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Palmério Dória: Mirian Dutra, FHC e o DNA de uma farsa

18 de fevereiro de 2016 às 11h52

 O caros-amigos-filho-FHCfuro jornalístico da Caros Amigos, em abril de 2000, reproduzido no blog do Palmério Dória: Por que a imprensa esconde o filho de 8 anos de FHC com a jornalista da Globo? 

MIRIAN DUTRA, FHC E O DNA DE UMA FARSA

por Palmério Dória, no Conversa Afiada 

No burburinho da Assembléia Nacional Constituinte dois fatos chamavam a atenção: a proverbial resistência física do velho e inesquecível Ulysses Guimarães, que comandava sessões que varavam a madrugada sem perder o humor e sem sequer ir ao banheiro, e o tórrido romance vivido pelo senador tucano Fernando Henrique Cardoso e a jornalista Mirian Dutra, estrela dos noticiários da Rede Globo.

Mirian, profissional dedicada e discreta, era uma mulher desimpedida. FHC, o “príncipe dos sociólogos”, ao contrário, era casado desde os anos 50 com a respeitada antropóloga Ruth Cardoso, com quem teve três filhos e um casamento que se julgava sólido até então.

Nos restaurantes e bares de Brasília um Fernando Henrique fora do eixo, com surpreendente comportamento juvenil, trocava olhares lânguidos, roçava pernas e pés, desfilava de mãos dadas e se afogava em beijos que faziam a alegria de quem presenciava o inusitado de uma paixão arrebatadora. Uma dupla quase sempre lhes fazia companhia, em situação semelhante: a linda deputada Rita Camata (PMDB-ES), casada, e o poderoso Alberico Souza Cruz, o diretor do telejornalismo global e chefe de Mirian.

O resultado desse amor que não podia ser assumido se materializou num teste de gravidez. Positivo. Tomás Schmidt Dutra estava a caminho. Seria registrado pela avó num cartório de Brasília, após seu nascimento, em 26 de setembro de 1991.

Mirian teve Tomás apoiada por amigos próximos. Não lhe faltou nada, exceto a presença do pai, que meses antes a expulsou aos gritos de seu gabinete no Senado ao ser comunicado da gravidez. O frio, sarcástico, irônico, cínico, racional FHC, descontrolou-se como nunca, indicando-lhe a porta de saída aos berros de “rameira”, chutando um circulador de ar da sala de espera, sendo contido por assessores, enquanto uma humilhada Mirian Dutra, chorando, era acolhida nos braços de um passante. Para desgraça do agressor, tratava-se de um dos jornalistas mais respeitados do país, Rubem Azevedo Lima, decano dos profissionais de imprensa no Congresso Nacional com passagens pelo Correio da Manhã, Folha de S. Paulo e Correio Braziliense, por exemplo.

Retirada do cenário do barraco, Mirian seria procurada por Sérgio Motta, sócio de FHC, e José Serra. A paz seria celebrada com promessas que lhe foram feitas e cumpridas. Imediatamente ela mudou de casa. Foi para um apartamento maior e melhor que o seu, na SQS 211, em Brasilia. Sua mudança foi feita pela equipe que a acompanhava nas reportagens da Rede Globo: o motorista, o cinegrafista e o iluminador, o popular “pau de luz”, um tipo brincalhão que protagonizou um episódio que ficou célebre no diz-que-diz das noites do Piantella: ao desembarcar a cama de casal de um caminhão alugado para a mudança, bateu as mãos no colchão e sentenciou, solene: “esse é o do senador!”.

Ao ir para Lisboa, numa TV associada à Globo, a SIC, do ex-primeiro-ministro Pinto Balsemão, Miriam Dutra tornou-se a última exilada brasileira. E, também, a primeira beneficiária da maior bolsa família já paga com dinheiro público.

Logo após sua partida, o cunhado e lobista Fernando Lemos, casado com a ex-trotskista Margrit Schmidt Dutra (hoje uma militante furiosa da extrema-direita nas redes sociais), iniciou um curioso e repulsivo processo de efetuar gorda coleta da mesada para a cunhada e “o filho do presidente”.

Agnelo Pacheco, o publicitário que abiscoitou a descomunal conta da Caixa Econômica Federal e trocou sua imagem corporativa numa ação milionária combinada com o embaixador Sérgio Amaral (negociata de milhões, centenas de milhões), puxou a fila dos mecenas.

Wagner Canhedo, o dono da VASP, marcou presença. A White Martins e o Banco Icatu, idem. Nunca uma pensão alimentícia movimentou tanto o filé do capitalismo tupiniquim. Era uma “bolsa pimpolho” operada por lobistas e megaempresários. Era um escândalo. Tomás e Mirian, certamente, ficaram com a menor fatia do botim.

Tratava-se de um mensalão doméstico, igual ao que a Construtora Mendes Júnior e Renan Calheiros teriam feito no caso de uma filha do senador alagoano com uma modelo – e hoje o caso está nas altas instâncias judiciais dando dor de cabeça intensa ao presidente do Senado. Mas, como sempre, FHC estava acima da lei.

De Lisboa a família sem pai se muda para Barcelona. Lá vamos encontrá-la num bairro elegante, em bom edifício, levando uma vida sem sobressaltos. Mirian estava fora do vídeo, mas ainda na folha de pagamentos da família Marinho. O padrinho de batismo de Tomás havia sido muito prestativo com o pai do menino e ajudou-a muito. Era o conhecido e poderoso diretor de jornalismo global Alberico Souza Cruz, o Alburrico.

Em fevereiro de 2000, na revista Caros Amigos, por uma decisão editorial tomada pelo Sérgio Souza, seu editor, se decide desvendar o mais bem guardado segredo da República: o porquê a grande imprensa esconde o filho de 8 anos de FHC com uma repórter da Rede Globo. Na verdade, era um segredo de polichinelo.

A preocupação jornalística veio casada com a salvaguarda ética: não publicar a foto do menino, oferecida por um colunista de Santa Catarina; não adentrar os limites da intimidade da família; ouvir e publicar tudo o que Mirian e FHC se dispusessem a dizer; procurar e ouvir os editores de TODOS os grandes veículos da mídia nacional.

Assim foi feito.

Em abril de 2000, com enorme repercussão, Caros Amigos lancetou o tumor. O então presidente da República foi procurado e não quis se pronunciar. Os editores dos principais jornais, revistas e telejornais deram suas versões, todas publicadas. Mário Sérgio Conti, chefão da Veja, atendeu meu telefonema com frieza que foi substituída por um ataque de ira e impropérios publicados na íntegra.

Mirian, procurada pelo repórter João Rocha, em Barcelona, foi cortês. Pelo telefone conversaram longamente. Miriam demonstrou querer falar, mas não falou. Já era uma mulher amargurada, quando disse uma frase reveladora ao ser perguntada pela paternidade de Tomas: “pergunte para a pessoa pública”. Estava indicada a paternidade de Tomas, é óbvio.

Na entrevista concedida por Mirian à revista digital BrasilcomZ, há algo que emerge com força e nos surpreende: ela lança dúvidas sobre o exame de DNA realizado por FHC. Acredita que houve fraude. Desmente que FHC tenha prestado assistência ao suposto filho, que o tenha visitado em Madri, que mantenha boas relações com Tomás. E traça um perfil humano devastador, nada a ver com aquele que a mídia tenta projetar. Mirian Dutra falou muito menos do que sabe.

Como velho repórter, noto uma situação interessante: Mirian esperou quase três décadas para fazer o que qualquer mulher faria. Mas o faz apenas agora, dias após FHC formalizar sua união com a bela e jovem Patricia Kundrat, a quem presenteou com um imenso apartamento na Avenida Angélica, no aristocrática bairro de Higienópolis, a poucos metros de sua casa. Valor do mimo: R$ 1 milhão.

Tenho a absoluta convicção que Mirian, como mulher ofendida na sua dignidade e como mãe, no mínimo exigirá a realização transparente de um exame de DNA em três laboratórios, ao mesmo tempo. Todos eles sob a supervisão da Justiça, da Ordem dos Advogados do Brasil e dos advogados de ambas as partes.

Estão em jogo três coisas muito importantes. O futuro de Tomás, a vida de Mirian, e – não podemos ser hipócritas – a imensa e inexplicável fortuna de Fernando Henrique Cardoso.

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Investigação VIOMUNDO

Estamos investigando a hipocrisia de deputados e senadores que dizem uma coisa ao condenar Dilma Rousseff ao impeachment mas fazem outra fora do Parlamento. Hipocrisia, sim, mas também maracutaias que deveriam fazer corar as esposas e filhos aos quais dedicaram seus votos. Muitos destes parlamentares obscuros controlam a mídia local ou regional contra qualquer tipo de investigação e estão fora do radar de jornalistas investigativos que trabalham nos grandes meios. Precisamos de sua ajuda para financiar esta investigação permanente e para manter um banco de dados digital que os eleitores poderão consultar já em 2016. Estamos recebendo dezenas de sugestões, links e documentos pelo [email protected]

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eduardo de paula barreto

21/02/2016 - 12h30

.

UM PÉ NA COZINHA
.
FHC quando era Senador
Tinha no peito luxúria e amor
E sabia tirar proveito do charme
Mas como a Dona Ruth não bastava
Ele sem escrúpulos se entregava
Aos proibidos prazeres da carne.
.
Com Miriam Dutra fez Tomás
Um branco e sortudo rapaz
Que na Europa foi educado
Mas com Maria Helena Pereira
A sua formosa negra copeira
Ele fez o mulato Leonardo.
.
Quando o bebê começou a crescer
A Dona Ruth passou a perceber
A semelhança do menino com o pai
Então demitiu a amante do marido
Que foi embora como havia ocorrido
Com as suas ancestrais.
.
Enquanto Tomás vive no exterior
Com tudo o que há de melhor
Leonardo é um trabalhador braçal
Que sua a camisa na Esplanada
Para ajudar a mãe desprezada
Que é copeira no Senado Federal.
.
Apesar de Fernando Henrique Cardoso
Ter ficado mundialmente famoso
Por ter privatizado o que era público
Agora está fazendo o contrário
Ao tornar público o diário
Dos seus segredos mais lúbricos.
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Eduardo de Paula Barreto
20/02/2016

.

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Dé Santos

20/02/2016 - 12h21

Incrível como as histórias são contadas por recortes oportunistas. Da mesma época, e contado com todos os detalhes pelo Gilberto Dimenstein, Lula e Bernardo Cabral eram cumpanhêros de FHC pelas noites de Brasília. Assim como a Veja faz campanha coxinha, outros veículos fazem campanhas petralhas…

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renato

18/02/2016 - 22h20

Voces foram elogiados por PHA hoje junto aos petroleiros..
parabens VIOMUNDO…

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Dan

18/02/2016 - 15h50

FHC foi sempre uma farsa, inclusive intelectualmente. O que eu me admiro é como Florestan, homem inteligente que era, não se apercebeu da fraude que era o velhaco que o cercava.

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    Helena Valente

    19/02/2016 - 11h22

    Pare um pouco para pensar e, talvez, você encontre a resposta.

Urbano

18/02/2016 - 14h37

É… pela folha estática inerente é bom rever urgentemente se o DNA negativo não é negativo em toda a sua essência…

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Lukas

18/02/2016 - 12h19

Lula decidiu que se cair, vai cair atirando.

Num momento em que Lula parece mais sujo que pau de galinheiro, sua tática, assim como da blogosfera progreçista, não é se defender, mas antes mostrar que ninguém presta.

Nisto Lula está certo: NINGUÉM (ninguém mesmo) presta, inclusive ele.

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    Francisco Águas

    18/02/2016 - 15h16

    Hahahaha, a culpa é do Lula né?!

    Mauricio Gomes

    18/02/2016 - 18h10

    Tem que ser muito idiota para escrever uma coisa dessas, querer atribuir ao Lula uma suposta retaliação a toda difamação que sofre há anos. Quer dizer que qualquer denúncia que aparecer contra o Aético ou contra o Geraldo “merenda” é culpa do Lula cair atirando. Vai ser burro lá na Veja!

    renato

    18/02/2016 - 22h18

    UUUUUiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!

    Marcia correa

    18/02/2016 - 22h47

    Lucas querido.Progresso não é progreço.Mas idiotas sempre são midiotas.

    Mario Latino

    20/02/2016 - 14h33

    Tá certo. Lula comprou a Miriam Dutra para ela contar toda a história, rsrsrs… só que essa história já estava no ar no ano 2000, rsrsrs

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