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Cartas de Minas

O escracho na casa do coronel Brilhante Ustra, em Brasília

31 de março de 2014 às 18h00

Levante Popular da Juventude escracha Brilhante Ustra

Brasil de Fato

O escracho foi realizado no local onde reside o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que coordenou mais de 500 sessões de tortura em pessoas que lutavam contra a ditadura civil-militar no Brasil
31/03/2014

Da Redação

Nesta segunda-feira (31), véspera do dia em que o Golpe Civil-Militar completa 50 anos, os movimentos Levante Popular da Juventude, Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e do MST promoveram, a partir das 15 horas, um ato de repúdio a todos os abusos e violências sofridos pelos militantes que lutaram contra as arbitrariedades impostas pelo regime de exceção que vigorou no Brasil até 1985.

O escracho foi realizado no local onde reside o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que coordenou mais de 500 sessões de tortura em pessoas que lutavam contra a ditadura militar no Brasil. Hoje com 81 anos, ele foi o único torturador da história do Brasil a receber uma condenação da Justiça, porém continua solto.

“O momento é importante, não apenas pela data, mas porque a disputa ideológica que levou o país ao golpe militar ainda está em aberto, com posicionamentos cada vez mais explícitos, inclusive na grande mídia, de grupos e setores interessados na repressão aos movimentos sociais e às manifestações de rua, que certamente se tornarão mais recorrentes nos próximos meses, com a realização da Copa do Mundo e das eleições 2014”, disse o comunicado de chamamento para o ato.

Leia também:

 O golpe de 64 e a imprensa: 50 anos depois, a manipulação continua

 

12 Comentários escrever comentário »

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Urbano

01/04/2014 - 14h49

Os brilhantes da corja da oposição ao Brasil é tudinho desse quilate…

Responder

    Urbano

    01/04/2014 - 22h01

    Gostei do é tudinho. Mas ficou bem, até para manter distância de ser brilhante…

Fernando Santos de Aquino

01/04/2014 - 07h37

Tocante o relato de Anac. Quem leu Batismo de Sangue também tem a triste oportunidade de compartilhar o martírio de Frei Tito. Lutemos para que esta noite nunca mais paire sobre nós.

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Luís Carlos

01/04/2014 - 07h34

Ustra representa em sua forma máxima o terror de Estado. A intolerância dinamitando a democracia.

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Adriano Medeiros Costa

01/04/2014 - 00h12

Uma lástima que Ustra ainda continue solto por aí.

Responder

Aristoteles

31/03/2014 - 21h53

Onde mora esse torturador aqui em Brasília ?
Disseram que ele até pouco tempo dava aulas no Colégio Militar de Brasilia. Aulas de quê ? Tortura ?

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abolicionista

31/03/2014 - 20h33

Esse sujeito ainda comanda muitos esquadrões da morte que tiram a vida de crianças e jovens nas periferias. É um monstrinho, um rato que nosso estado cultiva a pão-de-ló.

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Fabio Passos

31/03/2014 - 19h31

Merecido. É a população exigindo Justiça que a “elite” branca e rica, aliada e patrocinadora do facínora, tenta impedir.
Como pode este torturador covarde permanecer impune?

O PiG quer varrer os crimes contra a humanidade cometidos por seus comparsas para debaixo do tapete… mas a população não vai deixar.

Responder

anac

31/03/2014 - 19h22

TORTURA NUNCA MAIS:
Lembrar é preciso.
Frei Tito de Alencar Lima, barbaramente torturado no carcere se suicidou na França.

Rezemos, mesmo os sem fé, juntos o poema – Noite de Silêncio – que Tito escreveu em Paris, a 12 de outubro de 1972:
“Quando secar o rio da minha infância / secará toda dor. Quando os regatos límpidos de meu ser secarem / minh’alma perderá sua força. Buscarei, então, pastagens distantes / lá onde o ódio não tem teto para repousar. Ali erguerei uma tenda junto aos bosques. Todas as tardes, me deitarei na relva / e nos dias silenciosos farei minha oração. Meu eterno canto de amor: / expressão pura de minha mais profunda angústia. Nos dias primaveris, colherei flores / para meu jardim da saudade. Assim, exterminarei a lembrança de um passado sombrio”.

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    anac

    31/03/2014 - 19h25

    Na terça-feira. 17 de fevereiro de 1970, oficiais do Exército retiraram Frei Tito de Alencar Lima do Presídio Tiradentes, onde se encontrava preso desde 1969, acusado de subversão. “Você agora vai conhecer a sucursal do inferno”, disse-lhe o capitão Maurício Lopes Lima.

    No quartel da rua Tutóia, um outro prisioneiro, Fernando Gabeira, testemunhou o calvário de frei Tito: durante três dias, dependurado no pau-de-arara ou sentado na cadeira-do-dragão -feita de chapas metálicas e fios-, recebeu choques elétricos na cabeça, nos tendões dos pés e nos ouvidos. Deram-lhe pauladas nas costas, no peito e nas pernas, incharam suas mãos com palmatória, revestiram-no de paramentos e o fizeram abrir a boca “para receber a hóstia sagrada” – descargas elétricas na boca. Queimaram pontas de cigarro em seu corpo e fizeram-no passar pelo “corredor polonês”.

    O capitão Beroni de Arruda Albernaz vaticinou: “Se não falar, será quebrado por dentro. Sabemos fazer as coisas sem deixar marcas visíveis. Se sobreviver, jamais esquecerá o preço de sua valentia”. A ceder e viver, Tito preferiu morrer. “É preferível morrer do que perder a vida”, escreveu ele em sua Bíblia. Com uma gilete, cortou a artéria do braço esquerdo. Socorrido a tempo, sobreviveu.

    Foi libertado em dezembro de 1970, incluído entre os prisioneiros políticos trocados pelo embaixador suíço, seqüestrado pela VPR. Ao desembarcarem em Santiago do Chile, um companheiro comentou: “Tito, eis finalmente a liberdade!”. O frade dominicano murmurou: “Não, não é esta a liberdade”.
    Em Roma, as portas do Colégio Pio Brasileiro, seminário destinado a formar a elite do nosso clero, fecharam-se para o religioso com fama de “terrorista”.

    Em Paris, nossos confrades o Em Paris, nossos confrades o acolheram no convento de Saint Jacques, em cuja entrada uma placa recorda a invasão da Gestapo, em 1943, e o assassinato de dois dominicanos.

    O capitão Albernaz tinha razão: sufocado por seus fantasmas interiores, Tito tornou-se ausente. Ouvia continuamente a voz rouca do delegado Fleury, que o prendera, e o vislumbrava em cafés e bulevares. Transferido para o convento de I’Arbresle, construído por Le Corbusier, nas proximidades de Lyon, as visões aterradoras continuaram a minar sua estrutura psíquica. Escrevia poemas:

    “Em luzes e trevas derrama o sangue de minha existência / Quem me dirá como é o existir / Experiência do visível ou do invisível”.

    Os médicos recomendaram-no suspender os estudos para dedicar-se a trabalhos manuais. Empregou-se como horticultor em Villefranche-sur-Saône e alugou um pequeno cômodo numa pensão de imigrantes, o Foyer Sonacotra, cujas despesas pagava com o próprio salário. O patrão o percebeu indolente, ora alegre, ora triste, sugado por um tormento interior. Em seu caderno de poemas, Tito registrou:

    “São noites de silêncio / Vozes que clamam num espaço infinito / Um silêncio do homem e um silêncio de Deus”.

    No sábado, 10 de agosto de 1974, frei Roland Ducret foi visitá-lo. Bateu à porta de seu quarto, na zona rural. Ninguém respondeu. Um estranho silêncio pairava sob o céu azul do verão francês e envolvia folhas, vento, flores e pássaros. Nada se movia. Sob a copa de um álamo, o corpo de Frei Tito dependurado por uma corda, balançava entre o céu e a terra.

    Ele tinha 28 anos.

    Em março de 1983, seus restos mortais retornaram ao Brasil. Acolhidos em solene liturgia na Catedral da Sé, em São Paulo, encontram-se enterrados em Fortaleza, sua terra natal. O cardeal Aros frisou que Tito afinal encontrara, do outro lado da vida, a unidade perdida.

    http://www.adital.com.br/freitito/por/irmao.html

    maria carmen souza de moura aguiar

    02/04/2014 - 13h11

    Imagino para um ser humano,passar por tudo que os torturados passaram,e ainda tem ser humano que se diz gente,achar isso normal e conviver com torturadores,acredito que as pessoas perdem a dimensão do que seja humano quando se dispõe a torturar pessoas,não consigo imaginar ter no meu circulo familiar,de amizade ou conhecidos alguem que foi ou é um torturador,as vezes fico a imaginar como essas aberrações da natureza pode viver normalmente,será que tem a real dimensão do que causou ao outro.
    Que Deus tenha misericordia dessas pessoas(será que é)

Sr. Indignado

31/03/2014 - 18h29

Lembrai, lembrai o primeiro de Abril
Os tanques, a traição, o ardil…
Por isso não se pode esquecer no Brasil,
uma traição à democracia tão vil!

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