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Cartas de Minas
Cartas de Minas

Matheus Bittencourt: Bloco Negro é resposta à repressão violenta

16 de setembro de 2013 às 21h30

Foto Jane Amorim

A guerra suja contra o vandalismo

Por Matheus Boni Bittencourt 12/09/2013 às 01:25, no Centro de Mídia Independente

Em nosso país existe uma insistente mitologia segundo a qual temos origem numa forma de colonialismo brando e aventureiro, próprio do português, o que nos diferenciaria de todos os outros países de origem colonial, e até mesmo dos nossos vizinhos latino-americanos, de colonização espanhola.

Digo que é uma mitologia porque é uma narrativa que busca explicar, de forma conciliadora, determinados traços de um caráter nacional que atribuímos a nós mesmos.

Essa identidade está centrada numa imagem de sociedade harmoniosa, ordeira e pacífica, onde cada um sabe qual é o seu devido lugar. O que destoa, conflita, dissente é considerado uma anomalia. Um inimigo interno ou externo. Essa imagem não deixa de ser ambígua, porque também evoca submissão e conformismo. O brasileiro seria, antes que pacífico, passivo.

Essa mitologia não se sustenta diante de um exame mais detido. Como um Estado fundado por uma permanente invasão, ocupação e expansão territorial poderia ser pacífico em sua origem?

Como uma sociedade que se construiu sobre a escravidão negra e indígena poderia ser harmoniosa?

Estas perguntas nos levam a suspeitar que o Estado brasileiro não foi criado sob o signo da paz, mas sob a bandeira de uma guerra permanente e prioritariamente interna.

Essa suspeita é reforçada por um conjunto de situações extremas que se tornaram cotidianas e banais: extremos de pobreza e riqueza; extrema desigualdade; extrema violência. Nosso país tem uma proporção alarmante de mortes violentas por acidentes e agressões. De fato, é como se estivéssemos em situação análoga à guerra civil, pelos seus efeitos sobre a demografia e economia.

Uma coisa que me chamou a atenção nos últimos meses foi a intensificação do discurso midiático-político contra as ações de desobediência civil e resistência à violência policial, alcunhadas de “vandalismo” e “baderna”.

Esse discurso assume características de uma declaração de guerra.

Nos meus estudos sobre as políticas de segurança, constatei que o discurso belicista é lugar-comum quando se fala da questão policial no Brasil. O que é preocupante é a intensificação tamanha nos últimos meses. Esse grau de belicismo, durante os últimos vinte anos, só teve dois alvos: o tráfico varejista de drogas e os movimentos camponeses.

As manifestações de massas dos últimos meses foram comparados a batalhas. Estranhas batalhas, onde apenas um lado tinha as armas e a iniciativa de agressão, e o outro resistia e fugia como podia.

É realmente uma guerra, ou deveríamos dar-lhe o nome que merece: repressão violenta?

Em nome de coisas vagas e subjetivas como “ordem pública”, foi constantemente violado a liberdade de expressão, associação e manifestação, o devido processo legal e a presunção de inocência.

Milhares e milhares foram arbitrariamente presos ou feridos pelos agentes de polícia que reprimiam manifestações. Um número menor foi assassinado. Houve casos de sequestro e tortura de ativistas. Outros são investigados e presos por apoiarem protestos através de páginas na internet. Movimentos sociais são submetidos à espionagem militar. Agentes provocadores se infiltraram em protestos para incitar e realizar atos criminosos, que depois eram atribuídos aos manifestantes, para justificar a brutalidade policial.

Toda essa violência estatal foi cometida em nome do “combate à violência”. As ações coletivas de desobediência civil e resistência à violência policial são rotuladas de “vandalismo” e “baderna”. A ação da Polícia Militar contra manifestações, frequentemente resultando em dezenas de prisões e ferimentos, é chamada de “confronto”.

Uma reação particularmente histérica se deu contra os bloco negro, chamados por aqui pelo nome em inglês, “Black Blocs”. Trata-se de uma tática de ação coletiva, onde manifestantes vestidos de preto e mascarados agrupam-se para defender a si mesmos e aos outros manifestantes da violência policial. Outra versão da prática do bloco negro é a desobediência civil, como na destruição seletiva de símbolos do capitalismo e do autoritarismo. As duas táticas se fizeram presentes nas ruas.

O bloco negro deve ser considerado um sintoma, não uma coisa em si, independente do contexto. O uso de máscaras, a desobediência civil, a resistência à repressão violenta, tudo isso não é exatamente novo. Talvez o que distinga o bloco negro seja uma combinação performática destes três elementos com uma estática peculiar. É sintoma de quê o estilo bloco negro de protestar? Da própria violação da liberdade política.

Outro elemento importante foi o conteúdo anticapitalista assumido de forma mais explícita por manifestações. “Contra o capital, a nossa luta é internacional”, bradava um bloco negro enquanto destruía vidraças e pichava paredes de agências bancárias dos maiores bancos privados do Brasil. Centenas de manifestantes, sem máscara, cantavam junto deles as palavras de ordem. Essas cenas aconteceram no Rio de Janeiro e São Paulo.

Com e sem máscaras, vestidos e não de preto, multidões reivindicavam a regulamentação da mídia, o marco civil da internet, a desmilitarização da polícia, reforma política, etc.

Como se muitos manifestantes suspeitassem que o protesto contra a corrupção, principal alvo inicialmente, era como curar os sintomas e ignorar a doença. Seria um “movimento aspirina”, como os caras-pintadas de 1992. E como se muitos suspeitassem que não fazia sentido repudiar o “vandalismo”, em um país sob policiamento militarizado.

A hostilidade aos partidos eleitorais cedeu lugar à hostilidade aos oligopólios bancários e midiáticos. O repúdio ao “vandalismo” cedeu lugar ao repúdio à violência policial e à criminalização dos movimentos sociais.

É claro que tudo isso acendeu o sinal vermelho das oligarquias políticas e financeiras. Surpreendentemente, também atraiu o repúdio de partidos autodeclarados de esquerda, como o PSTU e setores do PSOL.

Estes setores militantes mostraram uma surpreendente conivência com a violência policial, evidenciada pela frase: “sou contrário à brutalidade da polícia, mas…”. O “mas” é seguido de alegações de que os blocos negros “provocavam” a violência policial e esvaziavam as ruas. Esse discurso era esperado na mídia e políticos de extrema-direita (que de fato o proferiram e publicaram), mas não em partidos e indivíduos que se declaram de esquerda.

Trata-se de uma completa falta de lucidez. Os blocos negros são reação à violência policial, e não o contrário. Os tipos de ação coletiva se diversificaram e descentralizaram, assumindo muitas vezes a desobediência civil como método. Ao lado dos tradicionais passeios pela rua, ocupações de casas legislativas e ações performáticas ganharam espaço.

Muitas pessoas de mentalidade conservadora abandonaram as manifestações e voltaram ao seu habitual coro com o discurso de “guerra ao vandalismo” da direita e da pseudo-esquerda. E não poderíamos deixar de lado a intensificação da repressão violenta, protagonizada pela corporação policial-militar mas contando com a colaboração desavergonhada de juízes, promotores, parlamentares, polícia judiciária, serviço secreto e, é claro, dos oligopólios da mídia.

O que fica mais óbvio é que não se trata simplesmente de uma repressão às depredações politicamente motivadas. Essa simples tarefa poderia ser realizada em maiores dificuldades por uma polícia competente e civilizada, com foco na prevenção e respeito aos cidadãos. A criminalização na verdade atinge o conteúdo político-filosófico, o próprio anticapitalismo cada vez mais forte das manifestações, propondo a radicalização da democracia e uma verdadeira redistribuição de riquezas. Além da pobreza e da juventude, criminaliza-se uma visão política específica. Com e sem máscaras, vestidos e não de preto, multidões sofrem perseguição e violência.

Esses fatos deixam mais explícitas as condições de uma “democracia de fachada” existente no Brasil. A transição da Junta Militar para os Governos Eleitos trouxe uma série da avanços no reconhecimento formal de direitos, muito mais que na sua efetivação.

Convivemos com uma pesada e maldita herança do período ditatorial. O policiamento foi militarizado. As desigualdades econômicas aprofundarem-se. A violência e a corrupção se expandiram. Os agentes da repressão política do antigo regime seguem impunes e seus atuais simpatizantes dentro das forças militares e judiciário bloqueiam e sabotam as investigações sobre os seus crime.

Os “filhotes da ditadura”, empresários e políticos ligados ao antigo regime ditatorial, seguem enriquecendo e influindo decisivamente sobre a política local e nacional.

Vivemos sob um regime democrático? É difícil dizer. A impressão é que a ditadura nunca deixou de existir nas favelas e rincões do país, fatos evidenciados pelos dados disponíveis sobre a violência policial. Mas que essa ditadura, que focava sua violência sobre os pobres, vai se expandindo novamente sobre outros setores da população, com o âmbito de liberdade de expressão, associação e manifestação tornando-se cada vez mais estreito.

É como se, ao pressionar a democracia para que se tornasse mais democráticas, víssemos a fachada do edifício ruir e revelar a carranca sinistra de uma ditadura que viola dos direitos básicos dos cidadãos. Até que ponto isto chegará?

Leia também:

Gilberto Maringoni: Black Blocs, cobrir o rosto é o de menos

 

19 Comentários escrever comentário »

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Francisco

17/09/2013 - 21h42

“Bloco Negro” não é melhor tradução para Black Blok…

O carnaval baiano vai ficar com má fama de violênto sem necessidade.

Bloco negro é o Olodum, o Ilê e o Filhos de Gandhi e eles são de paz…

O melhor era Facção Preta.

Preta é a cor da bandeira anarquista, mas facção lembra coisa de traficante, de PCC, de CV, etc.

Grupo Negro é bom, mas o pessoal pode pensar que se trata de um grupo de pagode…

Força Preta é legal, até pode ser. Melhor ainda era Fator Preto. Fator Preto, tai! Dá pro gasto.

Mas melhor mesmo era não precisar traduzir, né não?

Tem anarquista no Brasil desde o século XIX, grupos tão fortes, tão tradicionais, com tanta história…

Que tal fundar uma Federação Anarquista reunindo esses grupos todos do país (Inimigos do Rei, da Bahia, etc.)? Ia ser legal e autêntico.

Pagar royalts e mico, tô fora…

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Fátima Oliveira: Por que desejam encabrestar um ministro? - Viomundo - O que você não vê na mídia

17/09/2013 - 19h58

[…] Matheus Bittencourt: Bloco Negro é resposta à repressão violenta […]

Responder

Julio Silveira

17/09/2013 - 15h44

Essa discussão sobre os Black Blocs ou Blocos negros, ou qualquer outro nome que o valha, é só mais uma prova da galopante miopia brasileira, que paga caríssimo, bilhões, enquanto são dilapidados vilipendiados, lhes tragando seus recursos, sob diversas formas camufladas, mas calmas, pacificas, bem normatizadas, provavelmente legais (provavelmente ilegais e imorais).
A Matrix nunca esteve tão visível.

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Dilma adia viagem oficial aos EUA, anuncia Planalto - Viomundo - O que você não vê na mídia

17/09/2013 - 15h14

[…] Matheus Bittencourt: Bloco Negro é resposta à repressão violenta […]

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Mardones

17/09/2013 - 14h28

Há muito que o mito sobre o caráter do brasileiro cordial foi posto em xeque. Salvo engano, entre outros, por Sérgio Buarque de Holanda.
Em relação à nossa falsa democracia também não há dúvida. Sobre isso, o Fábio K. Comparatto já escreveu de forma brilhante e o dia dia é a maior testemunha.
De resto, há a tentativa de explicar os blocos negros como sintoma da nossa realidade de carência de direitos.
Eu, aqui com os meus botões, até entendo certas ações que deságuam em destruição, mas corre-se o risco de voltarmos ao tempo daquele código do olho por olho… E isso não é desejável.
Sou favorável às manifestações, ao esclarecimento, mas não às ações violentas de qualquer lado.

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Vinícius

17/09/2013 - 11h36

Ainda estou formando minha opinião sobre os movimentos que tiveram origem com o MPL e esse texto é muito interessante, vou guardá-lo porque ajuda a encaixar algumas peças, entre elas o mito sobre o brasileiro pacífico.

Todo essa movimentação é dinâmica e, a cada dia, fica mais nítido quem é quem e as motivações de cada grupo.

Oportunitas e manifestantes com propostas claras começam a se distinguir.

Em breve seremos capazes de distinguir opinião individual, opinião pública e opinião manipulada por formadores de opinião.

Parabéns, Matheus.

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Alemao

17/09/2013 - 10h22

Simplesmente ridículo. Primeiro acusaram a direita fascistóide das depredações. Quando descobriram que se tratavam de gente da esquerda fascistóide aí resolveram dizer veja bem… Vão pastar

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K.F.

17/09/2013 - 09h39

Excelente texto!

Levantar bandeiras contra a corrupção é fácil. Esse tipo de manifestação, inclusive, só ajuda a manter o status quo e a “reforçar a democracia”.
Aliás, não só ajuda a manter como dá mais força ainda para a classe opressora, pois eles fingem estar ouvindo toda a população, mentem que estão tomando medidas contra a corrupção e, por fim, a classe média, com sua imensa capacidade de ser manipulada, volta pra casa satisfeita… por nada acontecer.

Como disse em outro comentário, o Black Bloc está de parabéns!
Eles estão fazendo o que deveria ser papel da esquerda: ENFIAR O DEDO NA FERIDA!

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sandra

17/09/2013 - 08h53

violência pra quem, por quê, para que, contra quem, por quem, ……….

Responder

sandra

17/09/2013 - 08h46

Noite dos Cristais – Noite dos Vidros Quebrados – Documentário
http://vimeo.com/43771195

Responder

rui

17/09/2013 - 08h27

Com todo respeito, não lia nada tão sem sentido como este texto há muito tempo. Fazer uma lista das mazelas do país para justificar a baderna, só convence aos idiotas. Tudo que foi citado existe há 513 anos no Brasil, e há muito mais tempo no mundo, por que só agora os mauricinhos vem para rua? Os favelados e vítimas da violência policial no dia a dia, que participavam não reivindicavam nada, apenas esperavam a oportunidade para o saque, que, mais inteligentes, ou sem querer da uma de inocente útil, do que o “bloco negro” sabiam que ia acontecer. Quem é o “bloco negro”? Viúvas do Menem brasileiro e do Zé bolinha, que perderam a eleição, e insuflados pelo PIG, tentam dar o golpe para voltarem a se alinhar com Washington, claro, tudo patrocinado pela CIA, é sempre assim no mundo todo. Filhinhos de papai, com computadores e smartphones de última geração, estudando muitas vezes em universidade públicas, porque o papai teve dinheiro para pagar um bom ensino básico, agora estão revoltados, só porque os mais ricos enriqueceram menos que os mais pobres, e ainda vem com a imbecilidade de dizer que estão atacando os símbolos do capitalismo, todos com roupinhas de marca, e depois vão tomar uma Coca-Cola e fazer um lanche no Mc’Donalds que não foi depredado, e acham que a sociedade, que venceu a eleição, e a polícia, devem assistir a isso passivamente, que policias infiltrados é que causam a violência, e eles, coitados, tão burrinhos, não sabem como contornar isso e respondem com mais violência. Qualquer um que conhece um pouco de história sabe como foi o passado, sabe como vocês agem, e sabe qual é a intenção, manipulando massas para justificar a intervenção. Se você quer protestar, vote em pessoas comprometidas com a mudança que você pretende, faça campanha junto, acompanhe a atuação do seu candidato, em vez de votar no entreguista do Zé bolinha, causando um retrocesso ao país, vote em quem pode melhorar, mas tenho certeza que não é isso que você quer, um ignorante não escreveria esse texto, você está mesmo é agitando para entregar o país.

Responder

    Matheus

    17/09/2013 - 09h20

    Protesto de anarquista é conspiração da CIA! Rápido, fiquem todos submissos aos interesses eleitorais do PT! Tanto que a imprensa pró-imperialista, que acha normal os EUA espionarem o Brasil, apoiam a repressão política e demonizam as manifestações.

    rui

    18/09/2013 - 11h40

    Esse é o problema, se você acha que a imprensa pró-imperialista demoniza as manifestações, mesmo quando ela repete diariamente que o movimento é pacífico, e publica os locais e a hora que ele vai acontecer, você é mais que um inocente útil, só pode ser um agente mesmo, já que pelo texto, podemos ver que não é um imbecil.

Mauro Assis

17/09/2013 - 08h14

Cara… boralá:

“Blocos negros”? Os caras se intitulam Black Blocs, assim in English, mais chique. Matheus, não os rebaixe ao idioma pindorâmico, por favor… assim vc magoa a patota!

“o discurso midiático-político contra as ações de desobediência civil e resistência à violência policial, alcunhadas de “vandalismo” e “baderna.
Esse discurso assume características de uma declaração de guerra.”

A depredação de patrimônio público e privado é vandalismo e baderna em qualquer lugar do mundo. Chamá-los pelo nome é uma declaração de guera? A quem, aos vândalos e baderneiros? Que ótimo se assim fosse, pois nesse caso os agentes do estado, que tem mandato para isso delegado pela legislação em vigor teriam coibido com a energia necessária a baderna. Não foi o que aconteceu na maioria dos casos: os vândalos mascarados deitaram e rolaram, não só em cima dos bancos (públicos e privados), mas também depredando prédios públicos e muitas, muitas agências de veículos. Porque esse nojinho das agências de carro, logo esse bem tão emblemático das conquistas da “nova classe média”? Vai saber…

“Os blocos negros são uma reação à violência policial”… sei. Porque então eles não revidam a violência contra os violentos? Ahhhh… claro! Depredar o patrimônio público e privado é muito mais fácil que encarar o Choque bem temperado, pensaram os valentes.

“Os “filhotes da ditadura”, empresários e políticos ligados ao antigo regime ditatorial, seguem enriquecendo e influindo decisivamente sobre a política local e nacional.”

Putz, que novidade… Só que a maioria destes continua no picadeiro porque a arquibancada do circo os elege, simples assim. Mesmo quando eles perdem poder, o partido “melhorzinho” que se elege (PSDB ou PT) trata logo de guindá-los ao trapézio novamente.
Cada povo tem o governo que merece, porque o elegemos, simples assim. Fazer arruaça pode aliviar o coraçãozinho sofredor do meliante diante de “tudo isso que está aí”, nada mais.

“Mas que essa ditadura, que focava sua violência sobre os pobres, vai se expandindo novamente sobre outros setores da população, com o âmbito de liberdade de expressão, associação e manifestação tornando-se cada vez mais estreito.”

De onde é que vc tirou isso, Matheus? Hoje em dia qualquer um com uma câmera na mão e um neurônio na cabeça pega um capilé (ups!) do governo e sai por aí arrastando multidões. Um blog como esse tem centenas de milhares de leitores, e fornece espaço para todo tipo de manifestação e cometários, inclusive os meus, que são bastante críticos muitas vezes. Mídia do governo? O governo atual enterrou 300 milhões de reais (só no primeiro ano) em um canal de TV que eu até assistiria se eu conseguisse entender o som que eles geram (parece filme brasileiro dos anos 70, quem sabe se os caras colocassem legenda , dava).
Liberdade de associação? A última vez em que contei os partidos políticos brasileiro parei no 30… não quer saber de partido? Crie um “coletivo” e passe o chapéu em algum órgão público ou estatal, peque um capilé (ups, de novo!) e siga em frete (ou “go ahead!”, como diriam os blocos negros).
Liberdade de manifestação? No Brasil de hoje manifesta-se com cartaz, sem cartaz, vestido, pelado, com máscara e sem, depredando… ou não.

“Vivemos sob um regime democrático? É difícil dizer.” Não, Matheus, é fácil: temos uma democracia razoável, pior que alguns países, melhor do que muitos. Votamos em eleições periódicas, ocorre alguma alternância no poder, as instituições funcionam, algumas mais, outras (muito!) menos, mas são as que demos conta de construir, por enquanto. E o melhor: por incrível que pareça às vezes, o país que em que vivemos hoje é muuuuuito melhor do que o que vivíamos na época do Sarney, prá mim, o fundo do poço em termos de governo brasileiro (ups, ele é governo agora!). Quer um dado: de 1990 prá cá a mortalidade infantil caiu 75% nesse paizão grande e bobo. Não é prá celebrar?

“É como se, ao pressionar a democracia para que se tornasse mais democráticas, víssemos a fachada do edifício ruir e revelar a carranca sinistra de uma ditadura que viola dos direitos básicos dos cidadãos. Até que ponto isto chegará?” A minha bola de cristal me informa o seguinte: a lugar nenhum. A turma bateu bumbo, os blocos negros depredaram o que quiseram, a Dilma foi prá TV “cuspir idéias”, o Temer falou que não dava, o Congresso votou uma lei ou outra e a vida seguiu.

Quem sabe a gente vota melhor no ano que vem? Essa é a nossa democracia, Matheus, aquele regime que é o pior tirando-se os outros…

Responder

    Matheus

    17/09/2013 - 09h21

    Amarildo mandou lembranças para a sua “democracia” brasileira.

    Mauro Assis

    17/09/2013 - 11h02

    É, Matheus, o caso Amarildo é uma tragédia desse nosso Brasilzão. Mas não é uma questão relativa à democracia. O que levou o Amarildo a ser covardemente morto por bandidos fardados não está estabelecido em nosso arcabouço democrático legal. Faz parte daquilo que ainda funciona muito mal nas nossas instituições, e que precisa claro mudar com urgência.

    Me responda uma coisa: em que sair depredando patrimônio alheio pela rua afora ajuda com o Amarildo?

FrancoAtirador

17/09/2013 - 00h14

.
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Pode até se discutir se é a resposta adequada.

Porém, sem dúvida, é uma resposta contundente.

E não só à violência física, mas à psicológica,

à agressão moral, inclusive da Mídia Bandida.
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Responder

Bacellar

17/09/2013 - 00h00

Mas como tem gente descobrindo a roda nesse pós-Julho…

Responder

Fabio Passos

16/09/2013 - 22h15

O povo brasileiro não é passivo e submisso.
É com extrema violência, tortura e assassinatos que a casa-grande sustenta o Apartheid Social.

A PM é a polícia política da “elite” branca e rica.
Detonando pobre e preto nas periferias… pros grã-finos dormirem tranquilos nas mansões.

Uma polícia que protege a propriedade de mega-corporações capitalistas, arrancando sangue de cidadãos brasileiros que ousam protestar contra a injustiça social, não serve a democracia. É um entulho da ditadura.

A violência institucionalizada do regime contra o povo é de uma ferocidade assustadora.
Não é legítimo rebelar-se contra este regime que despreza o ser humano e defende objetos inanimados?

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