Marcos de Oliveira: Só 1/3 dos motoristas da Uber contribui para previdência
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Pesquisa do BID em 8 países da América Latina e Caribe com motoristas da Uber mostra bomba-relógio nos sistemas de previdência.
Por Marcos de Oliveira, Monitor Mercantil
O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Uber entrevistaram quase 13 mil motoristas na América Latina e no Caribe, revelando um perfil predominantemente masculino, com cerca de 40 anos de idade e, em muitos casos, com formação universitária. Entre algumas descobertas e confirmações, a certeza de que os países da região estão contratando uma bomba nos regimes de previdência.
“Apenas um terço dos motoristas contribui para um sistema de previdência, e muitos não têm acesso estável a seguro saúde ou outros benefícios. O planejamento para a aposentadoria existe mais como uma intenção do que como uma realidade: embora muitos digam que pensam no futuro, poucos possuem mecanismos eficazes para garanti-lo”, revela a pesquisa “Navegando pela gig economy da América Latina: visões dos motoristas da Uber sobre necessidades, riscos e oportunidades”.
O relatório lembra que essa lacuna não é exclusiva dos trabalhadores de plataformas digitais. “Ela reflete um problema mais amplo na região: os sistemas de proteção social permanecem amplamente atrelados ao emprego formal e assalariado. Trabalhadores independentes, sejam motoristas, freelancers ou proprietários de pequenas empresas, são frequentemente deixados de lado.”
“As preocupações dos motoristas não se resumem à rígida reclassificação como empregados ou à gama completa de benefícios trabalhistas tradicionais. Suas preocupações são mais pragmáticas. Eles valorizam a independência, mas reconhecem os riscos associados à renda instável, doenças, acidentes e velhice”, relata o BID.
O relatório propõe a transição para “um sistema de proteção social centrado nas pessoas: benefícios portáteis, contribuições flexíveis e ferramentas financeiras que apoiem os trabalhadores em diferentes empregos e plataformas. Nessa visão, a proteção não está mais atrelada a um empregador específico, mas sim diretamente ligada ao trabalhador”. Parece uma boa fórmula para Uber e outras empresas da economia gig; não necessariamente para os sistemas de previdência e para os trabalhadores.
A pesquisa coletou respostas da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, República Dominicana e México e revela outros dados dos motoristas da Uber.




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