VIOMUNDO

Cientista rejeita “companhia” de coronel e devolve título

19 de agosto de 2014 às 12h09

boris_site

por Conceição Lemes

Na sessão de 5 de agosto, o Conselho Universitário da Unicamp decidiu manter o título de Doutor Honoris Causa concedido, em 1973, ao coronel Jarbas Passarinho, ex-ministro da Educação do governo do General Emilio Garrastazu Médici. Apesar de 49 membros terem apoiado a revogação, os votos de uma minoria (10 contrários e 10 abstenções) foram suficientes para a manutenção da honraria. O quórum qualificado de 50 votos não foi alcançado.

O médico e cientista brasileiro  Bernardo Boris Vargaftig,  ex-diretor do Instituto Pasteur, na França, reagiu.

Recusando-se a “continuar a acompanhar o Coronel repressivo, ex-Ministro da Educação e responsável por tantos desmandos e arbitrariedades”, ele  devolveu à Unicamp o título de doutor Honoris Causa que ela lhe concedeu em 1991.

Caio N. Toledo, aposentado da Unicamp, saudou a decisão de Vargaftig:

Recusando-se aceitar a mesma honraria concedida ao coronel Jarbas Passarinho, Bernardo Boris Vargaftig, cientista brasileiro – ex-diretor do Institut Pasteur, Paris – renuncia ao título Doutor Honoris Causa a ele outorgado pela Unicamp, em 1991. Um gesto digno e raro; talvez inédito na academia brasileira.

A excelência da produção científica de Vargaftig pode se comprovada por três reconhecimentos públicos: Condecoração nacional:Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico – Presidência da República do Brasil – agosto /2008 e dois Prêmios Internacionais: Grande Prêmio – Institut Electricité Santé – 1995 e Life Achievement Award - International Association of Inflammation Societies (IAIS) – 2005.

Indignados também com a decisão, professores da Unicamp criaram uma petição online, solicitando ao Conselho Universitário da Unicamp que convoque  nova reunião para examinar as moções de quatro congregações dessa universidade que defendem a revogação do título do coronel da ditadura.

Clique aqui para ler e assinar a petição

Seguem a carta do professor Vargaftig ao reitor da Unicamp e da Comissão da Verdade da Universidade ao cientista

Boris Carta de renúncia ao Reitor Unicamp (2) Boris Vargaftig (1)

Leia também:

Uma explicação para a postura imperial de William Bonner diante de candidatos

 

21 Comentários escrever comentário »

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Beto São Pedro

20/08/2014 - 17h05

Apenas uma correção em relação a um dos comentários, o que em nada contradiz a atitude do professor da Unicamp. Mas na década de 1980, o professor Oto Alcides Olweiher, caçado do quadro docente da Ufrgs pela ditadura militar nos anos 60, recusou tal honraria proposta pelo Conselho Universitário da instituição. Motivo,o Conselho não aceitou a sua (dele Oto) condição de que o título também fosse concedido aos demais professores que com ele foram caçados à época. Oto, além de membro da Associação Internacional de Química, com livros editados nesta área e traduzidos em vários países, também publicou vários livros de filosofia.

Responder

Mardones

20/08/2014 - 14h16

Bravo! Ele não tem obrigação de saber a lista completa dos que receberam a mesma honraria. O importante é que quando tomou conhecimento do fato (de faze parte de um grupo em que consta um torturador), resolveu se pronunciar. E o fez no melhor estilo.

Responder

FrancoAtirador

20/08/2014 - 13h49

.
.
É uma enormidade o que há de ‘Doutor por Honra e Causa’ da Ditadura Militar.

Responder

Mário SF Alves

20/08/2014 - 09h45

Tem gente que fala.
Tem gente que fala pouco,
Tem gente que fala muito.
Existem aqueles que falam por falar.
Tem gente que fala e age com comedimento, convicção e respeito;
Esses são os imprescindíveis.
________________________________
E veio da UNICAMP um grande exemplo.

Ditadura nunca mais!
Tortura nunca mais!

Responder

Jose Mario HRP

20/08/2014 - 07h03

Parabéns a molecada da USP!
O pau esta quebrando , em solidariedade aos professores e funcionários que terão os dias parados descontados!
Parabéns Alckimin…..
Sempre fascista, sempre reprimindo, sempre rasgando a constituição!
Jovem solidário e governador totalitário!
Povo burro vota como burro, e depois come no cocho do PSDB!
Heil H…. ops!
São Paulo para os paulistas!
Reaçada porca!

Responder

Francisco

20/08/2014 - 01h23

Aqueles meninos da Bahia (meninos do ENSINO MÉDIO…) mudaram o nome da sua escola, de General Médici, para Carlos Marighella.

Meninos do ensino MÉDIO. Garotos imberbes.

Uma instituição que tem doutores que avaliam com menos qualidade que secundaristas, realmente podem conceder títulos que tragam risco de comprometer o curriculo Lattes de um pesquisador sério (não precisava nem ter prêmio gringo).

O melhor é mesmo não se “queimar”: joga longe esse Honoris Causa!

PS. Quem aceitaria um Honoris Causa de uma instituição que tivesse concedido o titulo para Hitler?

Responder

Marat

19/08/2014 - 21h07

Gesto de tal magnitude só poderia ser feito por uma pessoa de caráter e espírito de liberdade e humanidade! Parabéns ao Professor Bernardo Boris Vargaftig!!!

Responder

Urbano

19/08/2014 - 21h02

Uma imoralidade. Assim é querer transformar em reichtoria… O que há de gente que nem merece o pão que come é um absurdo. Mesmo dentro do século XXI, em que nossa mãe GAIA adentra a quarta-quinta dimensões, ainda há um contingente enorme de trapos robóticos, alheio totalmente ao princípio mais básico do humanismo. É como já cheguei a dizer aqui no VIOMUNDO, que a nossa elite é mais pose do que decência; salvaguardando-se as exceções, óbvio.

Responder

Edgar Rocha

19/08/2014 - 18h23

Concedido ao Passarinho em 73????? Só agora decidem revogá-lo? Que estranho…

Responder

Maria Izabel L Silva

19/08/2014 - 17h44

Ele recebeu o titulo em 1991 e só agora, 23 anos depois, resolveu devolver? Por que não devolveu antes? Por que passou esses anos todos na “companhia” do Coronel Passarinho? Eu desconfio de determinadas atitudes aparentemente dignas, mas que no fundo, não passa de conveniência rasteira. Se o doutor estivesse mesmo indignado, já teria devolvido esse titulo há mais tempo.

Responder

    Julio Silveira

    19/08/2014 - 19h37

    Concordo contigo.

    Hudson

    19/08/2014 - 21h57

    A resposta está no texto, é só LER.

    Julio Silveira

    20/08/2014 - 08h01

    Não diz nada que me faça mudar o pensamento, continuo concordando com ela.

    Joe Anderson

    21/08/2014 - 12h52

    (Re)leia a última frase da carta do Prof. Bernardo. O pior cego é aquele que não quer enxergar. Ou você é do PiG.

Luís Carlos

19/08/2014 - 15h46

Parabéns Professor Vargaftig.

Responder

Luiz Aldo

19/08/2014 - 15h43

Gente, este aí é o que leu o AI-5, recém saído da máquina de escrever do professor Luís Antônio da Gama e Silva, vulgo gaminha, reaçaço da Faculdade de Direito da USP, e disse a famosa frase: “escrúpulos às favas!” Doutor honoris causa? Tinha gaminha na Unicamp, também?

Responder

Bacellar

19/08/2014 - 12h41

clap clap clap clap clap

Responder

Deixe uma resposta