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Veja mostra fotos da autópsia de Adriano que sugerem execução. Viúva previu queima de arquivo e culpou Witzel
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Veja mostra fotos da autópsia de Adriano que sugerem execução. Viúva previu queima de arquivo e culpou Witzel


13/02/2020 - 21h50

Da Redação

A polícia da Bahia, responsável pela morte do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega no domingo, 9, afirma que ele foi levado com vida para um hospital da região de Esplanada, onde faleceu.

A versão é contraditada por fotos divulgadas na edição deste final de semana da revista Veja.

A revista submeteu fotos da autópsia à análise de especialistas em Medicina Legal.

Um disparo na lateral do corpo de Adriano foi “provavelmente feito quando ele estava com os braços erguidos, em sinal de rendição”, diz a revista.

Outro tiro, o que atingiu Adriano no pescoço, abaixo da mandíbula, pode ter sido feito bem de perto. “Coisa de 15 centímetros”, avaliou o especialista, que a revista não identificou.

A reportagem é intitulada Fotos de Adriano da Nóbrega morto fortalecem suspeita de queima de arquivo.

De acordo com o laudo da autópsia, Adriano foi morto com dois tiros.

Além do tiro no pescoço, Adriano também levou um tiro no tórax, que teria sido dado a 40 centímetros — sempre de acordo com os especialistas ouvidos por Veja.

O legista Malthus Fonseca Galvão, ex-diretor do Instituto Médico Legal do Distrito Federal, examinou as fotos sem saber de quem eram.

Para ele, chamam atenção marcas vermelhas no peito de Adriano, que os peritos chamam de tatuagem, “que indicariam um tiro a curta distância”.

Galvão explicou que “é um disparo a uma distância na qual a pólvora ainda tem energia cinética suficiente para adentrar o corpo”.

O segundo tiro, por outro lado, teria sido disparado “de baixo para cima, da direita para a esquerda, em quase 45 graus. Esse disparo pode ser o que o povo chama de confere“.

Confere, no jargão policial, é o tiro de execução.

Os dois especialistas ouvidos por Veja ressaltaram que falavam em tese e que seria necessário examinar o corpo.

A cremação do corpo de Adriano foi suspensa pela Justiça do Rio por falta de documentação.

A atual mulher de Adriano, Júlio Mello Lotufo, havia dito à revista uma semana antes do desfecho do caso: “Meu marido foi envolvido numa conspiração armada pelo governador do Rio, Wilson Witzel, que queria matar o Adriano como queima de arquivo”.

Veja também mostrou foto de uma lesão inexplicada na cabeça de Adriano e notou que um dos quesitos não foi respondido pelo legista que fez a autópsia.

Teria havido emprego de tortura ou algum meio cruel que tivesse levado Adriano à morte? “Não tem como afirmar ou negar”, respondeu.

Oficialmente, o laudo conclui que Adriano morreu por “anemia aguda secundário à politraumatismo por instrumento de ação pérfuro-contundente”.

A versão oficial diz que Adriano foi morto com um tiro de fuzil e outro de carabina disparados pelos soldados PM Gama e Derick (trecho de depoimento abaixo).

Tanto o secretário de Segurança da Bahia quanto o governador do Rio elogiaram a ação policial e descartaram a tese de queima de arquivo.

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8 comentários

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Marys

17 de fevereiro de 2020 às 07h51

Queima de arquivo ou não, o mandante da operação é e será sempre o responsável por tudo o que ocorreu nela.
O que causa espécie não é isso, pois mais cedo ou mais tarde esses fios desencapados de suspeitas, elocubrações e responsabilidade política irão aqui e acolá fazer estragos. O que realmente chama atenção é ver que nenhuma autoridade policial está interessada em proteger o local da operação e explicar como os fatos ocorreram, sabendo da ligação que tinha o criminoso com o presidente da República e sua família e de ambos com o Escritório do Crime e com o crime político que ganhou repercussão internacional que é o assassinato de Marielle Franco.

Se estavam caçando o sujeito há mais de um ano, monitorando suas locações e ligações, por que provocaram seu isolamento pra matá-lo num município onde todo mundo sabe que quem manda são os reis do gado? https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,capitao-adriano-circulava-armado-e-dava-medo-no-interior-da-bahia

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Zé Maria

15 de fevereiro de 2020 às 17h12

Um Perito do ‘altamente aparelhado’ do IML de Alagoinhas-BA diz que não.

Entretanto, a família do ex-PM Adriano Magalhães da Nóbrega,
na manhã de sexta-feira (14), pediu ao Tribunal de Justiça do estado
do Rio de Janeiro (TJ-RJ) autorização para realizar uma Perícia
independente no corpo do ex-Capitão do BOPE-PMRJ.

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    Zé Maria

    16 de fevereiro de 2020 às 15h42

    A Polícia Militar (PM) é a Maior Milícia do País. E o que é pior: dentro do Estado.

lulipe

15 de fevereiro de 2020 às 13h05

Os “peritos” da Veja concluíram tudo isso apenas vendo algumas fotos? Chupa CSI…..O blog ainda não falou a respeito da detenção dos jornalistas da revista pela PM do governo petista da Bahia. Deve ter sido esquecimento

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Zé Maria

14 de fevereiro de 2020 às 16h56

Um tiro no peito, à queima roupa,
e outro no pescoço, atrás do queixo,
de baixo pra cima? E não foi Execução?

A Mídia Fascista repetindo que o ex-PM
Adriano foi morto, ‘após troca de tiros
com a Polícia’? Isso nem o Queiroz diria…

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henrique de oliveira

14 de fevereiro de 2020 às 08h29

Quem teria mais interesse na morte do miliciano é a família Bozonaro e não o governador do Rio , Moro também teria muito interesse , pois a família do presidente ficaria refém do bandido de toga.

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Zé Maria

14 de fevereiro de 2020 às 00h16

“Júlia Emília Mello Lotufo” (28 anos) é o nome da Viúva do ex-Capitão do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) da Polícia Militar (PM) do estado do Rio de Janeiro, Adriano Magalhães da Nóbrega, Miliciano ligado ao Clã Bolsonaro, que foi executado no município de Esplanada, no interior da Bahia, onde o casal estava escondido com a filha de 8 anos, conforme reportagem de Paolla Serra, publicada na RevistaÉpoca.
De acordo com a mesma matéria jornalística,
Júlia nasceu na Zona Norte do Rio e foi apresentada a Adriano por um amigo em comum.
Ela chegou a trabalhar na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), entre 2016 e 2017.
Com um salário de cerca de R$ 3.600, Julia foi nomeada para o setor de recursos humanos da Casa pelo então presidente Jorge Picciani.
No ano seguinte [2018], foi exonerada.

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