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Cartas de Minas

Manifesto contra a violência da PM nos protestos de SP

15 de junho de 2013 às 17h55

MANIFESTO CONTRA A VIOLÊNCIA DA PM NOS PROTESTOS DE JOVENS PELO TRANSPORTE PÚBLICO 

A ação da Polícia Militar do estado de São Paulo em protesto de jovens contra o aumento das tarifas da passagem do ônibus, metrô e trem na capital paulista é mais um episódio na história de violência e desrespeito ao direito de organização e manifestação.

O direito de manifestação sofre permanente ameaça no país, mesmo depois de 25 anos de promulgação da Constituição Federal, o que demonstra que a democracia ainda não está consolidada no país. A PM do Estado de São Paulo, controlada pelo PSDB, mantém os métodos que desenvolveu na ditadura militar, reprimindo manifestações, efetuando prisões políticas de cidadãos e estimulando tumultos, inclusive com infiltrações para desmoralizar a luta e organização popular.

Não podemos esperar um comportamento democrático de uma PM liderada pelo PSDB que, em janeiro de 2012, mobilizou helicópteros, carros blindados e 2 mil soldados do Batalhão de Choque para fazer a reintegração de posse violenta de 1600 famílias que viviam desde 2004 no bairro Pinheirinho, em São José dos Campos (97 km de SP).

A legitimidade do protesto dos jovens contra o aumento das tarifas não pode ser desmoralizada por causa de ações equivocadas de uma minoria, que infelizmente não compreende que a sociedade está do lado daqueles que querem transporte barato e de qualidade para a população de São Paulo.

Apesar desses acontecimentos pontuais, a responsabilidade pela violência nos protestos é da Polícia Militar, que tem provocado o conjunto dos manifestantes, promovido o caos e agredido cidadãos que estão nas ruas exercendo o seu direito de manifestar de forma pacífica.

Esses protestos são importantes porque colocam em xeque uma questão central para a população da cidade, que é a mobilidade urbana. Os paulistanos perdem horas e horas todos os dias dentro de um carro ou ônibus parados no trânsito ou de um vagão de metrô e trem lotados. Horas que poderiam ser destinadas para ficar com a família ou para cultura, esporte e lazer, das quais são privados por causa de uma clara opção que privilegia o transporte privado e individual em detrimento do público e coletivo.

O histórico crescimento desordenado da cidade, o trânsito causado pelo número de carros nas horas de pico, a falta de linhas de metrô/trem, a baixa qualidade do sistema e a chantagem das empresas privadas concessionárias de ônibus, as altas tarifas do transporte público representam um problema social, que prejudica o conjunto da população, especialmente os mais pobres, que moram na periferia.

A lentidão da expansão do metrô é uma questão crônica da gestão do PSDB, que construiu apenas 21,6 Km de linhas do metrô, o que representa uma média de 1,4 km por ano. Com isso, São Paulo tem a menor rede metroviária entre as grandes capitais do mundo (apenas 65,9 km).

A gravidade dessa questão fez com que a mobilidade urbana fosse um dos temas centrais da campanha eleitoral para a prefeitura no ano passado. E o candidato Fernando Haddad, que acabou eleito, prometeu dar respostas que tocassem na raiz do problema.

A movimentação da prefeitura para adiar e realizar um aumento da passagem do ônibus abaixo da inflação do último período, dentro de um quadro de pressão das empresas concessionárias, não atende os anseios criados com a derrota dos setores conservadores nas eleições em São Paulo.

A resolução da questão urbana exige medidas estruturais, como a efetivação de um modelo de desenvolvimento, que prescinda o estímulo à indústria automobilística, e a implementação do controle direto sobre as tarifas por meio da municipalização dos transportes. Com isso, se evita soluções paliativas como a subvenção das concessionárias, financiando setores cujo interesse em lucrar se choca com a possibilidade de um sistema de transporte que atenda as necessidades da população.

Por isso, os protestos realizados pelos jovens ganham importância, uma vez que representam um sintoma do problema e constituem uma força social que pode apontar e sustentar mudanças estruturais na organização territorial e na mobilidade urbana. Essas mobilizações são um instrumento de pressão sobre as autoridades, para sustentar um processo de negociação, especialmente com a prefeitura, que esperamos que possa render conquistas para a população e acumular forças para novas lutas que virão.

Nesse processo, a mídia burguesa e os setores conservadores colocam uma cortina de fumaça sobre as soluções estruturais para as quais apontam os protestos, com a execração pública dos atos realizados por uma minoria. Esse tipo de cobertura coloca luz sobre os vínculos dos meios de comunicação da burguesia com as empresas automobilísticas (interessadas em vender mais carros), com as empresas privadas concessionárias de transporte (que lucram com a chantagem sobre a prefeitura) e com a especulação imobiliária (contrária à reorganização territorial).

Assim, manifestamos nosso apoio aos protestos dos jovens em defesa do transporte público, dos quais queremos contribuir para garantir a massificação e manifestação organizada e pacífica, condenamos a ação violenta da Polícia Militar, cobramos a libertação dos presos políticos e rechaçamos o aumento das tarifas de ônibus, metrô e trem.

ABGLT- Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais

ANEL – Assembleia Nacional de Estudantes – Livre

Centro de Estudos Barão de Itararé

Consulta Popular

CMP

FNDC

Fora do Eixo

JCUT- Juventude da Central Única dos Trabalhadores

JPT/SP- Juventude do Partido dos Trabalhadores da cidade de São Paulo

JSOL – Juventude Socialismo e Liberdade

JUNTOS!

Levante Popular da Juventude

MAB- Movimento dos Atingidos por Barragens

MNU- Movimento Negro Unificado

MST- Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

PJ- Pastoral da Juventude

PJMP- Pastoral da Juventude do Meio Popular
Quilombo

PSTU- Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado

REJU- Rede Ecumênica da Juventude

UBES- União Brasileira dos Estudantes Secundaristas

UJR- União da Juventude Rebelião

UJS- União da Juventude Socialista

UNE- União Nacional dos Estudantes

*Coleta de assinaturas continua: organizações/entidades que aderirem devem enviar e-mail para [email protected]

** Quem quiser assinar o manifesto, ou cliquaqui

Leia também:

Adriano Diogo: “Infiltraram policiais civis e militares no meio da garotada para incitar a violência”

 

14 Comentários escrever comentário »

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Edmar

19/06/2013 - 18h59

Enquanto fazemos manifesto por trasporte publico (ônibus) o jovem Neymar faz propagando de Veículos para mult Wolkvagem.Rivelino Embaixador da mesma estou andando a pé, minha casa minha vida organização criminosa MRV cade meu APE subsidiada pelo Governo Federal, desajuste social trabalho análoga a escravidão.
Esta construtora rouba água do subsolo com poços água artesianos clandestinos, o nordeste passando sede.
460 empreendimento no Brasil roubo de R$ 23.000.000,00 milhões ano.tenho provas

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No centro de São Paulo, manifestante dizia: “Foda-se o Brasil, nacionalismo é coisa de imbecil” | Blog do Fajardo

19/06/2013 - 08h57

[…] Manifesto contra a violência da PM nos protestos de SP […]

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Caio Martins, do MPL: Haddad tem hoje mais disposição para o diálogo que Alckmin - Viomundo - O que você não vê na mídia

17/06/2013 - 17h34

[…] Caio reafirmou um fato: o MPL conta com simpatizantes do PT, do PSOL e de outras tendências que não se organizam como partidos. É um movimento social apoiado por militantes do MST e de vários outros agrupamentos políticos. Veja aqui um manifesto contra a repressão policial ao movimento. […]

Responder

Willian

17/06/2013 - 11h09

Cadê o manifesto contra a violência no Rio e em Brasília?

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Fabio HS

17/06/2013 - 06h18

E o PSDB continua sendo o Partido a Serviço da Ditadura Brasileira. Lamentável.

Responder

José X.

16/06/2013 - 18h10

Bateu nos filhos da “classe média”, vamos fazer manifesto. Quando é nos professores ou no pessoal do Pinheirinho, nada.

Responder

    Luís

    17/06/2013 - 08h26

    Marilena Chauí curtiu esse comentário.

    Jose Mario HRP

    17/06/2013 - 09h37

    Que vontade do cara em bater palmas pra PM!
    Solta o grito cara!

Trevo da sorte

16/06/2013 - 01h04

Antes de apoiar, seria interessante saber quem está por trás desses protestos.
Vai que seja algum (eterno) candidato à presidência…

Responder

Fabio Passos

15/06/2013 - 23h45

alkmin mais uma vez atacou a populacao com violencia injstificavel.
A brutaludade e covardia da “elite” branca parece nao ter limites.

Responder

    Fabio Passos

    15/06/2013 - 23h55

Luís Carlos

15/06/2013 - 21h53

Apoio o manifesto. A truculência e violência da polícia militar de SP é revoltante, tanto quanto o apoio de veículos como Estadão e Folha, ou falas de Arnaldo Jabor e o promotor Zagallo.

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Gabro

15/06/2013 - 20h29

Dizem que ela existe pra ajudar
Dizem que ela existe pra proteger
(…)

E por aí vai…

Responder

Maria Lúcia

15/06/2013 - 18h18

Caro Azenha: Por favor não censure meu comentário, pois ele atende totalmente as normas do seu Blog.

Os autores do Manifesto esqueceram de identificar a PM como ela realmente merece ser identificada: “PM-SP”, comandada pelo PSDB.
Esqueceram ou foi de propósito para tentar jogar a culpa no Governo Federal? Ou será que todo mundo sabe que o governo federal não comanda a truculenta PM em todo o Brasil.

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