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Alípio Freire e Beatriz Kushnir: A Folha e a ditadura

25 de dezembro de 2012 às 14h47

caes

dica da Monica Esteves Garcia, no Facebook

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21 Comentários escrever comentário »

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Maria Amélia Martins Branco

26/12/2012 - 16h03

Torço para que a Folha e Octavino se EXPLODA de verde e amarelo.

Responder

Eduardo Raio X

25/12/2012 - 19h36

Azenha uma pergunta quero lhe fazer já que sua pessoa transita ou transitou por vários jornais e TVs, porque agora eles dizem ditadura militar??? No tempo da barra pesada essa turma composta por 4 ou 5 famílias frequentava os salões dos governos ditatoriais(1964 a 1985) almoços, jantares e festas do arromba! É mais apropriado eles dizer governos militar!

Responder

    Caracol

    27/12/2012 - 06h33

    Eduardo, sua pergunta não foi dirigida a mim, mas eu gostaria de dizer o que eu acho.
    Eles agora chamam o golpe de “ditadura militar” – quando na época (por motivos óbvios) chamavam de “governo militar”– porque, em primeiro lugar, hoje dá mais “ibope”.
    Em segundo lugar, eles estão – devagarzinho, subrepticiamente – tirando o deles da reta e tentando mudar a história.
    Com vários governos mais à esquerda, com a falência do neoliberalismo, com uma ley de médios que mais cedo ou mais tarde virá…ora… aí eles vão dizer para as novas gerações que eles eram democratas desde criancinhas.
    Esse filme eu já vi várias vezes. Dono de jornal e telejornal é que nem banqueiro, eles fazem negócios, o negócio deles é fazer negócio, e pra isso vão sempre na onda da clientela, e assim lucram sempre.

Hélio Pereira

25/12/2012 - 19h18

O Alipio Freire citou uma pesquiza concluida 15 dias antes do GOLPE de 64,feita pelo IBOPE e que consta dos arquivos da UNICAMP,seria interessante se o VIOMUNDO publicasse esta pesquiza,que pode ter sido um dos estopim do GOLPE de 64.
Sobre a Folha de SP nenhuma novidade,os Frias não conseguem mais “Tapar o Sol com a Peneira”!

Responder

Antônio

25/12/2012 - 17h14

Lula diz que Dona Canô foi referência de sabedoria para o Brasil.

A nota é também assinada por Dona Letícia.

Pois é, a Folha parece que não conseguiu destruir o casamento do Lula com D. Letícia. Nem mesmo tendo colocado uma Rosemary faceira e sensual em suas páginas durante vários dias.

Conclusão: a D. Letícia se garante, ouviu mônica bérgamo?

Responder

    wendell dantas

    25/12/2012 - 22h39

    isso é que é resposta… essses hipocritas pagos por dinheiro fruto do descaminho e da falsa ilusão meritória parecem não se cassar de tentar macular quem possa construer um mundo melhor!

FrancoAtirador

25/12/2012 - 17h08

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REVISTA FÓRUM

Relações da mídia com a ditadura

Sobre um histórico debate da Falha de São Paulo

Autor: Professor Idelber Avelar, da universidade de Tulane/New Orleans-USA

Aconteceu na noite desta quinta-feira, na Casa Fora do Eixo, em São Paulo, um programa histórico da Pós-TV de Lino Bocchini, sobre o tema da cumplicidade entre a mídia brasileira e a ditadura militar de 1964-85. Reuniram-se Lino, a jornalista Thaís Barreto, do Núcleo da Memória, a pesquisadora Beatriz Kushnir e o jornalista e escritor Alípio Freire. Bia talvez seja a principal pesquisadora brasileira das relações entre a mídia e a ditadura, e é autora do livro Cães de Guarda: jornalistas e censores, do AI-5 à Constituição de 1988 (Boitempo, 2004), fruto de sua tese de doutoramento na Unicamp, para a qual realizou mais de sessenta entrevistas. Alípio foi militante da Ala Vermelha, grupo dissidente do PcdoB. Preso pela Operação Bandeirantes em 1969, esteve no DOPS, no Presídio Tiradentes, na Casa de Detenção do Carandiru e na Penitenciária do Estado de São Paulo. Trabalhou duas vezes na empresa Folha, a primeira em 1968, e depois de 1975 a 1979, período no qual testemunhou a demissão de Cláudio Abramo a pedido do II Exército.

No programa, Beatriz explica que dois fatos serviram de trampolim inicial para sua pesquisa. Os dez primeiros censores que chegaram a Brasília para servir à ditadura eram jornalistas, o que por si só já coloca em pauta a cumplicidade que norteia o livro. Em segundo lugar, na morte de Joaquim Alencar de Seixas sob tortura, no DOI-CODI (SP), ocorrera um fato curioso: seu filho Ivan Seixas, também torturado pelo carniceiro David dos Santos Araújo (que trucidava seres humanos no DOI-CODI com o codinome “Capitão Lisboa”), lera na Folha da Tarde a notícia da morte do pai 24 horas antes de que ela ocorresse. Numa saída com os torturadores, Ivan vê a manchete e, depois de regressar ao inferno do DOI-CODI, encontra seu pai ainda vivo. Ele só seria assassinado um dia depois.

O episódio mostra – e há outros do mesmo tipo – que a colaboração da Folha com a ditadura militar foi além do apoio puro e simples, em editoriais golpistas antes de 31/03/1964 e em sustentação ideológica depois de instalado o regime. Essa colaboração também incluía a produção antecipada da mentira sobre a morte, manchetada, em geral, como resultado de um tiroteio ou um acidente antes que o regime procedesse ao assassinato da vítima. No momento do assassinato, a vítima já estava, perante os olhos do público, “morta como resultado de tiroteio [ou acidente]”. A morte de Eduardo Leite, o Bacuri, assassinado pela ditadura, também foi anunciada antecipadamente, e de forma mentirosa, pela Folha. Seus torturadores chegaram a lhe exibir, no cativeiro, os jornais que afirmavam que ele havia fugido da prisão.

A pesquisa de Bia Kushnir e o testemunho de Alípio Freire também confirmam a já conhecida história do empréstimo de carros do grupo Folha às operações do DOI-CODI. Os carros serviram para albergar agentes da repressão em eventos de protesto contra a ditadura, para que dali eles capturassem ativistas de esquerda com mais facilidade. Os carros também foram usados para transportar presos políticos.

O programa de Lino, que é uma verdadeira aula de história do Brasil, também tocou no tema da auto-censura e da delação. Como exemplo desta última, Alípio citou fato ocorrido no dia 07 de setembro de 1975, quando ele trabalhava an TV Bandeirantes. Alípio afirmou que depois de editada sua matéria sobre os desfiles, Roberto Corte Real, locutor do jornal do meio-dia, telefonou para a Polícia Federal, que recebeu cópias do programa.

No esforço de desarquivar o Brasil, é importante também abrir a caixa-preta da imprensa, inclusive para que os jornalistas que hoje lá trabalham possam saber um pouco mais sobre a história que lhes precede. Apesar da pesquisa pioneira de Beatriz e dos vários testemunhos de militantes anti-ditadura como Alípio, é impressionante como ainda sabemos pouco sobre esse capítulo do Brasil.

http://revistaforum.com.br/idelberavelar/2012/04/06/relacoes-da-midia-com-a-ditadura-sobre-um-historico-debate-da-falha-de-sao-paulo/

Responder

    FrancoAtirador

    25/12/2012 - 17h13

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    LIVRO

    Título: CÃES DE GUARDA
    Subtítulo: JORNALISTAS E CENSORES, DO AI-5 À CONSTITUIÇÃO DE 1988
    Autor(a): BEATRIZ KUSHNIR
    Prefácio: STELLA BRESCIANI
    BOITEMPO EDITORIAL

    “A investigação, cuidadosa e inovadora, reconstrói em grande parte o universo dos próprios censores, por meio de extensas entrevistas tanto com esses, como com vários jornalistas. Traz à tona, portanto, a fala desse grupo conhecido pelo uso do lápis vermelho e da tesoura e sua face pouco vislumbrada.”
    Michael Hall

    Doutora em História Social, Beatriz Kushnir lança, nos 40 anos do golpe de 1964, livro nascido de intensa pesquisa sobre um dos aspectos fundamentais do regime militar: sua relação com os órgãos de imprensa, da censura à colaboração. “O objetivo é iluminar um território sombrio e desconfortável: a existência de jornalistas que foram censores federais e que também foram policiais enquanto exerciam a função de jornalistas nas redações”, explica Beatriz na introdução do livro.

    A pesquisadora explora a formação, as bases jurídicas e as diretrizes que orientavam o trabalho da censura, baseando-se em extensa pesquisa documental, além de entrevistas, inclusive com onze censores – aspecto inédito – cujo trabalho era “filtrar”, na imprensa e nas artes, o que incomodasse o regime não só no campo político, como também na cultura e até no campo da moral. Outro foco do trabalho é a cumplicidade da imprensa, especialmente da Folha da Tarde – veículo onde trabalhavam vários militantes de esquerda até a época em que o jornal ficou conhecido como Diário Oficial da Oban (Operação Bandeirantes) – com o regime militar e seu aparelho repressivo: os diretores do jornal eram ao mesmo tempo funcionários da polícia, reconhecidamente. Eles mesmos confirmam em entrevistas.

    O livro toca num tema delicado, e indiretamente critica historiadores de renome que fazem a história da imprensa “esquecendo” o caso da FT. Cães de guarda explora os limites entre a censura, a auto-censura dos jornalistas e a complicada convivência entre governo e imprensa durante a ditadura militar.

    Sobre a autora
    Beatriz Kushnir é mestre em História Social pela Universidade Federal Fluminense e doutora em História Social do Trabalho pela Unicamp. Atualmente desenvolve um projeto de pós-doutoramento, com financiamento do CNPq, no Centro de Estudos de Migrações Internacionais (Cemi/Unicamp), e desde 1998 presta consultoria história para cinema e teatro.
    É autora de ‘Baile de máscaras: mulheres judias e prostituição’ e organizadora de ‘Perfis cruzados: trajetórias e militância política no Brasil’, ambos publicados pela Imago.

    http://www.boitempo.com/livro_completo.php?isbn=85-7559-044-8

    FrancoAtirador

    25/12/2012 - 17h37

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    A Folha tenta se explicar

    Nos três momentos mais importantes da história brasileira, a mídia estava do lado golpista, do lado das elites, contra o povo e a democracia.
    Entre eles, o jornal dos Frias, um dos que mais tem a esconder do seu passado e do seu presente.
    Uma funcionária da empresa há 24 anos, que fez sua carreira totalmente na Folha, que já ocupou vários cargos na direção na mesma, escreveu uma espécie de história ou de justificativa da empresa.
    O livrinho tem o titulo “Folha explica Folha”.
    Mas poderia também se intitular ‘Folha tenta se explicar, em vão’.

    O artigo é de Emir Sader, na Carta Maior

    Os órgãos da imprensa brasileira não podem fazer suas histórias, tantos são os episódios, as posições, as atitudes indefensáveis deles ao longo do tempo. Suas trajetórias estão marcadas pelas posições mais antipopulares, mais antidemocráticas, racistas, golpistas, discriminatórias, de tal forma que eles não ousam tentar contar suas histórias.

    Como relatar que estiveram sempre contra o Getúlio, pelas políticas populares e nacionalistas dele?
    Como recordar que todos pregaram o golpe de 1964 e apoiaram a ditadura militar, em nome da democracia?
    De que forma negar que apoiaram entusiasticamente o Collor e o FHC e fizeram tudo para que o Lula não se elegesse e se opuseram sempre a ele, por suas políticas sociais e de soberania nacional?
    Nos três momentos mais importantes da história brasileira, a mídia estava do lado golpista, do lado das elites, contra o povo e a democracia.

    Entre eles, o jornal dos Frias, um dos que mais tem a esconder do seu passado e do seu presente. Uma funcionária da empresa há 24 anos, que fez sua carreira profissional totalmente na empresa, sem sequer conhecer outras experiências profissionais, que já ocupou vários cargos na direção da empresa, decidiu ou ‘foi decidida’ a escrever uma espécie de história ou de justificativa da empresa dos Frias.

    O livro foi publicado numa coleção da empresa. A funcionária se chama Ana Estela de Sousa Pinto e o livrinho tem o titulo Folha explica Folha. Mas poderia também se intitular Folha tenta se explicar, em vão.

    Livro mais patronal, não poderia existir, até porque quem o escreve não tem a mínima isenção para analisar a trajetória da empresa da qual é funcionária. Começa com uma singela apresentação histórica das origens da empresa. De resgatável, uma citação do editorial de apresentação do primeiro jornal da empresa, que se diz como um jornal “incoerente” e “oportunista”, numa visão premonitória do que viria depois. Nada do que é relatado considera a história como elemento constitutivo do presente. São informações juntadas, num péssimo estilo de historiografia que não explica nada.

    Logo no primeiro grande acontecimento histórico que a empresa vive, sua natureza política já aflora claramente: apoio a Washington Luís e oposição férrea a Getúlio, tudo na ótica que perduraria ao longo do tempo: “a defesa dos interesses paulistas” ou do interesse das elites, revelando a função da imprensa paulista: passar seus interesses pelos de São Paulo.

    Naquele momento se tratava de defender os interesses da lavoura do café. Para favorecer aos fazendeiros em crise, a empresa aceitava o pagamento de assinaturas em sacas de café, revelando o promiscuidade entre jornal e o café.

    De forma coerente com esse anti-getulismo em nome dos interesses de São Paulo, a empresa se alinha com a “Revolução Constitucionalista” de 1932, contra a “ditadura inoperante, obscura e inepta em relação ao Estado de São Paulo”. O estado é sempre a referência, sinônimo de progresso, de liberdade, de democracia. O anti-getulismo é visceral: “O diretor Rubens Amaral levava seu anti-getulismo ao extremo de impedir que os filhos saíssem de casa quando o ditador (sic) visitava São Paulo. ‘Dizia que o ar estava poluído”, conta sua filha mais velha.”

    Esse elitismo paulistano fez, por exemplo, que o Maracanaço de 1950 só fosse noticiado na terça-feira, na pagina 4 do caderno “Economia e Finanças”.

    A autora tenta abrandar as coisas.
    Afirma que “A posição da Folha foi oscilante ao abordar o governo de João Goulart (1961-64) e a ditadura que o sucedeu.”

    MENTIRA!, O JORNAL FEZ CAMPANHA SISTEMÁTICA PELO GOLPE MILITAR.

    Bastaria ela ter se dado ao trabalho de ler os jornais daquela época.

    Encontraria, por exemplo, no dia 20/3/1964, a manchete:
    “São Paulo parou ontem para defender o regime”.
    E, ainda na primeira pagina:
    “A disposição de São Paulo e dos brasileiros de todos os recantos da pátria para defender a Constituição e os princípios democráticos , dentro do mesmo espírito que dito a Revolução de 32, originou ontem o maior movimento cívico em nosso Estado: “Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade”.
    E vai por aí afora, reproduzindo exatamente as posições que levaram ao golpe.
    Editorial de primeira página vai na mesma direção.

    Bastaria ler alguns dos jornais desses dias e semanas, para se dar conta da atitude claramente golpista, mobilizadora a favor da ditadura militar, pregando e enaltecendo as “Marchas”.
    Nenhuma oscilação ou ambiguidade como, de maneira subserviente, a autora do livrinho sugere.

    A transformação da Folha da Tarde num órgão diretamente vinculado à ditadura militar e a seus órgãos repressivos, o papel de Carlos Caldeira, sócio dos Frias, no financiamento da Oban, assim como o empréstimo de veículos da empresa para dar cobertura à ações terroristas da Oban, são coerentes com essas posições.

    De Caldeira, ela não pode deixar de mencionar que “tinha afinidade com integrantes do regime militar e era amigo do coronel Erasmo Dias”. “Caldeira não era o único com conexões militares. Na redação da empresa havia policiais civis e militares, tanto infiltrados como declarados – alguns até trabalhavam armados.”

    Sobre o empréstimo dos carros à Oban, a autora tenta aliviar a responsabilidade dos patrões, mas fica em maus lençóis.

    Há os testemunhos de Ivan Seixas e de Francisco Carlos de Andrade, que viram as caminhonetas com logotipos da empresa estacionadas várias vezes no pátio interno na fatídica sede da Rua Tutoia.

    Só lhe resta o apelo às palavras do então diretor do Doi-Codi, major Carlos Alberto Brilhante Ustra – condenado pela Justiça Militar como torturador – que “nega as afirmações dos guerrilheiros”. Bela companhia e testemunha a favor da empresa dos Frias, que a condena por si mesma.

    Já um então jornalista da empresa, Antonio Aggio Jr. “reconhece o uso de caminhonete da empresa por militares, mas antes do golpe”.

    Dado o precedente, ainda na preparação do golpe, nada estranho que isso tivesse se sistematizado já durante a ditadura.

    Fica, portanto, plenamente caracterizado tudo o que diz Beatriz Kushnir no seu indispensável livro “Caes de Guarda”, da Boitempo, significativamente ausente da bibliografia do livro, sobre a conivência direta da empresa dos Frias na ditadura, incluído o empréstimo das viaturas para a Oban.

    Editorial citado confirma a posição da empresa: “É sabido que esses criminosos, que o matutino (Estado) qualifica tendenciosamente de presos políticos, mas que não são mais do que assaltantes de bancos, sequestradores, ladrões, incendiários e assassinos, agindo, muitas vezes, com maiores requintes de perversidade que os outros, pobres-diabos, marginais da vida, para os quais o órgão em apreço julga legítimas toda promiscuidade.” (30/6/1972)

    Assim os Frias caracterizam os que lutaram contra a ditadura. Fica plenamente caracterizado que a empresa estava totalmente do lado da ditadura, reproduzindo os seus jargões e a desqualificação dos que estavam do lado da resistência.

    Passando pelo apoio ao Plano Collor, a empresa saúda a eleição de FHC como a Era FHC, com um caderno especial, assumindo que se virava a pagina do getulismo, para que o Brasil ingressasse plenamente na era neoliberal. Do anti-getulismo a empresa passou diretamente para o anti-lulismo – posição que caracteriza o jornal há tempos -, sempre em nome da elite paulista. A Era FHC acabou sem que o jornal tivesse feito sequer uma errata e nem se deu conta que a nova era é a Era Lula.

    A decadência da empresa não consegue ser escondida. Depois de propalar que tinha chegado a tirar 1.117.802 exemplares em agosto de 1994, 18 anos depois, com todo o aumento da população e da alfabetização, afirma que tira pouco mais de 300 mil, para vender muito menos – incluída ainda a cota dos governos tucanos.

    Ao longo dos governos FHC e Lula, a empresa foi sendo identificada, cada vez mais, com órgão dos tucanos paulistanos, seus leitores ficaram reduzidos aos partidários do PSDB, sua idade foi aumentando cada vez mais e o nível de renda concentrado nos setores mais ricos.

    A direção do jornal, exercida pelos membros da família Frias nos seus cargos mais importantes, tendo a Otavio Frias Filho escolhido por seu pai para sucedê-lo, cargo que ocupa já há 18 anos, por sucessão familiar.

    Apesar de quererem explicar a Folha, a impossibilidade de encarar com transparência sua trajetória, o livro se revela uma publicação subserviente aos proprietários da empresa, oficialista, patronal, que reflete o nível a que desceu a empresa ao longo das duas ultimas décadas.

    http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21440

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