VIOMUNDO

Diário da Resistência


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Serra é “pai do higienismo” em São Paulo


21/05/2010 - 12h00

20 de Maio de 2010 – 12h00

Quando a reportagem chega ao escritório da Paróquia São Miguel Arcanjo, na zona leste de São Paulo (SP), o padre Júlio Lancellotti está de olho no e-mail. Depois de responder a uma ou outra mensagem, pula para o Twitter e consulta as últimas postagens. Curioso sobre o Vermelho, acessa pela primeira vez a página do portal e comenta duas matérias recentes — uma sobre o presidenciável tucano José Serra, outra com depoimentos do jornalista Altamiro Borges.

por André Cintra, no Vermelho
Colaborou Renato Torelli
 
É uma manhã fria de sexta-feira. Lancellotti, líder da Pastoral da Rua, aceitara conceder a entrevista ao Vermelho um dia antes, ao saber do tema da conversa — a “limpeza social” implantada em São Paulo a partir de 2005, inicialmente na gestão de José Serra (PSDB), depois no governo de seu sucessor, Gilberto Kassab (DEM). Desde o começo, o “padre dos povos da rua” foi um dos opositores mais veementes da política higienista demo-tucana.

Ele também co-responsabiliza Andrea Matarazzo, o ex-secretário municipal que, numa e noutra gestão, acumulou poderes e liderou a perseguição a moradores de rua. A troca de farpas entre Matarazzo e Lancellotti atravessou os últimos anos — com uma vantagem para o padre: ele não recorreu a jornalistas para agir como seus porta-vozes ou ghost-writters, nem tampouco partiu para a calúnia. Sua atuação foi sempre no âmbito político e ideológico.

“O que eu acho é que o José Serra e o Andrea Matarazzo são os pais — os expoentes — do higienismo em São Paulo. O que eles fizeram com os povos da rua foi um absurdo total, uma falta de sensibilidade”, declara Lancellotti ao Vermelho, na primeira parte da entrevista que abre a série “Povos da Rua — A ‘Faxina Social’ de Serra e Kassab”.

Ao denunciar as tais práticas higienistas — como a construção das chamadas “rampas antimendigos” —, Lancellotti atraiu a ira da dupla PSDB-DEM, a hostilidade de parte da grande mídia e até um tratamento irônico de setores da Igreja Católica. Pelo que dá a entender, não se desestabilizou. Ao contrário — seus depoimentos rebatem pontualmente a cada uma das polêmicas em que se envolveu.

Confira.

Vermelho: São Paulo é a cidade mais rica do Brasil, e seu PIB cresce acima da média nacional. Ao mesmo tempo — e apesar das inúmeras operações da Prefeitura no Centro —, o número de moradores de rua não para de crescer. Fala-se em ao menos 15 mil desabrigados, sendo metade deles na região central. Não é uma contradição?

Júlio Lancellotti: Não é, não. Marx já dizia que fatores econômicos não explicavam tudo. O que prevalece em São Paulo é uma política de negligência aos povos em situação de rua, e isso independe de qualquer situação econômica. Faltam políticas sociais. Quem está na rua não pode ser privado do direito mais elementar, que é o de ser reconhecido e tratado como um ser humano. Não é o fator econômico que vai determinar isso.

Vermelho: Como a posse de José Serra na Prefeitura, em 2005, alterou o tratamento à população de rua? Depois das chamadas “rampas antimendigos”, você chegou a acusar Serra e o subprefeito Andrea Matarazzo de “práticas higienistas”…

JL: O que eu acho é que o José Serra e o Andrea Matarazzo são os pais — os expoentes — do higienismo em São Paulo. O que eles fizeram com os povos da rua foi um absurdo total, uma falta de sensibilidade. Essas rampas não foram o único caso. Agentes da Prefeitura começaram a perseguir o povo da rua, jogar água em cima deles. Era uma ação corriqueira, cotidiana. Depois teve aquele banco feito para a pessoa de rua ficar só sentada. Várias entidades denunciaram o descaso, as aberrações.

Vermelho: Você foi acusado, pela Prefeitura e por publicações como a Veja, de tratar o morador de rua como um “intocável” — de querer tornar permanente uma situação pontual…

JL: Eles fazem muito isso — desqualificar o interlocutor —, como se a questão se reduzisse a isso. Diziam que eu devia ir morar na rua, já que eu gostava tanto dessa gente. Desqualificam quaisquer manifestações que cobrem políticas públicas sérias, construção de moradias para moradores de rua, criação de alternativas. E tentavam também dar aquela impressão: “Eu fiz tudo que podia, e ele (o morador de rua) não quis. Tem albergue, mas ele não vai porque não quer. Ele é que não gosta de tomar banho e, por isso, não vai”.

Vermelho: É uma forma de criminalizar o morador de rua, tratá-lo como um vagabundo?

JL: É como dizer que o morador de rua não faz isso ou aquilo porque não gosta de regras. Você vai trabalhando essa animosidade no imaginário popular, na opinião pública, contra essas pessoas da rua, como quem diz: “Tem possibilidade. Eles é que não querem”.

Vermelho: Toda a administração municipal seguia essa mesma linha?

JL: Houve um episódio — e aí são as contradições da história — em que uma moradora de rua morreu em frente a um posto de atendimento na zona norte. A doutora Cristina Cury, secretária de Saúde do Serra, declarou que a moradora “morreu onde vivia”, e nós protestamos de maneira muito forte contra a fala dela. Então ela me ligou para pedir desculpas. E eu disse: “Doutora, a sra. não tem de pedir desculpas para mim. A sra. tem de ouvir os agentes comunitários de saúde da rua”. Aí ela recebeu 11 agentes e ficou tão impressionada com o relato deles que resolveu multiplicar o trabalho.

Vermelho: Dá para dizer que o conjunto da administração demo-tucana não era 100% afinado com essa política higienista?

JL: Na Secretaria da Saúde, como eu disse, nós conseguimos brechas. Já na Secretaria de Assistência Social, com o Floriano Pesaro, a parada foi dura. Hoje ele é vereador e se considera “o pai do povo da rua”. Uma vez, diante das câmeras, o Floriano me disse para todos ouvirem: “Te dei R$ 400 mil e você quer manter este povo na rua”. Eu respondi: “Não, nem você me deu, nem o dinheiro era para mim”.

Ele não pode fazer isso. Essas coisas são feitas através de ações públicas, que têm de ser transparentes. Você, se está na Prefeitura, não dá dinheiro para uma entidade porque você quer. Há fiscalização. Se ele me desse dinheiro público e eu aceitasse, os dois deveriam ser acusados de prevaricação, de improbidade.

Vermelho: Com a transição do Serra para o Kassab, melhoraram as relações entre a Prefeitura e os moradores de rua?

JL: O que acontece com a administração Kassab é que ela é muito dividida, muito partida. A presença do Matarazzo e de outros expoentes do PSDB lá dentro tornou tudo muito difícil. Com o tempo, alguns foram saindo, mas uma renca deles ainda continua lá. A gente tem tido muitos problemas com a Guarda Civil, que é ligada ao (secretário municipal de Segurança) Edson Ortega. Como todo expoente do PSDB, sua especialidade é a desqualificação do interlocutor. Eles são doutorados nesse assunto. É interessante que essa violência para desqualificar o interlocutor seja uma característica do pessoal do PSDB.

Vermelho: Numa entrevista ao Vermelho, o jornalista Luis Nassif atribuiu ao FHC a gênese dessa tendência tucana de ver políticas sociais de forma obscurantista, de tachar de “provinciana” tudo que é manifestação popular…

JL: Foi bom você falar nisso, porque há uma coisa no PSDB que é de uma maldade, uma ironia que é cáustica. Outro dia, fomos falar com o secretário Edson Ortega, e ele nos disse assim: “Mas eu não aguento ver uma pessoa caída na rua. Isso é um crime de lesa-humanidade. Vocês querem que essa pessoa, coitada, continue na rua? Não podemos deixá-la nessa situação. Nós temos de retirá-la da rua, ela queira ou não. Ver uma pessoa na rua é criminoso, atenta aos meus valores éticos e morais. Isso é da minha formação — eu sou assim, sou humanista, não posso ver”.

O discurso do PSDB entra por aí. É teatral. Eles se apropriam de um discurso que é humanista, mas que deforma a boca, porque não é verdadeiro. Você ouve e soa como ironia. A pessoa diz que é “humanista”, e é capaz de ela pegar um lenço para chorar, mas você vê que não é real. E ele repete: “Mas você quer que ele fique lá deitado na rua, morrendo de frio. Eu vou mandar recolher”.

Vermelho: A Alda Marco Antonio, vice-prefeita e atual secretária de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, disse que a Prefeitura vai deixar de tratar o morador de rua à noite, no albergue, e começará a tratá-lo durante o dia. Para isso, mostraram até duas tendas. Essa lógica tem alguma eficácia?

JL: É uma tentativa de resposta diferente. O “Jardim da Vida”, que o pessoal chama de tenda, é uma forma de atingir uma população de rua que não é atingida por ninguém. É um método em que se diminuem aquelas barreiras de acesso — o morador de rua não precisa ter documentos, pode até estar bêbado, não precisa estar vinculado a algum trabalho. Essa foi o choque com o Andrea Matarazzo. Percebe a contradição? Com toda a limpeza social, na cara do Centro da cidade se abrem dois espaços informais onde querem estabelecer vínculos com a população de rua, e ela não é obrigada a nada.

Vermelho: E o fechamento de albergues? Faz algum sentido?

JL: Você tem de ver exatamente o que isso significa. Nós, junto ao movimento, temos uma linha: mais do que albergue, queremos ter moradia — moradias comunitárias, repúblicas terapêuticas, pensões sociais. Tem muita coisa provisória, mas queremos uma política de acesso à moradia definitiva, para pessoas com baixíssima capacidade de endividamento. Hoje uma das áreas mais fossilizadas da Prefeitura é a habitação. O que a Secretaria de Habitação fez?

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



44 comentários

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Churrasco de gente diferenciada na Cracolândia em imagens | Maria Frô

16 de janeiro de 2012 às 00h07

[…] Entrevista de 2010 com Padre Julio Lancellotti […]

Responder

Eleições 2012: UDN promete limpeza étnica em SP « Tia Carmela

22 de julho de 2011 às 13h51

[…] a gestão do Sr. Slobodan Matarazzo, a limpeza pública era prioridade. Higienicamente, gente suja e fedorenta foi banida das áreas centrais, reservadas aos descendentes dos bandeirantes e dos condes e barões italianos que vieram a SP […]

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Luciana

23 de maio de 2010 às 11h16

A higienização é politica de tortura contra os pobres da cidade, aqules que efetivam o projeto na origem eram tão pobres quanto este povo.
É a guerra de classes e o ódio disseminado por políticos do mal. Quem hoje concorda com a politica de higienização poderá ser a próxima vítima.

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Urbano

22 de maio de 2010 às 19h16

Certamente que não é por acaso que o zé burranha jerico integra a cúpula da facção nazi-fascista demo/tucanalha/pig/villenium.

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Luciana

22 de maio de 2010 às 13h18

Conceição concordo com voce. Está na "moda" afirmar que raça não existe.
O que surpreende no Brasil é que temos que justificar o injustificável. Se não é expressão preconceituosa utilizem o termo "Humor branco".
Não é possível só prevalecer só uma "verdade" .
Ver, julgar e agir.
Raça biologicamente não existe, mas todos nós sabemos que é uma construção sociologica.
Para os que insistem em não compreender assistam o documentário "Olhos Azuis" disponivel no You Tube.
Para ler disponível no Google "Uma abordagem conceitual das noções de raça" texto do Professor da USP (um dos 4 professores negros) Kabengele Munanga.
Perfeita a denuncia de Julio Lancelotti. São Paulo há muito deixou de ser uma grande cidade. Hoje é o que o padre denuncia, todos nós perdemos com esta política maldosa, racista, separatista de higinização.

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Luciana

22 de maio de 2010 às 13h08

Eles governam São Paulo com a cabeça na Europa, não gostam do povo brasileiro.Dividiram São Paulo, a cidade desumanizou-se, perdeu o espírito solidário.

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robledo

22 de maio de 2010 às 10h51

Pior é que a tosca sociedade paulista adora este tipo de ação.

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Bonifa

22 de maio de 2010 às 07h10

Gabeira consegue ser pior que César Maia. Gabeira consegue ser também traidor: queria abertamente que os cientistas entregassem o segredo da tecnologia de enriquecimento de urânio do Brasil.

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beattrice

22 de maio de 2010 às 00h25

Azenha,
vou postar fora da pauta, mas no fundo é da pauta, falando em Andrea Mattarazzo e Serra, a gente lembra de um Castelo de Areia!
Excelente a sua reportagem na RECORD sobre a Operação, esclareceu o assunto sobretudo para quem não acompanha na blogosfera a luta para abrir a gaveta na qual teimam em trancá-la.
Espero que a RECORD continue quebrando a cortina de silêncio em torno desta e outras mazelas tucanas.

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tetrahidrocanibinóid

21 de maio de 2010 às 22h25

"pouca capacidade de endividamento…"
e tudo leva ao mesmo caminho… não consigo achar outra palavra a não ser tristeza.

Responder

Messias Macedo

21 de maio de 2010 às 22h02

… O DEMo de Efraim (I)Morais, José Roberto Arruda, Malvadezas [da Bahia], César Maia, aGRIPEno [Suína] Maia & famigerada Cia usam o horário eleitoral para fazer propaganda antecipada para o candidato (S)erra!
Com a palavra o TSE! http://www.youtube.com/watch?v=nIUFIU-zsvA&fe

República Destes Bananas da Direitona Oposição ao Brasil, anti-povo
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

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    Arthos

    22 de maio de 2010 às 11h54

    Olá Messias! Manda a informação para o Palocci e para o Dutra que disseram que não se candidatarão para engajar-se de corpo e alma na campanha da Dilmais presidente. Eles que saiam do marasmo petista e peitem os demos e o tucanato.

Alexandre Tambelli

21 de maio de 2010 às 21h29

Azenha! É brilhante esta entrevista… E o que me deixou chateado foi ver que um Cônego chamado Walter Caldeira que trabalha na Igreja da Sé é favorável a violência da Guarda Civil Metrpolitana contra os moradores de rua sentados nas escadarias da Igreja! É possível uma coisa dessas?! E ainda tem coragem de fazer Sermão nas Missas da Catedral! Infelizmente, é muita desumanidade, e nem aqueles que pensamos estar junto dos mais necessitados podemos confiar… Já a política serrista criou os bancos anti-mendigos… com ferros separando cada parte do banco e sem encosto pros moradores de rua não dormirem encima deles… e tantas outras atrocidades contra pessoas desprovidas de tudo, como a extinção dos albergues noturnos (no centro essas pessoas, ao menos, tem a facilidade de se alimentar pela imensa quantidade de bares e restaurantes e pelo número imenso de pessoas que circulam durante o dia e podem lhes oferecer uma ajuda) patrocinadas pelo SERRA, KASSAB e o nosso atual Secretário da Cultura Andrea Matarazzo… Os moradores de rua, certamente, estão mais pertos de Deus que todos nós: privilegiados que somos, no conforto de nossas casas e bem-alimentados!

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ademar

21 de maio de 2010 às 20h11

provavelmente os incendios criminosos em favelas estejam relacionados a isso.

Responder

    Bonifa

    22 de maio de 2010 às 07h04

    Está aí uma coisa intrigante, que deveria ser investigada a fundo. Porque tais incêndios só acontecem em São Paulo?

    Leider_Lincoln

    22 de maio de 2010 às 20h30

    Sempre me perguntei isso: por que APENAS em São Paulo?

Messias Macedo

21 de maio de 2010 às 18h45

O BOLSA FAMÍLIA E A ‘TCHURMA’ DO (S)ERRA! http://www.youtube.com/watch?v=X3y8BgD2sdE&fe
O VÍDEO ‘Serra à beira de um ataque de nervos’

E VOCÊ VAI VER TAMBÉM!: Bolsa-povo preguiçoso, política eleitoreira, Bolsa-Esmola… Nos pronunciamentos do pessoal do candidato José Ferra [a nação!]

NOTA I: agora, imaginemos o que esta gente não fala do programa Bolsa Família, in off, nas rodas dos saraus pomposos e em outros momentos de patifarias desta “elite” sórdida!

NOTA II: este vídeo, na campanha eeitoral, vai "bombar"! Trema, PIG

República Destes Bananas da Direitona Oposição ao Brasil, anti-povo
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

Responder

    Bonifa

    22 de maio de 2010 às 07h05

    E tem o bolsa-motoca, em Juazeiro do Norte.

Messias Macedo

21 de maio de 2010 às 21h45

O BOLSA FAMÍLIA E A ‘TCHURMA’ DO (S)ERRA! http://www.youtube.com/watch?v=X3y8BgD2sdE&fe
O VÍDEO ‘Serra à beira de um ataque de nervos’
José (S)erra, o candidato da vez da *DIREITONA OPOSIÇÃO AO BRASIL’, fascista eterna, golpista, corrupta, incompetente…
*Mão Nada Santa [pronunciamento enunciado em sessão do Senado, presidida pelo próprio aloprado e ex-prefeitim] : “Bolsa Família ou Bolsa-vergonha?”
*aGRIPEno [Suína] Maia [da tribuna do Senado Federal]: “Em meio à crise Internacional, o governo Lula aumenta as despesas com o Bolsa Família, senador Mão Santa”
*Roberto Freire, do PPS: “O Bolsa Família é política meramente populista, meramente assistencialista… Isto não é um programa que faça bem ao país!”

Responder

yacov

21 de maio de 2010 às 17h29

A falta de políticas públicas em Sampa, não só na área da habitação, mas nos transportes, educação, saúde, etc, só demonstra que o "estado mínimo" demo-tucânico, só cuida dos ricos, os pobres ficam ao Deus dará… E também que quem propõe a divisão da sociedade entre ricos e pobres são eles, e não o PT ou o governo LULA com suas políticas inclusivas e distributivas. No entanto, levianamente, o çerra falou, no seu discurso de lançamento de sua candidatura que ele quer a sociedade unida e não concorda com a divisão entre ricos e pobres defendida pelo governo. Quem é afinal a "gente que mente"??? São Paulo não tem política habitacional e tampouco para cuidar dos moradores de rua. Se o Akuassab derrubar o minhocão, o que eu acho muito bom, quero ver o que é que ele vai fazer com a população de rua que se abriga embaixo dele.

"O BRASIL DE VERDADE não passa na glObO – O que passa na glOBo é um braZil para os TOLOS"

Responder

Maxwell

21 de maio de 2010 às 17h02

Esse homem foi massacrado pelos meios de comunicação, tratado como um criminoso, ridicularizado, e no entanto ele continua com o seu trabalho.
Que Deus o abençoe e as pessoas que ele quer proteger.

Responder

    Jairo_Beraldo

    21 de maio de 2010 às 19h27

    Bem lembrado. Maxwell. A mídia tem destas coisas. Quando alguém se destaca por ajudar a classe menos favorecida é massacrado impiedosamente. Veja o caso do nosso presidente.

luciano coelho

21 de maio de 2010 às 16h54

Azenha, há poucos dias assisti a um filme fantástico e de uma sensibilidade digna de nota pois é uma hitória verídica. O filme se chama "O Solista", e conta o fato de um jornalista de um grande jornal de Los Angeles, por acaso, encontrar um morador de rua que era um gênio da música e ao mesmo tempo um esquizofrênico. Do encontro dos dois e da tentativa do jornalista tentar convecer o músico, um violoncelista, negro, que estudou numa das maiores escolas de música da Califórnia, a morar num albergue é comovente. Lembrei-me de que no filme o jornalista faz uma denúncia de que em L.A. existem 80.000 moradores de rua e tal qual S.P. tenta camuflar o fato e a sociedade faz de conta que ignora a coisa. Vale a pena assisti-lo.

Responder

Maria de fátima

21 de maio de 2010 às 19h51

Caro Azenha ,coloque a foto dessas rampas antimendigos e os bancos para os moradores de rua não se deitarem,assim eu e todos os brasileiros conheceremos a sanha hitlerista desse governo horroroso .

Responder

    Nelson

    21 de maio de 2010 às 21h54

    Sugiro que mostrem também as escadarias da Sé livres de moradores de rua por determinação da Cúria de SP, que não permite mais que essas pessoas ocupem as escadas para não sujá-las e "incomodar" os fiéis (atitude mais que higienista). Sobre os bancos antimendigos, sugiro também uma foto dos bancos da própria Catedral da Sé, que são idênticos aos bancos antimendigos da Praça da República, com aquelas divisões que impedem que as pessoas possam neles deitar, e que devem ter servido de inspiração para a Prefeitura. Assim a gente mostra o quanto a Igreja de São Paulo anda de braços com esse poder público nazista do PSDB/DEM.

Nelson

21 de maio de 2010 às 16h30

Lancelotti tem razão ao criticar a falta de política pública honesta em Sâo Paulo para o povo de rua, mas precisa explicar também a posição da Igreja (e sua também) que, incentivando pesadadamente o assistencialismo, acaba andando de braço com esse poder público e esvaziando de fato toda luta que vise exigir dos governos o cumprimento de sua obrigação em relação às pessoas em situação de rua. O povo de rua não precisa da caridade da Pastoral de Rua ou da Igreja ou dos religiosos: quem faz caridade, em princípio, a faz para si mesmo, para aliviar a sua própria consciência. É preciso, antes de tudo, encarar o problema do povo de rua não como alvo de assitencialismo, mas como direito e dignidade dessa população.

Responder

    Jairo_Beraldo

    21 de maio de 2010 às 19h33

    O problema, Nelson, é que eu, voce, ou qualquer um, temos este sentimento quando lemos ou assistimos uma reportagem sobre esta situação. Mas na prática, agimos de forma igual, o máximo que fazemos, é dar uma esmola, ou qualquer coisa. Mas pegar na mão deste irmãos desassistidos, ajuda-los a levantar? Não, não fazemos…sempre temos uma desculpa…por medo, falta de tempo, ou por puro egoísmo mesmo.

Patricio

21 de maio de 2010 às 15h34

O que vem a ser essa grande inovação tecnológica "rampa antimendigos", amigos paulistanos? É uma rampa que projeta os mendigos viaduto abaixo, ou coisa assim? É uma livre-adaptação tucana da política lacerdista no Rio de Janeiro?

Responder

antonio matarazzo

21 de maio de 2010 às 15h09

ateh will smith imortalizou os albergues que existem em toda a Meca do Capitalismo selvagem…. porque em sampa nem pode…

Responder

Carlos

21 de maio de 2010 às 17h22

Manchete num jornal de hoje, 21: "População não vê o Bolsa Família como uma prioridade".
Quem se alimenta todos os dias, nunca passou fome, deveria negar-se a responder indagações como essa sobre o programa.

Responder

mila

21 de maio de 2010 às 17h03

Vivo fosse Mengele seria o Ministro da Saude de Serra.

Responder

    Jairo_Beraldo

    21 de maio de 2010 às 19h34

    Quanta maldade, Mila. Voce pega pesado demais com o Zezinho.

Tweets that mention Serra é “pai do higienismo” em São Paulo | Viomundo - O que você não vê na mídia -- Topsy.com

21 de maio de 2010 às 13h52

[…] This post was mentioned on Twitter by Dr. Rosinha (PT-PR) and Congresso em Foco 2, AntonioLuiz MCCosta. AntonioLuiz MCCosta said: RT @DrRosinha: Serra é expoente do 'higienismo' contra moradores de rua em SP, diz @PeJulio (Lancellotti); http://ven.to/7Ig via @VioMundo […]

Responder

Bruno

21 de maio de 2010 às 13h41

Ihhh, LCA, tinha colocado o link quebrado no meu comentário. Vai agora a correção, me desculpe pelo transtorno.

Ah, Azenha, então tem que ver essa daqui, quando o lado obscuro da "força" segue em teus calcanhares. Muito sutil, porém gozado. Um pouquinho só de humor negro não faz mal, pelo contrário:
http://cachacaaraci.wordpress.com/2010/05/21/o-pa

Responder

    Conceição Lemes

    21 de maio de 2010 às 16h57

    Bruno, melhor apenas humor, concorda? Expressões preconceituosas, racistas, estão tão entranhadas que às vezes não nos damos conta delas no nosso dia a dia. Abs

    Bruno

    21 de maio de 2010 às 14h48

    Longe disso, querida Conceição. Nada a ver porque a expressão ampla e mundialmente aceita como "humor negro" refere-se a um subgênero do humor que utiliza situações consideradas por muitos como politicamente incorretas, usualmente de natureza mórbida, para fazer rir ou divertir o público menos susceptível. Entre os temas retratados pelo "humor negro" estão a morte, o suicídio, o racial, as doenças, a orientação sexual e a violência, dentre outros. Não é isso? Se assim fosse, também teríamos que renomear a pandemia de peste bubônica que assolou a Europa no Séc. XIV para algo que não fosse "peste negra"? Ou exigir que os pagodeiros do "Raça Negra" mudassem de nome? Juro, nem de longe isso me passou pela cabeça. Bjs, do seu fã. Bruninho.

    Conceição Lemes

    21 de maio de 2010 às 20h08

    Bruno e André, sei disso tudo, mas tem pessoas que vão enxergar diferente. Daí a nossa preocupação. Tanto que eu liberei com a observação. Do contrário, teria vetado simplesmente. Abs

    andre i souza

    21 de maio de 2010 às 16h23

    Eu Te acho o máximo, Conceição, cada texto seu é sempre um grande aprendizado. Quanto a citação do Bruno, não tem nada a ver uma coisa com outra, Conceição. ''Humor negro'' é um termo e só. O verbete ''negro'' não é só e necessariamente para se referir à uma determinada raça da humanidade, raça, aliás, mais que provado, não existe. Ora, afinal você sabe disso tudo! Isto é que eu achei mais estranho. Um abraço.

Bruno

21 de maio de 2010 às 16h13

Ah, Azenha, então tem que ver essa daqui, quando o lado obscuro da "força" segue em teus calcanhares. Muito sutil, porém gozado. Um pouquinho só de humor negro não faz mal, pelo contrário:
http://cachacaaraci.wordpress.com/2010/05/21/o-pa

Responder

Leider_Lincoln

21 de maio de 2010 às 12h58

Ele ganharia mais limpando o Tietê e impedindo enchentes ou limpando o mato e evitando o vergonhoso título que São Paulo ostenta, de campeão nacional da degue…

Responder

    Jairo_Beraldo

    21 de maio de 2010 às 13h26

    Leider, moro em Goiania e voce em Catalão. E nós dois sabemos que Goiás tem a maior incidencia de casos de dengue no país.

    Leider_Lincoln

    22 de maio de 2010 às 19h54

    Na verdade, Minas passou a ambos, embora Goiânia sozinha represente 7,5% dos casos do país.

Jairo_Beraldo

21 de maio de 2010 às 12h17

Deve ser por isso que a tucanada AMA HIGIENÓPLOIS!

Responder

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