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Crítico de Eduardo Campos: “Máquina de propaganda faz milagres”

14 de outubro de 2013 às 18h17

O modo socialista de governar: caso de Pernambuco (II)

por Heitor Scalambrini Costa*

Professor da Universidade Federal de Pernambuco

Conhecer claramente o que pensa o presidente do Partido Socialista Brasileiro (PSB) Eduardo Campos é uma incógnita.

Muda com as nuvens. E segue a risca o que costumava dizer o imperador romano Frederico III: “Não sabe reinar, quem não sabe dissimular”.

Ser um candidato presidenciável competitivo, mesmo negando esta pretensão, vai requerer alianças. E o PSB a nível nacional mostrou nas ultimas eleições que não tem nenhum “pudor” em se aliar à direita, ao centro e à esquerda.

Como não tem abrangência nacional, mesmo tendo crescido eleitoralmente, vai precisar de palanques nos diversos estados, pois não basta somente ter votos em Pernambuco para eleger seu candidato a presidente do Brasil.

Mas isto não será problema quando o objetivo é alcançar o poder. Outros já fizeram alianças incompreensíveis para o eleitor e a sociedade, e conseguiram chegar lá, em passado recente.

“Visões alternativas”, “programa de governo contemporâneo, moderno”, “caça aos marajás e a corrupção”, “competência administrativa”, “choque de gestão” são meras expressões/artifícios eleitorais, utilizados pela propaganda eleitoral dos partidos políticos e candidatos para iludirem o eleitor.

Primeiramente a estratégia do quase futuro candidato é sair fortalecido de seu Estado e da sua região para o embate nacional.

Ao vender a imagem de um governante moderno, eficiente na gestão pública, que se vangloria de empregar princípios da meritocracia e do monitoramento de metas; utiliza o marketing politico/eleitoral através da propaganda, descolada da realidade, vendendo ilusões.

Antes de se lançar verdadeiramente como candidato ele sabe que deverá administrar bem Pernambuco.

A qualidade dos serviços públicos (e o financiamento das políticas públicas) como forma republicana de inclusão social foi deixada de lado em Pernambuco.

Daí uma urbanização verticalizada e desordenada, paraíso da especulação imobiliária.

Este modelo promove relações promíscuas dos gestores públicos com agentes e promotores do que chamam “desenvolvimento econômico” sustentável.

Seria isso o “choque de gestão”, privatizar serviços públicos? Oferecer e mesmo “vender” o estado e a cidade a empresários, investidores, turistas e outros?

Nunca se viu por estas bandas tantas facilidades aos capitais nacionais e internacionais, um verdadeiro capitalismo sem risco. Ah! Se o doutor Arraes estivesse vivo, com certeza não se calaria.

Para o governo, ao que parece, a solução para todos os problemas passa pela privatização.

Hoje se pratica uma política deliberada de favorecimento da iniciativa privada pelo poder público, sendo esta a tônica da gestão que comanda nosso Estado. Agora o modelo é o das concessões.

Mudou o nome, mas o fato é que o PSB em Pernambuco (e no Brasil) clona as privatizações dos governos do PSDB e do PT/PMDB.

Vamos, a seguir, analisar brevemente o que acontece com alguns dos serviços essenciais oferecidos à população, nas áreas de saúde, educação, saneamento e infância/juventude, desmascarando assim a propaganda oficial, na contra mão da subserviência onipresente, provinciana, “bairrista” que tomou conta da imprensa pernambucana quando se trata de temas relacionados ao governador.

Saúde

Ao mesmo tempo em que foi promulgada a Constituição Brasileira de 1988 — cujo teor prescrevia o direito universal do acesso à saúde pública, integral e gratuita — expandiu-se no País, em um movimento contraproducente ao que estava disposto na Carta Magna, o setor empresarial de saúde suplementar, impulsionado por entidades pautadas por práticas estritamente comerciais, alheias à natureza do serviço prestado e às necessidades dos pacientes.

A saúde pública em Pernambuco caminha a passos largos para que o gerenciamento das unidades de saúde venha a ser transferido para Organizações Sociais (OS).

Em estados em que este modelo foi adotado, como São Paulo, as consequências foram desastrosas, antidemocráticas e antissociais.

A terceirização da saúde pública criou diversos problemas, pois gera a mercantilização de um sistema que por dever é de responsabilidade do poder público e por direito, da população, que deve ter acesso a uma saúde de qualidade, ágil e resolutiva.

Com a privatização dos serviços públicos, os médicos, os profissionais da saúde e os usuários assistiram a um processo acelerado de sucateamento, artifício utilizado pelo gestor público para justificar a manutenção do serviço de privatização.

Além disso, a terceirização gera uma rotatividade desastrosa nas contratações.

Profissionais são contratados sem concurso público, sendo muitos deles sem qualificação adequada, o que gera grande desassistência aos usuários do sistema.

Em São Paulo, desde maio de 2012 a Justiça do Trabalho proibiu todas as contratações de funcionários nas parcerias entre a Secretaria de Saúde e as OS, por suposta terceirização irregular de mão de obra, mas a Procuradoria do Estado tenta reverter essa decisão.

Desde 1998, tramita uma ação direta de inconstitucionalidade para julgar a validade desses convênios.

Nos últimos anos, houve também outras tentativas de impedir judicialmente os contratos com as OS, mas uma decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF) é aguardada.

Em Pernambuco este é um dos serviços públicos que aparecem nas pesquisas de opinião como entre os mais mal avaliados.

Mesmo com as construções (o que “dá mídia”) de prédios — hospitais, unidades de pronto atendimento, recuperação física de hospitais e postos de saúde — a ausência de profissionais, a falta de medicamentos e de condições de trabalho são evidentes e impossíveis de maquiar, de esconder da população, que vive um martírio diário quando necessita de atendimento.

A administração da saúde publica em Pernambuco é desastrosa, como no restante do Brasil.

Educação

A educação nacional é uma das piores dentre 40 países que se consideram civilizados, avaliados em relação ao sistema educacional, segundo uma ONG inglesa. O Brasil ficou classificado em penúltimo lugar.

Em Pernambuco, quando o assunto é educação, o ensino público tem se mostrado precário, insatisfatório e ineficaz.

A situação da infraestrutura física das escolas é deplorável, juntamente com as condições de trabalho e salarias dos principais protagonistas, os docentes.

A precariedade neste setor é tão evidente que, apesar de o governo tentar encobrir a realidade com propaganda — além de ações pontuais e isoladas, que sempre resultam em espaços na mídia — os indicadores de desempenho são vergonhosos.

Se levarmos em conta o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica/2011 (Ideb), calculado com base no conhecimento dos alunos (Prova Brasil) e na taxa de aprovação, mesmo considerando a grande facilidade para maquiagem de resultados, a situação das escolas estaduais pernambucanas é decepcionante e trágica.

Com uma levíssima evolução em relação ao IDEB de 2009, Pernambuco não alcançou a meta proposta pelo Ministério da Educação, de 4,6. As escolas do Estado tiveram uma média de 4,3,  sendo a média do Brasil de 5 (de 0 a 10).

Onde se diferencia a gestão estadual na área da educação, se comparada com o restante do Brasil?

Números mais recentes, divulgados em março de 2013, pelo relatório De Olho nas Metas — elaborado pelo Movimento Todos pela Educação, que acompanha os indicadores nacionais — mostram que a rede pública não atingiu as metas estabelecidas.

Foram quatro estados que não tem muito o que comemorar na educação, segundo este relatório: além de Pernambuco, Alagoas, Amapá e Roraima.

Se escolas consideradas pelo governo estadual como de referência e modelo de infraestrutura — propagandeadas pelo turno integral (pelo menos duas vezes por semana) e pela ampla distribuição de tablets — apresentam deficiências visíveis e denunciadas publicamente, como a falta de merenda, salas com mais de 45 alunos, sem ar-condicionado, laboratórios inutilizados e com equipamentos eletrônicos doados à escola e aos alunos de péssima qualidade, apresentando defeitos em poucos meses de uso, tentem imaginar o que acontece com as escolas que não são de referência.

As denúncias vão desde a drástica redução de mais de 30% no quadro de trabalhadores na educação nos seis anos do atual governo, de 2007 a 20012, até a tentativa midiática de convencer a população de que a educação vai bem, com as viagens ao exterior de bem menos de 1% dos estudantes da rede pública para intercâmbio encobrindo as mazelas e as situações deploráveis encontradas nas escolas.

Mesmo naqueles espaços de tempo integral, como o Ginásio Pernambuco, as promessas não são cumpridas.

Todo este incompetente modelo de gestão mostra claramente que mesmo com o discurso fácil da valorização do professor e de investimentos na infraestrutura das escolas, o mundo real está distante do mundo das promessas vazias.

Em Pernambuco a educação não é prioridade, como comprovam a situação das escolas e dos docentes, e os indicadores nacionais sobre a qualidade do ensino.

Saneamento

A eliminação da enorme lacuna nos serviços de água e esgoto constitui um dos maiores desafios para a política pública brasileira.

A situação do saneamento é trágica. Em 2010, mais da metade da população (54%) não possuía acesso à rede de esgoto.

Do esgoto coletado, apenas 30% eram tratados.

A Lei do Saneamento (11.445/07) prevê como princípio a universalização do acesso. Mais avançar é que são “outros quinhentos”.

Segundo a Agência Nacional de Águas, 55% dos municípios podem sofrer desabastecimento nos próximos quatro anos, 84% das cidades necessitam de investimentos para adequação de seus sistemas produtores de água e 16% apresentam déficits decorrentes dos mananciais.

A falta de saneamento tem efeitos nefastos sobre a saúde e o meio ambiente.

Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), as doenças por veiculação hídrica ampliam a mortalidade infantil e podem causar perda da capacidade de aprendizado escolar de até 18% em crianças com até cinco anos.

De acordo com o Ranking do Saneamento do Instituto Trata Brasil, que considera os cem maiores municípios brasileiros, a média de internações por diarreia é 546% maior para os dez piores do que nos 20 municípios mais bem colocados.

Como é alardeado, o Brasil está entre as maiores economias do mundo, mas nenhuma autoridade federal é capaz de dizer com alguma segurança quando será universalizado pelo menos o serviço de esgotamento sanitário.

A questão do saneamento é uma vergonha nacional, pois menos de dois terços dos lares brasileiros — 62,6% — têm acesso a saneamento, por meio de rede coletora ou de fossa ligada à rede, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE.

No caso pernambucano existe uma triste realidade, pois hoje menos de 40% dos domicílios são saneados e menos de 40% recebem água tratada.

A solução apontada pelo governador socialista: promover formas de privatização dos serviços de saneamento básico, através de parcerias público-privadas (PPP), sob o argumento de que o setor público, sozinho, não tem os recursos e nem capacidade de gestão dos projetos.

Tais modificações no setor ocorrem num momento de baixo nível de reflexões, de formulação e de forte desmobilização da sociedade civil.

As lições procedentes da experiência internacional, sobretudo nos Estados Unidos, Europa e América Latina mostram que o que esta sendo adotado é um caminho equivocado, frequentemente adotado por razões imediatistas, com o objetivo de satisfazer interesses privados e não de solucionar os problemas dos serviços.

Mesmo com a pouca discussão e as enormes perguntas não respondidas, a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) assinou em 15/02/2013 o contrato de Parceria Público-Privada para ampliação e recuperação dos sistemas de coleta e tratamento de esgotos de 14 municípios da Região Metropolitana do Recife e da cidade de Goiânia, na Mata Norte do Estado. São investimentos estimados em 4,5 bilhões de reais nos próximos 12 anos.

O consórcio vencedor é formado pela Foz do Brasil (braço da Odebrecht) e a Lidemarc.

Neste episódio da assinatura do contrato que validou a PPP merece destaque a posição do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que inicialmente constatou irregularidades no contrato, mas voltou atrás e acabou acatando e aceitando a remuneração média do valor investido proposto pelo consórcio, de 8,41%. A média desse valor para as PPPs no Brasil varia de 6 a 6,5%.

O atual governo socialista sustentava que, com a assinatura desta parceria público-privada, não haveria aumento nas tarifas, mas no dia seguinte foi anunciado o aumento nas tarifas de água.

A Compesa é uma das empresas mais criticadas pela população, pelos péssimos serviços prestados.

A desfaçatez da direção da empresa é tão grande que seu presidente, um dos meninos de ouro do atual governador, “administrador eficiente (?)”, chegou a se comprometer junto à imprensa afirmando que logo após o anúncio federal da redução das tarifas elétricas a empresa reduziria a conta de água dos pernambucanos.

Mas o que se viu foi um aumento nas tarifas da ordem de 7,98%.

Com a chiadeira geral e querendo seduzir a população, ele anunciou que o valor do aumento ficaria em 5,19%.

Outra promessa não cumprida pela Companhia, neste caso envolvendo o próprio governador, foi de que não haveria mais racionamento de água em Pernambuco. Outra grande mentira deslavada.

É importante que os gestores públicos não mintam e que compromissos assumidos sejam cumpridos. Isso significa respeitar o povo, mas não é isso que acontece. Quem sofre as consequências é a população iludida.

Infância e Juventude

O caso do tratamento dispensado à infância e juventude em Pernambuco é emblemático.

O que se verifica são promessas não cumpridas de uma reestruturação geral no sistema socioeducativo para adolescentes e infratores, o descaso e o sucateamento que marcaram o ano de 2012 com rebeliões e assassinatos.

O saldo da violência e destruição foi considerado um dos piores do Brasil e teve repercussão nacional e internacional.

O curioso é que a Secretaria da Infância e da Juventude não se pronuncia quando ocorrem as barbáries.

Deixa a bomba chiando nas mãos da própria Fundação de Atendimento Socioeducativo, a famigerada Funase.

Sucedem-se as rebeliões, motins, mortes e mutilações nas unidades da Funase em todo o Estado.

O xis do problema é o seguinte: por que o Governo do Estado não consegue exterminar o ovo da serpente na Funase?

Resposta: esta não é uma prioridade da ação governamental. Falta decisão política.

Enquanto não se desenvolvem políticas públicas estruturadoras nesta área, Pernambuco é lembrado como o Estado que não apoia e protege a juventude e a infância. Há futuro com este descaso?

A gestão pública estadual alega que não tem dinheiro para os investimentos em saúde, educação, saneamento e para crianças e jovens, e entrega ao setor privado estas atividades essenciais para a população.

Ao mesmo tempo, constata-se que existe uma alta carga tributária sobre os assalariados, gordas desonerações para os mais ricos e fartos créditos subsidiados pelo BNDES a algumas empresas.

Mesmo assim, os serviços essenciais e a infraestrutura continuam precários, caminhando para serem privatizados.

Nisso tudo uma pergunta que não quer calar: como se consegue facilmente tantos recursos para um estádio de futebol, mas não para financiar adequadamente a saúde, a educação, o saneamento, a infância e a juventude?

Assim, finalizo esta breve análise critica da situação de alguns setores fundamentais para a sociedade depois destes anos de governo socialista em Pernambuco.

Deixamos claros os problemas e a exclusão que afligem a população. O outro lado, o das promessas e ilusões, este é mostrado pela grande mídia, cujos interesses, em muitos casos, não são nada republicanos.

Finalizaremos este tema com o terceiro e último texto, falando dos governantes que são transformados em gênios e salvadores da pátria, da noite para o dia, e como uma eficaz máquina de propaganda faz milagres.

*Este artigo fez parte de uma série escrita pelo autor bem antes do anúncio da aliança entre Eduardo Campos e Marina Silva. O primeiro da série está aqui. Republicamos agora pela relevância do tema.

Leia também:

Eduardo Campos emprega parentes no governo

 

35 Comentários escrever comentário »

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As estratégias capitalistas do MST, segundo o IG - Viomundo - O que você não vê na mídia

16/10/2013 - 06h47

[…] Crítico de Eduardo Campos: “Máquina de propaganda faz milagres” […]

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Maringoni: Quem tiver os melhores efeitos especiais, a melhor trilha sonora e mais dinheiro, leva - Viomundo - O que você não vê na mídia

15/10/2013 - 21h01

[…] Crítico pernambucano de Eduardo Campos: “Uma eficaz máquina de propaganda faz milagres” […]

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lukas

15/10/2013 - 19h24

Tudo isto acontece em PE há tempos, mas quando Dudu era um aliado servil ninguém se interessava em saber se era bom ou ruim, se era tudo propaganda.

É, vocês são muito diferentes mesmo…rs

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    15/10/2013 - 19h34

    1. Publicamos que ele emprega parentes no governo ANTES dele sair candidato; 2. Agora que ele é candidato é obrigação saber e discutir o governo dele em Pernambuco.

anderson

15/10/2013 - 19h21

segue informaçao:
Médicos são orientados a pedir votos de pacientes contra Dilma
Segundo o presidente da AMB a maior parte dos médicos vai influenciar o eleitorado de forma indireta, intuito é marcar posição antigoverno
Em reação à aprovação da medida provisória que criou o programa Mais Médicos, as entidades que representam esses profissionais de Saúde preparam uma ofensiva nacional na campanha de 2014 contra a presidente Dilma Rousseff, sobretudo na população de baixa renda. Segundo o presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Florentino Cardoso, a maior parte dos médicos vai influenciar o eleitorado de forma indireta, sem recorrer à participação partidária. Para ele, o importante é marcar uma posição antigoverno.
“Um número muito grande de médicos que nunca se envolveu em eleições está determinado a se envolver, mas influenciando, não se candidatando. É muito comum os pacientes perguntarem para a gente, em período eleitoral, em quem vamos votar, principalmente nas regiões menos favorecidas. Há um movimento grande da classe médica para participar da política dessa forma. Não é o candidato A ou B, o sentimento é escolher um candidato que, certamente, não será a presidente Dilma” disse.

Além de criticarem a possibilidade de médicos formados no exterior trabalharem no país sem o Revalida (exame que comprova a capacitação profissional), as entidades médicas são contra a possibilidade de o governo conceder registros provisórios aos médicos, o que antes era atribuição dos Conselhos Regionais de Medicina.

Além disso, há um movimento de filiações em massa dos médicos a partidos de oposição, principalmente ao PSDB e ao DEM. Segundo a AMB, pelo menos 300 médicos já se filiaram ao PSDB do Ceará, a convite do ex-senador tucano Tasso Jereissati (CE). No Mato Grosso do Sul e em Goiás, o DEM já articula um número grande de filiações até novembro. O deputado Luiz Henrique Mandetta (MS) trabalha junto ao líder do partido na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), para fazer um ato político e filiar, em um dia, cerca de mil profissionais.

“A gente está preparando uma data para fazer um bloco, a gente quer fazer um barulho num dia só. Estou preparando um ato político, para fazer essa marca histórica, estamos numa agenda política muito intensa. Ele (o governo federal) acabou fazendo um favor, que é unir politicamente a classe médica, algo impensável anos atrás” afirmou Mandetta.

Segundo avaliações do presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Geraldo Ferreira Filho, a classe médica tem capacidade de movimentar 40 milhões de votos em 2014, partindo do cálculo de que cada um dos 400 mil desses profissionais no país influencie cem pessoas, entre pacientes e familiares:

“Claro que o sentimento dos médicos é antigoverno, isso é visível. Hoje, a olhos vistos, 90% dos médicos são oposição ao governo. A impressão é que os médicos têm influência de até 40 milhões de votos. Claro que não é obrigado a transformar em voto, mas é área de influência”.

Sobre a disputa em São Paulo, que tem o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), como pré-candidato ao governo do estado, Cardoso afirma que haverá oposição direta ao nome dele:

“Em relação ao candidato de São Paulo, é (contra) a pessoa dele, Alexandre Padilha, rejeição absoluta à pessoa dele e ao partido. Quando conversamos com ele, foi um monólogo, uma conversa de surdo e mudo, eles não levam em consideração nada do que falamos”.

Por e-mail, Padilha comentou as declarações do presidente da AMB:

“Lamento a truculência e a arrogância de grupos isolados que se posicionam contra o programa, e a atitude do presidente de uma entidade médica de fazer esse movimento após o debate do Mais Médicos, que foi pedido por prefeitos de todos os partidos, inclusive do PSDB. Sou médico, tenho orgulho da minha profissão, mas estou ministro da Saúde e tenho de agir com foco nas necessidades da população brasileira”.

O líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE), ironizou a articulação das entidades médicas e disse que o PSDB no Ceará é “uma espécie em extinção”:

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Professor desmistifica “modernismo” do Dudu | Conversa Afiada

15/10/2013 - 17h57

[…] Crítico pernambucano de Eduardo Campos: “Uma eficaz máquina de propaganda faz milagres” […]

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Matheus

15/10/2013 - 17h56

Essa descrição do governo Dudu Oligarca não difere muito de outros governos estaduais.

Conclusão: mais um politiqueiro medíocre alçado à fama de “grande gestor” com a única e exclusiva competência de fazer propaganda de si mesmo.

Responder

Matheus

15/10/2013 - 17h43

E a construção de uma alternativa de esquerda a este lixo oligárquico?

Responder

    lukas

    15/10/2013 - 19h26

    O maior medo dos petistas é o surgimento de uma alternativa viável á sua esquerda, pois isto os empurraria mais a direita.

    renato

    29/10/2013 - 12h01

    não é o caso de campos.

    ele está à direita da dilma,
    digamos que entre ela e o pmdb.

MariaC

15/10/2013 - 11h19

O Brasil ainda é um monstro num lago pantanoso.
60% do Congresso se renovará. A absoluta maioria para usar o voto do povo e representar o latifúndio, os bancos, as multis, e os perversos.
Enquanto o povo ora, ou reza em suas igrejinhas.

Responder

    MariaC

    15/10/2013 - 11h22

    lembrar:

    de 400 depus, 180 são votantes a favor de projetos de bancos e ricos.

    enquanto a turba nem sabe que os projetos contra si estão sendo manobrados, como a terceirização e a cassação das verbas para a saúde.

Adriano Medeiros Costa

15/10/2013 - 09h56

Como faz falta o Arrais…

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Mardones

15/10/2013 - 08h39

O artigo deixa claro que Pernambuco é uma amostra do que se passa no Brasil. Logo, mostra que Dudu copiou o exemplo da turma PSDB e PT/PMDB. Faltou mostrar as soluções.

Responder

Guanabara

15/10/2013 - 02h38

Óia, beleza, é tudo propaganda enganosa. Mas diga-me um estado da federação em que aconteça algo diferente disso tudo que foi relatado. A privatização do serviço público (1) transfere dinheiro do público para o privado quando o negócio é lucrativo (ex. concessões de rodovias); (2) faz o Estado deixar de gastar no que deveria por lei, e passa a gastar no que dá visibilidade e retribui os financiadores de campanha (ex., não gasta em profissionais de saúde, e o dinheiro não gasto usa pra construir porto, pagando empreiteiros, fazendo propaganda de “progresso” e dando o arrego do alto empresariado, os maiores corruptores do país, seja esse dinheiro doméstico ou vindo do estrangeiro).

Sinto muito, mas democracia como instituição no Brasil deixou de existir tem tempo (e sabe-se lá se ela ainda existe em algum lugar do mundo). O capitalismo está atingindo seu auge, em que ele domina TUDO! TUDO é em função do acúmulo de capital em mãos privadas. A corrupção dos 3 poderes (dada com nomes eufemísticos como “toma lá, dá cá”, “acordos”, ou o que seja…) botou o interesse financeiro particular acima de qualquer política pública, em qualquer esfera.

Não existe “candidato” “viável” que seja totalmente independente. Mudam os nomes, mas as práticas continuam. Quando praticadas por quem é incômodo, vira denúncia em mídia, e busca-se dar um fio de esperança a supostos ingênuos que clamam por justiça. Se é dos parceiros úteis, abafa-se. Como dizia Nascimento, o sistema é foda.

Responder

Zanchetta

14/10/2013 - 22h56

Depois da “brilhante” fala da presidANTA sobre o Dia das Crianças, eu me pergunto: Para que Dilma Bolada? A de verdade é muito mais engraçada…

Responder

lidia virni

14/10/2013 - 21h40

São 200000 mercenários pago$ por gente a quem interessa destruir tudo o que foi conquistado nestes onze anos no nosso país. Mas saberemos responder a esses ataques com outra atitude, mostrando o que já foi realizado e conquistado depois dos governos passados, sobretudo depois da catástrofe que abalou o Brasil durante o governo entreguista e deletério de FHC.

Responder

lidia virni

14/10/2013 - 21h36

São 200000 vende pátria, vale tudo para se darem bem na vida, são escravos dos mandantes dos ataques contra o governo, mas escravos consentidos, por serem de extrema direita. Estúpidos, acham que em um país onde dezenas de milhões de pessoas navegam pela Internet, a maiorioa é cega e burra e vai acreditar neles. Já nas últimas eleições provou-se que quanto mais ofendem, mentem e distorcem a realidade , mais cresce o apoio a quem faz uma campanha totalmente diferente e mostrando o que foi realizado e sentido pelo povo. Triste pensar que muitos desses mercenários são nossos compatriotas (digo muitos porque sabemos que, além da espíonagem estrangeira, há a intromissão clara na política dos países com governos progressistas em qualquer canto do mundo).

Responder

José de Queiroz

14/10/2013 - 21h24

As redes sociais podem causar um estrago sim. Esta semana vi dois amigos compartilharem indignados um status em que uma frase dita por Cid Gomes, durante uma greve de Professores no Ceará,era atribuída à Dilma. Justamente no dia em que Dilma disse exatamente o contrário em uma solenidade pública.
A presidente falou da importância da valorização do professor e a frase do governador do Ceará,creditada a Dilma, dizia que “professor deve dar aula por amor e não por dinheiro.”
É claro que a mentira colocada na rede social foi vista e propagada por muito mais pessoas.

Responder

    MariaC

    15/10/2013 - 10h31

    Verdade. Hoje Boechatão começou a cuspideira com um comentário ao dia dos professores. Elogiou os antigos, deixou implícitas muitas coisas. Disse que os atuais só são professores pois não arrumaram emprego em outro lugar, salvo os salários oferecidos que são baixos e limitadores da qualidade, que também foi dito. E no final culpou Dilma. Nem palavra sobre a responsabilidade dos prefeitos e governadores. Tudo foi pretexto para pichar Dilma, igual a seus outros discursos diários.

Urbano

14/10/2013 - 21h22

O escocês e o cubano pouco tempo deixaram para que se pudesse assimilar o que ocorria ao redor. Agora, da lama saíram pelo menos uma corda de caranguejos…

Responder

    Urbano

    15/10/2013 - 16h51

    Onde escrevi saíram, o certo é saiu.

    Urbano

    16/10/2013 - 19h09

    Se ao menos a propaganda não fosse enganosa, tudo bem…

pereira

14/10/2013 - 20h42

O PT-pmdb, psdb e psb e outros viram o mesmo saco. Cadê a reforma agrária, a revisão da divida pública, o povo não aguenta mais pagar impostos,e a reforma tributária´política e outras, e nessa próxima eleição o trabalhador vai perder espaço.

Responder

Itárcio

14/10/2013 - 20h33

E é esse cara que Lula queria eleger Presidente em 2018, deixando-o como sua herança política para nós, que decepção!

Responder

Vinicius Rodrigues

14/10/2013 - 20h07

Campos/Marina seria a nova cara da direita?? veja
http://www.platodocerrado.blogspot.com.br

Responder

Joana Medeiros

14/10/2013 - 20h02

Muito grande. Mas passei os olhos nas mentiras que o Dudu anda pregando. São muitas mentiras. O cara não se sustenta nas pernas, que é o seu governo

Responder

Marcos Antonio Silva

14/10/2013 - 19h50

Muito bom o vídeo da campanha eleitoral. Só não sabia que o período eleitoral já começou. Avisaram o TSE!?

Responder

Luís Carlos

14/10/2013 - 19h42

Campo seria coragem de peitar as entidades médicas como fez Dilma no caso do Mais Médicos ou deixaria tudo como está para não se indispor com as entidades médicas? Muita propaganda e pouca postura favorável ao povo. Dilma bancou o Mais Médicos. Campos não teria compromisso com a necessidade da população para isso.

Responder

J Souza

14/10/2013 - 19h06

Privatizações, terceirização na saúde, resultados ruins na educação…
Parece que Campos seguiu o modelo petista de administração… Se espelhou em Brasília!
Quero só ver quando o custo Brasil disparar (ainda mais) por causa das privatizações de portos, aeroportos, rodovias, ferrovias e do petróleo… É o povo brasileiro que vai pagar essa conta! (Como já paga na telefonia, na energia e na água!)

Responder

maria madalena

14/10/2013 - 18h48

se cuida PT, O PSDB tem um grupo de faz comentarios em toda a INTERNET e nas redes sociasi denominado “MILITANCIA DIGITAL TUCANA,com cerca de 5 mil integrantes eles criticama DILMA e o PT ,,,24 horas por dia 7 dias por semana nas redes sociais,e em 2014 aecio neves promete 20 mil integrantes para militancia digital tucana.
veja bem são 20 mil pessoas conectadas nos principais portais da internet e das redes sociais criticando o PT e a DILMA se o PT não criar a sua MILITANCIA DIGITAL a coisa vai ficar feia em 2014.

Responder

    renato

    14/10/2013 - 19h07

    Reconheço a preocupação, e é valida.
    Mas falar mentiras na net da processo
    e com processo na justiça,dá pagamento
    de indenização, e o PIOR, se forem jovens
    galgando algo na vida,com processo na Justiça
    não entra em emprego público, não tira passaporte
    até explicar que focinho de porco não é tomada
    danou-se.
    Segundo, quem não conhece o PT, pensa que o mesmo
    come moscas.
    Quem não conhece a Esquerda come moscas, também.
    Quem menospreza a inteligência do POVO, dança.
    E outra, para cada vinte mil mentiras basta uma
    verdade, para os 52 milhões de votantes.
    E eu penso, estes vinte mil falam de quem……
    Falar da Dilma é fácil, ela tem nome.

    Malvina Cruela

    14/10/2013 - 20h02

    cuma?

    vinicius

    15/10/2013 - 17h55

    Calma, Maria.
    Pode ficar tranquila!

    A turma do lado de lá já faz militância contra o atual governo há 10 anos.
    A turma do lado de cá não deixou a peteca cair!!!

    O time do lado de cá joga por amor a camisa, é mais criativa, alegre…

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