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Soltura de agressor preocupa professor esfaqueado e chamado de macaco: ‘Um perigo para Bauru’
Professor Juarez Xavier: "Estamos vivendo um momento de absoluta intolerância. É assustador. Perderam a vergonha de serem preconceituosos. Não é crível que uma pessoa saia armada na rua para provocar [com ataques racistas]". Foto: Reprodução de rede social
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Soltura de agressor preocupa professor esfaqueado e chamado de macaco: ‘Um perigo para Bauru’


21/11/2019 - 19h55

Agressor racista que esfaqueou professor da Unesp paga fiança e é liberado

Docente está preocupado com soltura e promete recorrer de decisão

por Lúcia Rodrigues, especial para o Viomundo

Mesmo tendo sido preso em flagrante após esfaquear o professor de Jornalismo da Unesp de Bauru Juarez Xavier e chamá-lo de macaco, Vitor dos Santos Munhoz  pagou fiança e já está em liberdade.

Xavier voltava para a casa após tentar marcar uma consulta médica na tarde desta quarta-feira, 20, Dia da Consciência Negra, quando foi surpreendido por xingamentos racistas, ao caminhar pela Avenida Nações Unidas, uma das mais importantes da cidade.

O docente, que é negro, ouviu de Vitor os gritos de “macaco, macaco”.

Indignado, se dirigiu ao agressor para contestar o ataque racista.

Foi atacado com golpes de canivete, que o atingiram no ombro esquerdo e do lado direito das costas.

“Eu tentei contê-lo. Não tinha me dado conta de que fora atingido e estava sangrando muito”, recorda o docente, que só percebeu os ferimentos quando populares se aproximaram para ajudá-lo.

A libertação do agressor preocupa o docente. “Recebo a notícia com muita preocupação. Eu consegui me defender, mas pode ser que tenha quem não consiga. Ele é um perigo para Bauru. Vamos recorrer da decisão.”

Vitor foi enquadrado por lesão corporal e injúria racial, crimes que que permitem a liberação do acusado.

A mãe dele, segundo Juarez, alegou que o agressor racista tem problemas psiquiátricos.

Efeito Bolsonaro

O professor da Unesp considera que o clima de intolerância contra as minorias no país atingiu nível alarmante com a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência da República.

“Estamos vivendo um momento de absoluta intolerância. É assustador. Perderam a vergonha de serem preconceituosos. Não é crível que uma pessoa saia armada na rua para provocar [com ataques racistas].”

A reitoria da Unesp, a Associação dos Docentes da Universidade (Adunesp) e o Sindicato dos Trabalhadores (Sintunesp) divulgaram notas (na íntegra, abaixo) em apoio ao professor.

“Lamento muito o que aconteceu com o Juarez. Essa agressão exemplifica o que ocorre com milhares de negros em todo o país. É a explicitação do apartheid imposto por aqueles que não se conformam com o fim da escravidão”, frisa o professor João Chaves, presidente da Adunesp.

NOTAS DE REPÚDIO

DA REITORIA DA UNESP A ATOS RACISTAS CONTRA DOCENTE

“A Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” vem manifestar o seu repúdio aos atos racistas desta quarta-feira (20/11) contra o professor Juarez Xavier, docente da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação do câmpus de Bauru e assessor da Pró-Reitoria de Extensão Universitária e Cultura.

Negro, o professor foi alvo de xingamentos racistas quando estava em um local público e se indignou diante do criminoso, que ainda o atacou com golpes de canivete, fazendo-o sangrar no braço e nas costas.

A resposta do docente, que também prestou queixa na delegacia, foi a esperada de cidadãos defensores da diversidade frente a ações de intolerância que não podem ser aceitas em ambientes democráticos e sociedades plurais.

Os atos racistas, neste Dia da Consciência Negra, só reforçam a necessidade de dar sequência à luta contra a discriminação racial, os preconceitos, de qualquer natureza, e especialmente contra a desigualdade abissal que marca historicamente a população negra no Brasil”.

DA ADUNESP E SINTUNESP 

Solidariedade ao professor Juarez Xavier. Barbárie racista deve ser rejeitada e seus perpetradores responsabilizados!

A Adunesp e o Sintunesp vêm a público repudiar com veemência o crime de racismo cometido contra o Professor Juarez Xavier, da FAAC/Unesp, campus de Bauru.

Em pleno 20 de novembro, dia consagrado à memória e à celebração da luta do povo negro, o docente foi vítima de xingamentos racistas em local público da cidade.

Ao reagir e protestar contra o ataque, foi agredido com golpes de canivete.

Prontamente atendido, felizmente o professor passa bem. Mas é preciso impedir que este crime seja banalizado e esquecido.

A agressão a qualquer pessoa, motivada por sua condição étnico-racial, avilta valores civilizatórios mais fundamentais.

O apartheid brasileiro, que tem existência de fato, deve ser combatido em todas as suas manifestações.

A agressão perpetrada contra o docente da Unesp, infelizmente, nos adverte que ainda estamos longe de patamares básicos de convivência social e de respeito humano aceitáveis num ambiente minimamente democrático.

Expressamos aqui nossa total solidariedade ao Professor Juarez Xavier e nosso mais veemente repúdio ao ataque racista a ele dirigido, ao mesmo tempo em que instamos o judiciário estadual a tomar todas as providências no sentido de assegurar que os perpetradores desta barbárie sejam responsabilizados civil e criminalmente pelos atos que cometeram.

Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça!

São Paulo, 21 de novembro de 2019.

Associação dos Docentes da Unesp – Adunesp

Sindicato dos Trabalhadores da Unesp – Sintunesp”

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4 comentários

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Zé Maria

26 de novembro de 2019 às 20h15

No braZil, Agressor Racista Armado Não Oferece Perigo. Perigoso é o Lula … Plim-Plim …

Responder

Honório Dante

24 de novembro de 2019 às 09h09

Esse é o Brasil: se o cara for branco e for preso em flagrante cometendo um crime de assassinato ele é solto basta pagar a fiança, mas se for negrinho basta andar na rua para ser alvo de tiros de snipers de helicóptero. Se roubar 2 coxas de frango no mercado pq está com fome fica 3 anos na cadeia.
Tentativa de assassinato: pena pagar fiança e ir ver TV em casa.

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LULIPE

22 de novembro de 2019 às 08h29

Impunidade nos dos outros é refresco, não?

Responder

Inês Rosa Bueno

21 de novembro de 2019 às 20h27

Eu não estou entendendo! RACISMO É CRIME INAFIANÇÁVEL! Esse psicopata não pode pagar fiança e sair! SE A MÃE DIZ QUE ELE TEM “PROBLEMAS PSIQUIÁTRICOS” -o que é óbvio – ENTÃO QUE VÁ PARA O MANICÔMIO JUDICIÁRIO! O PROFESSOR PRECISA MAIS APOIO! ESSE PSICOPATA NÃO PODE FICAR SOLTO! É CONTRA A LEI QUE ELE ESTEJA SOLTO!

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