Para pensar de novo: posto em prática o totalitarismo nazista, com a erradicação total das organizações de esquerda, seus membros, inclusive Olga Benário, bem como dos ideais marxistas que permeavam o dia-a-dia dos trabalhadores alemães, e após a criação da “verdadeira comunidade nacional” onde foi parar a paz social? Alguém viu? Será que alguém no mundo inteiro viu? Sessenta milhões de vidas ceifadas naquela que, até então, foi considerada a mais horrorosa de todas as guerras, e em nome do quê mesmo?

      • seg, 10/03/2014 - 16:13
        Mário SF Alves

        Tá no discurso:

        “…liderança absolutamente autoritária…”

        Liderança???

        E desde quando o autoritarismo demandou liderança?

        Ora, em tais circunstâncias, qualquer cavalo pode ser dirigente. Seja ele vermelho, azul ou castanho. Basta saber marchar. Basta assoviar o hino do ” o estado acima de tudo”. Salvo engano, na época dos Césares, na Roma Antiga, houve um que foi senador.

  9. sáb, 08/03/2014 - 22:20
    Andre

    É uma grande ilusão achar que a extrema direita quer chegar ao governo por meio do voto. OS partidos de extrema direita são meros recursos de propaganda não procuram ganhar no jogo democrático. Hitler e os nazistas alemães nunca tiveram maioria eleitoral e nem mesmo apoio da maioria da população. As armas da extrema direita para chegar ao poder são o terror e a propaganda; a única coisa que precisam são de agentes bem treinados para espalhar essas duas armas e uma conjuntura favorável (que eles mesmos cuidam de ajudar a criar).

  10. sáb, 08/03/2014 - 17:24
    Luís Carlos

    As manifestações aqui no Brasil guardam estreita relação e similaridade com as da Ucrânia. Partido que apoiava publicamente manifestações e Black Blocs aqui no Brasil, como o PSOL, através de dirigentes nacionais em texto publicado na página do PSOL (depois da morte do cinegrafista Santiago foi retirado) também tentaram se desvencilhar da Tática violenta e terrorista. Aqui também os violentos e terroristas eram poucos, atentado fogo às manifestações, incendiando carro de trabalhadores tentavam desestabilizar governo federal, unicamente. Jamais se manifestaram contra corrupção no governo de SP tucano, mas mentiam e mentem sistematicamente sobre dinheiro para Copa retirado da saúde. Buscavam com esse poucos, fazer parecer que todos que estavam nas ruas tinham mesma posição, com apoio da mídia corporativa nacional e estrangeira, como na Venezuela e na Ucrânia.
    Ressalto que integrantes do PSOL/RS como Luciana Genro e Roberto Robaina disseminaram por Twitter apoio a “revolução popular” ucraniana (eles chamaram o golpe de evolução popular). Luciana Genro será candidata a vice presidente na chapa do PSOL com senador Randolfe candidato a presidente.

    • sáb, 08/03/2014 - 22:40

      não, não.
      aqui os manifestantes são fofos.
      né não, azenha?

      há conspiração. há golpe.
      mas não aqui..

      • sáb, 08/03/2014 - 23:22
        Luís Carlos

        Os “democráticos” manifestantes brasileiros citam El País como exemplo de cobertura “equilibrada” e defendem golpes pois, segundo um deles, nem todos golpes levam a ditaduras. Claro que ele(s) não dizem que todo golpe é autoritário e não democrático. São esse os defensores das manifestações aqui no Brasil. Democracia para eles é irrelevante.

    • seg, 10/03/2014 - 11:02
      Mário SF Alves

      Luís Carlos,

      Que tal, pra começar, um miligrama de Jose Martí?

      Espero que os ajude,

      Abs,

      Mário.

  11. sáb, 08/03/2014 - 15:03
    Lucas Gomes

    a prova de que a extrema-direita assumiu os gabinetes do governo de Kiev é que não há mais manifestações de rua, os burocratas e dirigentes arranjaram um jeito de “calar as ruas”, provando mais uma vez que esses protestos na Ucrania nada tem a ver com o Brasil onde os protestos sem lideranças não se submetiam a um grupo de hierarcas que diz às pessoas quando elas devem se manifestar ou não.

    • sáb, 08/03/2014 - 17:26
      Paulão

      Mas se no Brasil os protestos tomassem as sedes de governos como o RJ, a Prefeitura de SP ou mesmo o Palácio do Planalto, como de fato tentaram, seria difícil desalojá-los, as coisas passariam para um outro patamar e o setor direito daqui(?) assumiria a frente com a cobertura e apoio total da imprensa mundial. É assim que funcionam estes golpes, sempre se aproveitando das características e situação locais.

      • sáb, 08/03/2014 - 19:26
        Lucas Gomes

        tá maluco! você acha que os protestos aqui tem força para isso? é claro que não!
        além do que a direita que está nas ruas é minoria da minoria, já que a própria esquerda que está nas ruas é minoritária.

        mas você está certo, manifestação não tem que invadir casa do governo, isso é apenas substituir 6 por meia dúzia. Por isso fico feliz que nem em Junho de 2013 nem nos protestos contra a Copa há palavras de ordem golpistas como “Fora Dilma” e coisas do tipo.

  12. sáb, 08/03/2014 - 14:18
    Elias

    No site da RT (TV russa) dá pra ver vários vídeos de neonazistas agindo com violência nos setores administrativos. Tem uma figura truculenta que tem a ousadia de puxar um funcionário pela gravata. Os neonazistas estão agindo em várias esferas do governo deposto. E a mídia ocidental não divulga essas atrocidades. Dá nojo de ver a nossa imprensa atrelada aos interesses dessa falsa democracia ocidental.

  13. sáb, 08/03/2014 - 13:42
    Jose C. Filho

    Quando a questão envolve a Rússia ou a china, o máximo que o ocidente iluminnatti pode rosnar é com sanções econômicas ou ameaças verbais. Confronto direto com forças militares, nem pensar: Seria a destruição da humanidade pelos efeitos terríveis e incontroláveis das detonações nucleares.

    • sáb, 08/03/2014 - 17:33
      Paulão

      Ainda bem que temos a China e a Rússia senão seria a nova idade média neo liberal. Mas eles tentam usar a mesma fórmula contra, principalmente, a Rússia tentando levantar o povo na rua para levar estas situações que aconteceram ou outros lugares.

  14. sáb, 08/03/2014 - 9:19
    Japvalla

    Essas informações saem nos “jornais”, mas compete ao interessado “chafurdar” no lixão informático. Agora se neste lixão você for atrás do caminhão de lixo proveniente de Higienópolis e localidades similares, certamente só encontrará uma narrativa do que se passa na Ucrânia como em outros lugares que não se enquadram e não seguem as prescrições dos EUA.

    O “main stream”, repercutem a narrativa que está em conformidade com os interesses americanos, e é útil para compreender como os EUA pensam. Eis algumas fontes alternativas (além, é claro, do Viomundo – vide Venezuela por exemplo):

    http://operamundi.uol.com.br/
    http://redecastorphoto.blogspot.com.br/
    http://www.paulcraigroberts.org
    http://www.couterpunch.org
    http://www.rt.com

  15. sáb, 08/03/2014 - 0:20
    Caarlos Solrac

    O governo Obama deu um tiro no pé, blindado pela grande mídia, apoiou um golpe de estado de direita fascista e anti-contistucional com o único intuito, depor um governo democrático, eleito consticionalmente pelo povo ucraniano mas que era pró-rússia.
    Único interesse dos EUA e dos países ricos da europa ocidental:
    As reservas petróliferas da Criméia, se não há maior, uma das maiores do planeta.
    Ou seja o que menos o governo americano pensou foi no bem-estar do povo ucraniano, no que mais ele pensou, com um golpe pró-ocidente “O Petróleo é Nosso”.
    Henry Kissinger dizia “Os EUA não tem amigos, tem interesses” o que se mantem mais atual que nunca nos dias de hoje, exemplo esse da Ucrania, o único e maior problema é que a Rússia também…e nenhum embargo vai mudar isso.
    Conclusão: Substimaram a população da região autônoma da Criméia onde está o real interesse dos EUA que é de maioria russa que em referendum democrático nos próximos dias, pelo andar da carruagem vão optar em ser anexados pela Rússia.
    Como se comportará após o referendum democrático a grande mídia o EUA e os países ricos da europa ocidental, já que ficará dificil manipular esse tipo de informação, aguardemos os próximos passos.

    • sáb, 08/03/2014 - 16:20
      Nelson

      Creio que não é necessário que “aguardemos os próximos passos, Solrac.

      A Venezuela, onde,nos últimos quinze anos foram realizados mais de uma dezena de consultas ao povo, é exemplo claríssimo. Ventríloquos dos mandatários dos países ricos, os órgãos da mídia hegemônica simplesmente acusavam Hugo Chávez de comprar os votos do povo.

      Chávez era acusado também de manipular a vontade popular com um controle rígido, ditatorial mesmo, dessa mídia. Mentiras descomunais, mas que a mídia e seus comentaristas – supostos entendidos em tudo; na verdade, (de)formadores de opinião – não tinham pejo algum em repetir à exaustão.

    • sáb, 08/03/2014 - 17:15
      Luís Carlos

      Manipularão. Aguarde.

    • sáb, 08/03/2014 - 18:53
      Edmar

      O Obama não “deu tiro no pé” coisa nenhuma. Ele é um facista safado que sabia muito bem, afinal tem grampeado todos os meios de comunicação desses neonazi e sabe perfeitamente das intenções deles. O que eles, os estadunidenses, querem mesmo é bagunçar o mundo pra serem chamados pra arrumar a bagunça, com “empréstimos amigos” aos povos cujas vidas desorganizaram.

      • sáb, 08/03/2014 - 22:16
        Andre

        Acho que o Obama é uma espécie de rainha da Inglaterra: reina mas não governa. Não que ele não tenha ligações profundas com o grande capital, se não tivesse não teria chegado onde chegou. O problema é que a maior parte do Estado americano é dominado por neoconservadores e criptonazistas; por exemplo Vitoria Nuland,aquela que mandou a EU se f… no caso da Ucrânia é neoconservadora. No governo de Reagan esse pessoal foi encastelado na estrutura do governo americano e nunca mais saiu. Dali para frente, os presidentes americanos foram meros bonecos da estrutura fascista que se montou no interior do Estado americano.

    • sáb, 08/03/2014 - 20:06
      Sérgio Pestana

      Além disso tudo, temos de considerar que a Criméia possui uma das maiores bases navais da Rússia. Acresce-se, também, os países europeus, como a França, Alemanha,por exemplo, dependem do gás dos russos. Há por trás disso tudo o interesse americano de tensionar o setor regional aos seus interesses na Partilha Transpacífica, os quais se somariam ao Pacto Andino, em gestação na América Latina. Daí, não interessa aos americanos e seus asseclas que a Rússia e seus aliados na geopolítica local se garantam em relação à estratégia norte-americana de domínio do Pacífico. Portanto, aos americanos interessa e muito o ambiente tencionado e os países supracitados, como exemplo, não se somarem à Rússia em seus propósitos. Claro, existe o perigo de uma guerra civil. Esta poderia servir de estopim para neutralizar, com o apoio americano, toda influência russa na área, impedindo seu domínio numa região importante pelos seus desdobramentos futuros ainda a verificar, conforme o andamento e os sinais daí resultante. É cedo para se tirar uma conclusão mais crível.

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