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Governo Dilma nomeia psiquiatra que é contra reforma manicomial

13 de dezembro de 2015 às 16h08

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Nomeação de novo coordenador de saúde mental ameaça a Reforma Psiquiátrica no Brasil

por Rafaela Uchoa, no Vozes da Voz

A reforma psiquiátrica brasileira é referência mundial na atenção as pessoas com transtornos mentais e/ou decorrente do uso de álcool e outras drogas.

Porém, ontem foi anunciado pelo Ministério da Saúde que o até então coordenador nacional de saúde mental, álcool e outras drogas Roberto Tykanori – conhecido por sua militância na luta antimanicomial – foi substituído pelo psiquiatra Valencius Wurch, ex-diretor da Casa de Saúde Dr. Eiras, o maior hospício da América Latina.

O manicômio Dr. Eiras, localizado no Rio de Janeiro, foi fechado em 2012, dois anos depois de ordem da justiça para que as atividades no local fossem encerradas devido a uma série de denúncias das condições sub humanadas em que os internos viviam.

Valencius Wurch dirigiu o local por dez anos, denunciado inúmeras vezes por abandono e maus tratos.

Em maio e agosto de 2000, o Ministério da Saúde produziu auditorias que descreveram um quadro de ‘casa dos horrores’, negado pela Casa de Saúde Dr. Eiras.

Uma caravana da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados igualmente criticou o manicômio.

Em 2001, a Secretaria de Estado de Saúde proibiu novas internações – havia pouco mais de 1.500 pacientes -, assumiu a gestão das verbas do SUS (Sistema Único de Saúde) destinadas à Casa de Saúde Dr. Eiras (R$ 13 milhões em 2000) e promoveu um censo com uma série de denúncias ao local.

Como se não bastasse seu histórico profissional, o psiquiatra Wurch, também declarou em entrevista ao Jornal do Brasil, em 1995, que era contra a Lei Paulo Delgado – Lei que garante os direitos aos portadores de transtorno psíquico no Brasil – e que tirar as pessoas dos manicômios era algo meramente “ideológico”.

Diante dessa nomeação extremamente nociva para a luta antimanicomial, os militantes têm se reunido em todo o Brasil para combater os retrocessos na saúde mental e nos direitos humanos.

*****

Ativistas da luta antimanicomial promovem um abaixo-assinado:

Vossa Excelência Senhor Ministro da Saúde Marcelo Castro,

Viemos através dessa petição, enquanto entidades e movimentos sociais organizados, em nome da Saúde Mental e setores da sociedade civil, para pedir a revogação da nomeação do Sr. Valencius Wurch para a Coordenação Nacional de Saúde Mental.

Alegamos que este senhor não representa a atual política de saúde mental do país conquistada e fundamentada em diversas leis e resoluções. Sua nomeação é uma afronta a Constituição e aos princípios da cidadania resguardados pela Reforma Psiquiátrica.

”O Sr. Valencius é ex diretor da Casa de Saúde Dr. Eiras, o maior hospício da América Latina. O manicômio Dr. Eiras, localizado no Rio de Janeiro, foi fechado em 2012, dois anos depois de ordem da justiça para que as atividades no local fossem encerradas devido a uma série de denúncias das condições sub humanadas em que os internos viviam. Valencius Wurch dirigiu o local por dez anos, denunciado inúmeras vezes por abandono e maus tratos.

Em maio e agosto de 2000, o Ministério da Saúde produziu auditorias que descreveram um quadro de ‘casa dos horrores’, negado pela Casa de Saúde Dr. Eiras. Uma caravana da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados igualmente criticou o manicômio. Em 2001, a Secretaria de Estado de Saúde proibiu novas internações – havia pouco mais de 1.500 pacientes -, assumiu a gestão das verbas do SUS (Sistema Único de Saúde) destinadas à Casa de Saúde Dr. Eiras (R$ 13 milhões em 2000) e promoveu um censo com uma série de denúncias ao local.

Como se não bastasse seu histórico profissional, o psiquiatra Wurch, também declarou em entrevista ao Jornal do Brasil, em 1995, que era contra a Lei Paulo Delgado – Lei que garante os direitos aos portadores de transtorno psíquico no Brasil – e que tirar as pessoas dos manicômios era algo meramente “ideológico”.

Pedimos para que sua amizade com o sr. Valencious não interfira em algo tão delicado que é a saúde mental. Pedimos que confie nesta petição como a voz dos profissionais da área que pedem RESPEITO à Reforma Psiquiátrica.

PS do Viomundo: O Brasil escapou de Manoel Jr., aliado de Eduardo Cunha, no ministério da Saúde (Conceição Lemes denunciou aqui), ele que nega ter mandado matar um desafeto em sua cidade de origem, na Paraíba (você pode vê-lo em ação na Comissão de Ética defendendo o patrono). Acabou com Marcelo Castro, também do PMDB, inimigo de Cunha mas ideologicamente afinado com a privataria via OSs e outras formas disfarçadas de lucrar com a Saúde Pública.

Leia também:

Com apoio dos tucanos, deputado do PP quer tirar 23 milhões do Bolsa Família

 

8 Comentários escrever comentário »

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Viviane

15/12/2015 - 09h46

Eu quero sinceramente perguntar às pessoas que têm parentes com doenças mentais – e sempre aparecem nesse tipo de reportagem para dizer que “só quem tem parente nessa situação é quem sabe”, “não podem acabar com os hospitais (manicômios? asilos?)”:
Então vocês não se importam que seus familiares morram de fome ou frio, deitados nas próprias fezes ou babando por efeito de choques e medicações? Os relatórios do MS, do CFP e de outros órgãos e pesquisadores estão aí para quem quiser ver. Por que não matam seus parentes de uma vez? Ponham veneno na comida, levem para os arredores da cidade… como se fazia, antigamente, com cães e gatos que a família não queria mais, porque estavam “dando trabalho”. Se hoje não se admite mais essas crueldades com animais (veterinários são hoje proibidos de “sacrificá-los”, por exemplo), por que se aceita com nossos semelhantes?

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Lorde K

15/12/2015 - 01h09

Pô Dilma, presta atenção na conversa.

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Maria Selma

14/12/2015 - 11h16

Penso que uma fiscalização rigorosa deve haver não apenas em hospitais psiquiátricos, mas em todos os hospitais.
Agora fechar hospitais psiquiátricos e dar ao próprio paciente psiquiátrico a liberdade de querer ou não ficar internado como acontece hoje em alguns hospitais, ultrapassa o bom senso.
Fecham os hospitais públicos e nos obriga a ir para o particular.
Concluir que os doentes mentais devem ser tratados em casa é com certeza decisão de gabinete de quem nunca conviveu com estes pacientes.

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FrancoAtirador

14/12/2015 - 09h58

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Como diria Ciro Gomes:
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A PF despudorou de vez!
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(https://twitter.com/tijolaco/status/676217863074631680/photo/1)
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Responder

Geraldo Maia

13/12/2015 - 18h54

Azenha, só uma correção no título da matéria: Não é “governo Dilma nomeia psiquiatra que é contra reforma antimanicomia”l, mas sim “ministro da saúde do pmdb, do michael temer indica…” Há uma grande diferença na apresentação e isto é importantíssimo para que a população brasileira saiba o que nos aguarda, caso Dilma seja afastada, pois esse pessoal que quer derrubá-la não tem qualquer compromisso com o país. Não podemos esquecer que o referido ministro teve sua campanha financiada pelos empresários dos planos de saúde.

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Andre

13/12/2015 - 18h29

Assim fica muito fácil de entender como o governo Dilma escancarou as portas para o que há de mais reacionário, conservador e ultradireitista no Brasil. Deixou a porta aberta e agora reclama deles quererem entrar.

Responder

FrancoAtirador

13/12/2015 - 18h09

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A Verdade é a Seguinte: Os Plutocratas tomaram o Poder de Fato.
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Enquanto as Cotações dos Cassinos dos Mercados de Especulação
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nas Bolsas de Valores, Mercadorias e Futuros governarem a Economia
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e os Índices de Popularidade dos Governos, no Ibope e no DataFolha,
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determinarem as Ações Políticas de Governantes e Parlamentares,
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não haverá Governabilidade na Política nem Estabilidade Econômica.
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Responder

    De Niro

    14/12/2015 - 00h35

    Falou tudo. Perfeito.

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