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Greenwald: Grande mídia dos EUA é escudo e megafone do poder

01 de julho de 2013 às 11h53

Glenn Greenwald é o jornalista que está contando ao mundo como funciona o sistema de monitoramento de conversas telefônicas e eletrônicas da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos.

Foi ele quem entrevistou, em Hong Kong, o ex-funcionário terceirizado da NSA, Edward Snowden. Na última semana, Greenwald participou, via Skype, da Conferência Socialista em Chicago como convidado especial. Do Rio de Janeiro, onde mora, ele denunciou a conivência da grande mídia norte-americana com o poder e descreveu a impressionante tranquilidade e paz de Snowden ao tomar a decisão de denunciar o sistema de vigilância mundial que o governo estadunidense montou, mesmo sabendo que terá que fugir do império o resto da vida — ou passará os muitos anos que tem pela frente na cadeia. Snowden tem apenas 29 anos.

Greenwald, sempre irônico, disse que acaba de receber o melhor prêmio de jornalismo com o qual poderia sonhar. O blog dele no jornal britânico The Guardian foi bloqueado em todas as instalações do exército norte-americano no mundo. “Vou plastificar, emoldurar e botar na parede”, disse. Relembrou o discurso feito pelo veterano jornalista David Halberstam, em 2005, na Universidade de Columbia.

Quando lhe perguntaram qual foi o momento mais gratificante da carreira ele não pestanejou: contou que quando era correspondente do New York Times no Vietnã cansou de testemunhar o que se passava nas ruas e ouvir versões absurdas nas coletivas das forças armadas. Questionava os oficiais agressivamente, apontava as mentiras que estavam contando, até as Forças Armadas pedirem ao NYT que Halberstam fosse retirado do posto. Um orgulho!

Para Greenwald, esse é um bom termômetro. Quando um jornalista consegue irritar o poder tanto assim, é porque está fazendo um bom trabalho. Em compensação, relatou, Bill Keller, que foi editor executivo do New York Times durante o governo George W. Bush deu entrevista à BBC e tentou mostrar a grande diferença entre o jornal e o Wikileaks, já que os dois publicaram documentos repassados por Bradley Manning. O Wikileaks, disse Keller, publica tudo o que quer, enquanto o NYT foi ouvir o governo Obama para saber o que deveria ou não publicar e obedeceu direitinho as orientações. Para Keller, o bom comportamento é motivo de orgulho e sinônimo de responsabilidade.

A relação de Greenwald com a grande mídia americana piorou nas últimas semanas, depois que ele aceitou ser entrevistado pelo programa Meet the Press, que vai ao ar domingo de manhã. O apresentador David Gregory, já quase no fim da entrevista, perguntou a Greenwald se ele não deveria ser preso e processado pela lei de espionagem, já que revelou documentos secretos da NSA. Como uma pessoa que se diz jornalista pode pedir a prisão de um jornalista por ele ter feito o trabalho que deve fazer?, pergunta Greenwald. Ele mesmo responde. Explica que a grande imprensa norte-americana vaza todo tipo de informação o tempo todo. Mas somente as informações que interessam ao governo.

Deu um exemplo.

— Noventa segundos antes de pedir a minha prisão, tivemos uma discussão sobre a decisão da justiça em um processo de 2011, que considerou ilegais várias práticas da NSA. Falei com base nos documentos que tenho. E ele disse, não, a maneira com que você  está descrevendo essa opinião está errada. Uma pessoa do governo me disse que a decisão não concluiu que o governo fez algo errado ou ilegal. O governo apenas pediu permissão para fazer certas coisas, que a justiça não permitiu. Essa alegação [de Gregory] é totalmente falsa. Sei porque li os documentos ao invés de ouvir o que representantes do governo sopraram no meu ouvido.  Mas, noventa segundos depois, ele pediu que eu fosse processado por divulgar informações secetas, quando ele mesmo tinha acabado de revelar o conteúdo de um documento secreto, descrito a ele por alguém do governo.

Ou seja, conclui Greenwald, vazamento de informação que contraria as vontades do governo deve ser punido, enquanto o que obedece à política do estado é recompensado com dinheiro, privilégio e acesso. A chamada grande imprensa dos Estados Unidos, segundo Greenwald, funciona como escudo e megafone do poder. Sai na frente para destruir quem desvia da rota, tentando desacreditar e até mesmo levantar o passado dos que divergem. Acusam até por suposto desequilíbrio mental. O chamado character assassination. Assassinato de caráter.

No fim da palestra, o jornalista destacou a coragem de Edward Snowden. Tão novo, ele sabia que estava arriscando a vida em nome de denunciar um sistema mundial de monitoramento que, acredita, deve ser desmontado o quanto antes. “A coragem é contagiosa”, disse Greenwald. “Ela afeta quem está à sua volta e essas pessoas afetam outras. Nunca podemos duvidar da capacidade que um indivíduo tem de mudar o mundo”.

Abaixo, em inglês, a fala de Greenwald na conferência socialista:

 

34 Comentários escrever comentário »

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Ednaldo Vieira osta

16/07/2013 - 17h17

Salvo raríssimas exceções,toda grande mídia brasileira faz um trabalho ainda mais sujo,dar-se a certeza que são americanos em território brasileiro.É só observar seus editoriais dos últimos doze anos.Eles tem um ódio visceral da social democracia em expansão na América Latina. Glenn Greenwal e Edward Snowden, vocês estão de parabéns!

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anac

08/07/2013 - 05h53

A direita estadunidense na disputa com Obama pelo governo em seu primeiro mandato dizia ser Barack o anticristo, um ser dissimulado que na realidade representa o mal. Parece que a direita dos USA tem razão.
O governo estadunidense de Obama não só espiona mas controla ideologicamente a maior parcela da internet principalmente a relacionada as empresas multinacionais estadunidenses como facebook, Não é por acaso que o facebook em uníssono é contra qualquer coisa que diga respeito a um Brasil autônomo, independente e soberano perante o império USA. Conspiram contra o governo que ousou confrontar o império USA ao recusar que suas autoridades retirasse os sapatos nas alfandegas dos aeroportos estadunidenses ou de submeter-se aos desmandos das instituições internacionais controlada pelos USA como o FMI. Não por acaso a maioria do facebook que se alia a conspiração para desestabilizar o Brasil é da classe mrdia que tem como maior realização de vida comprar bugigangas em Miami. Não vencerão!!!!

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07/07/2013 - 13h46

[…] Gleen Greenwald: Grande mídia dos EUA é escudo e megafone do poder […]

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Jr Fidalgo

02/07/2013 - 18h46

QUEM AGITA O BRASIL E O QUE O FACEBOOK TEM A VER COM ISSO? http://xeque-mate-noticias.blogspot.com.br/2013/07/quem-agita-o-brasil-e-por-que-o-que.html#more

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m.a.p

02/07/2013 - 14h36

PREZADO JORNALISTA
É moçada , o “barato é loco”; e o pior e que tem militares com ideias de comprar os caças nos “Esteites” que certamente já viraõ com chips de localização.
Visão estratégica zero!

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cid elias

02/07/2013 - 13h35

Prum país que derrubou as torres gêmeas a troco de mais poder/dinheiro, nada mais me assusta…

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    anac

    08/07/2013 - 06h04

    No minimo, a CIA, NSA e FBI foram negligentes permitindo que o atentado contra as torres gêmeas ocorresse para justificar a invasão ao Iraque, quando não só controlaria o petróleo produzido naquele país , mas facilitaria o controle do oriente médio por Israel, que teria como próximo passo a declaração de guerra contra o Irã culminando com a invasão do seu território. Acredito entretanto que o governo Bush não foi só mero expectador mas deu também condições técnicas para o atentado contra a torre gêmeas se concretizasse com sucesso. Foi participante ativo no atentado.

Mardones

02/07/2013 - 10h36

Manning, Snowden e Cartwright já conquistaram – cada um – seu lugar na história do lado do bem.

O sistema será destruído a partir de seu próprio interior. Sem esses sujeitos jamais teríamos provas da demagogia yankee sob o governo do Obama.

Mais do que nunca, a América do Sul tem motivos para fortalecer seus sistemas políticos e relações econômicas para longe dos EUA.

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Julio Silveira

02/07/2013 - 09h57

Sempre tive um desprezo pela expressão “cidadão do mundo” da forma como foi cultivada para adesões. Visão montada para ser dada a uma pessoa bem sucedida, que sai ao mundo após conquistar ascensão financeira e cultural superior, lhes possibilitando ser aceito, dentro das regras estabelecidas, como cidadão de interesse para qualquer país, diga-se de passagem parâmetros capitalistas, onde o individualismo é estimulado. Mas tenho reavaliado a expressão vendo nela a possibilidade de uma nova interpretação, outra perspectiva, “cidadão do mundo” para todos esses homens que através de sua coragem despejam na sociedade a possibilidade de questionamentos sobre a forma como podem ser deturpados os preceitos humanistas que devem reger as sociedades, possibilitando a prevenção contra os namoros autoritários que podem estar inconscientemente ou não na ordem do dia de grupos de poder. Esses devem e podem ser considerados os verdadeiros cidadãos do mundo, nomenclatura justa, por que ultrapassam, por seu denodo, benefícios apenas locais, os efeitos de sua coragem ultrapassam fronteiras de forma positiva, passam a ser heróis mundiais da humanidade.

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lulipe

02/07/2013 - 07h57

Ingenuidade pensar que apenas os EUA se utilizam destes expedientes…

Responder

FrancoAtirador

02/07/2013 - 04h29

.
.
E a Mídia Bandida BraZileira é a Sucursal.
.
.

Responder

    Mário SF Alves

    02/07/2013 - 08h08

    Sucursal rastejante, diga-se de passagem.

Luís Carlos

01/07/2013 - 22h42

A grande ditadura estadunidense em franca aceleração. Espionagem, prisões arbitrárias, intrigas e mentiras, corrupção, imposições militares, saques e pilhagens de países invadidos, eis a “grande liberdade” defendida pelos EUA. Tem gente que defende até o inferno esse modelo e essa “liberdade” de mentir, saquear, torturar, corromper e matar. Pura rapinagem. Os EUA tem sócios conhecidos aqui no Brasil, sempre a postos para dar o bote.

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ideraldo

01/07/2013 - 21h47

“A coragem é contagiosa”, como disse Greenwald. Veremos mais e mais casos de rebeldia civil no núcleo do poder americano. Poder podre, aliás.

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    Wagner

    02/07/2013 - 12h28

    A tirania precisa inchar para se manter, e o inchaço traz os sintomas da própria destruição.

ZePovinho

01/07/2013 - 20h59

Os EUA são o IV Reich,a pior ditadura que já apareceu na face da terra.Um governo infestado de nazistas desde antes do racismo e nazismo surgir na Alemanha.
A eugenia é cria dos EUA.Hitler foi financiado por banqueiros sionistas anglo-americanos como Montagu Norman.Em suma….Stalin era criancinha perto do poder do dinheiro que é o regime ditatorial que vige em Washington.

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    Mário SF Alves

    02/07/2013 - 08h19

    Então, e é exatamente essa coisa, essa Hidra de Lerna que se imiscui diuturnamente nos interesses internos do Brasil. Vide 64. Vide base de Alcântara. Vide ordens barackobamanianas de invasão da Líbia.
    __________________________________
    Como enfrentá-la sem armas nucleares? Com o PSDB e o PpPpSs? Com a Blá-blá-Itaurina? Com uma acéfala e colorida primavera árabe brasileira?
    ___________________________________________
    Quem sabe, talvez com mais Democracia e muita inteligência. Ou, quem sabe, com uma super dose de Baudelaire?

    anac

    08/07/2013 - 06h16

    Pior é que os traidores estão infiltrados em instituições que deveriam nos defender como as forças armadas. Alguém duvida que a tragedia na Base de Alcântara não foi engendrada pelo império de olho grande naquela região estrategicamente localizada para envio a preço reduzido de satélites, do ladinho da Amazônia e da Venezuela, sendo esta a segunda maior produtora de petróleo no mundo? O governo de FHC através de um tratado por muito pouco não escorraçou os militares brasileiros da Base de Alcântara para entregar ao governo dos USA. Mas, os milicos brasileiros estão loucos que o psdb volte ao poder. Covardes traíras.

    Nelson

    02/07/2013 - 17h11

    Zé.
    No livro “Um Olhar sobre a América Latina”, Noam Chomsky faz a seguinte afirmação:
    “Os nazistas ganharam a guerra”.

    Obviamente, ele se refere à Operação Paper Clip, mas não só a ela. Chomsky nos alerta que os métodos nazistas seguiram sendo aplicados por inúmeros governos nas décadas seguintes à Segunda Guerra Mundial. E um dos que mais se utilizou de tais métodos foi o governo dos EUA, não só nas guerras de extermínio que travou contra outros povos – vietnamitas, cambojanos, iraquianos – como no apoio às inúmeras ditaduras que infestaram a América Latina e outras partes do planeta.

J Souza

01/07/2013 - 18h39

Ou seja, a mídia ou faz propaganda ou contrapropaganda. Jornalismo que é bom, nada…

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Urbano

01/07/2013 - 18h38

Se a população mundial soubesse mesmo quem está mandando de verdade na orbi terrestre e o que eles vêm fazendo… Quem estiver disposto que assista no YouTube os dois vídeos de Alex Collier “Alianca Galactica vs Reptilianos de Orion”. O link é ” http://www.youtube.com/watch?v=kAuCJ7VIZ_c “.

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Regina Braga

01/07/2013 - 18h05

George Orwell ficaria de quatro com tanta informação…Tadinho só imaginou o estrago mas nunca o seu tamanho.

Responder

    francisco niterói

    01/07/2013 - 20h16

    Regina

    A sorte do orwell é que ele nao está mais aí pra ver isso.

    A gente é que tem mais é que sentar e chorar pois só vai piorar.

    Que fazer? Mudar pra Jupiter?

Spiegel: A aliança entre a NSA e 80 corporações globais - Viomundo - O que você não vê na mídia

01/07/2013 - 13h16

[…] Glen Greenwald: Um bilhão de ligações de celular por dia […]

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