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Vaza Jato do Paraguai pode ter novas mensagens de lobista que disse atuar com anuência de Bolsonaro
Reprodução ABC Color
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Vaza Jato do Paraguai pode ter novas mensagens de lobista que disse atuar com anuência de Bolsonaro


09/08/2019 - 01h03

Da Redação

O lobista José Rodríguez, o Joselo, disse que havia perdido seu celular e apresentou um novo para perícia dos investigadores que tentam esclarecer o escândalo em torno da venda da energia de Itaipu.

Mas, segundo revelou o diário ABC Color, Joselo tinha um segundo aparelho, informação prestada ao Ministério Público pelo ex-presidente da Ande, Pedro Ferreira.

Ferreira perdeu o cargo depois que o escândalo estourou.

A Ande, Administração Nacional de Eletricidade, é a estatal paraguaia que controla a energia de Itaipu em nome do país, em parceria com a Eletrobrás.

O lobista teria sido o principal responsável pela retirada de um ponto estratégico do acordo, assinado sigilosamente entre os presidentes Jair Bolsonaro e Mario Abdo Benítez.

O novo acordo permitiria ao Paraguai vender excedente de energia ao mercado brasileiro e beneficiaria a empresa Léros, supostamente ligada ao senador suplente do Major Olímpio, do PSL paulista: Alexandre Luiz Giordano.

Giordano nega relação com a empresa e com a família Bolsonaro.

A Léros poderia comprar o megawatt paraguaio por U$ 6 dólares e vendê-lo a U$ 30, um lucro extraordinário.

A diferença de preço permitiria aos beneficiários uma farta distribuição de propinas, desde que a ata não fosse revelada — o que aconteceu por insistência do Senado do Paraguai.

A TV paraguaia já revelou parte dos chats do lobista, em que ele sugere que já haveria um acordo informal entre Bolsonaro e o presidente do Paraguai para modificar o acordo — a um custo de U$ 200 milhões para o país vizinho.

O jornalista (ver vídeo acima) de uma emissora paraguaia perguntou o motivo de a Léros supostamente ter “exclusividade” para fazer a intermediação, já que o mercado do excedente seria aberto para revenda da energia a qualquer empresa.

Isso indica ao menos que a companhia baseada em São Paulo sairia na frente em relação aos concorrentes.

Ao longo das negociações, o lobista Joselo se identificou como representante do vice-presidente do Paraguai, Hugo Velázquez.

Velásquez foi ao Congresso e negou ter relação formal com Joselo, embora tenha admitido conhecê-lo.

O presidente e o vice do Paraguai corriam sério risco de impeachment antes de Bolsonaro concordar em anular o acordo, já que Itaipu é a principal fonte de renda formal do país vizinho.

O chanceler paraguaio Luis Castiglioni tornou-se o bode expiatório do alto escalão e renunciou, dando ao presidente a ao vice a cobertura para que dissessem desconhecer qualquer tramoia.

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) fez uma série de questionamentos a respeito do escândalo de Itaipu a Eduardo Bolsonaro, que o petista disse ser o verdadeiro chanceler do Brasil.

Eduardo é presidente do PSL em São Paulo, partido cuja sede fica num prédio que também abriga empresas de Alexandre Luiz Giordano, o suplente de senador.

Eduardo é cotado para ser o embaixador do Brasil em Washington.

Sede do partido de Bolsonaro em SP funciona em prédio que abriga empresas de pivô do caso Itaipu

Suplente do senador Major Olímpio (PSL-SP), Alexandre Luiz Giordano é acusado de negociar com o Paraguai acordo secreto de Itaipu que beneficiaria empresa ligada à família Bolsonaro. Escândalo resultou em pedido de impeachment do presidente paraguaio

Por Plinio Teodoro, na Fórum

Um dos principais personagens envolvidos no escândalo que pode levar ao impeachment do presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, o empresário brasileiro Alexandre Luiz Giordano, primeiro suplente do senador Major Olímpio (PSL), possui três empresas com escritórios no mesmo prédio em que funciona o diretório do PSL paulista, presidido atualmente pelo deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente.

As informações, divulgadas pelo deputado Alexandre Frota (PSL-SP) no Twitter e confirmadas pela Fórum na página do TSE, do PSL e em sites de buscas de sociedades empresariais, contrasta com a entrevista dada por Giordano à Piauí, em que o suplente de Major Olímpio diz ter “zero de relação” com o clã Bolsonaro.

Giordano foi apontado pelo advogado paraguaio José “Joselo” Rodríguez González, assessor jurídico do vice-presidente, Hugo Velázquez, como participante das tratativas com os paraguaios que modificaram o acordo de Itaipu como representante do governo Bolsonaro.

O acordo secreto – cancelado após a crise que pode resultar na derrubada do mandatário paraguaio – foi assinado em 24 de maio entre os governos Abdo Benítez e Jair Bolsonaro, mas só foi tornado público no final de julho por exigência do Senado do Paraguai.

Na renegociação, o Paraguai renunciou a uma série de benefícios, aumentando em 200 milhões de dólares os custos para a Ande, estatal paraguaia de energia, e, com a remoção de um artigo específico (6), que privilegiaria empresas brasileiras que quisessem comprar o excedente, como o grupo Léros, que seria ligado à família Bolsonaro, segundo jornais paraguaios.

Empresas e PSL

No registro de candidatura junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2018, como primeiro suplente de Major Olímpio (PSL), Giordano declara ser sócio das empresas IBEF – Indústria Brasileira de Estruturas de Ferro Ltda e Família Giordano Indústria e Comércio Ltda, que têm escritórios na Av. General Ataliba Leonel, 1.205, em Santana, Zona Norte da capital paulista.

No mesmo edifício está situada a sede do Partido Social Liberal (PSL), diretório de São Paulo, que é presidido atualmente por Eduardo Bolsonaro.

A informação, confirmada pela Fórum, foi ventilada por Alexandre Frota (PSL-SP) pelo Twitter. “Major seu sócio declarou na Piauí que não conhece Eduardo? Mas o Partido está em uma sala do Giordano em Santana esqueceu?”, tuitou o deputado do PSL paulista, que está em guerra com Major Olímpio e Eduardo Bolsonaro e deve ser expulso da legenda.

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



3 comentários

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Zé Maria

10 de agosto de 2019 às 14h43

https://twitter.com/i/status/1159931746600869888
Vâmo tê que juntá as Tribos Tupis com as Guaranis
e corrê esses Branco FDP do Governo.
#ForaBolsonaro #FueraBenitez

Responder

Robertinho

09 de agosto de 2019 às 12h28

A “Nova Política” em nada se diferencia da anterior. Apenas mudou de mão a “caneta maldita ” que entra governo e sai governo e ela continua maltratando e descriminando os pobres. Mudar da esquerda para a direita não vai ajudar a melhorar o País pois nosso problema não é ideológico. Presidente a eleição acabou e a próxima ainda está longe governe pois ou vá catar coquinho.

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Nicola Granato

09 de agosto de 2019 às 11h51

A imprensa deve investir pesado para investigar mais este bozogate.

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