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Cartas de Minas
Cartas de Minas

Grupo da USP denuncia Abril, Globo e projeto tucano de censura a professores

26 de maio de 2015 às 09h26

queima de livros

Grande queima de livros pelos nazistas em 1933

Grupo de Estudos sobre Marx (GMarx) – USP *, sugerido por Antônio David e Carlos Quadros

O que seria o “ensino ideológico”? O que seria o “assédio ideológico”?

Estas duas questões se colocam com a tramitação na Câmara dos Deputados do Projeto de Lei (PL) 1411/2015, o qual prevê condenação ao “assédio ideológico” no ensino no Brasil. O PL é de autoria de Rogério Marinho (PSDB). Nas suas palavras: “A escola e o ambiente acadêmico precisam ser blindados de qualquer assédio ideológico e partidário, um crime covarde. É preciso garantir a liberdade de aprender”.

No Rio de Janeiro, o Deputado Flavio Bolsonaro já tinha apresentado em 2014 o PL “Escola sem Partido” para defender o “direito dos pais a que seus filhos menores não recebam a educação moral que venha a conflitar com suas próprias convicções“.

Sabemos que certos “moralistas” querem mesmo é um homeschooling homofóbico e racista. O ridículo das propostas costuma levá-las ao esquecimento em condições “normais”, mas num ambiente político em que o Congresso Nacional reverte até direitos trabalhistas e sociais que também julgávamos conquistados, qualquer pantomima fascistoide de um parlamentar nos preocupa.

O ambiente escolar e acadêmico são alvos privilegiados do assédio ideológico e partidário, ao menos nas gestões tucanas em São Paulo e no Paraná.

O aparelhamento (e sucateamento) da Universidade de São Paulo após vinte anos de governo do PSDB é notável, como, ademais, se dá em outras instâncias do estado. Estão frescas na memória de muitas e muitos as cenas bárbaras protagonizadas pela polícia de Beto Richa nas ruas de Curitiba contra os professores em greve. Não houve qualquer panelaço revoltado em seu nome!

A PM de Alckmin não fica para trás: a forte repressão das greves estudantis de 2009 e 2011 na USP com direito a cavalaria, esquadrão anti-bombas, choque e soldados suficientes para cercarem homem a homem o prédio da reitoria e o CRUSP foi digno da ditadura militar, deixando claro um dos mecanismos de funcionamento da democracia racionada.

Tampouco estes estudantes tiveram qualquer solidariedade, antes sofreram represálias da grande imprensa e dos sensacionalistas! A tática do governador agora é, para além da repressão, a negação da existência da greve de professores (assim como o faz com a crise hídrica). A negação é um dos estágios do luto…

Outra expressão da manipulação ideológica no ambiente acadêmico se dá através dos critérios das agências de fomento à pesquisa.

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por exemplo, também é uma instituição dos vinte anos de aparelhamento do estado pela direita tucana.

A seleção ideológica de direita ali se vale de camuflagem científica, a qual se opera através da desqualificação de estudos marxistas, os quais são acusados de não serem científicos por conterem princípios ideológicos.

Misturam-se a ignorância e a má fé nesta argumentação!

Toda e qualquer abordagem científica carrega ideologia em seu bojo. O referencial teórico marxista é caracterizado por um severo grau de cientificidade, justamente por reconhecer e assumir que é construído através de uma visão de mundo e com vistas a uma intervenção neste mundo.

Retornemos ao “ensino ideológico”.

De acordo com a direita brasileira, todo e qualquer ensino questionador, orientado teoricamente, com posição política do docente assumida, seria ideológico.

Ora, reproduzir o senso comum e impedir que as coisas mudem, não é um assédio ideológico? Não é uma posição política? A manutenção do status quo, ainda que dissimulada por um falacioso discurso de neutralidade, é sem dúvida um assédio ideológico. A ideologia, como a política, está em tudo!

Na justificação do PL 1411/2015, assim escreveu o deputado Rogério Marinho:

“A forma mais eficiente do totalitarismo para dominar uma Nação é fazer a cabeça de suas crianças e jovens. Quem almeja o poder total, o assalto à Democracia, precisa doutrinar por dentro da sociedade, estabelecer a hegemonia política e cultural, infiltrar-se nos aparelhos ideológicos e ser a voz do partido em todas as instituições. Para eles, é preciso calar a pluralidade, a dúvida saudável e substituir a linguagem, criando um ambiente onde proliferam mitos, inversões, clichês, destruição de reputações e conflitos desnecessários. Para o totalitarismo vingar, é preciso destruir a coesão social e as tradições da sociedade. Por isso, partidos autoritários necessitam calar a imprensa e os meios de comunicação, dominar o sistema de ensino, estabelecer a voz única, enfim, a hegemonia decantada por Antônio Gramsci (filósofo e político Italiano – 1891-1937). Esse expediente estratégico foi utilizado para a conquista e manutenção de poder dos fascistas, nazistas, comunistas e ditadores por várias nações. Hegemonia política significa que a voz do partido deve ser ecoada em todos corações. Por isso, a propaganda desonesta, o marketing mentiroso, a idolatria por indivíduos, a falsificação da realidade e a tentativa de reescrever a História, forjando o passado.” Narciso apenas consegue enxergar o seu espelho!

O projeto de lei deste parlamentar tucano não se caracteriza, justamente, por calar a “pluralidade” e a “dúvida saudável” ao censurar os profissionais formados para suscitar o espírito crítico na escola, seu lugar de excelência?

Talvez a tarefa de pensar e intervir na sociedade para o deputado caiba apenas aos meios de comunicação amigos de seu partido. O pensamento único se manifesta neste assédio ideológico que é tal PL!

É a “falsificação da realidade” que Marinho acusa. Assalto à democracia através da mentira e deturpação conceitual (comentar a sua leitura capciosa de Gramsci seria desperdício de tinta).

A Revista Veja, anos atrás, veiculou matéria denunciando o que chamou de “doutrinação marxista”.

Quando tentaram restringir a sala de aula brasileira de “conteúdos políticos”, em nome da defesa nacional contra “o perigo vermelho”, o que se viu foi a exclusão da Filosofia e da Sociologia do currículo, bem como a deturpação da disciplina de História, em nome das intervenções ideológicas, travestidas de disciplinas escolares, chamadas de Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política Brasileira.

Duplo assédio: ideológico no colégio, físico e direto nas ruas! Aquelas disciplinas só serviram a um fim: produzir livros didáticos de baixa qualidade escritos por militares que se locupletaram juntamente com empresas editoriais.

A Rede Globo, com as palavras de Ali Kamel, também denunciou “conteúdo subversivo” em seus órgãos. Os interesses da Editora Abril e da Globo conseguem ser menos nobres ainda do que os dos setores golpistas em 1964!

A sua estratégia macarthista, para além de agradar o gosto de seu público imbecilizado, corresponde aos interesses de grandes grupos produtores de material didático, em que se incluem os próprios conglomerados citados, tendo em vista retirar de mercado livros já consolidados no Ensino de História.

A escola também é, por definição, um espaço de formação, tal qual a família ou a religião do aluno (para aqueles que professam alguma fé). E formação é um momento de construção de pensamento crítico.

Enganam-se, e enganam aos outros, aqueles que acreditam que a liberdade de aprendizado se opera em uma sala de aula censurada. A ideologia hegemônica não é imposta por professores e professoras, de resto espancados e mal pagos, mas sim por organismos midiáticos que, apoiados em concessões públicas ou em vultosas assinaturas para distribuição de seus escritos no ensino básico, possuem a plena liberdade para a mentira. Eis o real assédio!

Contra a escola sem partido, preferimos a sala de aula sem censura!

PS do Viomundo: O Gmarx surgiu em 2009 como grupo de pesquisa com o objetivo de discutir os vários marxismos no âmbito da Universidade. Ele congrega estudantes de graduação e pós-graduação, professores universitários, mas também estudantes ou autodidatas de fora da universidade.

O Gmarx se posiciona publicamente na defesa dos valores humanistas, da educação pública gratuita para todas as pessoas, a favor de cotas e procura integrar prioritariamente mulheres e negros, reconhecendo suas dificuldades em atingir tais objetivos.

Leia também:

Roberto Amaral articula Frente Nacional Popular contra a emergência reacionária 

 

35 Comentários escrever comentário »

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leprechaun

27/05/2015 - 16h05

“A escola também é, por definição, um espaço de formação, tal qual a família ou a religião do aluno (para aqueles que professam alguma fé). E formação é um momento de construção de pensamento crítico.”

Pode ficar tranquilo que isto é uma coisa que não tem a menor chance de acontecer na escola pública de hoje. Aliás, quem conhece a escola pública sabe que nada relevante acontece, não forma cidadãos críticos, não ensina a ler nem a escrever o básico, não transmite nem constrói conteúdos, não forma para a cidadania nem molda uma cultura de paz, não compete ideologicamente com a mídia nem com o crime, tornou-se tão só uma creche para adolescentes, onde por algumas horas os pais se livram dos seus filhos, ou pq não aguentam ou pq precisam trabalhar……essa é a pátria educadora, ou a pátria das creches…….mas, a culpa, a culpa é dos professores que não são criativos nem motivadores

Responder

carlos

27/05/2015 - 15h30

“O aparelhamento (e sucateamento) da Universidade de São Paulo após vinte anos de governo do PSDB” – a USP é uma Universidade FEDERAL…mas a verdade não é uma virtude da esquerda…
Sou pai e os professores esquerdopatas vão sofrer muito nas mãos do meu filho e da nova geração que vem por aí. Podem se preparar!!!

Responder

    leprechaun

    27/05/2015 - 16h08

    a USP é federal ?!?!?! qua qua qua qua…..não sabe o básico

    Sabino Bahia

    27/05/2015 - 22h44

    “a USP é FEDERAL”

    tá aí mais um Jênio formado por Roger Moreira e cia.

    Octavio

    30/05/2015 - 11h36

    Ele tá certo. São Paulo é um país e fica ao lado de Miami.

Evandro de Manaus-AM

27/05/2015 - 09h37

O que significa “homeschooling”? Seria algo como “educação doméstica”?

Responder

    Plínio

    27/05/2015 - 13h58

    Sim, é “educação doméstica”, ou seja, manter seu filho longe de quem possa mostrar a ele que existem outras coisas, pessoas e ideias no mundo além daquelas que você quer que ele conheça.

    leprechaun

    27/05/2015 - 16h01

    não é só isso, é um processo de desescolarização que pode ser saudável na atual conjuntura da escola pública, que após algumas décadas tornou-se uma creche para adolescentes, onde alguns poucos que poderiam progredir nesse modelo de ensino não tem mais chances devido à balbúrdia generalizada na qual a escola pública foi tomada, pode ser a oportunidade para que alguns se salvem

marcio ramos

27/05/2015 - 07h55

Muito bom o texto. Pauta que não pode ser esquecida. Tem muita gente que não presta no comando de nossas escolas querendo fazer da sala de aula um prolongamento do PIG.

Responder

Sabino Bahia

27/05/2015 - 02h45

Parabéns ao GMarx pela denúncia incisiva e oportuna e ao Viomundo por veicular texto tão importante nestes tempos conservadores!

Citar o problema que se coloca da “Falsa Consciência Ideológica”, de acordo com o pensamento de István Mészáros, seria esperar demais de nossa direita absolutamente retrógrada. Os fascistas se operam assim como este deputado: acusando da prática que, a partir da manipulação e do senso comum, de forma mascarada são os próprios praticantes. Enganam em absoluto ao dizerem que querem garantir a liberdade de ensino, quando, justamente, querem dar a última pá de terra nesta.

Novamente, ressalto a importância deste texto de denúncia! Uma leitura necessária!

Responder

Felipe

26/05/2015 - 21h42

Muito bom.

Parabéns ao Viomundo e ao Gmarx.

Responder

Messias Franca de Macedo

26/05/2015 - 21h33

DA FAMIGERADA SÉRIE ‘TUDO A Veja’!

###################

Um crime de imprensa: como o Fantástico matou o futuro de cinco crianças

O CASO DO TRÁFICO DE BEBÊS EM MONTE SANTO-Ba

TER, 26/05/2015 – 14:01

Por jornalista Luis Nassif

FONTE [LÍMPIDA!]: http://jornalggn.com.br/noticia/um-crime-de-imprensa-como-o-fantastico-matou-o-futuro-de-cinco-criancas

REDE GLOBO É DESMASCARADA NO CASO DAS ADOÇÕES DE MONTE SANTO-BA

https://www.youtube.com/watch?v=92GRBDUPI0c

Responder

Marat

26/05/2015 - 21h05

Com um Congresso recheado de BBBs, os deputados incompetentes e obscurantistas põem as manguinhas de fora. Estamos todos fartos da incompetência desses desmiolados tucanos, que apenas sobrevivem graças à essa impre$$$a 50 tons de marrom! Está na hora de o povo aprender a votar aqui em SP. Chega de obscurantismo!!!
Esse é um recado para os pobres que convivem com a falta d´água, para os pobres que aguardam pacientemente a criação de estações de trem e de metrô e para os pobres que estão vendo o sistema de ensino de SP ser destroçado!

Responder

Cláudio

26/05/2015 - 19h13

:
Ouvindo A Voz do Bra♥S♥il e postando:
* 1 * 2 * 13 * 4
*************
Um poema (acróstico) para Dilma Rousseff, a depenadora de tucanus :
.
D ilma, coração valente,
I magem de todo o bem em que se sente
L ivre o amor maior pela brasileira gente
M uito humana e inteligente
A PresidentA do nosso Lula 2018 de novo Presidente
.:.
D uas vezes contra o espectro atro
I nscreveu já seu nome na história
L utando contra mídia venal & Cia e seu teatro
M ulher forte de mais uma vitória
A deixar tucanus na ó-posição de quatro ! ! ! ! de quatro ! ! ! ! de quatro ! ! ! ! DE QUATRO ! ! ! !
* * * * * * * * * * * * *
Ley de Medios Já ! ! ! !

Responder

Hermes Correa

26/05/2015 - 17h35

Ninguém fala do Assédio Midiático do pensamento único e da tentativa de se estabelecer a hegemonia de um pensamento de ódio, de neoliberalismo, de intolerância, de estado mínimo. Nesse caso, diriam os canalhas, seria censura. No caso do mundo acadêmico, o que seria? Liberdade?

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RONALD

26/05/2015 - 17h16

“A forma mais eficiente do totalitarismo para dominar uma Nação é fazer a cabeça de suas crianças e jovens. Quem almeja o poder total, o assalto à Democracia, precisa doutrinar por dentro da sociedade, estabelecer a hegemonia política e cultural, infiltrar-se nos aparelhos ideológicos e ser a voz do partido em todas as instituições. Para eles, é preciso calar a pluralidade, a dúvida saudável e substituir a linguagem, criando um ambiente onde proliferam mitos, inversões, clichês, destruição de reputações e conflitos desnecessários. Para o totalitarismo vingar, é preciso destruir a coesão social e as tradições da sociedade”.
Este argumento cretino acima é tudo que esses movimentos fascistas usam contra a sociedade. Acho que recortaram e colaram de seus manuais sombrios.
A pluralidade é essencial, o pensamento multifacetado, o respeito pela democracia, respeito pelos professores, o respeito pela vontade da maioria; tudo que esses fascistas do PSDB e afins se recusam a seguir desde sempre e mais depois da grande derrocada das eleições presidenciais de 2014.
O ódio é tanto que estão com os cérebros embotados.

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Francisco

26/05/2015 - 16h48

Piaget é alinhado com o pensamento construtivista de tradição individualista (liberal). Vygotsky com o pensamento construtivista de tradição coletivista (socialista).

Como poderei ensinar a ler e a escrever sem ser preso? Como poderei ensinar matemática sem cometer crime?

O método de ensino é permeado por uma perspectiva política.

Uma ameba anencéfala que já tenha lido UM livro sobre História da Educação ou lido UM livro sobre Filosofia da Educação sabe que Bolsonaro é um indivíduo, pelas declarações que dá, totalmente INCOMPETENTE para discorrer sobre o assunto em pauta.

Aguardamos ansiosamente a regulamentação do uso da burca…

PS. Porque ele não cria uma escola particular e coloca o filho dele lá? Quem é esse Deputado Deus para OBRIGAR a sociedade brasileira a viver pelos parâmetros dele? Quem é o autoritário?

Responder

Ricardo

26/05/2015 - 15h39

Sr. Romanelli, a constituiçao não está sendo descumprida. “A interpretação do texto constitucional, que busca e valoriza a vontade da Constituição, tende a dar ao texto positivo um significado sempre atual, sempre arejado pelas tendências da sociedade de momento. A doutrina denomina de Mutação Constitucional ao mecanismo de reforma informal da Carta Magna, que nada mais é do que o processo hermenêutico de adaptação da CF conforme a realidade social de cada “época” sem modificar o seu texto.
Exemplo disso é a nova releitura do princípio da igualdade que passou a ser entendido como tratar desigualmente os desiguais, trazendo para o contexto social as chamadas discriminações positivas (ações afirmativas), que não mais ignoram as diferenças, mas as ressaltam, em favor da garantia de direitos – estatuto do idoso, cotas para negros e minorias raciais, deficientes, homossexuais – são assuntos que ultimam o debate nacional, sendo que sobre alguns desses temas já se tem posição oficial, exemplificando casos de mutação constitucional sem mudança do texto escrito”.

Responder

Fernando

26/05/2015 - 15h28

As besteiras do deputado Rogério Marinho encontraram eco nas falas do desafortunado comentarista Romanelli. Sugiro aos dois uma leitura de qualquer livro de Moniz Bandeira, Boris Fausto, Milton Santos ou qualquer outro autor que pense o Brasil dez níveis acima de Marco Antônio Villa ou Demétrio Magnolli. Imagino que para ambos, Gramsci ou Marx são possibilidades difíceis, senão inalcançáveis, do entendimento de categorias analíticas tais como liberdade, mais-valia, ideologia, conhecimento etc. E antes que eu me esqueça: Todo o meu respeito ao Gmarx.

Responder

abolicionista

26/05/2015 - 15h26

E mais absurdo é que a Fapesp realmente nega o apoio a projetos que tenham fundamentos marxistas. Sou pesquisador e sei muito bem que a gente não deve colocar obra de filiação marxista quando envia projeto de pesquisa pra Fapesp. O problema é que, segundo esse critério, as melhores pesquisas feitas no Brasil na área de humanidades e hoje consagradas, nunca teriam saído do papel.

Responder

    JC

    26/05/2015 - 19h44

    Caro Abolicionista,

    Como paralelo, e igualmente importante por tudo que envolve ou contém no seu bojo: Quem se arrisca em nossas universidades a contrariar numa tese de doutorado, ou em qualquer outra que seja, os ‘sagrados princípios’ em que baseia a agricultura da Monsanto? Cordial abraço,
    JC

Cleito Pinto Ribeiro

26/05/2015 - 14h52

O que me espanta é a presunção de uma “ciência” pura, não ideológica, imparcial, fora do “mundo”… O resto não me espanta, aliás, nem um pouco. Qual o próximo passo? Queimar as obras “degeneradas”? Começaremos por quem? Por Locke, Rousseau, Smith, Ricardo ou Marx? Por Mises? Ou, quem sabe, pela aberração do Villa (Nesse caso, justificável, creio eu…)?
É tão absurdamente patético isso que não mereceria sequer comentário. Mas, do jeito que as coisas andam, não comentar e não rebater constituiria uma omissão imperdoável.

Responder

Astrogildo Leal

26/05/2015 - 13h35

Os canalhas defendem a Liberdade de Imprensa, o Financiamento Privado nas Campanhas Eleitorais, mas proíbem a Liberdade de Aprender, a Liberdade de Leitura. Tudo começa nas eleições municipais. o povo não é bobo, o povo não tem medo. Vamos dar o troco nas eleições municipais de 2016, vamos varrer todos os mercenários, fisiológicos da política nacionais. Basta de políticos apoiados pelo PIG, abaixo os filhos desses políticos do Congresso Nacional.

Responder

Urbano

26/05/2015 - 12h16

A sujeição a fascistas é tamanha, que bocoió chega a se oferecer (por porta travessa) em holocausto…

Responder

Edgar rocha

26/05/2015 - 11h57

A tática da direita é clara: acusar antes de ser acusado. Não é de hoje que se fomenta na rede pública de educação o discurso e a prática anuladores do pensamento crítico, sob o pretexto de neutralidade e respeito aos valores da sociedade trazidos de casa pelos alunos. Não me lembro de ver na categoria de educadores grandes críticas a este pensamento “respeitoso”. É fácil lidar com temas polêmicos quando o princípio é este. Quando muito, o que se propunha era a apresentação do contraponto às ideias, com ressalvas sobre os riscos enfrentados pelo educador que decide polemizar um tema. “Dá processo”!
A realidade forjada pelas influências externas, pela dinâmica social que controla o pensamento e pelos valores transmitidos pela mídia só podem ser confrontados na escola e todos sabem disto! Assim, o Estado vende a ideia de que os valores incutidos têm de ser respeitados, sejam eles quais forem, apoiando a educadores que bovinamente abrem mão de seu papel e corroboram os valores externos, excluindo assim a liberdade de pensamento.
Contudo, o texto forjado pelo deputado, definindo a prática autoritária de morte do pensamento está correto. As práticas são estas mesmas. E, de qualquer forma, apostou-se nelas tanto a direita quanto a esquerda. Agora, com o desejo de se concretizar um projeto autoritário não mais escondido sob a aura democrática, ganha quem acusar primeiro o outro de algo que já era inquestionável para ambos os times políticos. Não importa quem acuse primeiro, a vitória será do autoritarismo, independente de seus agentes serem da esquerda ou da direita. É só uma questão de quem estará no comando.

Sei que vão dizer que estou tentando colocar todos no mesmo balaio. É verdade, estou mesmo. Mas, coloco apenas os que lançaram mão dos mecanismos autoritários de manipulação. Tem gente que ama o pensamento livre tanto na esquerda quanto na direita. Eu ao menos os conheci em ambos os lados. Esta questão paira sobre os rótulos políticos. É preciso, portanto, romper com a prática autoritária incondicionalmente e defender a educação real deste projeto que só fará consolidar a falsa neutralidade da escola em relação ao mundo além de seus muros.

Responder

Julio Silveira

26/05/2015 - 11h09

O Brasil é um país em que a politica, e as escolhas políticas, deveriam ser discutidas como um assunto escolar desde a infância, em nossa sociedade. Querer esconder a politica da cidadania, não esclarecer sobre o que vem a ser, mas fazê-la viver sob regras políticas, tem sido uma das formas de manipular toda a sociedade, emprestando um desprazer sobre o assunto que tem transformado algo tão fundamental em negação. Essa tem sido uma estratégia magistral das elites detentoras, de fato, do poder em nossa sociedade, esses aí citados, que se revesam, mas que sempre deixam seus representantes em posição de forte poder para representá-los. Criaram o binomio ignorância politica com ogeriza a politica, onde grande maioria da cidadania não se ve como parte do processo, e ainda acreditam que com essa visão estão fora dele, sem responsabilidades. A irresponsabilidade politica é um produto fabricado no Brasil.

Responder

Sidnei Brito

26/05/2015 - 11h08

Engraçado não aparecer ninguém para defender, por exemplo, “concessão pública sem partido”.
E que tal algum deputado fazendo escarcéu contra o “aliciamento ideológico da mídia”?
Teria mais a ver…

Responder

FrancoAtirador

26/05/2015 - 10h46

.
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A PRIVATIZAÇÃO DO MUNDO
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Por Robert Kurz [*], no Resistir.info, via GGN
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É de supor que a Natureza já existisse antes da economia moderna.
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Daí o fato de a Natureza por si própria ser grátis, sem preço.
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Isso distingue os Objetos Naturais sem elaboração humana
dos resultados da Produção Social, que já não representam a Natureza “em si”,
mas a natureza transformada pela Atividade Humana.
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Esses ‘Produtos’, diferentemente dos objetos naturais puros,
nunca foram de livre acesso; desde sempre estavam sujeitos,
segundo determinados critérios, a um modo de distribuição socialmente organizado.
.
Na Modernidade, é a forma da Produção de Mercadorias que regula essa Distribuição
no modo do Mercado, segundo os critérios de Dinheiro, Preço e Procura (Solvente).
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Mas é um problema antigo que a organização da sociedade tenda a obstruir também
o livre acesso a um número crescente de recursos pré-humanos da Natureza.
.
Essa ocupação traz, das mais diversas formas,
o mesmo nome que os produtos da atividade social,
a chamada “Propriedade”.
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Ou seja, acontece um ‘quiproquó’:
outrora livres, os objetos naturais não elaborados pelo ser humano são tratados
exatamente como se fossem os resultados da forma de organização social,
e daí submetidos às mesmas restrições.
.
A mais antiga ocupação dessa espécie é a da terra.
A terra em si não é naturalmente o resultado da atividade produtiva humana.
Por isso também teria de ser, em si, de livre acesso.
Quando muito, a terra já transformada, lavrada e ‘cultivada’
poderia estar submetida aos mecanismos sociais;
e, nesse caso, teria de se tornar propriedade daqueles indivíduos que a cultivaram.
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Mas, como se sabe, não é exatamente esse o caso.
Justamente a terra ainda de todo inculta é usurpada com violência.
Já na Bíblia há a disputa entre lavradores e criadores de gado por território (Caim e Abel)
e, entre os pastores nômades, por ‘pastos mais férteis’.
A usurpação do solo ‘virgem’ é o pecado original e hereditário da “dominação do homem sobre o homem” (Marx).
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As Aristocracias de todas as altas Culturas Agrárias Repressivas se formaram na origem
por essa Apropriação Violenta da terra, literalmente à clava e dardo.
.
Contudo a propriedade nas culturas agrárias pré-modernas nem de longe se parecia
com a propriedade privada no sentido atual.
Isso significava, antes de tudo, que a propriedade não era exclusiva ou total.
A terra podia ser utilizada e cultivada também por outros, que em troca
pagavam certos tributos (a renda feudal na forma de víveres ou serviços)
aos proprietários, estes originariamente violentos.
Mas havia ainda possibilidades de uso gratuito.
Por exemplo, em muitos lugares, os camponeses tinham a permissão de conduzir seus porcos
até às terras incultas do senhor feudal, segar ali forragens crescendo livremente
ou recolher outras matérias naturais.
Diferentes possibilidades de uso livre nunca deixaram de ser controversas, como o direito à caça e à pesca.
Quando os senhores feudais tentavam estabelecer proibições nesse sentido, estas quase nunca eram obedecidas.
Assim, o caçador e o pescador ilegais passaram a figurar entre os heróis da cultura popular pré-moderna.
.
A DITADURA DA PROPRIEDADE E A ECONOMIA TOTALITÁRIA
.
A Propriedade Privada Moderna reforçou monstruosamente a Submissão da Natureza ‘Livre’
à forma da organização social, obstruindo assim o acesso aos recursos naturais com um rigor nunca visto.
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Essa Intensificação da Tendência Usurpadora tem sua razão no fato de a ocupação ser efetuada agora
não mais pelo ato pessoal e imediato de violência, mas pelo Imperativo Econômico Moderno,
representando uma Violência “Coisificada” de segunda ordem.
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A violência armada imediata manifesta-se ainda hoje na ocupação dos recursos naturais,
mas ela é já coisificada de forma institucional na própria figura da Polícia e do Exército.
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A violência que sai dos canos das espingardas modernas já não fala por si mesma;
ela tornou-se mero Agente do Fim, em si mesmo, Econômico.
.
Esse Deus Secularizado da Modernidade, o Capital como “Valor que se Autovaloriza” incessantemente (Marx),
não aparece, porém, apenas na figura de uma coisificação irracional;
ele é ainda muito mais ciumento que todos os outros deuses antes dele.
.
Por outras palavras: a Economia Moderna é Totalitária.
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Ela tem uma Pretensão Total sobre o Mundo Natural e Social.
Por isso, tudo o que não está submetido e assimilado à sua Lógica Própria
é para ela fundamentalmente uma espinha na garganta.
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E, como sua Lógica consiste única e exclusivamente na Valorização Permanente do Dinheiro,
ela tem de odiar tudo o que não assume a forma de um Preço Monetário.
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Não deve haver nada mais debaixo do céu que seja gratuito e exista por natureza.
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A Propriedade Privada Moderna representa somente a Forma Jurídica Secundária dessa Lógica Totalitária.
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Ela é, por isso, tão Totalitária quanto esta: o uso deve ser um Uso Exclusivo.
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Tradução: Luís Repa
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Íntegra em: (http://jornalggn.com.br/noticia/a-privatizacao-do-mundo-por-robert-kurz)
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Responder

Estudante de História

26/05/2015 - 10h24

Há alguns graduados de Pedagogia estudando História. Todos que encontrei são a favor da redução da maioridade penal, não aceitam que o cidadão seja moldado pela sociedade, nem quando lê Rousseau; posicionam-se contra a “venezualização” e, quando expressamos pensamentos contrários somos brindados com um sorriso e a frase “Ah! você é petista”. E não são caucasianos ou classe média. A desmoralização dos cursos de humanas (medicina, direito, pedagogia, psicologia, história, etc. ) parece ligada ao aumento do conservadorismo.

Precisa mais ação popular e Brasília não é fácil de alcançar. Que canais oficiais podemos utilizar? Quais áreas do conhecimento poderão se somar aos movimentos já existentes para representar as massas contra esse congresso, senado e judiciário?

Responder

FrancoAtirador

26/05/2015 - 10h04

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“A estratégia macarthista, para além de agradar o gosto de seu público imbecilizado, corresponde aos interesses de grandes grupos produtores de material didático,
em que se incluem os próprios conglomerados citados [Grupos Globo e Abril],
tendo em vista retirar de mercado livros já consolidados no Ensino de História”
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Responder

    FrancoAtirador

    26/05/2015 - 12h10

    .
    .
    E aí substituem um Historiador
    do nível de “Moniz Bandeira”
    por um estoriador Villão…
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Romanelli

26/05/2015 - 09h54

Pra não dizer que não disse.
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Sou a favor da ESCOLA SEM PARTIDO nem ideologia ..mas com aprendizado de qualidade, de história e geografia, de filosofia científica, e com aulas também (embora pareça óbvio, mas é o que menos tenho visto ultimamente)
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Sou a favor da cidadania ..contra benefícios específicos dados só a negros e/ou mulheres, como a brancos e/ou homens tb
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Sou contra a greve que afeta a cidadania (na saúde, segurança, transporte de massa, justiça e, principalmente no ENSINO), quer seja feita contra as políticas de HADDAD, Marta, Dilma, Kassab ou Alckimin
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GREVE legítima, pra mim, é a que luta contra a MAIS VALIA ..o resto é se tomar a sociedade indefesa e fazê-la ainda mais de vítima. (principalmente os mais explorados e sem alternativas)
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Defendo a padronização mínima do ensino básico ..com cronograma e métodos mínimos NACIONAIS, com o APRENDIZADO da Constituição como OBRIGATÓRIO ..isso pra que nosso povo aprenda e decore, no mínimo, o que nos diz o 5o artigo ..este que até o atual STF, que apoiou as cotas RACISTAS, finge não ver
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Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: ..mais leia:
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http://www.senado.gov.br/legislacao/const/con1988/CON1988_05.10.1988/art_5_.shtm

Responder

    Seu Zé

    26/05/2015 - 12h14

    Essa é sua primeira queima de livros, Sr. Romanelli?

    abolicionista

    26/05/2015 - 12h49

    Questão retórica: como os trabalhadores farão greve contra Mais-Valia se não souberem o que é isso?

    Cassius Clay Regazzoni

    26/05/2015 - 23h18

    Você já foi menos imbecil.

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