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Tânia Mandarino: A ministra Damares teme o quê na personagem Elsa? Será porque veste azul?
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Tânia Mandarino: A ministra Damares teme o quê na personagem Elsa? Será porque veste azul?


12/05/2019 - 01h33

Da Redação

Nesse sábado, Damares Alves, ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, apareceu nas redes sociais dizendo que a princesa Elsa, do filme Frozen, vive sozinha no castelo de gelo porque é lésbica.

“A minha impressão é que o governo Bolsonaro escala um ministro a cada dia para nos distrair”, diz a advogada Tânia Mandarino.

“Agora, desde sempre, a Damares parece ter sido a escolhida  como a grande preferida para distrair os brasileiros no picadeiro do fascismo disfarçado de insanidade”, observa.

“Afinal, do que na personagem Elsa a ministra Damares tem medo? Será por que a Elsa veste azul e não rosa?, questiona.

Em 2014, logo após assistir Frozen, Tânia fez um belo post para a Cristiane, sua irmã mais nova.
Como muita gente não conhece o filme, reproduzimos  para que saibam do que ele realmente trata.

FROZEN, A SUBVERSÃO DO CONTO DE FADAS

por Tânia Mandarino, em 8 de fevereiro de 2014

Uma animação contemporânea, finalmente!

Frozen é um conto de fadas que fala de amor.

Até aí nenhuma novidade.

Acontece que Frozen já começa desconstruindo os arquétipos da Imperatriz e do Imperador, fazendo desaparecer o rei e a rainha logo no início da animação, mas, não sem antes deixá-los posicionados em relação às duas filhas que têm.

Frozen parte, portanto, de um ponto para um pouco além do momento em que os pais tratam de forma diferente duas irmãs e, como no mito de Narciso, negam-lhes o conhecimento a respeito de si mesmas, encerrando-as num cenário obscuro, de portas cerradas e cortinas fechadas para o mundo.

Para além do rei e da rainha, Frozen se inicia mesmo a partir do amor entre duas irmãs.

Sim, para felicidade geral da nação, há príncipes em Frozen! Ao menos um príncipe titulado, que, depois se vê, é um sapo, e há também um sapo que acaba virando príncipe, mas a animação vai mesmo é na toada das menininhas.

Há também o apaixonante Olaf, o assexuado boneco de neve que funciona como uma espécie de “grilo falante” da história do Pinóquio, uma consciência reflexiva, só que muito mais ingênua e romântica. E, até, nesse aspecto, uma consciência muito mais feminina do que o rígido e masculino grilo da outra história.

Os meninos coadjuvam a história! Os heroicos atos de bravura e heroísmo em favor de si próprias são praticados mesmo é pelas mulheres e qualquer semelhança com a realidade certamente não terá sido mera coincidência.

Isto porque as verdadeiras heroínas do filme não ficam esperando pelos desajeitados meninos e assumem seus poderes, sem, entretanto, renunciar ao aconchego e ao prazer da companhia masculina.

Uma delas, né, por que a outra irmã (a mais diferentona!) parece mesmo não dar pista sobre se deseja ou não a companhia de um príncipe ao seu lado.

Em última análise, é a representação da mulher que escolhe viver só, diante dos imensos poderes que tem e os quais não consegue controlar, por desconhecer-se a si mesma.

E é por isso que o filme é sensível!

Por que tem a irmã hétero, tem a que parece não ser hétero, tem o príncipe malvadão que parece ser bonzinho, sabe, aquele que te jura amor eterno, mas só estava era de olho no teu trono?

Tem o homem comum e desajeitado que, na verdade, é um príncipe…

Enfim, toda diferença em Frozen é respeitada com carinho, até a subversão da ordem relativa ao complexo de cinderela!

A questão do gelo, do coração congelado que só pode ser curado por um ato de amor verdadeiro, ato este que advém, ao final, de um amor diferente daquele preconizado pelos contos de fadas que ouvimos e assistimos até hoje.

E ai está a maior beleza de Frozen, na ousadia de mostrar as coisas como são e não como foram um dia!

A grande riqueza de Frozen está no fato de essa subversão da ordem ter sido trabalhada de modo tão extremamente harmônico e agradável, abrigando e agregando tudo em si, ao tempo em que demonstra e faz sentir uma verdade insofismável sobre o fato de as mulheres terem assumido seu próprio destino como consequência natural da vida, a despeito dos paradigmas arquetípicos.

Em Frozen, as mulheres assumem seu próprio destino com graça, leveza e beleza, sem destituir o masculino, apenas parecendo compreender os elementos presentes na construção do masculino, assim como o ser feminino ali é naturalmente compreendido, sem restrições, chacotas ou jargões.

Os trolls, criaturinhas mágicas da animação, que ocupariam o papel do “divino” na história, mesmo sendo aqueles a quem se busca em procura de ajuda para o que não se pode resolver humanamente (ou contodefadisticamente), também não são detentores do poder absoluto.

Estão sempre ali, em forma de pedras e convivem harmonicamente com quem os procura, sem impor medo ou temor, ainda que, como dito a certa altura: “todo mundo precisa de algum reparo”.

Sim, “todo mundo precisa de algum reparo”, e essa é a ideia central de Frozen, ao lado da coisa do amor verdadeiro: somos seres imperfeitos em constante evolução.

“Todo mundo precisa de algum reparo”, mas, convenhamos, Frozen é irretorquível!

Dedico este post à minha lindíssima irmãzinha, Cristiane Mandarino, na certeza de que o amor de irmãs é o grande arquétipo da vida feminina no Universo: a vida feminina brotada, nascida, parida para fora das águas do mesmo útero materno! Te amo, Irmã!

 

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
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Por Laurindo Lalo Leal Filho



1 comentário

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Sergio

13 de maio de 2019 às 05h59

Sim, queremos saber onde está o Queiroz? Quem matou Marielle? E o laranjal do Psl?
O mais incrível é a falta de reação geral parece que ficamos lobotomizados com tanta bobagem produzida pelo governo.

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