Mais uma declaração de princípios, esta de 1964

publicado em 9 de agosto de 2011 às 0:21

Primeiro de abril: Segundo “O Globo”, nascia um paraíso

Publicado em 30 de março de 2008 às 21:47, no Viomundo antigo

editorial de “O Globo”, em 02/04/1964

Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, que obedientes a seus chefes demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.

Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ser a garantia da subversão, a escora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade, não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada.

Agora, o Congresso dará o remédio constitucional à situação existente, para que o País continue sua marcha em direção a seu grande destino, sem que os direitos individuais sejam afetados, sem que as liberdades públicas desapareçam, sem que o poder do Estado volte a ser usado em favor da desordem, da indisciplina e de tudo aquilo que nos estava a levar à anarquia e ao comunismo.

Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente, certos, enfim, de que todos os nossos problemas terão soluções, pois os negócios públicos não mais serão geridos com má-fé, demagogia e insensatez.

Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus inimigos. Devemos felicitar-nos porque as Forças Armadas, fiéis ao dispositivo constitucional que as obriga a defender a Pátria e a garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem, não confundiram a sua relevante missão com a servil obediência ao Chefe de apenas um daqueles poderes, o Executivo.

As Forças Armadas, diz o Art. 176 da Carta Magna, “são instituições permanentes, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade do Presidente da República E DENTRO DOS LIMITES DA LEI.”

No momento em que o Sr. João Goulart ignorou a hierarquia e desprezou a disciplina de um dos ramos das Forças Armadas, a Marinha de Guerra, saiu dos limites da lei, perdendo, conseqüentemente, o direito a ser considerado como um símbolo da legalidade, assim como as condições indispensáveis à Chefia da Nação e ao Comando das corporações militares. Sua presença e suas palavras na reunião realizada no Automóvel Clube, vincularam-no, definitivamente, aos adversários da democracia e da lei.

Atendendo aos anseios nacionais, de paz, tranqüilidade e progresso, impossibilitados, nos últimos tempos, pela ação subversiva orientada pelo Palácio do Planalto, as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-os do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal.

Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais. Aliaram-se os mais ilustres líderes políticos, os mais respeitados Governadores, com o mesmo intuito redentor que animou as Forças Armadas. Era a sorte da democracia no Brasil que estava em jogo.

A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo. Mas, por isto que nacional, na mais ampla acepção da palavra, o movimento vitorioso não pertence a ninguém. É da Pátria, do Povo e do Regime. Não foi contra qualquer reivindicação popular, contra qualquer idéia que, enquadrada dentro dos princípios constitucionais, objetive o bem do povo e o progresso do País.

Se os banidos, para intrigarem os brasileiros com seus líderes e com os chefes militares, afirmarem o contrário, estarão mentindo, estarão, como sempre, procurando engodar as massas trabalhadoras, que não lhes devem dar ouvidos. Confiamos em que o Congresso votará, rapidamente, as medidas reclamadas para que se inicie no Brasil uma época de justiça e harmonia social. Mais uma vez, o povo brasileiro foi socorrido pela Providência Divina, que lhe permitiu superar a grave crise, sem maiores sofrimentos e luto. Sejamos dignos de tão grande favor.

 

21 Comentários para “Mais uma declaração de princípios, esta de 1964”

  1. H. Back™ disse:

    “(…) Mais uma vez, o povo brasileiro foi socorrido pela Providência Divina, que lhe permitiu superar a grave crise, sem maiores sofrimentos e luto. Sejamos dignos de tão grande favor.”
    É incompreensível como alguém alguém pode acreditar nisso?

  2. José Silva disse:

    Somos controlados, do ponto de victa de formação de opinia, pelo lixo do lixo do que chamam de grande mdea.
    Enquanto não houver uma regulamentação dos meios de comunicação, onde o sujeito principal seja o cidadao brasileiro que deve ser respeitado acima dos interesses dos empresariais que via de regra são os legisladores.
    Pobre povo manipulado pela ganancia desse grupos.

  3. _spin disse:

    Esses barões da mídia não tem o que fazer.
    Aproveitam-se de possíveis irregularidades em alguma ONG para derrubar um ministro
    Nestes tem que mandar a policia apurar e pronto, é pra isso que tem PF, CGU, por sinal isso nem existia na Era FHC
    Deixem a mulher trabalhar tropa de piguentos safados, essas familias que mandam na comunicçaão tipo Frias, Marinho, Saad, Civita Murdoch, este é persona non grata na sua propria terra a Argentina
    Aqui vem dar uma de moralista querendo derrubar governo eleito pelo povo

  4. alex disse:

    Brizola tinha mesmo razão: a gRobo é um filhote da ditadura, e venenoso.

  5. [...] a mais importante foi o editorial de 2 de Abril de 1964, uma ode ao Golpe Militar¹ contra um presidente eleito e popular. A segunda vez, também igualmente marcante foi em 1984 [...]

  6. operantelivre disse:

    Quando a GROBo falir podem se dedicar à sua verdadeira vocação, o mercado da Providência Divina e fundar a Igreja GLOBAL da Providência Divina.

    Só não podem se esquecer de perguntar antes a Deus se Ele quer o apoio dela.

  7. FrancoAtirador disse:

    .
    .
    JORNAL NACIONAL DA GLOBO VIOLA OS DIREITOS HUMANOS

    Por Fernando Marés de Souza, no Roteiro de Cinema News

    Publiquei ontem sobre os princípios editoriais das Organizações Globo anunciados e desrespeitados por seus jornalistas numa mesma edição do Jornal Nacional, e inspirado pelo relato que fiz do caso da merendeira suspeita de colocar veneno em comida de alunos, o Antônio Mello, do Blog do Mello, montou vídeo elucidativo (lá embaixo no comentário do Yarus).

    Relatei no artigo original: "Em uma matéria sobre a presença de veneno em merenda escolar no RS, a âncora Fátima Bernardes afirma: "Está foragida a merendeira que pôs veneno de rato na comida de crianças e professores de uma escola pública de Porto Alegre" – enquanto mostra a foto da acusada na tela. Mas como pode a jornalista afirmar como fato algo que ainda não foi comprovado? A merendeira é SUSPEITA de ter colocado veneno, ACUSADA de ter colocado veneno, Fátima Bernardes não pode apresentar como fato que a "merendeira pôs veneno de rato na comida de crianças". Mesmo que haja uma suposta confissão da merendeira, o advogado da acusada afirma que ela não colocou veneno algum e que se apresentará segunda-feira, informação que o Jornal Nacional não traz em sua reportagem. A matéria fere os princípios descritos nos itens 1-v, 1-x, e 1-z dos princípios editoriais, desrespeita o princípio do contraditório e qualquer senso básico de justiça."

    Porém, mais grave que desrespeitar seus princípios editoriais, os jornalistas responsáveis pela matéria – em especial o editor-chefe William Bonner e o diretor da central de jornalismo Ali Kamel – violam os direitos humanos da cidadã brasileira Wanuzi Mendes Machado, violam a Constituição Federal e o Código de Ética dos Jornalistas brasileiros:

    É expresso na Declaração Universal dos Direitos do Homem em seu artigo Artigo XI:
    1. Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presumida inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.

    É expresso na Constituição Federal em seu artigo Art. 5º:
    LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;

    É expresso no Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros no Capítulo III:
    Art 9º A presunção de inocência é um dos fundamentos da atividade jornalística.
    Art. 12. O jornalista deve:
    I – (…) ouvir sempre, antes da divulgação dos fatos, o maior número de pessoas e instituições envolvidas em uma cobertura jornalística, principalmente aquelas que são objeto de acusações não suficientemente demonstradas ou verificadas;

    Então fica a pergunta: até quando o Jornal Nacional e o jornalismo da Globo se sentirão acima de todas as regras, sejam elas públicas ou privadas?

    Vale ressaltar que não está em discussão a inocência ou culpa da cidadã Wanusi, pois isso só será determinado após o devido processo legal. Não é uma questão sobre este caso específico. É uma questão de princípios.

    OUTRO LADO:

    A Central Globo de Comunicação foi procurada mas ainda não se pronunciou. A resposta será publicada aqui neste espaço.

    UPDATE: Apesar de ainda não ter recebido resposta da CGCOM, a edição de hoje do Jornal Nacional trouxe um desdobramento sobre o caso. Os jornalistas deram voz ao contraditório, apresentaram a tese do advogado da merendeira, passaram a chamá-la de "suspeita" e ao final, fizeram uma retratação: "Ao tratar desse caso policial no último sábado (6), por uma falha de edição, o Jornal Nacional não mencionou a alegação do advogado de defesa que contestava a confissão da cliente. Foi, obviamente uma falha, que foi corrigida nesta reportagem."

    Porém, apesar da retratação ser um avanço – apresentando o contraditório e admitindo um erro – o veículo ainda não admitiu que errou ao afirmar que a merendeira "pôs veneno de rato na comida de crianças" sem que esta tese estivesse comprovada.

    http://roteironews.blogspot.com/2011/08/jornal-na

    • H. Back™ disse:

      Essa “rede de intrigas”, (leia-se rede globo) está tão acostumada com as suas transgressões que já não tem mais medo da justiça. A impressão que eu tenho, é que ela se acha a própria justiça. O juri, o juiz e o verdugo.

  8. Marcio H Silva disse:

    Roberto Marinho, grande traíra de nossa sociedade, babava de uma lado e mamava de outro. Lembro na época, estava com 9 anos, o fechamento da TV EXCELSIOR, que já liderava a audiencia na época, suplantando a extinta TV RIO. A Direção da TV EXCELSIOR não quis fazer o jogo dos milicos e teve de fechar.

  9. Dirck disse:

    Desculpem… Fui vomitar.

  10. Silvio I disse:

    Azenha:
    Todo o que se fale do Globo sempre será pouco. Tem sempre muito mais. Mais aproveitando o descumprimento dos direitos humanos, todas as estações de TV, não cumprem. Em esses programas policiais, que dão muita audiência, não se respeitam os direitos humanos.Por exemplo não e possível que um individuo preso, pela policia, um jornalista ao lado do policial, posa fazer perguntas ao preso, antes que o juiz o tenha visto.Essa pessoa pressa e um cidadão, e sô o juiz poderá determinar, si ele perde esse direito.

  11. Marat disse:

    Brizola falou e disse: "A Globo é um filhote da ditadura"!!!!!!!!!!!!!!

  12. FrancoAtirador disse:

    .
    .
    Por ocasião dos 40 anos da Globo (segundo ela própria)
    o FAZENDO MEDIA publicou um Especial
    dedicado exclusivamente a essa "Organização".
    .
    .
    POR TRÁS DA TELA
    Abril de 2005.

    Já que a rede avassaladora transmitirá sua verdade única a milhões de brasileiros, cabe aos veículos alternativos o contraponto. A começar explicando a verdadeira idade desta velha senhora. O fato é que a Globo não tem apenas 40 anos, "idade da loba", como definiu uma sorridente Cristiane Torloni no Jornal Nacional desta segunda-feira (25/4). A questão é que revelar sua própria idade implica, nesse caso, algo mais do que assumir as rugas. Vejamos esse trecho do livro A história secreta da Rede Globo, de Daniel Herz: "No ano seguinte, em 1962, a Globo assinou com Time-Life dois contratos e passou a ser subvencionada por milhões de dólares".
    A Globo foi montada com US$ 6 milhões de dólares, enquanto a maior emissora da época, a Rede Tupi, havia sido construída com US$ 300.000,00. Os contratos firmados com o grupo Time-Life resultaram numa CPI que não foi muito longe e não chegou a resultados concretos, embora o acordo violasse a Constituição do Brasil. Sobre o grupo Time-Life, o então deputado João Calmon disse: "é um grupo da linha mais reacionária e mais retrógrada do Partido Republicano, exclusivamente interessado em manter, em países como o nosso, bases anticomunistas" (A História Secreta da Rede Globo, página 93).

    De fato, o chamado 'perigo comunista' estava em moda na época. Ocupavam o lugar que hoje é ocupado pela 'ameaça terrorista'. E tanto no passado quanto no presente, os meios de comunicação da mídia grande jamais se preocuparam em contextualizar essa temática, optando por reproduzir, sem questionamentos, o discurso dominante. Nesse sentido, o escritor Roméro da Costa Machado, autor do livro "Afundação Roberto Marinho", vai ainda mais longe e afirma, em um de seus artigos que se encontram logo abaixo, ser um erro analisar o contrato da Globo com a Time-Life simplesmente como um caso de violação à Constituição:

    - O escândalo Globo/Time Life não é meramente um caso de um sócio brasileiro (Roberto Marinho) que aceita como sócio uma empresa estrangeira (Grupo Time-Life), contra todas as leis do país. O escândalo Globo/Time-Life é mais do que isso. É antes de mais nada um suporte de mídia que visava apoiar, dar base, sustentação e consolidar a ditadura no Brasil, apoiada e supervisionada pela CIA, por exigência dos Estados Unidos, comandado por terroristas da CIA, como Vernon Walters e Joe Walach, sendo este último com emprego fixo na Globo, como "representante" do grupo Time-Life.

    No momento em que a Globo tenta reescrever a história lançando livros e organizando uma festa que promete se alongar durante uma semana inteira de modo a tentar convencer o público de que em sua existência não existem pecados, é importante não deixar que todas essas luzes ofusquem o olhar. Não podemos nos esquecer que a Rede Globo nasceu e se criou em meio a troca de favores com a ditatura apoiada pelos EUA; não custa lembrar da manipulação grosseira, em 1984, por ocasião das manifestações pelas "Diretas Já" ou ainda aquela edição, em 1989, que favoreceu Fernando Collor. E esses são apenas alguns poucos casos. Os que ficaram mais famosos em meio a tantos outros.

    Por tudo isso preparamos este Especial Globo com o intuito de constituir uma fonte de consulta segura sobre a verdadeira história dessa empresa. De início, onze artigos de Roméro da Costa Machado, que trabalhou durante dez anos na Fundação Roberto Marinho, alcançando o cargo mais alto da Fundação, o de controller, e também o posto de assessor especial de José Bonifácio Sobrinho, o Boni, que foi durante muitos anos o braço direito de Roberto Marinho. Para acompanhar, destacamos o texto produzido pelo coletivo Intervozes, que oferece uma análise precisa sobre a Rede Globo. Boa leitura!

    Jornalistas sofrem perseguição política na TV Globo
    Leia aqui os bastidores das demissões, das ameaças e da reunião de Ali Kamel, diretor de jornalismo, com editores do Jornal Nacional num hotel onde a diária não sai por menos de R$ 600,00. E veja também onde o oligopólio da mídia entra nessa história.

    O avanço da censura na TV Globo
    "Será que os irmãos Marinho têm total consciência do papel nefasto dessa nova direção de jornalismo?", pergunta o ex-repórter da Globo, Rodrigo Vianna, em entrevista exclusiva.

    ARTIGOS DE ROMÉRO DA COSTA MACHADO
    A síntese do Império Globo de Crimes

    TEXTO DO COLETIVO INTERVOZES
    40 anos de Rede Globo: não há nada para comemorar

    http://www.fazendomedia.com/globo40/globo40.htm

  13. dukrai disse:

    não ideológico, apartidário, laico, constitucional e factual. um pequeno lapso, não ouviram o outro lado kkkkkkkkkk

  14. Edson Barbosa disse:

    Azenha, não tive paciência para ler a DP da Globo. O que faço agora é uma relação entre a republicação do editorial de abril e 1964 e a posse do Celso Amorim junto a relatos do descontentamento das corporações militares. Preocupa o ministro dar atenção a queixas salariais. Ora, porque sob a tutela do "maior ministro a defesa que o Brasil já teve" estas questões não existiam? Esta pressão dos militares é inadmissível. Como disse no discurso a presidente Dilma todos tem que obedecer a hierarquia. Os militares são subalternos da Presidente, da Nação e do Povo. Os salários, ou soldo como preferem denominar, dos em cargo de comando são o sonho de muitos brasileiros, menos iguais diante da igualdade propalada em no Constituição. Além disto, em caso de morte do servidor, beneficiam filhos adultos, velhos até, enquanto outras categorias recebem pensão até 18 ou 21 anos. Não há porque na reclamação da elite militar.
    E é isto o que realmente preocupa

  15. FrancoAtirador disse:

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    ORGANIZAÇÕES GLOBO PUBLICAM SEUS PRINCÍPIOS ÉTICOS MAS NÃO OS PRATICAM

    Por Fernando Marés de Souza, no Roteiro de Cinema News

    A maneira como o jornalismo da Globo lida com suspeitos de crimes é – sob minha ótica – um dos principais desvios éticos da organização.

    O veículo tem um caráter justiceiro, se coloca acima do judiciário e do devido processo legal, acima do princípio – não descrito no documento da Globo, mas sim na Declaração Universal dos Direitos do Homem – de que todos são inocentes até que se prove o contrário.

    A Globo trata suspeitos e investigados como culpados sentenciados, sem autoridade moral ou legal para isso, assume como verdade inequívoca teses não comprovadas de agentes policiais, provocando tragédias como a do calvário do jornalista José Cleves, vítima de uma reportagem sensacionalista do Fantástico em 2001 que – baseado apenas na palavra de um delegado que queria incriminar o jornalista que investigava a corrupção policial – julgou e condenou o réu por antecedência no caso do assassinato de sua esposa.
    Cleves ficou anos encarcerado, mas posteriormente foi inocentado pelo STF, após intervenção da Comissão Nacional de Direitos Humanos. A matéria do Fantástico havia sido apresentada como prova pela promotoria.
    O Fantástico nunca se retratou do erro ou citou novamente o nome de Cleves.

    Relata José Cleves:
    "A maldade da polícia, no meu caso, foi reparada pela Justiça, que me absolveu à unanimidade ao acatar a tese de meu advogado de que a arma, apontada pela polícia (e a imprensa que a copiou) como a do crime, fora plantada no local do assalto para incriminar-me. A mesma reparação não tive da imprensa. O espetáculo jornalístico causou um estrago tão grande na minha família que perdi as esperanças de um dia ficar livre desse pesadelo."

    Íntegra em:

    http://roteironews.blogspot.com/2011/08/globo-pub

    • FrancoAtirador disse:

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      JORNAL NACIONAL DA GLOBO VIOLA OS DIREITOS HUMANOS

      Por Fernando Marés de Souza, no Roteiro de Cinema News

      Publiquei ontem sobre os princípios editoriais das Organizações Globo anunciados e desrespeitados por seus jornalistas numa mesma edição do Jornal Nacional, e inspirado pelo relato que fiz do caso da merendeira suspeita de colocar veneno em comida de alunos, o Antônio Mello, do Blog do Mello, montou este vídeo elucidativo (acima).

      Relatei no artigo original: "Em uma matéria sobre a presença de veneno em merenda escolar no RS, a âncora Fátima Bernardes afirma: "Está foragida a merendeira que pôs veneno de rato na comida de crianças e professores de uma escola pública de Porto Alegre" – enquanto mostra a foto da acusada na tela. Mas como pode a jornalista afirmar como fato algo que ainda não foi comprovado? A merendeira é SUSPEITA de ter colocado veneno, ACUSADA de ter colocado veneno, Fátima Bernardes não pode apresentar como fato que a "merendeira pôs veneno de rato na comida de crianças". Mesmo que haja uma suposta confissão da merendeira, o advogado da acusada afirma que ela não colocou veneno algum e que se apresentará segunda-feira, informação que o Jornal Nacional não traz em sua reportagem. A matéria fere os princípios descritos nos itens 1-v, 1-x, e 1-z dos princípios editoriais, desrespeita o princípio do contraditório e qualquer senso básico de justiça."

      Porém, mais grave que desrespeitar seus princípios editoriais, os jornalistas responsáveis pela matéria – em especial o editor-chefe William Bonner e o diretor da central de jornalismo Ali Kamel – violam os direitos humanos da cidadã brasileira Wanuzi Mendes Machado, violam a Constituição Federal e o Código de Ética dos Jornalistas brasileiros:

      É expresso na Declaração Universal dos Direitos do Homem em seu artigo Artigo XI:
      1. Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presumida inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.
      É expresso na Constituição Federal em seu artigo Art. 5º:
      LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;
      É expresso no Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros no Capítulo III:
      Art 9º A presunção de inocência é um dos fundamentos da atividade jornalística.
      Art. 12. O jornalista deve:
      I – (…) ouvir sempre, antes da divulgação dos fatos, o maior número de pessoas e instituições envolvidas em uma cobertura jornalística, principalmente aquelas que são objeto de acusações não suficientemente demonstradas ou verificadas;

      Então fica a pergunta: até quando o Jornal Nacional e o jornalismo da Globo se sentirão acima de todas as regras, sejam elas públicas ou privadas?

      Vale ressaltar que não está em discussão a inocência ou culpa da cidadã Wanusi, pois isso só será determinado após o devido processo legal. Não é uma questão sobre este caso específico. É uma questão de princípios.

      OUTRO LADO:

      A Central Globo de Comunicação foi procurada mas ainda não se pronunciou. A resposta será publicada aqui neste espaço.

      UPDATE: Apesar de ainda não ter recebido resposta da CGCOM, a edição de hoje do Jornal Nacional trouxe um desdobramento sobre o caso. Os jornalistas deram voz ao contraditório, apresentaram a tese do advogado da merendeira, passaram a chamá-la de "suspeita" e ao final, fizeram uma retratação: "Ao tratar desse caso policial no último sábado (6), por uma falha de edição, o Jornal Nacional não mencionou a alegação do advogado de defesa que contestava a confissão da cliente. Foi, obviamente uma falha, que foi corrigida nesta reportagem."

      Porém, apesar da retratação ser um avanço – apresentando o contraditório e admitindo um erro – o veículo ainda não admitiu que errou ao afirmar que a merendeira "pôs veneno de rato na comida de crianças" sem que esta tese estivesse comprovada.

      http://roteironews.blogspot.com/2011/08/jornal-na

  16. P A U L O P. disse:

    Teve também, nesta época, um encarte da revista 'Seleções do Reader's Digest ' da edutora Abril, com o 'sugestivo' de – 'Acorda Brasil'.l

    Lembro-me, como se fosse hoje…

  17. Yarus disse:

    "É interessante notar que na mesma edição do Jornal Nacional que anunciou os tais Princípios Editoriais, seus jornalistas descumprem flagrantemente o que está escrito no documento. Em uma matéria sobre a presença de veneno em merenda escolar no RS, a âncora Fátima Bernardes afirma: "Está foragida a merendeira que pôs veneno de rato na comida de crianças e professores de uma escola pública de Porto Alegre" – enquanto mostra a foto da acusada na tela.

    Mas como pode a jornalista afirmar como fato algo que ainda não foi comprovado? A merendeira é SUSPEITA de ter colocado veneno, ACUSADA de ter colocado veneno, Fátima Bernardes não pode apresentar como fato que a "merendeira pôs veneno de rato na comida de crianças". Mesmo que haja uma suposta confissão da merendeira, o advogado da acusada afirma que ela não colocou veneno algum e que se apresentará segunda-feira, informação que o Jornal Nacional não traz em sua reportagem. A matéria fere os princípios descritos nos ítens1-v, 1-x, e 1-z dos princípios editoriais, desrespeita o princípio do contraditório e qualquer senso básico de justiça…."http://roteironews.blogspot.com/2011/08/globo-publica-seus-principios-eticos.html
    [youtube i9VMh_j8mMM&feature=player_embedded http://www.youtube.com/watch?v=i9VMh_j8mMM&feature=player_embedded youtube]

  18. Yarus disse:

    Não acredito nos princípios da Globo, creio mais no Fim.

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