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Diário da Resistência


Trump trai Bolsonaro mesmo com cessão da base de Alcântara, entrada sem visto e apoio na Venezuela. Brasil num beco sem saída
Bolsonaro bate continência à bandeira dos Estados Unidos durante evento de sua campanha nos Estados Unidos, em 2018. Reprodução de vídeo.
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Trump trai Bolsonaro mesmo com cessão da base de Alcântara, entrada sem visto e apoio na Venezuela. Brasil num beco sem saída


10/10/2019 - 18h30

Da Redação

A importância do Brasil para Washington não depende da retórica pró-Trump de Bolsonaro, mas de benefícios geopolíticos tangíveis que o Brasil pode oferecer. Trump quer duas coisas do Brasil: 1. Ajuda para derrubar Maduro; 2. Ajuda para limitar a influência chinesa na América Latina.  Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da FGV, no tweeter

“Os EUA continuam a preferir a ampliação a um ritmo controlado, que leve em conta a necessidade de pressionar pelo planejamento da governança e da sucessão”, diz o texto de uma carta enviada pelos Estados Unidos à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Na carta,  Washington apoia a entrada de apenas dois paises: Argentina e Romênia.

O texto foi lido por repórteres da Bloomberg, que anunciaram em letras garrafais: Estados Unidos rejeitam proposta do Brasil para entrar na OCDE depois de apoiá-la publicamente

O Brasil fez o pedido formalmente em maio de 2017, durante o governo do usurpador Michel Temer.

A OCDE informou à Bloomberg que está considerando o pedido de seis países.

Os Estados Unidos formalizaram apoio logo ao vizinho brasileiro.

Quando Jair Bolsonaro e Paulo Guedes foram aos Estados Unidos implorar a Donald Trump que apoiasse a pretensão do Brasil, o colunista Marcelo Zero destacou aqui no Viomundo: Trump condicionou o apoio dos EUA à pretensão brasileira à renúncia do Brasil em continuar a receber tratamento especial e diferenciado previsto para países em desenvolvimento na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Em resumo, todas as concessões bajulatórias que Jair Bolsonaro fez a seu ídolo do Norte não foram suficientes.

Isso, por um único motivo: Donald Trump negocia de olho no interesse dos Estados Unidos.

A política externa dos Estados Unidos costuma refletir: 1. necessidades domésticas de curto prazo dos governantes de turno; 2. interesses estratégicos de longo prazo do aparato estatal, mantidos pela burocracia.

No caso de Trump, já em campanha pela reeleição em 2020, falamos especificamente dos agricultores norte-americanos que competem com os brasileiros — por exemplo, pelos mercados da China.

Neste momento o candidato Trump está de olho no Colégio Eleitoral.

Tenta encerrar a guerra comercial com os chineses.

Precisa manter sua base rural em estados que são grandes produtores de carne, milho e soja, que competem com o Brasil no abastecimento dos mercados árabe e chinês, por exemplo.

Sem sua base rural do Meio Oeste, Trump está frito. Se não ganhar em Ohio, provavelmente não se reelege.

Diante da adulação de Bolsonaro, Trump pode simplesmente ter entendido que há mais espaço, muito mais espaço, para arrancar concessões de seu adorador — e oferecê-las aos eleitorado indeciso ao longo da campanha que está em andamento.

Não se trata apenas de repelir a presença chinesa na América Latina, como diz o professor da FGV cuja opinião reproduzimos no topo deste post, mas de disputar o mercado da própria China com os paises da América Latina.

Do ponto-de-vista diplomático, a escolha da Argentina faz todo sentido.

No curto prazo, é uma tentativa desesperada de ajudar o presidente Maurício Macri, que será degolado brevemente — faça o que Trump fizer.

No longo prazo, não surpreende.

Os Estados Unidos sempre jogaram o jogo de se oferecer como “contraponto” ao peso econômico do Brasil na América do Sul.

Do ponto-de-vista de Washington, faz sentido disputar CONTRA o Brasil os mercados da América Latina.

Uma das propostas de Trump, afinal, é reindustrializar os Estados Unidos, na base da antiga manufatura que migrou mundo afora.

A grande sabedoria do ex-presidente Lula e principalmente de seu ex-chanceler, Celso Amorim, foi de costurar um bloco contra-hegemônico que chegou a incomodar os Estados Unidos até na América Central.

Com o golpe de 2016 contra Dilma Rousseff e a prisão de Lula, a arquitetura de Celso Amorim foi completamente demolida.

Michel Temer deu uma guinada em direção à política externa sabuja de Fernando Henrique Cardoso, escolhendo como chanceler o senador Aloysio Nunes Ferreira.

Bolsonaro deu vários passos além.

Colocou no Itamaraty um chanceler medieval, que trata de demolir um centro de saber ímpar do Brasil.

O Itamaraty é reconhecido no mundo como um dos formuladores do multilateralismo, que seria capaz de amarrar as grandes potências nucleares em compromissos internacionais — dando ao Brasil, assim, um poder diplomático muito superior ao de sua força militar.

É o tal do soft power.

Esta arquitetura pós Segunda Guerra Mundial está entrando em colapso, graças ao fracasso econômico da globalização, do qual a crise de 2008 foi a face mais visível.

Ao escolher Bolsonaro, a elite brasileira se atirou em um pântano cavado pela Lava Jato.

Sem Mercosul, mas também sem OCDE — que tem, quando muito, valor simbólico.

Quase sem indústria, mas crescentemente correndo risco na disputa pelos mercados do agronegócio.

Sem Odebrecht e Estaleiro Atlântico Sul — e, portanto, sem capacidade de vender serviços no mundo.

Sem Vale, Embraer, Alcântara e Petrobrás — e, portanto, sem capacidade de fazer o preço internacional de matérias primas ou produzir Ciência.

Bolsonaro é a cara atônita do Brasil, um país num beco sem saída.

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8 comentários

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Nilmar Souza

11 de outubro de 2019 às 15h13

BolsotonTo aprendeu bem a instrução de rastejar no exército.
Qto mais se abaixa para os EUA mais mostra a bunda descoberta.
É vergonhoso ter um presidente da república soldadinho de americano.
É a total falta de topete, de vergonha na cara, de coalhao mesmo.
Política externa extremamente desastrosa e servil. Conseguimos o que ? Nada ! O que vamos conseguir ? Nada ou algum tanque de guerra refugo dos EUA. Algo tipo o sivan.
Nem parece macho.
Será que o Bozo não tem brio. Será que está disposto a todo tipo de humilhação pra fazer o 03 embaixador.
Ele e muito servo do Trump.

Responder

Zé Maria

11 de outubro de 2019 às 13h18

Por Lucro Vale Tudo: Até Genocídios

Um relatório feito por agências independentes acusou
a Agência de Aviação dos Estados Unidos (FAA) e a Boeing
por permitirem o uso do 737 MAX com falhas técnicas.

Pelo menos duas aeronaves do modelo Boeing 737 MAX
caíram fazendo [346] vítimas fatais.

O primeiro ocorreu na Indonésia em 29 de outubro do
ano passado [2018], quando um exemplar da Lion Air
caiu deixando 189 mortos.

Em 10 de março deste ano [2019], outro avião Boeing 737 MAX
da Ethiopian Airlines caiu, tirando a vida de 157 pessoas.

Após os acidentes, diversas companhias aéreas no mundo
retiraram a aeronave de serviço, enquanto governos proibiram
o voo dela em seu espaço aéreo.

De acordo com o relatório, a FAA não realizou uma investigação
que analisasse o funcionamento dos sistemas da aeronave
como um todo, de acordo com as informações compartilhadas
pela Boeing, publicou o New York Times.

Além disso, a Boeing teria concedido pouca informação sobre
o sistema de pilotagem automática à agência reguladora.

https://br.sputniknews.com/americas/2019101114626424-relatorio-acusa-fabricante-agencia-reguladora-dos-eua-por-deixar-passar-falhas-do-boeing-737-max/

E foi essa Fabricante de Aviões dos EUA que o Governo do braZil
escolheu para entregar a EMBRAER.

Além do mais: Mais Empregos lá no EUA e menos aqui no Brasil

Embraer vai parar fábricas no Brasil e dar férias coletivas
a funcionários, diz sindicato

Empresa prepara transferência do controle de sua divisão
de aviação comercial para a Boeing

A Embraer anunciou que vai dar férias coletivas
para todos trabalhadores que atuam nas unidades instaladas
no Brasil para realizar a transição do comando da empresa
para os norte-americanos da Boeing.

http://www.sindmetalsjc.org.br/imprensa/ultimas-noticias/4618/em+transicao+para+a+boeing+embraer+anuncia+ferias+coletivas.htm

Responder

Zé Maria

11 de outubro de 2019 às 12h46

Não tem Preço: Ver os Fascistas Brancos Racistas Antipetistas
vibrar comemorando a Escolha de um Negro Africano para o
Nobel da Paz e não a Menina Sueca ou o Índio Raoni ou o Lula…

Responder

Gomes Correa

11 de outubro de 2019 às 10h29

Bolsolerdo. Ele acha que é amigo íntimo do Trump.

Responder

a.ali

10 de outubro de 2019 às 22h42

bozo otario ficou de 4 e levou um pé na bunda!

Responder

Zé Maria

10 de outubro de 2019 às 19h24

https://pbs.twimg.com/media/EGhvW9IW4AEouHA.jpg
“Depois de tanta humilhação, ficou só o bagaço da laranja.
Bolsonaro tietou, bateu continência, disse I love you,
rebaixou o Brasil ao abrir mão dos nossos benefícios na OMC
pra agradar Trump e mais uma vez acabou desmoralizado.
Os EUA não vão apoiar a entrada do país na OCDE”
https://pbs.twimg.com/media/EGhvW9GXYAA8O_h.jpg

https://twitter.com/MarceloFreixo/status/1182350947080642560

Responder

Zé Maria

10 de outubro de 2019 às 19h01

Historicamente, os United States of America
são um País extremamente Nacionalista.
Nunca fizeram Concessões a Estrangeiros,
se não puderam levar alguma Vantagem.

Por isso nunca levantaram o Boicote à Cuba,
seja o Partido Democrata ou o Republicano.

E Capitalismo Desenfreado só para os Outros.
A Economia Norte-Americana e as Relações
Econômicas são Reguladas pelo Estado.

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